Wine Tour: Conheça 12 Vinícolas Incríveis ao Redor do Mundo

O que a princípio deveria ser uma simples visita, seguida por degustação de alguns rótulos, acaba se tornando uma verdadeira ostentação em determinadas vinícolas. Com arquitetura imponente e serviços de alta classe, sem dúvidas, elas fazem parte do imaginário de grande parte dos enófilos em todo o mundo.

Esses “templos de Baco” estão, em sua maioria, localizados em regiões vinícolas de grande tradição e suas instalações realmente impressionam. Sendo assim, compilamos uma lista de 12 vinícolas, algumas contruídas por nomes como Gehry e Calatrava, em locais como Napa, Rioja e Bordeaux. E se você é um autêntico apreciador de vinhos, certamente vai colocá-las em suas listas de futuros roteiros. Afinal, trata-se de lugares capazes de revirar os sentidos, tanto pelo que se vê quanto pelo que se prova.

 

1 – Bodegas Ysios

Esta vinícola, desenhada por Santiago Calatrava, na região espanhola de La Rioja foi concebida como um verdadeiro local de culto ao vinho.

Bodegas-Ysios

Chateau Margaux (França)

Simplesmente uma das vinícolas bordalesas mais famosas do mundo, cuja mansão é tão conhecida que estampa, inclusive, os rótulos de suas preciosas garrafas.

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3. Mission Hill Winery

O ponto alto desta vinícola canadense é o campanário de 12 andades, cujo propósito é o de acolher os convidados e despertar seus sentidos enquanto os sinos tocam.

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4. Darioush Winery

Toda a propriedade desta vinícola em Napa Valley assemelha-se a um palácio persa, em homenagem aos herdeiros do trono.

Darioush-Winery

5. Chateau Pichon Lalande

Um dos castelos mais fotografados em todo o mundo, esta vinícola de Bordeaux é, agora, propriedade da família Rouzaud, igualmente dona da Maison de Champagne Louis Roederer. Linda de viver!

Chateau-Pichon-Longueville

6. Marques de Riscal

Quando a vinícola espanhola Marques De Riscal decidiu que cada um dos seus visitantes deveria experimentar o espírito inovador e o mundo de sensações incorporadas pela vinícola, os proprietários se voltaram para o famoso arquiteto Frank Gehry. A construção tem algo futurista que impressiona. Maravilhosa!

Marques-De-Riscal

7. Dornier Winery

Projetada pelo fundador da vinícola, Christoph Dornier, esta vinícola sul-africana parece fazer parte da paisagem em sua volta.

Dornier-Winery

8. Castello di Amorosa Winery

Com ares medievais, esse castelo nem parece estar localizado na região californiana de Napa, nos EUA. Também pudera! Dario Sattui estava determinado a erguer o edifício mais belo e interessante da América do Norte e que, ainda por cima, produzisse vinhos incríveis.

Castello-Di-Amorosa-Winery

9. Opus One

Projeto conjunto entre o Baron Philippe de Rothschild e Robert Mondavi,  a vinícola Opus One foi criada para produzir o primeiro vinho ultra premium dos Estados Unidos. Tanto a vinícola quanto o rótulo em questão são verdadeiros ícones do mundo de Baco.

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10. Chateau DuCru Beaucaillou

Projetado pelo famoso arquiteto parisiense Paul Abadie, este castelo de Bordeaux é tão icônico que, como Chateau Margaux, também estampa o rótulo de seus vinhos.

Chateau-Ducru-Beaucaillou

11. Ledson Winery

A construção francesa com ares da Normandia desta vinícola de Sonoma tornou-a famosa antes mesmo do vinho. E, graças a atenção que a família Ledson recebeu em virtude da propriedade que seus integrantes decidiram optar por produzir vinho antes de qualquer outra coisa.

Ledson-winery

12. Bodegas Sommos

Uma das vinícolas mais modernas da Espanha, a Sommos tem sua construção superparecida com uma borboleta. Outro exemplo de arquitetura futurista nos vinhedos espanhóis.

Irias-Winery


Então, enoamigos, espero que tenham curtido o post! Já fazia tempo que não pesquisava sobre lugares maravilhosos do mundo do vinho e curti muito! Afinal, esses são de tirar o fôlego!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referência: VinePair Fotos: Shutterstock

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(Chile): Viña Santa Carolina Como Você Nunca Viu

Voltei para falar mais um pouquinho sobre as minhas andanças pelo Chile. E, sem dúvida, muita coisa aconteceu como planejado e, outras, nem tanto. Para começar, muitos amigos e conhecidos diziam que eu “TINHA” que visitar a Concha Y Toro.

E, em se tratando da maior vinícola da América Latina, é claro que a gente já chega meio sugestionada. Porém, ao mesmo tempo, havia aquelas pessoas que me diziam que, na minha condição de estudiosa do mundo do vinho, eu “NÃO DEVERIA” visitar a CyT, sobretudo por se tratar de uma vinícola enorme, industrial, turística e comercial.

UMA REVELAÇÃO: VISITAR A SANTA CAROLINA!

Pensei muito e decidi não ir, ainda mais depois do tour personalizado que tive na Haras de Pirque. Não fazia o menor sentido. No dia anterior, no Vinolia, eu tinha feito amizade com uma Sommelier do Bocanariz, um Wine Bar superdescolado. E ela me disse o mesmo que os meus amigos do vinho, mas com um adendo: “Vale mais a pena você visitar a Santa Carolina”. “Não tem vinhas na vinícola”, ela disse. “Mas é muito bonita e o atendimento é ótimo!”

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A partir daí, não tive mais dúvidas: agendei o tour por e-mail e fui feliz. Dessa vez, fiz a visita sozinha, pois o marido e a filhota preferiram curtir o belo jardim, com espaço de sobra para a pequena correr e brincar muito.

O meu tour estava agendado para às 15h. Como a vinícola fica bem pertinho da região metropolitana de Santiago, cheguei um pouco adiantada e aguardei numa salinha de espera bem confortável. Havia um casal de brasileiros comigo, acho que eles estavam em lua-de-mel. Resultado: mais um tour privado, personalizado, só que desta vez só para mim e o casalzinho.

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A vinícola Santa Carolina é uma das mais conhecidas aqui  no Brasil e creio que tenha sido uma das primeiras a trazer os vinhos para cá, logo que começou esse “Boom” de Mercosul e vinhos chilenos mais em conta, ainda nos anos 90. Inclusive, me lembrei de um fato curioso: o primeiro Merlot que degustei foi um Santa Carolina Reservado (Varietal), há muitos e muitos anos atrás, nem me lembro quando foi. Não tenho vergonha de dizer que foi com um rótulo Reservado, pois esse tipo de vinho é o mais comum de ser encontrado e, certamente, é uma porta de entrada para rótulos mais complexos e elaborados. Ou seja, a partir dele é que muitas pessoas passam a se interessar por vinhos. 

