Entenda Como o Vinho Pode Evoluir (e melhorar) na Garrafa

A garrafa tem um papel crucial na qualidade de evolução do vinho. Tudo porque sua cor, forma, composição e até mesmo as reações químicas que ocorrem em seu interior podem ajudar (e muito!) a melhorar as características da bebida. No entanto, fora isso, a garrafa está diretamente ligada ao consumo do vinho, ao passo que representa uma ferramenta de marketing essencial na decisão de compra do consumidor.

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AMADURECIMENTO EM GARRAFA

Ainda que seja comum associar envelhecimento em garrafa a vinhos de alta qualidade (os famosos vinhos de guarda), fato é que todos os vinhos, mesmo os mais jovens, devem passar um tempo descansando logo após serem engarrafados.

Segundo especialistas da empresa espanhola Verallia, uma das líderes mundiais na produção de garrafas, algumas dicas são fundamentais no que diz respeito ao armazenamento do vinho nessas embalagens:

A GARRAFA: é o elemento-chave na produção e conservação do vinho. Antes de tudo, durante a sua elaboração, é na garrafa que o vinho passa por todos os estágios de sua vida (sim, o vinho é quase um ser vivo!), da juventude à idade adulta (apogeu), quando adquire suas melhores qualidades em virtude da ausência de oxigênio, até o fim de sua existência (decrepitude), quando perde totalmente sua expressão.

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A EVOLUÇÃO: nuances complexas e delicadas, o chamado “bouquet” (apenas os vinhos maduros possuem bouquet) são sinais claros de evolução em garrafa, quando o vinho refina seus aromas e sabores. Nessa fase, o vinho perde um pouco dos aromas frutados de sua juventude, se mostrando com perfumes mais sutis e complexos, que marcam a sua maturidade.

 

PROFUSÃO DE AROMAS: na garrafa, os aromas primários, secundários e terciários formam o que os especialistas qualificam como “perspectiva aromática do vinho”. Além disso, a garrafa impede a rápida evolução biológica do vinho, aumentando sua vida útil, que continua a se devolver num ritmo mais lento, a partir do momento em que o oxigênio  existente entre o líquido e a rolha é praticamente nulo. Por vezes, esse ar é consumido em reações químicas que ocorrem o tempo todo em que o vinho permanece na adega. 

VINHOS ENGARRAFADOS

Quando armazenados em garrafa, os vinhos brancos com poder de guarda se tornam mais sedosos e voluptuosos, perdendo seus aromas frutados iniciais para ganhar em complexidade e sutileza. Já os vinhos tintos tendem a perder a cor, indo do rubi a tons alaranjados e terrosos.

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Durante o envelhecimento em garrafa há uma redução do potencial oxidativo do vinho, permitindo a ocorrência de todos esses fenômenos evolutivos. Substâncias chamadas PROCIANIDINAS, na ausência de oxigênio, realizam a HIDRÓLISE ao se juntar com as ANTOCIANINAS, provocando uma diminuição na intensidade de sua cor, bem como uma perda de adstringência nos vinhos tintos, que ganham em sedosidade. Com o passar do tempo, devido à ação das Antocianinas, a bebida passa da cor telha para tijolo. Eis aí um dos aspectos mais notórios de evolução!

Enfim, todas essas alterações químicas acontecem, sobretudo, em virtude dos processos de polimerização em que as antocianinas, entre outras substâncias, causam alterações em suas estruturas moleculares, resultando em alterações de cores e sabores únicas.


 

Por essas e outras afirmo que, em se tratando de vinhos, nunca se sabe demais e todos os dias a gente aprende algo novo.

Então é isso, enoamigos. Até a próxima! Ótimo final de semana! Tim-Tim!

Referência: Vinetur

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3 Coisas Que Você Precisa Saber Antes de Adquirir Uma Adega Climatizada

Com o crescente interesse pelo mundo do vinho, vejo um número cada vez maior de apreciadores em busca de sua primeira adega climatizada. 

Existem infinidades de modelos de adegas, tanto que fica até difícil escolher o exemplar ideal para abrigar nossas preciosas garrafas. Por isso, antes de adquirir uma delas, é comum levarmos em conta apenas o design do produto, deixando de lado 3 aspectos superimportantes, que listaremos a seguir:

1) Quantidade de Vinhos Para Guardar

Logo de cara, é importante definir o tamanho da adega. Sem falar que ainda temos que analisar a vida útil que lhe daremos, ou seja, se desejamos um exemplar que dure “para sempre” ou  apenas  por alguns poucos anos, a fim de logo substituí-lo por um maior. 

