Wine Tour Chile: Vinhos Que Expressam Um Terroir Único

Desde que decidi o roteiro das próximas férias tenho mergulhado de cabeça em pesquisas sobre o vinho chileno. Afinal, como boa enófila e estudiosa do assunto, quero chegar lá superafiada sobre a região. Por isso, quando se trata de elaborar os meus roteiros, nada como deixar tudo documentadinho aqui no Vila. Bom para mim e para vocês que estão prestes a embarcar nessa viagem comigo.

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O MICRO-CLIMA CHILENO

Basta dar uma olhada geral em torno das regiões vinícolas nos arredores de Santiago para se ter uma ideia do que nos aguarda. O micro-clima chileno é muito determinante na expressão de seus vinhos. No Vale do Maipo, a 1 hora de distância da capital, temos, por exemplo, a imponente Concha Y Toro, cujas uvas evoluem facilmente para caldos frutados, satisfatórios e acessíveis.

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Vale do Maipo – Foto: Editora Abril

Lá, as varietais mais típicas são a Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenére, sendo esta última considerada a uva que mais representa o Chile mundo afora. Seus vinhedos foram plantados em 1500, o que faz da região a mais antiga do Novo Mundo quando se trata de produção vitivinícola.

Já o Vale de Casablanca, situado a oeste de Santiago, é mais conhecido pelo clima frio e produção de vinhos brancos. Nessa área, rótulos de Sauvignons Blancs gastronômicos e Chardonnays superelegantes dividem espaço com uma pequena porção de Pinot Noir que se estabeleceram como expressões mais típicas do local.

VALE DO LIMARÍ, COLCHAGUA E A AMPLITUDE TÉRMICA 

Fato que algumas das regiões chilenas mais interessantes estão entre as menos conhecidas, como é o caso do Vale do Limarí. Localizado a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago, esse Vale é hoje uma das mais promissoras regiões de todo o Chile quando o assunto são tintos profundos e, sobretudo, brancos muito especiais.

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Vale do Limarí

O Vale do Limarí é, de certo forma, uma descoberta recente, visto que seus primeiros vinhos foram produzidos há 10, 12 anos e, desde então, muitas das grandes vinícolas chilenas têm “corrido” para aproveitar Limarí, que já é uma sensação quando se trata de vinhos finos. Essa região está bem perto do pacífico em linha reta, mas ainda não é a área mais ao norte do país. Afinal, o Chile é o mais longo do mundo, com extensão de 4.270 quilômetros, sendo que destes, 1.500 correspondem à plantação de vinhas vitiviníferas que vão dos Vales de Elqui e Limarí (ao norte) ao Vale de Malleco (ao sul).

Nessa região temos um dos céus mais claros do mundo para estudos de estrelas, constelações, planetas, entre outros aparatos astronômicos. Possui, ainda, a tradição em reunir curiosos que garantem ser o melhor local do mundo para ver, olhar e sentir os OVNIs (objetos voadores não-identificados).

A Chardonnay é a rainha desse Vale e devido à sua proximidade com o Equador, sobretudo do deserto mais seco do mundo, o Atacama, o Vale do Limarí é surpreendentemente quente e relativamente seco. As duas regiões mais ao norte, Atacama e Coquimbo, por sua vez, se especializaram na produção de pisco, uma das bebidas mais emblemáticas do país.

Quando se dirige ao extremo sul, a região mais conhecida é o Valle do Colchagua. Por estar mais distante da costa, é uma área de clima bem mais quente, produzindo alguns dos principais varietais tintos do Chile. Entre os melhores estão os das castas Cabernet Sauvignon, Carmenère e Syrah, assim como alguns dos melhores Malbecs da América do Sul, capazes de competir com os argentinos do outro lado dos Andes. Trata-se do lar de muitos dos produtores mais notórios do país, incluindo a Casa Lapostolle, Cono Sur, Montes Wines, Mont Gras e Viu Manet, este último dando origem a vinhos de alta qualidade e ótima acessibilidade.

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Vale do Colchagua – Foto: Estadão

Enfim, grande parte da cena do vinho chileno evoluiu por conta da demanda internacional. Por exemplo, a Carmenère já foi uma das uvas cultivadas em Bordeaux e quis o destino que hoje em dia fosse a varietal mais representativas do Chile.

Entretanto, de acordo com dados do app Vivino, a Carmenère representa, por exemplo, apenas 17% do vinho chileno consumido nos EUA, talvez devido a uma grande demanda mundial por Cabernet Sauvignon. Porém, acredito que o mesmo não deve ocorrer aqui no Brasil, onde os chilenos chegam com preços bem acessíveis e incentivos maiores do que os do nosso próprio néctar nacional.

Em meio às minhas pesquisas, já descobri que algumas das regiões mais conhecidas do país são facilmente acessíveis a partir da cidade de Santiago, sendo que a maioria abriga uma grande variedade de uvas tintas e brancas destinadas a varietais e assemblages únicas. Entre elas estão o Vale do Colchagua, Vale Central e Vale do Maipo. Ou seja, tem lugar de sobra para provar e descobrir inúmeros rótulos maravilhosos, tudo numa paisagem única. Mal posso esperar!!

Então é isso, enoamigos! Até a próxima com mais curiosidades sobre o Chile. Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências: People Power, Vivino 

 

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Conheça a Vindima Mais Perigosa Do Mundo

A Ribeira Sacra é a área da Galícia que compreende os rios Sil, Minho e Cabe. Trata-se, basicamente, da região situada entre o sul e o norte da Rodovia Lugo-Orense, na Espanha.

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VITICULTURA HEROICA

Agora, imagine colher uvas em uma encosta com 85% de inclinação, com solo de ardósia e granito? Em seguida, carregar caixas pesadas, promovendo verdadeiras acrobacias com as uvas, esquivando-se das videiras, chegar ao seu destino para aí, então, finalmente, carregá-las em um barco que as transportará para o continente. Sim, é um trabalho arriscado, duro, cansativo.

