Entenda Como o Vinho Pode Evoluir (e melhorar) na Garrafa

A garrafa tem um papel crucial na qualidade de evolução do vinho. Tudo porque sua cor, forma, composição e até mesmo as reações químicas que ocorrem em seu interior podem ajudar (e muito!) a melhorar as características da bebida. No entanto, fora isso, a garrafa está diretamente ligada ao consumo do vinho, ao passo que representa uma ferramenta de marketing essencial na decisão de compra do consumidor.

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AMADURECIMENTO EM GARRAFA

Ainda que seja comum associar envelhecimento em garrafa a vinhos de alta qualidade (os famosos vinhos de guarda), fato é que todos os vinhos, mesmo os mais jovens, devem passar um tempo descansando logo após serem engarrafados.

Segundo especialistas da empresa espanhola Verallia, uma das líderes mundiais na produção de garrafas, algumas dicas são fundamentais no que diz respeito ao armazenamento do vinho nessas embalagens:

A GARRAFA: é o elemento-chave na produção e conservação do vinho. Antes de tudo, durante a sua elaboração, é na garrafa que o vinho passa por todos os estágios de sua vida (sim, o vinho é quase um ser vivo!), da juventude à idade adulta (apogeu), quando adquire suas melhores qualidades em virtude da ausência de oxigênio, até o fim de sua existência (decrepitude), quando perde totalmente sua expressão.

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A EVOLUÇÃO: nuances complexas e delicadas, o chamado “bouquet” (apenas os vinhos maduros possuem bouquet) são sinais claros de evolução em garrafa, quando o vinho refina seus aromas e sabores. Nessa fase, o vinho perde um pouco dos aromas frutados de sua juventude, se mostrando com perfumes mais sutis e complexos, que marcam a sua maturidade.

 

PROFUSÃO DE AROMAS: na garrafa, os aromas primários, secundários e terciários formam o que os especialistas qualificam como “perspectiva aromática do vinho”. Além disso, a garrafa impede a rápida evolução biológica do vinho, aumentando sua vida útil, que continua a se devolver num ritmo mais lento, a partir do momento em que o oxigênio  existente entre o líquido e a rolha é praticamente nulo. Por vezes, esse ar é consumido em reações químicas que ocorrem o tempo todo em que o vinho permanece na adega. 

VINHOS ENGARRAFADOS

Quando armazenados em garrafa, os vinhos brancos com poder de guarda se tornam mais sedosos e voluptuosos, perdendo seus aromas frutados iniciais para ganhar em complexidade e sutileza. Já os vinhos tintos tendem a perder a cor, indo do rubi a tons alaranjados e terrosos.

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Durante o envelhecimento em garrafa há uma redução do potencial oxidativo do vinho, permitindo a ocorrência de todos esses fenômenos evolutivos. Substâncias chamadas PROCIANIDINAS, na ausência de oxigênio, realizam a HIDRÓLISE ao se juntar com as ANTOCIANINAS, provocando uma diminuição na intensidade de sua cor, bem como uma perda de adstringência nos vinhos tintos, que ganham em sedosidade. Com o passar do tempo, devido à ação das Antocianinas, a bebida passa da cor telha para tijolo. Eis aí um dos aspectos mais notórios de evolução!

Enfim, todas essas alterações químicas acontecem, sobretudo, em virtude dos processos de polimerização em que as antocianinas, entre outras substâncias, causam alterações em suas estruturas moleculares, resultando em alterações de cores e sabores únicas.


 

Por essas e outras afirmo que, em se tratando de vinhos, nunca se sabe demais e todos os dias a gente aprende algo novo.

Então é isso, enoamigos. Até a próxima! Ótimo final de semana! Tim-Tim!

Referência: Vinetur

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Notas de Prova: Ribeiro Santo 2014 – O Dão Pelo Enólogo Carlos Lucas

Costumo dizer que, assim como as pessoas, os vinhos são organismos vivos, que se expressam de formas diferentes entre si. Ontem recebi da Winebrands o Ribeiro Santo, um menino da região portuguesa do Dão.  No início me pareceu um pouco tímido na taça, mas aos pouco, conforme fomos trocando ideias, enfim, ele foi se soltando.

Batemos um longo papo na companhia de uma irresistível pizza de cogumelos do Da Carmine, um dos meus restaurantes favoritos em Niterói. Digo que se trata de um menino, pois ainda pode evoluir muito em garrafa, como muitos dos seus irmãos lusitanos. Possui médio corpo, aroma e alma! Logo de cara, me levou por um bosque de frutos vermelhos maduros, flores  e especiarias.

