Vinho, Ópera e “Os Prazeres de Versalhes”

Marina Cyrino, minha amiga e cantora lírica-soprano-baphônica me convidou para uma ópera que ela irá estrear no Teatro Maison de France, aqui no Rio. Sim, eu acompanho a carreira da Diva desde que cantávamos juntas no coral da igreja. Sempre foi maravilhosa! Orgulho de amiga à parte, o nome do espetáculo é “Os Prazeres de Versalhes” (de Marc-Antoine Charpentiere) e, em determinado momento, eis que Marina me diz que o vinho faz parte do enredo.

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O vinho, uma das bebidas mais antigas da humanidade, certamente figurava no cotidiano da realeza ao longo da história, pensei. Tudo a ver! Logo me deu vontade de escrever sobre Vinho e Ópera. Afinal, ambos são formas de arte que mexem com nossos sentidos.

UM POUQUINHO DE HISTÓRIA

Considerada a síntese da literatura em música, a Ópera se desenvolveu em cidades cosmopolitas, como Milão, Viena, Paris, Florença e Dresden, todos lugares onde os nobres comerciantes tinham dinheiro suficiente para encomendar a execução deste tipo de espetáculo. Por coincidência, cidades onde o consumo de vinho era comum, assim como a existência de vinhedos nas proximidades.

O TEMA DO VINHO NA ÓPERA

A temática do vinho pode ser encontrada em diversas produções do gênero, em cenas ambientadas em bares, festas, onde muitas vezes os personagens estão representando e cantando sobre o néctar de Baco e seus efeitos.

Mozart incorporou o vinho em muitas de suas óperas. Em Don Giovanni (1787), por exemplo, o personagem principal canta uma música sobre o planejamento de uma festa onde todos ficariam “alterados com o vinho”, o que provavelmente favoreceria seus progressos com as meninas no tal baile.

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Mas nem sempre o vinho era o mocinho da história. Na opereta “O Morcego”, do compositor alemão Johann Strauss, em determinado momento, o Champanhe, considerado o Rei dos Vinhos, é responsabilizado por todas as desgraças dos personagens, sendo verificado no trecho,” O Champanhe foi o motivo para todos nós termos sofrido hoje”. 

Porém, uma das canções de ópera mais conhecidas em relação à temática do vinho é a famosa La Traviata, de Verdi (1853). O título, algo como “Vamos Beber Dos Cálices Alegres” é entoado em uma festa, tarde da noite, quando Alfredo tenta cortejar Violetta: “Libiano, vamos beber dos cálices alegres. Nossa beleza está florescendo, vamos beber. O amor entre os cálices fará nossos beijos mais quentes.”

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Violetta se junta a ele na canção e o casal inicia um breve relacionamento antes que as coisas comecem a desandar…

Esses são apenas alguns exemplos de como o vinho aparece em inúmeras óperas, não importa o gênero ou os rumos da história. Na ópera, o vinho geralmente é usado como um catalisador dramático, ou seja, um produto que terá um efeito sobre a cena e que poderá mudar as circunstâncias de alguma forma.

O VINHO EM “OS PRAZERES DE VERSALHES”

“Os Prazeres de Versailles” foi escrita para ser representada nas dependências do castelo de Luis XIV, em apresentações privadas oferecidas pelo rei em seu palácio. Os principais personagens são a Música, a Conversação, Comus (o Deus das festas, filho de Baco) e o Jogo. Seu enredo hedonista trata da arte e do prazer de entregar-se aos momentos de ociosidade, em meio à disputa dos prazeres em definir quem é o maior prazer. Obviamente, o vinho está entre os prazeres.

A incessante tagarelice da Conversação interrompe o canto da Música. Uma questão se instala e o tom aumenta: qual das duas é mais essencial ao prazer do rei, a Conversação ou a Música? Temendo que elas desapareçam do castelo de Versallhes, o Deus das festas é invocado para intervir. Ele oferece a cada uma delas chocolate, o mais fino dos vinhos e tortas. Mas é tudo em vão. Ele solicita então a ajuda do Jogo, que é imediatamente derrotado e as duas rivais continuam sua disputa.

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Apesar de tudo elas acabam se reconciliando e, para o alívio de todos, a Música e a Conversação continuarão a sua missão de agradar o grande rei Luis XIV, nos períodos em que ele não estiver ocupado com a guerra. Claro que elas fazem as pazes com vinho! Sim, esse néctar que de um jeito ou de outro está em todas as formas de arte. O vinho que, por si só, já é resultado do talento de um grande artista.

Ingressos à venda: 
Data: 19 e 26 de outubro de 2016 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Maison de France – Av. Pres. Antônio Carlos, 58, Centro
Rio de Janeiro
Telefone: 2544-2533
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Venda antecipada na Bilheteira do Teatro e no site www.ingresso.com
Classificação Livre

Boa sexta! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Vinography, Assessoria de Os Prazeres de Versalhes

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