O Mistério sobre o Fundo da Garrafa de Vinho

Volta e meia me perguntam,

“Por que as garrafas de vinho tem aquele fundo enorme para dentro? É sinal de que o rótulo é de melhor qualidade?”

O vinho existe desde os tempos mais remotos, porém, a garrafa de vidro só entrou em evidência no século XVII, quando a bebida se firmou como um produto de alta classe, destinado a celebrações e banquetes. A posterior criação do champagne obrigou a melhorarem ainda mais seu desenho, a fim de deixá-la ainda mais resistente à pressão do gás carbônico. No entanto, essa não é a única razão pela qual até hoje se fabrique garrafas com o fundo interno mais aprofundado. Na verdade, há muitos motivos para isso, quase todos históricos.

Antes da aparição do vidro, o vinho estava mais exposto ao oxigênio, tendo que ser consumido logo, pois, do contrário o mesmo oxidava fácil. A garrafa de vidro permitiu armazenar a bebida durante mais tempo, resultando num vinho melhor. No início, as garrafas eram fabricadas artesanalmente com a técnica de sopro. Eram todas de cor verde, devido às impurezas do material (que não se filtrava) e tinham tamanhos ligeiramente diferentes por conta da produção artesanal, ao passo que sua capacidade variava entre 700 e 800ml. Porém, a verdadeira razão pela qual o fundo era côncavo se dava pelo fato de que não se devia deixar exposto o ponto por onde se havia soprado a garrafa.

Quando fechado, o buraco deixava uma marca no vidro que poderia arranhar uma mesa ou tornar a garrafa instável. Como solução, as garrafas foram projetadas com o fundo côncavo, um design que prevaleceu mesmo após a H. Ricketts & Co. patentear uma forma de fabricar as garrafas mecanicamente, eliminando o problema do ponto do sopro.

No entanto, o fundo côncavo das garrafas de vinho serve para mais de uma função. Uma delas é distribuir a pressão dentro do contêiner , a fim de suportar o processo de rolagem durante o transporte e, principalmente, a alta pressão dos vinhos espumantes. A curva também adiciona peso ao fundo, o que dificulta o desmembramento da embalagem.

Além disso, evita que o vidro rache facilmente, o que diminui a probabilidade de que a garrafa se quebre durante o transporte. Facilita, ainda, a limpeza e a reciclagem, distribuindo o jato de água por todo o fundo.

O mesmo efeito entra em jogo com relação aos sedimentos do vinho, que permanecem nas laterais do fundo quando a bebida envelhece (sem serem despejados na taça). Finalmente, o design permite que as garrafas sejam melhor empilhadas, produz a sensação de que o recipiente contém mais líquido e, sim, permite que o sommelier agarre a garrafa com mais facilidade e explique os benefícios do vinho.

Ou seja, uma garrafa, mil e uma utilidades. E, sim, decidi que, apesar do mundo de conteúdo produzido ao longo desses anos (o Vila Vinífera já tem mais de 3 anos!), vou atualizar bem mais.

Bora, meu povo! Santé!

O que é o que é: não é tinto, mas tem tanino. Não é branco, mas esbanja acidez. Sim, é ele! O meu queridinho Rosé, que me encanta, sobretudo, por sua versatilidade e variedade de estilos. 

Com a chegada do calor, os rosados se apresentam como ótimas opções, seja para acompanhar o happy houre as festinhas à beira da piscina ou simplesmente para apreciar um belo pôr-do-sol à beira mar.

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Liberte-se do preconceito e se abra ao Rosé, que foi a bebida oficial do último verão na França, onde cujas vendas já ultrapassaram as do vinho branco! Sem falar que é o favorito de celebridades como Madonna, Sting e Drew Barrymore. Mas, se você pensa que se trata de uma moda recente, saiba que o Rosé faz parte do mundo do vinho há séculos.

DE ONDE VEM O VINHO ROSÉ

Se o vinho tinto é feito com uvas tintas e o branco com uvas brancas, do que é feito o rosado? Uma vez que as uvas rosadas não existem (com exceção da Zinfandel, mas aí é outra história), a melhor forma de se produzir um bom Rosé é através do contato do suco da uva (mosto) com as cascas. Afinal, são elas que contém as antocianinas, substâncias que transmitem cor à bebida. E quanto maior for o contato do mosto com as cascas, mais cor terá o vinho!

