(Chile) Viña Emiliana: Linda, Orgânica e Biodinâmica

Em minhas andanças pelo Chile, acabei conhecendo uma bela vinícola no Valle de Casablanca. E não é qualquer uma! Essa possui uma proposta muito bacana e sustentável, que eu só tinha ouvido falar, mas nunca tinha visto na prática.

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O dia bonito colaborou para o sucesso do passeio!

A Emiliana é orgânica, na medida em que produz seus vinhos com o mínimo de intervenções, como uso de pesticidas, fertilizantes, entre outros. Tudo na base da natureza! E biodinâmica, porque faz uso desses mesmos recursos naturais para driblar as dificuldades e tomar decisões a respeito da saúde das vinhas.

O TOUR PELA EMILIANA

Ao reservar a visita na vinícola, através do site, optei pelo Tour Orgânico, o mais simples que não tinha degustação do Gê, vinho-ícone da vinícola. Chegando lá, encontramos um grupo muito bacana, que incluía muitos brasileiros e alguns australianos.

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O lugar é lindo e tivemos a sorte de pegar um dia perfeito, de sol, apesar do frio intenso, típico do inverno. Como o tour foi pela manhã, havia, ainda, uma certa nebulosidade, mas nada que comprometesse o lugar e as fotos.

Nossa guia foi o Wilson, um chileno muito simpático e solícito, que falava um português ótimo. Logo de início, ele nos mostrou os vinhedos e todos os “personagens” que fazem parte desse grande ecossistema. Cada elemento tem sua função na saúde das videiras.

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Nosso guia, Wilson, tirando todas as dúvidas, em portuñol e inglês. 🙂

Os galos, as galinhas, a vegetação rasteira no entorno das vinhas (no centro das espaldeiras), os gansos e até as alpacas (da família das llamas) contribuem muito para o controle natural de pragas, de acordo com a proposta orgânica do vinhedo.

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Dando uma espiadinha do galinheiro: animais superimportantes para a sáude das vinhas.

E todo esse conceito se traduz de forma muito clara nos vinhos da Emiliana, que tivemos a oportunidade de degustar ao final do tour.

PROPOSTA ORGÂNICA E BIODINÂMICA 

Logo de cara, o Wilson nos explicou que a vinícola precisou de três anos para se adaptar totalmente ao estilo orgânico de produção. Tanto que durante esse tempo, a mesma não produziu vinhos. Tudo porque a legislação é muito criteriosa quando se trata de certificar vinhedos orgânicos, com um selo que atesta a sua autenticidade.

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Nesse momento “sabático”, é como se as vinhas, anteriormente tratadas da forma tradicional, se limpassem para deixar tudo o mais natural possível.

VINÍCOLA ORGÂNICA 

Sendo assim, atualmente cada um dos vinhedos da Emiliana é um fiel reflexo dessas práticas orgânicas, que se baseiam em fomentar a biodiversidade e a ausência de pesticidas, herbicidas e fertilizantes sintéticos, a fim de produzir alimentos mais saudáveis.

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As lindas alpacas (da família das llamas). Minha pequena amou!

Através desse tipo de agricultura, é possível cuidar da terra e evitar problemas ambientais a longo prazo, melhorando a qualidade das uvas e, por consequência, dos vinhos que delas se originam.

AGRICULTURA BIODINÂMICA 

A biodinâmica é uma forma integral e compreensiva de agricultura orgânica que zela pela saúde do planeta por meio do cultivo regenerativo. Trata-se de uma ideia meio diferente de se enxergar o processo e muita gente acha que é “coisa do outro mundo”. Mas a natureza é tão simples que vocês nem imaginam!

Na visão da Emiliana, é fundamental respeitar os princípios básicos da agricultura biodinâmica e, segundo o Wilson, até hoje isso tudo tem dado supercerto na vinícola. Entre esses preceitos, está o fato de que o campo é um ser vivo que tem seu próprio tempo. A intervenção do homem não deve de forma alguma alterar o equilíbrio biológico natural do campo, mas, sim, trabalhar para mantê-lo.

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Agricultura biodinâmica é natureza pura se refletindo nos vinhos.

Com isso, através da compreensão dos ciclos e ritmos do sol, da lua, dos planetas e suas influências, programa-se as diferentes atividades e trabalhos agrícolas através do calendário biodinâmico, resultando na obtenção de maior qualidade do produto final, ou seja, dos vinhos!

Para o sucesso de todo esse processo, deve-se fomentar a interligação entre os reinos mineral, vegetal e animal, através do uso de preparados homeopáticos biodinâmicos que são adicionados ao solo. O Wilson mostrou alguns para a gente e achei muito interessante. Ou seja, todo o cuidado com a saúde das vinhas é feito através dos recursos naturais e isso é muito bacana mesmo!

 A DEGUSTAÇÃO DOS VINHOS DA EMILIANA

Ao final do tour fomos em direção a uma sala de degustação com uma mesa enorme e uma bela vista para os vinhedos. Lá, o Wilson fez conosco uma degustação dirigida de quatro vinhos deles, incluindo um dos mais famosos, o blend Coyam. Vamos aos rótulos:

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Ótima seleção de vinhos na degustação final do tour

1- Novas Gran Reserva Sauvignon Blanc 2014: como sempre, tudo começa com um leve e fresco Sauvignon Blanc. Notas cítricas e muito agradável, é perfeito para um dia quente na beira da piscina ou curtindo uma praiana. Ou seja, a cara do Rio! Combina com Ceviche e Queijo de Cabra. Os clássicos!

2- Adobe Chardonnay Reserva 2016: ótimo Chardonnay Reserva, como sempre, foi o preferido do marido, que é fã dos brancos dessa casta. Boa tipicidade! Versátil, vai superbem com um belo fondue de queijo ou geladinho num dia quente de verão. Esse é facilmente encontrado nos supermercados por aqui. Amei!

3- Novas Gran Reserva Carmenère e Cabernet Sauvignon 2014: esse blend me surpreendeu muito positivamente. Muita complexidade para um rótulo despretensioso. Aromas de cassis e frutas negras muito presentes. Taninos sedosos, muito agradável. Delícia para acompanhar pratos a base de carne bovina de cortes mais leves. Aliás, achei que ficaria ótimo com fondue de carne. Excelente!

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Vinhos da degustação, nas taças (da esquerda para a direita): Sauvignon Blanc, Chardonnay, Corte de Carménere e CS e o famoso Coyam.

