Vivendo e Aprendendo: 4 Dicas Quentíssimas Para Comprar Vinhos em Madrid

Minha amiga Juliana Bezerra é historiadora e autora do blog Rumo a Madrid. A menina é tão craque na cidade que acabou se tornando uma super guia turística para brasileiros na terra de Cervantes. E hoje é ela quem assina mais um post da série “Vivendo e Aprendendo”, em que relata suas experiências comprando vinhos na capital espanhola. Mais um capítulo da nossa bela parceria.

Leia e viaje sem sair da taça!


POR JULIANA BEZERRA

Sabrina Trézze deu uma aula sobre vinho espanhol para os leitores do Rumo a Madrid e eu tenho que devolver a gentileza. Infelizmente, não vou poder cantar as virtudes do vinho madrilenho para os leitores da minha querida amiga: sabidamente a região não produz bons “sucos de uva”. O vinho da capital espanhola sempre foi vendido para a população trabalhadora, que aguentava duras horas de labuta sob o sol. Como todo mundo sabe as melhores regiões para o vinho espanhol atendem pelo nome de Douro e La Rioja.

Quem gosta de vinho também adora comprar belas garrafas quando viaja. Em Madrid, já nos supermercados, as seções de vinhos são enormes e dá pra levar bons rótulos por preços em conta.

Quando cheguei aqui, um dos meus alunos me recomendou que eu tivesse um vinho do “dia-a-dia”, que fosse acompanhar as refeições durante a semana. Pois o escolhido foi o Marquês de Cáceres, de La Rioja e que não ultrapassava 4 euros a garrafa; ele foi fundamental para termos uma noção entre as diferentes matizes de cada região espanhola, além de alegrar meus almoços e jantares do dia a dia.

Além dos supermercados, em Madrid há belas opções para se comprar vinhos e mesmo saborear uma taça de vinho comendo alguma “tapa”. Por isso, fiz uma pequena lista de lugares onde o visitante pode comprar o néctar de Baco na capital espanhola:

La Rebelión de los Mandiles: um simpático bar-cafeteria-delicatessem na calle Mayor, pertinho da catedral Nossa Senhora de Almudena. Além de poder tomar um café e descansar da caminhada, atenção aos azeites e vinhos de todas as regiões da Espanha. Em caso de dúvida, não hesite em perguntar às simpáticas atendentes sobre os produtos expostos. Elas dão uma verdadeira aula! Endereço: Calle Mayor, 88.

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La Rebelión de los Mandiles

– Lavinia: situada na chiquérrima calle Ortega y Gasset, a Lavinia é uma das lojas mais tradicionais de Madrid. Os rótulos ali são de fazer qualquer enólogo ficar satisfeito, mas os preços podem fazer doer um pouco o bolso. De qualquer maneira, vale a pena passar por ali, contemplar a paisagem e, quem sabe, aproveitar alguma promoção. Endereço: Calle de José Ortega y Gasset, 16.

LAVINIA/ 02 Diciembre 2009 / Foto: Enrique Cidoncha
Lavinia

Gourmet Gran Vía – Situada na cobertura do El Corte Inglés, junto à estação de metrô de Callao, a loja tem uma grande variedade de rótulos e vende produtos de vários lugares do mundo. Ainda tem restaurantes e bares, e uma das vistas mais lindas de Madrid. Infelizmente, não há atendentes para explicar sobre os produtos, mas para os entendidos é um belo passeio. Endereço: Plaza del Callao, 2.

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Gourmet Gran Vía

Mares Vinos – Quem deseja receber um atendimento personalizado, ambiente aconchegante e ótimos rótulos, deve se dirigir a esta simpática loja no bairro de Salamanca. Situada a 10 minutos do centro de metrô e perto de atrações como a Fundación Juan March, a proprietária Mares, é uma simpatia e explica tudo e mais um pouco sobre vinhos e inclusive realiza degustação todas as quartas-feiras. Isso sim: somente em espanhol. Endereço: Calle de Don Ramon de la Cruz, 46. Metrô Lista.

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Mares Vinos

Enoamigos, espero que tenham curtido essa delícia de texto. Deu até vontade de incluir a Espanha em um futuro Wine Tour. Afinal, é um dos países com maior área de vinhedos e exemplares espetaculares, provenientes de regiões de muita tradição em vinhos.

