Notas de Prova: Novo Moscatel RAR, Direto do Vale de São Francisco

Enoamigos, hoje cheguei com mais um post da série Notas de Prova. Desta vez com um Moscatel que recebi no kit do mês do Club RAR, empresa do lendário Raul Randon. Aliás, faz um tempo que sou fã da marca, sobretudo dos queijos e vinhos (em parceria com a Miolo Wine Group). A linha Gran Formaggio, por exemplo, é de alta qualidade e uma delícia!

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MOSCATEL DO VALE DE SÃO FRANCISCO

Então, vamos falar do vinho. Os moscatéis brasileiros estão superbadalados e têm conquistado medalhas pelo mundo afora. E um dos terroirs que vem chamando a atenção na produção de espumantes desse estilo no Brasil é o Vale de São Francisco, em Pernambuco, próximo de Petrolina. Sem dúvida, é um local que tenho muita vontade de conhecer e está no meu roteiro de Wine Tour.

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Vinhedos do Vale de São Francisco – Foto: Uol

Ok, nem todo mundo curte um vinho docinho. E, sim, o Espumante Moscatel da RAR é um Vinho de Sobremesa, mas que também pode ser apreciado como aperitivo, antes do início dos trabalhos. Eu sou do tipo que acha que existe um estilo de vinho para cada momento. E a uva moscatel, por sua doçura (pense na reputação dos moscatéis de Setúbal, por exemplo..) fica maravilhosa em rótulos que harmonizam perfeitamente com sorvetes, tortas e doces de frutas, em geral. Inclusive, a minha favorita é com torta de maça ou limão – e quem me conhece sabe que se trata dos meus doces favoritos.

Vale ressaltar, ainda, que o método de produção é o ASTI, com uma única fermentação em tanques de inox.

OPÇÃO REFRESCANTE PARA O VERÃO

Tenho vários amigos e amigas que são fãs dos espumantes moscatéis e que, sim, levam essa delícia para além da sobremesa. Geladinho, num dia quente de verão à beira da piscina, por exemplo. Ou até na praia! Por seu baixo teor alcóolicoe açúcar residual, acaba sendo uma opção mais leve para aqueles que não curtem vinhos secos e cerveja.

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ANÁLISE: NOTAS DE PROVA

VISUAL: Amarelo-palha claro, com nuances verdeais e perlage fina e persistente. Espuma muito cremosa! 

OLFATIVO: Além do cheiro característico da uva (o Moscatel é um dos poucos vinhos em que o aroma da uva se sobressai), também é possível perceber outras frutas, como pêra, abacaxi e maçã verde. Além disso, é bem “florido” e com um toque de mel irresistível. É realmente muito agradável no nariz!

GUSTATIVO: Na boca é doce, sem ser enjoativo. Possui uma boa acidez e equilíbrio. A gente sente a cremosidade na boca. É leve e um parcerio ideal para sobremesas à base de frutas.


COMPLEMENTO DO KIT DO CLUB RAR

O RAR é um Clube que vai além do vinho, tendo uma pegada mais gourmet. Tanto que recebi, além do Espumante Moscatel, uma bandeja do Queijo Gran Formaggio Grana Padano, que eu amo! Sem brincadeira: é um dos melhores granas que já degustei. Ele é salgado, cremoso em boca e, ao mesmo tempo, com um toque adocicado.

O kit vem, ainda, com um Molho Pesto Rosso Italiano, perfeito para combinar com o Spaghetti Al Nero Di Seppia, também uma iguaria do país da bota. Vale destacar que a massinha (que eu ainda não provei, mas o farei em breve) é elaborada com sêmola de trigo de grano duro e tintura de lula. Ou seja, deve ficar o máximo também com um molho à base de camarão ou frutos do mar. Curti tudo!

Ah, se você quiser receber um kit como esse todos os meses, é só acessar o site da RAR. Lá você encontra, além de um link para se associar ao Clube, várias sugestões de vinhos, presentes, enfim, tudo muito bacana e delicioso.


Então é isso, meus queridos! Amanhã é sexta e com certeza vou divulgar uma receitinha de Wine Drink aqui para vocês. Espero que tenham curtido o post.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-tim

*Este post é um publieditorial.

