Descubra as Diferenças entre os Vinhos Biodinâmicos, Orgânicos e Naturais

Então, estava eu assistindo um programa de TV sobre vinhos aqui com o marido. E no momento em que os trabalhadores do vinhedo começaram a fazer adubo para as videiras, afirmando que “estavam passando as energias positivas”, o marido saiu da sala…ahahahaha… “Ah, parei! Que coisa mística, que frescura!”. Porém, o próprio produtor biodinâmico disse em entrevista que não tinha “nada de místico”.

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Sim, acredito que muitos telespectadores (inclusive você, que está me lendo agora), devem ter ficado com a pulga atrás da orelha: “Que raios é isso, de vinho orgânico? Biodinâmico? Natureba? Bicho-Grilo?”. Mais uma vez, decidi pesquisar e ir à caça de informações. Afinal, uma boa dose de conhecimento pode quebrar muitos preconceitos.

VINHOS ORGÂNICOS 

Os vinhos orgânicos são conhecidos pela ausência de práticas agressivas e invasivas desde o vinhedo, nos quais o uso de herbicidas, pesticidas, fertilizantes e qualquer outro aditivo tóxico industrial é totalmente proibido.

Nesse caso, são utilizados apenas produtos para a prevenção de doenças, autorizados pelas certificadoras, que analisam se a vinícola cumpre todos os requisitos necessários para qualificar seu produto final como orgânico.

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Durante a produção, é permitida a clarificação com albumina de ovo e bentonita, assim como diversos outros recursos enológicos. No entanto, a correção da acidez com ácido tartárico e a adição de anidrido sulfuroso são empregados de forma limitada.

VINHOS BIODINÂMICOS 

Enfim, chegamos nos “bichos-grilo”. A origem desses vinhos se encontra na antroposofia de Rudolf Steiner, ciência que combina medicina, homeopatia e astrologia. 

Para que um vinhedo seja considerado biodinâmico, antes de tudo, esse precisa ser orgânico. Ou seja, o uso de pesticidas ou qualquer outro elemento químico nas vinhas é terminantemente proibido.

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Todo produto usado tanto na terra quanto nas plantas deve ser preparado no local, sendo denominado “compostagem”. Da mesma forma, é permitido o uso de adubo natural produzido por animais do vinhedo, com base numa proposta de fazenda auto-sustentável, que integra plantas e animais.

Os trabalhos de colheita, cantina e até as degustações são guiadas por meio de um calendário lunar e astrológico (está aí a coisa mística. Eu adoro, acho superdivertido, mas sei de pessoas que são totalmente céticas à respeito). 

O órgão mundial que rege os vinhos dinâmicos se chama Démeter. Vale lembrar que a maioria dos vinhedos da Borgonha, que produz alguns dos melhores Pinot Noir do mundo, aplica a agricultura biodinâmica em suas vinhas. E acredito que seus ancestrais também lançaram mão dessas técnicas, que apesar de intuitivas, são baseadas em estudos científicos nada místicos.

VINHOS NATURAIS  

Nesse caso, as uvas são fermentadas sem nenhuma intervenção, apenas com as leveduras indígenas (originárias da própria uva). Não é permitida a adição de anidrido sulfuroso, nem a correção de acidez, açúcar ou clarificação com auxílio de coadjuvantes.

Assim como os vinhos biodinâmicos, esses também são regidos por uma calendário lunar, solar e astrológico. Porém, a diferença entre eles está no fato de que ainda não existe um órgão que fiscalize os vinhedos que qualificam suas bebidas como naturais.

 


Espero ter solucionado as dúvidas de muitos leitores. Sem falar, que nessa eu acabo estudando também. Adoro! Essa semana está fazendo um tempinho bom aqui no Rio, bem fresquinho e próprio para a degustação de vinhos, inclusive os tintos. Por isso, ando aproveitando antes que o calorão se instale de vez.

Boa quinta para vocês! Ótimos vinhos! Tim-Tim!


Referências: Big Wine Theory, Foto das Uvas (Maja Petric), 

As 7 Melhores Descobertas Científicas Sobre Vinhos

Centenas de pesquisadores se debruçam em pesquisas sobre o mundo do vinho e não é por acaso. Afinal,  o nosso néctar dos deuses é a bebida mais saudável e saborosa do mundo. E foi pensando nisso que separei para vocês algumas descobertas realizadas por esses maravilhosos estudos. 

1- A RAINHA DAS UVAS TINTAS

Versátil, do tipo que se adapta a qualquer terroir, a Cabernet Sauvignon é simplesmente a casta de uva mais plantada no mundo para a fabricação de vinhos. Essa descoberta é de autoria do economista australiano Kym Anderson, da Universidade de Adelaide, após analisar 44 países responsáveis por 99% da produção mundial de vinhos.

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2- QUANTAS BOLHAS EXISTEM EM UMA TAÇA DE CHAMPANHE?

Levando em consideração aspectos como temperatura e dinâmica da perlage, o físico francês Gérard Liger-Belair (só mesmo um francês para realizar um estudo desse), da Universidade de Reims, contabilizou cerca de 1 milhão de bolhas em cada taça de espumante. 

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3- ADEGA DAS ANTIGAS

Arqueólogos americanos da Universidade de Brandeis descobriram, na cidade de Tel Kabri, em Israel, uma das adegas mais antigas do mundo. Segundo os estudos, a cave foi construída há cerca de 3.700 anos. Os pesquisadores retiraram do local 40 vasos com capacidade para guardar até 50 litros de vinho.

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Adega de 3.700 anos em Israel. Créditos: Revista Veja 

4 – MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Essa nós já noticiamos aqui no Vila Vinífera. Por conta do aquecimento global, poderá ocorrer uma redução de 25 a 73% da área disponível para cultivo de uvas destinadas à produção de vinhos, até 2050. A previsão é de autoria de pesquisadores da organização Conservation International. Países como a França já vêm sofrendo os efeitos desse fenômeno e terão que se reinventar para continuar produzindo bons vinhos no futuro.

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5 – DOR DE CABEÇA

Certa vez, uma amiga me disse que o marido dela sempre tinha enxaqueca após beber vinho Malbec. Achei que fosse por conta da quantidade de sulfitos presentes em alguns exemplares. Porém, na época eu ainda não tinha ouvido falar na descoberta do neurologista brasileiro Abouch Krymchantowski, que constatou que Tannat e Malbec são as variedades de vinhos que mais provocam enxaqueca nas pessoas. De acordo com o médico, a forte concentração de tanino justificaria o fenômeno, gerado por uma liberação súbita de serotonina no organismo.

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Então, parafraseando Shakespeare, há mais coisas em torno do vinho do que pode imaginar a nossa vã filosofia. E o meu radar está bem ligadinho para captar todas as descobertas sobre a nossa bebida favorita.

Espero que tenham curtido. Amanhã é sexta, dia de desvendar os mistérios do vinho. Até a próxima! Tim-Tim!