Foi elaborado por Carlos Lucas com varietais bem típicas do Dão: Touriga Nacional,Tinta Roriz e Alfocheiro, sem passagem por madeira, preservando a expressão da fruta. Se é gastronômico? Muito! Quer saber o que mais achei dele?

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NOTAS DE PROVA

VISUAL: Límpido, de coloração vermelho-rubi intenso, com reflexos rubi-claro.

OLFATIVO: Frutas vermelhas, com destaque para Amora. Notas florais que lembram violetas e um toque de especiarias (imagino ser pimenta-do-reino).

GUSTATIVO: Em boca, possui médios corpo e tanicidade , mantendo a tipicidade dos rótulos portugueses. De boa acidez, termina de se expressar de um jeito fresco e redondo.

HARMONIZA COM… Entradas, queijos, carnes leves e, inclusive, um típico bacalhau.

SOBRE O ENÓLOGO CARLOS LUCAS

Carlos Lucas iniciou a sua carreira como enólogo em 1992 na Adega Cooperativa de Nelas, após ter concluído  a sua formação em enologia com um DAA em Viticultura e Enologia na Escola Superior Nacional de Agronomia de Montpellier.

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Ainda no Dão foi sócio fundador da empresa  Dão Sul onde foi Administrador e liderou a equipe de enologia desde 1994 até Agosto de 2011. Foi na década de 2000 que iniciou a produção de vinhos em outras regiões como o Douro, o Alentejo, a Bairrada e região de Lisboa. Ainda teve tempo para se dedicar a projetos além-fronteiras, com a produção de vinhos no Vale de São Francisco (Brasil), no Piemonte em Itália e ainda no Priorat, na vizinha Espanha.

Em todas estas regiões elabora vinhos para todos os gostos, desde entradas de gama a vinhos de topo reconhecidos pela imprensa nacional e internacional.

Seu trabalho foi reconhecido enquanto Administrador com vários prêmios entre os quais  “Empresa do Ano 2002”, “Empresa do Ano 2006” e “Enoturismo do ano 2008”.

Foi juri dos mais importantes concursos de vinhos mundiais  de onde se destaca a sua presença desde 1997 no Chalange Internacional du Vin em Bordeaux.


Quer conhecer o menino Ribeiro Santo 2014? No momento, ele se encontra à venda no site da WineBrands Brasil. A loja me enviou uma amostra para avaliar e contar o que achei para os meus leitores do Vila.

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Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Bom feriadão! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Winebrands Brasil, Magnum Carlos Lucas Vinhos. 

Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego

Na última sexta-feira estive no Restaurante Terra Brasilis, na Urca, a fim de conhecer um pouco mais sobre os vinhos da Vinícola Vaeni Naoussa, um dos maiores grupos de produtores de vinhos da Grécia.

Sim, a Vaeni controla a maioria dos vinhedos na área de Naoussa que, de acordo com mitologia grega, foi o berço do deus Dionísio, nosso amado Baco, símbolo do vinho até os dias de hoje.

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Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes

Volta e meia os especialistas mudam de opinião no que diz respeito à melhor taça para se degustar um espumante. Já foi a “coupe”, a “flûte” e, agora, ora vejam só… estão afirmando que uma taça no estilo tulipa (linda, na minha opinião!) ou uma simples taça de vinho branco seriam os artefatos ideais para analisar aroma e perlage com maior eficácia.

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Notas de Prova: “5”, Uma Delícia de Blend da Vinícola Helios

Continuando com minhas notas de prova, trago mais um rótulo que recebi da Vinícola Helios uma amostra de um vinho que me surpreendeu muito positivamente. Trata-se de um corte (Assemblage) que não se encontra facilmente por aí, ainda mais aqui no Brasil, uma mistura de Tannat (10%), Merlot (30%) e Cabernet Sauvignon (60%). 

UM VINHO QUE ME FEZ VIAJAR ANTES MESMO DE PROVAR

Sim, é um vinho instigante desde o nome e design do rótulo até o paladar. Para começar, pensei em qual seria o significado do número 5. Por que? Seria o 5 um número da sorte? Algo a ver com numerologia? Se eu não desvendasse, nunca iria saber! Então, bora comigo!

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“5” é o único exemplar cujo nome remete a um grupo de amigos. Logo de cara, já imaginei 5 companheiros, homens e mulheres, em volta de uma mesa degustando esse tinto encorpado, que passa 12 meses em barrica de carvalho francês antes de ser engarrafado.

