6 Curiosidades Sobre a Malbec

O vinho Malbec, sobretudo o argentino, é, sem dúvida, um dos queridinhos dos brasileiros. Trata-se de uma uva originária do sudoeste da França. Contudo, foi na Argentina que a mesma se desenvolveu e ganhou notoriedade mundial. É um estilo diferente do europeu, típico do Novo Mundo, mas que, na minha opinião, combinou superbem com as características da cepa.

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VAMOS ÀS CURIOSIDADES!

Então, pessoal, chegou a hora de a gente se surpreender com a Malbec! Bora lá:

  1. Você sabia que na África do Sul há 400 hectares de plantações de uvas Malbec e na Nova Zelândia 80?

    O cultivo da Malbec não se limita à Argentina e à região francesa de Cahors. Hoje em dia, diversos outros países vinícolas estão provando, aprovando e cultivando a casta. Depois da França e da Argentina, a maioria dos vinhedos de Malbec está no Chile e Estados Unidos.

2. Sabia que a Argentina salvou a Malbec do esquecimento?

É isso mesmo, meus amigos! O momento de maior auge do Malbec francês foi  do século XII ao XIV, quando os reis e o clero o escolhiam para as suas mesas, sendo que a exportação do mesmo representava 50% dos vinhos que saíam do Porto de Bordeaux. Porém, com a epidemia de filoxera no século XIX e a gigantesca geada de 1956, a Malbec acabou perdendo terreno para outras cepas mais valorizadas. Ou seja, seu futuro passou a ser obscuro, até que nos anos 90 surgiu o Malbec argentino para reescrever essa história. 

3. Sabia que a Malbec ganha muito com a altitude?

“A altitude impacta positivamente na qualidade da uva Malbec. Ou seja, quanto mais acima do nível do mar estiver a região, maior a exposição aos raios ultravioleta, que por conta da altura, incidem com maior intensidade. Para se proteger desses raios, as uvas desenvolvem cascas mais grossas e escuras, conferindo ao vinho características mais intensas de cores, aromas e sabores.” (bodegacolomé.com)*. Além disso, a altitude também favorece a acidez, diferente de outras regiões abaixo do nível do mar. 

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4. Sabia que na DO Ribera Del Duero (Espanha) é autorizado o cultivo da Malbec? 

Apesar da maioria dos vinhos dessa região corresponder à casta Tempranillo, é autorizado o corte (assemblage, mistura) com pequenas quantidades de Cabernet Sauvignon, Merlot e SIM, Malbec.

5. Sabia que a Malbec possui cerca de 1000 sinônimos? 

Quase todas as cepas possuem sinônimos, mas a Malbec (difundida durante a Idade Média) possui, ao redor do mundo, cerca de 1000 outros nomes documentados. Os mais conhecidos são Côt Noir, Auxerrois e Pressac. Mas podemos encontrar, ainda, as denominações Medoc Noir, Queue Rouge, Agreste, Gourdaux, Negrera etc. 

6. Sabia que a Malbec é considerada uma das 18 cepas nobres?

Há muitas teorias sobre as cepas nobres e estas costumam variar ao longo do tempo. Com o desenvolvimento da vitivinicultura em nível mundial, alcançando novos estágios de qualidade, o número de castas nobres foi ampliado de 6 para 18 e a Malbec certamente está entre elas!

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O tempinho começa a ficar mais ameno e isso já me estimula a falar sobre os tintos. Admito que o verão foi ótimo para me aproximar mais ainda dos brancos e espumantes. Mas, felizmente, o outono/inverno está aí, ou seja, um prato cheio para os red lovers! E, acreditem, enoamigos, os assuntos são vastos e parecem não esgotar nunca (para a nossa alegria!). Aguardem, pois vem muita coisa boa por aí!

Até a próxima!

Bons Vinhos! Tim-Tim! 🙂

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5 Verdades Sobre a Cabernet Sauvignon, a Rainha das Uvas Tintas

Acredito que quase todo o amante dos vinhos finos começou sua jornada diante de uma taça de Cabernet Sauvignon. Mas aí você deve estar se perguntando… Por que não começar por um Merlot ou Pinot Noir, que são tintos mais leves e fáceis de beber?