Quanto ao tamanho, há opções para todos os gostos, desde adegas pequenas, para 6, 12 garrafas, até armários enormes, com capacidade para mais de 350 rótulos.

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Adega Climatizada Para 12 Garrafas
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Adega Climatizada Para 350 Garrafas

2) Diferentes Temperaturas

O segundo passo é decidir que tipos de vinhos pretendemos armazenar. Afinal, é esse fator que determinará a temperatura ideal da adega.

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Atualmente, a maioria dos exemplares se divide por zonas de temperatura, haja vista que a ideal para um vinho tinto é totalmente diferente daquela apropriada para um branco ou espumante, por exemplo. Logo, se eu só pretendo guardar rótulos tintos, para que vou comprar uma adega com 3 zonas de temperatura? 

3) Onde Você Pretende Colocar a Sua Adega?

Outra coisa é que precisamos ter, pelo menos, uma ideia do cômodo ou lugar onde a adega ficará. Vale refletir, ainda, se você pretende colocá-la no chão, encostada na parede ou em cima de um móvel e se este será capaz de suportar seu peso, a fim de que não ocorra uma catástrofe.

Além disso, a orientação de abertura da porta não deve ser descartada. Se você deseja mudar o lado de abertura, é bom checar se isso é possível de ser feito previamente, junto a fábrica.  Por último, vale se certificar se a adega será destinada apenas para armazenar seus vinhos ou se você pretende usá-la como um móvel complementar. Há modelos muito bacanas que fazem às vezes de aparador e podem perfeitamente abrigar porta-retratos, TV etc. 

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Aqui em casa eu tenho o meu “cantinho do vinho”, onde estão minha cristaleira com as taças, a adega (23 garrafas) e os livros sobre o assunto. Fica na sala, na área de jantar, próxima à mesa. E você? Tem um espaço próprio para degustar seus rótulos? Pensa em montar um? Eu superapoio! 

Referência: The Big Wine Theory

 

 

 

 

Wine Tour: Visita à Vinícola Villa Francioni, em Santa Catarina

Enfim, estou de volta após merecidas férias. E, como antecipei aqui para vocês, passei pela bela Serra Catarinense. O lugar é encantador, bucólico e cercado pela natureza. Sem falar no friozinho delicioso, capaz de deixar qualquer programação ainda mais aconchegante.

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Entrada da Villa Francioni

Como fui com marido e filha de 2 anos, infelizmente não pude rodar por todas as vinícolas. Afinal, tinha que pensar em passeios para eles também. Porém, a Villa Francioni, desde o início, estava nos meus planos como visita obrigatória. E, sim, agradou toda a família!

RESERVE COM ANTECEDÊNCIA

Vale a pena agendar a visita o quanto antes, no Site da Vinícola. Sobretudo em períodos de alta temporada, os horários costumam estar lotados. Fomos numa segunda-feira, às 11h da manhã e confesso que o movimento me surpreendeu. Chegamos em cima da hora, pois nos hospedamos em Bom Jardim da Serra, que fica a 40 minutos de São Joaquim. O lugar não é difícil de encontrar, aliás, as vinícolas são bem próximas, sendo que a Villa Francioni é a primeira delas, localizada do lado direito da rodovia SC 114.

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Vinhedos com tela de proteção: as araucárias dão um charme ainda mais especial ao lugar

VINÍCOLA LINDA E LUXUOSA

Ao chegar na VF, toquei a campainha e efetuei o pagamento na entrada (R$40 por pessoa, sendo que R$3o deste valor pode ser revertido em vinhos da vinícola. Minha pequena não pagou ingresso). No início da visitação, é transmitido um vídeo sobre a empresa. Em seguida, somos levados ao interior da Villa, que é simplesmente um dos mais lindos entre todas as vinícolas que tive oportunidade de visitar até então. Há, inclusive, algumas peças de antiquário, como um vitral de um antigo cassino uruguaio e uma mesa que pertenceu ao imperador Dom Pedro II. Os lustres, obras de arte na entrada, enfim, tudo possui um ar de museu, tornando a visitação interessante além do vinho.

