O que você espera de um Vinho?

Muito interessante um editorial que o colunista Matt Kramer escreveu para a renomada revista de vinhos Wine Spectator. Trata-se de um texto profundo, que nos faz refletir sobre o que move a nossa paixão pelo néctar de Baco. Logo de cara, a pergunta que ele lança é, no mínimo, desafiadora. Diante de tantas compras e degustações, alguma vez nos perguntamos sobre o que realmente buscamos em um vinho?

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MUITO ALÉM DO PRAZER

A maioria das pessoas diria que busca prazer no vinho. E para você, amigo enófilo? O vinho é apenas uma sensação de prazer momentâneo ou muito mais que isso? Segundo Kramer, prazer é algo muito simples e subjetivo. Não é isso o que devemos procurar em um vinho. Muitas vezes, o primeiro odor que nos vem na taça é o de frutas, resultado da fermentação da própria uva e que pode variar de acordo com o tipo de cepa. Para mim, só isso não é o suficiente. Buscamos o imprevisível, que a bebida realmente nos diga a que veio. Que fale sobre o solo de suas vinhas, a região, as famílias produtoras… sonhos engarrafados.

CADA DEGUSTAÇÃO, UMA VIAGEM

Antes de comprar um vinho, busco uma reunião de fatores que poderão potencializar minha experiência. No rótulo, as primeiras coisas que vejo são: região e tipo de uva. Acreditem, é possível viajar ao degustar um bom vinho. Você imagina os vinhedos, o cuidado dos trabalhadores na colheita e a tanicidade típica dos exemplares que estiveram armazenados durante algum tempo. Por isso, ao visitar uma vinícola, a gente logo percebe quem está ali a passeio e os que estão pelo sonho, que já estiveram ali antes, desde o primeiro momento em que degustaram um vinho do local.

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O FATOR SURPRESA

Logo, vinho “delicioso” geralmente possui pouco ou quase nenhum tanino, baixa acidez, doçura perceptível e uma certa obviedade. Dificilmente esses elementos nos levariam a algum tipo de evolução em termos de visão de mundo e experiência sensorial.

E o que queremos mais de um vinho? O fator surpresa! Se você compra um vinho mítico, super bem-pontuado (nota 100 de Robert Parker, por exemplo), onde está a surpresa? Eu quero comprar um vinho de valor mediano ou um lançamento e ter aquela sensação de que foi um dos melhores fermentados que já degustei. Eu quero alegria! Diferente do que o autor pensa, acho que sim, é possível ter prazer e descobertas em uma única garrafa. Depende muito do gosto de cada um, de suas próprias experiências e bagagens sensoriais. Vinho também é um pouco de emoção e memória afetiva.

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MEMÓRIA AFETIVA

Para mim, não se trata de um negócio. Não é algo como colecionar as figurinhas mais caras e depois ficar com pena de usar. Quero que minha filha, desde criança, tenha contato com essa maravilhosa cultura do vinho. Que associe a bebida à celebração, felicidade. Mesmo que ela ainda não tenha idade para degustar, gostaria que, no futuro, se lembrasse que alguns dos momentos mais alegres ao lado da família tiveram a participação de um bom vinho.

E você? O que espera de um vinho?

Desejo-lhes muitas descobertas, surpresas, emoção, alegrias e bons vinhos!

Leia o texto original de Matt Kramer para a Wine Spectator.

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