4 – Coyam 2014: produzido no Valle do Colchágua, o Coyam é um dos carros-chefes da Emiliana e superconhecido pelos enófilos ao redor do mundo. Trata-se de um blend de Syrah(34%), Merlot(31%), Carménère(17%), Cabernet Sauvignon(12%), Malbec(3%) e Mouvédre(3%). Uma mistura rica em aromas e complexidade, com destaque para notas de frutas negras maduras, defumadas, de chocolate e toques minerais. Encorpado, mas de taninos sedosos, possui boa presença e persistência. Sem dúvida, foi o meu favorito para aquele dia superfrio. É um vinho que acompanha bem carnes de caça, como javali e cordeiro. Santé!


Para quem tem a curiosidade conhecer um vinhedo orgânico e biodinâmico, certamente esse passeio é obrigatório e tem tudo para agradar adultos e crianças. Minha pequena amou ver os bichinhos. Foi um dia muito especial!

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Belíssima vista da sala de degustação. Cenário perfeito!

Você também pode visitar a Emiliana em sua sede, no Valle de Casablanca, com agendamento prévio pelo site da vinícola. 

 

No Brasil, os vinhos da Emiliana se encontram à venda nos sites da Vino Mundi e World Wine

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Então é isso, enoamigos! Alguns viníferos estão me enviando mensagens pedindo dicas para o Chile. Estou respondendo aos poucos e, sim, adoro dar sugestões de passeios, ainda mais quando se trata de um lugar que eu curti tanto!

Bons vinhos! Ótimas viagens! Tim-Tim!

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(Chile) Haras de Pirque: Uma Das Mais Belas Vinícolas do Valle do Maipo

Enquanto planejava minha viagem ao Chile, pedi aos amigos sugestões de vinícolas as quais eu pudesse visitar, sobretudo nos arredores de Santiago (nas regiões do Valle do Maipo e Valle de Casablanca).  Nessa busca, mais de uma pessoa me indicou a visita à Haras de Pirque. Ao pesquisar sobre a vinícola e ver a construção em forma de ferradura, tive a certeza de que iria amar o lugar. E não é que minha intuição estava certa?

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Foto: Viña Haras de Pirque

A história do grupo começou com um haras, o mais antigo do Chile, comandado pela família Matte. Em 2002, a tradicional e renomada família toscana Antinori (aquela, dos famosos supertoscanos) se juntou ao projeto para reunir haras e vinícola. A Bodega Haras de Pirque foi construída em formato de ferradura e em degraus, o que, com a força da gravidade, melhora os processos de vinificação.

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Logo que chegamos, fomos super bem-recebidos por Anais Reciné, com quem tinha trocado alguns e-mails bem antes, a fim de agendar o tour. Em seguida, ela nos apresentou ao Cristian, que seria o nosso guia pela vinícola.

VINÍCOLA EM FORMATO DE FERRADURA

O prédio, imponente e majestoso, possui uma linda vista dos vinhedos e das Cordilheiras dos Andes. Após um breve passeio pelo pátio, finalmente entramos na vinícola. Trata-se de uma construção em formato de ferradura, relativamente nova (dos anos 2000), com 5.300 m2 e capacidade para 1.5 milhões de litros de vinho, sendo que, por ano, são produzidos 360 mil. Desses, 95% são destinados à exportação.

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Foto: Viña Haras de Pirque

O INTERIOR DA HARAS DE PIRQUE

Para começar, participamos de um tour privado bem personalizado e diferente do que encontramos em outras vinícolas maiores, visto que se trata de uma Bodega Boutique, de menor porte. Simpático e superarticulado, Cristian nos conduziu pelas escadas em formato de caracol, que davam acesso a cada ambiente da cantina, toda construída em desnível, a fim de facilitar o trabalho manual e evitar o uso de máquinas.

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Aliás, segundo o nosso guia, a Haras de Pirque recentemente conquistou o selo de vinícola orgânica, ou seja, seus vinhos são produzidos da forma mais natural possível, sem uso de pesticidas, fertilizantes, entre outras intervenções. 

Enfim, fomos conduzidos a uma área com grandes tanques de inox destinados à fermentação dos vinhos brancos e, ainda, a um grande balcão, uma espécie de sacada enorme de onde era possível ter uma linda vista dos vinhedos. O dia estava ensolarado, aberto, lindo e fizemos fotos maravilhosas!

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Nosso guia Cristian em ação!

Em seguida, chegamos a um pátio interno com grandes tanques de carvalho francês utilizados para a fermentação dos tintos mais premium (sim, para a fermentação e não para amadurecimento). “Esses barris são uma conquista da vinícola, pois foram trazidos da França, e podem durar por até cem anos”, explicou Cristian.

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Eu e minha família no balcão que dá vista para os vinhedos. Lindo demais!

A CAVE REALMENTE IMPRESSIONA

Depois do tour interno, voltamos ao pátio, que conta com uma fonte de água bem no centro. O Cristian nos contou que esta possui um piso de vidro que permite que a luz natural penetre no interior da cave subterrânea que se encontra bem abaixo dela.

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A fonte localizada bem no meio do pátio, no jardim da vinícola

Gente, vocês não têm noção do que é aquilo! Fiquei de boca aberta, é muita lindeza! Infelizmente, após dois recentes tremores de terra (supercomuns no Chile), os vidros racharam e ficou perigosíssimo realizarmos a degustação dos vinhos na mesa situada na cave abaixo da fonte, com aquela luz natural incrível, a melhor do mundo para apreciar os vinhos.

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Abaixo da fonte, a mesa localizada na cave do subsolo. Infelizmente não foi possível aproveitar essa bela luz na degustação dos vinhos, pois algumas vidraças foram danificadas pelos últimos tremores de terra.

 A DEGUSTAÇÃO DOS VINHOS 

Não conseguimos ficar na área abaixo da fonte, mas degustamos os vinhos na belíssima cave, onde as barricas de carvalho com os tintos íconos descansavam. Foi muito agradável estar com a minha família num lugar como aquele. Até meu marido, que não é tão louco por vinho quanto eu, adorou. A paz encontrada na adega era tão grande, que a minha pequena, de 3 anos, ficou muito tranquila e não atrapalhou em nada a explicação e degustação dos vinhos que viriam a seguir.

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ALBACLARA GRAN RESERVA SAUVIGNON BLANC 2015: 100% elaborado com a casta Sauvignon Blanc, esse Gran Reserva possui acidez e frescor bem típicos do Maipo. Seu nome é em homenagem ao amanhecer nos campos chilenos. Trata-se de um vinho equilibrado e fácil de beber, que ficaria perfeito com queijo de cabra ou um belo ceviche. 