UM TOUR HISTÓRICO

Chegou a hora do tour e fomos recepcionados por Gabriela Dobre, brasileira, paulista e muito simpática! Ela nos contou vários fatos interessantes sobre a história da vinícola em cada ambiente que nos levava. E, em determinadas etapas, degustávamos um dos maravilhosos rótulos da vinícola. Aí eu já detectei um primeiro diferencial: a degustação não é realizada no final do tour e, sim, ao longo dele. Muito bacana! A gente se envolve ainda mais com tudo o que está sendo apresentado.

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No quadro, a Carolina, esposa de Luis Pereyra e que deu origem ao nome da vinícola.

Quem me conhece sabe que adoro história. Acho que, se não fosse Sommelier e Jornalista, certamente eu seria historiadora, pois é mais uma das minhas paixões. E um dos destaques desse tour é toda a carga histórica envolvida. Tudo começou com um homem visionário, Don Luis Pereyra, que, em 1875 fundou a vinícola em homenagem a sua esposa, Carolina Iñiguez. Desde o início, ele se preocupou em elaborar vinhos da mais alta qualidade, tanto que trouxe da França o prestigiado enólogo Germain Bachelet.

UM BELO JARDIM  E UMA PALMEIRA CENTENÁRIA 

Sem dúvida, a área externa da Santa Carolina impressiona, sobretudo pelo belo casarão e seu entorno, um jardim super bem-cuidado e a vista para a Cordilheira dos Andes. Logo de cara fiquei com vontade pintar aquele cenário. Muito lindo!

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O tour começou em uma sala de reuniões com móveis, quadros e ambiente do século XIX, tudo muito lindo e digno de qualquer museu. Me chamou muito a atenção o fato de que a atual família proprietária fez questão de manter toda a história que ronda a Santa Carolina. Afinal, trata-se de um belo legado. Nesta sala, nos foi servido um Sauvignon Blanc Reserva como primeiro vinho da degustação. Cada um com sua tacinha em mãos e o tour continuava…

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Copihue: nativa do Chile e ameaçada de extinção.

Em seguida, a Gabriela nos levou em uma espécie de pátio, muito comum nas casas dessa época, inclusive em algumas fazendas centenárias aqui no Brasil mesmo. Acontece que, no centro desses pátios, geralmente é possível ver uma estátua ou uma fonte. Porém, não na Santa Carolina. Lá no centro havia nada mais nada menos que uma Palmeira Imperial enorme, com muitos anos de idade.

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Sauvignon Blanc em harmonia com a natureza.

O fato curioso é que a majestosa palmeira foi plantada pelo próprio Luis Pereyra. Aliás, tudo no jardim remete ao Chile, com destaque para outra palmeira, a palma chilena, encontrada em vários lugares do país. Há, inclusive, um mel extraído dela (Mel de Palma), muito usado nas sobremesas locais. Me chamou a atenção, ainda, a Copihue, uma flor nativa que, atualmente, se encontra em extinção, inclusive, a Gabriela contou para a gente que regularmente o local é visitado por técnicos, com o intuito de acompanhar o desenvolvimento e os cuidados com as flores.

O INTERIOR DA VINÍCOLA SANTA CAROLINA

Antes de tudo, Gabriela nos explicou o porquê do local não possuir mais vinhas em seu entorno. Tudo porque a cidade de Santiago foi crescendo e se desenvolvendo e, de repente, a vinícola, antes situada numa zona rural, se transformou em parte integrante de uma área urbana. Com isso, a decisão mais sensata foi a de transportar as videiras para o Maipo, entre outras regiões, essencialmente vinícolas. O casarão, por sua vez, permaneceu como um belo patrimônio histórico e cultural em meio à capital chilena.

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O ótimo tour é comendado pela guia brasileira Gabriela Dobre: a menina sabe muito!

O tour continuou e Gabriela nos mostrou algumas barricas enormes, que eram usadas para fermentar o vinho. Hoje em dia, elas são apenas objetos de decoração que enriquecem ainda mais a arquitetura do lugar, que tem ripas de barricas revestindo o chão e tijolinhos nas paredes. Toda a área antes destinada à fabricação do vinho, um espaço enorme, com vários ambientes, atualmente funciona como salão de eventos, com destaque para grandes festas de casamento. Aliás, deve ser o máximo casar naqueles salões históricos de uma antiga vinícola. Chique demais!

Durante a visita aos salões, nos foi servido um vinho moderno e que representa mais um dos novos estilos da Santa Carolina. Trata-se de um Gran Reserva 100% Petit Verdot. Um vinho elegante, interessante e que te faz pensar em várias delícias para harmonizar. 

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UM RESERVA DE FAMÍLIA MUNDIALMENTE PREMIADO

Enfim, fomos direcionados às caves subterrâneas. Lugar silencioso, temperatura perfeita, meia-luz, muito bonita!  Essa cave é considerada Monumento Nacional pelo Governo do Chile, tamanha a sua importância. No fim do corredor com as barricas, lá estava ele, o local onde descansavam os barris com os vinhos elaborados para o consumo da família de Luis Pereyra.

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Na mesa, estava um dos meus vinhos favoritos da Santa Carolina, o Reserva de Família Cabernet Sauvignon, praticamente o mesmo vinho que foi premiado com a medalha de ouro na “Exposição Universal” de Paris, na França, em 1889, ano de inauguração da Torre Eiffel. 

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O corredor que dá acesso à cave onde descansavam os barris “Reserva de Família”.

Trata-se de um grande orgulho para todos na vinícola, tanto que o certificado original da premiação continua lá, na parede, dentro da cave, cujos portões são adornados com um enorme LP, de Luis Pereyra.

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Emocionante! Degustei o vinho e, naquele momento, a Santa Carolina me conquistou de vez, me apaixonei pela história da empresa. 

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A Cave subterrânea foi declarada Monumento Nacional pelo Governo do Chile

O FIM DO TOUR

Após o tour memorável, fomos levados para a lojinha da vinícola, onde é possível adquirir o rótulo e outros souvenirs. Lembrando que cada visitante recebeu uma bolsinha fofa com uma meia-garrafa de Santa Carolina Reserva Cabernet Sauvignon. Sem dúvida, uma delicada gentileza. Ah, e eu ainda ganhei da Gabriela um mapa com todas as regiões vinícolas chilenas, para eu aprimorar meus conhecimentos.