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Uma das obras de arte do interior da vinícola

VISITAÇÃO

Logo no início, fomos conduzidos aos ambientes nos quais se localizam tanques de alumínio onde fermentam os vinhos. É tudo aberto e integrado, semelhante a um grande loft. Sendo assim, podemos visualizar o interior da vinícola como um cenário único e nos deixamos guiar através das escadas. Um funcionário da VF explica cada processo nos mínimos detalhes, incluindo a fabricação do vinho rosé, que costuma gerar dúvidas na maioria das pessoas. Em seguida, acompanhamos o processo de colocação das rolhas (todas de cortiça portuguesa, de primeira qualidade), bem como dos rótulos nas garrafas.

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O lugar surpreende pelos detalhes da decoração.

UMA BELA CAVE

Por fim, fomos ao subsolo, onde se encontra a cave. O lugar é perfeito, frio, úmido e com pouca luminosidade. Neste mesmo local, nos deparamos com garrafas de espumante que passavam pela técnica de remuage, uma das etapas do processo de espumatização ao estilo tradicional da Champagne (champenoise).

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O escurinho da Cave da VF: onde os vinhos amadurecem sossegados

Ou seja, estantes de madeira com buracos circulares perfurados permitem que as garrafas sejam presas de cabeça para baixo e duas vezes por dia as mesmas são giradas de forma manual, a fim de conduzir os restos de leveduras e sedimentos acumulados ao gargalo. Logo, após a retirada da rolha, os sólidos são expulsos naturalmente pela pressão dos gases e, após purificado, o vinho é novamente lacrado com a rolha. Nunca tinha visto uma remuage de perto. Bati muitas fotos que ficaram escuras, visto que não era permitido o uso de flashes na cave.

DEGUSTAÇÃO

Por fim, uma das melhores etapas do passeio, aquela esperada por todos os enófilos: a degustação. Fomos levados a uma sala linda e aconchegante, com mesinhas e cadeiras. Primeiro, provamos o espumante Brut Nature. Em seguida, o Sauvignon Blanc, o Rosé e os Tintos Joaquim (corte de Cabernet Sauvignon e Merlot) e Francesco (corte de Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec e Syrah). Para mim, esses dois últimos foram os melhores. Quanto ao rosé, confesso que me decepcionei um pouquinho. Achei o retrogosto um tanto quanto amargo, mas acredito que este tenha sido servido na temperatura incorreta, visto que estava muito “quente” para que a experiência fosse 100%.

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Um pouco do portfólio da Villa Francioni

Após a degustação, adquirimos os vinhos preferidos na lojinha da Villa. Optei por levar um Joaquim e um Francesco. Com os descontos dos nossos ingressos, com certeza foi um ótimo negócio.

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Degustando  Joaquim, um dos meus rótulos preferidos. 

Já estava com saudades de escrever para vocês! Acabei não levando computador e a internet local não era das melhores. Mas, enfim, estou de volta! Por isso, aguardem, amigos, pois nos próximos posts vou relatar outros detalhes do meu passeio pela Serra Catarinense. 

Bons vinhos! Tim-Tim!

Por Quanto Tempo um Vinho Fino é Capaz de Evoluir Na Garrafa?

Após um fim de semana no friozinho da Serra, estou de volta com as dicas mais bacanas da enosfera. Quando a gente abre uma garrafa especial, muitas vezes é como se dela saísse uma espécie de encantamento. Sabe aquele vinho fino que você considera perfeito e equilibrado para o seu paladar? Que torna um momento sem nada de mais único?

Na mesma hora,  você pensa em comprar uma caixa para armazenar. Ou, então, abrir um exemplar para degustar por vários dias seguidos. Mas, quanto tempo dura a magia? Será que esse rótulo tem potencial de guarda? É do tipo que evolui e dá o melhor de si com o passar do tempo?

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Para resolver essas e outras questões, hoje propomos um truque que vai abrir seus horizontes gustativos. Vamos lá!

A EXPERIÊNCIA

Para as descobertas, você vai precisar de: uma taça, caneta, papel e uma garrafa do seu rótulo favorito. Uma vez aberta, não precisa consumir toda a garrafa.

1ª Etapa: nesse momento, um pouco menos da metade já é o suficiente. Não se esqueça de anotar suas notas de degustação: aspectos visuais, olfativos e gustativos da bebida. Em seguida, feche a garrafa com a rolha e coloque na geladeira.

