Rota Rosé: As Surpresas do Languedoc Roussillon

Quem me conhece sabe que eu não resisto a um bom vinho rosé. Sim, e tenho tentado difundir seu consumo, sobretudo entre os resistentes e preconceituosos.

Os néctares da Provence sempre foram os meus preferidos! E, embora os rosados estejam presentes em todos os lugares do mundo, o próprio cenário da Provence, com Saint Tropez, o sol, as lavandas, iates e muita gente bebendo rosé, sem dúvida, torna a região ainda mais irresistível.

Como-o-vinho-rosé-é-feito-1180x517

Porém, em se tratando dos pinks, ultimamente tenho me aberto ao novo, com grandes surpresas. Os rótulos do Languedoc, região do sul da França, por exemplo, são os destaques da vez.

LANGUEDOC ROUSSILLON E SUAS SURPRESAS

Situado a oeste da Provence, na costa do Mediterrâneo, o Languedoc Roussillon esbanja praias, parques de flamingos (<3), salinas, pesca de enguias, pontes romanas, fortalezas e muito mais. Porém, em se tratando de vinho, a região tem dividido opiniões.

Não faz muito tempo o Languedoc era famoso por ter muito vinho mal feito. Seus excelentes solos e invejáveis condições climáticas levaram a uma superprodução de vinho na era pós-industrial.

LanguedocRose_Header

“Enquanto outras áreas como Bordeaux, Borgonha, Champagne e Rhone recebem muita atenção e glória, o Languedoc fez o trabalho pesado, produzindo um terço do vinho da França.”

(Steve Prati, jornalista).

A produção maciça na região foi principalmente da variedade de vinhos a granel, fornecendo suco barato para um mercado global em expansão.

BOAS PERSPECTIVAS

Agora, felizmente o Languedoc tem tomado novos rumos, com o renascimento do vinho local. Suas terras nunca foram tão valorizadas, recebendo investimentos dos principais produtores da Borgonha e de Bordeaux, ao passo que vem se tornando um chamariz para jovens vignerons, ansiosos por lugares mais acessíveis. Tudo isso faz da região um celeiro para novos talentos, resultando em vinhos muito empolgantes!

VOCAÇÃO PARA O ROSÉ

Todas essas mudanças só confirmam a vocação do Languedoc para a produção de vinhos rosados, que já conquistou amantes da bebida em todo o mundo.

bon-jovi11
De tão apaixonado por rosés, Jon Bon Jovi decidiu produzir seus próprios rótulos no Languedoc.

Vale lembrar que ninguém menos que Jon Bon Jovi começou a produzir seus rótulos na região, em parceria com Gerard Bertrand , enólogo biodinâmico francês, e seu filho, Jesse Bon Jovi. A preferência do trio para esse projeto? Rosés, sempre eles!

13689821_is
O rosé do astro, Diving into, já faz sucesso entre os amantes da bebida.

O Rosé do intérprete de “Always” e “Blaze of Glory” segue o estilo dos queridinhos da Provence, tanto que utiliza a mesma mistura de uvas que se tornou célebre na região, como Grenache, Cinsault, Mourvèdre e Syrah. Sim, com direito à bela coloração salmão-claro típica, de impressionar os melhores produtores de Saint Tropez. Não vejo a hora dessa lindeza (o vinho, claro! rsrs) chegar ao Brasil. Afinal, também quero provar!


Então é isso, pessoal! Convido vocês a descobrirem novos estilos de franceses, sobretudo nessa região que traz custo-benefício e qualidade infinitos. Nas lojas virtuais, por exemplo, é possível encontrar não só rosés como belos tintos elaborados com Grenache, Syrah e Mourvèdre, bem típicos e cheios de personalidade.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: VinePair, Winepedia

 

 

Viagem na Taça: O Exuberante Vale do Loire

Para alegria dos enófilos de plantão, hoje publicamos mais um post da série Viagem na Taça. Desta vez, vamos direto para um das mais belas regiões francesas, o Vale do Loire. Encha sua taça e prepare-se para zarpar em busca desses vinhos maravilhosos.

reg_fr13_m

ONDE FICA ESSE VALE?