Na loja, também estão à venda alguns dos rótulos carros-chefe da Santa Carolina por taça, através dessa maquininha que é o meu sonho de consumo..rs.rs..rs. Ou seja, se você leu o meu relato até aqui já deve ter percebido que saí de lá completamente encantada e recomendo sim, a visita, sobretudo para quem deseja um tour mais tranquilo.

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Quem não queria ter uma dessa em casa? Conserva os vinhos por até 21 dias. Ótima para servir taças.

HISTÓRICO DA VINÍCOLA

A Santa Carolina faz parte da Carolina Wine Brands, um dos principais grupos vitivinícolas do Chile. Atualmente, pertence ao grupo industrial Watt’s S.A, propriedade da família Larraín. Com mais de 135 anos de história, ela é uma das vinícolas mais antigas do Chile.

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Com forte presença em nível mundial, a Carolina Wine Brands tem entre seus principais mercados o Canadá, Brasil, Japão, Chile, México, China e Estados Unidos. Nos últimos 3 anos, a bodega chegou a alcançar a marca de vendas de 25 milhões de garrafas, o que prova que o negócio cresce a cada dia.

Sim, o portfólio da vinícola é enorme e conta com rótulos ótimos em todas as faixas de preço. Muitos deles eu já tinha ouvido falar e não tinha ideia de que faziam parte da Carolina Wine Brands.

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Em 2015, a Santa Carolina completou 140 anos e foi eleita como Melhor Viña do Novo Mundo pela prestigiada revista americana Wine Enthusiast


Então é isso, viníferos, com a Santa Carolina termino minha maratona de vinícolas pelo Chile. E com uma pequena de 3 aninhos junto, podes crer, foi um tremendo desafio. Porém, a minha vontade era de ter visitado umas dez, no mínimo, mas como a viagem não era só minha, acabei aproveitando também de outras formas.

Quer visitar a Santa Carolina? Aqui você tem mais informações sobre os vários tipos de tour, inclusive com valores e contato.

Até o próximo Wine Tour. Ótimos vinhos! E viva o Chile! Tim-Tim!

 

 

 

(Chile) Viña Emiliana: Linda, Orgânica e Biodinâmica

Em minhas andanças pelo Chile, acabei conhecendo uma bela vinícola no Valle de Casablanca. E não é qualquer uma! Essa possui uma proposta muito bacana e sustentável, que eu só tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto na prática.

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O dia bonito colaborou para o sucesso do passeio!

A Emiliana é orgânica, na medida em que produz seus vinhos com o mínimo de intervenções, como uso de pesticidas, fertilizantes, entre outros. Tudo na base da natureza! E biodinâmica, porque faz uso desses mesmos recursos naturais para driblar as dificuldades e tomar decisões a respeito da saúde das vinhas.

O TOUR PELA EMILIANA

Ao reservar a visita na vinícola, através do site, optei pelo Tour Orgânico, o mais simples que não tinha degustação do Gê, vinho-ícone da vinícola. Chegando lá, encontramos um grupo muito bacana, que incluía muitos brasileiros e alguns australianos.

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O lugar é lindo e tivemos a sorte de pegar um dia perfeito, de sol, apesar do frio intenso, típico do inverno. Como o tour foi pela manhã, havia, ainda, uma certa nebulosidade, mas nada que comprometesse o lugar e as fotos.

Nossa guia foi o Wilson, um chileno muito simpático e solícito, que falava um português ótimo. Logo de início, ele nos mostrou os vinhedos e todos os “personagens” que fazem parte desse grande ecossistema. Cada elemento tem sua função na saúde das videiras.

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Nosso guia, Wilson, tirando todas as dúvidas, em portuñol e inglês. 🙂

Os galos, as galinhas, a vegetação rasteira no entorno das vinhas (no centro das espaldeiras), os gansos e até as alpacas (da família das llamas) contribuem muito para o controle natural de pragas, de acordo com a proposta orgânica do vinhedo.

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Dando uma espiadinha do galinheiro: animais superimportantes para a sáude das vinhas.

E todo esse conceito se traduz de forma muito clara nos vinhos da Emiliana, que tivemos a oportunidade de degustar ao final do tour.

PROPOSTA ORGÂNICA E BIODINÂMICA 

Logo de cara, o Wilson nos explicou que a vinícola precisou de três anos para se adaptar totalmente ao estilo orgânico de produção. Tanto que durante esse tempo, a mesma não produziu vinhos. Tudo porque a legislação é muito criteriosa quando se trata de certificar vinhedos orgânicos, com um selo que atesta a sua autenticidade.

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Nesse momento “sabático”, é como se as vinhas, anteriormente tratadas da forma tradicional, se limpassem para deixar tudo o mais natural possível.

VINÍCOLA ORGÂNICA 

Sendo assim, atualmente cada um dos vinhedos da Emiliana é um fiel reflexo dessas práticas orgânicas, que se baseiam em fomentar a biodiversidade e a ausência de pesticidas, herbicidas e fertilizantes sintéticos, a fim de produzir alimentos mais saudáveis.

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As lindas alpacas (da família das llamas). Minha pequena amou!

Através desse tipo de agricultura, é possível cuidar da terra e evitar problemas ambientais a longo prazo, melhorando a qualidade das uvas e, por consequência, dos vinhos que delas se originam.

AGRICULTURA BIODINÂMICA 

A biodinâmica é uma forma integral e compreensiva de agricultura orgânica que zela pela saúde do planeta por meio do cultivo regenerativo. Trata-se de uma ideia meio diferente de se enxergar o processo e muita gente acha que é “coisa do outro mundo”. Mas a natureza é tão simples que vocês nem imaginam!

Na visão da Emiliana, é fundamental respeitar os princípios básicos da agricultura biodinâmica e, segundo o Wilson, até hoje isso tudo tem dado supercerto na vinícola. Entre esses preceitos, está o fato de que o campo é um ser vivo que tem seu próprio tempo. A intervenção do homem não deve de forma alguma alterar o equilíbrio biológico natural do campo, mas, sim, trabalhar para mantê-lo.

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Agricultura biodinâmica é natureza pura se refletindo nos vinhos.

Com isso, através da compreensão dos ciclos e ritmos do sol, da lua, dos planetas e suas influências, programa-se as diferentes atividades e trabalhos agrícolas através do calendário biodinâmico, resultando na obtenção de maior qualidade do produto final, ou seja, dos vinhos!

Para o sucesso de todo esse processo, deve-se fomentar a interligação entre os reinos mineral, vegetal e animal, através do uso de preparados homeopáticos biodinâmicos que são adicionados ao solo. O Wilson mostrou alguns para a gente e achei muito interessante. Ou seja, todo o cuidado com a saúde das vinhas é feito através dos recursos naturais e isso é muito bacana mesmo!

