Almoço de Dia das Mães Com Vinhos É Muito Amor!

Domingo está chegando e enquanto as pessoas “normais” estão mais concentradas na escolha do menu ou restaurante para o almoço, nós, enófilos inveterados só pensamos nos vinhos da festa. =) Por isso, hoje trouxe algumas ideias de fermentados para brindar nessa comemoração tão especial que é simplesmente uma das mais esperadas do ano. Vamos lá!

HARMONIZANDO O ALMOÇO COM VINHOS 

FRUTOS DO MAR

Se o prato principal for peixe ou qualquer outra delícia do mar, logo pensamos em vinho branco ou rosé. Afinal, de forma geral, os tintos não combinam muito bem (ao menos que o exemplar seja bem leve  e pouco tânico). Para o domingo, sugiro dois rótulos que farão bonito nesse caso. O Yarden Chardonnay (Golan Heights, Inovini / R$ 121,00), rico em aromas, sabores e texturas cai como uma luva para pratos nos quais as estrelas são mariscos e camarões. Outra excelente opção, delicada e límpida, com nuances de frutas cítricas frescas e que combina com um peixinho é o Borgonha Mâcon-Lugny (Louis Latour, Inovini / R$ 164,70), um Chardonnay de vinhas velhas, com cerca de 30 anos de idade.

MASSAS

As massas fazem parte do menu de muitas famílias em datas especiais. Porém, para harmonizar essa delícia com vinhos, devemos levar em consideração, sobretudo, o molho e não a massa, que por si só já é bem neutra. Massas ao pesto ou ao molho branco combinam com rótulos brancos leves de boa acidez, como um bom Sauvignon Blanc, no estilo do esloveno Gomila Sauvignon Blanc 2014 (Puklavec & friends Winery, Carpe Vinum/R$ 92,95). 

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Agora, se a massa chega com um bom molho à bolonhesa ou ao sugo, sugiro um tinto mais intenso e encorpado, com nuances de frutas negras e vermelhas. Quem pensou em Malbec? Voilá! O NDN 2013 é uma homenagem da Vinícola Hélios aos 30 anos da banda gaúcha Nenhum de Nós e seu Astronauta de Mármore. (Vinícola Hélios, Red Buteco de Vinhos/ R$75,00).

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CARNES

Agora vamos aos vinhos para uma das iguarias preferidas de nós, brasileiros: Carne! Contudo, para os pratos à base de carne o que deve ser levado em consideração é o modo de preparo da receita. Para carnes grelhadas uma boa opção é o elegante e refinado TH Pinot Noir, de taninos sedosos e acidez vibrante (Undurraga, Inovini / R$ 159,50).

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Para carnes assadas ou cozidas, indico um tinto português leve com notas de frutas vermelhas (Bigode Tinto 2014, DFJ Vinhos, Carpe Vinum / R$ 49,00).

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Para cordeiro e carnes de caça indico um bom Tannat, potente o suficiente para fazer frente a um prato tão substancial. Nesse caso, a dica é o premiado Torcello 2014. Brazuca, claro! ( Torcello, Cave Nacional/ R$65,00).

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Outra opção é um Syrah mais encorpado e com um toque de madeira. Nesse caso, o Almaúnica Reserva 2012 vai superbem. Mais uma das pérolas do nosso terroir brasileiro! (Almaúnica, Cave Nacional/ R$89,90).

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SOBREMESA

É a hora mais esperada depois do almoço. Um dos segredos para acertar na combinação é buscar por um vinho cujo grau de doçura não se sobreponha ao da sobremesa que será servida. Para doces que acompanhem chocolate, um porto Tawny ou um Ruby genérico são boas escolhas. Para Doces à base de frutas cítricas e cremes, como torta de maçã, de limão ou um clássico crepe Suzette, o refrescante e encorpado Yarden Muscat (Golan Heights, Inovini / R$ 95,70) cai como uma luva.

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Então é isso, enoamigos! Estou superansiosa pelo almoço de domingo. Aqui em casa costumo almoçar com a sogra e jantar com minha mãe e avó. Sem dúvida é uma das datas mais esperadas quando se trata de celebrar em família. Acho que só perde para o Natal.

Para saber onde adquirir os vinhos da Importadora Inovini acesse o site http://www.inovini.com.br/ .

Feliz Dia das Mães! Bons Vinhos! Até a próxima! Tim-Tim!