 

 

 

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Wine Drinks: Brinde à Vida com Pisco e Espumante Rosé (Morango Sparkler)

Como visitar o Chile e não trazer uma garrafa de pisco na mala? E, chegando em casa, claro, comecei a explorar a internet em busca de receitas de drinks diferentes, que saíssem do tradicional “Pisco Sour”. Até que, enfim, encontrei uma que une o destilado com nada mais nada menos que Espumante Rosé (uma das minhas paixões!). O resultado é mais um Wine Drink inédito aqui para vocês.

O diferencial dessa receita é o Xarope Simples de Morango, que serve, ainda, para saborizar outros drinks e soltar a criatividade. Por isso, primeiro vou te ensinar a fazer esse ingrediente. Anote aí:

Ingredientes:

1 kg de morangos lavados e cortados em pedaços
2 kg de açúcar
300 ml de água

Numa panela alta coloque o açúcar e a água, leve ao lume e deixe ferver 5 minutos. Junte os morangos e deixe ferver mais 8 minutos em lume baixo. Desligue o fogo e coe através de um passador de rede fina. Deixe arrefecer e engarrafe, rolhe bem. Guarde em local fresco.

 

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Sim, e agora vamos à receitinha do Morango Sparkler, para você curtir com os amigos no happy hour, no almoço, jantar e por aí vai… Satisfação garantida! Olha só:

MORANGO SPARKLER

Ingredientes:

  • 1 dose de Pisco
  • 1/2 dose de xarope simples de morango (o restante do xarope que  você preparou pode ser guardado numa garrafa e ir para a geladeira, para outros drinks)
  • 3 doses de espumante rosé de qualidade (de preferência seco, sem açúcar residual)

Modo de Preparo:

Junte o Pisco e o Xarope Simples de Morango no fundo de uma flute, tulipa ou copo long drink. Despeje o Espumante Rosé na taça ou copo.  Decore com um morango na borda, assim como na foto abaixo, e voilá!

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Então, viníferos, eu já estava com saudades de publicar um Wine Drink inédito para vocês. Afinal, nada como dividir uma paixão com os amigos. E, além do vinho, também gosto muito de mixologia e tudo o que envolve o assunto “Coquetéis”.

Sem falar que quem me conhece sabe o quanto sou entusiasta dos Vinhos Rosés e faço de tudo para divulgá-los por aqui e desmistificar alguns preconceitos.

Até a próxima! Bons Vinhos! Ótimos drinks! Tim-Tim!

 

*Referências: Vine Pair, Blog horta e cozinha, Petiscos. 

Champanhe: as 10 Frases Mais Famosas Sobre o Rei das Borbulhas

A aula de Espumantes do meu curso profissional da ABS-RJ me inspirou a buscar curiosidades sobre as borbulhas que vão além das técnicas de produção. E, sendo assim, hoje trouxe para vocês algumas célebres frases sobre o Champanhe, que, sem dúvida, é a mais efervescente e charmosa das bebidas:

1 – “Venham rápido, irmãos! Estou bebendo estrelas!”.

Dom Pérignon.

Descrição famosa do monge cego que, reza a lenda, foi o descobridor do champanhe. Não importa se essa frase é ou não verídica, mas vamos combinar que se você já provou um bom espumante a sensação é exatamente essa!

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Logo, foi isso mesmo que o monge beneditino gritou quando provou o champanhe pela primeira vez numa adega subterrânea da abadia de Hautvillers, na fria região francesa de Champagne. Afinal, seus anos de trabalho e paciência tinham produzido um milagre. E olha que dizem que essa descoberta se deu de forma totalmente acidental, visto que, naquela época, o gás-carbônico no interior das garrafas era considerado um defeito. Que bom que Dom Pérignon decidiu provar o resultado, pois, daí nasceu um dos melhores vinhos do mundo.

2 – “O Champanhe é o único vinho que permite à mulher conservar-se bela após tê-lo bebido”. 

Marquesa de Pompadour (Jeanne-Antoinette Poisson).

Esperta que só, a marquesa bem sabia que o champanhe faz bem para a pele e a alma, tanto que sua beleza conquistou um dos mais poderosos homens do mundo em sua época.

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A famosa cortesã francesa, amante do Rei Luís XV, foi uma das maiores promotoras do consumo de champanhe. Afinal, graças a ela, a mulherada de Versailles passou a acreditar na eficácia das borbulhas como produto de beleza. Ah, e como deve ser uma delícia se sentir mais bonita com champanhe!