 A DEGUSTAÇÃO DOS VINHOS DA EMILIANA

Ao final do tour fomos em direção a uma sala de degustação com uma mesa enorme e uma bela vista para os vinhedos. Lá, o Wilson fez conosco uma degustação dirigida de quatro vinhos deles, incluindo um dos mais famosos, o blend Coyam. Vamos aos rótulos:

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Ótima seleção de vinhos na degustação final do tour

1- Novas Gran Reserva Sauvignon Blanc 2014: como sempre, tudo começa com um leve e fresco Sauvignon Blanc. Notas cítricas e muito agradável, é perfeito para um dia quente na beira da piscina ou curtindo uma praiana. Ou seja, a cara do Rio! Combina com Ceviche e Queijo de Cabra. Os clássicos!

2- Adobe Chardonnay Reserva 2016: ótimo Chardonnay Reserva, como sempre, foi o preferido do marido, que é fã dos brancos dessa casta. Boa tipicidade! Versátil, vai superbem com um belo fondue de queijo ou geladinho num dia quente de verão. Esse é facilmente encontrado nos supermercados por aqui. Amei!

3- Novas Gran Reserva Carmenère e Cabernet Sauvignon 2014: esse blend me surpreendeu muito positivamente. Muita complexidade para um rótulo despretensioso. Aromas de cassis e frutas negras muito presentes. Taninos sedosos, muito agradável. Delícia para acompanhar pratos a base de carne bovina de cortes mais leves. Aliás, achei que ficaria ótimo com fondue de carne. Excelente!

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Vinhos da degustação, nas taças (da esquerda para a direita): Sauvignon Blanc, Chardonnay, Corte de Carménere e CS e o famoso Coyam.

4 – Coyam 2014: produzido no Valle do Colchágua, o Coyam é um dos carros-chefes da Emiliana e superconhecido pelos enófilos ao redor do mundo. Trata-se de um blend de Syrah(34%), Merlot(31%), Carménère(17%), Cabernet Sauvignon(12%), Malbec(3%) e Mouvédre(3%). Uma mistura rica em aromas e complexidade, com destaque para notas de frutas negras maduras, defumadas, de chocolate e toques minerais. Encorpado, mas de taninos sedosos, possui boa presença e persistência. Sem dúvida, foi o meu favorito para aquele dia superfrio. É um vinho que acompanha bem carnes de caça, como javali e cordeiro. Santé!


Para quem tem a curiosidade conhecer um vinhedo orgânico e biodinâmico, certamente esse passeio é obrigatório e tem tudo para agradar adultos e crianças. Minha pequena amou ver os bichinhos. Foi um dia muito especial!

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Belíssima vista da sala de degustação. Cenário perfeito!

Você também pode visitar a Emiliana em sua sede, no Valle de Casablanca, com agendamento prévio pelo site da vinícola. 

 

No Brasil, os vinhos da Emiliana se encontram à venda nos sites da Vino Mundi e World Wine

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Então é isso, enoamigos! Alguns viníferos estão me enviando mensagens pedindo dicas para o Chile. Estou respondendo aos poucos e, sim, adoro dar sugestões de passeios, ainda mais quando se trata de um lugar que eu curti tanto!

Bons vinhos! Ótimas viagens! Tim-Tim!

(Chile) Haras de Pirque: Uma Das Mais Belas Vinícolas do Valle do Maipo

Enquanto planejava minha viagem ao Chile, pedi aos amigos sugestões de vinícolas as quais eu pudesse visitar, sobretudo nos arredores de Santiago (nas regiões do Valle do Maipo e Valle de Casablanca).  Nessa busca, mais de uma pessoa me indicou a visita à Haras de Pirque. Ao pesquisar sobre a vinícola e ver a construção em forma de ferradura, tive a certeza de que iria amar o lugar. E não é que minha intuição estava certa?

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Foto: Viña Haras de Pirque

A história do grupo começou com um haras, o mais antigo do Chile, comandado pela família Matte. Em 2002, a tradicional e renomada família toscana Antinori (aquela, dos famosos supertoscanos) se juntou ao projeto para reunir haras e vinícola. A Bodega Haras de Pirque foi construída em formato de ferradura e em degraus, o que, com a força da gravidade, melhora os processos de vinificação.

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Logo que chegamos, fomos super bem-recebidos por Anais Reciné, com quem tinha trocado alguns e-mails bem antes, a fim de agendar o tour. Em seguida, ela nos apresentou ao Cristian, que seria o nosso guia pela vinícola.

VINÍCOLA EM FORMATO DE FERRADURA

O prédio, imponente e majestoso, possui uma linda vista dos vinhedos e das Cordilheiras dos Andes. Após um breve passeio pelo pátio, finalmente entramos na vinícola. Trata-se de uma construção em formato de ferradura, relativamente nova (dos anos 2000), com 5.300 m2 e capacidade para 1.5 milhões de litros de vinho, sendo que, por ano, são produzidos 360 mil. Desses, 95% são destinados à exportação.

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Foto: Viña Haras de Pirque

O INTERIOR DA HARAS DE PIRQUE

Para começar, participamos de um tour privado bem personalizado e diferente do que encontramos em outras vinícolas maiores, visto que se trata de uma Bodega Boutique, de menor porte. Simpático e superarticulado, Cristian nos conduziu pelas escadas em formato de caracol, que davam acesso a cada ambiente da cantina, toda construída em desnível, a fim de facilitar o trabalho manual e evitar o uso de máquinas.

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Aliás, segundo o nosso guia, a Haras de Pirque recentemente conquistou o selo de vinícola orgânica, ou seja, seus vinhos são produzidos da forma mais natural possível, sem uso de pesticidas, fertilizantes, entre outras intervenções. 

Enfim, fomos conduzidos a uma área com grandes tanques de inox destinados à fermentação dos vinhos brancos e, ainda, a um grande balcão, uma espécie de sacada enorme de onde era possível ter uma linda vista dos vinhedos. O dia estava ensolarado, aberto, lindo e fizemos fotos maravilhosas!

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Nosso guia Cristian em ação!

Em seguida, chegamos a um pátio interno com grandes tanques de carvalho francês utilizados para a fermentação dos tintos mais premium (sim, para a fermentação e não para amadurecimento). “Esses barris são uma conquista da vinícola, pois foram trazidos da França, e podem durar por até cem anos”, explicou Cristian.

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Eu e minha família no balcão que dá vista para os vinhedos. Lindo demais!

A CAVE REALMENTE IMPRESSIONA

Depois do tour interno, voltamos ao pátio, que conta com uma fonte de água bem no centro. O Cristian nos contou que esta possui um piso de vidro que permite que a luz natural penetre no interior da cave subterrânea que se encontra bem abaixo dela.