O Vale do Loire é uma região vinícola localizada ao longo do rio de mesmo nome que é, sem dúvida, o maior da França, visto que ele se estende da costa oeste do Atlântico até o centro do país. E justamente por se tratar de uma área tão grande, o Loire dispõe de diversos estilos de vinhos, elaborados com uvas das mais variadas.

HISTÓRIA DO LOIRE

Ao longo dos séculos, a região se tornou famosa por abrigar as residências de muitos reis da França, que construíram castelos que hoje em dua vivem repletos de turistas, como os Château de Chambord e Château de Cheverny.

chambord-1387662_640
Château de Chambord, Vale do Loire

COMO É O TERROIR DA REGIÃO?

Os solos são dos mais diversificados. Ao longo de todo o rio, é possível encontrar granito, cascalho, argila e pedra calcária tuffeau, que fora usada na construção dos castelos locais, datados da época da Renascença.

O clima é oceânico, junto à costa, se transformando em continental ao passo que nos aproximamos do interior.

Por se tratar de uma região vitivinícola, o Vale do Loire é dividido em quatro áreas, de oeste a leste:

  • Pays Nantais, pela costa atlântica, ao redor da cidade de Nantes ;
  • Anjou, localizada um pouco acima do rio, em torno da cidade de Angers;
  • Touraine, próxima à cidade de Tours, ao sul de Paris;
  • Haute- Loire, situado onde o rio se aproxima de sua origem, nas regiões montanhosas do centro da França.

10080665123_77ca100dd5

QUAIS AS VARIEDADE DE UVAS DA REGIÃO?

Chenin Blanc é, sem dúvida, o símbolo das uvas do Loire, sendo difícil de ser cultivada em outras regiões, com exceção da África do Sul.  É uma cepa branca e delicada, que serve de base para diversos estilos de vinhos locais, incluindo brancos, secos e doces botritizados. De vez em quando ainda aparece em assemblage (mistura) com a Chardonnay.

Cabernet Franc, originária de Bordeaux, mas desde o século XVII encontrou no Loire sua segunda casa. Geralmente é utilizada em um único vinho varietal, diferente de sua região de origem, onde é misturada com outras castas. No Loire, a Cabernet Franc produz tintos famosos, como Chinon e Bourgueil, além de Rosés, como Cabernet D’Anjou, e espumantes rosados, como o Saumur.

15455081231_b4b18e245c

Os vinhos brancos da região costeira de Muscadet, perfeitos para acompanhar frutos do mar, são feitos com a uva Melon de Bourgone.

Grolleau, uma uva raramente mencionada quando se fala em Vale do Loire, porém, muito importante na elaboração de diversos rosés locais.

Em áreas de Haute-Loire, como Sancerre, as uvas Sauvignon Blanc e Pinot Noir fazem parte de vinhos famosos do Loire. O Sancerre (Sauvignon Blanc), por exemplo, fica divino com queijo de cabra, um verdadeiro clássico da harmonização.

ESTILOS DE VINHOS 

Poucas regiões europeias podem se orgulhar em produzir vinhos tão variados quanto o Vale do Loire.

  • Os brancos secos estão por toda a parte, ao longo do Rio Loire. Entre os mais emblemáticos estão os de Muscadet, Saumur, Vouvray, Sancerre e Pouilly Fumé.
  • Os vinhos brancos adocicados do Loire não são tão mundialmente famosos, mas produzem alguns dos melhores botritizados do planeta, nas denominações Coteaux do Layon, Savenniéres, além de Moutlouis.
  • Os rosés são produzidos em larga escala, muitas vezes sob as denominações regiões Rosé de Loire ou Rosé D’ Anjou.
  • Quanto aos tintos, os mais interessantes são os Cabernet Franc de Saumur, Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas de Bourgueil, além dos Pinot Noir de Sancerre.
  • Há vinhos espumantes de diversos estilos, produzidos em áreas demarcadas, como Saumur, Vouvray e Crémant de Loire.

large-raffault-les-picasses-2011

VINHOS DO LOIRE QUE VOCÊ TEM QUE PROVAR

  • Didier Dagueneau Poully-Fumé Silex, Sauvignon Blanc
  • Domanie Olga Raffault Les Picasses Chinon, Cabernet Franc
  • Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant Savennieres, Chenin Blanc Doce
  • Domaine Vacheron Sancerre Belle Dame Rouge, Pinot Noir
  • Champalou Vouvray, Espumante Branco

E aí? Curtiram o Viagem na Taça desta semana? Então, que tal descobrir outras maravilhosas regiões, entre elas Alsácia, Bordeaux, Borgonha e Champagne? São lugares que, além de lindos, produzem vinhos da melhor qualidade e que têm muito a nos ensinar.

Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

Taça Viajante: a Efervescente Champagne

Finalmente, a série Terroir Francês chega à bela região vinícola da Champagne, famosa por produzir alguns dos melhores espumantes do mundo. Sou apaixonada, não só pelas lindas paisagens, como também pela trajetória das Maisons (Casas de Champagne), que há séculos figuram como algumas das mais importantes do mundo de Baco.

AGORA, ABRA UMA CHAMPAGNE E VIAJE NA TAÇA!

Então, que tal se agora nós abríssemos uma champagne e nos transportássemos para esse terroir carregado de essência e história? Prepare-se, pois a viagem tem tudo para ser inesquecível!

reims-1254782_640
Vinhedo em Reims, Champagne

Champagne é uma região vinícola da França, localizada a cerca de 150km de Paris. Antes da criação do Méthode Traditionnelle ou Champenoise, processo que produz o espumante por meio da fermentação na garrafa, o local fabricava vinhos tranquilos para suprir a grande população vizinha de Paris. Os habitantes da Champagne ou Champenois alegam que o monge Dom Pérignon foi o responsável pela criação do método champenoise, no século XVII. Sabemos que essa história é um tanto quanto controversa. Porém, é inegável que Pérignon contribuiu muito para  o sucesso e aperfeiçoamento desta técnica.

A região é conhecida como um terroir de solo calcário e clima mais frio do que o resto da França, ambos resultando em vinhos finos requintados e de forte caráter mineral.

SUB-REGIÕES

  • Montanha de Reims – região mais fria, onde reinam as uvas tintas, principalmente a Pinot Noir, com vários vinhedos Grands Crus e Premier Crus, nove, dos 17 Grands Crus, localizam-se aqui. Os mais famosos são Mailly, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy;
  • Vale de Marne – Solo menos calcário, com predomínio de argila. Predomínio das duas Pinots (Noir e Meunier), com dois vilarejos Grand Crus (Aÿ e Tours-sur- Marne);
  • Côtes de Blancs – Como o nome diz, predomínio de Chardonnay. Clima ameno, solo calcário. Aqui se situam cinco Grands Crus (Cramant, Avize, Oger, Le Mesnil sur Oger e Chouilly);
  • Côte de Sézanne – Região recente, continuação da Côtes de Blancs, com vinhas plantadas em 1960, predomínio de Chardonnay;
  • Cote des Bar – no departamento de Aube, tem invernos frios e verões quentes, solos argilosos, predomínio de Pinot Noir, que nessa sub-região alcança mais corpo.

1024px-Champagne_Vineyards

Vale ressaltar que diferente de outras regiões francesas, como Bordeaux, o nome da sub-região na Champagne é menos importante, pois os espumantes são mais conhecidos pelas marcas das grandes casas, ou maisons. Nomes como Krug, Salon e Chandon contam mais do que o nome da sub-região.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA (AOC)

Embora muita gente se refira a qualquer espumante como champagne, hoje em dia existe uma legislação que determina que o nome Champagne só pode ser usado em rótulos provenientes desta região vinícola. As únicas exceções são alguns produtores norte-americanos que utilizam há décadas a denominação California Champagne, bem como a Peterlongo, vinícola brasileira que conseguiu os direitos de uso do nome nos anos 70, por meio do Supremo Tribunal de Justiça. Todos esses produtores alegam que já produziam o “champagne” mesmo antes da AOC (Denominação de Origem Controlada) entrar em vigor, em 1927.

Porém, não canso de mencionar que esse tipo de coisa não faz nenhum sentido além do marketing. Champanhe de verdade, só aquele produzido na região francesa de Champagne.

Moët_&amp;_Chandon_caves_1
Cave Moët & Chandon 

PRINCIPAIS CASTAS DE UVA

O Champagne é feito sempre a partir de três castas (solo ou misturadas): As tintas Pinot Noir e Pinot Meunier (das quais se faz um vinho branco) e a branca Chardonnay. Geralmente as tintas emprestam à mistura caráter mais austero, mais corpo, aromas de frutas vermelhas, enquanto a Chardonnay dá mais cremosidade e elegância.