Aguardem, pois minha parceria com a Ju está apenas começando!

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

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Rótulo e Contra-rótulo: O Cara e Coroa do Vinho

Se toda moeda tem os lados cara e coroa, com o vinho não é diferente. Todo néctar que se preze possui rótulo e contra-rótulo. E isso tem influenciado cada vez mais os consumidores durante a escolha da garrafa ideal.

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Alguns são sóbrios e distintos, outros modernos e coloridos. Qualquer que seja o estilo do rótulo e contra-rótulo, é importante observá-los com atenção, visto que estes trazem informações superimportantes sobre sua origem. Porém, em tempos de mais do mesmo, as empresas que propõem inovações neste quesito inevitavelmente acabam saindo na frente. Afinal, qual consumidor leigo não gostaria de ter em mãos dicas de temperatura de serviço e harmonização? Trata-se de um serviço que as vinícolas prestam, a fim de que a experiência de degustação se torne ainda mais especial.

ATENÇÃO ÀS INFORMAÇÕES

Classificação: indica a qualidade do vinho. Cada país adota regras próprias de classificação. Algumas mais comuns são: Vinho de Mesa, Vinho Regional, Vinho de Denominação de Origem Controlada.

Contra-Rótulo: pode conter informações sobre a vinícola, a uva, a safra e o método de vinificação. Inclui, ainda, o registro no Ministério da Agricultura, endereços, contatos etc. Porém, o grande plus neste caso são as informações adicionais que chegam como uma prestação de serviço para os enófilos iniciantes. Notas Olfativas e Gustativas, Dicas de Harmonização e Temperatura de Serviço, quem sabe até uma historinha sobre a origem do nome do vinho…. tudo isso só agrega positivamente à experiência de degustação, ao mesmo tempo em que contribui para fidelizar a clientela.

Aqui temos o rótulo e contra-rótulo do vinho Coletânea, da Lidio Carraro. O rótulo é bem bonito, homenageando a Vela, modalidade olímpica que tem tudo a ver com a temática da Rio 2016. O contra-rótulo, por sua vez, é daquele tipo 4 estrelas. Mostra um textinho falando sobre a Vela e, em seguida, dicas de temperatura de serviço, notas de degustação e harmonização com pratos culinários. Só senti falta de notas de degustação, que dão uma boa ideia do que esperar do vinho. 

Marca ou Nome do Produtor: é a assinatura do vinho.

Numeração: em reservas especiais, alguns produtores costumam numerar a garrafa e o lote.

Safra: ano da colheita da uva. Se for uma grande safra, o preço do vinho é mais alto.

Teor Alcoólico: uma pista importante sobre o corpo do vinho (leve, médio ou encorpado). Quanto maior o teor, mais encorpado tende a ser o vinho, embora outros fatores também contribuam com o corpo.

Rótulo e contra-rótulo do Espumante Joaquim, da Villa Francioni. O rótulo é do tipo sóbrio, sem deixar de ser belo, com letras douradas e linda caligrafia. Para o contra-rótulo, eu daria 3 estrelas. Falta mais informações que agreguem à apreciação, como tempo de serviço (para espumante, é essencial), bem como dicas de harmonização e até a taça ideal para uma experiência de degustação perfeita. 

Uva: o nome da casta que predomina no vinho, caso seja um varietal. Em vinho de corte ou assemblage, pode aparecer o nome de mais de uma uva.

Volume: quantos mililitros de vinho contém a garrafa. A maioria traz 750ml.

O CONTRA-RÓTULO DAS IMPORTADORAS

No Brasil, acontece algo curioso com os vinhos importados. Nossa legislação exige que se informe, na embalagem, os ingredientes do produto. Acontece que em outros países, como a França, por exemplo, não existe essa obrigatoriedade. Para contornar o problema, os importadores costumam acrescentar um novo contra-rótulo à garrafa, a fim de atender às exigências internas. Muitas vezes, este contra-rótulo quebra a harmonia da garrafa, sem falar que chega pobre em informações que fatalmente poderiam ser encontradas no exemplar original.

Amo de paixão esses rótulos dos vinhos chilenos Aves Del Sur. Cada rótulo traz uma ave, mudando de acordo com o tipo de uva. Só por isso, o contra-rótulo poderia ser mais bem aproveitado. Logo, dou 1 estrelinha apenas para ele. É do tipo que só diz o que pede a legislação, ao passo que poderia rolar um textinho, neste caso, informando sobre o Pato. Sem falar nas dicas de harmonização, temperatura de serviço etc.