2ª Etapa: No dia seguinte, despeje uma pequena amostra do vinho e, mais uma vez, anote suas impressões sobre ele. Se você está provando um vinho fino tinto, não se esqueça de aguardar que a amostra atinja a temperatura ideal de serviço (entre 16 e 18ºC), a fim de que se possa obter uma boa expressão da bebida.

Continue esse processo por mais alguns dias, até que a garrafa esteja vazia. Fácil, não é? Certamente é uma ótima maneira de aperfeiçoar suas habilidades de degustação.

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A seguir, vejamos os possíveis resultados dessa deliciosa experiência:

O VINHO SE MANTEVE EXCELENTE

Se o vinho continuar a abrir e desenvolver aromas agradáveis ao longo dos vários dias de experiência, Parabéns! Você provavelmente tem uma garrafa com potencial de envelhecimento. Dá para comprar e guardar para aquela ocasião especial, ou, simplesmente, para degustar daqui a alguns anos e desfrutar de tudo o que esse rótulo ainda tem a lhe oferecer.

A regra de ouro geralmente se traduz em 2 a 3 anos de envelhecimento para cada dia que o vinho apresentar um paladar evoluído.

O VINHO NÃO SE MANTEM BOM POR MUITO TEMPO

Se o seu vinho continua se desenvolvendo bem após um dia na geladeira, mas logo depois toda a sua magia cai por terra, pense em bebê-lo o mais cedo possível. Rótulos assim devem ser guardados por no máximo 1 ou 2 anos.

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IMPORTANTE ARMAZENAR CORRETAMENTE

Note que esse teste pode nos dar uma pista geral do potencial de envelhecimento de um vinho. Porém, o mais importante é armazená-lo da forma correta, ou seja, na posição horizontal, em local fresco e ao abrigo da luz. Assim, certamente o seu néctar vai sobreviver por o máximo de tempo possível, evoluindo e dando tudo de si. Afinal, dentro da garrafa há vida! O vinho não é estático e muda o tempo todo. Lindo, não é?

Referência: Vivino

Qual o Prazo Máximo de Guarda do Vinho?

Todo vinho tem seu auge, ou seja, o momento em que está no ápice para ser consumido, dando o máximo de si. É nesse momento que todas as qualidades que se espera da bebida estão à flor da pele.

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Ainda que mais de uma garrafa pertença à mesma vinícola, com as mesmas cepas, esse tempo ideal pode variar muito, haja vista a safra e as condições de armazenagem. Por isso, de qualquer forma, é aconselhável guardar a bebida por um prazo limite, a fim de que, após aberta, seja só sucesso.

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TEMPO MÁXIMO DE ARMAZENAGEM:

  • 1 ano: Beaujolais Noveau, Gamay;

  • 2 anos: Vinhos Verdes Portugueses, Vinhos Brancos e Tintos Leves;

  • 3 anos: Tintos e Brancos Europeus, como alguns Chiantis;

  • 4 anos: Brancos Europeus, Tintos Brasileiros, alguns Chilenos e Argentinos;

  • 7 anos: Bons Tintos Europeus, os Melhores Tintos Brasileiros;

  • 10 anos: Grandes Brancos Europeus, em especial das regiões da Borgonha, Auslese, Alsácia, Rioja;

  • 15 anos: Grandes Tintos Europeus das regiões de Bordeaux, Borgonha, Alsácia e Rioja;

  • 25 anos: Grandes Tintos Europeus, como os das regiões de Bordeaux, Borgonha, Barolo; e brancos, como os vinhos botritizados da França, Alemanha e Hungria;

  • 50 anos: Safras Excepcionais de Vinhos Europeus, Vinhos Fortificados, como Porto Vintage, Madeira e Jerez.

Dicas de Guarda: O Vinho Só Quer Sossego

Você já deve ter ouvido falar que o vinho nasce, chega ao seu apogeu e, em seguida, declina até perder a vitalidade. Porém, se bem armazenada, uma garrafa pode durar mais do que se imagina.

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Posição da Garrafa: o ideal é que esta seja acondicionada na horizontal, a fim de que o vinho mantenha a rolha sempre molhada, evitando seu ressecamento e oxidação.

Temperatura: quem não possui uma adega climatizada em casa deve ficar bem atento ao local em que irá armazenar as garrafas. Recomenda-se um lugar fresco, de temperatura estável, entre 14 e 18ºC. Locais quentes demais aceleram a maturação da bebida, enquanto que os demasiadamente frios, como a geladeira, impedem sua evolução.

