Notas de Prova: O Maravilhoso Corcéis Tannat, da Vinícola Helios

Gente, até que enfim provei a amostra do famoso Corcéis Tannat 2010, que recebi da Vinícola Helios. E vou falar uma coisa aqui para vocês: o rótulo superou as minhas expectativas e olha que eram muitas, pois toda a galera do vinho já tinha me intimado a experimentar o Corcéis.

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RÓTULO LINDO

Eis um fato sobre mim que só os amigos íntimos sabem – Sou apaixonada por cavalos! E isso desde que conheci o marido, há quase 20 anos atrás. Afinal, desde criança ele já mandava muito bem nas rédeas. Por isso, durante esse tempo, tive a oportunidade de conhecer e interagir um pouco mais com esses animais fantásticos.

 

E o rótulo do Corcéis traduz totalmente essa ideia de espírito livre e selvagem que só têm os cavalos ainda jovens, que precisam ser domados, ou seja, “amansados”, como o pessoal diz. Ou seja, o rótulo é muito bonito e elaborado com muito esmero pela vinícola.

Como já falei por aqui, os vinhos da Helios têm seus nomes inspirados na mitologia grega. O Corcéis, seria o 4º rótulo dessa trajetória.

O número 4 ficou representado pelo vinho Corcéis Tannat. Percorria o cosmo num carro de fogo ou numa taça gigantesca de incrível velocidade, porque era puxada por Quatro fogosos corcéis: Pírois, Eóo, Éton e Flégon.

NOTAS DE PROVA

VISUAL: Rubi-escuro, com reflexos granada. 

OLFATIVO: O início é bem frutado, com nuances de framboesa, mirtilo, ameixa, entre outros frutos vermelhos e negros. Em seguida, entram notas de chocolate e baunilha, acredito que devido ao amadurecimento em barricas de carvalho. Porém, a madeira é bem sutil, pouco se nota. 

GUSTATIVO: Em boca, possui ótimo equilíbrio entre álcool, acidez e taninos. Sabe aquela sensação de boca limpa, que só uma boa adstringência proporciona? Então! É bem típica do Tannat e exatamente o que eu esperava desse rótulo. Possui final redondo e ótima persistência (contei 7 segundos). 

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HARMONIZAÇÃO: É um vinho que pede gordura e pratos substanciais. Acompanha superbem um bom churrasco, com direito a linguiça, costela e aquela picanha suculenta. Porém, também pode ser o par perfeito para carnes de caça, como cordeiro, javali, entre outros exemplares mais exóticos. 

A VINÍCOLA HELIOS

Criada em 2014, a Helios é uma empresa jovem, mas com objetivos bastante ousados, visto que pretende se tornar uma das cinco principais marcas de vinhos finos nacionais. Isso mesmo! A Helios é uma vinícola brazuca, sediada em Monte Belo do Sul (RS), com parcerias comerciais nas regiões Sul e Sudeste do país, com destaque para as cidades de São Joaquim (SC) e Guaporé (RS).

Mais do que produzir vinhos, a Helios deseja estar associada a todos os momentos inesquecíveis daqueles que apreciam um bom fermentado. Afinal, vinho é celebração, estar junto e misturado!


Resumo da ópera: esse VINHO TEM PODER! É do tipo que chega chegando e, ao mesmo tempo, encanta o paladar. Quero repeteco sim! Aliás, o amigo Marcelo Rebouças, da Cave Nacional, vende esse vinho tanto na loja virtual quando em seu Restobar, em Botafogo. Vale juntar os amigos para degustá-lo, pois não decepciona!

FICHA TÉCNICA DO CORCÉIS TANNAT 2010

ORIGEM: Guaporé – Serra Gaúcha – RS.

PRODUTO: Helios Corcéis Tannat.

SAFRA: 2010.

TIPO DE UVA: 100 %Tannat.

GRAU ALCOÓLICO: 13,0%.

ALTITUDE: 710 metros.

CLIMA: Temperado.

SOLO: Profundo, argiloso-arenoso e fértil.

SISTEMA DE CONDUÇÃO: Tipo “Y”.

