Degustando com os Amigos: Ótimos Vinhos e Descontração no Espaço École Du Vin

E eis que o casal querido, Sommelier Marcelo Marques e Patrícia Pacheco, nos convidaram para uma degustação descontraída em seu aconchegante Espaço École Du Vin, em Copacabana. A missão: cada participante levaria um vinho e uma comidinha. Eu e o marido levamos o Espumante Brut da Batalha Vinhos & Vinhas e o Sagiovese Toscano Querciavalle, importado pela Vindame.

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A noite foi muito especial, repleta de risadas e boas histórias, como em qualquer animada confraria. Afinal, o grupo era nota 1000 e, além do Marcelo e da Patrícia, contava com Joana Rangel (do, Blog Divina e Vinho), Fernando Lima (do Blog Vinhos com Fernando Lima) e esposa, bem como mais 3 amigos do casal de anfitriões, todos muito simpáticos e empolgados.

OS VINHOS DA NOITE

E, como diria o amigo Fernando Lima, vamos à análise das ampolas degustadas!

1 – Espumante Casa Marques Pereira Extra Brut: Um bom Champenoise (com segunda fermentação em garrafa). Elaborado com a uva Trebbiano Toscano, possui cor Amarelo-palha, com perlage muito fina e elegante. Muito agradável e perfeito para iniciar os trabalhos e “fazer a boca” para os rótulos seguintes.

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2 – Vinho Verde Vila dos Ingleses: Logo de cara, a cor impressiona. É um rosé que tende para casca de cebola, porém, até mais alaranjado. Muito fresco, frutado e levemente frizante, com notas de pêssego. Geladinho, num dia de verão à beira da piscina…já imagino o sucesso!

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3 – Segredos da Adega Tannat Gran Reserva 2008: Sim, começamos com um Tannat 100% nacional e daquela safra que amacia qualquer potência. Sim, os taninos estavam perfeitos! Coloração rubi, com reflexos granada, a cara da evolução! No nariz, frutas do bosque, mais para compota (geleia), além de um toque de café e couro. Muito agradável e interessante!

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Agora, pausa para uma Vertical de Valmarino Reserva de Família! Sim, o amigo Fernando Lima levou essas duas preciosidades de sua adega para a gente curtir a experiência. Analisamos as safras 2008 e 2013. Vamos lá!

4- Valmarino Reserva de Família 2008: Trata-se de um corte de 30% Cabernet Sauvignon, 30% Tannat, 30% Cabernet Franc e 10% Merlot. Realmente, uma mistura que só tem a ganhar com a guarda. Coloração rubi-intensa, com reflexos granada e sinais claros de evolução em garrafa. Taninos sedosos, mas ainda bem presentes, com notas herbáceas e caráter mentolado. Depois de um tempo na taça, as especiarias tomam conta do nariz. Maravilhoso, sem dúvida, para mim, foi o grande destaque da noite. 13,5 de vol. alcoólico.

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5 – Valmarino Reserva de Família 2013: Logo na cor, a diferença foi bem clara com relação ao exemplar 2008. Era um vermelho-rubi sem reflexos. No nariz, como era de se esperar, bem mais frutado, com toques de café tostado e especiarias. Nesse caso, o corte é de 45% Cabernet Franc, 25% Merlot, 15% Tannat  e 15% Cabernet Sauvignon. Na boca, encorpado, com taninos bem presentes, porém, agradáveis. Um vinho que ainda aguenta uns bons anos de guarda e que ainda tem muito para mostrar. Excelente! 13,0% de vol.alcoólico.

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Depois desses dois espetáculos de tinto, mais uma vez, vamos a um espumante!

6 – Espumante Batalha Brut Método Tradicional (Champenoise): Então, esse espumante foi na minha bolsa de Niterói a Copa, sacolejando e previamente gelado (estava na minha cervejeira). Após a viagem, tudo podia acontecer! E eis que na minha taça a perlage não era numerosa, porém, bem fina. O nariz dele era ótimo, muito tostado, leveduras (aquele pão característico). Na boca também estava ótimo. Só a perlage que ora aparecia, ora não.