Diz-se, ainda, que supostamente o rei tenha ordenado que as taças coupe fossem moldadas na forma perfeita de seus seios.

3- “Só bebo champanhe em duas ocasiões: quando estou apaixonada e quando não estou”.

 Coco Chanel.

Concordo com a elegante Coco. Asism como ela, também tento beber exclusivamente nessas duas ocasiões (rs).

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Enfim, a famosa e revolucionária estilista francesa queria deixar claro que beber champanhe era algo que sempre fazia, não importava o que acontecesse ao seu redor.

4 – “Champanhe! Na vitória você o merece, na derrota você precisa dele”.

Napoleón Bonaparte.

Bem sabia Napoleão que as vitórias ficam mais doces e as derrotas menos amargas com champanhe. Sem dúvida, uma frase sábia, tanto que até hoje é uma das primeiras que me vem à mente quando penso em frases sobre borbulhas.

A paixão de Napoleão pelo champanhe, sobretudo os da Maison Moët & Chandon, fez com que o imperador, inclusive, popularizasse a técnica de Sabrage (desarrolhar a garrafa com a espada) entre os militares franceses, que lançavam mão dela em simplesmente todas as festas da cavalaria. Cada vitória espetacular era motivo para uma comemoração com muito champanhe.

5 – “Lembrem-se, Senhores: Não é pela França que lutamos, é pelo champanhe!”.

 Winston Churchill.

Certamente, Churchill, um dos mais famosos primeiros-ministros ingleses, poderia ter sido nomeado o primeiro embaixador do espumante francês. O estadista era conhecido por sua paixão pelas borbulhas, tanto que seu café da manhã favorito era ostras com champanhe. Sua marca favorita era a Pol Roger, elaborada com as três varietais de champanhe (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay).

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6 – “O champanhe é o luxo dos amantes dos vinhos”.

Jancis Robinson.

Guru dos enófilos dos dias de hoje, Jancis Robinson sabe muito bem dos nossos desejos e sonhos de consumo. E qual o apaixonado pelo mundo de Baco que não gostaria de desfrutar de um bom champanhe gran cru sempre que possível? Porém, o champanhe é um artigo de luxo reservado a ocasiões muito especiais (ao menos que você tenha grana para ter várias garrafas na adega).

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Jancis é conhecida como uma das mais renomadas críticas e pensadoras do vasto universo do vinho. Uma das personalidades que mais admiro!

7 – “Só as pessoas pouco criativas não conseguem encontrar um motivo para beber champanhe”.

Oscar Wilde.

Um brinde à Oscar Wilde e todos os bebedores de champanhe criativos!

Um dos mais famosos escritores ingleses sempre foi conhecido por sua personalidade. Ou seja, falta de criatividade para “inventar” uma razão para beber champanhe nunca existiu em seu repertório.

8- “Você pode ter muito champanhe, mas nunca terá o suficiente”.

Elmer Rice.

Dramaturgo vencedor do American Prêmio Pulitzer, em 1929, Elmer Rice foi um dos membros do clube “Amantes de Champanhe”. Para ele, acima de tudo, a bebida representava infinitas emoções, entre elas a celebração e o prazer imediato que proporcionava esse néctar tão sedutor.

9 – “Qualquer coisa em excesso é prejudicial, mas champanhe demais é sempre bom”.

Scott Fitzgerald.

Quando o famoso escritor Scott Fitzgerald proferiu essa frase, obviamente não estava pensando no Grande Gatsby, mas sim em muitos amantes do champanhe.

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Fato que Fitzgerald sempre viveu entre o sucesso, a indolência, o talento literário e excessos. Em “O Grande Gatsby” isso é bem retratado, numa obra em que o glamour e os loucos anos 20 são sempre acompanhados pelo espumante mais famoso do mundo. Quem nunca quis estar em festas com fontes de champanhe por todos os cantos? Sem dúvida, trata-se de um excesso maravilhoso..rs.rsrs.

10 – “Chega o momento da vida de uma mulher em que a única coisa  que ajuda é uma taça de champanhe”.

Bette Davis.

