Miolo Encanta em Lançamento de Sua Linha Single Vineyard

Na última terça, 7 de agosto, estive na Majórica, uma das churrascarias mais tradicionais do Rio de Janeiro, para o lançamento da linha Single Vineyard, do Grupo Miolo.

Foi um jantar harmonizado para 150 pessoas e que me surpreendeu muito positivamente, seja pelo serviço, organização, vinhos e pratos apresentados.

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Logo na entrada fomos recebidos com uma taça de Espumante Millésime, um dos meus queridinhos em se tratando de borbulhas genuinamente brasileiras (e olha que somos ótimos em efervescência!).

Em seguida, ninguém menos que Adriano Miolo, enólogo e Superintendente Geral do grupo, nos falou sobre a nova linha, a fim de nos preparar para o que viria: um verdadeiro show de caldos com personalidade para dar e vender (sim, o valor é bem acessível frente a qualidade que os rótulos entregam).

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SINGLE VINEYARD

O Single Vineyard é um vinho de um único vinhedo, onde se encontra a máxima expressão do Terroir. A linha conta com 4 rótulos, sendo que o Touriga Nacional, proveniente do projeto Seival, na Campanha Gaúcha, foi inclusive premiado com 93 pontos pelo Guia Descorchados, referência em fermentados sul-americanos, de autoria de Patricio Tappia.

MIOLO SINGLE VINEYARD RIESLING JOHANNISBERG 2018

Nada como iniciarmos com um branquinho. E, sem dúvida, o Riesling foi um dos meus preferidos. Com estilo alemão renano, é aromático, do tipo que vai abrindo na taça. Aliás, deixei um pouquinho para apreciar com o olfato no final do jantar e estava simplesmente incrível. Harmonizou superbem com bolinhos de bacalhau.

Segundo Adriano Miolo, trata-se de um vinho de safra 2018 com alguns bons anos pela frente, ou seja, ainda tem muito para evoluir. Sem dúvida, apresentou-se como a expressão máxima dessa variedade em solo brazuca.

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A uva Riesling Johannisberg, casta mais conhecida por Riesling Renano, deve o seu nome ao Scholoss (castelo) Johannisberg, vinícola alemã da Região do Rheingau que desde 1720 cultiva exclusivamente Riesling.

O Miolo Single Vineyard Riesling Johannisberg é oriundo da Região da Campanha Central, do micro-lote do Vinhedo da Toca do Tigre, Quadra 121, Parcela A, através de colheita manual e seletiva de 1,5 héctares.

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Visão: Límpio, de cor transparente com reflexos esverdeados.
Nariz: Flores e frutas brancas, pura alegria engarrafada.
Boca: Vinho jovem, muito agradável, vívida estrutura ácida, pontiagudo e fresco.

MIOLO SINGLE VINEYARD PINOT NOIR 2017

Continuamos com o Pinot Noir, que já chegou quebrando paradigmas. Afinal, acompanhou nada mais nada menos que Camarão ao Alho e Óleo com Rodelas de Palmito. Ou seja, se você acha que vinho tinto não vai bem com frutos do mar, saiba que esse rótulo leve, da Região da Campanha Meridional, fez muito bonito, viu?

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A Pinot Noir é sempre um dos maiores desafios para qualquer agrônomo e enólogo. Trata-se de uma casta sensível, difícil de cultivar e que se expressa muito bem em lugares frios. Talvez por isso tenha se encontrado no terroir da Quinta do Seival, região de baixas temperaturas, situada quase na fronteira com o Uruguai.

Visão: Vermelho-Rubí intenso, sem reflexos.
Nariz: Franco, com excelente intensidade frutada, bouquet fino e delicado.
Boca: Fresco, foi servido mais geladinho, revelando uma agradável acidez, com taninos delicados.

MIOLO SINGLE VINEYARD SYRAH 2017

Sem dúvida, o Syrah foi o meu queridinho da noite (e de todos os que dividiam a mesa comigo). Vinificado no ano de 2017 no Vale do São Francisco, essa lindeza estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.

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Ficou divino com Carré de Cordeiro com aquela farofinha esperta da Majórica. Aliás, trata-se dos primeiros resultados da Miolo com a casta Syrah, na Vinícola TerraNova, às margens do Velho Chico.