Ao meu ver, só não é mais perigoso que as vindimas da época da Primeira Grande Guerra, quando os camponeses colhiam suas uvas em meio aos estouros das bombas. 

A paisagem revela pequenos abrigos nas encostas. Neles, algumas famílias repousam nos tempos da colheita. Por essas, até hoje ela é chamada de Viticultura Heroica.

RIBEIRA SACRA E A HISTÓRIA

A região da Ribeira Sacra remonta 2.000 anos, sendo que foram os romanos que plantaram suas primeiras videiras. Em seguida, os monges católicos aprimoraram a técnica. Assim como em outras regiões da Espanha, no século XIX, as videiras foram atacadas pela phylloxera vastratrix – um pulgão que se proliferou como rastilho de pólvora sobre toda a Europa, dizimando tudo à sua volta.

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Anos mais tarde, veio a Guerra Civil. Muitas terras foram abandonadas, pois sobretudo os jovens abandonaram suas aldeias para viver na cidade. Felizmente, no final do século XX, um grande número de moradores retornaram à Ribeira Sacra. Logo, as vinhas floresceram novamente para se tornarem o que são hoje, o pilar da Denominação de Origem de Ribeira Sacra. Hoje, a região conta com  90 vinícolas, que produzem cerca de 4 milhões de litros de vinho.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM DE RIBEIRA SACRA 

De acordo com a sua Denominação de Origem, Ribeira Sacra produz, principalmente, rótulos tintos, embora os brancos também desenvolvam expressões muito interessantes.

A Mencía é a varietal mais cultivada, resultando em vinhos jovens altamente aromáticos e frutados. Os vinhos Mencía são de coloração cereja intensa e brilhante, com reflexos violáceos. De acidez equilibrada, são bem potentes em taninos e teor alcoólico. Entre os rótulos brancos, de produção menor, destacam-se aqueles elaborados com as uvas Godello e Albariño.

Agora, confira algumas imagens desta que é uma das Vindimas mais belas, perigosas e surpreendentes do mundo do vinho.

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Então é isso, pessoal! Achei muito interessante e, antes dessa pesquisa, eu realmente não tinha ideia de como era a Vindima numa região tão íngreme e difícil.

Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2457492/Spanish-fruit-pickers-collect-grapes-precarious-Riberia-Sacra-hills.html

https://okdiario.com/economia/2016/05/27/ribeira-sacra-vendimia-peligrosa-168438

Colheita da Uva: Conheça 17 Festas da Vindima Ao Redor do Mundo

A Vindima é motivo de festa para produtores, colonos, enófilos e sommeliers. Afinal, trata-se do sucesso de mais uma safra que merece ser muito celebrada. Outro dia mesmo estava assistindo ao documentário “Um ano Na Borgonha” e acompanhava os temores dos viticultores pela saúde de suas uvas. O clima, as pragas, enfim, tudo isso é capaz de tirar o sono de muitos deles. Portanto, quando as angústias vão embora a gente tem mais é que comemorar mesmo.

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E é assim em praticamente todas as regiões do mundo onde uvas são produzidas. Há festas imperdíveis e gente que aguarda o ano todo por elas. Dá só uma olhada:

Mendoza (Argentina) – Fiesta Nacional de la Vendimia

Esta celebração tão importante para os argentinos representa o trabalho, esforço, dedicação e paixão de todos os que estão envolvidos com o mundo do vinho.

A primeira festa foi realizada em 1936 e, desde então, acontecia todos os anos, até 1955, visto que em 56 não houve celebração devido a problemas econômicos e a revolução que sacudiu o povo porteño. Depois, continuou em 57 e 58 o que, em 1959 foi denominada “Festa do Vinho”. Em seguida, comemorou-se a Vindima de 1960 a 84. Em 85, novamente a celebração foi cancelada em virtude do terremoto em Mendoza. Ainda bem que de 1986 até hoje a festa é realizada todos  os anos, sem interrupções.

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A Fiesta Nacional de La Vendimia de Mendoza conta com 4 eventos principais: a “Benção dos Frutos”, o “Caminho Branco das Rainhas”, “Carrossel” e o”Ato Central”, sendo esse último o mais representativo e atrativo em nível nacional e internacional, celebrado no teatro grego (anfiteatro) Frank Romero Day, que tem a estrutura redesenhada ano após ano e no qual participam mais de mil bailarinos em seu cenário, além de atores locais, reunindo espetáculos artísticos de luz e sons.

Em 2011, a renomada revista National Geographic elegeu a Fiesta de La Vendimia de Mendoza como a segunda manifestação cultural mais importante do mundo, atrás apenas do “Dia de Ação de Graças”, nos EUA. Além disso, é considerado por seus desfiles, tanto o “Caminho Branco” quanto o “Carrossel”, um dos cinco festivais populares mais importantes do mundo, ao lado do Carnaval no Rio de Janeiro.

Curió (Chile): Fiesta de La Vendimia

A primeira edição da Fiesta de La Vendimia de Curió, no Chile, foi projetada pelo enólogo espanhol Miguel Torres e, sem dúvida, foi a festa que abriu caminho para as mais de 20 celebrações realizadas em todo o país, entre as quais se destacam as do Vale d0 Coalchagua, Vale de Santa Cruz, Vale do Copiapó, entre outras.

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A maioria desses festivais acontecem entre os meses de março e abril, já na fase final da colheita. Entre os destaques estão a eleição da Rainha da Vindima, acompanhada de um show que mistura o folclore local com a música contemporânea, bem como outros eventos tradicionais, como a eleição da madrinha da festa, leilão, pesagem de garrafas de vinho e concurso de “pisadores de uvas”.