A vida é feita de altos e baixos e todos nós em algum dia iremos nos deparar com maus momentos. Nessas horas, uma bela taça de champanhe realmente pode operar milagres. No entanto, o que Bette Davis não menciona nessa frase é que o champanhe estava sempre com ela, inclusive nos bons momentos.

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Essa atriz apaixonada, conhecida por suas performances melodramáticas em filmes históricos e românticos, aproveitava ao máximo cada momento da vida, com direito a muito glamour e champanhe, claro!


Enfim, enoamigos, o que não falta são motivos para desfrutar de uma taça de espumante, independente se é ou não champanhe. Até porque, uma coisa é certa: a vida deve ser sempre celebrada!

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: http://www.gourmandin.es/

Notas de Prova: Menegotto Mostra Que Um Espumante Moscatel Pode Ir Além da Sobremesa

Sou completamente fascinada por harmonização entre vinho e comida. E, desde que recebi uma amostra de espumante moscatel da Carpe Vinum, decidi que não iria testá-la com nada óbvio, como torta de maçã ou sorvete de creme.

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Lembra quando eu mencionei que no inverno acabo sempre com apenas uma garrafa de vinho branco na adega? Pois é, gosto de ter um rótulo do estilo para harmonizar com comida japonesa, fondue de queijo, entre outros pratos que, no meu entendimento, acompanham bem um branco. Contudo, ao retornar de viagem, minha adega estava carregada de tintos (sempre acabo me rendendo a eles, ainda mais no friozinho) e ao procurar por opções, lá estava a garrafa do Menegotto Moscatel, se oferecendo para mim.

MOSCATEL E COMIDA JAPONESA?

Peguei a garrafa e liguei para o Restaurante Japonês. Vamos testar algo nada óbvio. Voilá!

Sei que os espumantes moscatéis são doces e, portanto, combinam bem com sobremesas. Porém, o doce também pode contrastar, por exemplo, com o salgado do molho shoyo. Sem falar que o frescor das borbulhas pedem algo fresco, como sushi e sashimi. Por que não?

MENEGOTTO MOSCATEL 

Elaborado com as cepas Moscato Branco (80%), e Malvasia de Cândia (20%),  o Menegotto é elaborado pelo tradicional processo Asti italiano. A tomada de espuma acontece em autoclaves com controle de graduação alcoólica até atingir 7,5% de álcool.

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O espumante é produzido pela Vinícola Courmayeur, fundada em 1976 na região de Garibaldi, na Serra Gaúcha, que é, sem dúvida, uma das melhores para a produção de borbulhas. O nome Courmayeur provém de uma comuna italiana da região do Valle d’Aosta, na fronteira com o território francês, ou seja, já senti que de método italiano eles entendem.

O MÉTODO ASTI

Asti está ligado ao processo de elaboração e é o nome de uma cidade italiana, na região do Piemonte, onde esses espumantes são elaborados há muito tempo. O método Asti é uma variação do Charmat, através do qual a fermentação ocorre em cubas de aço inoxidável. Contudo, ao contrário do método Charmat, em que o vinho base é colocado para fermentar pela segunda vez, a fim de produzir álcool e gás carbônico, no método Asti ocorre apenas a fermentação.

Logo, o mosto é colocado nas cubas junto com leveduras que irão consumir o açúcar do líquido, transformando-o em álcool e gás carbônico. A fermentação é interrompida quando o teor de álcool atinge 7% ou 8%. Como as uvas são mais doces que outras variedades, o resultado é um espumante adocicado (com alto teor de açúcar), de baixo teor alcoólico, leve, refrescante e muito aromático.

NOTAS DE PROVA

VISUAL: Amarelo-palha com nuances esverdeadas. Perlage fina e persistente.

OLFATIVO: Notas de mel e flores brancas. 

GUSTATIVO: Doce, sem ser enjoativo. As notas de nariz se confirmam em boca. Apesar de leve, possui boa cremosidade de frescor.

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HARMONIZAÇÃO: além de casar bem com sobremesas, também faz bonito ao lado de saladas e entradas mais leves. Minha experiência com sushi, sashimi e muito shoyo foi totalmente aprovada. 

TEMPERATURA DE SERVIÇO: entre 3 e 7ºC

7,5% de volume alcoólico. 


Então é isso, enoamigos. Nada como sair do lugar comum! Você encontra o Espumante Moscatel Menegotto na loja virtual da Carpe Vinum .