E aí, pessoal?  Se tiverem um bom contra-rótulo, podem me enviar que publico aqui ou na Fanpage do Facebook. Ultimamente tenho estado à caça de exemplares que sejam originais e, ao mesmo tempo, funcionais.

Boa semana! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Imagem: Revista Exame

10 Dicas Para Escolher o Vinho Certo

Enfim, chegou aquela ocasião especial: aquele almoço ou jantar que você vai oferecer para a família e os amigos. Ou, simplesmente, um encontro descontraído, sem motivo específico. Logo de cara, bate aquela dúvida: “Como escolher o vinho certo?”. Pensando nisso, preparamos esse super guia para você brilhar na hora da compra:

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1 – NEM SEMPRE OS ENVELHECIDOS SÃO OS MELHORES: já falamos por aqui que nem sempre os exemplares envelhecidos são os melhores. Muito pelo contrário. Raros são os vinhos que suportam um longo tempo de guarda. Apenas grandes rótulos, que já são produzidos para esse objetivo. Por isso, considerar o ano da safra e o de armazenamento é uma das primeiras coisas as quais temos que nos atentar.

2 – PROCURE POR CUSTO-BENEFÍCIO: outro fator é que há ótimos vinhos com valores acessíveis. Eu sou perita em desbravar esses rótulos. Independente do canal de compra, eu sempre dou uma olhada geral nos preços. Se pensa em adquirir um vinho pela internet, atentar-se ao valor do frete também é essencial, pois se você não tem a intenção de levar mais de uma garrafa, pode ser que o custo total não valha a pena. Nem sempre um bom vinho tem que ser caro. Já me decepcionei com alguns. Vinho é sempre questão de gosto pessoal. 

3-  SE NÃO CONHECE, LEVE SÓ UMA GARRAFA: caso nunca tenha degustado o rótulo escolhido, adquira apenas uma garrafa. Se aprovado, você poderá comprar mais e caso não agrade, a garrafa não vai ficar encalhada. E nada de passar o vinho para frente, pois presente de grego ninguém merece…rsrsr.

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4 – O ESTILO DO EVENTO DETERMINA O TIPO DO VINHO: para coquetéis, happy hour, descontração na piscina…precisamos de vinhos com acidez para abrir o apetite, como espumante brut ou demi-sec, sauvignon blanc, chardonnay, riesling ou rosé. Carnes, massas e molhos fortes já pedem um tinto mais estruturado, como Cabernet Sauvignon, Syrah ou Malbec. Sobremesas ficam ainda mais deliciosas com vinho do porto, moscatel, botritizados ou os de colheita tardia.

5- OLHO VIVO NOS BRANCOS: ao adquirir vinhos brancos, compre safras recentes, com menos de 4 anos. Geralmente esses rótulos são para consumo imediato. Pouquíssimos brancos são feitos para a longevidade.

6- ATENÇÃO ÀS CONDIÇÕES DO VINHO: evite surpresas. Compre sempre em locais onde há giro dos produtos. Observe o líquido sob a luz. Se o vinho branco estiver amarelado e o tinto acastanhado, pode ser que estejam oxidados e, portanto, defeituosos.

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7 – ANOTE OS FAVORITOS: faça uma lista com os rótulos aprovados e também com aqueles que não lhe agradaram, a fim de que sejam evitados. Quando tiver que optar por um vinho num restaurante,  só de ler a carta você já se lembrará dos que mais gosta.

8 – LEIA MUITO SOBRE O ASSUNTO: dicas de amigos e matérias especializadas são fontes interessantes para saber de bons vinhos. Por exemplo, a Revista Adega possui uma lista de vinhos degustados pela equipe deles, com nota e tudo. Particularmente, considero esses resultados muito mais realistas que os do Robert Parker (famoso crítico norte-americano). A Adega costuma, inclusive, sugerir ótimos rótulos nacionais, facilmente encontrados nos canais de venda por aí afora.

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9 – EXPERIMENTE SEMPRE:  a medida que for degustando e apreciando, certamente você vai aprendendo, aos poucos,a escolher o vinho certo para o seu gosto pessoal. Sendo assim, a experiência só irá agregar positivamente ao seu repertório de bons rótulos. É o seu próprio paladar que determinará o que lhe agrada de verdade.