PRODUÇÃO: 3,0 kg por planta (vinhedos pastoreados por ovelha).

ÉPOCA DA COLHEITA: Fevereiro de 2013.

COLHEITA: Manual com seleção de cachos.

DESENGACE: Seleção total da uva.

FERMENTAÇÃO: Aço inox com controle de T°C.

MACERAÇÃO: Longa (3 semanas).

BARRICA: 12 meses carvalho francês.

ENGARRAFADO: Julho de 2014.

NÚMERO DE GARRAFAS: 2.000 garrafas.

LOTE: 01.

ESTILO: Vinho tinto concentrado de bom potencial de guarda.


Enoamigos, se você é fã de Tannat e nunca provou um genuinamente brasileiro, indico fortemente esse rótulo, pois vale muito à pena.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

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Olá, Muito Prazer! Chenin Blanc!

Acreditem, os vinhos brancos andam super na moda ao redor do mundo. E, embora as críticas tenham girado mais em torno dos tintos, é fato que os brancos vêm organizando uma revolução silenciosa nos últimos anos, quebrando preconceitos e encantando um número cada vez maior de apreciadores devido ao estilo seco e fresco de grande parte de seus rótulos. Ou seja, provocam o mesmo prazer de uma cerveja gelada, porém, sem aqueles quilos de carboidratos vilões da boa forma (rs).

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DÊ UMA CHANCE PARA OS VINHOS BRANCOS

São inúmeros os benefícios dos vinhos brancos, entre eles o fato de que são tipicamente mais leves em álcool, ao passo que combinam com uma variedade enorme de alimentos, além de serem bem mais acessíveis que o vinho tinto, em termos de qualidade. E, em meio a rótulos de Chardonnay e Sauvignon Blanc, superdisponíveis, um branquinho têm chamado a atenção de grande parte dos White Lovers ao redor do mundo: o Chenin Blanc!

MUITO PRAZER, CHENIN BLANC!

A casta Chenin Blanc é cultivada em todo o mundo, mais notavelmente na região francesa do Vale do Loire e na África do Sul. O que impressiona nessa variedade, sem dúvida, é a diversidade de estilos, sendo que vai desde espumantes até dourados néctares doces (de sobremesa) e conhaque.

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Na África do Sul, por exemplo, a Chenin Blanc é a uva branca mais plantada e, nos últimos anos, os produtores investiram um grande esforço para fazer com que o Chenin sul-africano possa competir de igual para a igual com os melhores do mundo. O bacana da história é que, embora a África do Sul esteja elaborando exemplares incríveis de Chenin Blanc, sobretudo de vinhedos antigos, os preços ainda são bastante competitivos. Ou seja, trata-se de rótulos com ótimo custo-benefício. 

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CHENIN BLANC NO VALE DO LOIRE

Na fria região do Vale do Loire, na França, o amadurecimento da Chenin Blanc pode ser tão desigual, que às uvas geralmente são selecionadas à mão em sucessivas passagens pelas vinhas.

As uvas menos maduras constituem uma ótima base para vinhos espumantes. Já as uvas mais maduras são utilizadas em estilos ricamente aromáticos, ao passo que aquelas retiradas no final da época da colheita estão muito maduras ou afetadas pela podridão nobre, fungo que desidrata e concentra os açúcares das uvas, dando origem a ricos sabores de geleia de laranja, gengibre e açafrão. Estas uvas de colheita tardia vão para os famosos vinhos doces da região, como os das DO’s Quarts de Chaume e Bonnezeaux.

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HARMONIZAÇÃO

Um bom Chenin Blanc, sobretudo os dos estilos espumante, seco e aromático, combina com Frutos do Mar, Frango ou Peru. Presunto e Bacon também são ótimas ideias para harmonizar com esses vinhos.

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BORA DEGUSTAR UM CHENIN BLANC!

Ficou curioso para conhecer o Chenin Blanc? Então, a sua lição de casa será escolher um estilo deste vinho e saboreá-lo em grande estilo. Veja algumas ideias:

  • ESPUMANTE: Brut (seco) ou Demi-Sec (frutado e seco) são os principais estilos. Você pode optar por um Methode Traditionelle Vouvray da França ou um Cap Classique da África do Sul.

