Enochato, eu? Claro que não!

Para nós, enófilos, não há nada mais agradável que conversar, ler e escrever sobre vinhos. O nosso interesse muitas vezes parece ser inesgotável. No entanto, não deixemos que nossa paixão pelos vinhos nos transforme em verdadeiros “enochatos”. Afinal, compartilhar vinhos com amigos é tudo de bom, mas nem todo mundo é tão entendido  ou fascinado pelo assunto quanto você.

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Pensando nisso, hoje trouxemos um pequeno manual de como não se tornar um enófilo inconveniente ou, como dizem por aí, um “enochato”:

Com amigos: evite ficar descrevendo o vinho como se estivesse em um concurso de degustação. “reflexos violáceos, taninos apurados, sabor persistente…”. No mínimo seu interlocutor vai querer sair correndo diante de comentários tão rebuscados.

Não critique um vinho oferecido por um amigo: você detesta vinhos doces. De repente, seu amigo lhe oferece aquele suave, que ele adora. Pense três vezes antes de falar qualquer coisa. Provavelmente, o amigo se lembrou que você adora vinhos e achou que poderia agradá-lo. Nada de soltar pérolas como “falta corpo”, “é pobre em aromas”, “falta estrutura”. Finja que está tudo ótimo e deixe o vinho repousando eternamente na taça.

No restaurante: durante o serviço do garçom ou sommelier, experimente o vinho rapidamente – apenas para ter certeza de que não está oxidado, nem bouchonée (com gosto de rolha). Nada de ficar agitando e cheirando a bebida incessantemente.

Evite discussões: ao menos que a pessoa seja tão aficionada por vinhos quanto você, evite ficar discutindo sobre aquela safra memorável, o vinho que ganhou não sei quantos prêmios, o mais bem-pontuado por Robert Parker… É chato, amigo. Muito chato…O melhor vinho sempre será aquele que mais lhe agrada. Trata-se de algo muito pessoal.

Raposa Molhada, Caixa de Charuto, Couro: Assim são descritos alguns vinhos especiais, geralmente com alto poder de guarda. Nada a ver com a maioria dos vinhos encontrados nos supermercados e adquiridos por não-entendedores, certo? Então, esqueça essas expressões.

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Enfim, deixe para exibir seu conhecimento sobre vinhos em uma confraria que se reúne apenas para este fim ou em uma degustação técnica, por exemplo. Em almoços de família, passeios com amigos ou em um jantar romântico com aquela pessoa que você acabou de conhecer, evite completamente! E, lembre-se: ninguém no mundo sabe absolutamente tudo sobre vinhos. Somos eternos aprendizes. Apenas os humildes se tornarão especialistas nesta arte.

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