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Visão: Púrpura com reflexos violáceos.
Nariz: Frutas vermelhas maduras (compota), com nuances defumadas e de especiarias, sobretudo pimenta preta.
Boca: redonda, com baixa acidez e marcante em taninos. Muita presença e persistência.

Um vinho que certamente ainda tem muito o que evoluir. Dá para guardar e degustar daqui a uns cinco anos que, provavelmente, estará em sua melhor forma. Quero uma garrafinha para mim! Fato!

MIOLO SINGLE VINEYARD TOURIGA NACIONAL 2017

Enfim, chegamos ao prato principal, que foi acompanhado pelo Touriga Nacional 93 pontos no Descorchados e que também fez o maior sucesso entre os convidados.

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E o que rolou no prato principal? Simplesmente o Bife de Chorizo da Majórica, com batatas chips e legumes grelhados. Casamento perfeito!

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O Miolo Single Vineyard Touriga Nacional é proveniente da Região da Campanha Meridional. Feito de uvas colhidas na safra 2017, no micro-lote do Vinhedo da Tapera, Quadra 15, Parcela B, através de colheita manual e seletiva de 1,3 hectares. Mais uma lindeza da Quinta do Seival.

Visão: vermelho-rubi com reflexos violáceos.
Nariz: Notas de flores, frutas vermelhas, baunilha e carvalho (amadurece 12 meses em barricas francesas)Boca: Corpo médio. Notas do nariz se confirmam em boca. Bom volume e persistência.


O gran finale ficou por conta da sobremesa – banana frita com canela e açúcar! Para acompanhar, Miolo Cuvvé Tradition Demi-Sec – um dos espumantes que, particularmente, acho que ficam perfeitos com doces, sobretudo por entregar dulçor e acidez sem se mostrar enjoativo.

E aí, amigos? Quais os rótulos que vocês tiveram mais vontade de provar? Se já degustou algum, conta para mim o que achou.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Rota Rosé: As Surpresas do Languedoc Roussillon

Quem me conhece sabe que eu não resisto a um bom vinho rosé. Sim, e tenho tentado difundir seu consumo, sobretudo entre os resistentes e preconceituosos.

Os néctares da Provence sempre foram os meus preferidos! E, embora os rosados estejam presentes em todos os lugares do mundo, o próprio cenário da Provence, com Saint Tropez, o sol, as lavandas, iates e muita gente bebendo rosé, sem dúvida, torna a região ainda mais irresistível.

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Porém, em se tratando dos pinks, ultimamente tenho me aberto ao novo, com grandes surpresas. Os rótulos do Languedoc, região do sul da França, por exemplo, são os destaques da vez.

LANGUEDOC ROUSSILLON E SUAS SURPRESAS

Situado a oeste da Provence, na costa do Mediterrâneo, o Languedoc Roussillon esbanja praias, parques de flamingos (<3), salinas, pesca de enguias, pontes romanas, fortalezas e muito mais. Porém, em se tratando de vinho, a região tem dividido opiniões.

Não faz muito tempo o Languedoc era famoso por ter muito vinho mal feito. Seus excelentes solos e invejáveis condições climáticas levaram a uma superprodução de vinho na era pós-industrial.

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“Enquanto outras áreas como Bordeaux, Borgonha, Champagne e Rhone recebem muita atenção e glória, o Languedoc fez o trabalho pesado, produzindo um terço do vinho da França.”

(Steve Prati, jornalista).

A produção maciça na região foi principalmente da variedade de vinhos a granel, fornecendo suco barato para um mercado global em expansão.

BOAS PERSPECTIVAS

Agora, felizmente o Languedoc tem tomado novos rumos, com o renascimento do vinho local. Suas terras nunca foram tão valorizadas, recebendo investimentos dos principais produtores da Borgonha e de Bordeaux, ao passo que vem se tornando um chamariz para jovens vignerons, ansiosos por lugares mais acessíveis. Tudo isso faz da região um celeiro para novos talentos, resultando em vinhos muito empolgantes!

VOCAÇÃO PARA O ROSÉ

Todas essas mudanças só confirmam a vocação do Languedoc para a produção de vinhos rosados, que já conquistou amantes da bebida em todo o mundo.