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7 – Santa Cristina Branco 2012: Ah, gente, eu amei esse branco italiano. E eu nem sabia que quem produzia era a Família Antinori, tá? Senão eu já chegaria sugestionada..rs. Sim, mas esse branquinho, produzido na Umbria, é elaborado com as uvas Grechetto e Procanico. Apesar de 2012 ainda estava muito vivo, agradável, com cor dourada. Muito fresco, com notas tropicais e geladinho! Delícia!
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8 – Querciavalle Toscano Rosso 2015: Esse foi mais uma das ampolas que eu levei. Da importadora Vindame, o Querciavalle é produzido na mesma região italiana do Chianti Clássico. Um vinho 100% Sangiovese, macio, frutado (eu já tinha provado), com 14% de vol. alcóolico, mas que foi assassinado com requintes de crueldade pelos poderosos tintos servidos anteriormente. Ou seja, enoamigos, em se tratando de degustação, uma regra básica é seguir a ordem dos vinhos. Logo que cheguei, eu já tinha que ter falado com o Marcelo que esse tinto era mais leve. Dei mole! Serve como aprendizado para a próxima 😉

Então é isso, galera da enofilia. Foi um encontro memorável que uniu amigos, vinhos e muitas experiências. Com relação às comidinhas, tenho que dar o merecido destaque ao “Dadinho de Tapioca” da Patrícia. Divino, maravilhoso com os molhinhos agridoces.

Até a próxima, pessoal! Bom vinhos! Ótimas companhias! Tim-Tim!

Bate-Papo com Juliano Carraro e Mônica Rossetti, da Lídio Carraro

Fui convidada pela Confraria Amavinho para participar de um bate-papo com ninguém menos que Mônica Rossetti e Juliano Carraro, Enóloga e Diretor de Marketing, respectivamente, da vinícola oficial dos Jogos Olímpicos de 2016 e uma das mais badaladas do país, a Lídio Carraro. A apresentação, com degustação de vários rótulos da empresa, aconteceu ontem, no restaurante  Majórica, refúgio da Amavinho no Rio de Janeiro.

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Mônica Rossetti em ação

Costumo dizer que o trabalho de um enólogo é semelhante ao de um pintor. Afinal, muitos dos vinhos que degustamos são verdadeiras obras de arte. Agora, qual foi a experiência de degustar os rótulos na presença de quem os criou? Com certeza, vai ficar na memória.

Aos 33 anos, Mônica Rossetti já conta com 31 vindimas no currículo e também pudera! Desde os 18 anos a enóloga, que se divide entre Brasil e Itália, atua tanto no Novo quanto no Velho Mundo, num total de duas safras por ano. Mônica é da turma que tirou o passaporte para o universo vitivinícola cedo, aos 15 anos, quando entrou no ensino médio técnico em enologia. Ou seja, apesar da pouca idade, não lhe falta experiência e isso ficou muito claro para mim ao sentir no paladar os resultados de seu trabalho.

LÍDIO CARRARO VINÍCOLA BOUTIQUE

“Esta vinícola, hoje em sua 5ª geração, é uma das minhas favoritas.”
(Steven Spurrier, em entrevista para a Revista Decanter de Londres)

A Lídio Carraro é uma vinícola familiar, que começou com o objetivo de produzir vinhos que expressassem identidade e território . A empresa decidiu apostar no poder da uva e (pasmem!) não utiliza madeira na elaboração de seus rótulos. “Decidimos trabalhar com uvas de alta qualidade, afinal, o segredo dos grandes vinhos está nesta matéria-prima. Para isso, investimos em vinhedos próprios”, disse Mônica, que afirmou, ainda, que a valorização da matéria-prima também possui o intuito de evitar correções enológicas.

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Fachada da Vinícola, no Vale dos Vinhedos 

Encruzilhada do Sul (RS), onde a empresa produz grande parte de seus vinhos, é uma das melhores regiões do mundo para a viticultura. Possui clima continental, com amplitude térmica que não ultrapassa os 35ºC, ou seja, condições perfeitas para a produção do vinho. Para Mônica, felizmente a “moda” da madeira nos vinhos já é coisa do passado. “O paladar do consumidor evoluiu e hoje em dia está em busca de vinhos com alma, sem aditivos. Por isso, só incluímos o SO2 antes do engarrafamento. Zero Madeira. O que importa é a qualidade e a expressão da uva”, destacou a enóloga. Esses são alguns dos conceitos que norteiam todos os rótulos da empresa, além da alta qualidade e produção limitada.