  • SECOS: Em Vouvray, os estilos secos são rotulados como “Sec” e na África do Sul, você geralmente encontrará um indicador de doçura no rótulo traseiro. Esses vinhos costumam ser leves e minerais.

  • AROMÁTICOS: Eis um estilo exuberante de Chenin, que cheira a buquê de flores e pera recém-cortada. Sem dúvida, é o mais popular em todo o mundo. Em Vouvray, os produtores costumam usar as palavras “Tendre” para indicar esse estilo.

  • NÉCTAR DE OURO: Trata-se do mais doce estilo de vinho de sobremesa, que pode ser encontrado principalmente no Vale do Loire, na França, incluindo as regiões do Côteaux du Layon ou vinhos rotulados como “Moelleux” da Vouvray.


Então é isso, enoamigos! o mundo do vinho é muito vasto, por isso, permita-se sempre! Prove vários estilos e se entregue por completo. Afinal, a paixão pelo nosso néctar dos deuses vai muito além de uma taça de tinto.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Consulta e referência: Wine Folly, Vinhos do Mundo Todo

Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego

Na última sexta-feira estive no Restaurante Terra Brasilis, na Urca, a fim de conhecer um pouco mais sobre os vinhos da Vinícola Vaeni Naoussa, um dos maiores grupos de produtores de vinhos da Grécia.

Sim, a Vaeni controla a maioria dos vinhedos na área de Naoussa que, de acordo com mitologia grega, foi o berço do deus Dionísio, nosso amado Baco, símbolo do vinho até os dias de hoje.

Continuar lendo “Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego”

Vinho Verde Wine Fest: Um Néctar Com a Cara do Brasil

Na última sexta-feira, dia 26 de maio, estive no Vinho Verde Wine Fest. Realizado no Iate Clube do Rio de Janeiro, o evento foi uma verdadeira homenagem ao caldo português que, na minha opinião, é um dos que mais combina com o nosso clima. E não falo só de calor! Sem dúvida, os Vinhos Verdes têm super a ver com a alegria e descontração do público brasileiro.

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E foi uma profusão de gente bonita por todos os lados, que apreciou Loureiros, Arintos e Avessos em todo seu esplendor e delícia!

Entre os produtores e distribuidores presentes estavam Abrigueiros – Casa da Senra, Adega de Monção, Agri-Roncão – Quinta de Linhares, Aveleda, Campelo, Enoport United Wines, PROVAM, Quinta & Casa das Hortas, Quinta da Lixa, Quinta das Arcas, Quinta de Carapeços, Quinta de Lourosa, Soalheiro, Solar de Serrade, Vercoope e Viniverde/Adega Ponte da Barca.

WINE FEST MARCADO POR MUITA ALEGRIA E DESCONTRAÇÃO

Logo na chegada, encontrei meu amigo Fernando Lima, do Blog Vinhos com Fernando Lima, que me apresentou suas amigas, enófilas supersimpáticas com as quais fiz logo amizade. Recebemos óculos escuros de armação verde que eram simplesmente a cara do clima de descontração que tomou conta da feira.

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Com Luciana Paes Leme, uma das amigas que conheci através do Fernando Lima.

Já que estava cedo, visitamos os stands com toda a calma e conversamos com representantes e produtores. Confesso que me surpreendi com muita coisa! Aliás, muito do que eu conhecia dos vinhos verdes (que na verdade não são verdes e sim elaborados com castas provenientes da Região portuguesa dos Vinhos Verdes) correspondia aos rótulos mais conhecidos e distribuídos aqui pelo Brasil. Ou seja, amei ter contato com as novidades em varietais e vinícolas.

ÓTIMAS SURPRESAS ENGARRAFADAS

Como boa apreciadora dos Rosés portugueses, adorei tudo o que provei do estilo, com destaque para o rótulo da Quinta de Lourosa, primeiro stand que visitei.