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De tão apaixonado por rosés, Jon Bon Jovi decidiu produzir seus próprios rótulos no Languedoc.

Vale lembrar que ninguém menos que Jon Bon Jovi começou a produzir seus rótulos na região, em parceria com Gerard Bertrand , enólogo biodinâmico francês, e seu filho, Jesse Bon Jovi. A preferência do trio para esse projeto? Rosés, sempre eles!

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O rosé do astro, Diving into, já faz sucesso entre os amantes da bebida.

O Rosé do intérprete de “Always” e “Blaze of Glory” segue o estilo dos queridinhos da Provence, tanto que utiliza a mesma mistura de uvas que se tornou célebre na região, como Grenache, Cinsault, Mourvèdre e Syrah. Sim, com direito à bela coloração salmão-claro típica, de impressionar os melhores produtores de Saint Tropez. Não vejo a hora dessa lindeza (o vinho, claro! rsrs) chegar ao Brasil. Afinal, também quero provar!


Então é isso, pessoal! Convido vocês a descobrirem novos estilos de franceses, sobretudo nessa região que traz custo-benefício e qualidade infinitos. Nas lojas virtuais, por exemplo, é possível encontrar não só rosés como belos tintos elaborados com Grenache, Syrah e Mourvèdre, bem típicos e cheios de personalidade.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: VinePair, Winepedia

 

 

Descubra a Origem dos Nomes das Uvas Tintas

Entre os assuntos sobre os quais eu mais curto pesquisar, sem dúvida, estão as curiosidades sobre o mundo do vinho. Sim, adoro descobrir histórias sobre a origem das coisas, de preferência do tipo que me surpreendam. Afinal, não é à toa que sou Jornalista por formação.

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E se você se interessou por esse artigo, acredito que, como eu, você provavelmente já deve ter se perguntado a respeito do porquê dos nomes de determinadas castas viníferas.

Certamente, a origem dessas denominações tende a ser bastante controversa e muito pouco documentada. Por isso, quando a gente pesquisa sobre o assunto é comum encontrar uma, duas ou até três possíveis explicações sobre esses nomes. Aqui veremos algumas delas, referentes a algumas das cepas tintas mais conhecidas.

Antes de tudo, vale destacar que os nomes das uvas, entre outros dados sobre elas, são oficialmente estabelecidos por uma ciência chamada ampelografia, responsável pelo estudo de variedades de plantas, folhas e frutos da videira. 

MALBEC

Conta-se que um agricultor húngaro chamado Malbek (com K) foi o primeiro a identificar separadamente esta casta, tratando de espalhá-la na França, na área da Cahors, para depois ser levada até Bordeaux, onde também é conhecida como Auxerrois. Logo, o nome Malbek foi adaptado, substituindo o K pelo C, referindo-se a uma palavra similar em francês cujo significado quer dizer “gosto amargo”, fazendo alusão a forma àspera com que a Malbec passou a se expressar naquela região.

MERLOT

Os produtores de vinho franceses sempre se viram numa luta contra pragas mortíferas que ameaçavam seus vinhedos. Porém, uma delas sempre foi uma das mais difíceis de se combater: os pássaros. Tudo porque há frutas que agradam mais ao paladar desses bichinhos – nesse caso, as uvas! Logo, reza a lenda que os Merlis (os pássaros) sempre tiveram um fraco pela cepa que atualmente é denominada Merlot justamente em homenagem a eles.

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Merli significa “Pássaro Negro”

CABERNET SAUVIGNON

Esta uva é mais moderna do que se acredita. Trata-se do produto do cruzamento entre a Sauvignon Blanc branca e a tinta Cabernet Franc, antes de 1700. Como sabemos, a Cabernet Sauvignon é a rainha das uvas tintas, difícil de domar, mas que, ao mesmo tempo, cresce e se adapta a praticamente todos os climas.

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Uvas Cabernet Sauvignon

Logo, essa casta tomou para si os nomes de seus “pais”, ou seja, Cabernet ( de Cabernet Franc) e Sauvignon (de Sauvignon Blanc). Fala-se, ainda, que a origem do nome Cabernet (derivado de Homem das Cavernas) e  Sauvignon (Selvagem) seria, ainda, em outras palavras, “Homem Selvagem das Cavernas”.