RÓTULOS DEGUSTADOS 

Faces Brut Rosé: Com selo dos Jogos Olímpicos 2016, 100% Pinot Noir, esse espumante possui coloração Salmão, inspirada na Provence. Produzido em tanques de aço inox de temperatura controlada (método Charmat), o vinho conta com 8 g/l de açúcar, ou seja, o limite entre a classificação Brut e Extra-Brut. Redondo, frutado e agradável, combina com diversos pratos e estilos de paladar. 

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Dádivas Chardonnay 2014: de coloração amarelo claro, com reflexos dourados, o vinho demorou um pouco a abrir, mas nos brindou com aromas de maçã verde, pera, abacaxi e um fundo de mel. Muito fresco, conta, ainda, com toque mineral. 

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Agnus Malbec 2014: um vinho que, em minha opinião, não fica devendo nada aos Malbecs argentinos. Vermelho-Rubi com reflexos violáceos, libera aromas de ameixa, amora e violetas. Redondo, com taninos macios, foi uma boa abertura para os demais tintos que estavam por vir. 

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Alguns dos rótulos degustados

Maia (2014): o rótulo deste vinho é um charme. Um bigodão, lindo!  O vinho é um corte de Merlot e Ancellotta. 

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Coletânea (2008): Com selo das olimpíadas Rio 2016, o vinho é um corte de 5 uvas (Tempranillo 60%, Cabernet Suavignon 15%, Alicante 15%, Merlot 5% e Cabernet Franc 5%). Cereja, café, ameixa, couro, avelã, tabaco, alcaçuz e chocolate. Muito bom!

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Singular Teroldego (2010): Nunca havia provado um vinho com esta casta e gostei muito. De coloração rubi intensa, possui aroma de frutas negras maduras e especiarias. 

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Singular Nebbiolo (2011): Estávamos comentando durante a degustação que esse é um verdadeiro “Barolo” brasileiro. Frutas silvestres, como pitanga e cereja e compota. Retrogosto persistente e taninos maduros e redondos. Um espetáculo!

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Lidio Carraro Tannat (2008): Sem dúvida, o ponto alto da noite ficou para o final. Considerado um dos melhores tannats do Brasil, quiçá do mundo, foi uma ótima surpresa sobretudo para mim, que não tenho a tannat entre as minhas castas favoritas. Ameixa, mirtilo, café, chocolate… Tudo isso sem passagem por madeira. Sem dúvida, uma obra prima. 

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Outra coisa que a Mônica falou e achei super interessante é que na Lidio Carraro não há pirâmide de produção, ou seja, a segmentação dos vinhos é horizontal. Cada linha possui características particulares para o que se propõe. Porém, sobretudo para o meu paladar, alguns vinhos me emocionaram mais que outros, certamente em virtude destes aspectos.

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Enfim,  espero que vocês tenham sentido um pouquinho do que foi o evento, mesmo que virtualmente. Em pleno Dia do Amigo, conheci gente nova em torno da nossa bebida favorita. Ou seja, tudo de bom!

Boa quinta! Tim-Tim!

 

Que Tal Criar a Sua Própria Confraria?

Pelo menos para nós, enófilos, há poucos prazeres na vida como o de reunir os amigos em torno de garrafas de vinho. Seja para falar sobre a vida, contar piadas ou simplesmente conversar sobre o nosso amado néctar de Baco.

CONFRARIA

A palavra confraria é resultado da junção do prefixo latim “Cum”, que significa junto, com o termo “Frater”, que quer dizer “irmão”.

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Nada como reunir amigos de longa data para degustar vinhos

HISTÓRICO

As Confrarias existem desde a Idade Média, quando reuniam religiosos em torno de práticas místicas e proteção social. Possuíam sempre um brasão, símbolo ou escudo, um santo como devoção e princípios compartilhados no grupo. Sempre tiveram a ideia de agregar as pessoas para dividir interesses e objetivos em comum.

Na Europa, as Confrarias de Apreciadores de Vinhos são supertradicionais. Uma das mais conhecidas é a Confrérie des Chevaliers du Tastevin, da Borgonha (ela aparece no filme “Um Ano na Borgonha”, lembram?). Ela reúne alguns dos maiores conhecedores de vinho do mundo e seus confrades se encontram no Chateau de Clos de Vogeot, um belo castelo francês. Os membros do “clube” usam uma espécie de uniforme e medalhas de honra. Da mesma forma, os confrades portugueses da Confraria dos Enófilos da Bairrada, que oferecem anualmente um banquete para seus novatos, no Palace Hotel do Bussaco, patrimônio arquitetônico do século XIX.