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Aliás, a própria enóloga da Quinta estava lá e me contou sobre a expressão dos vinhos, sendo que o que me chamou mais a atenção foi um Alvarinho com 13% de teor alcoólico, algo raro em se tratando de vinhos verdes, que costumam ter entre 8 e 11%. “As uvas dessa safra amadureceram além do normal, devido ao clima mais ensolarado. E todo o açúcar se transformou em álcool durante a fermentação”, explicou ela. 

Outra surpresa ficou por conta do famoso Soalheiro Alvarinho Reserva, distribuído pela Importadora Mistral. Possui corpo e complexidade, com um toque discreto de carvalho. Por falar em Alvarinho, ela é a varietal mais célebre da região, justamente por dar origem a caldos mais estruturados.

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Entretanto, os vinhos verdes mais leves também tiveram seu lugar de destaque no evento. Inclusive, segundo minha amiga Marcela Lima, esses são os exemplares que mais combinam com seu paladar. E, na minha opinião, vão superbem geladinhos, na beira da piscina, de preferência como acompanhamento para uma bela porção de bolinhos de bacalhau. Nada mais português e brazuca ao mesmo tempo!

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Clima de descontração total!

No quesito vinhos leves, entre os que mais me chamaram a atenção estavam o meu queridinho Acácio e o Terra de Camões, ambos de ótimo custo-benefício. Porém, entre os leves, amei muito a linha Estreia, distribuída pela Adega Cooperativa Ponte da Barca.

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O do rótulo Estreia verdinho, feito com Loureiro, Trajadura e Arinto foi o meu favorito! O Rosé deles (Vinhão, Borraçal e Espadeiro) também não decepcionou. Já tinha me deparado com esses rótulos à venda no supermercado Pão de Açúcar e por pouco não comprei para experimentar. Estou até agora pensando o que eu tinha na cabeça para não ter levado nem uma garrafinha.. rsrsr.

SHOWCOOKINGS E “CONVERSAS COM VINHO”

E o Wine Fest de sexta contou, ainda, com 2 Showcookings e 3 Conversas Com Vinho. Infelizmente não pude acompanhar todos eles, devido aos horários disputadíssimos.

Contudo, tive a sorte de acompanhar o Showcooking da Chef Ellen Gonzalez, do Restaurante Miam Miam. Ela explicou para a gente como fazer camarão empanado com chutney de manga e sorvete de coentro. Um prato que harmoniza muito com o Vinho Verde, estrela do evento. Aliás, foi o melhor chutney de manga que já provei na vida. Sem falar que a Chef é simpatica e muito solícita. Uma fofa!

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Showcooking com Ellen Gonzalez, do Miam Miam

Logo depois, dei uma conferida no “Conversa Com Vinho” com o Professor Euclides Penedo Borges, da ABS-RJ. Já disse por aqui que sou profunda admiradora do trabalho dele. Afinal, o cara é uma inspiração quando se trata de harmonização entre vinho e comida, tanto que o mesmo falou sobre “Vinhos à Mesa”, demonstrando o quanto os vinhos verdes são gastronômicos. Muito bacana!

O evento contou, ainda, com música ao vivo (um sambinha delícia), além de Food Truck na entrada, que nos brindou com pratos inspirados na culinária lusitana. A feira foi organizada pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

Enfim, o Vinho Verde Wine Fest de sexta foi um tremendo sucesso, que se repetiu no sábado, quando contou com 3 Master Classes. O Vinho Verde é uma marca internacional que se refere a todos os vinhos produzidos no noroeste de Portugal, uma das regiões mais antigas do país, existente desde os tempos dos romanos.

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São vinhos em sua maioria leves e jovens, com a cara do público brasileiro e carioca. Quer saber mais sobre os Vinhos Verdes? Então dá uma olhada nesse artigo que escrevi sobre eles, no último verão. 

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vinho Verde Wine Fest: www.vinhoverdewinefest.com.br 


Robert Parker: Quem Degusta e Pontua os Vinhos Para o Maior Crítico de Todos os Tempos

Seja profissional do mundo do vinho ou enófilo convicto, provavelmente você já deve ter ouvido falar nessa figura folclórica chamada Robert Parker, nem que seja nos pequenos selos de garrafas expostas nas vitrines de sites e lojas especializadas. Pois bem, enoamigos, simplesmente ele é o cara que inventou o sistema de pontuação e classificação de vinhos que conhecemos hoje em dia e já foi copiado por inúmeros outros críticos e publicações ao redor do mundo.