Vinhos Finos Doces, Sem Preconceitos

Há alguns meses ando flertando com os chamados Vinhos Finos de Sobremesa, ou seja, aqueles exemplares doces (ou meio-doces), que geralmente acompanham tortas, mousses, entre outras delícias temperadas com açúcar. Mas, confesso para vocês que eu tinha um certo preconceito com esse tipo de vinho. Porém, quando se degusta um bom Porto ou Colheita Tardia (Late Harvest) algumas ideias pré-concebidas caem por terra facilmente.

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DOCES EXPERIÊNCIAS

Aliás, sempre fui uma formiguinha, mas nunca para vinhos. Quando viajei para Portugal no ano passado, quis visitar as Caves de Vinho do Porto e me encantei totalmente por aqueles fortificados de alto teor alcoólico.

Ao chegar em casa, fiz várias experiências enogastronômicas com eles. Com doce de leite argentino, o Porto Tawny só me deu alegrias! A partir daí, me deu vontade de conhecer outros rótulos. Atualmente, graças à ABS-RJ, estou in love pelos exemplares de Colheita Tardia (ou Late Harvest). Que tal conhecer esses vinhos um pouco mais?

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VINHOS FINOS DE SOBREMESA

Quase todos os vinhos finos de sobremesa são produzidos com uvas brancas, geralmente aromáticas: Gewurztraminer, Moscatel, Muscadelle, Malvasia, a Sémillon em Bordeaux, Furmint na Hungria, Riesling na Alemanha e a Chardonnay no Novo Mundo.

  1. Colheita tardia ou Late Harvest: o nome já diz tudo. Esse tipo de vinho é elaborado com uvas que foram colhidas além do período normal de vindima, o que ocasiona uma desidratação da fruta e uma alta concentração de açúcar. O mosto obtido dessas uvas é quase como um mel e o volume, muito menor. No momento em que é produzido, utiliza-se uma técnica que interrompe a fermentação pela adição de anidrido sulfuroso a esse suco superconcentrado, preservando sua doçura e evitando que o açúcar seja transformado totalmente em álcool. Trata-se de um processo importado da Alemanha, onde se produz os vinhos Spätlese e Auslese, e que hoje em dia é adotado por diversos outros países, incluindo os do Novo Mundo. vinhos-doces-licorosos
  2. Sauternes: é uma região ao sul de Bordeaux e famosa por seus vinhos de sobremesa. Produzidos a partir das uvas Semillón e Sauvignon Blanc, os vinhos de Sauternes são vinhos de colheita tardia dos chamados Botritizados. Devido ao clima úmido da região, o fungo Botrytis Cinerea (Podridão Nobre) ataca as uvas de uma forma benéfica, ao passo que causa uma desidratação capaz de aumentar a concentração de açúcar nas uvas. Os vinhos produzidos por esse processo estão entre os mais saborosos e longevos (podem durar uns 100 anos) do mundo. Além disso, costumam ser caríssimos.  4041482337_3416761c8f
  3. Tokaji: o vinho húngaro mais conhecido (pronuncia-se Tokay). Produzido na região de mesmo nome, este vinho esbanja complexidade, longevidade e riqueza gustativa. Há registros de sua existência desde 1650. Nesse caso, a Botrytis (localmente chamada de Aszú), ataca as uvas Furmint e Hárslevelü, dando origem a um mosto bem espesso, que escorre em pequenos barris chamados puttonyos. Para produzir diferentes tipos, adicionam-se de 1 a 6 puttonyos a cada 140 litros de vinho. Os fermentados resultantes levam no rótulo a indicação do número de puttonyos utilizado, crescendo em teor de açúcar, complexidade e longevidade conforme a concentração. O Tokaj Aszú Essencia é o tipo mais valorizado de todos. Antes de serem engarrafados, os Tokaji amadurecem em barris por um período de 4 a 8 anos. 1498142109_04920f716d

MUITO ALÉM DA SOBREMESA

Muita gente opta apenas por servir os vinhos doces como acompanhamento para sobremesas. Porém, devido aos meus estudos, aprendi a ir um pouquinho além. Vinho do Porto e os de Colheita Tardia, por exemplo, ficam divinos ao lado dos chamados Queijos Azuis, como Roquefort e Gorgonzola. Outra parceria que me agrada muito é a de Vinhos Botritizados e Foie Gras. Vale adaptar esta última com um Late Harvest também. Aliás, um nacional que me agradou demais por não ser tão doce, é o Aurora Colheita Tardia. Sem falar que o custo-benefício dele é maravilhoso, visto que se apresenta na faixa dos R$20.