TEMPRANILLO

A origem de seu nome vem da Espanha, onde é amplamente cultivada. É uma das primeiras castas a amadurecer. Ou seja, sua denominação refere-se à palavra “temprano”, que significa “cedo”, em português.

PINOT NOIR

Seu nome deve-se graças ao formato de seu cacho, que em francês se parece um “pinheiro preto”, só que de posicionado de maneira invertida.

TANNAT

É chamada assim devido a grande quantidade de taninos que possui. Logo, “tannat” oficialmente viria de “taninos”, substância responsável pela adstringência nos vinhos tintos.

PETIT VERDOT

Desmembrando o nome em duas partes, temos “Petit” (pequeno em francês) e “Verdot”, que se refere ao momento da maturação da cepa, que costuma se dar acompanhada de uma leve tonalidade verde. Tal uva é de amadurecimento tardio, ou seja, o contrário da Tempranillo.

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 SANGIOVESE

Cepa italiana. O nome vem do latim “Sanguis Jovis”, que significa “Sangue de Júpiter”. Estima-se que chamada desta forma pela primeira vez na época romana.

SYRAH

Reza a lenda que ela vem de “Darou é Shah” (o remédio do rei), uma qualificação dada ao vinho pelo rei-semideus persa Djemchid. Syrah é uma das uvas mais antigas do mundo. Estudos apontam, inclusive, que o vinho citado em diversas passagens da bíblia, como nas Bodas de Canãa e a Última Ceia, certamente teria sido originário da uva Syrah.

CARMENERE

Seu nome provém da palavra francesa “Carmín”, que se refere a cor da folhagem das plantas antes da caída das mesmas, no outono, por exemplo. Trata-se de um leve avermelhado.

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Colinas envoltas de névoa no Piemonte

NEBBIOLO

Uva tinta do Piemonte, na Itália, que se qualifica dessa forma em virtude da palavra “nebbia”, que significa “névoa” e se refere a neblina comumente avistada nas colinas onde se situam as videiras durante seu período de colheita.


Então é isso, pessoal! Espero que tenham curtido e espalhem essas histórias para os amigos.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Big Wine Theory, Wikepedia, devinosyvides.

 

 

 

 

 

 

 

 

Entenda os Diversos Estilos de Rosados (Rosé e Claret)

Até que enfim estou de volta com mais um artigo! Desta vez, cheguei com um assunto bem interessante sobre o qual andei lendo muito ultimamente. Quem me conhece sabe da minha paixão por néctares rosados e do quanto tenho me esforçado para quebrar paradigmas, sobretudo quando se trata daqueles seres preconceituosos, que dizem que “Rosé não é sinônimo de qualidade” ou, simplesmente, “Vinho de Mulherzinha”.

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Então, eu sempre ouvi falar de Vinho Rosé e Claret como se fossem dois estilos distintos e isso é a mais pura verdade, principalmente no diz respeito à forma com que ambos são elaborados.

VINHOS DE VERÃO

Sabemos que tanto o rosé quanto o claret atingem seu pico de consumo nas épocas mais quentes. Afinal, não é segredo que o calor faz com que o nosso corpo (e, sobretudo a nossa mente) peça vinhos próprios para serem servidos geladinhos. Nessas horas, um bom branco ou rosé são sempre perfeitos!

Mas não é só o frescor que nos atrai nesse tipo de vinho. Estudos de neuromarketing garantem que a cor da bebida atua como um importante gatilho para o consumo em determinadas épocas do ano (no verão, por exemplo). Assim como a luz e o calor, de certa forma, trazem mais felicidade, as cores vívidas e alegres desses vinhos despertam e ativam regiões do nosso cérebro que nos fazem optar por eles. Sim, em busca da felicidade!

Não bastasse tudo isso, a culinária mais leve dos dias de calor harmoniza superbem com os rosados. Enfim, Saladas e frutos do mar acabam caindo como uma luva em qualquer ocasião.

ROSÉ X CLARET

Quando se trata de rosés e claretes, tanto seu método de produção quanto a forma de comercialização são aspectos que devem ser levados em conta a hora de diferenciá-los.