10 – NÃO SE PRENDA: há uma enorme variedade de exemplares no mercado, esperando para serem degustados. Não é porque agora você já sabe qual o vinho certo que ficará sempre preso aos mesmos rótulos. Permita-se e terá ótimas surpresas! 

 

Os 4 Termos Mais Comuns Nos Rótulos de Vinhos

Ultimamente, tenho pesquisado muito sobre formas de simplificar o entendimento dos rótulos, sobretudo para os iniciantes que ainda não estão acostumados ao mundo dos vinhos. Afinal, é por meio dessas informações que nos sentiremos mais seguros na hora da compra, sem a preocupação de poder estar levando “gato por lebre”.

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É importante saber diferenciar termos factuais, como *Gran Cru, por exemplo, de expressões marketeiras, criadas apenas para nos levar a adquirir determinado vinho. E foi pensando nisso que hoje trouxe algumas das denominações mais comuns encontradas nos rótulos por aí afora.

1-  Medalha de Ouro (Gold Medal Standard): 

Seja em inglês ou em português, o termo “medalha de ouro” já engana desde o início. Se o rótulo não indicar em qual concurso o vinho ganhou essa suposta medalha de ouro, não se deixe influenciar. É puro marketing.

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2- Grand Vin (Para rótulos franceses)

Do francês, traduz-se exatamente como Grande Vinho, ou seja, Gran Vin é  uma designação tradicional, dada às melhores garrafas de um Domaine (Vinhedo). Porém, não há regulamentação sobre quem teria o direito de usar esse termo, assim como se ele realmente atesta a qualidade de um vinho. Por isso, olhos bem abertos! Nessa hora, vale pedir a indicação de um sommelier ou de algum amigo que já tenha degustado o rótulo em questão.

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3- Seleção do Enólogo (Winemaker’s Selection)

Outro termo bonito que não quer dizer nada. Ou seja, pode ser que o vinho seja realmente muito bom e tenha sido escolhido a dedo pelo enólogo responsável ou, na pior das hipóteses, apenas uma jogada de marketing para tornar o rótulo conhecido.

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4- Reserva (Reserve)/ Grand Reserva (Grand Reserve)/ Riserva

Desses nós já falamos em uma outra postagem, mas não custa nada repetir. Os termos Reserva e Gran Reserva não são regulamentados em todos os países. Por isso, não deixe que os mesmos influenciem na sua decisão de compra. Contudo, quando se trata da Espanha, os termos Reserva (Reserve) e Grand Reserva (Grand Reserve) correspondem a vinhos que foram armazenados por longos períodos em barricas de carvalho. Já o termo Riserva é legalizado e utilizado para designar denominações de origem controlada na Itália, como é o caso do Chianti e do Pielmonte, a fim de demonstrar aos consumidores a alta qualidade dos exemplares envelhecidos.

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EVITE LEVAR GATO POR LEBRE

  • Busque sempre informações sobre o real significado dos termos explícitos nos rótulos, assim como agora.
  • Outra dica bacana é utilizar os aplicativos para smartphones. Através deles, é possível ter acesso às opiniões de enófilos e profissionais do mundo do vinho.
  • Vale, ainda, pedir sugestões aos amigos e lojistas. Não importa o canal de compra, se um vendedor deseja conquistar um cliente fiel, com certeza ele falará a verdade sobre os pontos positivos e negativos da bebida em questão. Como diria o vendedor da Adega do supermercado do meu bairro, “se eu te enganar, você vai ficar chateada e nunca mais vai comprar com a gente”. No fundo, é meio isso mesmo. Uma relação de confiança construída a partir da satisfação de ambos os lados.

 * O termo Grand Cru, mencionado no início deste artigo, é uma “Appellation d’origine contrôlée” (AOC) dos melhores vinhos produzidos na Côte de Beaune e Côte de Nuits na Borgonha, França, e a mais alta das quatro categorias principais que são: Grand Cru. Premier Cru,  Appellation Communale e Appellation Régionale.

Nem Tudo o Que Borbulha é Champanhe

Amigos, hoje tive vontade de pesquisar sobre mais um polêmica do mundo do vinho. Lembro-me de quando eu era criança e se dizia que qualquer espumante era champanhe. Fato é que todo champanhe é espumante, mas nem sempre o contrário é verdadeiro.