HUSSONET GRAN RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2012: O nome deste vinho é em homenagem ao garanhão mais famoso e importante do Haras de Pirque. Elegante e envolvente, chega com uma profusão de frutas negras maduras e carvalho, além de um quê mentolado, próprio da casta. De produção limitada a cerca de 4.800 caixas, Hussonet representa bastante o terroir da vinícola. Equilibrado em acidez, álcool e taninos, é o par perfeito para um belo churrasco ou por que não, chocolate-amargo? Fizemos esta última harmonização lá e caiu muito bem! 


ALBIS 2006 : Albis significa amanhecer, a união entre o Velho e o Novo Mundo. Representa a união entre dois hemisférios, dois enólogos e duas famílias, com o ideal de criar um grande vinho no coração do Alto Valle do Maipo. Essa junção entre o renomado viticultor Marchese Piero Antinori e Eduardo A. Matte, proprietário da vinícola chilena Haras de Pirque, surgiu do desejo mútuo de unir tradição e inovação para revelar o incrível potencial dos vinhos chilenos.

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Cristian apresentando o vinho ícono Albis.

Sem dúvida, Albis é o rótulo-ícone da vinícola e ultimamente tem sido um pouco mais divulgado no mercado interno. De coloração vermelho-rubi intensa, possui aromas de balsâmico, chocolate, caramelo, além de notas mais terciárias, como couro, por exemplo. Perfeito para acompanhar carnes de caça, como cordeiro ou javali. 


Atualmente, a Vinícola Haras de Pirque é de propriedade exclusiva da Família Antinori, que comprou a parte de Eduardo Matte na bodega. Logo, é possível que muitas novidades estejam por vir, sobretudo no que diz respeito aos vinhos. 

A cargo dos vinhos está  a enóloga Cecília Guzmán, que acompanha a produção dos rótulos desde o início da bodega e manejou o estilo dos caldos, que são um claro reflexo do que é elaborado hoje em Pirque.

No fim do tour, compramos um Hussonet, que foi o rótulo preferido do marido, que nem era muito ligado em vinhos..rsrs. Ah, e a equipe foi tão gentil que ainda levamos um azeite de presente (sim, eles também produzem um azeite extra-virgem delicioso!).

A Haras de Pirque conta, ainda, com um restaurante, o Hussonet. Não almoçamos por lá, mas o ambiente me pareceu superagradável, com uma linda vista para os vinhedos.

  • Para reservas e informações dos tours: reservas@harasdepirque.com

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Aqui no Brasil, os vinhos da Haras de Pirque estão à venda no site da Importadora WineBrands.

*Fiz o tour a convite da vinícola Haras de Pirque e este artigo reflete minha opinião.

 

(Chile) Vinolia: Vivendo a Aventura do Vinho Sem Sair de Santiago

E aí, viníferos? Como vocês perceberam, fiquei um tempinho afastada do blog por motivos de… Férias! E, nessas horas, se jogar no enoturismo é sempre a melhor pedida para nós, apaixonados por vinho. Porém, hoje vou contar para vocês uma experiência surpreendente que tive com uma região vinícola sem sair da capital da chilena.

O VINOLIA

O Vinolia é uma loja de vinhos que oferece aos seus clientes vivenciar uma experiência de degustação completa com vinhos de determinada região vinícola do país. E, sim, trata-se de uma vivência sobretudo sensorial.

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Lá é possível escolher entre duas regiões para o tour: Valle De Casablanca ou Valle Del Colchagua. Em princípio eu tinha escolhido “visitar” o Colchagua, visto que seria o único local que não foi possível encaixar presencialmente na viagem. Porém, justo no dia que deixei reservado para ir ao Vinolia eles estavam apenas com o tour por Casablanca, em todos os horários, sendo que eu tinha ido à região de carro no dia anterior. Mas a minha vontade de conhecer uma proposta tão diferente de perto era tão grande que sim, fui e não me arrependi nem um centímetro!

DECORAÇÃO INSPIRADORA

A arquitetura do lugar encanta, sobretudo por traduzir o espírito do vinho em toda sua essência. Tijolinhos típicos das antigas caves e dominós de carvalho, utilizados na fabricação de vinhos cobrem as belas paredes lugar, rodeado por uma vitrine belíssima, povoada de belos rótulos, entre eles de vinícolas chilenas renomadas como Casa Silva, Lapostolle, Koyle, Botegas RE, Viña Casa Del Bosque, Loma Larga, Los Vascos, Morandé e Veramonte.

 

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Como boa amante dos bons vinhos, me vi hipnotizada pela energia do lugar, que reluzia tanto quantos os lustres de vime pendurados no teto, todos fabricados a mão por artesãos chilenos.

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E A AVENTURA COMEÇA

Antes de “iniciar os trabalhos”, nos foi servido um espumante, o Dominga. Trata-se de um Brut (charmat) da Casa Silva, uma das minhas vinícolas favoritas no Chile, e que cumpriu perfeitamente o seu papel de vinho de boca para a degustação que viria a seguir.

E a recepção não poderia ser melhor! A Sommellière Gabriela Pedroso Sampaio já chegou esbanjando simpatia e conhecimento sobre o mundo do vinho. Paulista, de São José dos Campos, nem parece que está há apenas 2 meses vivendo em Santiago, tamanha sua desenvoltura sobre tudo o que diz respeito ao lugar.

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Sem falar que é supersolícita e quis logo saber como andava o meu espanhol, já que eu era a única brasileira do grupo, formado em sua maioria por visitantes de língua hispânica. Ainda bem que o meu espanhol já estava desenferrujando e topei assistir às explicações totalmente na língua local sem dificuldade.

A SALA DOS SENTIDOS 

Enfim, começa o tour e logo somos conduzidos por Gabi à Sala dos Sentidos. Antes da experiência, a Sommelière explica ao grupo as diferenças entre os aromas primários (oriundos da uva), secundários (da fermentação) e terciários (das barrigas e amadurecimento) do vinho.

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Nos deparamos com várias mesinhas, que tinham, ao todo, 48 caixas com diversos aromas, sendo que a brincadeira é adivinhar cada um deles. Pura diversão e descontração nessa hora! Em pouco tempo, a galera já estava rindo junta e conversando. Afinal, no mundo do vinho as amizades se formam como que por encanto. É uma magia que só quem curte entende.