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Portanto, não cabe a mim dizer se um ou outro é melhor. Afinal, são, apenas, diferentes. E nisso o que vale mesmo é a opinião de enólogos, vinhateiros e amantes desse estilo de vinho (tipo eu ou você).

VINHO CLARET

O que é claret?

O Claret é uma especialidade de Bordeaux que vem conquistando popularidade. Trata-se de uma homenagem ao vinho que era exportado ao Reino Unido na Idade Média e inspirou o termo em inglês claret, usado para descrever um bordeaux tinto. 

Possui mais personalidade e vigor que um vinho rosé. Porém, é menos tânico que um tinto. Sua coloração costuma ser rosa-escuro ou vermelho-claro, com tons de cereja. Frutado e fácil de beber, é ideal para ser apreciado como aperitivo ou entrada com grelhados.

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A casta preferida para a sua elaboração é a Merlot, mas podem ser usadas, ainda,  Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. As cascas das uvas são maceradas com o mosto por até dois dias, em vez das 4 ou 5 horas usadas num rosé. Vale destacar que, de vez em quando, o vinho é ligeiramente envelhecido em barricas. Vai bem se for consumido gelado no ano seguinte à safra.

* As legislações atuais proíbem a antiga prática de misturar vinho tinto com branco para obter o clarete. Portanto, o mesmo acaba sendo produzido por meio de uma maceração mais longa.

 VINHO ROSÉ

O termo rosa vem do francês “roseé” muito popular em Provence, uma região da França conhecida como uma das maiores produtoras do mundo em se tratando de rosados.

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No geral, o vinho rosé é um meio termo entre um tinto e um branco. São vinhos jovens, sem potencial de guarda. As cascas das uvas tintas utilizadas costumam ficar bem pouco tempo em contato com o mosto (tudo depende da estratégia do enólogo). O resultado é um vinho de cor rosa-claro, parecido com salmão ou casca de cebola, em que predominam os aromas de flores brancas, pêssegos, entre outros. Em boca possuem um ponto de acidez muito agradável, sendo, assim, frescos e superfáceis de beber.

MÉTODOS DE PRODUÇÃO

Rosés e claretes podem ser produzidos de diversas formas. Ou seja, não existe um único método ou uma receita única. Tudo vai depender da estratégia do enólogo e do que se pretende em relação ao vinho.

Maceração curta

Chamamos maceração todo o período em que as cascas das uvas permanece em contato com o mosto (suco). Esta define bem o que é um vinho rosé: um meio termo entre um vinho tinto (que passa por longa maceração, de dias ou semanas) e um vinho branco (no qual o contato das cascas com o mosto é mínimo e dura o exato tempo da prensagem). Os vinhos rosés produzidos por esse método costumam ter tempo de maceração entre 6 e 24 horas.

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Aqui, as uvas tintas são vinficadas da mesma forma que as uvas brancas, sendo prensadas assim que chegam à vinícola. Logo, o contato das cascas com o mosto é mínimo, assim como na produção de um vinho branco.

Sangria

Muito usada na Califórnia (EUA). O vinho rosé produzido por esse método é, na verdade, um subproduto da produção de vinho tinto. Durante a fermentação de um vinho tinto, pode-se drenar cerca de 10% do suco, de maneira a produzir um tinto com aromas e sabores mais concentrados. O líquido desta drenagem, ou sangria, é então fermentado, produzindo rosé. Os vinhos produzidos com o método de sangria costumam ser rosés tipicamente mais escuros e mais alcoólicos (ou seja, praticamente um clarete, entenderam?).

Corte de vinho

Nesse processo, misturam-se vinho tinto e vinho branco já vinificado, após a fermentação. Ao contrário do que é dito e repetido, o Champagne rosé não é produzido por esse método, e, sim, pela maceração curta (num limite de até 72 horas).

Mistura de uvas

Cada vez menos utilizado, esse método consiste na mistura de uvas brancas e tintas, antes da fermentação. É um método de difícil controle e o resultado dos vinhos, nesse caso, costuma ser duvidoso.

HARMONIZAÇÃO

Não importa se o rosé é mais claro, com menos corpo (estilo Provence) ou mais escuro e substancial (como um clarete). Em se tratando de combiná-los com a gastronomia, poucos estilos são tão versáteis.