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Champanhe: é todo o espumante produzido na região de Champagne, no norte da França, cuja capital chama-se Épernay. Inclusive, foi próximo a esta cidade, no povoado de Hautvillers, que os monges Don Pérignon e Don Ruinart fizeram de tudo para domar os vinhos que fermentavam mais de uma vez, fazendo suas garrafas explodirem. Sem falar que, naquela época, as borbulhas eram consideradas um defeito do vinho. Pois é, os tempos mudaram…

QUEM PODE USAR O NOME CHAMPANHE?

O Champanhe de verdade, além de ser produzido na Champagne, deve levar apenas uvas de vinhedos da região e serem fabricados através do método champenois (no qual o vinho é submetido a uma segunda fermentação dentro da própria garrafa). Esses e outros padrões são adotados graças à Denomição de Origem Controlada (AOC).

Trata-se de uma legislação que delimita toda a produção de Champanhe, inclusive os pré-requisitos para o uso do nome champanhe, que só pode ser atribuído aos vinhos originais da região. Qualquer bebida semelhante, mesmo que produzida pelo método champenois, proveniente de outros locais e/ou países, só pode ser chamada de espumante e nunca champanhe. Isso protege tanto as vinícolas quanto os trabalhadores do terroir.

No entanto, há sempre alguém tentando burlar a lei. Nos EUA, é comum vinhos espumantes apresentarem no rótulo a inscrição “Champagne” ou “American Champagne”. Agora,você já sabe que não são originais.

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Ao meu ver, nem os espumantes brasileiros, que conseguiram o direito de usarem o nome por decisão do STF, podem ser considerados champanhes. Eles alegam produzir o espumante com esta denominação bem antes da legislação francesa entrar em vigor, em 1927. Mas, gente, não é da região da Champagne. É só marketing que, convenhamos, é totalmente desnecessário, visto que os nossos espumantes estão dando show de qualidade lá fora.

PRODUÇÃO

O legítimo champanhe é produzido com três castas: a chardonnay (em maior proporção), a pinot noir e a pinot meunier. Estas últimas são uvas tintas, mas os vinhos utilizados, elaborados sem a casca, são brancos.

O champanhe é um corte (mistura de vinhos em proporções determinada pelos enólogos) de trinta a até cerca de duzentos vinhos brancos. O tradicional é feito com um corte de cerca de 30% de vinhos brancos de uvas tintas, o rosé com corte de vinhos tintos, o blanc des blancs, apenas com uvas brancas e o blanc des noirs elaborado apenas com uvas tinto.

Desde o ano passado, a Unesco classificou as Encostas, Caves e Casas de Champagne como Patrimônio da Humanidade.

Enfim, num momento em que o clima tem estado perfeito para o consumo do nosso amado espumante, é sempre bom termos essas diferenças em mente. E, agora, você já sabe! Nem tudo o que borbulha é Champanhe. Sidra não é Champanhe. Água com Gás também não. Refrigerante idem.

E vamos prestigiar a efervescência brasileira, que está maravilhosa!

 

Vivendo e Aprendendo: Comprando Vinhos em Lojas Virtuais

Uma das coisas mais prazerosas da vida é comprar vinhos. E, se for no aconchego do nosso lar, melhor ainda!

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A compra por meio de catálogos e lojas virtuais já representa 10% dos vinhos vendidos no Brasil. Por isso, o e-commerce da bebida definitivamente veio para ficar. Além da conveniência de não precisar sair de casa ou do escritório para escolher suas preciosas garrafas, esse tipo de canal lhe dá a liberdade de escolher o produto com calma, sem a pressão dos vendedores presenciais e da correria do cotidiano. Sem falar que você pode, ainda, presentear amigos e aprimorar seus conhecimentos.

A loja virtual está associada mais ou menos a uma grande multimarca. Nela, você tem acesso aos melhores vinhos sem precisar viajar para isso. A Wine.com.br, por exemplo, já é a terceira maior importadora do Brasil no segmento. Um verdadeiro supermercado de vinhos on-line ao seu alcance.

Com apenas um clique, o cliente tem uma experiência de compra única e pode tirar suas dúvidas através de múltiplos canais de relacionamento, como chat on-line, facebook, instagram, twitter, entre outros. Logo de cara, desconfie de lojas virtuais que não disponibilizam esses canais, ou seja, que não “mostram a cara para o consumidor”.

