Notas de Prova: “5”, Uma Delícia de Blend da Vinícola Helios

Continuando com minhas notas de prova, trago mais um rótulo que recebi da Vinícola Helios, uma amostra de um vinho que me surpreendeu muito positivamente. Trata-se de um corte (Assemblage) que não se encontra facilmente por aí, ainda mais aqui no Brasil, uma mistura de Tannat (10%), Merlot (30%) e Cabernet Sauvignon (60%). 

UM VINHO QUE ME FEZ VIAJAR ANTES MESMO DE PROVAR

Sim, é um vinho instigante desde o nome e design do rótulo até o paladar. Para começar, pensei em qual seria o significado do número 5. Por que? Seria o 5 um número da sorte? Algo a ver com numerologia? Se eu não desvendasse, nunca iria saber! Então, bora comigo!

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“5” é o único exemplar cujo nome remete a um grupo de amigos. Logo de cara, já imaginei 5 companheiros, homens e mulheres, em volta de uma mesa degustando esse tinto encorpado, que passa 12 meses em barrica de carvalho francês antes de ser engarrafado.

A potência das castas Cabernet Sauvignon e Tannat fazem desse vinho o parceiro ideal para pratos requintados e substanciosos como carnes assadas, cordeiro e carnes de caça com molhos densos, bem como queijos fortes. Penso que a Merlot chega para dar uma amaciada nessas duas feras, dando origem a um caldo único e cheio de personalidade.

NOTAS DE PROVA


VISUAL: Coloração Rubi, com aro Rubi-Claro, sem reflexos. 

OLFATO: O nariz vem carregado de frutas vermelhas e negras, um certo toque de ameixa, tostado, frutas em compota, especiarias, baunilha e caramelo, que ficam mais evidentes com o passar do tempo em taça. 

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SABOR: em boca é elegante, moderno e ao mesmo tempo clássico. Possui boa adstringência, sendo realmente uma ótima opção para harmonizar com carnes vermelhas em geral. O final é longo e de boa persistência, lembrando frutas secas, caramelo e especiarias. Apesar da potência, é muito agradável e equilibrado. Acredito que esta sensação esteja ligada à presença da Merlot, que faz um par bacana com a Cabernet Sauvignon e a Tannat! O “5” brilhou como parceiro do meu Bife de Mignon com Legumes assados. Ficou sensacional!

Com certeza eu repetiria a experiência (junto com os amigos, claro! rs).

 

Um destaque desse vinho fica por conta de que o mesmo foi medalha de prata no concurso Grande Prova Vinhos do Brasil 2016, recebendo, ainda,  87 pontos da Revista Adega, uma das maiores publicações do país quando o assunto é vinho. 

FICHA TÉCNICA

  • ORIGEM: Guaporé – RS
  • PRODUTO: Hélios “5”
  • SAFRA: 2013
  • TIPO DE UVA: Cabernet Sauvignon (60)% Merlot (30%) e Tannat (10%)
  • GRAD. ALCOÓLICA: 13,0% vol.
  • ALTITUDE: 730 metros
  • CLIMA: Temperado Úmido
  • SOLO: Profundo, arenoso-argiloso e medianamente fértil.
  • SISTEMA DE CONDUÇÃO: Espaldeira.
  • PRODUÇÃO: 2,0 kg por planta.
  • ÉPOCA DA COLHEITA: Fevereiro e Março de 2013.
  • FERMENTAÇÃO: Maceração longa com as cascas (2 semanas).
  • BARRICA: 12 meses carvalho francês.
  • ENGARRAFADO: Julho de 2014.
  • NÚMERO DE GARRAFAS: 2.000.
  • LOTE: 01.
  • ESTILO: Vinho tinto encorpado com bom potencial de guarda.

O “5” se encontra à venda no site da Helios, junto com outros rótulos dessa vinícola brazuca que está dando o que falar no meio vinífero, sobretudo por produzir rótulos de alta qualidade, apesar do pouco tempo de mercado (a empresa foi lançada em 2014). E, para mim, tudo o que é bom e da nossa terra deve ser valorizado e divulgado. Saúde!

Então é isso, enoamigos! Para a galera da Expovinis 2017, estou aí com vocês em pensamento e coração. Meus deveres aqui no Rio me impediram de ir esse ano, mas no ano que vem, me aguardem!

Até a próxima! Bons Vinhos! Experiências Inesquecíveis! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

 

 

Descubra Quais Uvas Realizam as Melhores Misturas (Assemblages)

A elaboração do vinho é, por si só, uma arte. E, sim, admiro quem põe a mão na massa para criar verdadeiras alquimias com uvas. O resultado todos nós sabemos: caldos tão particulares em suas nuances que se tornam únicos e chegam a receber um nome específico. Sem dúvida, uma combinação especial!

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VAMOS À MAGIA 

Cada variedade de uva presente na mistura do vinho é responsável por adicionar uma determinada característica, que combinada a outras, cria um rótulo perfeitamente arredondado, rico e de suave degustação.

Vinhos de Bordeaux e Champagne, por exemplo, são mundialmente famosos em virtude de suas misturas, que resultam em fermentados excepcionais.