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Eleição da Rainha da Vindima no Chile

Uruguai: Festival de La Vendimia

Há 2 anos se realiza o Festival de La Vendimia do Uruguai, sempre no primeiro fim de semana de março. A diferença de outras festividades populares é que nesta só participam as vinícolas associadas à Rota do Vinho e as atividades acontecem simultaneamente nos estabelecimentos pertencentes a esse grupo.

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Porém, alguns dos atrativos mais importantes são as diversas opções de culinária e vinhos, assim como a possibilidade de participar da colheita e pisa das uvas em cada uma das vinícolas associadas.

Perú (Ica): Festival Internacional de La Vendimia

Há 48 anos se celebra esta festa dedicada ao vinho na cidade peruana de Ica. O evento dura aproximadamente 7 dias e acontece durante a primeira semana de março de cada ano.

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Entre as atrações, destaque para a pisa comunitária da uva pelos moradores da cidade que marca o início da festividade. Em Ica, também é eleita uma “Rainha da Colheita”, coroada no final do evento. Além disso, também são realizadas diversas degustações e shows artísticos variados que acontecem durante toda a semana de celebração.

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França (Paris): Fête des Vendanges de Montmartre

Há 75 anos, durante a primeira semana de outubro é realizada essa festividade em Montmartre, bairro de Paris. Mas aí você deve estar se perguntando: Por que em Paris? Por que em Montmartre, quando existem tantas regiões vinícolas fabulosas na França?  Pois é, amigos, tudo isso é simplesmente porque Montmartre possui o vinhedo mais antigo e conhecido da França, que data do século XVI.

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Entre as atrações mais importantes destaca-se um desfile em honra ao deus Baco, encabeçado pelos “Petit Poulbots” (crianças do bairro), tocando diversos tipos de tambores. O desfile acontece pelas ruas da colina de Montmartre e termina na praça principal com um show de fogos de artifício.

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França (Borgonha): Les Trois Glorieuses

Trata-se de uma das festividades mais antigas da França relacionada ao vinho. Iniciada em 1859, acontece todos os anos durante o mês de novembro e dura três dias.

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A atração mais importante acontece no final da festa e se trata de um leilão de vinhos jovens apresentados durante o evento, conhecido mundialmente como o leilão “Hospices de Beaune”, um dos hospitais mais antigos da França e que pratica obras de caridade desde 1443.

Canadá (Ontario): Niagara Wine Festivals

O Canadá possui um forte mercado vitivinícola e, obviamente, também tem a sua festa oficial. O cenário é a cidade de Ontario, onde são realizados 3 festivais: o Niagara Wine Festival, Niagara Icewine Festival e Niagara New Vintage.

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O Niagara Wine Festival é celebrado em setembro. Já o Niagara Icewine Festival acontece em final de janeiro e princípio de fevereiro, coincidindo com a colheita da uva para a preparação do famoso Ice Wine (Vinho de Gelo), que deve estar a cerca de -8ºC. Por último, o Niagara New Vintage Festival rola em junho, época da elaboração da safra do ano.

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Alemanha (Bernkastel-Kues): Weinfest der Mittelmosel

O Weinfest der Mittelmosel é celebrado na cidade de Bernkastel-Kues, na Alemanha, de 30 de agosto a 3 de setembro e marca o início da temporada da colheita na região, sendo a festa vinícola mais importante do sul do país.

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Aqui, a eleição da “Rainha do Vinho” também tem muita representatividade. A partir de 1949 cada região vinícola coroa a sua própria soberana e todas competem ao título nacional (é praticamente um “Miss Alemanha do Vinho”). Cada candidata passa por uma série de avaliações, entre elas, como diferenciar claramente o aroma e sabor de cada uva, seja de vinho tinto ou branco. Ou seja, não basta ser linda. A vencedora ainda tem que comprovar seus conhecimentos viníferos frente às câmeras de TV.

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Na Alemanha, a coroação da “Rainha do Vinho” é um acontecimento seguido com atenção por todo o sul do país. 

Itália (Asti): Vino Douja d’Or

Essa festa acontece há 47 anos em meados de setembro na cidade de Asti, na região italiana do Piemonte. Aqui o destaque fica por conta de um concurso entre os produtores da cidade, que é uma das mais importantes áreas vinícolas da Itália. A celebração termina com uma corrida de cavalos.

 

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Espanha (Valencia): Fiesta de La Vendimia  de Requena

De 20 a 31 de agosto se celebra em Requena (Valencia) a “Feria y Festa de La Vendimia” (Feira e Festa da Colheita). A antiga feira, de origem medieval, a partir de 1947 se associou à festa da colheita.

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A festividade é uma das mais antigas da península ibérica e comemora a produção da uva e do vinho, dois dos principais produtos agrícolas da cidade. A feira, por sua vez, é dedicada à padroeira do lugar, Nossa Senhora das Dores. O evento conta com barraquinhas e atrações organizadas pelos feirantes na principal avenida, a Arrabal.

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Entre as atrações mais populares da festa estão a “Noche de La Zurra”, durante a qual as pessoas percorrem as ruas com odres (antigo recipiente feito de pele de animal, usado para o transporte de líquidos) pedindo por água, que são fornecidas por meio de baldes e mangueiras.

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Há, ainda, a eleição da “Rainha da Colheita”, oferenda de flores e frutas à padroeira da cidade, além da “Feira do Vinho” (FEREVIN) e do Desfile da Vindima, que vai da Prefeitura até o Monumento Universal da Colheita, onde ocorre a pisa da uva, bem como a benção do primeiro mosto. Lá, as fontes de vinho (feitas de madeira e papelão) são abertas e podem ser desfrutadas pelos visitantes até o último dia de festa.

Espanha (Barcelona): Festa de la Verema a Alella

Como sabemos, os catalães buscam ser independentes da Espanha e uma das maneiras de expressar esse sentimento é organizando essa celebração. Na”Festa de La Verema e Alella” o que mais se destaca é o concurso de pisadores de uvas, assim como a eleição da “Pubilla”, quantidade de uvas que é pesada em público e convertida em garrafas de vinho.