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Veja bem… Será que a gente consegue comprar um Pinot Noir na mercearia do Sr.Manoel? Pois é, acho difícil… Porém, um Cabernet Sauvignon se encontra facilmente, de lojas sofisticadas às barraquinhas de quermesse. E sabe por que? A CS é simplesmente a casta de vítis vinífera mais cultivada no mundo, visto que se adapta bem em diferentes lugares e tipos de solo. Por isso, é conhecida como a Rainha das Uvas Tintas. 

Então, que tal conhecer melhor essa verdadeira celebridade do mundo do vinho? Vamos lá!

1. #CABERNETSAUVIGNONDAY: a Cabernet Sauvignon tem um dia dedicado especialmente à ela, na última quinta-feira do mês de agosto. Esta data foi instituída pelo marketeiro americano Rick Bakas, que reuniu um grupo de vinícolas da região de Napa Valley com o intuito de promover a comemoração nas mídias sociais. Enfim, a moda pegou e, hoje em dia, assim como outras castas, a CS também tem seu próprio “feriado oficial”.

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2.  A CABERNET SAUVIGNON É FRUTO DO CRUZAMENTO ENTRE CABERNET FRANC E SAUVIGNON BLANC: Dr.Carole Meredith e seu grupo de pesquisa na Universidade de Davis foram os primeiros a usar tipagem de DNA para identificar o parentesco de diferentes variedades de uvas. E, após 96, quando descobriu que a CS realmente era “filha” da Cabernet Franc e Sauvignon Blanc, Meredith conseguiu identificar as origens de outras 50 castas (incluindo a Zinfandel, proveniente da Croácia)

3. CABERNET SAUVIGNON É MEIO IRMÃ DA MERLOT, HONDARRIBI BELTZA (PAÍS BASCO) E CARMENÈRE: Se você já teve dificuldades em distinguir entre uma taça de Merlot e uma de Cabernet Sauvignon, não se sinta mal. Como ambos estão relacionados, é realmente muito difícil apontar suas diferenças. Além disso, se você nunca provou Carmenére ou o Txakoli (vinho do País Basco), é possível que você ache que gosta deles simplesmente por suas semelhanças com a Cabernet. Eu, particularmente, considero a Merlot e a Carmenère menos tânicas e mais fáceis de beber. Porém, quem não tem prática pode sim, se confundir.

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4. É UMA DAS VARIEDADES MAIS IMPORTANTES NA CHINA: Ultimamente, os chineses estão se descobrindo apaixonados pelos vinhos finos. Pesquisa recente constatou, inclusive, que eles são os maiores consumidores de tintos do planeta. A Cabernet Sauvignon é uma das uvas mais populares na China e suas vinícolas têm investido bastante na produção dos fermentados desta casta. No Chateau Hansen, situado no lado ocidental do deserto de Gobi, por exemplo, as vinhas são enterradas manualmente para sobreviverem ao inverno gelado.

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5. EIS A RAZÃO PELA QUAL A CABERNET SAUVIGNON FICA PERFEITA COM PRATOS À BASE DE CARNE VERMELHA: pesquisadores que estudam os efeitos de certos alimentos na língua descobriram que os taninos da Cabernet Sauvignon são capazes de limpar a gordura e proteínas acumuladas na mesma. Um bife possui altos níveis de proteína e gordura, necessitando, portanto, de uma bebida com uma maior quantidade de taninos. O estudo foi realizado com vinho e chá gelado, só para você ter uma ideia da diferença.


Acabei me surpreendendo com vários desses itens, sobretudo com o fato da Cabernet Sauvignon ser tão prestigiada na China. Espero que vocês também tenham curtido e olha… amanhã tem mais, hein?

Bons vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wine Folly

5 Uvas Que Se Adaptaram Superbem Ao Novo Mundo

Pois é, meu amigo, chegou a hora de abrir os horizontes e deixar que sua taça viaje por novos lugares. E é por isso que hoje a série “Descobrindo Novos Sabores” desembarca nas regiões vinícolas da América do Sul, palco de castas emblemáticas e de bastante personalidade.