No mais, indicações de amigos e veículos especializados também contribuem para uma compra bem-sucedida. Hoje vou falar de alguns sites nos quais já comprei e fui super bem-atendida. Sem dúvida, vale muito à pena!

WINE IN PACK

Wine in Pack, por exemplo, seleciona vinhos específicos para cada ocasião ou objetivo de degustação. Lá, é possível adquirir grupos de 2, 3 ou mais garrafas, por estilo, como “Tintos Frutados”, “Vinhos Argentinos”, “Vinhos da Espanha”, “Roses Refrescantes”, entre outros.

Lembra do post sobre celebrações, quando sugerimos os encontros temáticos com os amigos? Esse tipo de oferta ajuda muito nesse caso. Planeje-se com antecedência e vá às compras com a certeza de que o comércio eletrônico agrega positivamente à sua experiência com vinhos.

O grande diferencial da Wine in Pack fica por conta dos brindes. Itens que todo enófilo gostaria de ter, como termômetro para vinhos e bolsa térmica, além de garrafas extras, figuram entre as opções. Você escolhe um deles e o mesmo chega junto do seu pedido. A expectativa pela chegada do pacote fica ainda maior. Outro destaque é para o programa de fidelidade. A cada vinho adquirido, o cliente acumula pontos que poderão ser utilizados como desconto na próxima compra.

LE PETIT SOMMELIER

A Le Petit Sommelier é um site menor, mas com atendimento personalizado, de primeira qualidade. Na ocasião em que comprei, aproveitei o frete grátis no Dia da Mulher, quando a cada compra eles estavam presenteando as clientes com uma Baby Chandon.

No meu caso, chegaram os vinhos e nada do brinde. Liguei para eles, me atenderam prontamente e me enviaram duas garrafinhas! Gosto muito do portfólio da Le Petit, sobretudo os de champanhe e espumantes. Só coisa fina! Trabalham com as melhores marcas. Quer Zapata? Tem Lá! Dom Pérignon? Tem também! A divisão é por estilos e países. Acho o frete deles meio salgado, mas fora isso, se vir alguma promoção de entrega gratuita, pode ir na fé!

DECANTER

Eu amo de paixão o portfólio da Decanter e volta e meia me deparo com os vinhos da importadora nos cursos que frequento, tanto na ISG quanto na ABS. Ou seja, é muito bacana essa postura de apoiar as instituições que formam sommeliers. Bom para todo mundo, inclusive para eles, pois trata-se de uma vitrine maravilhosa para os rótulos da empresa, que aliás, são muito tops!

O site conta com mais de 1000 rótulos exclusivos, com destaque para os espumantes da Hermann (só encontro lá!) e da Ferrari, bem como vinhos de praticamente todas as regiões produtoras, para enófilo e sommelier nenhum botar defeito! Na loja virtual, é possível buscar os rótulos por país, produtor, casta de uva e inclusive Harmonização! Quer encontrar um vinho para combinar com um Cordeiro? Churrasco? Comida Árabe? Só clicar que as opções pulam na sua tela. Muito bacana!

CAVE NACIONAL

Cave Nacional só trabalha com vinhos brasileiros, tendo em seu catálogo vinícolas de renome, como Casa Venturini, Pericó, Villa Francioni, entre outras. Descobri a Cave por meio da ABS-RJ. Sempre recebia os e-mails deles com desconto e na época estava muito a fim de provar o Joaquim, da Villa Francioni, uma vinícola de altitude, de Santa Catarina (hoje em dia é um dos meus rótulos nacionais favoritos!).

O frete para o Rio de Janeiro é superjusto, inclusive o da entrega em Niterói. Toda quarta ou quinta, o Marcelo Rebouças, proprietário da loja, entrega os pedidos do outro lado da poça. Já me entregou vinho em mãos, na minha porta. Um luxo! Sem dúvida, é um dos melhores sites especializados em rótulos nacionais. Sempre que quero experimentar algo brazuca dou uma olhada lá. Agora eles lançaram um Tannat 2007 com selo próprio deles e já quero provar. Só não fui no lançamento porque estava na maior correria por aqui.

Lá também é possível buscar rótulos por opções de harmonização, o que certamente faz a maior diferença, sobretudo para os iniciantes no mundo do vinho.