Mundialmente famosa, a Chardonnay encontrou uma de suas melhores expressões nos espumantes da Champagne. As melhores uvas e vinhos provém da sub-região de Cotês Des Blancs.

A Pinot Noir é usada na elaboração de espumantes brancos devido ao fato de não se extrair toda a cor da casca da uva durante a prensagem. Trata-se ainda, de um elemento importante na produção do champagne rosé.

Por fim, a Pinot Meunier é uma outra variedade de uva tinta utilizada na produção de champagnes brancos e rosés, contribuindo com nuances mais leves e frutadas.

1473593576_c822eabdf1

ESTILOS DE VINHOS

Champagne produz espumantes brancos e rosés de diversos estilos, sendo classificados de acordo com a seguinte escala, do mais seco para os mais doces. Aqui, o que manda é a quantidade de gramas por litro de açúcar da bebida.

  • Brut Nature (or brut zero, non-dosé, ultra brut, brut sauvage) : 0-2 g/L de açúcar
  • Extra Brut: 0-6 g/L de açúcar
  • Brut: 6-12 g/L de açúcar 
  • Extra Sec (Extra Dry, Extra Seco): 12-17 g/L de açúcar
  • Sec (Dry): 17-32 g/L de açúcar
  • Demi-Sec (Medium Dry, Meio-Doce): 32-50 g/L de açúcar
  • Doux (Sweet, Doce): more than 50 g/L de açúcar

Alguns vinhedos e vinhos são classificados de acordo com seu grau de qualidade Cru ou Premier Cru. 

Blanc-de-Blancs-Champagne

Champagnes elaborados 100% com uvas Chardonnay são denominados Blanc de Blancs, enquanto aqueles feitos 100% com uvas Pinot Noir são chamados Blanc de Noirs. Bem menos famosos são os vinhos tintos produzidos na região, rotulados como Coteaux Champenois.

ALGUNS RÓTULOS FAMOSOS

  • Dom Pérignon Champagne Brut
  • Louis Roederer Champagne Cristal Brut
  • Moët & Chandon Champagne Imperial Brut
  • Krug Champagne Grande Cuvée Brut
  • Salon Le Mesnil Blanc De Blancs Brut
  • Veuve Cliquot Champanhe Brut 

Espero que tenha gostado da nossa pequena aventura. Lugares lindos e alguns dos melhores espumantes do mundo. Se bem que os nossos rótulos brazucas não têm deixado nem um pouco a desejar, colocando-se em pé de igualdade com muitos desses vinhos. Porém, a tradição champenois é inegável, conquistada através dos séculos, em uma região que foi devastada por diversas guerras e conseguiu se reerguer. Sem dúvida, um orgulho para os franceses e todos os apreciadores dessa bebida mágica.

Referências: Vivino e Revista Adega.

Viaje na Taça: Conheça a Mítica Região da Borgonha

Sem dúvida, a Borgonha é uma das regiões vinícolas mais belas do mundo. Um lugar que povoa o imaginário de qualquer enófilo realmente apaixonado por vinhos finos. Terra do emblemático Domaine de La Romanée Conti (DRC), cujas vinhas são mimadas e cuidadas a fim de produzirem alguns dos melhores rótulos do mundo. Certamente, é um terroir que está na minha listinha de futuros roteiros e acredito que na sua também. Bora conhecer?

village-374367_640
Borgonha

A BORGONHA

A Borgonha (Borgogne, em francês) é uma região vinícola localizada na área central do leste da França, nos arredores do distrito administrativo de Dijon, que não vive só da sua famosa mostarda, visto que a cidade também produz queijos e bons vinhos Chardonnay e Pinot Noir.

O solo da Borgonha é caracterizado por altos níveis de calcário, o que eleva a mineralidade típica dos vinhos locais. Possui clima continental, sem influências oceânicas, com verões relativamente quentes e um dos invernos mais frios da França.

Assim como em muitas regiões francesas, a Borgonha teve suas primeiras videiras introduzidas pelos romanos, no século I d.c. Durante a Idade Média, foram os monges católicos que desenvolveram a viticultura precisa e delimitada de alguns dos vinhedos mais famosos da atualidade.