Ao fundo, ouvíamos sons que reproduziam os mesmo de uma vinha, entre eles o vento e o canto dos passarinhos. Uma delícia!

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Havia caixinhas com nuances florais, frutadas, de mel, especiarias, entre outras. Sem dúvida, foi um ótimo treinamento para a segunda etapa do processo. Bora lá!

CINEMA E DEGUSTAÇÃO 

Imaginem uma sala de projeção, tal como a de um cinema, com um telão de 7 metros de largura à frente de várias mesas que subiam como num grande auditório. Ao sentar em nossos lugares, cada um tinha diante de si 5 taças com os vinhos que iríamos degustar, todos oriundos de vinícolas do Valle de Casablanca.

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No início, nos foi apresentado um vídeo lindo da Wines of Chile, sobre as belezas desse país que encanta e impressiona. Até que chegamos ao Valle de Casablanca, um terroir que, pela proximidade com o Oceano Pacífico, dá origem a vinhos maravilhosos e de características bem particulares.

E sabe quem nos apresentou cada etapa da degustação de cada um dos rótulos? Os próprios produtores e enólogos das vinícolas, na tela, diante dos nossos olhos. Com timing perfeito, provamos juntos e ouvimos o que inspirou cada um deles a criar o vinho.

OS VINHOS DA DEGUSTAÇÃO

Para começar, a degustação dos vinhos é acompanhada de água e de uma seleção de queijos, torradinhas e frutos secos.

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Agora, vou falar um pouquinho dos rótulos com a minha impressão sobre cada um deles.

1- Veramonte, Ritual Sauvignon Blanc

De coloração amarelo-palha claro, esse vinho traz todo o frescor de Casablanca direto para a taça. Uma ótima forma de iniciar uma degustação. No nariz, aromas cítricos e ótima acidez. Ou seja, muito sabor e persistência. Metade dele é fermentada em barricas usadas e a outra metade em ovos de concreto. Para uma Sauvignon Blanc Lover como eu, está aprovadíssimo! Pura tipicidade.

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2- Morandé, Gran Reserva Chardonnay

Um Chardonnay que é a cara do Valle de Casablanca, bem do tipo surpreendente. Com 40% de fermentação (com as cascas) em barricas de carvalho francês, possui cor dourada e notas cítricas, suportando de 3 a 5 anos de guarda com todo o vigor.

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3 – Casas Del Bosque, Gran Reserva Pinot Noir 

Um vinho bem típico, vermelho-rubi intenso, com reflexos terrosos. No nariz, exala frutas vermelhas e especiarias. Passa 14 meses em barrica, sem comprometer em nada e o seu frescor. Para beber geladinho em qualquer época do ano.

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4 – Bodegas RE, Syranoir

O nome já diz tudo. Trata-se de um blend de Syrah e Pinot Noir. De coloração vermelho-rubi intenso, sem reflexos, chega no nariz carregado de frutas vermelhas do bosque (típicas da Pinot) e Azeitonas (provenientes da Syrah).

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5 – Loma Larga, Cabernet Franc

Para fechar as degustações com chave-de-ouro temos esse Cabernet Franc incrível, de cor vermelho-rubi intensa. No olfato, frutos negros, mentolado e especiarias. Estrutura, presença e persistência. Maravilhoso!

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EMPÓRIO DE VINHOS E APERITIVOS

Após a degustação, voltamos para o empório e lojas de vinhos para confraternizar. Sim, o encontro continuou com vários petiscos e outros rótulos para degustar sem compromisso, só curtindo a presença do pessoal, gente de todo lugar do mundo numa só paixão pelo vinho.

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Nessa hora, não há barreira na língua. Brasileiros, chilenos, colombianos e argentinos aproveitaram juntos, desfrutando do ambiente maravilhoso do Vinolia. Infelizmente, tive que sair mais cedo e levei só uma garrafa de Rosé Laspostolle comigo (sozinha, de táxi, não dava para levar mais..rsrs). Mas o restante do pessoal continuou curtindo a loja e o wine bar delicioso. Amei demais

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O tour possui o valor de 32.500 pesos chilenos por pessoa (cerca de R$160,00). Mas paguei feliz, pois vale cada centavo! Vinhos maravilhosos e tratamento VIP! Recomendo a todos que amam vinho e desejam curtir uma experiência diferente no Chile.

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Ficou a fim de conhecer? Então, reserve seu tour favorito AQUI no site do Vinolia. 

O Vinolia fica na Alonso de Monroy 2869, Local 5, Vitacura.

Até a próxima, com mais um pouco das minhas aventuras viníferas no Chile. Tim-Tim!

Wine Tour: 5 Dicas Para Aproveitar ao Máximo sua Visita à uma Vinícola

Se tem uma coisa que todo apaixonado por vinho não abre mão é visitar os locais que produzem o nosso amado néctar. Sim, o enoturismo tem bombado à medida que aumenta o consumo e a divulgação do vinho como um dos maiores prazeres da humanidade.

Eu amo esse tipo de passeio em minhas viagens e, desde que passei a encarar o vinho como profissão, o desejo de admirar os vinhedos, acompanhando toda a produção da bebida ficou ainda mais forte. Ou seja, mesmo que o lugar tenha várias vinícolas, eu tenho que visitar pelo menos uma delas. E, quando se tem uma filha pequena, conseguir fazer isso é, sem dúvida, um grande desafio!

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Por exemplo, minhas próximas férias serão num dos países com maior número de vinícolas na América do Sul (se pensou em Chile, acertou em cheio!). Já agendei algumas visitas e, sinceramente, com a filhota, quatro está de bom tamanho. No ano passado, no Planalto Catarinense, eu só consegui ir em uma, imaginem! Desta vez, com a pequena um pouquinho maior, minha expectativa aumentou muito.

E com tudo fresquinho em mente, hoje trouxe para vocês algumas dicas para o sucesso do seu enoturismo, independente da região vinícola que você for visitar.

1- SISTEMA DE RESERVAS

A maioria das vinícolas solicita que a visita seja reservada com antecedência, mais ainda quando se trata de enoturismo e gastronomia. Em alguns casos, softwares de computador são ótimas ferramentas e a maior parte das vinícolas de grande porte lançam mão desse recurso.  Sendo assim, logo que você decidir o roteiro, acesse os sites das vinícolas que deseja visitar e faça sua reserva, seja no próprio site ou por e-mail.