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Ou seja, a cor do Vinho Rosé se dá pelo contato do suco (mosto) com as cascas, visto que, sem elas, o resultado será simplesmente o de um vinho branco. E esse contato dura o tempo necessário para um vinho mais claro, casca de cebola, ou mais escuro, em tom de cereja. Pode durar de 1 a 6 horas, de acordo com a preferência do enólogo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Os vinhos mais claros sempre estiveram presentes ao longo da história do vinho. Evidentemente, o termo rosé não era empregado, mas o aspecto lembrava muito essas cores rosadas, alaranjadas e as várias tonalidades assumidas pelo rosé. Isso é mais ou menos intuitivo de conceber, pois em épocas remotas, a técnica de vinificação era rudimentar e pouco dominada. Portanto, as macerações eram relativamente curtas e os vinhos eram tomados normalmente jovens.

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Além disso, era muito comum fermentarem juntas, uvas brancas e tintas. Não havia o conceito de envelhecimento do vinho, sobretudo antes da existência da garrafa e da rolha. Este gosto antigo chamava esses vinhos como vinhos de prazer. Os vinhos de cores mais acentuadas, semelhantes ao que conhecemos hoje, eram denominados vinhos de alimentação, destinados aos trabalhadores braçais. Eram frutos de macerações longas, prensagens grosseiras, elaborados com pouco cuidado. Os termos usados para esses vinhos eram vin nourriture e vinum rubeum.

Na Idade Média, em vários quadros onde o vinho aparece, notamos uma cor que nos lembra os vinhos rosés. Na época, chamado de Vinum Clarum ou Claret. A foto abaixo ilustra este fato.

4 RÓTULOS PARA DESCOBRIR OS ROSÉS

Agora que vocês já conhecem um pouco mais sobre os Rosados, que tal ir mais a fundo e degustar Rosés de países e estilos diferentes? Aqui eu indico 4 rótulos para começar a brincadeira:

  1. Rosé Francês:

    Falar de rosé no mundo é falar de França. E falar de França, é falar de Provence, seu grande vinho emblemático. 

L’Opale de la Presqu’Ile de St. Tropez é um vinho elegante, fresco e muito saboroso. O visual é de coloração casca de cebola, acobreado, é bem típico da região. Límpido e muito brilhante, possui aromas que lembram rosas, morango fresco, cereja e canela.

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2- Rosé Português:

Cor-de-rosa e refrescante, o estilo do Mateus, Rosé mais vendido em Portugal, conta com uma efervescência ligeira e extremamente versátil.

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Criado em 1942, o Mateus tem aquela garrafa linda e estilosa, cujo formato foi inicialmente inspirado nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. Era o preferido de Jimmy Hendrix e, até hoje, dizem que a Rainha Elizabeth II tem sempre uma garrafinha de Mateus em sua adega.

3- Rosé Argentino:

O estilo do Rosé Argentino, elaborado com a uva Malbec, costuma tender mais para a cor cereja. Em alguns casos chega a ser só um pouco mais claro que um tinto. O Crios, da Susana Balbo, na minha opinião, é o melhor em termos de cor, olfato e paladar. Possui nuances de frutas vermelhas e negras frescas, com notas florais. Ótimo Custo-benefício, da Importadora Cantu Wines.

 

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5 – Rosé Brasileiro:

Claro que eu não poderia deixar de sugerir um Rosé 100% nacional. Sou simplesmente APAIXONADA pelo Marie Gabi, da vinícola Routhier & Darricarrère, da Campanha gaúcha (RS). A cor dele é um casca de cebola bem clarinho, do tipo que fica macerando por, no máximo, 1 hora. Além do rótulo fofo, o Marie Gabi possui toques cítricos e herbáceos. No aroma, notas florais, de amêndoas e frutas vermelhas. Vale a pena!

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Então é isso, viníferos! Fico feliz em ver que mais e mais enófilos estão se rendendo ao néctar rosado, que ainda tem muito o que ser descoberto. Todos os rótulos listados acima foram provados e aprovados por mim e a maioria conta com um ótimo custo-benefício.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Vine Pair, Vinho Sem Segredo

 

 

Rota Rosé: As Surpresas do Languedoc Roussillon

Quem me conhece sabe que eu não resisto a um bom vinho rosé. Sim, e tenho tentado difundir seu consumo, sobretudo entre os resistentes e preconceituosos.