Bora conhecer melhor essas uvas maravilhosas? Então, vem comigo!

MALBEC

É ela, a queridinha da Argentina e uma das cepas sul-americanas mais famosas do mundo. Sim, há uns 20 anos atrás ninguém bebia Malbec, nem os franceses (pelo menos em quantidade). Mas, desde de seu boom na Argentina, todo mundo voltou a se encantar por seus vinhos, inclusive os franceses. Prepare-se pois sua taça está prestes a mergulhar em uma grande variedade desta uva.

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Malbec

Vejamos algumas delas:

Malbec de Vinhas Velhas (Viñas Viejas)

Algumas empresas comercializam Malbecs de vinhas de 30, 40 anos. Porém, um bom e velho vinho desta casta, em alguns casos,  pode provir de  vinhedos com 100 anos de idade. A Malbec chegou ao nosso continente há cerca de 150 anos e é provável que tenha sido plantada primeiro no sul do Chile, próximo à cidade portuária de Concepción. É nessa área que encontramos as videiras com mais de 100 anos de idade, que resultam em vinhos florais, selvagens, frescos, com taninos sedosos e bem mais fáceis de lidar que os argentinos que todos nós conhecemos bem. Esses vinhos geralmente são elaborados juntamente com outras castas de velhas vinhas locais.

Além do sul do Chile, na Argentina (Mendoza) é possível encontrar vinhas de mais de 80 anos de idade, capaz de produzirem vinhos extremamente equilibrados.

Regiões-Chave: Argentina – Maipu, Lujan de Cuyo; Chile – Itata (San Rosendo), Maule, Bio Bio.

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Mapa Vinícola da Argentina

Malbec Frutada Para o Dia a Dia

A Malbec Argentina tomou conta das prateleiras dos supermercados – e com toda a razão – afinal, ela é capaz oferecer um vinho exuberante, concentrado e de ótimo custo-benefício, sobretudo para nós, brasileiros. Prepare-se para se deparar com exemplares frutados, com sabor de ameixa, frutas negras e um pouco de estrutura de envelhecimento em carvalho, oriundos dos vales mais quentes não só da Argentina como também do Chile.

Regiões-Chave: Argentina – Lujan de Cuyo, Maipu, Neuquen, San Juan; Chile – Colchagua, Cachapoal

Vinhos Malbec TOP do Vale do Uco

Muitos dos rótulos mais tops de Malbec provém do Vale do Uco, na Argentina. Após mais de uma década de estudos intensos do solo e experiências de amadurecimento (tanto em cimento quanto em carvalho), alguns produtores ganharam a chancela de excelência em Malbec, sendo bastante prestigiados em todo o mundo. São vinhos elegantes, com notas de ervas e violetas.

Regiões-Chave: Gualtallary, Paraje Altamira, Vista Flores (dentro do Vale do Uco)

 CARMÈNÉRE

Outra variedade importada da França é a Carmènére, que fez do Chile a sua segunda casa e onde atualmente é amplamente cultivada. A adoção da variedade pelos chilenos não foi intencional e sim acidental. Tudo porque suas mudas foram trazidas erroneamente como Merlot e cresceram em todo o país como tal, até que  em 1994 Jean Michel Boursiquot descobriu que, na verdade, se tratava da Carmènére, casta que acreditava-se ter sido extinta pela filoxera, praga que dizimou boa parte dos vinhedos europeus do final do século XIX até o início do século XX.

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Carmènére

FATO: Hoje em dia o Chile é responsável por 98% de toda a produção de Carmènére do Mundo

Sem dúvida, a Carmènére é uma das minhas castas favoritas, sobretudo porque seus vinhos são fáceis de beber e perfeitos para um bate-papo sem hora para terminar (neste caso, separe mais de uma garrafa…rs). Seus rótulos costumam ser frescos, frutados e com notas vegetais de pimenta e especiarias. Combinam superbem com costela na brasa e  iguarias da culinária árabe, por exemplo. Seus estilos variam do encorpado, devido ao envelhecimento em carvalho, até versões mais frescas, com notas de pimenta, ervas e pimentão.