Uma boa dica para quem não dispõe de uma adega é colocar os exemplares deitados no chão, preferencialmente num piso frio e ao abrigo da luz, onde as garrafas possam estar bem quietinhas, sem sobressaltos.

Umidade: garrafas guardadas em locais muito úmidos estão sujeitas a ter o rótulo e a rolha embolorados e vale lembrar que rolha embolorada estraga o vinho. Conforme mencionamos no tópico anterior, é importante evitar locais em que haja trepidação.

Luz: vinhos adoram um escurinho. A luz inicia reações químicas que podem danificá-los. Mesmo que uma garrafa escura seja um bloqueio contra a luz, é importante deixá-la em lugares com baixa iluminação.


Então, amigos, são dicas muito fáceis de serem colocadas em prática. E nem precisa ter adega em casa. Porém, hoje em dia é possível encontrar exemplares muito charmosos e de bom custo-benefício.

CONFIRA AQUI 7 MODELOS DE ADEGAS SIMPLES, LINDOS E FUNCIONAIS 

Eu sou do tipo que não consegue guardar garrafas por muito tempo. Mesmo aquelas que poderiam evoluir por mais alguns anos, fatalmente acabam sendo abertas em uma ou outra ocasião.

Típico de pessoas ansiosas, não é mesmo? Mas tenho amigos que curtem colecionar rótulos de guarda, mais caros. Admiro quem consegue! Afinal, após algum tempo, certamente o vinho terá muito mais a oferecer em termos de aromas de complexidade aromática e gustativa. Só provo esses caldos evoluídos nas aulas ou na casa dos outros, pois não consigo mesmo guardar! (rs).

No entanto, isso não me impede de desejar um exemplar digno de deixar bem quietinho. Estou à procura. Será um ótimo teste emocional..eheheheh..

É isso, galera da enofilia! Usem essas dicas com sabedoria! Seus vinhos agradecem!

Bom domingo! Bons Vinhos! Santé!

 

O Vinho e as Barricas de Carvalho

No inconsciente coletivo dos apreciadores, acredita-se que vinhos armazenados por longos períodos em barricas de carvalho são melhores que os demais, que não passaram por madeira.

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Na barrica, a oxidação é favoravelmente lenta e moderada, sendo que o vinho se estabiliza “respirando” pelas imperceptíveis frestas das aduelas e pela “tampa”, o que realmente é muito bom. Porém, de acordo com a casta da uva e a temperatura da adega, existe um tempo ideal de permanência, que ao ser ultrapassado, poderia colocar todas essas vantagens por água abaixo.

Sem dúvida, a barrica de carvalho do tipo bordelesa, de 225 litros, é o recipiente ideal para envelhecimento. Quando se fala nisso, geralmente nos referimos aos vinhos tintos, visto que os brancos nada ganhariam com esta prática – só perderiam em frescor e fragrância. Mesmo os tintos, apenas aqueles ricos em álcool, acidez e tanino estariam aptos ao estágio em madeira.

Além do carvalho francês (de Alliers, Tronçais, Nevers, Limousin, Vosges ou Argonne), utiliza-se muito a barrica de carvalho americano, sobretudo do Missouri. Hoje, com o intuito de apressar o processo e torná-lo mais barato, é comum em muitos países, especialmente do Novo Mundo, colocar dentro dos tanques de aço aparas de madeira (chips), ripas (staves) ou pequenas peças conhecidas como “dominó”. A maioria dos países europeus proíbe esta prática.

Durante o estágio em barrica, a madeira comunica ao vinho aromas agradáveis de baunilha, além de torrefação e taninos que lhe são característicos. Neste caso, é essencial que os taninos sejam nobres, como o do carvalho, e que o cheiro da madeira não se sobreponha à fragrância frutada original, própria dos vinhos tintos.

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Alguns vinhos possuem um perfil mais moderno e jovial. Assim, estes realmente não requerem envelhecimento para se tornarem especiais. Acho que tudo depende do gosto pessoal de cada um. De qualquer forma, na qualidade de um grande tinto, como um grand cru, o estágio em madeira faz muita diferença. Ou seja, tudo depende das características que se deseja atribuir ao vinho.

E pensar que, no início, as barricas eram utilizadas apenas como um bom recipiente, fácil de encher, esvaziar e limpar? As vantagens do carvalho eram, então, desconhecidas, até que finalmente descobriram que esta madeira nobre poderia transformar os vinhos em verdadeiras preciosidades que hoje degustamos.