Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego

Na última sexta-feira estive no Restaurante Terra Brasilis, na Urca, a fim de conhecer um pouco mais sobre os vinhos da Vinícola Vaeni Naoussa, um dos maiores grupos de produtores de vinhos da Grécia.

Sim, a Vaeni controla a maioria dos vinhedos na área de Naoussa que, de acordo com mitologia grega, foi o berço do deus Dionísio, nosso amado Baco, símbolo do vinho até os dias de hoje.

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O evento contou com enófilos, formadores de opinião e profissionais do setor, que assistiram a uma palestra superinstrutiva com a Sommelière Alessandra G. Rodrigues, formada pela A.I.S italiana. Já tinha ouvido muito falar dela e adorei conhecê-la pessoalmente.

VARIETAIS NATIVAS E SUPERDIFERENTES

Além de ser uma simpatia, Alessandra explicou tudinho, tanto sobre os vinhos quanto sobre a história por detrás de toda essa cultura na Grécia. Sem falar os nomes das varietais de uvas autóctones (nativas), que definitivamente ainda não estamos acostumados por aqui, sendo que a XINOMAVRO é uma das mais importantes, figurando em grande parte dos caldos, seja sozinha ou em assemblages (misturas). Vale destacar, ainda, nomes de outras varietais pouco conhecidas por aqui, como a Agiorgitiko, Negoska e Savatiaco, presentes em brancos e tintos. 

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OS TRÊS VINHOS DEGUSTADOS

Desde 1983, Vaeni Naoussa é responsável por cerca de 50% de toda a produção de vinhos na Grécia. Trata-se de um terroir perfeito para tintos requintados e brancos de expressão mineral. Já é a terceira vez que o grupo vem ao Brasil apresentar seus vinhos, sobretudo pela confiança de que o frescor dos caldos gregos possam, enfim, cativar o paladar do público brasileiro.

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São vinhos leves e muito sutis, diferentes do que estamos acostumados no Novo Mundo.

 

Sem dúvida, o branco foi o meu rótulo preferido, visto que sou fã de caldos que expressam mineralidade (reflexo do solo da região produtora). Combina perfeitamente bem com pratos à base de ostras e mariscos. Já os tintos são leves, lembram a Pinot Noir e a Gamay francesas. Imagino-os como pares ideais para queijos e carnes vermelhas mais leves.

Vejamos os vinhos:

1) DOGMATIKOS (BRANCO) – PGI MACEDÔNIA

Esse foi o primeiro a ser servido e com certeza foi o meu favorito. Elaborado com a Xinomavro, trata-se de um Blanc de Noir (Um branco feito com uva tinta) de coloração dourada e brilhante, declarando sua ótima acidez. Leve, conta com 11.5% de volume alcoólico. Possui aromas de frutas brancas, com destaque para pera e maçã verde, além de uma expressão mineral inconfundível, que muitas vezes toma conta do nariz. Na boca essas nuances se confirmam, acompanhadas de uma média persistência e final redondo. 

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E o que falar do designer da garrafa? É lindo de tudo, com cachos de uvas trabalhados no vidro. Quase um objeto decorativo. 

2) GRANDE RESERVÉ – NAOUSSA (13% vol)

Produzido nos vinhedos de Naoussa, noroeste da Macedônia, esse tinto Xinomavro, de  coloração rubi e aro-rubi-claro, passa por uma filosofia de amadurecimento própria dos vinhos gregos, sendo armazenado por 2 anos em barricas de carvalho francesas e 2 anos na garrafa. De corpo e taninos médios, se expressa com aromas de frutas vermelhas e especiarias. Achei a madeira bem discreta para um Grand Reserva. 

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3) MAKEDONIKOS RED – MACEDÔNIA – (12% vol.)

Esse tinto, elaborado com as varietais Xinomavro e Syrah, me remeteu a um Pinot Noir ou Gamay franceses. Achei a cor dele linda, rubi-clara, sem reflexos, quase um vermelho. No nariz se expressou delicado, com notas de groselha e cereja ao marrasquino, muito agradável. Pensei que a Syrah fosse adicionar uma certa potência, mas descobri que, em se tratando de vinho grego, tudo é uma surpresa! Leve e de taninos sedosos, desce fácil e combina com queijos e pratos leves. Antes de ser engarrafado, amadurece por 9 meses em barricas de carvalho francesas e deve ser servido entre 16 e 18ºC. Curti! 

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UM POUCO DA HISTÓRIA DO VINHO NA GRÉCIA

Segundo a História, as vinhas e o vinho apareceram pela primeira vez na Grécia, por volta de 4000 a.C. Dionísio, filho de Zeus, era o deus da vegetação e do vinho e era adorado com festas e eventos em várias ocasiões.

Antigos autores escreveram sobre as áreas de produção, as celebrações e as festividades do vinho. Existem descrições detalhadas de processos de produção de vinho em inscrições que datam de 2500 a.C. A mais antiga prensa de vinho do mundo foi conservada na área de Arhanes, na ilha de Creta. Foram encontradas grainhas de uvas em túmulos antigos. Na Ilíada, Homero também descreve muitas cidades e regiões da Grécia como produtoras de vinho e elogia as suas tradições na produção desta bebida.

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Na Grécia Antiga, o vinho era utilizado não só como bebida, mas também como medicamento. Era servido em copos de várias formas e tamanhos, cada um com um nome diferente. Vasos como as ânforas eram utilizados para servir o vinho no Symposium. As Kratiras (krater) eram vasos largos, de excelente qualidade, usados para armazenar o vinho. Um dos mais magnificentes kraters e também um dos mais bem conservados, está exposto no Museu Arqueológico de Salonica, uma peça da Escola de Praxíteles.

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A Grécia produz uvas para vinho e fruta seca. No país são cultivadas cerca de 250 variedades de uvas. O vinho grego é de boa qualidade. Só por si é uma bebida refrescante mas é também um ótimo acompanhamento para as refeições. De Norte a Sul, o país é rico em bom vinho. As vinhas são cultivadas em quase todo o continente e em todas as ilhas. No norte da Grécia, as áreas de produção de vinho mais importantes são Naoussa, Goumenisa, Amynteo, Siatista e Halkidiki. Algumas das variedades produzidas na Macedónia são Xynomavro, Moshomavro, Athiri, Asyrtiko e Agioritico, produzido nas vinhas do Monte Athos (Agio Oros).


Então é isso, enoamigos! Eu nunca tinha experimentado vinho grego e, para mim, foi uma surpresa, visto que são produtos de um terroir único e se expressam de uma forma toda particular, com toda uma personalidade própria.

Até a próxima! Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Vaeni Naoussa, Hellonet.pt

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