SUB-REGIÕES

fontenay-1041545_640
Fontenay, Côte D’Or

A Borgonha é dividida em 4 principais sub-regiões:

CÔTE D’OR: produz os melhores vinhos da região e compreende duas áreas distintas, norte e sul da cidade de Beaune – Côte de Beaune e Côte de Nuits. A Côte d’ Or possui as melhores e mais famosas denominações da região, que engloba vinhedos como Vosne-Romanée, Nuits Saint Georges e Puligny- Montrachet.

CHABLIS: situada no oeste da Borgonha, é especializada na produção de excelentes vinhos Chardonnay de caráter mineral e picante.

CÔTE CHALONNAISE:  ao sul da Côte d’Or, produz tanto vinhos Chardonnay quanto Pinot Noir. Possui denominações famosas, como Bouzeron, Mercurey e Givry.

MACONNAIS: é a área mais ao sul da Borgonha, nos arredores da cidade de Macon, a poucos quilômetros de Beaujolais. Produz quantidades consideráveis de vinhos Chardonnay, entre outros, em sua maioria brancos.

CASTAS DE UVAS

Pinot_noir_DSC_9092

Chardonnay e Pinot Noir: são algumas das cepas mais famosas do mundo, ambas nascidas na Borgonha, em plena Idade Média. Até hoje, são as uvas brancas e tintas mais cultivadas do lugar.

Aligoté: é uma casta branca pouco conhecida na região. Produz vinhos mais leves e acessíveis, ótimos para quem está começando a degustar os vinhos brancos no estilo da Borgonha.

Gamay: apesar de produzida na Borgonha, os vinhos desta uva nunca são engarrafados como varietais únicos. Geralmente, ela participa de uma pequena parcela dos lotes rotulados como Bourgogne  Gran Ordinaire ou Coteaux Bourguignons.

Pinot Blanc: geralmente reservada para a produção de vinhos espumantes.

ESTILO DE VINHOS

Os tintos da Borgonha são considerados a mais completa manifestação da Pinot Noir no mundo, conhecida por seu corpo, elegância e luminosidade. Geralmente, seus exemplares são envelhecidos em barricas de carvalho.

Já os brancos da Borgonha, em sua maioria da uva Chardonnay, possuem um toque mineral, devido ao solo calcário. Costumam ser refinados e de ótima acidez. O Chablis possui um toque seco e fresco, sendo muito apreciado com ostras frescas, por exemplo.

Na Borgonha, as vinhas e os vinhos são qualificados de acordo com seu nível Cru: Grand Crus são os melhores vinhedos, que produzem os melhores e mais caros exemplares. Os Premiers Crus, por sua vez, possuem um grau ligeiramente inferior.

Agora, algo que pouca gente sabe: a Borgonha também possui ótimos espumantes, produzidos por meio da fermentação em garrafa pelo método tradicional, sendo classificados como Crémant de Bourgogne.

RÓTULOS FAMOSOS

romanee_conti_2

  • Domaine de la Romanée Conti : Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Leflaive Chevalier Montrachet Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Mommessin Clos de Tart Grand Cru:  Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Coche-Dury Corton Charlemagne Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru: Tinto, Pinot Noir

Espero que tenham curtido essa pequena viagem pela Borgonha. Estou lendo um livro do Maximillian Potter sobre a História do Romanée-Conti, um dos expoentes máximos da região, sobretudo por ser considerado um dos melhores vinhos do mundo. Trata-se de uma trama policial, mas que também fala muito sobre a região e encanta qualquer apreciador de vinhos finos.  Assim que eu terminar, com certeza postarei uma resenha com as minhas impressões. Mas, por enquanto, garanto que estou adorando!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Wine Tour: Conheça o Museu Cité Du Vin, em Bordeaux

Já que falamos sobre a região francesa de Bordeaux, não poderia deixar de escrever um post sobre a recém-inaugurada  Cité Du Vin. O lugar é, ao mesmo tempo, museu, parque temático e uma impactante obra arquitetônica. Trata-se de um dos projetos mais ambiciosos do mundo do vinho, que o homenageia como patrimônio cultural, vivo e universal. 