Os néctares da Provence sempre foram os meus preferidos! E, embora os rosados estejam presentes em todos os lugares do mundo, o próprio cenário da Provence, com Saint Tropez, o sol, as lavandas, iates e muita gente bebendo rosé, sem dúvida, torna a região ainda mais irresistível.

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Porém, em se tratando dos pinks, ultimamente tenho me aberto ao novo, com grandes surpresas. Os rótulos do Languedoc, região do sul da França, por exemplo, são os destaques da vez.

LANGUEDOC ROUSSILLON E SUAS SURPRESAS

Situado a oeste da Provence, na costa do Mediterrâneo, o Languedoc Roussillon esbanja praias, parques de flamingos (<3), salinas, pesca de enguias, pontes romanas, fortalezas e muito mais. Porém, em se tratando de vinho, a região tem dividido opiniões.

Não faz…

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Wine Drinks: 3 Coquetéis Com Vinho do Porto para Alegrar sua Primavera

Aos poucos, o inverno sai de cena, dando lugar à estação das flores. Nessas horas, nada como arriscar drinks diferentes e mais alegres. E se você acha que o Vinho do Porto só funciona bem com queijos azuis e sobremesas, abra seus horizontes, pois os fortificados fazem bonito como ingrediente de coquetéis para lá de originais.

Caderninho em mãos, então, bora anotar as receitinhas para já ir praticando no fim de semana:

1 – PORTO ROYAL

Esse é o drink perfeito para degustar após um jantar memorável. Suas visitas vão amar!

Ingredientes:

  • 1 dose de Tequila Ouro ou Mezcal (outro destilado obtido do algave, só que mais difícil de encontrar por aqui).
  • 3/4 de dose de Vinho do Porto Tawny
  • 3/4 de dose de Meletti (licor italiano) ou Licor de Anis
  • Cereja para enfeitar

port-mezcalModo de Fazer:

  • Adicione todos os ingredientes (exceto a cereja) numa coqueteleira e preencher com gelo.

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Wine Show Família Paludo Reúne Gastronomia, Bons Rótulos e Novidades

Na última segunda-feira, 24 de setembro, estive num dos melhores eventos de vinhos do Rio (sem dúvida!). E sabem o melhor de tudo? Aconteceu bem aqui na minha cidade. Realizado no Restaurante Família Paludo, o Wine Show há anos faz parte do calendário gastronômico de Niterói.

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A edição 2018 contou com nada mais nada menos que 11 importadoras, que apresentaram algumas das pérolas de seus portfólios – cerca de 90 rótulos, sendo que desses, 30% eram de novidades do setor.

AMBIENTE EM SINTONIA COM OS AMANTES DOS VINHOS

Fato que Niterói entrou definitivamente no mapa vinífero carioca. E não falo só dos eventos e degustações que pipocam pela cidade. A galera do Rio, sobretudo os fãs da boa gastronomia, têm se interessado muito por vinhos finos. Sim, em apreciar e curtir de verdade o que vem dentro da taça.

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Isso ficou bem claro no Wine Show da Paludo, que estava supermovimentado. Sucesso total! O local já ajuda muito, com ambiente intimista, à meia luz, ou seja, um verdadeiro convite aos prazeres de Baco.

PRESENÇA DE GRANDES IMPORTADORES

Os eventos de vinhos são excelentes formas de divulgar a cultura da bebida para o grande público. E faz tempo que as empresas se deram conta dessa importância. Tanto isso é verdade que o Wine Show da Paludo, por exemplo, contou com a presença da Mistral, World Wine, Barrinhas, Cantu, Casa Flora, Interfood, Zahil, Winebrands, Berkmann, Asa Import e Hannover. Sem dúvida, grandes importadoras, com rótulos capazes de encantar curiosos, iniciantes e iniciados.

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Nas fotos a seguir inclui alguns dos rótulos que mais me chamaram a atenção. Sem falar na parte de gastronomia, que esbanjou comidinhas deliciosas, incluindo um queijo de cabra maravilhoso e produzido aqui mesmo na cidade sorriso.

Ano que vem espero participar novamente. Afinal, sou “nascida e criada” em Niterói, de modo que valorizo demais os eventos da minha cidade.

Até a próxima! Excelentes vinhos! Tim-Tim!