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Todo ano a festa acontece em uma cidade diferente da Catalunya. 

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Portugal (Santarpém): Vindouro, Festa Do Vinho do Douro

Em Santarpém está localizada a cidade de Cartaxi, que tem como atração a Festa do Vinho do Douro (Vindouro), que acontecem entre os últimos dias de Abril e os primeiros de Maio. Durante os 4 dias de evento, destacam-se todos as atividades relacionadas ao mundo do vinho, entre elas a reprodução de um mercado do século XVIII.

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Chipre (Limasol): Festa do Vinho de Chipre

A festa acontece desde 1961, na primeira semana de setembro, no Jardim Municipal de Limasol, na Ilha grega de Chipre. Assim como as demais festas da colheita ao redor do mundo, essa também se destaca por suas atividades culturais e gastronômicas, típicas da região.

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Destaque para a feira organizada à noite, onde os visitantes podem degustar todos os vinhos do evento de forma gratuita.

Luxemburgo (Grevenmache): 59E Fête Du Raisin Et Du Vi

Está aí outra festividade que não abre mão de eleger uma “Rainha da Colheita” para representar sua cultura vitivinícola. A festa da colheita de Luxemburgo acontece durante três dias no mês de setembro, dando grande destaque às suas castas mais emblemáticas: Riesling e Pinot Noir.

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República Checa (Mikulov): Festa da Colheita de Parava

A República Checa dispõe de 19.000 hectares dedicados ao cultivo de uvas destinadas ao nosso néctar, com destaque para as varietais Cabernet Moravia ou André, em tintos, e a Moscatel Moravo nos rótulos brancos.

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A Festa da Colheita de Parava acontece anualmente entre 9 e 12 de setembro, na localidade de Mikulov. Entre as principais atrações estão as bandas de música locais e, sobretudo, seu vinho jovem chamado “Bureák”.

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Além dessa festividade, no final de setembro é realizada uma celebração histórica do vinho com a reprodução da corte do Imperador e Rei checo Carlos IV. Tudo acontece através de uma representação medieval, que inclui degustações e apresentações dos vinhos que mais se destacaram no ano.

Suíça: Festa da Colheita de Neuchâtel

Na Suíça, a cultura do vinho remonta o século X e justamente por isso é que o país dá uma grande importância à bebida. A celebração dura três dias e vai das primeiras horas da manhã até tarde da noite.

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Nos primeiros dias acontecem diversos recitais de música e atividades para as crianças. Além disso, são realizados diversos desfiles de bandas e o gran finale fica por conta de uma grande cerimônia, com carros alegóricos decorados com flores e luzes. Trata-se de um tradição que vem desde o século XIX, quando os viticultores passavam com seus veículos carregados de utensílios que indicavam que a Vindima estava prestes a começar.

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México (Querétaro): Fiesta de la Vendimia

Há 37 anos a festa do vinho no México ocorre durante dois dias de meados de julho. A celebração é organizada pela “Viñedos La Redonda”, que convida os visitantes a degustar seus vinhos e participar da tradicional pisa da uva.

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Espero que tenham gostado e que se empolguem a participar de uma dessas festas que são verdadeiras celebrações ao néctar de Baco. E, sim, planejo ir em uma delas em breve. A de Mendoza parece ser um ótimo custo x benefício, visto que, definitivamente, está entre as melhores do mundo.

Afinal, quem não gosta de vinho e diversão, não é mesmo?

E você, caro enófilo de plantão, já participou de um evento desses, nem que seja de uma pisa da uva? Como foi? Conta para mim!

Boa quarta! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wikipedia, Big Wine Theory

 

 

 

 

Wine Tour: Conheça as 10 Capitais Mais Famosas do Mundo do Vinho

Amigos viníferos, apertem os cintos! Hoje vamos dar um giro por alguns dos lugares mais encantadores do planeta no que diz respeito ao nosso néctar dos deuses. Alguns, com certeza você já deve ter ouvido falar e acredito que estejam na sua lista de futuros roteiros.

Antes de tudo, vamos falar de vinho. Simplesmente trata-se de uma das bebidas mais emblemáticas ao longo da história. Segundo registros, é possível que o nosso néctar tenha mais de 6.000 anos de idade. Porém, o fermentado não é o mesmo em todo o mundo. Há regiões com características ideais para se obter um ótimo resultado no produto final.

E, para que tudo isso fosse valorizado, em 1999 foi criada a comissão das Grandes Capitais do Vinho (Great Wine Capitals), que tem o objetivo de potencializar a vitivinicultura nas principais regiões do mundo, dando destaque à cultura e ao turismo de cada cidade.

Atualmente, esse grupo conta com 10 capitais:

Bordeaux (França): trata-se de um dos lugares mais emblemáticos quando se fala de vinho, sendo que  seu governo foi fundamental na criação da Great Wine Capitals. O enoturismo da região nunca esteve tão em alta, sobretudo após a inauguração de um museu inteiramente dedicado à cultura de Baco, o Cité Du Vin

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Cidade do Cabo (África do Sul): é a porta de entrada para a região vinícola do Paísadquiriu grande importância ao longo dos séculos. Ultimamente, tem se destacado pelas rotas turísticas, que atraem milhares de enófilos ao redor do mundo. Suas principais regiões de vinhedos são Stellenbosch, Constantia e Franschhoek.

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Christchurch – Ilha Sul (Nova Zelândia): a combinação de suas paisagens com a viticultura faz desta capital uma das mais belas e pitorescas dessa lista.

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Logroño – Rioja (Espanha): com tradição vinícola de mais de mil anos, a cidade foi uma das primeiras a introduzir a enologia moderna e vem aplicando muitas de suas técnicas desde o século IX.

