Vinho e História: Desvendamos a Relação Entre Napoleão Bonaparte e o Champagne Moët & Chandon

Quando lembro de Napoleão Bonaparte nem sempre Champagne Rosé é a primeira coisa que me vem à mente. Sim, logo de cara, penso no grande líder que empurrou seus exércitos em direção a vitórias em batalhas históricas. Porém, todo amante do vinho já ouviu falar sobre a mítica ligação entre Napoleão e o borbulhante champagne, mais precisamente os da Casa Moët & Chandon. 

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A AMIZADE COM JEAN-RÉMY MOËT

A conexão entre Bonaparte e a dinastia da famosa Casa de Champagne começou em 1782, quando o futuro imperador cursava a Escola Militar em Brienne Le Château. Foi lá que ele conheceu Jean-Rémy Moët, neto de Claude. O jovem herdeiro estava na escola resolvendo alguns dos negócios da família quando encontrou Napoleão.

Sabemos que a palavra “Champagne” sempre soou como música para os ouvidos de Napoleão. Logo, a afinidade entre os dois rapazes foi praticamente instantânea. A partir dali, uma amizade leal e duradoura se firmou, levando a luz da efervescente bebida a ocupar um papel de destaque na história francesa.

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E essa importância se deu porque antes de cada campanha militar Napoleão fazia questão de visitar a Maison Moët a fim de se abastecer com caixas e mais caixas de champanhe. E isso ocorreu em todas as batalhas, exceto em Waterloo, de acordo com o livro “Champanhe”, de Don and Petie Kladstrup (que recomendo fortemente a leitura!)

Talvez venha daí a célebre frase:
“Champanhe: na vitória é merecido, na derrota  é necessário!

A PRIMEIRA GRANDE DERROTA

Entretanto, mesmo nas derrotas de Napoleão a amizade com a família Moët seguia firme e forte. Vejam, por exemplo, o caso da Guerra da Sexta Coligação. Foi um terrível desastre para o imperador, bem como para a França e seu povo.

Afinal, essa derrota não só conduziu Napoleão ao seu primeiro exílio na Ilha de Elba como, na sequência, teve uma invasão de russos à região da Champagne, quando os mesmos esvaziaram praticamente todas as adegas. Ou seja, todas as casas foram saqueadas, sendo que a de Moët foi a que obteve maiores baixas e presenciou cerca de seiscentas mil garrafas serem esvaziadas por soldados acampados nas instalações.

A PREVISÃO DE JEAN-RÉMY

Porém, mesmo essa grande derrota não foi capaz de enfraquecer os laços que existiam entre Napoleão e Jean-Rémy Moët. Ao invés disso, Moët se lembrou de um antigo ditado francês, “Qui a bu, boira” ou em bom português, “Aquele que bebeu uma vez, vai beber novamente”. Ou seja, “Todos aqueles soldados que hoje estão me arruinando hoje farão minha fortuna amanhã”, disse Moët a todos os seus amigos. “Vou deixá-los beber o quanto quiserem. Eles serão fisgados e se tornarão meus melhores vendedores quando retornarem ao seu próprio país”

Como podemos ver, Jean-Rémy não estava apenas sendo leal a seu amigo Napoleão. “Ele estava totalmente certo”, escreveram os Kladstrups no livro que é uma verdadeira biografia do Champanhe. Os negócios de Moët cresceram vertiginosamente nos anos seguintes e, entre seus muitos novos clientes, estavam justamente alguns dos maiores adversários de Napoleão Bonaparte, incluindo o Primeiro Duque de Wellington e Frederick William III da Prússia.

PROVAS DE AMIZADE E LEALDADE

Se toda essa história não foi suficiente para te convencer da força dessa conexão Bonaparte-Moët, considere os presentes que foram trocados pelos amigos ao longo dos anos. Começamos com a réplica do Grand Trianon (sim, o castelo de Versalhes!) que Moët construiu em sua propriedade como quartos de hóspedes para Napoleão e a Imperatriz Josephine sempre que o visitavam.

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Não é grande coisa, certo? Apenas um belo gesto de gratidão. Naturalmente, Napoleão também estava à altura quando o assunto era presentes. Ele não apenas concedeu à família Moët o último de seus famosos chapéus bicorn, como também presenteou-os com sua cruz de oficiais da Legião de Honra – a mais alta condecoração francesa de mérito para realizações civis e militares, em virtude de todos os seus esforços para estabelecer a França como líder mundial na difusão da cultura do vinho.

Contudo, sem dúvida, o presente que mais representa essa amizade é a criação da Champagne Moët Imperial (branco e rosé), rótulos que compõem a maior parte da produção de Moët & Chadon. Na verdade, esses exemplares foram os responsáveis pelo fato de muitas vezes lembrarmos de Napoleão quando o Champagne Rosé nos vem à mente. Afinal, a garrafa “Imperial” foi nomeada desta forma logo após o falecimento do imperador, em 1869, e desde então a casa passou a produzir suas garrafas com essa denominação.


Definitivamente, fatos que serão lembrados na próxima vez em que você estiver degustando um belo e borbulhante champanhe. Então, acho que quem acompanha o blog sabe o quanto também sou apaixonada por história. E, se vinho é história engarrafada, sem dúvida, esse artigo me deixou muito feliz!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Livro “Champanhe” (Don & Petie Kladstrup), editora JZE./ Vine Pair.

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