Regiões-Chave: Colchagua (Apalta), Alto Cachapoal, Aconcágua, Maipo.

PAÍS (Criolla, Mission)

Uma das primeiras uvas plantadas nas Américas, a País (Criolla, na Argentina, e Mission, nos EUA) já foi a variedade de uva mais plantada na América do Sul até a revolução vinícola francesa, no século XX, quando as vinhas velhas da casta acabaram condenadas a vinhos de mesa baratos ou, em grande parte, abandonadas. Nos últimos anos, no entanto, enólogos do Chile redescobriram a País e estão criando alguns vinhos interessantes com suas videiras centenárias.

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País

País Pipeño (Estilo Rústico)

No coração do renascimento da País, houve um revival das técnicas ancestrais que os descolados do mundo do vinho chama de “vinificação natural”. Com uma intervenção mínima na cantina (ou, muitas vezes, garagem), esses vinhos, orgânicos e provenientes de vinhas velhas, são de produção limitada e vendidos por pequenos comerciantes de bebidas naturais. Com aromas terrosos e surpreendentes, o País Pipeño muitas vezes possui sabores de frutas rústicas com notas florais.

Regiões-Chave: Itata, Maule, Bio Bio. 

MAPA CHILE

 

País Moderna (Estilo Beaujolais) 

Com base no estilo Beaujolais Noveau, os modernos vinhos da casta País utilizam a maceração carbônica para capturar sabores de frutas secas e acabamento leve. É o exemplar perfeito para se beber geladinho à beira da piscina. Na mesma linha, temos os espumantes rosé da casta. Produzidos pelo método tradicional champenoise,  esses vinhos contam com um leve sabor frutado.

Regiões-Chave: Secano Interior, Itata, Maule, Bio Bio.

BONARDA (Charbono, Corbeau, Douce Noir)

Se a País já foi a casta mais plantada no Chile, o equivalente na Argentina com certeza é a Bonarda. Antes do boom da Malbec, a Bonarda foi a uva tinta e sofreu um tratamento histórico semelhante ao da País, tendo sido rebaixada a vinho de mesa e abandonada, uma vez que saiu de moda. Pois é, a Bonarda está de volta. Vale destacar que a Bonarda da Argentina é diferente da cultivada na Itália e também é conhecida como Charbono, Corbeau ou Douce Noir.

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Bonarda

Bonarda Tradicional

Essa espécie de “irmã mais nova” da Malbec foi, muitas vezes, vista como uma substituta para ela, tanto que ambas são vinificadas da mesma forma. No entanto, os vinhos tradicionais da Bonarda são mais frutados, típicos de regiões mais quentes.

Regiões-Chave: San Juan, La Rioja, San Rafael, Rivadavia.

Bonarda no Estilo Fresco (Glamour)

Produzidas em um período de maceração mais curto e um pouco carbônico, este novo estilo de Bonarda é mais leve e frutado. Os leves espumantes rosés desta linha também valem a pena ser degustados.

Regiões-Chave: Lujan de Cuyo (the sub-regions of Vistalba and Ugarteche), Tupungato.

Bonarda no Estilo Top 

Nos últimos anos foram introduzidas novas plantações de Bonarda no Planalto do Vale do Uco, na Argentina, comprovando toda uma seriedade e comprometimento por parte dos enólogos no que diz respeito a essa variedadeComo expressam todo o potencial de qualidade da Bonarda, os vinhos nesse estilo não são baratos. Afinal, são “vinhos-top”. A maioria não usa carvalho e amadurecem seus vinhos em ovos de cimento, resultando num Bonarda elegante, repleto de finesse, frutas e aromas florais.

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Vinho sendo produzido em Ovo de Cimento

Regiões-Chave: Vale do Uco.