COMO TUDO COMEÇOU

Até 1983 Robert Parker era apenas um advogado e autor de uma pequena newslettler  de vinhos que circulava nos arredores da cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, chamada Wine Advocate. Nesse mesmo ano, Parker, confiando em sua capacidade sensorial, arriscou-se a afirmar que a 1982, em Bordeaux, seria a safra do século e que nenhum colecionador ou enófilo sério deveria perder a oportunidade de ter pelo menos alguma daquelas garrafas na adega.

Mais do que isso, Robert Parker ousou peitar Robert Finigan, o escritor de vinhos mais importante da época. Segundo Finigan, a safra de 82 em Bordeaux tinha tudo para ser um grande fiasco, dando origem a vinhos com baixa acidez e pouca capacidade de maturação frente a exemplares de safras anteriores.

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Robert Parker

Resultado do embate: Finigan se deu mal e os poucos seguidores de Parker se deram muito bem! Afinal, sabemos que a safra de 1982 foi realmente excepcional, valorizando ainda mais os seus vinhos até os dias de hoje. Após o episódio, muita gente decidiu adquirir as garrafas indicadas por Parker, sobretudo em virtude da taxa de câmbio favorável daqueles anos. 

Daí para o estrelato foi um pulo! Rapidamente, os apreciadores de vinhos passaram a considerar Parker um cara antenado, com habilidades que não poderiam ser subestimadas, capaz de prever de onde viriam as garrafas mais preciosas. Até hoje, os vinhos bem-pontuados pelo crítico se tornam valorizados e famosos no mercado – objetos de desejo de ricaços e colecionadores.

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Muito se fala sobre o fato de o gosto pessoal de Robert Parker ter moldado uma preferência mundial, sobretudo por vinhos mais potentes e com forte presença de madeira em suas nuances. Para mim, atualmente, há vinhos para todos os gostos e o que realmente deveria ser levado em conta é o que cada um gosta. Mas isso já é assunto para outro artigo..rs.

A EQUIPE DE PONTUADORES DE PARKER

Desde 2015, uma equipe de críticos foi formada para ajudar Robert Parker a pontuar seus vinhos. Afinal, as regiões vinícolas do mundo crescem cada vez mais (que bom!) e Parker teria que se desdobrar para dar seu parecer, tendo em vista tantos caldos interessantes. Porém, isso não significa de maneira alguma que o crítico vai pendurar as chuteiras, muito pelo contrário. Parker quer ter tempo para se dedicar ainda mais à avaliação dos vinhos de Bordeaux, sua grande paixão, sobretudo a evolução das safras mais antigas.

Sem falar que “terceirizar” suas opiniões acaba por dar chance para os críticos da nova geração mostrarem suas habilidades e conquistarem suas próprias reputações.

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Vejamos quem é a turma de Parker e os responsáveis por avaliar cada grupo de vinhos:

  • Robert Parker: Pontua os vinhos de Bordeaux e do norte da Califórnia.
  • Neal Martin: Um dos braços direitos de Parker, pontua Bordeaux, Borgonha, Oregon, África do Sul, Sauternes, Madeira e Tokay.
  • Jeb Dunnuck: Pontua os vinhos do Rhône, Provence, Languedoc Roussillon, Washington e Califórnia Central.
  • Luis Gutierrez: Pontua os vinhos da Espanha, Argentina, Chile e Jura.
  • Lisa Perrotti-Brown: Pontua os vinhos da Austrália e Nova Zelândia.
  • Stephan Reinhardt: Pontua os vinhos da Alemanha, Áustria, Suíça, Alsácia, Champagne e Valle do Loire.
  • Monica Larner: Pontua os vinhos da Itália.
  • Mark Squires: Pontua os vinhos de Portugal, Grécia, Israel, Líbano, Bulgária, Eslovênia, Croácia, Romênia, Sérvia e Costa Leste dos Estados Unidos.