A potência das castas Cabernet Sauvignon e Tannat fazem desse vinho o parceiro ideal para pratos requintados e substanciosos como carnes assadas, cordeiro e carnes de caça com molhos densos, bem como queijos fortes. Penso que a Merlot chega para dar uma amaciada nessas duas feras, dando origem a um caldo único e cheio de personalidade.

NOTAS DE PROVA


VISUAL: Coloração Rubi, com aro Rubi-Claro, sem reflexos. 

OLFATO: O nariz vem carregado de frutas vermelhas e negras, um certo toque de ameixa, tostado, frutas em compota, especiarias, baunilha e caramelo, que ficam mais evidentes com o passar do tempo em taça. 

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SABOR: em boca é elegante, moderno e ao mesmo tempo clássico. Possui boa adstringência, sendo realmente uma ótima opção para harmonizar com carnes vermelhas em geral. O final é longo e de boa persistência, lembrando frutas secas, caramelo e especiarias. Apesar da potência, é muito agradável e equilibrado. Acredito que esta sensação esteja ligada à presença da Merlot, que faz um par bacana com a Cabernet Sauvignon e a Tannat! O “5” brilhou como parceiro do meu Bife de Mignon com Legumes assados. Ficou sensacional!

Com certeza eu repetiria a experiência (junto com os amigos, claro! rs).

 

Um destaque desse vinho fica por conta de que o mesmo foi medalha de prata no concurso Grande Prova Vinhos do Brasil 2016, recebendo, ainda,  87 pontos da Revista Adega, uma das maiores publicações do país quando o assunto é vinho. 

FICHA TÉCNICA

  • ORIGEM: Guaporé – RS
  • PRODUTO: Hélios “5”
  • SAFRA: 2013
  • TIPO DE UVA: Cabernet Sauvignon (60)% Merlot (30%) e Tannat (10%)
  • GRAD. ALCOÓLICA: 13,0% vol.
  • ALTITUDE: 730 metros
  • CLIMA: Temperado Úmido
  • SOLO: Profundo, arenoso-argiloso e medianamente fértil.
  • SISTEMA DE CONDUÇÃO: Espaldeira.
  • PRODUÇÃO: 2,0 kg por planta.
  • ÉPOCA DA COLHEITA: Fevereiro e Março de 2013.
  • FERMENTAÇÃO: Maceração longa com as cascas (2 semanas).
  • BARRICA: 12 meses carvalho francês.
  • ENGARRAFADO: Julho de 2014.
  • NÚMERO DE GARRAFAS: 2.000.
  • LOTE: 01.
  • ESTILO: Vinho tinto encorpado com bom potencial de guarda.

O “5” se encontra à venda no site da Helios, junto com outros rótulos dessa vinícola brazuca que está dando o que falar no meio vinífero, sobretudo por produzir rótulos de alta qualidade, apesar do pouco tempo de mercado (a empresa foi lançada em 2014). E, para mim, tudo o que é bom e da nossa terra deve ser valorizado e divulgado. Saúde!

Então é isso, enoamigos! Para a galera da Expovinis 2017, estou aí com vocês em pensamento e coração. Meus deveres aqui no Rio me impediram de ir esse ano, mas no ano que vem, me aguardem!

Até a próxima! Bons Vinhos! Experiências Inesquecíveis! Tim-Tim!

 

 

Wine Tour Chile: Vinhos Que Expressam Um Terroir Único

Desde que decidi o roteiro das próximas férias tenho mergulhado de cabeça em pesquisas sobre o vinho chileno. Afinal, como boa enófila e estudiosa do assunto, quero chegar lá superafiada sobre a região. Por isso, quando se trata de elaborar os meus roteiros, nada como deixar tudo documentadinho aqui no Vila. Bom para mim e para vocês que estão prestes a embarcar nessa viagem comigo.

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O MICRO-CLIMA CHILENO

Basta dar uma olhada geral em torno das regiões vinícolas nos arredores de Santiago para se ter uma ideia do que nos aguarda. O micro-clima chileno é muito determinante na expressão de seus vinhos. No Vale do Maipo, a 1 hora de distância da capital, temos, por exemplo, a imponente Concha Y Toro, cujas uvas evoluem facilmente para caldos frutados, satisfatórios e acessíveis.

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Vale do Maipo – Foto: Editora Abril

Lá, as varietais mais típicas são a Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenére, sendo esta última considerada a uva que mais representa o Chile mundo afora. Seus vinhedos foram plantados em 1500, o que faz da região a mais antiga do Novo Mundo quando se trata de produção vitivinícola.