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As harmonizações mais clássicas são com peixes mais gordurosos, como Atum e Salmão, sushi, entre outros pratos à base de frutos do mar. Porém, no caso do clarete, por ser mais intenso em taninos, considero perfeitamente possível combinar esse estilo com carnes pouco gordurosas, indo desde de frango a um belo bife de filé mignon, sem comprometer o resultado.

Nesse artigo AQUI eu dou várias outras sugestões de pratos que harmonizam com os nossos amados rosés.


E, claro, rosé combina com calor e com frio (por que não?). Com jantar formal e eventos descontraídos. Afinal, quando se trata de vinhos, o que vale é soltar a imaginação! Nada de se limitar, Ok?

Então é isso, amigos! Bons vinhos! Ótimas Combinações! Até a próxima! Tim-Tim!

 

 

Referências: Revista Adega, The Big Wine Theory, Tintos e Tantos, ABS-RJ

 

 

Descubra Qual o Vinho Mais Caro de Cada um dos Países Produtores

No mundo, existem mais de 70 nações produtoras de vinho. Porém, sabe-se que, historicamente, 90% do vinho mundial vem de apenas 15 países, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.

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Ficou curioso para saber quais os vinhos mais caros de cada um desses países? Pois um estudo analisou os dados da Wine-Seacher.com e descobriu tudinho. De famosos rótulos do Velho Mundo a um selo chinês da LVMH com menos de uma década, os resultados foram fascinantes.

Vale lembrar que, apesar da análise dos rótulos, eu não provei nenhum deles, Ok? Esses são dados da Wine-Searcher e servem expressamente para matar a nossa curiosidade. 

*Valores em dólares.

Bora conferir quais os vinhos mais caros em 8 de março de 2018. Se quiser ver a lista completa, basta acessar o site da Wine-Searcher.com.

FRANÇA: DOMAINE DE LA ROMANEE-CONTI ROMANEE-CONTI GRAND CRU, COTE DE NUITS

Também conhecido como o “Borgonha perfeito”, o vinho mais caro do mundo tem frutas ricas e especiarias exóticas no palato, aromas de cereja preta e equilíbrio elegante e acetinado. Um rótulo da safra de 1978 foi vendido por US $ 476.000 (ou US $ 39.000 por garrafa) em um leilão recorde na Christie’s Hong Kong em 2013.

Preço: US $ 18.052,00

ALEMANHA: EGON MULLER SCHARZHOFBERGER RIESLING TROCKENBEERENAUSLESE, MOSEL

Este reverenciado produtor alemão produz os melhores vinhos do Mosel numa propriedade familiar que já sobrevive há quatro gerações (embora suas raízes estejam na Roma Antiga).

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Com aromas de cal, notas florais e um final persistente, trata-se de um Riesling superequilibrado.

Preço: US $ 11.600,00

PORTUGAL: W & J GRAHAM’S ‘NE OUBLIE’ PORT *

Especiarias e nozes invadem o nariz desse Porto dourado do Duoro, que conta com notas equilibradas de frutas secas, mel e um toque de acidez de raspas de cítricos em boca. Vendido em quantidades limitadas, em garrafas decanter, esse é um dos vinhos doces mais conceituados do mundo.

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Preço: US $ 6.884,00

AUSTRÁLIA: SEPPELTSFIELD PARA VINTAGE TAWNY , BAROSSA VALLEY

Esse elegante fortificado “tipo porto tawny” do Barossa Valley, no sul da Austrália, chega com chocolate rico e café no nariz, seguido de especiarias, cedro e ácido equilibrados em boca. De acordo com o Wine-Searcher, trata-se de um rótulo que vem ganhando popularidade, com preços subindo na mesma proporção.

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Preço: US $ 6.081,00

EUA: SCREAMING EAGLE SAUVIGNON BLANC, OAKVILLE

O Sauvignon Blanc mais top de Napa vem de Oakville, uma área situada entre Rutherford e Yountville. Produzido em quantidades limitadas desde 2010, a garrafa da Screaming Eagle tem notas de ervas e frutas tropicais, com acidez no final.