TORRONTÉS (Torrontés Riojano, Torrontés Sanjuanino, Torrontés Mendocino)

Se a Malbec é a queridinha da Argentina, a Torrontés, sem dúvida, é a Rainha! Trata-se da única casta de uva realmente nativa da América do Sul. Com as qualidades da Muscat, é um cruzamento da Criolla (País) com a Muscat de Alejandra, que surgiu pela primeira vez no norte da Argentina. Há três variações de Torrontés: San Juanino, Mendocino e Riojano, sendo esta última a de maior qualidade e cultivada em todo o país. As melhores expressões da Torrontés são encontradas em altitudes elevadas, geralmente em Cafayate (região próxima a Salta), embora novas plantações no Vale do Uco (Mendoza) também sejam bastante promissoras.

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Torrontés

Uma “bomba perfumada”, assim é a Torrontés. Ao mesmo tempo, também é conhecida como a casta “mentirosa”, visto que no nariz parece ser demasiado frutada, floral e adocicada, mas na boca é totalmente o oposto disso – seco e ocasionalmente um pouquinho amargo. Se você prefere uma versão mais doce, aposte em um exemplar de Colheita Tardia (Late Harvest). O Torrontés, quando bem feito, é quase que o equivalente vínico do gin-tônico. Surpreende qualquer paladar!

Regiões-Chave: Salta (Cafayate), La Rioja, Uco Valley.

Espero que tenham gostado dessa nossa viagem em companhia das castas que mais simbolizam a América do Sul. Quer exercitar ao vivo em cores? Então, que tal provar um desses exemplares com os amigos e descobrir novos sabores?

Boa semana e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Wine Folly, Wikipedia, Academia do Vinho

Todo o Perfume da Sauvignon Blanc

Sou uma amante dos vinhos finos brancos, do tipo que não os abandona nem no inverno. E, quando se trata deles, não tenho casta favorita. Cada um me conquistou de um jeito, por suas próprias qualidades.

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Os vinhos da casta Sauvignon Blanc, por exemplo, me atraem por serem os mais aromáticos. Amo tentar descobrir suas nuances olfativas. Abacaxi, Maracujá, Maçã Verde… Sem falar que sua leveza e frescor possibilitam inúmeras combinações com alimentos, todas deliciosas!

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A Sauvignon Blanc é uma das cepas mais plantadas no mundo, sobretudo na região francesa do Vale do Loire, mesmo sendo originária do terroir de Bordeaux.

Ultimamente, tenho provado vinhos finos de outros países, incluindo África do Sul e Nova Zelândia. Neste último, a Sauvignon Blanc ganhou destaque e personalidade própria. Porém, ela também é facilmente encontrada no Chile, Brasil e Estados Unidos, tendo se adaptado lindamente nessas regiões.

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Outro aspecto curioso é que a uva Sauvignon Blanc, em conjunto com a tinta Cabernet Franc, formam o cruzamento daquela que é considerada a Rainha das Uvas Tintas: a Cabernet Sauvignon.

NO VELHO MUNDO

Falando de França, tanto no Vale do Loire quanto em Bordeaux, a Sauvignon Blanc produz estilos de vinho bastante diversificados. No Loire, ela é protagonista de exemplares como Sancerre, Pouilly-Fumé e Menetou-Salon. Apesar de diferentes entre si, esses vinhos podem exalar notas minerais, de lima e até grama cortada! Sabe aquele cheirinho de mato fresco? Adoro! 

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Em Bordeaux, a Sauvignon Blanc costuma participar de assemblages com a branca Sémillon, tanto em vinhos secos leves quanto na formação de vinhos doces botritizados, como o Sauternes. 

NO NOVO MUNDO

Voltando à Nova Zelândia, os vinhos finos produzidos com essa casta na região de Malbourough conquistaram o mundo. Na minha última aula do Ciclo Básico, na ABS, degustamos um exemplar desse, que tinha passado por barrica de carvalho. Além de extremamente aromático, com notas de maracujá e goiaba, ainda tinha aquele toque amanteigado, típico da madeira. Sem dúvida, um rótulo de bastante personalidade. Ótimo para quem gosta de explorar novos sabores.

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Esse é o rótulo que degustei, da Nova Zelândia. Diferente e, ao mesmo tempo, especial.