Já o Vale de Casablanca, situado a oeste de Santiago, é mais conhecido pelo clima frio e produção de vinhos brancos. Nessa área, rótulos de Sauvignons Blancs gastronômicos e Chardonnays superelegantes dividem espaço com uma pequena porção de Pinot Noir que se estabeleceram como expressões mais típicas do local.

VALE DO LIMARÍ, COLCHAGUA E A AMPLITUDE TÉRMICA 

Fato que algumas das regiões chilenas mais interessantes estão entre as menos conhecidas, como é o caso do Vale do Limarí. Localizado a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago, esse Vale é hoje uma das mais promissoras regiões de todo o Chile quando o assunto são tintos profundos e, sobretudo, brancos muito especiais.

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Vale do Limarí

O Vale do Limarí é, de certo forma, uma descoberta recente, visto que seus primeiros vinhos foram produzidos há 10, 12 anos e, desde então, muitas das grandes vinícolas chilenas têm “corrido” para aproveitar Limarí, que já é uma sensação quando se trata de vinhos finos. Essa região está bem perto do pacífico em linha reta, mas ainda não é a área mais ao norte do país. Afinal, o Chile é o mais longo do mundo, com extensão de 4.270 quilômetros, sendo que destes, 1.500 correspondem à plantação de vinhas vitiviníferas que vão dos Vales de Elqui e Limarí (ao norte) ao Vale de Malleco (ao sul).

Nessa região temos um dos céus mais claros do mundo para estudos de estrelas, constelações, planetas, entre outros aparatos astronômicos. Possui, ainda, a tradição em reunir curiosos que garantem ser o melhor local do mundo para ver, olhar e sentir os OVNIs (objetos voadores não-identificados).

A Chardonnay é a rainha desse Vale e devido à sua proximidade com o Equador, sobretudo do deserto mais seco do mundo, o Atacama, o Vale do Limarí é surpreendentemente quente e relativamente seco. As duas regiões mais ao norte, Atacama e Coquimbo, por sua vez, se especializaram na produção de pisco, uma das bebidas mais emblemáticas do país.

Quando se dirige ao extremo sul, a região mais conhecida é o Valle do Colchagua. Por estar mais distante da costa, é uma área de clima bem mais quente, produzindo alguns dos principais varietais tintos do Chile. Entre os melhores estão os das castas Cabernet Sauvignon, Carmenère e Syrah, assim como alguns dos melhores Malbecs da América do Sul, capazes de competir com os argentinos do outro lado dos Andes. Trata-se do lar de muitos dos produtores mais notórios do país, incluindo a Casa Lapostolle, Cono Sur, Montes Wines, Mont Gras e Viu Manet, este último dando origem a vinhos de alta qualidade e ótima acessibilidade.

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Vale do Colchagua – Foto: Estadão

Enfim, grande parte da cena do vinho chileno evoluiu por conta da demanda internacional. Por exemplo, a Carmenère já foi uma das uvas cultivadas em Bordeaux e quis o destino que hoje em dia fosse a varietal mais representativas do Chile.

Entretanto, de acordo com dados do app Vivino, a Carmenère representa, por exemplo, apenas 17% do vinho chileno consumido nos EUA, talvez devido a uma grande demanda mundial por Cabernet Sauvignon. Porém, acredito que o mesmo não deve ocorrer aqui no Brasil, onde os chilenos chegam com preços bem acessíveis e incentivos maiores do que os do nosso próprio néctar nacional.

Em meio às minhas pesquisas, já descobri que algumas das regiões mais conhecidas do país são facilmente acessíveis a partir da cidade de Santiago, sendo que a maioria abriga uma grande variedade de uvas tintas e brancas destinadas a varietais e assemblages únicas. Entre elas estão o Vale do Colchagua, Vale Central e Vale do Maipo. Ou seja, tem lugar de sobra para provar e descobrir inúmeros rótulos maravilhosos, tudo numa paisagem única. Mal posso esperar!!

Então é isso, enoamigos! Até a próxima com mais curiosidades sobre o Chile. Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências: People Power, Vivino 

 

Ávidos Douro: História de Amor e Inspiração Para o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados está chegando e nada melhor que celebrar com a nossa bebida favorita. Nessa hora, não importa se você tem ou não companhia. O que vale à pena mesmo é se cercar de gente querida e, sim, brindar ao amor em todas as suas expressões. 