Aliás, o Marcelo é um vendedor de mão cheia! É ele mesmo que atende os clientes pelo chat on-line do site e sempre sugere rótulos fantásticos. É praticamente um atendimento personalizado. Muito legal!


Quando se trata de comprar vinhos on-line, uma boa dica é testar o serviço antes, por meio de um pedido um pouco menor, só para ter certeza de que chegará direitinho, sem dores de cabeça. Faço isso sempre que não conheço o site.

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No mais, entre as inúmeras vantagens do comércio eletrônico está o fato de que os baixos custos das mercadorias podem ser repassados ao consumidor final por meio de preços mais baixos, brindes, frete grátis etc.

Pronto para comprar vinhos pela internet sem medo? Então, se joga nos sites!

Bons Vinhos! Boas compras! Tim-Tim!

Vivendo e Aprendendo: Comprando Vinhos no Supermercado

O post sobre celebrações com vinho me motivou a escrever uma série com dicas para não errar ao comprar vinhos no supermercado, online e em lojas especializadas. Fique atento, pois são muitos detalhes que, por vezes, passam despercebidos aos olhos dos menos experientes.

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Em Supermercados

Algumas redes disponibilizam ótimas seções de vinhos, algumas inclusive com adega climatizada e funcionários especializados no assunto. Independente da marca ou do preço, alguns cuidados são essenciais quando o que está em jogo é o sucesso da degustação.

Observe se o lugar destinado aos vinhos está adequado

Protegido do sol, do calor, da umidade e oscilações bruscas. Esses quatro fatores são inimigos do vinho. Verifique, ainda, se as garrafas  estão expostas deitadas, sobretudo aquelas mais caras e que não têm tanta saída. Assim, as rolhas estarão sempre em contato com o líquido, evitando que a mesma resseque e permita a entrada de oxigênio.

Nunca pegue as garrafas que estão de pé

Elas estão posicionadas desta forma para que o cliente visualize melhor o rótulo. No entanto, como vimos anteriormente, não é a forma adequada de armazenagem. Logo, ao menos que você tenha certeza de que não estão de pé por muito tempo (um funcionário pode trocar as garrafas de vez em quando, mudando a posição das mesmas), prefira os exemplares posicionados na horizontal. Numa prateleira bem organizadas, as garrafas guardadas abaixo das que estão na vertical, geralmente correspondem ao mesmo rótulo.

Verifique as condições do rótulo

Se estiver embolorado ou danificado, descarte e busque por outro vinho. Isso indica que a garrafa provavelmente não foi bem armazenadas ou sofreu com mudanças bruscas de temperatura e/ou umidade.

Verifique a rolha

Se estiver expandida para fora, alguma alteração deve ter ocorrido com a bebida. Despreze a garrafa. Nesse caso, é quase certo de que o vinho foi danificado pelo calor, ou seja, “cozido”. Confira aqui os 6 principais defeitos dos vinhos.

Escolha por País

A maioria dos supermercados disponibiliza seus vinhos por país. Isso facilita muito na hora de optar por rótulos que terão mais chances de agradar seus convidados. No Brasil, os preferidos são os chilenos, seguidos por argentinos e portugueses.

Acabo de me lembrar das prateleiras de vinhos das lojas da rede Pão de Açúcar. É um bom exemplo de organização das bebidas pelos países em que são produzidas. Mais perfeito que isso, só se fossem divididas por regiões: Ex: “Vinhos do Vale do Loire”, “Vinhos da Serra Gaúcha” etc. Amigos lojistas, o que acham dessa sugestão? Sei que deve dar trabalho, mas certamente faria  a maior diferença para o consumidor final, facilitando sua busca por rótulos diferenciados ou que atendam a gostos e eventos específicos, especialmente em confrarias.

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Gostaram? Então, por hoje é só. Amanhã a nossa saga sobre a compra dos vinhos continua. Lembre-se que nem sempre preço é sinônimo de qualidade ou falta desta. Por isso, amigo enófilo, nosso maior objetivo deve ser o de não levar gato por lebre. A melhor opção será sempre aquela que combina mais com seu estilo e gosto pessoal.

Ah, e fique ligado, pois essas redes de supermercados de vez em quando costumam divulgar ofertas arrasadoras. E, em tempos de recessão, economizar é sempre uma boa ideia.

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!