Eu sempre tive a curiosidade de saber um pouco mais sobre essa figura lendária que representa Robert Parker no mundo do vinho e acredito que vocês também, sobretudo porque os vinhos brasileiros ainda não são avaliados por sua equipe (espero que sejam em breve, afinal, é inegável a qualidade do néctar em nosso país).

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Estudo Comprova Que Degustar Vinhos Estimula Mais o Cérebro Que Matemática

O ato de degustar um vinho é bem mais complexo do que a gente imagina. Afinal, há uma série de processos cerebrais, sensoriais e motores envolvidos ao longo desse verdadeiro ritual que todos nós, enófilos, conhecemos tão bem.

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Trata-se de um processo longo, que se inicia desde a escolha da garrafa até o momento em que levamos a bebida à boca. E tudo isso foi comprovado por um estudo conduzido pelo Dr. Gordon Sheperd, neurocientista da Universidade de Yale. “Todos esses processos juntos envolvem mais atividade cerebral que ouvir música ou resolver complicados problemas de matemática”, explicou Sheperd, em seu livro “Neuroenologia: Como o Cérebro Cria a Degustação de Vinhos”.

DEGUSTAÇÃO DE VINHOS É COMO GINÁSTICA PARA O CÉREBRO

O livro do Dr. Sheperd explora todos os processos neurológicos complexos que fazem parte da degustação de vinhos.

A partir do momento em que se visualiza o líquido na garrafa e, em seguida, na taça, até a interação da bebida na boca, incluindo os movimentos da mandíbula, língua, diafragma e garganta, as moléculas do vinho estimulam milhares de receptores olfativos e gustativos. “Ao enviar um sinal de sabor para o cérebro, é desencadeada uma resposta cognitiva maciça que implica no reconhecimento de padrões, memória, juízo de valor, emoção e prazer”, disse o Dr.Sheperd.

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Todas essas conclusões vieram à tona após outro estudo, documentado pela Revista Fronteiras da Neurociência Humana, publicado em setembro do ano passado. Segundo esse estudo, os cérebros de Masters Sommeliers eram fisicamente mais espessos em virtude da agilidade mental que desenvolveram ao longo de suas carreiras. Ou seja, o estudo contatou com que a prática diária de degustar vinhos realiza uma verdadeira ginástica cerebral.


Enoamigos, volta e meia me surpreendo com esses estudos que atestam cada vez mais que o vinho é sim uma das bebidas mais saudáveis existentes no planeta. E para sentir todos esses benefícios, nada melhor que degustar uma bela taça!

Até a próxima! Ótimos Vinhos! Tim-Tim!

Referência: Decanter.com

Beaujolais Brasileiro: Miolo Gamay Noveau 2017

No último dia 17 de abril, uma chuvosa segunda-feira, estive presente no lançamento da primeira safra de 2017 do Grupo Miolo, o já tradicional Gamay Noveau. O encontro foi intimista e rolou no Lorenzo, um aconchegante bistrô carioca, situado no bairro Jardim Botânico.

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O clima foi descontraído, assim como o vinho, um tinto fresco e leve, servido a uma temperatura média de 10ºC, ideal para o nosso clima. Talvez seja por isso que nem me surpreendi quando o próprio Alexandre Miolo nos revelou que o Rio de Janeiro é o segundo estado brasileiro que mais consome o Gamay da vinícola, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul.

E, enoamigos, preciso falar: um produto brasileiro que não perde para nenhum Beaujolais legítimo! Leve, jovem, aromático e com 11% de teor alcóolico, é perfeito para acompanhar um bom bate-papo regado a queijos. Se for um Emmental, então, melhor ainda! (sugestão do Daniel, enólogo da vinícola).

CONCEITO BEAUJOLAIS NOVEAU

Como já mencionei para vocês, o vinho segue o conceito  francês ‘beaujolais nouveau’, que marca na França e em mais de 200 países a chegada da nova safra. Também de inspiração francesa é seu modo de elaboração através do processo de maceração carbônica, utilizado na região do Beaujolais (que sim, faz parte da Borgonha.), o que confere um sabor único e irresistível ao vinho.