COISA DO DESTINO

E quem me conhece sabe que acredito muito em destino. Realmente, nada acontece por acaso. Sendo assim, estava eu dando aquela olhadinha básica no Facebook até me deparar com um vinho de rótulo APAIXONADO. Desse jeito, em letras maiúsculas! Lindo e com um belo coração estilizado. Na mesma hora tive vontade de provar esse néctar romântico e ao mesmo tempo misterioso.

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Poucos minutos depois, eis que uma grande-recente-amiga me chama para dizer que poderia me colocar em contato com um dos casais que produz o vinho em Portugal, na região do Douro Superior. O mais curioso é que eles vivem no Rio de Janeiro. “Só podia ser coisa do destino”, pensei.

TUDO COMEÇOU COM UM CASAL APAIXONADO

O amor com que Christiane e Plínio falam de seus vinhos já declara o porquê do nome de seus rótulos principais. Amantes da bebida dos deuses, sempre acabavam visitando regiões vinícolas pelo mundo, ainda que este não fosse o motivo principal de suas viagens. 

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O casal Christiane e Plínio Simões

Até que um dia, no meio dessas andanças, se depararam com uma área no Douro, mais precisamente no Douro Superior, na margem direita do rio português. Trata-se da área mais seca e ensolarada do lugar, semi-árida, onde a videira chora e sofre para produzir poucos cachos de maravilhosas uvas. Sim, foi amor à primeira vista como visto nos melhores romances!

“É uma área de beleza pungente, sofrida, onde, de imediato, se é tomado por uma sensação diferente, inquietantemente agradável. Em 48 horas estávamos negociando a área, em 72 assinamos um compromisso e começamos a trabalhar nas vinhas, assistidos por um fabuloso enólogo, que nos ajudou em todos os passos do caminho.” contou Plínio

Após a paixão arrebatadora, o casal passou a pesquisar toda a história do lugar, tentando entender ao máximo de onde vinha a energia inusitada daquele terroir, bem como de suas sofridas videiras. Aos pouco, foram descobrindo as origens e  lendas daquela micro-região. Logo, se entregaram por completo, na companhia dos amigos Elsa e Marcos que, igualmente atraídos pelo local, compraram as terras vizinhas e , desde então, se tornaram sócios de Chris e Plínio na produção dos vinhos. 

GUIADOS POR UMA HISTÓRIA DE AMOR E INSPIRAÇÃO

Uma dessas lendas que até hoje inspira o casal trata da história de uma donzela lusa, dos tempos da Lusitânia, que se perdeu de paixão por um conquistador romano. Não aceitando o romance, os pais a esconderam fora dos limites da Lusitânia, atravessando o Rio Douro até a sua margem direita, mantendo-a em propriedades próximas ao rio, na Lousa, justamente onde se encontra o terroir da Ávidos Douro.

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Nesse local, a donzela passava dias e noites a chorar e a vagar perdida pelas encostas dos morros, com suas lágrimas impregnando as terras com seus sentimentos de amor, paixão, saudade e anseio pelo reencontro.

Estava explicada a energia que Christiane, Plínio, Elsa e Marcos sentiram e que é vivenciada por todos os que visitam os vinhedos, que relatam se sentir “diferentes”, embora sem saber explicar como ou por que.

A ÁVIDOS DOURO

Após esse turbilhão de sentimentos, não foi difícil concluírem que tanto a vinícola quanto seus quatro vinhos tintos (três ainda a serem lançados) deveriam orbitar em torno do amor sempre evocar essas emoções e desejos típicos de quem não se conforma e quer mais, tal qual os casais apaixonados.

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Logo, o nome Ávidos é uma  homenagem a quem anseia, a quem quer e não se contenta, sonha grande e corre atrás, de um amor, de uma conquista.

Apaixonado, para quem já alcançou o estágio seguinte, já sucumbiu à paixão, sendo esta realizada ou não, assim como o casal da lenda.

Anónimo, para não nos esquecermos do amor perdido que às vezes não mais se consegue sequer identificar, como o soldado da antiga lenda.

E, por fim, Amavio, palavra do português arcaico, quem sabe contemporânea dos  nossos apaixonados, usada para designar uma beberagem que favorece ao amor, ao entendimento, à sedução. Os dicionários antigos não esclarecem que beberagem era essa, mas, para nós, temos a certeza moral de que era o vinho!