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Mesmo que você mude seus planos, é possível cancelar ou transferir a data. Porém, todas as empresas gostam de se planejar quando se trata de receber visitantes. E são muitos! Em alguns casos, certos horários esgotam rapidamente, visto que o número de pessoas é limitado. Logo, o ideal é realizar a sua reserva com antecedência.

2- PESQUISE SOBRE A HISTÓRIA DO LUGAR

Antes da visita, busque mais informações sobre o local, seja em livros, revistas especializadas ou no próprio site da empresa. Afinal, é tão bom você chegar no lugar sabendo que o mesmo é carregado de história e da paixão dos proprietários pelo vinho que, sinceramente, dá até um friozinho na barriga logo na entrada.

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Os guias das vinícolas costumam ser supersimpáticos e, geralmente, contam histórias sobre os vinhos e o lugar. Sendo assim, se você tiver alguma dúvida, seja sobre um rótulo ou “causo”, nunca guarde-a para você. Pergunte mesmo! O pessoal adora quando percebe que você pesquisou e quer saber mais sobre um assunto que, para quem trabalha na vinícola, é pura paixão! Certamente eles vão adorar falar sobre qualquer assunto relacionado à produção dos vinhos. Fique à vontade!

3- CURTA A EXPERIÊNCIA 

Estar numa vinícola é, sem dúvida, um privilégio para poucos. Por isso, enoamigos, curtam bastante essa experiência! A maioria das empresas oferece a degustação de alguns rótulos, não só para que a vivência seja sensorial e completa, mas para que os visitantes conheçam os vinhos e se sintam seguros em adquirir algumas garrafas (sim, as vinícolas são empresas que desejam vender seus produtos!).

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No vinhedo, não deixe de acompanhar a irrigação por gotejamento ou sentir a textura do solo a partir do qual uma videira nasce e se desenvolve. Ao mesmo tempo, aprecie a paisagem, geralmente linda e diferente, com montanhas e picos nevados ao fundo. É uma experiência inesquecível!

Logo, do início da visita até o final, na lojinha da vinícola, sinta cada aroma, veja os barris de carvalho de perto e aproveite para degustar o vinho direto do tanque de fermentação, no caso dos lugares que oferecem essa experiência. Ou seja, curta cada momento, relaxe e divirta-se!

4- PARA QUEM VISITA VINÍCOLAS COM CRIANÇAS

Se você pretende levar os filhos, antes de qualquer coisa, certifique-se de que a vinícola tenha cuidado e responsabilidade para receber os pequenos. Hoje em dia, muitas delas oferecem uma “visita familiar”, com programação própria para a alegria dos pequenos. E qual criança não gosta de um lugar ao ar livre cheio de espaço, natureza e bichinhos? A minha filha ama!

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Muitas vinícolas dispõe de programação infantil na época da colheita da uva, envolvendo os pequenos em todo o processo. Vale lembrar que se trata de atividades que agregam muito á capacidade cognitiva das crianças e faz com que elas queiram continuar descobrindo tudo o que rodeia o mundo do vinho, que vai muito além de degustar a bebida (e isso elas só poderão fazer depois dos 18 anos!). Vinho é, acima de tudo, um contato intenso com a natureza!

Sem falar que a maioria das vinícolas produzem suco de uva integral da melhor qualidade e oferecem aos pequenos na visita. Ou seja, é um passeio que tem tudo para agradar a todas as idades.

5- NÃO SE SINTA OBRIGADO A ADQUIRIR OS PRODUTOS

Obviamente, o vinho é um negócio, assim como o enoturismo. Por isso, todas as empresas cobram por ingressos para a visitação na vinícola. Sendo assim, não se sinta de forma alguma obrigado a comprar uma ou mais garrafas ao final do passeio.

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Gosto quando o valor do ingresso é revertido na compra de vinhos e algumas vinícolas fazem isso. Tudo porque eu vejo o enoturismo como uma maravilhosa ferramenta de marketing para as empresas. O consumidor conhece tudo de perto, se apaixona, degusta os vinhos e se torna um embaixador da marca. E para que ele volte para casa falando maravilhas da empresa, sem dúvida o atendimento e o serviço é o que contam.

 

E vamos combinar que se os vinhos forem maravilhosos e os preços atraentes, você vai acabar comprando. Mas deixe que isso seja um processo natural e não uma condição.


Então é isso, enoamigos! Estou ansiosa pelas visitas desse ano e agradeço à filhota e ao marido por toparem fazer esses programas comigo (apesar do que eu sei bem que eles também acabam curtindo muito!).

E você? Já visitou uma vinícola? Como foi a experiência? Tem vontade de conhecer? Conta para mim!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!


Imagens: Café Viagem.com, The Big Wine Theory

 

 

 

 

Wine Tour Chile: Vinhos Que Expressam Um Terroir Único

Desde que decidi o roteiro das próximas férias tenho mergulhado de cabeça em pesquisas sobre o vinho chileno. Afinal, como boa enófila e estudiosa do assunto, quero chegar lá superafiada sobre a região. Por isso, quando se trata de elaborar os meus roteiros, nada como deixar tudo documentadinho aqui no Vila. Bom para mim e para vocês que estão prestes a embarcar nessa viagem comigo.

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O MICRO-CLIMA CHILENO

Basta dar uma olhada geral em torno das regiões vinícolas nos arredores de Santiago para se ter uma ideia do que nos aguarda. O micro-clima chileno é muito determinante na expressão de seus vinhos. No Vale do Maipo, a 1 hora de distância da capital, temos, por exemplo, a imponente Concha Y Toro, cujas uvas evoluem facilmente para caldos frutados, satisfatórios e acessíveis.

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Vale do Maipo – Foto: Editora Abril

Lá, as varietais mais típicas são a Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenére, sendo esta última considerada a uva que mais representa o Chile mundo afora. Seus vinhedos foram plantados em 1500, o que faz da região a mais antiga do Novo Mundo quando se trata de produção vitivinícola.

Já o Vale de Casablanca, situado a oeste de Santiago, é mais conhecido pelo clima frio e produção de vinhos brancos. Nessa área, rótulos de Sauvignons Blancs gastronômicos e Chardonnays superelegantes dividem espaço com uma pequena porção de Pinot Noir que se estabeleceram como expressões mais típicas do local.

VALE DO LIMARÍ, COLCHAGUA E A AMPLITUDE TÉRMICA 

Fato que algumas das regiões chilenas mais interessantes estão entre as menos conhecidas, como é o caso do Vale do Limarí. Localizado a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago, esse Vale é hoje uma das mais promissoras regiões de todo o Chile quando o assunto são tintos profundos e, sobretudo, brancos muito especiais.