Até a próxima! Ótimos vinhos e combinações inusitadas! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes

Volta e meia os especialistas mudam de opinião no que diz respeito à melhor taça para se degustar um espumante. Já foi a “coupe”, a “flûte” e, agora, ora vejam só… estão afirmando que uma taça no estilo tulipa (linda, na minha opinião!) ou uma simples taça de vinho branco seriam os artefatos ideais para analisar aroma e perlage com maior eficácia.

Continuar lendo “Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes”

Dirceu Scottá Fala Sobre Dal Pizzol e os Desafios do Vinho Brasileiro

Na última quarta-feira, 10/05, estive no Pow Boteco Espumante, comandado pelo amigo Luiz Fernando Macedo, para a palestra do Dirceu Scottá, Presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e enólogo da Vinícola Dal Pizzol, tradicionalíssima e localizada na Rota das Cantinas Histórias no Distrito de Faria Lemos, no Rio Grande do Sul.

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Com Dirceu Scottá e os amigos Beatriz Machado, Luiz Fernando Macedo e Fábio Cunha

POW BOTECO ESPUMANTE 

Para começar, fiquei totalmente encantada pelo Pow. Localizado na Lapa (Rua do Senado, 41), o lugar é puro deleite para os amantes do espumante nacional. Sim, pois a casa dispõe de uma carta maravilhosa, munida com os melhores rótulos do nosso terroir, incluindo belezinhas das vinícolas Pizzato (que assina o delicioso espumante com a marca da casa), Miolo, Hermann, Dal Pizzol, Geisse, entre outras. Logo que cheguei, encontrei dois amigos, o Fábio Cunha, do curso de Wine and Business da FGV, além da bela e simpática Beatriz Machado, da Wine and Travel Enoturismo.

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Além de ter a missão de divulgar e fomentar o espumante brasileiro, o Pow ainda conta com uma extensa programação que inclui música ao vivo, palestras, mini-weddings (para quem deseja celebrar o casamento só com os íntimos), karaokê e happy hour. Tudo para reunir a galera apaixonada por borbulhas! Sem falar que a casa está com altos projetos, entre eles, a Academia Brasileira do Espumante, além de outros cursos de especialização em Vinhos, Azeites, Queijos, Chocolates… ou seja, de tudo o que há de melhor no mundo da enogastronomia.

O Luiz Fernando apresentou, ainda, o renomado Duda Ribeiro, Chef que promete agitar ainda mais a cozinha do Pow com delícias sob medida para acompanhar a temática efervescente do local. 

DIRCEU SCOTTÁ E OS ESPUMANTES DAL PIZZOL

Enfim, fomos conduzidos ao segundo andar da casa, onde Dirceu Scottá nos aguardava para falar sobre a Vinícola Dal Pizzol, da qual é nada mais nada menos que enólogo-chefe. Scottá começou abrindo nossos horizontes sobre a história da vitivinicultura no Brasil, que começou em 1878 com os imigrantes italianos, entre eles a Família Dal Pizzol que, inicialmente, fazia parte de uma cooperativa, até plantar suas primeiras videiras em 1940. E, em 1978, centenário da vinícola, foi lançado o famoso Cabernet Franc “Do Lugar” até hoje um dos seus maiores bestsellers.

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DEGUSTAÇÃO DE ESPUMANTES 

Em seguida, iniciou-se a degustação dos belos espumantes Dal Pizzol, por ordem de peso (do rótulo mais leve até o mais substancial). Começamos com o Brut Charmat (60% Chardonnay e 40% Pinot Noir). Com aromas cítricos e nuances de mel e abacaxi, é uma mistura de várias safras.

Aliás, nessa hora o Scottá nos explicou que uma das lutas da Ibravin é a de que espumantes que contenham pelo menos 85% de uvas da mesma safra sejam rotulados com o ano da colheita, ocorrendo, assim, uma maior padronização. Esse Brut possui 12g/l de açúcar, estando bem de acordo com o paladar do brasileiro, que em sua maioria prefere exemplares com um pouco mais de açúcar residual.

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Já o Rosé Charmat (60% Pinot Noir e 40% Chardonnay) possui seu vinho base macerado com as cascas, retirando o máximo de coloração da Pinot. E que cor! O rosé possui uma tonalidade casca de cebola intensa que eu amo em vinhos desse estilo. A garrafa é transparente. Então, amigos, vocês já podem imaginar o quanto fica bonito!