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COMO MONTAR A SUA PRÓPRIA CONFRARIA?

Antes de tudo, se o intuito é o de simplesmente chamar alguns amigos para beber, basta convocar a galera e rachar as bebidas. Pode ser até no restaurante ou bar mais próximo. Agora, se o seu objetivo for o de reunir quem realmente aprecia vinhos, curte degustar e falar sobre a bebida, aí sim, eu encorajo muito a criação de uma confraria. Afinal, ela nada mais é que um grupo de degustação. 

ELEJA UM GRUPO:

Sabe aqueles amigos que compartilham com você o mesmo gosto por vinhos? Que tal chamá-los para fazer parte da sua confraria? Pode ser através de um convite original, como por exemplo, um pergaminho no estilo da idade média. Se quiser algo mais prático, faça uma lista de e-mails ou um grupo no Whats app. Assim, vocês poderão se comunicar mais facilmente e agendar os futuros encontros. Para começar, de 6 a 8 pessoas já é um bom número. Aí, com o tempo, aos poucos, outras pessoas serão agregadas.

TAÇAS: 

É o primeiro investimento real para um grupo que está começando. Como já falamos por aqui, as taças ISO são as de melhor custo-benefício, sobretudo porque servem bem a tintos e brancos. São aquelas taças menores, usadas por sommeliers em suas degustações. Que tal se cada membro adquirir um pack com, no mínimo, 4 taças? Já é um ótimo começo, visto que cada participante utilizará mais de uma delas durante as degustações.

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SELECIONE OS VINHOS:

Aqui a ideia é que cada membro adquira uma garrafa de vinho para contribuir com os encontros de degustação. Como falamos no post de celebração com vinhos, uma sugestão é a de criar encontros temáticos, como por exemplo, “Vinhos do Velho Mundo”, “Vinhos do Novo Mundo”, “Dia da Uva Malbec”, “Dia da Pinot Noir”, “Vinhos Italianos”, “Dia do Champagne”, “Dia do Prosseco” e por aí vai….Sendo assim, cada um compra a sua garrafa seguindo a linha do estilo do encontro e o que vocês combinaram.

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COMIDINHAS:

Como ninguém degusta vários vinhos a seco, sugiro que o responsável por cada encontro providencie petiscos ou até organize um jantar harmonizado de acordo com os vinhos escolhidos para a noite.

PARA CADA ENCONTRO, UM ANFITRIÃO:

Outra ideia bacana na confraria é a de que cada encontro seja realizado na casa de um dos confrades. Assim, todos poderão exercitar a arte de receber. Eu adoro organizar eventos aqui em casa e surpreender meus convidados.

APÓS A DEGUSTAÇÃO:

Após a degustação, cada membro do grupo pode dar uma nota (de 0 a 5 ou de 0 a 10). Em seguida, os resultados serão apurados e os melhores vinhos da noite, então, revelados. Nessa hora, pode haver surpresas, como por exemplo, descobrir que o melhor exemplar também foi o mais barato. Os piores rótulos também serão catalogados, junto com seus devidos comentários.

TIPOS DE DEGUSTAÇÃO:

  • Vertical:  é a comparação entre diferentes safras de um mesmo vinho. A ideia é entender as diferenças e a evolução do vinho ao longo do tempo.
  • Horizontal: comparação entre vinhos assinados por vários produtores, na mesma safra. Comparação normalmente feita selecionando- se regiões produtoras ou uvas comuns.
  • Reconhecimento: elaborada para identificar e reconhecer o tipo e a origem. Busca distinguir características ligadas à tipicidade do vinho.
  • De Idoneidade: degustação para confirmar as características anunciadas pelo produtor.
  • Harmonização: degustação de vinhos combinados com pratos à base de aves, carne, frutos do mar, entre outros ingredientes.

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Então? Gostou da ideia de fundar sua própria confraria? Você já tem um grupo de degustação? Há quanto tempo se reúnem? Conta para mim a sua história e publicaremos a foto de vocês na nossa Fanpage, no Facebook.

Bons encontros e ótimos vinhos!