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Então? Prontos para quebrar paradigmas? A cada dia me surpreendo com tantas descobertas que os vinhos finos me proporcionam. Para sentir cada uma dessas gotinhas de felicidade, é fácil. Basta abrir a mente e se desfazer de alguns preconceitos.

Bom domingo! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Confira 6 Combinações Clássicas Entre Vinho e Comida

Um dos super-poderes provenientes dos vinhos é o de potencializar o sabor de determinados ingredientes culinários. Experimente colocar o alimento na boca e o vinho logo em seguida. Pouca gente faz isso. Às vezes nos atentamos em harmonizar um prato, mas não o ingerimos ao mesmo tempo com a bebida. O resultado é pura mágica, uma combinação perfeita!

Existem combinações clássicas entre vinho e comida. São aquelas em que todo mundo  se arrisca, pois não têm erro. Vejamos algumas delas:

Entradas

1- Champanhe e Caviar

Independente da harmonização, caviar e champanhe são artigos luxuosos e sofisticados, que ao serem degustados juntos, realmente se completam. É o que chamamos de casal perfeito. Ovas de caviar são oleosas e salgadas. Entretanto, quando combinadas ao champanhe, estas se transformam em um patê aerado, que envolve a boca com uma sensação agradável, tanto quanto a efervescência do espumante. Para o champanhe, hoje em dia há muitas alternativas. Nossos espumantes brasileiros estão dando show de bola e muitos não ficam devendo a nenhuma borbulha francesa. Já para o caviar, em tempos de crise econômica, fica mais difícil. Porém, eu experimentaria com aliche, que por ser anchovado, é igualmente salgado. Que tal? 

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2 – Ostras e Chablis

Elaborado com a casta Chardonnay, o Chablis é a expressão mais mineral, fresca e ácida entre os brancos da região francesa da Borgonha. O solo calcário e sua mineralidade transparecem na uva para invadir nossos sentidos. E pensar que um lugar tão longe do mar poderia originar um vinho conhecido mundialmente por sua incrível parceria com ostras frescas… Na verdade, sua acidez e toque cítrico combinam perfeitamente com pratos leves, em geral, inclusive os da culinária japonesa.

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3 – Riesling Alemão Off-Dry e Pato ao Molho de Laranja

O tradicional prato da culinária francesa acompanha um molho ácido e ao mesmo tempo agridoce, ou seja, certamente não cairia bem com vinho tinto. Entretanto, acompanhado por uma taça de Riesling, fica perfeito! A versão off-dry (quase seco, com um pouco de açúcar residual) é a mais indicada para acompanhar esse tipo de prato, com um toque agridoce. Prepare-se, pois será uma explosão de sabor a cada garfada.

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4 – Bacalhau com Vinho Tinto Português

Outra regrinha de harmonização que costumo sempre seguir é: pratos de culinária regional, com vinhos do local. O bacalhau é um dos poucos peixes que harmonizam superbem com vinho tinto. Seja do Douro, Alentejo, Bairrada, Dão… Para mim, qualquer exemplar lusitano forma uma parceria sensacional com esse ingrediente tradicional, que povoa tantas receitas portuguesas. Entre as versões, minha favorita, sem dúvida, é o Bacalhau ao Lagareiro. Um espetáculo!

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Sobremesas

5 – Sauternes e Crème Brûlée

Uma das combinações mais clássicas quando se trata de sobremesas. Sauternes é uma cidade próxima a Bordeaux, superconhecida por seus vinhos doces. Gosto de harmonizar receitas à base de creme com vinhos, acho que combina bem. Quando se trata de doçura, o ideal é balancear o açúcar do prato com o da bebida, a fim de que nenhum se sobreponha ao outro. O toque cítrico do Sauternes equilibra bem o adocicado do Brûlée.

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6 – Chocolate Com Vinho do Porto

Sem dúvida, o chocolate é um dos ingredientes mais difíceis de harmonizar com vinho. Afinal, sobremesas à base de chocolate possuem um sabor muito marcante, difícil de fazer frente. E uma das regras de ouro da harmonização é que vinho e comida devem ter o mesmo peso. Aqui, o ideal é escolher exemplares entre 50 e 70% cacau, com menos açúcar. Facilita muito as coisas. Particularmente, gosto muito de mousse de chocolate, por exemplo, com vinho do porto. O do tipo Ruby é uma ótima opção, fica maravilhoso!

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Adorei pesquisar sobre todas essas harmonizações e pretendo testar as que ainda não conheço aqui em casa. Não importa a estação, vinho da entrada a sobremesa é sempre sucesso garantido!

Até a próxima! Bons Vinhos! Santé!