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A fonte localizada bem no meio do pátio, no jardim da vinícola

Gente, vocês não têm noção do que é aquilo! Fiquei de boca aberta, é muita lindeza! Infelizmente, após dois recentes tremores de terra (supercomuns no Chile), os vidros racharam e ficou perigosíssimo realizarmos a degustação dos vinhos na mesa situada na cave abaixo da fonte, com aquela luz natural incrível, a melhor do mundo para apreciar os vinhos.

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Abaixo da fonte, a mesa localizada na cave do subsolo. Infelizmente não foi possível aproveitar essa bela luz na degustação dos vinhos, pois algumas vidraças foram danificadas pelos últimos tremores de terra.

 A DEGUSTAÇÃO DOS VINHOS 

Não conseguimos ficar na área abaixo da fonte, mas degustamos os vinhos na belíssima cave, onde as barricas de carvalho com os tintos íconos descansavam. Foi muito agradável estar com a minha família num lugar como aquele. Até meu marido, que não é tão louco por vinho quanto eu, adorou. A paz encontrada na adega era tão grande, que a minha pequena, de 3 anos, ficou muito tranquila e não atrapalhou em nada a explicação e degustação dos vinhos que viriam a seguir.

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ALBACLARA GRAN RESERVA SAUVIGNON BLANC 2015: 100% elaborado com a casta Sauvignon Blanc, esse Gran Reserva possui acidez e frescor bem típicos do Maipo. Seu nome é em homenagem ao amanhecer nos campos chilenos. Trata-se de um vinho equilibrado e fácil de beber, que ficaria perfeito com queijo de cabra ou um belo ceviche. 


HUSSONET GRAN RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2012: O nome deste vinho é em homenagem ao garanhão mais famoso e importante do Haras de Pirque. Elegante e envolvente, chega com uma profusão de frutas negras maduras e carvalho, além de um quê mentolado, próprio da casta. De produção limitada a cerca de 4.800 caixas, Hussonet representa bastante o terroir da vinícola. Equilibrado em acidez, álcool e taninos, é o par perfeito para um belo churrasco ou por que não, chocolate-amargo? Fizemos esta última harmonização lá e caiu muito bem! 


ALBIS 2006 : Albis significa amanhecer, a união entre o Velho e o Novo Mundo. Representa a união entre dois hemisférios, dois enólogos e duas famílias, com o ideal de criar um grande vinho no coração do Alto Valle do Maipo. Essa junção entre o renomado viticultor Marchese Piero Antinori e Eduardo A. Matte, proprietário da vinícola chilena Haras de Pirque, surgiu do desejo mútuo de unir tradição e inovação para revelar o incrível potencial dos vinhos chilenos.

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Cristian apresentando o vinho ícono Albis.

Sem dúvida, Albis é o rótulo-ícone da vinícola e ultimamente tem sido um pouco mais divulgado no mercado interno. De coloração vermelho-rubi intensa, possui aromas de balsâmico, chocolate, caramelo, além de notas mais terciárias, como couro, por exemplo. Perfeito para acompanhar carnes de caça, como cordeiro ou javali. 


Atualmente, a Vinícola Haras de Pirque é de propriedade exclusiva da Família Antinori, que comprou a parte de Eduardo Matte na bodega. Logo, é possível que muitas novidades estejam por vir, sobretudo no que diz respeito aos vinhos. 

A cargo dos vinhos está  a enóloga Cecília Guzmán, que acompanha a produção dos rótulos desde o início da bodega e manejou o estilo dos caldos, que são um claro reflexo do que é elaborado hoje em Pirque.

No fim do tour, compramos um Hussonet, que foi o rótulo preferido do marido, que nem era muito ligado em vinhos..rsrs. Ah, e a equipe foi tão gentil que ainda levamos um azeite de presente (sim, eles também produzem um azeite extra-virgem delicioso!).

A Haras de Pirque conta, ainda, com um restaurante, o Hussonet. Não almoçamos por lá, mas o ambiente me pareceu superagradável, com uma linda vista para os vinhedos.

  • Para reservas e informações dos tours: reservas@harasdepirque.com

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Aqui no Brasil, os vinhos da Haras de Pirque estão à venda no site da Importadora WineBrands.

*Fiz o tour a convite da vinícola Haras de Pirque e este artigo reflete minha opinião.

 

(Chile) Vinolia: Vivendo a Aventura do Vinho Sem Sair de Santiago

E aí, viníferos? Como vocês perceberam, fiquei um tempinho afastada do blog por motivos de… Férias! E, nessas horas, se jogar no enoturismo é sempre a melhor pedida para nós, apaixonados por vinho. Porém, hoje vou contar para vocês uma experiência surpreendente que tive com uma região vinícola sem sair da capital da chilena.

O VINOLIA

O Vinolia é uma loja de vinhos que oferece aos seus clientes vivenciar uma experiência de degustação completa com vinhos de determinada região vinícola do país. E, sim, trata-se de uma vivência sobretudo sensorial.

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Lá é possível escolher entre duas regiões para o tour: Valle De Casablanca ou Valle Del Colchagua. Em princípio eu tinha escolhido “visitar” o Colchagua, visto que seria o único local que não foi possível encaixar presencialmente na viagem. Porém, justo no dia que deixei reservado para ir ao Vinolia eles estavam apenas com o tour por Casablanca, em todos os horários, sendo que eu tinha ido à região de carro no dia anterior. Mas a minha vontade de conhecer uma proposta tão diferente de perto era tão grande que sim, fui e não me arrependi nem um centímetro!

DECORAÇÃO INSPIRADORA

A arquitetura do lugar encanta, sobretudo por traduzir o espírito do vinho em toda sua essência. Tijolinhos típicos das antigas caves e dominós de carvalho, utilizados na fabricação de vinhos cobrem as belas paredes lugar, rodeado por uma vitrine belíssima, povoada de belos rótulos, entre eles de vinícolas chilenas renomadas como Casa Silva, Lapostolle, Koyle, Botegas RE, Viña Casa Del Bosque, Loma Larga, Los Vascos, Morandé e Veramonte.

 

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Como boa amante dos bons vinhos, me vi hipnotizada pela energia do lugar, que reluzia tanto quantos os lustres de vime pendurados no teto, todos fabricados a mão por artesãos chilenos.

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E A AVENTURA COMEÇA

Antes de “iniciar os trabalhos”, nos foi servido um espumante, o Dominga. Trata-se de um Brut (charmat) da Casa Silva, uma das minhas vinícolas favoritas no Chile, e que cumpriu perfeitamente o seu papel de vinho de boca para a degustação que viria a seguir.