NOTAS DE PROVA DO APAIXONADO

APAIXONADO 2016 ROSÉ 12,5% de volume alcoólico

O amor é cor-de-rosa, assim como esse Rosé, elaborado 100% com uvas da casta Touriga Nacional. A cor é linda, delicada e envolvente. Um rosa claro que não se parece com cereja e muito menos casca de cebola. Uma coloração única!

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No nariz é floral e frutado, com notas de morango e cerejas frescas. Possui boa acidez e final redondo de média persistência, pedindo mais um gole. Surpreendente para uma primeira safra! Realmente, apaixonante.

APAIXONADO TINTO 2014 – 13,7% de volume alcoólico

Segundo Plínio Simões, o ano de 2014, apesar de períodos de bastante calor e seca, teve na época da maturação das uvas, Agosto e Setembro, temperaturas amenas e alguma chuva, permitindo uma maturação dos açúcares e taninos bastante equilibrada. Estas condições permitiram fazer vinhos muito elegantes e equilibrados com boa acidez e taninos suaves.

O APAIXONADO TINTO 2014 possui coloração rubi intensa, com reflexos violáceos. Produzido com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Amarela, se expressa com aroma de frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Apesar de ter estado por 16 meses em barrica de carvalho, o vinho é bem frutado e a madeira se apresenta de forma equilibrada, responsável por boa parte do “borogodó” do vinho que é, por si só, muito sedutor.

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De taninos sedosos, possui um final de boca persistente (contei mais de 8 segundos). Digo para vocês que até da minha parte foi amor à primeira vista, tendo sido inesquecível na comemoração do Dia do Sommelier, no último sábado, 3 de junho.


Enfim,  é muita inspiração junta para esse Dia dos Namorados! E se você quer conquistar alguém, trata-se de uma ótima motivação. Afinal, certamente vai impressionar o seu amor.

Por fim, como bem me disse o Plínio, da Ávidos Douro,

“Um conselho de amigo: se não queres terminar dona de vinhedos, não se aventure na região. No máximo, tome o Apaixonado, tinto ou rosé, ou o Ávidos, Anónimo e Amavio, quando chegarem. De preferência, junto com a cara metade.”

Pois é, Plínio. Esse conselho só me deu ainda mais vontade de visitar essa região tão mítica que somente os casais apaixonados compreendem. Quem sabe um dia não chego naquelas terras em companhia da minha cara metade numa viagem romântica, hein? Me aguardem!


ONDE COMPRAR NO RIO DE JANEIRO:

1) Casa Carandaí
Rua Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico

2) Candy da Barra
Av. Armando Lombardi, 800, Loja N – Barra

3) Delly Gil
Rua Gilberto Cardoso, 1, loja 8 – Leblon (Cobal do Leblon)

ONDE ENCONTRAR NO DOURO, EM PORTUGAL

1) DOC – Rui Paula
Estrada Nacional, 222
Armamar – Douro
Tel.: +351 25465-8123

2). Restaurante Papa Zaide
Provesende – Douro
Tel.: +351 254 731 899

3) Garrafeira Gato Preto
Av João Franco
5050-226 Peso da Régua – Douro
Tel.: +351 25431-3367

4) Doces da Puri
Beco do Jaime 30
5140-182 Parambos -Douro Superior
+351 278 685233
http://www.docesdapuri.com

5) Pousada Barão Forrester
Rua Comendador José Rufino
5070 031 Alijó – Douro
+351 25995-9215

6) Taberna da Helena
Av. Aquilino Ribeiro s/n
5140.058 Carrazeda de Ansiães – Douro Superior
+351 278 615 083

ONDE ENCONTRAR NO PORTO, EM PORTUGAL

1) DOP – Rui Paula
Palácio das Artes, Largo de S. Domingos 18
4050-545 Porto
+351 22 201 4313

2) Restaurante Casa da Foz – Antônio Guimarães
+351 226 177 636


ONDE DEGUSTAR NO RIO:

1) Laguiole
Av. Infante Dom Henrique, 85
Glória – Rio de Janeiro
+55 21 2517.3129 / 98744.8679
reserva@laguiole.com.br
http://www.bestfork.com.br/laguiole/adega.php

2) Giuseppe Grill Leblon
Av. Bartolomeu Mitre, 370
Leblon – Rio de Janeiro
contato@giuseppegrill.com.br
+55 21 2249.3055
http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon/

3) Lorenzo Bistrô
Rua Visc. Carandaí, 2
Jardim Botânico – Rio de Janeiro
http://www.lorenzobistro.com.br
+5521 3114 0855


Um belo Dia dos Namorados com muito amor e vinhos! Tim-Tim!