Trata-se de um rótulo muito agradável, com notas de frutas vermelhas, flores e um toque cítrico. Apesar do preconceito com os vinhos rosés ter sido discutido nesse momento, por experiência própria, sinto que isso tem mudado. Afinal, um dos artigos mais acessados daqui do blog é o 5 Pratos Para Acompanhar Um Vinho Rosé. Sucesso absoluto!

Então, chegamos na parte que eu mais gosto: a dos espumantes elaborados pelo método tradicional champenoise, extremamente gastronômicos!

O Brut Tradicional fica 18 meses em contato com as leveduras na garrafa e a segunda fermentação leva em torno de 30 dias para acontecer. Nele, encontramos nuances totalmente diferentes, como torrefação, amêndoas e frutas mais complexas, em virtude do contato com as leveduras. Ah, e aquele cheirinho de pão saído do forno que os amantes do espumante conhecem bem. 

Além disso, esse Brut já é mais seco que o Charmat, visto que contém apenas 7g/l de açúcar. Por isso, deixa a boca mais enxuta, com mais estrutura e um belo final.

COMPLEXO ENOTURÍSTICO DAL PIZZOL

Antes de nos apresentar o gran finale, Scottá falou sobre o Ecomuseu da Cultura do Vinho, localizado numa área de 8 hectares em meio à vinícola. Nele, é possível conhecer arados e utensílios utilizados pelos imigrantes italianos, além de um espaço sob medida para a diversão da garotada.

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Ecomuseu da Cultura do Vinho

CONCEITOS DA VINÍCOLA

Aliás, vale lembrar que a Dal Pizzol conta com vinhos 100% varietais, com exceção dos espumantes, produzidos em pequenos lotes, a fim de preservar o máximo de sua qualidade. A vinícola acredita ainda na não-intervenção do carvalho, produzindo caldos modernos, com total expressão da fruta, alinhando-se ainda mais com o estilo dos Vinhos do Novo Mundo e a tendência mundial de exemplares mais frutados e com menos madeira.

Segundo Scottá, outro projeto da Ibravin é o de tornar obrigatório na rotulagem se o vinho foi adicionado de carvalho (com o uso de chips, dominós etc.) ou envelhecido em barris de carvalho. Tais informações atualmente são praticamente inexistentes nos rótulos, confundindo totalmente os consumidores. 

O GRAN FINALE: DAL PIZZOL NATURE 40 ANOS 

Para fechar as degustações com chave de ouro, nos foi servido o Dal Pizzol Nature, parte integrante das 3 mil garrafas produzidas para a comemoração dos 40 anos da vinícola. Sem dúvida, foi um dos pontos altos da noite.

O Nature (60% Pinot Noir e 30% Chardonnay) chegou carregado de um nariz imponente, com notas de pão, pêssegos maduros, avelãs e amêndoas. Possui estrutura marcante, elegância e finesse e pode continuar evoluindo perfeitamente na garrafa.

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Segundo Dirceu Scottá, esse champenoise harmoniza totalmente com a nossa brasileira feijoada. Confesso que quando ele falou isso combinei os aromas na minha cabeça e logo me deu água na boca. Sem falar que a garrafa é linda de viver. Uma verdadeira joia! Possui apenas 1,5g/l de açúcar, no estilo dos melhores champanhes do mundo.

Scottá falou, ainda, sobre outros desafios do vinho nacional, sobretudo com relação à vontade política, praticamente inexistente, de transformar o nosso vinho em alimento, difundindo sua cultura por aqui e fomentando, assim, o mercado interno.

A própria logística entre os estados (para transporte das garrafas) já se mostra como um obstáculo, sem falar na falta de incentivos e tributação altíssima, que encarece os nossos vinhos frente aos rótulos de outros países. 


Então é isso, enoamigos, foi uma honra estar presente nesse encontro e aprender um pouco mais sobre os vinhos da nossa terra com uma das grandes figuras do cenário vitivinícola brasileiro.

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Parabéns ao Luiz Fernando Macedo e toda a equipe do Pow Boteco Espumante por difundir a cultura do vinho nacional e organizar uma noite, sem dúvida, memorável.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!