E a recepção não poderia ser melhor! A Sommellière Gabriela Pedroso Sampaio já chegou esbanjando simpatia e conhecimento sobre o mundo do vinho. Paulista, de São José dos Campos, nem parece que está há apenas 2 meses vivendo em Santiago, tamanha sua desenvoltura sobre tudo o que diz respeito ao lugar.

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Sem falar que é supersolícita e quis logo saber como andava o meu espanhol, já que eu era a única brasileira do grupo, formado em sua maioria por visitantes de língua hispânica. Ainda bem que o meu espanhol já estava desenferrujando e topei assistir às explicações totalmente na língua local sem dificuldade.

A SALA DOS SENTIDOS 

Enfim, começa o tour e logo somos conduzidos por Gabi à Sala dos Sentidos. Antes da experiência, a Sommelière explica ao grupo as diferenças entre os aromas primários (oriundos da uva), secundários (da fermentação) e terciários (das barrigas e amadurecimento) do vinho.

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Nos deparamos com várias mesinhas, que tinham, ao todo, 48 caixas com diversos aromas, sendo que a brincadeira é adivinhar cada um deles. Pura diversão e descontração nessa hora! Em pouco tempo, a galera já estava rindo junta e conversando. Afinal, no mundo do vinho as amizades se formam como que por encanto. É uma magia que só quem curte entende.

Ao fundo, ouvíamos sons que reproduziam os mesmo de uma vinha, entre eles o vento e o canto dos passarinhos. Uma delícia!

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Havia caixinhas com nuances florais, frutadas, de mel, especiarias, entre outras. Sem dúvida, foi um ótimo treinamento para a segunda etapa do processo. Bora lá!

CINEMA E DEGUSTAÇÃO 

Imaginem uma sala de projeção, tal como a de um cinema, com um telão de 7 metros de largura à frente de várias mesas que subiam como num grande auditório. Ao sentar em nossos lugares, cada um tinha diante de si 5 taças com os vinhos que iríamos degustar, todos oriundos de vinícolas do Valle de Casablanca.

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No início, nos foi apresentado um vídeo lindo da Wines of Chile, sobre as belezas desse país que encanta e impressiona. Até que chegamos ao Valle de Casablanca, um terroir que, pela proximidade com o Oceano Pacífico, dá origem a vinhos maravilhosos e de características bem particulares.

E sabe quem nos apresentou cada etapa da degustação de cada um dos rótulos? Os próprios produtores e enólogos das vinícolas, na tela, diante dos nossos olhos. Com timing perfeito, provamos juntos e ouvimos o que inspirou cada um deles a criar o vinho.

OS VINHOS DA DEGUSTAÇÃO

Para começar, a degustação dos vinhos é acompanhada de água e de uma seleção de queijos, torradinhas e frutos secos.

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Agora, vou falar um pouquinho dos rótulos com a minha impressão sobre cada um deles.

1- Veramonte, Ritual Sauvignon Blanc

De coloração amarelo-palha claro, esse vinho traz todo o frescor de Casablanca direto para a taça. Uma ótima forma de iniciar uma degustação. No nariz, aromas cítricos e ótima acidez. Ou seja, muito sabor e persistência. Metade dele é fermentada em barricas usadas e a outra metade em ovos de concreto. Para uma Sauvignon Blanc Lover como eu, está aprovadíssimo! Pura tipicidade.

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2- Morandé, Gran Reserva Chardonnay

Um Chardonnay que é a cara do Valle de Casablanca, bem do tipo surpreendente. Com 40% de fermentação (com as cascas) em barricas de carvalho francês, possui cor dourada e notas cítricas, suportando de 3 a 5 anos de guarda com todo o vigor.

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3 – Casas Del Bosque, Gran Reserva Pinot Noir 

Um vinho bem típico, vermelho-rubi intenso, com reflexos terrosos. No nariz, exala frutas vermelhas e especiarias. Passa 14 meses em barrica, sem comprometer em nada e o seu frescor. Para beber geladinho em qualquer época do ano.

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4 – Bodegas RE, Syranoir

O nome já diz tudo. Trata-se de um blend de Syrah e Pinot Noir. De coloração vermelho-rubi intenso, sem reflexos, chega no nariz carregado de frutas vermelhas do bosque (típicas da Pinot) e Azeitonas (provenientes da Syrah).

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5 – Loma Larga, Cabernet Franc

Para fechar as degustações com chave-de-ouro temos esse Cabernet Franc incrível, de cor vermelho-rubi intensa. No olfato, frutos negros, mentolado e especiarias. Estrutura, presença e persistência. Maravilhoso!

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EMPÓRIO DE VINHOS E APERITIVOS

Após a degustação, voltamos para o empório e lojas de vinhos para confraternizar. Sim, o encontro continuou com vários petiscos e outros rótulos para degustar sem compromisso, só curtindo a presença do pessoal, gente de todo lugar do mundo numa só paixão pelo vinho.

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Nessa hora, não há barreira na língua. Brasileiros, chilenos, colombianos e argentinos aproveitaram juntos, desfrutando do ambiente maravilhoso do Vinolia. Infelizmente, tive que sair mais cedo e levei só uma garrafa de Rosé Laspostolle comigo (sozinha, de táxi, não dava para levar mais..rsrs). Mas o restante do pessoal continuou curtindo a loja e o wine bar delicioso. Amei demais

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O tour possui o valor de 32.500 pesos chilenos por pessoa (cerca de R$160,00). Mas paguei feliz, pois vale cada centavo! Vinhos maravilhosos e tratamento VIP! Recomendo a todos que amam vinho e desejam curtir uma experiência diferente no Chile.

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Ficou a fim de conhecer? Então, reserve seu tour favorito AQUI no site do Vinolia. 

O Vinolia fica na Alonso de Monroy 2869, Local 5, Vitacura.

Até a próxima, com mais um pouco das minhas aventuras viníferas no Chile. Tim-Tim!

Vinho Verde Wine Fest: Um Néctar Com a Cara do Brasil

Na última sexta-feira, dia 26 de maio, estive no Vinho Verde Wine Fest. Realizado no Iate Clube do Rio de Janeiro, o evento foi uma verdadeira homenagem ao caldo português que, na minha opinião, é um dos que mais combina com o nosso clima. E não falo só de calor! Sem dúvida, os Vinhos Verdes têm super a ver com a alegria e descontração do público brasileiro.

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E foi uma profusão de gente bonita por todos os lados, que apreciou Loureiros, Arintos e Avessos em todo seu esplendor e delícia!