No Chile, também é possível encontrar vinhos muito interessantes elaborados com Sauvignon Blanc, sobretudo aqueles produzidos na região de Casablanca.

No Brasil, tenho ouvido muito falar de um rótulo chamado Dona Enny, da Vinícola Villaggio Bassetti. Trata-se de um vinho de altitude, elaborado na Serra Catarinense e que já recebeu diversos prêmios. Pretendo degustá-lo ainda esse mês, nas minhas férias nesse terroir. 

HARMONIZAÇÃO

Aromática e naturalmente ácida, a Sauvignon Blanc produz exemplares que harmonizam perfeitamente bem com queijo de cabra (experimentei esta semana, no meu curso de queijos & vinhos) e risotto de aspargos, sendo que este último é um dos ingredientes mais difíceis de se combinar com vinho.

Geralmente, o Sauvignon Blanc é minha primeira escolha para acompanhar iguarias da culinária japonesa, como sushis e sashimis, sobretudo os rolinhos-califórnia elaborado com pepino e frutas. Frutos do mar, em geral, também formam um par delícia com esse branco, que certamente é um dos meus queridinhos.

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Risotto de Aspargos. Foto by Brandon Grasley

E, se você ainda tem resistência em degustar rótulos brancos, mude seus conceitos e permita-se desfrutar de um refrescante Sauvignon Blanc. Ideal na companhia dos amigos, seja em um dia de sol, na beira da piscina, ou no friozinho, em torno de um saboroso fondue de queijo.

Espero que tenham gostado! Bons Vinhos! Tim-Tim!

 

 

 

Qual A Diferença entre Syrah, Shiraz e Petite Sirah?

Como sabemos, existem centenas de castas de uva em todo o mundo, algumas inclusive muito parecidas. Por essas e outras, é comum nós, enófilos, ficarmos confusos ao avaliar rótulos com nomes tão semelhantes.

Pensando nisso, hoje vamos desmistificar as diferenças entre Syrah, Shiraz e Petite Sirah. Antes de tudo, preciso dizer que simplesmente amo vinhos elaborados com Syrah (ou será Shiraz? rs). Geralmente são potentes e cheios de personalidade, sem falar naquele toque apimentado, todo especial.

SYHAR OU SHIRAZ (música de suspense…)

Assim como Pinot Gris e Pinot Grigio, Syrah e Shiraz são a mesmíssima coisa. Então, se você está degustando um vinho cujo rótulo indica Syrah ou Shiraz, trata-se da mesma uva. Enquanto os franceses nomearam a cepa como Syrah, os australianos a qualificaram como Shiraz. Portanto, se você beber um Shiraz, é quase certo que este seja proveniente da Austrália. O resto do mundo adotou a nomenclatura francesa (Syrah), mas não é nenhuma regra estrita. Syrah, pronuncia-se SIH-RAH, ao passo que Shiraz se diz SHER-RAS.

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Syrah/Shiraz

Ao longo do tempo, no entanto, Syrah e Shiraz assumiram diferenças que vão muito além do nome. Australianos costumam elaborar vinhos de maior densidade e estrutura com essa uva. Já os franceses geralmente criam exemplares mais frutados, com menos carvalho, resultando numa maior delicadeza e suave toque amadeirado. Essa é uma regra geral, com algumas exceções. Mas tenha em mente que apesar de se tratar da mesma casta, Syrah e Shiraz possuem estilos de vinificação diferentes.

PETITE SIRAH

Por outro lado, a Petite Sirah é um tipo de uva totalmente diferente da Syrah/Shiraz, embora às vezes possa ficar confuso, visto que Sirah e Syrah são pronunciados exatamente da mesma forma.Em grande parte do mundo, a Petite Sirah é conhecida como Durif. São uvas grandes e bastante tintas. Uma explosão de odores e sabores de frutas escuras. Então, amigos, nunca cometam o erro da maioria das pessoas, em achar que essa casta se relaciona com a Syrah/Shiraz, pois são totalmente distintas. Nada a ver mesmo.