Cité_du_Vin_Bordeaux©XTU_P.Desmazieres

O MUSEU

No museu, as 20 seções e exposições abordam a história da bebida desde os primórdios até a atualidade, uma vez que explora a grande variedade de castas de uvas que se fizeram famosas em diversos países. Nesse verdadeiro “templo de Baco”, também são ministrados cursos, seminários (em auditórios com capacidade para 250 pessoas) e degustações, além de uma loja onde é possível comprar 800 tipos de vinhos finos diferentes (200 deles franceses).

Sem falar do Restaurante Latitude 20, que conta com uma adega com mais de 14.000 garrafas de 800 exemplares de diferentes partes do mundo. Seu nome faz referência ao paralelo 20, que dispõe de vinhos elaborados em regiões do planeta nessa localização, tanto ao norte quanto ao sul. Lugares inusitados, como Madagascar, Bali, Índia, Etiópia e Tahiti.

thomas-jefferson-auditorium-630x417
Auditório com Capacidade Para 250 Pessoas

DESPERTANDO OS SENTIDOS

A ideia é que os visitantes percebam o museu em todos os sentidos. Dos mais comuns, vivenciados durante uma degustação de vinhos (paladar, visão e olfato), aos mais sutis, como o tato e a audição. Essa experiência é descrita por muitos como uma “total imersão multi-sensorial no mundo do vinho”.

cite-du-vin-museum3-TRAVEL-large

TECNOLOGIA

Não bastasse todos esses números impressionantes, a “Cidade do Vinho” ainda conta com uma instalação multimídia, que nos permite assistir a uma encenação com  personagens ilustres de diferentes épocas, como Voltaire, Churchill e Napoleão Bonaparte. Essas figuras míticas falarão sobre seus vinhos favoritos, uma vez que são conhecidos historicamente como  alguns dos mais famosos amantes do néctar dos deuses.

Além disso, por meio de telas gigantes e projeções no chão, você poderá conhecer diversas regiões vinícolas, bem como interagir num jogo de som, luzes e aromas, que nos transporta para uma espécie de “degustação” em três dimensões. Sensacional!

648x415 (1)
Espaço Multimídia

ARQUITETURA

O edifício, de linhas vanguardistas, foi projetado pelos renomados arquitetos Anouk Legendre e Nicolas Desmaziéres (do escritório XTU) e abrange uma área de 13.350 m². A estrutura possui 8 andares e faz alusão ao vinho sendo derramado em uma taça e seus reflexos são projetados em placas de alumínio e vidro, que refletem o sol e mudam de tonalidade, do acinzentado ao amarelo, de acordo com a hora do dia e a intensidade do astro-rei.

Trata-se do prédio mais alto do centro de Bordeaux (55 metros de altura), que brinda seus visitantes com uma  vista panorâmica de tirar o fôlego! No 8º andar está localizada a Torre Le Belvèdére, enquanto no 7º há outro restaurante (o Le 7), desta vez com  vista panorâmica e temática futurista.

Mapa_ciudad_del_vino_Burdeos
Mapa da Cidade do Vinho

DIVERSÃO TAMBÉM PARA OS PEQUENOS

E os pequenos não ficam de fora! Há passeios para as crianças, com atividades tecnológicas e interativas, bem como oficinas para toda a família, onde a garotada poderá degustar diversos sucos de uvas.

O projeto custou 81 milhões de euros e são esperados cerca de 450 mil visitantes por ano. O valor do ingresso gira em torno de 20 euros por pessoas. A Cité Du Vin também abriga exposições temporárias, workshops e vários espetáculos.Por exemplo, durante o Campeonato de Futebol Europeu, os jogos são transmitidos em telões e, em seguidas, são realizadas degustações de vinhos provenientes dos países envolvidos na disputa daquele dia.

main_laciteduvin

Eu já estava deslumbrada com esse museu. Depois dessa pesquisa, fiquei com vontade de vender tudo o que tenho e ir amanhã mesmo..rs..rs.rs.. Uma verdadeira Disneylândia para os amantes dos vinhos finos.  Tenho um amigo que foi e, pelo que me contou, é tudo isso mesmo. Não decepciona em nada. Se você também já visitou a Cité Du Vin, conta para mim. Estou supercuriosa!

Boa semana e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: The Big Wine Theory, La Nación

Imagens:
es.blouinartinfo.com
www.decanter.com
http://www.20minutes.fr/
http://france3-regions.francetvinfo.fr/
http://www.telegraph.co.uk/
http://turismodevino.com/