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Fomos buscar na arte contemporânea as cores e formas para festejarmos o primeiro vinho da safra! Elaborado com as uvas da variedade Gamay, é excelente para harmonizar com peixes, carnes e queijos. Como é leve e fresco, também é perfeito para embalar um final de tarde entre amigos, explica Adriano Miolo, superintendente do grupo.

O Gamay Nouveau da Miolo já se tornou uma tradição, visto que é produzido em todas as safras desde 1994 (quando era apenas um Gamay da Linha Reserva). No início, o vinho era elaborado no próprio Vale dos Vinhedos, mas depois de um tempo, a sua produção foi direcionada para o terroir da Miolo na Campanha Gaúcha (onde se localiza o projeto Quinta do Seival, com castas portuguesas), uma região que tem chamado a atenção por seus fermentados de expressão bem interessante. 

EDIÇÕES ANTERIORES

Apesar do Gamay ser produzido pela Miolo desde 94, foi em 2008 que ele recebeu ares de Noveau, visto que foi nesse ano que a vinícola passou a realizar os lançamentos, com direito a belos rótulos de autoria de artistas renomados. Em se tratando de um vinho com produção limitada de garrafas, arrisco dizer que são verdadeiras peças decorativas, coisa de colecionador mesmo. Lindas de viver!

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A safra 2017 é igualmente bela, inspirada na arte contemporânea. Contudo, desta vez a Miolo deixou o rótulo a cargo de uma agência. E, sim, ficou igualmente lindo e expressou exatamente o frescor desse vinho, que deve ser bebido jovem, de preferência no ano da colheita.

VINIFICAÇÃO: MACERAÇÃO CARBÔNICA

Muitos de vocês já devem ter ouvido falar do método de Maceração Carbônica, utilizado nos melhores Beaujolais do mundo. Sabe como é? Na maceração carbônica, ocorre a transformação do açúcar contido nas uvas inteiras – ou seja, não esmagadas – em álcool sem a ação de leveduras. Cachos inteiros de uvas são dispostos no tanque de fermentação, tomando-se o cuidado para que as frutas não estejam partidas, não estejam com sua pele rompida. No Miolo Gamay Noveau, a “primeira fermentação” em maceração carbônica dura de 5 a 7 dias.

Após a maceração, a Prensagem é realizada em prensa pneumática, com as uvas inteiras. – O vinho flor e o vinho prensa fazem juntos a “segunda fermentação” a uma temperatura controlada de 18 a 20°C, em tanque de aço inoxidável.

Em seguida, há uma Fermentação malolática espontânea, seguida de  Filtração e estabilização tartárica a frio. Para ser Noveau, ele deve ser engarrafado logo em março. Por isso, o lançamento em todo o país se dá normalmente no período da Páscoa.

NOTAS DE PROVA

Então, pessoal! Fiz uma degustação rápida, com meu caderninho em mãos, para vocês terem uma ideia do que estou falando sobre esse vinho, que foi uma surpresa superpositiva. Vamos lá!

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  • Visual: Vermelho-rubi médio, com reflexos violáceos.

  • Olfativo: Frutas vermelhas, com destaque para morangos, framboesas e cerejas. Há uma nuance de banana, própria da maceração carbônica. Porém, é bem discreta e só é notada após a explosão de frutos vermelhos que antecede.

  • Gustativo: Na boca, é leve e pouco tânico, desce fácil e tem final bem agradável, sendo que as frutas vermelhas também estão bem presentes. Maravilhoso!


Então é isso, enoamigos! O Miolo Gamay Noveau 2017 já está à venda nos supermercados e melhores lojas do ramo. Ou, então, se preferir, aqui na loja virtual da própria vinícola.

Sabe aqueles dias de meia estação, nem calor nem frio? São perfeitos para o Gamay Noveau! Ou seja, já o elegi como o vinho oficial do outono aqui em casa.

Até a próxima! Ótimos Vinhos! Tim-Tim!

Referências: Fotos de autoria de Chico Cineasta (Vinhos Pelo Mundo)