UMA TRADIÇÃO HISTÓRICA

A História desempenha um papel de liderança na criação das melhores misturas do mundo. Tradicionalmente, quando diferentes variedades de uvas cresciam lado a lado na vinha, os vinicultores as colhiam ao mesmo tempo, levando-as juntas para a fermentação. Hoje em dia esse estilo é chamado de “mistura de campo” (o Vinho do Porto ainda é feito desta forma). No entanto, ao longo do tempo, os enólogos perceberam que fermentar cada varietal separadamente poderia resultar em uma mistura mais consistente.

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Sendo assim, os winemakers passaram a fermentar cada tipo de uva em barris separados e combinaram os diferentes vinhos numa cuba chamada “cuvée”. Essas cuvées foram, então, vendidas e rotuladas com as regiões onde as uvas eram cultivadas. É por isso que em países tradicionalmente produtores, como França e Itália, é comum ver vinhos com o nome da cidade, como por exemplo, “Rosso di Montalcino” (Tinto de Montalcino), entre outros.

OS BLENDS MAIS POPULARES

Alguns cortes (misturas) de vinhos se tornaram tão internacionalmente famosos que suas uvas chegaram a ser exportadas para todo mundo para que os blends fossem recriados em outros lugares. Vejamos alguns dos mais conhecidos:

BLEND BORDALÊS

Originário da região francesa de Bordeaux, o corte mais popular de todos utiliza Cabernet Sauvignon ou Merlot como ingrediente base, juntamente com a Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot e (às vezes) Carmenére. Existem muitas variações dessa mistura, dependendo de onde ela é cultivada. Por exemplo, na Toscana (Itália) a Sangiovese é misturada com Cabernet Sauvignon e Merlot para criar o blend dos famosos “Supertoscanos”. Na Argentina, a Malbec é combinada à Cabernet Sauvignon para adicionar complexidade a esta que é mais uma variante desse blend tão famoso. 

BLEND GSM

Esse corte, também conhecido como “Blend de Côtes Du Rhône”, vem do sul da França e utiliza Grenache, Syrah e Mourvèdre como ingredientes base, juntamente com a assemblage de outras uvas regionais, como Cinsault, Carignan, Counoise, Grenache Blanc, entre outras.

BLEND DE CHAMPAGNE

A mistura mais usada em espumantes ao redor do mundo consiste numa combinação de Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier (usado para acrescentar corpo). Certas regiões adicionam suas próprias castas autóctones (assim como nas Cavas espanholas) ou incluem diferentes variedades (como a Pinot Bianco, em Franciacorta).

BLEND DE VINHO DO PORTO 

As uvas mais importantes utilizadas no fortificado Vinho do Porto são Touriga Franca, Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Tinta Cão e Tinta Barroca. Em Portugal, até hoje esse vinho ainda é elaborado por meio de “mistura de campo” e, devido à incrível diversidade de castas na região, alguns exemplares de Porto têm até 52 espécies únicas misturadas.

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BLENDS EMERGENTES

Com o advento de novas regiões vinícolas, as mesmas passaram a investir em suas próprias misturas. É preciso muita habilidade para desenvolver esses blends, mas em sua maioria, eles envolvem uma mesma ideia – o que cresce junto, vai junto. Vejamos alguns exemplos:

BLEND DE PINOT NOIR (CALIFÓRNIA, EUA)

Para criar um Pinot Noir californiano mais ousado e elegante, às vezes os enólogos costumam adicionar ao blend uma dose de Syrah. E, por conta da legislação (os vinhos precisam conter pelo menos 75% de Pinot Noir para serem considerados varietais únicos) quase sempre isso nem é mencionado no rótulo.

Ainda assim, se você se deparar com um Pinot Noir californiano mais escuro que o normal (sabemos que a Pinot possui a casca fina e costuma resultar em exemplares mais debotados) pode ter certeza que acrescentaram um pouco de Syrah.

BLEND DE CARMENÉRE

A Carmenére é quase como uma irmã da Merlot, porém, mais leve e mais herbácea. Por causa de seu corpo “peso-pena”, alguns enólogos têm sido levados a acrescentar uma pitada de Petit Verdot nas misturas, a fim de dar ao vinho um perfil mais rico e um pouco mais complexo.

VINHO DE CORTE X VARIETAL ÚNICO

A diferença entre os vinhos de corte (blend, assemblage, mistura) e os vinhos elaborados com um único varietal (casta de uva) é comparável ao café de origem única e a mistura de uma casa. Os cafés de origem única apresentam um perfil de sabor muito específico, com notas de degustação definidas, enquanto que as misturas são feitas num estilo bem arredondado, com sabores generalizados. Da mesma forma, se comportam os vinhos.

VINHO VARIETAL ÚNICO: Concentra sabores mais focalizados, nos quais a uva e suas nuances, por diversas vezes, são facilmente identificadas.

VINHO DE CORTE (ASSEMBLAGE): Concentra sabores mais generalizados (por exemplo, “frutas vermelhas”)  e conta com um perfil de nuances mais arredondado, com bom acabamento.


Pois é, enoamigos, quando se trata de vinhos, o aprendizado é realmente constante. Aposto que a próxima vez que você for degustar uma mistura certamente vai se lembrar desse artigo.

Bom domingo! Bons Vinhos e Até a Próxima! Tim-Tim!

*Referência: Wine Folly, Fine Wine Concierge, The Huffington PostVergenoegd Wine Estate