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Vale do Limarí

O Vale do Limarí é, de certo forma, uma descoberta recente, visto que seus primeiros vinhos foram produzidos há 10, 12 anos e, desde então, muitas das grandes vinícolas chilenas têm “corrido” para aproveitar Limarí, que já é uma sensação quando se trata de vinhos finos. Essa região está bem perto do pacífico em linha reta, mas ainda não é a área mais ao norte do país. Afinal, o Chile é o mais longo do mundo, com extensão de 4.270 quilômetros, sendo que destes, 1.500 correspondem à plantação de vinhas vitiviníferas que vão dos Vales de Elqui e Limarí (ao norte) ao Vale de Malleco (ao sul).

Nessa região temos um dos céus mais claros do mundo para estudos de estrelas, constelações, planetas, entre outros aparatos astronômicos. Possui, ainda, a tradição em reunir curiosos que garantem ser o melhor local do mundo para ver, olhar e sentir os OVNIs (objetos voadores não-identificados).

A Chardonnay é a rainha desse Vale e devido à sua proximidade com o Equador, sobretudo do deserto mais seco do mundo, o Atacama, o Vale do Limarí é surpreendentemente quente e relativamente seco. As duas regiões mais ao norte, Atacama e Coquimbo, por sua vez, se especializaram na produção de pisco, uma das bebidas mais emblemáticas do país.

Quando se dirige ao extremo sul, a região mais conhecida é o Valle do Colchagua. Por estar mais distante da costa, é uma área de clima bem mais quente, produzindo alguns dos principais varietais tintos do Chile. Entre os melhores estão os das castas Cabernet Sauvignon, Carmenère e Syrah, assim como alguns dos melhores Malbecs da América do Sul, capazes de competir com os argentinos do outro lado dos Andes. Trata-se do lar de muitos dos produtores mais notórios do país, incluindo a Casa Lapostolle, Cono Sur, Montes Wines, Mont Gras e Viu Manet, este último dando origem a vinhos de alta qualidade e ótima acessibilidade.

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Vale do Colchagua – Foto: Estadão

Enfim, grande parte da cena do vinho chileno evoluiu por conta da demanda internacional. Por exemplo, a Carmenère já foi uma das uvas cultivadas em Bordeaux e quis o destino que hoje em dia fosse a varietal mais representativas do Chile.

Entretanto, de acordo com dados do app Vivino, a Carmenère representa, por exemplo, apenas 17% do vinho chileno consumido nos EUA, talvez devido a uma grande demanda mundial por Cabernet Sauvignon. Porém, acredito que o mesmo não deve ocorrer aqui no Brasil, onde os chilenos chegam com preços bem acessíveis e incentivos maiores do que os do nosso próprio néctar nacional.

Em meio às minhas pesquisas, já descobri que algumas das regiões mais conhecidas do país são facilmente acessíveis a partir da cidade de Santiago, sendo que a maioria abriga uma grande variedade de uvas tintas e brancas destinadas a varietais e assemblages únicas. Entre elas estão o Vale do Colchagua, Vale Central e Vale do Maipo. Ou seja, tem lugar de sobra para provar e descobrir inúmeros rótulos maravilhosos, tudo numa paisagem única. Mal posso esperar!!

Então é isso, enoamigos! Até a próxima com mais curiosidades sobre o Chile. Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências: People Power, Vivino 

 

Conheça a Vindima Mais Perigosa Do Mundo

A Ribeira Sacra é a área da Galícia que compreende os rios Sil, Minho e Cabe. Trata-se, basicamente, da região situada entre o sul e o norte da Rodovia Lugo-Orense, na Espanha.

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VITICULTURA HEROICA

Agora, imagine colher uvas em uma encosta com 85% de inclinação, com solo de ardósia e granito? Em seguida, carregar caixas pesadas, promovendo verdadeiras acrobacias com as uvas, esquivando-se das videiras, chegar ao seu destino para aí, então, finalmente, carregá-las em um barco que as transportará para o continente. Sim, é um trabalho arriscado, duro, cansativo.

Ao meu ver, só não é mais perigoso que as vindimas da época da Primeira Grande Guerra, quando os camponeses colhiam suas uvas em meio aos estouros das bombas. 

A paisagem revela pequenos abrigos nas encostas. Neles, algumas famílias repousam nos tempos da colheita. Por essas, até hoje ela é chamada de Viticultura Heroica.

RIBEIRA SACRA E A HISTÓRIA

A região da Ribeira Sacra remonta 2.000 anos, sendo que foram os romanos que plantaram suas primeiras videiras. Em seguida, os monges católicos aprimoraram a técnica. Assim como em outras regiões da Espanha, no século XIX, as videiras foram atacadas pela phylloxera vastratrix – um pulgão que se proliferou como rastilho de pólvora sobre toda a Europa, dizimando tudo à sua volta.

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Anos mais tarde, veio a Guerra Civil. Muitas terras foram abandonadas, pois sobretudo os jovens abandonaram suas aldeias para viver na cidade. Felizmente, no final do século XX, um grande número de moradores retornaram à Ribeira Sacra. Logo, as vinhas floresceram novamente para se tornarem o que são hoje, o pilar da Denominação de Origem de Ribeira Sacra. Hoje, a região conta com  90 vinícolas, que produzem cerca de 4 milhões de litros de vinho.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM DE RIBEIRA SACRA 

De acordo com a sua Denominação de Origem, Ribeira Sacra produz, principalmente, rótulos tintos, embora os brancos também desenvolvam expressões muito interessantes.

A Mencía é a varietal mais cultivada, resultando em vinhos jovens altamente aromáticos e frutados. Os vinhos Mencía são de coloração cereja intensa e brilhante, com reflexos violáceos. De acidez equilibrada, são bem potentes em taninos e teor alcoólico. Entre os rótulos brancos, de produção menor, destacam-se aqueles elaborados com as uvas Godello e Albariño.

Agora, confira algumas imagens desta que é uma das Vindimas mais belas, perigosas e surpreendentes do mundo do vinho.

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Então é isso, pessoal! Achei muito interessante e, antes dessa pesquisa, eu realmente não tinha ideia de como era a Vindima numa região tão íngreme e difícil.

Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2457492/Spanish-fruit-pickers-collect-grapes-precarious-Riberia-Sacra-hills.html

https://okdiario.com/economia/2016/05/27/ribeira-sacra-vendimia-peligrosa-168438

Colheita da Uva: Conheça 17 Festas da Vindima Ao Redor do Mundo

A Vindima é motivo de festa para produtores, colonos, enófilos e sommeliers. Afinal, trata-se do sucesso de mais uma safra que merece ser muito celebrada. Outro dia mesmo estava assistindo ao documentário “Um ano Na Borgonha” e acompanhava os temores dos viticultores pela saúde de suas uvas. O clima, as pragas, enfim, tudo isso é capaz de tirar o sono de muitos deles. Portanto, quando as angústias vão embora a gente tem mais é que comemorar mesmo.

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E é assim em praticamente todas as regiões do mundo onde uvas são produzidas. Há festas imperdíveis e gente que aguarda o ano todo por elas. Dá só uma olhada:

Mendoza (Argentina) – Fiesta Nacional de la Vendimia

Esta celebração tão importante para os argentinos representa o trabalho, esforço, dedicação e paixão de todos os que estão envolvidos com o mundo do vinho.

A primeira festa foi realizada em 1936 e, desde então, acontecia todos os anos, até 1955, visto que em 56 não houve celebração devido a problemas econômicos e a revolução que sacudiu o povo porteño. Depois, continuou em 57 e 58 o que, em 1959 foi denominada “Festa do Vinho”. Em seguida, comemorou-se a Vindima de 1960 a 84. Em 85, novamente a celebração foi cancelada em virtude do terremoto em Mendoza. Ainda bem que de 1986 até hoje a festa é realizada todos  os anos, sem interrupções.

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A Fiesta Nacional de La Vendimia de Mendoza conta com 4 eventos principais: a “Benção dos Frutos”, o “Caminho Branco das Rainhas”, “Carrossel” e o”Ato Central”, sendo esse último o mais representativo e atrativo em nível nacional e internacional, celebrado no teatro grego (anfiteatro) Frank Romero Day, que tem a estrutura redesenhada ano após ano e no qual participam mais de mil bailarinos em seu cenário, além de atores locais, reunindo espetáculos artísticos de luz e sons.

Em 2011, a renomada revista National Geographic elegeu a Fiesta de La Vendimia de Mendoza como a segunda manifestação cultural mais importante do mundo, atrás apenas do “Dia de Ação de Graças”, nos EUA. Além disso, é considerado por seus desfiles, tanto o “Caminho Branco” quanto o “Carrossel”, um dos cinco festivais populares mais importantes do mundo, ao lado do Carnaval no Rio de Janeiro.

Curió (Chile): Fiesta de La Vendimia

A primeira edição da Fiesta de La Vendimia de Curió, no Chile, foi projetada pelo enólogo espanhol Miguel Torres e, sem dúvida, foi a festa que abriu caminho para as mais de 20 celebrações realizadas em todo o país, entre as quais se destacam as do Vale d0 Coalchagua, Vale de Santa Cruz, Vale do Copiapó, entre outras.

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A maioria desses festivais acontecem entre os meses de março e abril, já na fase final da colheita. Entre os destaques estão a eleição da Rainha da Vindima, acompanhada de um show que mistura o folclore local com a música contemporânea, bem como outros eventos tradicionais, como a eleição da madrinha da festa, leilão, pesagem de garrafas de vinho e concurso de “pisadores de uvas”.

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Eleição da Rainha da Vindima no Chile

Uruguai: Festival de La Vendimia

Há 2 anos se realiza o Festival de La Vendimia do Uruguai, sempre no primeiro fim de semana de março. A diferença de outras festividades populares é que nesta só participam as vinícolas associadas à Rota do Vinho e as atividades acontecem simultaneamente nos estabelecimentos pertencentes a esse grupo.

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Porém, alguns dos atrativos mais importantes são as diversas opções de culinária e vinhos, assim como a possibilidade de participar da colheita e pisa das uvas em cada uma das vinícolas associadas.

Perú (Ica): Festival Internacional de La Vendimia

Há 48 anos se celebra esta festa dedicada ao vinho na cidade peruana de Ica. O evento dura aproximadamente 7 dias e acontece durante a primeira semana de março de cada ano.

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Entre as atrações, destaque para a pisa comunitária da uva pelos moradores da cidade que marca o início da festividade. Em Ica, também é eleita uma “Rainha da Colheita”, coroada no final do evento. Além disso, também são realizadas diversas degustações e shows artísticos variados que acontecem durante toda a semana de celebração.

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França (Paris): Fête des Vendanges de Montmartre

Há 75 anos, durante a primeira semana de outubro é realizada essa festividade em Montmartre, bairro de Paris. Mas aí você deve estar se perguntando: Por que em Paris? Por que em Montmartre, quando existem tantas regiões vinícolas fabulosas na França?  Pois é, amigos, tudo isso é simplesmente porque Montmartre possui o vinhedo mais antigo e conhecido da França, que data do século XVI.

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Entre as atrações mais importantes destaca-se um desfile em honra ao deus Baco, encabeçado pelos “Petit Poulbots” (crianças do bairro), tocando diversos tipos de tambores. O desfile acontece pelas ruas da colina de Montmartre e termina na praça principal com um show de fogos de artifício.

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França (Borgonha): Les Trois Glorieuses

Trata-se de uma das festividades mais antigas da França relacionada ao vinho. Iniciada em 1859, acontece todos os anos durante o mês de novembro e dura três dias.

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A atração mais importante acontece no final da festa e se trata de um leilão de vinhos jovens apresentados durante o evento, conhecido mundialmente como o leilão “Hospices de Beaune”, um dos hospitais mais antigos da França e que pratica obras de caridade desde 1443.

Canadá (Ontario): Niagara Wine Festivals

O Canadá possui um forte mercado vitivinícola e, obviamente, também tem a sua festa oficial. O cenário é a cidade de Ontario, onde são realizados 3 festivais: o Niagara Wine Festival, Niagara Icewine Festival e Niagara New Vintage.

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O Niagara Wine Festival é celebrado em setembro. Já o Niagara Icewine Festival acontece em final de janeiro e princípio de fevereiro, coincidindo com a colheita da uva para a preparação do famoso Ice Wine (Vinho de Gelo), que deve estar a cerca de -8ºC. Por último, o Niagara New Vintage Festival rola em junho, época da elaboração da safra do ano.

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Alemanha (Bernkastel-Kues): Weinfest der Mittelmosel

O Weinfest der Mittelmosel é celebrado na cidade de Bernkastel-Kues, na Alemanha, de 30 de agosto a 3 de setembro e marca o início da temporada da colheita na região, sendo a festa vinícola mais importante do sul do país.