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Mainz Rheinhessen (Alemanha): a cidade foi fundada pelos romanos, responsáveis pelo cultivo de seus primeiros vinhedos. Um lugar com mais de 2.000 anos de história e cultura riquíssimas.

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Mendoza (Argentina): com o clima ideal para o cultivo da Malbec, sua casta mais emblemática, a região foi uma das últimas capitais mundiais do vinho, tendo sido nomeada em 2005. O enoturismo está bombando e a cidade  tem recebido muitos visitantes, sobretudo nós, brasileiros.

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Florencia (Itália): no mês de Maio, a cidade costuma receber milhares de visitantes, que se enveredam por suas cantinas e vinícolas para degustar ótimos vinhos toscanos. Nesta época, é possível visitar empresas que produzem alguns dos fermentados mais famosos do mundo. Sem falar nas paisagens encantadoras… Lindo de viver!

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Porto (Portugal): é simplesmente a casa do Vinho do Porto, um dos mais míticos do mundo. Esse néctar fortificado está presente em Vila Nova de Gaia, com suas dezenas de caves famosas, como Taylors, Sandeman e Real Cia Velha. Para completar, a cidade ainda está localizada na região do Douro, uma das mais belas de Portugal. Vale a visita!

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San Francisco – Napa Valley (EUA): foi a primeira região do mundo a abrir-se ao enoturismo, no final do ano de 1.800, com destaque para o trabalho em conjunto com a gastronomia. Após uma queda (com a Lei Seca) e ressurgimento (em 1976 alguns de seus rótulos desbancaram famosos franceses no Julgamento de Paris), Napa Valley passou a fazer parte dos sonhos de milhares de apreciadores de vinhos ao redor do mundo.

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Valparaíso – Vale de Casablanca (Chile): possui um dos climas mais frios entre os vales chilenos, o que ajuda na qualidade de sua matéria-prima. O maior cultivo é o da uva Chardonnay, com 2.269 hectares, seguida de Sauvignon Blanc, com 1.950 hectares.

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Espero que tenham curtido esse nosso rápido giro pelas capitais do vinho. Animados com o fim de semana? Aqui no Rio o calor deu lugar a um tempinho gostoso e mais fresquinho. Vontade de abrir um tinto hoje. Afinal, para mim, é um dia de celebração. Porém, como eu sempre digo por aqui, comemoração é para todo dia.

Ah, e em breve mais um Wine Drink, hein? Aguardem!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Big Wine Theory

Conheça 7 dos Mais Incríveis Hotéis Temáticos do Mundo do Vinho

Me empolguei demais para escrever esse artigo, sobretudo porque o mesmo reúne duas de minhas grandes paixões: vinhos e viagens. Aliás, vivo dizendo que “quem não gosta de viajar, bom sujeito não é”. Afinal, além do lazer propriamente dito (passeios, restaurantes, museus etc.), ainda rola a oportunidade de conhecer uma cultura diferente da nossa, seja nos hábitos do povo ou até mesmo nas paisagens do lugar (talvez seja por isso que curto mais as montanhas, muito frio e neve. Ou seja, totalmente diferente do sol e das praias que tenho por aqui). 

VIAGEM E VINHOS 

Agora, vamos aos vinhos… Mais um prazer em meio às delícias do passeio, pois assim como curto lugares diferentes, também me amarro em desfrutar dos vinhos produzidos na própria região que estou visitando. E quando até a hospedagem tem tudo a ver com vinhos? Aí, amigos, é só correr para o abraço e aproveitar cada momento.

Sendo assim, hoje trago para vocês alguns dos hotéis temáticos mais bacanas do mundo de Baco. Confira e planeje sua próxima viagem:

THE ELLERMAN HOUSE – CAPE TOWN, ÁFRICA DO SUL

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O fato deste hotel dispor de cerca de 7.500 garrafas dos melhores rótulos sul-africanos não o torna, necessariamente, um hotel temático de vinhos. Porém, ele também possui uma incrível adega de carbono, em formato de saca-rolhas, que reúne toda a coleção de vinhos do lugar. Uma bela galeria! Sem falar que fica próximo de todas as vinícolas.

Ou seja, o paraíso para qualquer viajante em busca de um superdestino enoturístico. E, durante essa jornada, hospedar-se num Hotel Boutique com apenas 11 quartos não é nada mau. Já quero!

PRAKTIK VINOTECA – BARCELONA, ESPANHA

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“In Wine We Trust” (Nós Confiamos no Vinho). Sim, foi essa a frase com a qual me deparei logo de cara, no banner do site do hotel. É para empolgar qualquer enófilo viajante! Já dá vontade de fazer as malas na mesma hora, até porque amo Barcelona! Para começar, logo que você faz o check in já te entregam uma tacinha.

Fora isso, acredito que as 900 garrafas presentes no lobby e a decoração dos quartos também sejam capazes de impressionar qualquer amante de Baco. O hotel ainda possui ótima localização, pertinho de tudo. Salute!

GRAPE HOTEL – WROCLAW, POLÔNIA 

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Um Hotel que faz jus ao nome, com quartos que homenageiam nossos vinhos e regiões favoritas, como Napa, Pinot Noir, Douro, Rioja, Chianti etc. E, sim, existe um apartamento “Champagne” que é luxo puro! Apesar do charme vintage, o ambiente possui toques de modernidade, sobretudo com relação ao seu menu de degustação de vinhos, elaborado especialmente para os apaixonados pelo néctar dos deuses.

VINEYARD HOTEL – CAPE TOWN, ÁFRICA DO SUL

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Logo que entrei no site já perdi o fôlego com a paisagem dos arredores do hotel. São belas muralhas de montanhas! Me encantei totalmente! Então… o Vineyard é tão chique que tem sua própria vinha (entendeu o porquê do nome?). E, apesar de seus 2 séculos de idade (o lugar data de 1799), trata-se de um hotel de luxo, com infraestrutura supermoderna e acolhedora. E, sim, há abundância de vinho regional, para alegria dos hóspedes apreciadores.

