O Sommelier Abduzido

Contos e crônicas com Sommelier André Ribeiro

O Sommelier Abduzido

Certo dia, fui passar um final de semana em Serra Negra. Não foi bem um final de semana, pois o Sommelier quase sempre trabalha aos sábados… assim, chegamos na madrugada de sábado para domingo. Descemos as malas, arrumamos as coisas, as crianças, cansadas, dormiram com as mães, os homem também resolveram ir dormir, só eu que não tinha um pingo de sono.

Passei a mão numa garrafa de vinho, peguei uma taça e fui para piscina. Fiquei sentado admirando o local e resolvi entrar na mata. Lá tinha um grande pedra, resolvi então ir ate ela escalei sem dificuldade e me sentei nela , enchi mais uma taça e reparei que mais ao fundo tinha uma pequena casinha, que era do caseiro, com as luzes apagadas e um resquícios de fumaça saindo da chaminé.

Olhei para o céu e fiquei impressionado! Eu, menino criado em cidade grande acostumado com poucas estrelas, me deparei com um céu incrivelmente repleto de estrelas brilhantes. Fiquei ali hipnotizado com aquela visão, quando de repente notei que uma das estrelas parecia estar ficando maior ou estava se aproximando de mim, o que seria cientificamente impossível.

A luz foi aumentando… tive o ímpeto de fugir, de gritar, de correr, mas estava paralisado! Diante dos meus olhos, naquela grande campina de vegetação rasteira, vi descer um objeto esférico com uma luminosidade que não provinha de lâmpadas e, sim, partir diretamente dele como se fosse uma luz energética que o circundava. Vi uma porta se abrir em forma de elevador que baixava até o solo e, para o meu espanto, duas criaturas de estatura mediana (aproximadamente 1,50m), com olhos grandes, boca pequena, sem orelhas…

Eles se comunicaram comigo mentalmente, acho que é por isso que não tinham orelhas e a boca era pequena, eles não usavam a comunicação normal… e eles respondiam os meus pensamentos! Fui então me acalmando.

Um deles me transmitiu mentalmente: não tenha medo, somos de um planeta vizinho que fica há 50 anos na velocidade que vocês conhecem na Terra como a velocidade da luz… desde o princípio monitoramos vocês, às vezes até interferimos quando algumas ações podem abalar a harmonia do universo… somos como os seus irmãos mais velhos, podando e intuindo em suas decisões pois sabemos que a humanidade tem que andar com as próprias pernas, mas quando nós é permitido, damos um empurrãozinho… nós te trouxemos aqui pois estamos interessados na produção de vinho em nosso Planeta.

Eles me guiaram a uma sala, apertaram um botão e a porta se abriu… haviam várias mudas e espécie de uvas diferentes. Gostaríamos que pudesse nos passar o seu conhecimento sobre o assunto. Dei um leve sorriso e respondi: deve haver algum engano. Eles se olharam eu continuei: eu sou um Sommelier.

Vocês, assim como muitas pessoas na Terra, enganam-se até hoje… há três classes do mundo do vinho: primeiro, o Enólogo, esse profissional é o responsável pela escolha do terreno, a planta que mais vai se adaptar aquele microclima e a colheita na hora certa, todo o trabalho com essa-matéria prima selecionada até se tornar vinho e ir para garrafa… daí pra frente é com o Sommelier; ele é quem vai provar os vinhos e selecioná-los, colocar na loja ou no restaurante, descrever na carta se for restaurante.

O Sommelier de loja é na lábia mesmo, a carta de vinho está na sua cabeça, às vezes mais de 2mil rótulos. Ele é quem dá dicas de harmonização e indica o vinho; como um detetive, tem que descobrir o gosto do cliente para não errar e contar bastante histórias sobre os vinhos. Isso é o que eu faço… a venda é SÓ uma consequência disso tudo. E por último, vem o Enófilo, que é aquele que adora vinho, estuda sobre o assunto mas não trabalha com isso. Às vezes, escrevem em blogs e muitos se destacam no mundo do vinho.

As estranhas criaturas, mentalmente, disseram uma para outra: você utilizou o Google de novo né? O outro responde que sim. Ele então retrucou: já não te falei para utilizar só o dicas do André Ribeiro Vinho?! O outro só balançou a cabeça. Vamos te levar de volta, mas quando estivermos com o vinho pronto vamos precisar de você.

Ao pousarem a nave, eu disse que tinha um vinho para dar de presente. Podemos buscar, ele me disseram… afinal, tinham certeza de que eu ia acordar todo mundo pra vê-los. Mentalize o vinho. Com espanto, vi o vinho saindo pela janela flutuando até sua mão… expliquei que era um vinho produzido no Chile e que o enólogo coloca um meteorito que caiu na terra a muitos anos atrás.

Eles colocaram o vinho em um estranho aparelho portátil onde a luz de um laser passou por toda a garrafa, um deles disse: interessante, o meteorito é da constelação de Orion, terra Natal dos egípcios… eu respondi: como assim? Um deles contou que todas as pirâmides apontam para Orion e isso tem um motivo mas o povo terrestre não tem maturidade ainda para entender… e que num futuro próximo, seria revelado. Antes de eu sair da nave, injetaram uma espécie de chip nos meus ouvidos. Assim que desci, a nave levantou voo lentamente e partiu numa velocidade assustadora!

Olhei para o relógio… e só havia se passado um único minuto… estranho pois havíamos ficado na nave por muito tempo! Na pedra, meu vinho e taça ainda estavam lá. Fiquei ali parado pensando em tudo o que aconteceu. Os egípcios, pelo que eu entendi, eram seres extraterrestres.

Tomei a garrafa toda, voltei pra casa e adormeci. No dia seguinte, fizemos um churrasco. Não tive coragem de contar nada a ninguém, pois seria motivo de piada, então tomamos uns espumantes e um Rosé. Um amigo perguntou sobre o vinho tinto, pois levamos duas garrafas. Nossa André! Você tomou ontem duas garrafas de vinho tinto sozinho? Respondi: quem falou que eu tomei sozinho? E ele respondeu num sotaque mineiro: uai, todo mundo foi dormir…quem tomou com você então? Me vi dizendo: tive a companhia das estrelas! Ele sorriu e disse: só você mesmo!

#pordentrodovinho
Foto montagem Guilherme Mota

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