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Petite Sirah/Durif

PARA RESUMIR: SYRAH e SHIRAZ são a mesma casta de uva, com estilos de vinificação diferentes, dependendo do enólogo e do costume dos países. Já a PETITE SIRAH/DURIF é um outro tipo de cepa, totalmente diferente e que não possui qualquer relação com a SYRAH/SHIRAZ. 

Espero ter conseguido desfazer confusões que povoam grande parte das cabecinhas dos apreciadores de vinhos. Bom domingo e Tim-Tim!

Carmenére: De Bordeaux Para o Chile e Do Chile Para o Mundo

Está aí uma das minhas castas favoritas. Seus vinhos costumam ser cálidos e ao mesmo tempo potentes, envolventes, deliciosos! Possuem coloração rubi bastante profunda, com reflexos violáceos, aromas de frutas vermelhas, terra, umidade, especiarias e notas vegetais.

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Os taninos são mais amigáveis e suaves que os de uma Cabernet Sauvignon, por exemplo. Costumo dizer que é um vinho que desce fácil, ótimo para embalar um bate-papo com amigos. De corpo-médio, é indicado para ser degustado ainda jovem, quando apresenta, em sua maioria, retrogosto persistente e sabor de framboesa madura e beterraba doce.

 

HISTÓRIA

No século XIX, a Carménère era amplamente cultivada na região francesa de Bordeaux, mais precisamente na localidade de Médoc. Na década de 1860, suas vinhas foram dizimadas pela praga filoxera e durante muitos anos acreditou-se que a mesma tivesse sido extinta em toda a Europa.

E quando todos pensavam que a Carménère tivesse evaporado da face da terra, eis que a mesma foi redescoberta em 1994, no Chile, pelo ampelógrafo francês Jean -Michel Boursiquot. Na verdade, a casta foi levada para os andes como se fosse Merlot. Boursiquot já estava intrigado, pois as mesmas demoravam muito a maturar. Até que resultados de estudos atestaram se tratar da antiga variedade de Bordeaux Carménère, que estava misturada a videiras de Merlot.

Dizem as más línguas que mesmo após a revitalização dos vinhedos, os produtores franceses preferiram investir em cepas mais rentáveis e resistentes, como a Merlot e a Cabernet Sauvignon. E, ultimamente, tenho visto muita gente numa onda de amar ou odiar a Carmenére, sem um meio-termo. Alguns amigos não passam nem perto, já outros, adoram e sempre chegam aqui em casa com uma garrafinha. Confesso que não existe cepa que me desagrade (sério, sou do tipo que bebe de tudo um pouco).

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UVA-ÍCONE DO CHILE

E não é que a cepa acabou sendo considerada uva-ícone do Chile? Tanto que 98% de todos os Vinhos Carménère consumidos no mundo são provenientes do país sul-americano.

A Carménère encontrou sua casa no Vale do Colchagua, no Chile, onde seu cultivo é predominante. Devido à fragilidade da cepa, esta se adaptou perfeitamente à região, graças ao ótimo terroir, mas sobretudo ao isolamento físico e geográfico criado por barreiras naturais, como o Oceano Pacífico, o Deserto do Atacama e a Cordilheira dos Andes, bem como as águas frias do Pólo Sul, que protege essa região de pragas.

HARMONIZAÇÃO

Vinhos Carménère casam muito bem com pratos à base de carnes vermelhas e assados em geral. Sua versatilidade faz com a mesma acompanhe bem até mesmo uma feijoada completa. No entanto, não é indicada a combinação com receitas que levem molho de tomate, por exemplo. Acredito que isso se deva à acidez do mesmo. Mas, sem dúvida, a melhor combinação é com as iguarias da culinária árabe (confira as dicas aqui).

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Não fosse esse calor insuportável que anda fazendo aqui no Rio, certamente investiria num Carmenére. Mas o La Niña tá aí, né? Quem sabe num tempinho ameno no fim de semana? Por enquanto, vou mesmo de espumante e vinho branco.

E você? Tem um rótulo de Carmenére favorito? Conta para mim!

Boa semana e Ótimos Vinhos!