LA GRANDE MAISON DE BERNARD MAGREZ, BORDEAUX, FRANÇA

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Um dos mais luxuosos da lista, o La Grande Maison é uma mistura de Hotel e Mansão, com 6 quartos temáticos dentro da proposta do vinho (em Bordeaux não poderíamos esperar menos que isso). Ah, e o restaurante, comandado pelo lendário chef Pierre Gagnaire, conta com 2 estrelas Michelin no currículo.

Não bastasse tudo isso, o Hotel ainda fica bem pertinho da Disneylândia do Vinho, o recém-inaugurado  Cité du Vin, um complexo com museu, auditório, restaurantes e mais uma dezena de atividades para os amantes do vinho. Além do Hotel, Bernard Magrez também é proprietário de 4 Gran Crus da região. Um verdadeiro paraíso na terra!

THE YEATMAN HOTEL, PORTO, PORTUGAL 

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Esse hotel é o meu sonho! O Yeatman se auto intitula um “Hotel do Vinho” e conta com a maior cave de vinhos portugueses do mundo, sendo que sua carta foi eleita uma das melhores do planeta pela revista The Word Of Fine Wine. O lugar possui parcerias com alguns dos melhores produtores de vinhos lusitanos, que participam ativamente de provas, seminários e jantares harmonizados.

E tem mais: os quartos e suítes são patrocinados por esses parceiros e contam com uma decoração totalmente voltada para o vinho, como fotografias e objetos que remetem à história do fermentado português. Uma proposta única, capaz de deixar qualquer um de boca aberta, a começar pela vista espetacular para o Rio Douro.

HOTEL & SPA DO VINHO, BENTO GONÇALVES, BRASIL

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Óbvio que o Brasil tinha que estar nessa listinha! O SPA DO VINHO (que também é um condomínio vitivinícola) fica no coração de Bento Gonçalves (RS), em meio a uma paisagem estonteante. Trata-se de um super resort que abriga o que há de melhor em hospedagem, gastronomia, spa, lazer e enoturismo.

O complexo conta, ainda, com o primeiro centro brasileiro de tratamentos vinoterápicos, que utiliza todo o potencial rejuvenescedor da uva do Vale dos Vinhedos. O lugar é tão chique, que todos os tratamentos de beleza e produtos oferecidos são patenteados pelo renomado spa e laboratório francês Caudalie. Puro Luxo!


Então, gente. Amei escrever esse artigo, pois simplesmente adoro criar roteiros. E, em se tratando de vinhos, são tantos lugares maravilhosos para visitar e curtir que eu chego a ficar confusa. E você? Já se hospedou em um “Hotel de Vinho”? Conta para mim a experiência.

Ótima quarta e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Viagem na Taça: O Exuberante Vale do Loire

Para alegria dos enófilos de plantão, hoje publicamos mais um post da série Viagem na Taça. Desta vez, vamos direto para um das mais belas regiões francesas, o Vale do Loire. Encha sua taça e prepare-se para zarpar em busca desses vinhos maravilhosos.

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ONDE FICA ESSE VALE?

O Vale do Loire é uma região vinícola localizada ao longo do rio de mesmo nome que é, sem dúvida, o maior da França, visto que ele se estende da costa oeste do Atlântico até o centro do país. E justamente por se tratar de uma área tão grande, o Loire dispõe de diversos estilos de vinhos, elaborados com uvas das mais variadas.

HISTÓRIA DO LOIRE

Ao longo dos séculos, a região se tornou famosa por abrigar as residências de muitos reis da França, que construíram castelos que hoje em dua vivem repletos de turistas, como os Château de Chambord e Château de Cheverny.

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Château de Chambord, Vale do Loire

COMO É O TERROIR DA REGIÃO?

Os solos são dos mais diversificados. Ao longo de todo o rio, é possível encontrar granito, cascalho, argila e pedra calcária tuffeau, que fora usada na construção dos castelos locais, datados da época da Renascença.

O clima é oceânico, junto à costa, se transformando em continental ao passo que nos aproximamos do interior.

Por se tratar de uma região vitivinícola, o Vale do Loire é dividido em quatro áreas, de oeste a leste:

  • Pays Nantais, pela costa atlântica, ao redor da cidade de Nantes ;
  • Anjou, localizada um pouco acima do rio, em torno da cidade de Angers;
  • Touraine, próxima à cidade de Tours, ao sul de Paris;
  • Haute- Loire, situado onde o rio se aproxima de sua origem, nas regiões montanhosas do centro da França.

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QUAIS AS VARIEDADE DE UVAS DA REGIÃO?

Chenin Blanc é, sem dúvida, o símbolo das uvas do Loire, sendo difícil de ser cultivada em outras regiões, com exceção da África do Sul.  É uma cepa branca e delicada, que serve de base para diversos estilos de vinhos locais, incluindo brancos, secos e doces botritizados. De vez em quando ainda aparece em assemblage (mistura) com a Chardonnay.

Cabernet Franc, originária de Bordeaux, mas desde o século XVII encontrou no Loire sua segunda casa. Geralmente é utilizada em um único vinho varietal, diferente de sua região de origem, onde é misturada com outras castas. No Loire, a Cabernet Franc produz tintos famosos, como Chinon e Bourgueil, além de Rosés, como Cabernet D’Anjou, e espumantes rosados, como o Saumur.

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Os vinhos brancos da região costeira de Muscadet, perfeitos para acompanhar frutos do mar, são feitos com a uva Melon de Bourgone.

Grolleau, uma uva raramente mencionada quando se fala em Vale do Loire, porém, muito importante na elaboração de diversos rosés locais.

Em áreas de Haute-Loire, como Sancerre, as uvas Sauvignon Blanc e Pinot Noir fazem parte de vinhos famosos do Loire. O Sancerre (Sauvignon Blanc), por exemplo, fica divino com queijo de cabra, um verdadeiro clássico da harmonização.