Entre os produtores e distribuidores presentes estavam Abrigueiros – Casa da Senra, Adega de Monção, Agri-Roncão – Quinta de Linhares, Aveleda, Campelo, Enoport United Wines, PROVAM, Quinta & Casa das Hortas, Quinta da Lixa, Quinta das Arcas, Quinta de Carapeços, Quinta de Lourosa, Soalheiro, Solar de Serrade, Vercoope e Viniverde/Adega Ponte da Barca.

WINE FEST MARCADO POR MUITA ALEGRIA E DESCONTRAÇÃO

Logo na chegada, encontrei meu amigo Fernando Lima, do Blog Vinhos com Fernando Lima, que me apresentou suas amigas, enófilas supersimpáticas com as quais fiz logo amizade. Recebemos óculos escuros de armação verde que eram simplesmente a cara do clima de descontração que tomou conta da feira.

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Com Luciana Paes Leme, uma das amigas que conheci através do Fernando Lima.

Já que estava cedo, visitamos os stands com toda a calma e conversamos com representantes e produtores. Confesso que me surpreendi com muita coisa! Aliás, muito do que eu conhecia dos vinhos verdes (que na verdade não são verdes e sim elaborados com castas provenientes da Região portuguesa dos Vinhos Verdes) correspondia aos rótulos mais conhecidos e distribuídos aqui pelo Brasil. Ou seja, amei ter contato com as novidades em varietais e vinícolas.

ÓTIMAS SURPRESAS ENGARRAFADAS

Como boa apreciadora dos Rosés portugueses, adorei tudo o que provei do estilo, com destaque para o rótulo da Quinta de Lourosa, primeiro stand que visitei.

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Aliás, a própria enóloga da Quinta estava lá e me contou sobre a expressão dos vinhos, sendo que o que me chamou mais a atenção foi um Alvarinho com 13% de teor alcoólico, algo raro em se tratando de vinhos verdes, que costumam ter entre 8 e 11%. “As uvas dessa safra amadureceram além do normal, devido ao clima mais ensolarado. E todo o açúcar se transformou em álcool durante a fermentação”, explicou ela. 

Outra surpresa ficou por conta do famoso Soalheiro Alvarinho Reserva, distribuído pela Importadora Mistral. Possui corpo e complexidade, com um toque discreto de carvalho. Por falar em Alvarinho, ela é a varietal mais célebre da região, justamente por dar origem a caldos mais estruturados.

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Entretanto, os vinhos verdes mais leves também tiveram seu lugar de destaque no evento. Inclusive, segundo minha amiga Marcela Lima, esses são os exemplares que mais combinam com seu paladar. E, na minha opinião, vão superbem geladinhos, na beira da piscina, de preferência como acompanhamento para uma bela porção de bolinhos de bacalhau. Nada mais português e brazuca ao mesmo tempo!

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Clima de descontração total!

No quesito vinhos leves, entre os que mais me chamaram a atenção estavam o meu queridinho Acácio e o Terra de Camões, ambos de ótimo custo-benefício. Porém, entre os leves, amei muito a linha Estreia, distribuída pela Adega Cooperativa Ponte da Barca.

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O do rótulo Estreia verdinho, feito com Loureiro, Trajadura e Arinto foi o meu favorito! O Rosé deles (Vinhão, Borraçal e Espadeiro) também não decepcionou. Já tinha me deparado com esses rótulos à venda no supermercado Pão de Açúcar e por pouco não comprei para experimentar. Estou até agora pensando o que eu tinha na cabeça para não ter levado nem uma garrafinha.. rsrsr.

SHOWCOOKINGS E “CONVERSAS COM VINHO”

E o Wine Fest de sexta contou, ainda, com 2 Showcookings e 3 Conversas Com Vinho. Infelizmente não pude acompanhar todos eles, devido aos horários disputadíssimos.

Contudo, tive a sorte de acompanhar o Showcooking da Chef Ellen Gonzalez, do Restaurante Miam Miam. Ela explicou para a gente como fazer camarão empanado com chutney de manga e sorvete de coentro. Um prato que harmoniza muito com o Vinho Verde, estrela do evento. Aliás, foi o melhor chutney de manga que já provei na vida. Sem falar que a Chef é simpatica e muito solícita. Uma fofa!

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Showcooking com Ellen Gonzalez, do Miam Miam

Logo depois, dei uma conferida no “Conversa Com Vinho” com o Professor Euclides Penedo Borges, da ABS-RJ. Já disse por aqui que sou profunda admiradora do trabalho dele. Afinal, o cara é uma inspiração quando se trata de harmonização entre vinho e comida, tanto que o mesmo falou sobre “Vinhos à Mesa”, demonstrando o quanto os vinhos verdes são gastronômicos. Muito bacana!

O evento contou, ainda, com música ao vivo (um sambinha delícia), além de Food Truck na entrada, que nos brindou com pratos inspirados na culinária lusitana. A feira foi organizada pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

Enfim, o Vinho Verde Wine Fest de sexta foi um tremendo sucesso, que se repetiu no sábado, quando contou com 3 Master Classes. O Vinho Verde é uma marca internacional que se refere a todos os vinhos produzidos no noroeste de Portugal, uma das regiões mais antigas do país, existente desde os tempos dos romanos.

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São vinhos em sua maioria leves e jovens, com a cara do público brasileiro e carioca. Quer saber mais sobre os Vinhos Verdes? Então dá uma olhada nesse artigo que escrevi sobre eles, no último verão. 

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vinho Verde Wine Fest: www.vinhoverdewinefest.com.br 


Winestyle: O Vinho De Cada Signo

Quem me conhece sabe que sempre adorei astrologia. Acho divertido associar as características de cada signo a sua personalidade e preferências. Não sei se por coincidência ou algo místico, mas quase sempre as informações acabam batendo. E no mundo do vinho não é diferente. Sem dúvida, cada néctar expressa um jeito de ser que pode, sim, ser associado a cada um dos signos dos zodíaco.

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ASTROLOGIA É MUITO MAIS QUE O SIGNO SOLAR

Antes de tudo, costumo explicar para os amigos que uma análise astrológica depende de vários fatores. Ninguém se resume apenas ao signo solar, ou seja, aquele que corresponde à nossa data de nascimento. Nessa hora, há três aspectos que devem ser levados em conta.

SIGNO SOLAR: é determinado pelo signo no qual o sol se encontra no momento do nascimento. Como o sol percorre um grau por dia, o mesmo permanece cerca de 30 dias em cada signo. Sendo assim, é muito fácil determinar o signo solar de cada um. Até os mais céticos conhecem o seu.

SIGNO LUNAR: determina a forma como vivemos nossas emoções e nos relacionamos com aqueles que nos rodeiam. Diz respeito, ainda,  à nossa necessidade de segurança, bem como às memórias que trazemos da nossa infância e ao papel que a mãe desempenha na nossa vida.