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Preço: US $ 3.873,00

ESPANHA: TESO LA MONJA, TORO

Espere um nariz adocicado de carvalho, bem como sabores marcantes e equilibrados nesse Tempranillo, que chega com nuances que vão de cerejas, amoras e cassis a um toque de alcaçuz. Trata-se de um rótulo que desde o ano passado tem crescido exponencialmente em popularidade, estando bem adaptado ao envelhecimento em garrafa.

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Preço: US $ 1.104,00

ITÁLIA: MASSETO TOSCANA IGT, TOSCANA

O vinho toscano mais caro ($$$$) ganhou altos elogios de Jancis Robinson (que premiou a safra 18/20 de 1987) por sua delicada estrutura. Caracterizado por frutos negros maduros, esse vinho, elegante e redondo, conta com um excelente potencial de envelhecimento.

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Preço: US $ 767,00

ÁUSTRIA: WEINLAUBENHOF ALOIS KRACHER TROCKENBEERENAUSLESE KOLLEKTION, BURGENLAND

Nomeado “Enólogo do Ano” pelo menos seis vezes pelo Wine Journal de Londres, o lendário austríaco Alois Kracher produz garrafas ricas e vitoriosas. Esse vinho doce  apresenta notas de damasco, entre outras frutas secas.

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Preço: US $ 649,00

ARGENTINA: CATENA ZAPATA ESTIBA RESERVADA, AGRELO

De cor púrpura, esse elegante corte bordalês oriundo de uma das vinícolas mais prestigiadas da Argentina apresenta frutas vermelhas, como cerejas e cassis, bem como aromas de couro e defumado. Espere por taninos aveludados e final persistente.

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Preço: US $ 389,00

CHINA: AO YUN, YUNNAN

O primeiro vinho chinês da luxuosa grife LVMH, é nada mais nada menos que  um blend de Cabernet Franc-Cabernet Sauvignon, com  frutas vermelhas maduras e especiarias no nariz, bem como café e groselha negra em boca. O final é persistente e elegante.

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Preço: US $ 292,00

OUTROS PAÍSES (INCLUINDO BRASIL!)

Israel Golan Heights Winery Yarden Katzrin Red, Galilee Preço: $274.00
Nova Zelândia Destiny Bay ‘Magna Praemia’, Waiheke Island Preço: $264.00
Chile Vinedo Chadwick, Vale do Maipo Preço: $243.00
África do Sul De Toren ‘The Black Lion’ Shiraz, Stellenbosch Preço: $243.00
Suíça Weingut Daniel & Marta Gantenbein Chardonnay, Graubunden Preço: $197.00
Hungria Disznoko Kapi Vineyard Tokaji Aszu 6 Puttonyos, Tokaj-Hegyalja Preço: $183.00
Canadá Inniskillin Cabernet Franc Icewine, Península de Niagara Preço: $183.00
Grécia Estate Argyros Vin Santo 20 Years Barrel Aged, Santorini Preço: $122.00
Eslovenia Edi Simcic Kolos, Goriska Brda Preço: $111.00
Uruguai Familia Deicas ‘Massimo Deicas’ Tannat, Juanico Preço: $88.00
Croácia Bura Dingac, Peljesac Peninsula Preço: $70.00
Líbano Ixsir ‘El Ixsir’ Preço: $63.00
Brasil Pizzato ‘DNA 99’ Single Vineyard Merlot, Vale dos Vinhedos Preço: $63.00
Bolívia Rujero Bolivian Singani Preço: $39.00
Georgia Telavi Wine Cellar Marani ‘Satrapezo’ Saperavi, Kakheti Preço: $33.00
Bulgária Katarzyna Estate ‘Encore’ Syrah Preço: $25.00
Marrocos Thalvin – Domaine des Ouled Thaleb ‘Syrocco’ Syrah, Zenata Preço: $22.00

Como sempre digo por aqui, apesar de não ter a mínima perspectiva de provar algum dos rótulos acima (pelo menos não tão cedo), supervale a título de curiosidade. E, óbvio, para o caso de saber do que se trata e não deixar passar qualquer oportunidade.

Então é isso, galera do vinho!

Até a próxima! Tim-Tim!

*Referência: Vine Pair