ESTILOS DE VINHOS 

Poucas regiões europeias podem se orgulhar em produzir vinhos tão variados quanto o Vale do Loire.

  • Os brancos secos estão por toda a parte, ao longo do Rio Loire. Entre os mais emblemáticos estão os de Muscadet, Saumur, Vouvray, Sancerre e Pouilly Fumé.
  • Os vinhos brancos adocicados do Loire não são tão mundialmente famosos, mas produzem alguns dos melhores botritizados do planeta, nas denominações Coteaux do Layon, Savenniéres, além de Moutlouis.
  • Os rosés são produzidos em larga escala, muitas vezes sob as denominações regiões Rosé de Loire ou Rosé D’ Anjou.
  • Quanto aos tintos, os mais interessantes são os Cabernet Franc de Saumur, Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas de Bourgueil, além dos Pinot Noir de Sancerre.
  • Há vinhos espumantes de diversos estilos, produzidos em áreas demarcadas, como Saumur, Vouvray e Crémant de Loire.

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VINHOS DO LOIRE QUE VOCÊ TEM QUE PROVAR

  • Didier Dagueneau Poully-Fumé Silex, Sauvignon Blanc
  • Domanie Olga Raffault Les Picasses Chinon, Cabernet Franc
  • Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant Savennieres, Chenin Blanc Doce
  • Domaine Vacheron Sancerre Belle Dame Rouge, Pinot Noir
  • Champalou Vouvray, Espumante Branco

E aí? Curtiram o Viagem na Taça desta semana? Então, que tal descobrir outras maravilhosas regiões, entre elas Alsácia, Bordeaux, Borgonha e Champagne? São lugares que, além de lindos, produzem vinhos da melhor qualidade e que têm muito a nos ensinar.

Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

Descobrindo Novos Sabores: 5 Uvas Que Se Adaptaram Superbem Ao Novo Mundo

Pois é, meu amigo, chegou a hora de abrir os horizontes e deixar que sua taça viaje por novos lugares. E é por isso que hoje a série “Descobrindo Novos Sabores” desembarca nas regiões vinícolas da América do Sul, palco de castas emblemáticas e de bastante personalidade.

Bora conhecer melhor essas uvas maravilhosas? Então, vem comigo!

MALBEC

É ela, a queridinha da Argentina e uma das cepas sul-americanas mais famosas do mundo. Sim, há uns 20 anos atrás ninguém bebia Malbec, nem os franceses (pelo menos em quantidade). Mas, desde de seu boom na Argentina, todo mundo voltou a se encantar por seus vinhos, inclusive os franceses. Prepare-se pois sua taça está prestes a mergulhar em uma grande variedade desta uva.

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Malbec

Vejamos algumas delas:

Malbec de Vinhas Velhas (Viñas Viejas)

Algumas empresas comercializam Malbecs de vinhas de 30, 40 anos. Porém, um bom e velho vinho desta casta, em alguns casos,  pode provir de  vinhedos com 100 anos de idade. A Malbec chegou ao nosso continente há cerca de 150 anos e é provável que tenha sido plantada primeiro no sul do Chile, próximo à cidade portuária de Concepción. É nessa área que encontramos as videiras com mais de 100 anos de idade, que resultam em vinhos florais, selvagens, frescos, com taninos sedosos e bem mais fáceis de lidar que os argentinos que todos nós conhecemos bem. Esses vinhos geralmente são elaborados juntamente com outras castas de velhas vinhas locais.

Além do sul do Chile, na Argentina (Mendoza) é possível encontrar vinhas de mais de 80 anos de idade, capaz de produzirem vinhos extremamente equilibrados.

Regiões-Chave: Argentina – Maipu, Lujan de Cuyo; Chile – Itata (San Rosendo), Maule, Bio Bio.

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Mapa Vinícola da Argentina

Malbec Frutada Para o Dia a Dia

A Malbec Argentina tomou conta das prateleiras dos supermercados – e com toda a razão – afinal, ela é capaz oferecer um vinho exuberante, concentrado e de ótimo custo-benefício, sobretudo para nós, brasileiros. Prepare-se para se deparar com exemplares frutados, com sabor de ameixa, frutas negras e um pouco de estrutura de envelhecimento em carvalho, oriundos dos vales mais quentes não só da Argentina como também do Chile.

Regiões-Chave: Argentina – Lujan de Cuyo, Maipu, Neuquen, San Juan; Chile – Colchagua, Cachapoal

Vinhos Malbec TOP do Vale do Uco

Muitos dos rótulos mais tops de Malbec provém do Vale do Uco, na Argentina. Após mais de uma década de estudos intensos do solo e experiências de amadurecimento (tanto em cimento quento em carvalho), alguns produtores ganharam a chancela de excelência em Malbec, sendo bastante prestigiados em todo o mundo. São vinhos elegantes, com notas de ervas e violetas.

Regiões-Chave: Gualtallary, Paraje Altamira, Vista Flores (dentro do Vale do Uco)

 CARMÈNÉRE

Outra variedade importada da França é a Carmènére, que fez do Chile a sua segunda casa e onde atualmente é amplamente cultivada. A adoção da variedade pelos chilenos não foi intencional e sim acidental. Tudo porque suas mudas foram trazidas erroneamente como Merlot e cresceram em todo o país como tal, até que  em 1994 Jean Michel Boursiquot descobriu que, na verdade, se tratava da Carmènére, casta que acreditava-se ter sido extinta pela filoxera, praga que dizimou boa parte dos vinhedos europeus do final do século XIX até o início do século XX.