ASCENDENTE: Por se relacionar com a forma como nos apresentamos ao mundo, o ascendente também revela como os outros nos vêem, a impressão que causamos. É frequente as pessoas identificarem-se mais com o seu ascendente até do que com o próprio signo.

Preparados para descobrir qual o vinho mais se encaixa com o seu signo? Certamente será mais de um, pois você também pode levar em conta aqueles relacionados também ao signo lunar e ascendente. Vamos lá! Santé!


ÁRIES 

De 20 de março a 20 de abril

Regido por marte, Áries é do tipo que faz acontecer e não fica sentado, esperando as conquistas caírem do céu. Os arianos são líderes natos e muito corajosos.  Penso logo em vinhos de personalidade forte e encantadora, como Tempranillo, Cabernet Sauvignon ou até mesmo um Amarone daqueles bem potentes! O vinho do ariano é tinto, cheio de tanino e resveratrol. Vinhão de verdade!

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TOURO

De 21 de abril a 20 de maio

Os taurinos são teimosos, determinados e sensuais por natureza. Gostam de conforto, vida boa. Comer e beber muito bem é seu lema. Nada como um elegante Pinot Noir da Borgonha (com todas as sutilezas de um vinho do Velho Mundo) ou um Merlot do Vale dos Vinhedos (sim, bem brasileiro!). O taurino ama tudo o que vem da terra, com todas as suas nuances. É aquele que se encanta simplesmente pelo prazer de degustar e se deixar levar por todas as sensações que uma taça tem a oferecer.

GÊMEOS

De 21 de maio a 20 de junho

Inteligentes, comunicativos e joviais, os geminianos adoram vinhos versáteis, que harmonizam com tudo e com todos e, ao mesmo tempo, estimulam um bom papo-cabeça. Para eles, nada como as borbulhas de um bom espumante. Se for da região francesa de Champagne, então, é felicidade pura. Nada melhor para um geminiano que expressar toda a sua alegria de viver com uma bela flûte nas mãos. 

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CÂNCER

De 21 de junho a 21 de julho

Emotivos, leais e muito caseiros, os cancerianos adoram um evento intimista ao lado daqueles que ama. Sendo assim, para eles, nada como um bate-papo regado a um tinto leve e elegante, como o Gamay. Ao mesmo tempo, o canceriano também curte algo mais robusto, capaz de esquentar os sentidos numa noite fria. Nesse caso, um Tempranillo espanhol mais encorpado, de Ribera Del Duero (Crianza ou Reserva) é a escolha perfeita. 

LEÃO

De 22 de julho a 22 de agosto

Os leoninos são corajosos, criativos e cheios de amor-próprio. Por isso, adoram vinhos que os façam se sentir valorizados. Para eles, nada melhor que um Supertoscano (mistura de Sangiovese e Cabernet Sauvignon) ou aquele Syrah que “chega chegando”, com explosão de taninos e especiarias. 

VIRGEM

De 23 de agosto a 22 de setembro

Os virginianos são inteligentes, perfeccionistas e organizados, sendo taxados muitas vezes de metódicos por quem não entende seu estilo de vida. Logo de cara pensei num francês com pedigree. Um Bordeaux de Margaux ou Puillac. Se for Grand Cru Classé, melhor ainda! Também poderia sugerir, para eles, um belo Cabernet Franc, como um Chinon do Vale do Loire, por exemplo. 

LIBRA

De 23 de setembro a 22 de outubro

Librianos são charmosos, racionais e ao mesmo tempo indecisos. Para eles, escolher um vinho é uma tarefa um tanto quanto difícil. Costumam ficar horas admirando as prateleiras em busca do rótulo perfeito. Para eles, sugiro um belo Riesling Alemão, da região de Mozel. Aromático, elegante e repleto de nuances para desvendar. Como opção, me lembrei de outro branco que reúne todas essas qualidades: um  Gewürztraminer da Alsácia, cheio de mistérios. 

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ESCORPIÃO

De 23 de outubro a 21 de novembro

Envolventes, misteriosos, vingativos e um tanto quanto sarcásticos, os escorpianos curtem um tinto cheio de presença e vigor. Ao mesmo tempo, também apreciam um branco de personalidade.  Para eles, indico um Chardonnay barricado de Napa Valley ou um corte bordalês, com forte presença de Cabernet Sauvignon e Merlot. Cheers!

SAGITÁRIO

De 22 de novembro a 21 de dezembro

De espírito aventureiro, os sagitarianos amam a liberdade! Ao mesmo tempo são alegres e adoram compartilhar felicidade ao lado dos amigos. Ou seja, são fãs de uma boa farra! Para sagitarianos, sugiro um aromático e jovial Sauvignon Blanc (do Novo ou do Velho Mundo, não importa!) ou um belo Malbec argentino no estilo frutado. Ambos são opções perfeitas para os mais animados. 

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CAPRICÓRNIO

De 22 de dezembro a 21 de janeiro

Os capricornianos costumam ser centrados, ambiciosos e focados em seus objetivos. Por isso, são perseverantes e adoram um bom desafio! Para eles, nada como um vinho com capacidade de evolução do tipo que a cada cinco anos você abre o mesmo rótulo de uma safra diferente só para ver como as nuances se modificam com o passar dos anos. Para eles, as melhores opções são Barolo (italiano, da região do Piemonte) ou um Cabernet Sauvignon chileno bem TOP (se forem fãs dos vinhos do Novo Mundo)

AQUÁRIO

De 22 de janeiro a 19 de fevereiro

Os aquarianos fazem parte da turma zen e estão quase sempre de bem com a vida. Ao mesmo tempo adoram tudo o que tenha ver com modernidade.. Bicho-grilo tecnológico? Sim, pode ser o caso! Para eles, nada como exemplares feitos para quebrar paradigmas, como os meus queridinhos Rosés (não sou aquariana, ok? rs). Aposto que vão adorar um clássico rótulo da região francesa da Provence ou um espanhol mais encorpado, de Navarra. Tudo a ver!

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PEIXES

De 20 de fevereiro a 19 de março

Criativos, românticos, sensíveis e intuitivos, os piscianos gostam de se surpreender com um belo gran finale. Para eles, um vinho de sobremesa no estilo Late Harvest, botritizado, vai fazê-los flutuar até as nuvens e voltar à terra em 2 segundos. Que tal um Sauternes ou Monbazillac para ter aquela sensação de que vale a pena viver? É pura arte, assim como os nativos de peixes. 

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Espero que tenham curtido, se identificado e dado boas risadas! Desde criança sempre adorei astrologia e tentar me convencer que é bobagem seria ir de encontro à minha própria natureza…rsrsrs.

Então é isso e até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!