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Aqui, a eleição da “Rainha do Vinho” também tem muita representatividade. A partir de 1949 cada região vinícola coroa a sua própria soberana e todas competem ao título nacional (é praticamente um “Miss Alemanha do Vinho”). Cada candidata passa por uma série de avaliações, entre elas, como diferenciar claramente o aroma e sabor de cada uva, seja de vinho tinto ou branco. Ou seja, não basta ser linda. A vencedora ainda tem que comprovar seus conhecimentos viníferos frente às câmeras de TV.

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Na Alemanha, a coroação da “Rainha do Vinho” é um acontecimento seguido com atenção por todo o sul do país. 

Itália (Asti): Vino Douja d’Or

Essa festa acontece há 47 anos em meados de setembro na cidade de Asti, na região italiana do Piemonte. Aqui o destaque fica por conta de um concurso entre os produtores da cidade, que é uma das mais importantes áreas vinícolas da Itália. A celebração termina com uma corrida de cavalos.

 

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Espanha (Valencia): Fiesta de La Vendimia  de Requena

De 20 a 31 de agosto se celebra em Requena (Valencia) a “Feria y Festa de La Vendimia” (Feira e Festa da Colheita). A antiga feira, de origem medieval, a partir de 1947 se associou à festa da colheita.

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A festividade é uma das mais antigas da península ibérica e comemora a produção da uva e do vinho, dois dos principais produtos agrícolas da cidade. A feira, por sua vez, é dedicada à padroeira do lugar, Nossa Senhora das Dores. O evento conta com barraquinhas e atrações organizadas pelos feirantes na principal avenida, a Arrabal.

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Entre as atrações mais populares da festa estão a “Noche de La Zurra”, durante a qual as pessoas percorrem as ruas com odres (antigo recipiente feito de pele de animal, usado para o transporte de líquidos) pedindo por água, que são fornecidas por meio de baldes e mangueiras.

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Há, ainda, a eleição da “Rainha da Colheita”, oferenda de flores e frutas à padroeira da cidade, além da “Feira do Vinho” (FEREVIN) e do Desfile da Vindima, que vai da Prefeitura até o Monumento Universal da Colheita, onde ocorre a pisa da uva, bem como a benção do primeiro mosto. Lá, as fontes de vinho (feitas de madeira e papelão) são abertas e podem ser desfrutadas pelos visitantes até o último dia de festa.

Espanha (Barcelona): Festa de la Verema a Alella

Como sabemos, os catalães buscam ser independentes da Espanha e uma das maneiras de expressar esse sentimento é organizando essa celebração. Na”Festa de La Verema e Alella” o que mais se destaca é o concurso de pisadores de uvas, assim como a eleição da “Pubilla”, quantidade de uvas que é pesada em público e convertida em garrafas de vinho.

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Todo ano a festa acontece em uma cidade diferente da Catalunya. 

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Portugal (Santarpém): Vindouro, Festa Do Vinho do Douro

Em Santarpém está localizada a cidade de Cartaxi, que tem como atração a Festa do Vinho do Douro (Vindouro), que acontecem entre os últimos dias de Abril e os primeiros de Maio. Durante os 4 dias de evento, destacam-se todos as atividades relacionadas ao mundo do vinho, entre elas a reprodução de um mercado do século XVIII.

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Chipre (Limasol): Festa do Vinho de Chipre

A festa acontece desde 1961, na primeira semana de setembro, no Jardim Municipal de Limasol, na Ilha grega de Chipre. Assim como as demais festas da colheita ao redor do mundo, essa também se destaca por suas atividades culturais e gastronômicas, típicas da região.

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Destaque para a feira organizada à noite, onde os visitantes podem degustar todos os vinhos do evento de forma gratuita.

Luxemburgo (Grevenmache): 59E Fête Du Raisin Et Du Vi

Está aí outra festividade que não abre mão de eleger uma “Rainha da Colheita” para representar sua cultura vitivinícola. A festa da colheita de Luxemburgo acontece durante três dias no mês de setembro, dando grande destaque às suas castas mais emblemáticas: Riesling e Pinot Noir.

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República Checa (Mikulov): Festa da Colheita de Parava

A República Checa dispõe de 19.000 hectares dedicados ao cultivo de uvas destinadas ao nosso néctar, com destaque para as varietais Cabernet Moravia ou André, em tintos, e a Moscatel Moravo nos rótulos brancos.

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A Festa da Colheita de Parava acontece anualmente entre 9 e 12 de setembro, na localidade de Mikulov. Entre as principais atrações estão as bandas de música locais e, sobretudo, seu vinho jovem chamado “Bureák”.

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Além dessa festividade, no final de setembro é realizada uma celebração histórica do vinho com a reprodução da corte do Imperador e Rei checo Carlos IV. Tudo acontece através de uma representação medieval, que inclui degustações e apresentações dos vinhos que mais se destacaram no ano.

Suíça: Festa da Colheita de Neuchâtel

Na Suíça, a cultura do vinho remonta o século X e justamente por isso é que o país dá uma grande importância à bebida. A celebração dura três dias e vai das primeiras horas da manhã até tarde da noite.

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Nos primeiros dias acontecem diversos recitais de música e atividades para as crianças. Além disso, são realizados diversos desfiles de bandas e o gran finale fica por conta de uma grande cerimônia, com carros alegóricos decorados com flores e luzes. Trata-se de um tradição que vem desde o século XIX, quando os viticultores passavam com seus veículos carregados de utensílios que indicavam que a Vindima estava prestes a começar.

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México (Querétaro): Fiesta de la Vendimia

Há 37 anos a festa do vinho no México ocorre durante dois dias de meados de julho. A celebração é organizada pela “Viñedos La Redonda”, que convida os visitantes a degustar seus vinhos e participar da tradicional pisa da uva.

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Espero que tenham gostado e que se empolguem a participar de uma dessas festas que são verdadeiras celebrações ao néctar de Baco. E, sim, planejo ir em uma delas em breve. A de Mendoza parece ser um ótimo custo x benefício, visto que, definitivamente, está entre as melhores do mundo.

Afinal, quem não gosta de vinho e diversão, não é mesmo?

E você, caro enófilo de plantão, já participou de um evento desses, nem que seja de uma pisa da uva? Como foi? Conta para mim!

Boa quarta! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wikipedia, Big Wine Theory