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Carmènére

FATO: Hoje em dia o Chile é responsável por 98% de toda a produção de Carmènére do Mundo

Sem dúvida, a Carmènére é uma das minhas castas favoritas, sobretudo porque seus vinhos são fáceis de beber e perfeitos para um bate-papo sem hora para terminar (neste caso, separe mais de uma garrafa…rs). Seus rótulos costumam ser frescos, frutados e com notas vegetais de pimenta e especiarias. Combinam superbem com costela na brasa e  iguarias da culinária árabe, por exemplo. Seus estilos variam do encorpado, devido ao envelhecimento em carvalho, até versões mais frescas, com notas de pimenta, ervas e pimentão.

Regiões-Chave: Colchagua (Apalta), Alto Cachapoal, Aconcágua, Maipo.

PAÍS (Criolla, Mission)

Uma das primeiras uvas plantadas nas Américas, a País (Criolla, na Argentina, e Mission, nos EUA) já foi a variedade de uva mais plantada na América do Sul até a revolução vinícola francesa, no século XX, quando as vinhas velhas da casta acabaram condenadas a vinhos de mesa baratos ou, em grande parte, abandonadas. Nos últimos anos, no entanto, enólogos do Chile redescobriram a País e estão criando alguns vinhos interessantes com suas videiras centenárias.

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País

País Pipeño (Estilo Rústico)

No coração do renascimento da País, houve um revival das técnicas ancestrais que os descolados do mundo do vinho chama de “vinificação natural”. Com uma intervenção mínima na cantina (ou, muitas vezes, garagem), esses vinhos, orgânicos e provenientes de vinhas velhas, são de produção limitada e vendidos por pequenos comerciantes de bebidas naturais. Com aromas terrosos e surpreendentes, o País Pipeño muitas vezes possui sabores de frutas rústicas com notas florais.

Regiões-Chave: Itata, Maule, Bio Bio. 

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Mapa Vinícola do Chile

País Moderna (Estilo Beaujolais) 

Com base no estilo Beaujolais Noveau, os modernos vinhos da casta País utilizam a maceração carbônica para capturar sabores de frutas secas e acabamento leve. É o exemplar perfeito para se beber geladinho à beira da piscina. Na mesma linha, temos os espumantes rosé da casta. Produzidos pelo método tradicional champenoise,  esses vinhos contam com um leve sabor frutado.

Regiões-Chave: Secano Interior, Itata, Maule, Bio Bio.

BONARDA (Charbono, Corbeau, Douce Noir)

Se a País já foi a casta mais plantada no Chile, o equivalente na Argentina com certeza é a Bonarda. Antes do boom da Malbec, a Bonarda foi a uva tinta e sofreu um tratamento histórico semelhante ao da País, tendo sido rebaixada a vinho de mesa e abandonada, uma vez que saiu de moda. Pois é, a Bonarda está de volta. Vale destacar que a Bonarda da Argentina é diferente da cultivada na Itália e também é conhecida como Charbono, Corbeau ou Douce Noir.

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Bonarda

Bonarda Tradicional

Essa espécie de “irmã mais nova” da Malbec foi, muitas vezes, vista como uma substituta para ela, tanto que ambas são vinificadas da mesma forma. No entanto, os vinhos tradicionais da Bonarda são mais frutados, típicos de regiões mais quentes.

Regiões-Chave: San Juan, La Rioja, San Rafael, Rivadavia.

Bonarda no Estilo Fresco (Glamour)

Produzidas em um período de maceração mais curto e um pouco carbônico, este novo estilo de Bonarda é mais leve e frutado. Os leves espumantes rosés desta linha também valem a pena ser degustados.

Regiões-Chave: Lujan de Cuyo (the sub-regions of Vistalba and Ugarteche), Tupungato.

Bonarda no Estilo Top 

Nos últimos anos foram introduzidas novas plantações de Bonarda no Planalto do Vale do Uco, na Argentina, comprovando toda uma seriedade e comprometimento por parte dos enólogos no que diz respeito a essa variedadeComo expressam todo o potencial de qualidade da Bonarda, os vinhos nesse estilo não são baratos. Afinal, são “vinhos-top”. A maioria não usa carvalho e amadurecem seus vinhos em ovos de cimento, resultando num Bonarda elegante, repleto de finesse, frutas e aromas florais.

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Vinho sendo produzido em Ovo de Cimento

Regiões-Chave: Vale do Uco.

TORRONTÉS (Torrontés Riojano, Torrontés Sanjuanino, Torrontés Mendocino)

Se a Malbec é a queridinha da Argentina, a Torrontés, sem dúvida, é a Rainha! Trata-se da única casta de uva realmente nativa da América do Sul. Com as qualidades da Muscat, é um cruzamento da Criolla (País) com a Muscat de Alejandra, que surgiu pela primeira vez no norte da Argentina. Há três variações de Torrontés: San Juanino, Mendocino e Riojano, sendo esta última a de maior qualidade e cultivada em todo o país. As melhores expressões da Torrontés são encontradas em altitudes elevadas, geralmente em Cafayate (região próxima a Salta), embora novas plantações no Vale do Uco (Mendoza) também sejam bastante promissoras.

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Torrontés

Uma “bomba perfumada”, assim é a Torrontés. Ao mesmo tempo, também é conhecida como a casta “mentirosa”, visto que no nariz parece ser demasiado frutada, floral e adocicada, mas na boca é totalmente o oposto disso – seco e ocasionalmente um pouquinho amargo. Se você prefere uma versão mais doce, aposte em um exemplar de Colheita Tardia (Late Harvest). O Torrontés, quando bem feito, é quase que o equivalente vínico do gin-tônico. Surpreende qualquer paladar!

Regiões-Chave: Salta (Cafayate), La Rioja, Uco Valley.

Espero que tenham gostado dessa nossa viagem em companhia das castas que mais simbolizam a América do Sul. Quer exercitar ao vivo em cores? Então, que tal provar um desses exemplares com os amigos e descobrir novos sabores?

Boa semana e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Wine Folly, Wikipedia, Academia do Vinho