Notas de Prova: Perdriel Series 2014, um Malbecão de Respeito

Atenção, Malbec Lovers, está aí um rótulo que me supreendeu superpositivamente. O Perdriel 2014, da Winebrands Brasil, é daquele tipo que chega chegando, com notas olfativas bem intensas. Perfeito para um churrasco ou simplesmente para harmonizar com aquele bate-papo descontraído.

Como sou daquelas que adora ler um contrarrótulo, logo de cara fui tomada por uma grande expectativa, sobretudo pelo mesmo mencionar que o vinho em questão provinha de um vinhedo centenário, com videiras que vão dos 50 aos 80 anos de idade. E não decepcionou!

NOTAS DE PROVA

VISUAL: Vermelho-Rubi, com nuances violáceas. Límpido, com leve opacidade.

OLFATO: Forte presença de ameixas, frutas vermelhas maduras, defumado, tabaco, especiarias, canela, cravo, além de uma mineralidade intrigante, difícil de ser encontrada em outros malbecs da mesma região. 

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BOCA: De médio corpo, em boca é muito agradável, com taninos redondinhos, muito equilíbrio e persistência. 

HARMONIZA COM.. pratos à base de carnes vermelhas e queijos de massa mole. Pede gordura!

UM POUCO MAIS SOBRE A MALBEC

Malbec é uma variedade de uva tinta nativa do sudoeste da França (sobretudo da área em torno de Cahors). Porém, foi na Argentina que esta casta ganhou fama, mais especificamente em Mendoza, região responsável por qualificar a Malbec como uva mais representativa dos porteños, tendo-os colocado definitivamente no mapa do vinho mundial.

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A Malbec geralmente amadurece no meio da estação de crescimento e produz uvas pequenas e intensamente pigmentadas. Como é tão sensível ao seu ambiente crescente, o nível de amadurecimento tem um efeito considerável na estrutura do vinho. No geral o os Malbecs franceses tendem a ser mais carnudo, rústico e tânico, enquanto os exemplares argentinos são igualmente ricos, maduros, intensos e suculentos. Em ambos os lados do Atlântico, os vinhos Malbec geralmente são envelhecidos em carvalho para melhorar sua estrutura e potencial de envelhecimento.

FINCA PERDRIEL

Há mais de cem anos foi fundado em Mendoza o primeiro vinhedo da Bodega Norton, o Finca Perdriel. Este vinhedo se caracteriza por ter a superfície do solo mais fina que a média da região, o que diminui a capacidade de retenção da água. Por este motivo, as uvas do vinhedo Perdriel são altamente concentradas, produzindo vinhos encorpados de cor intensa, saborosos e com alta capacidade de guarda.

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O Perdriel Series 2014 é elaborado 100% com uvas Malbec, sendo amadurecido em barricas de carvalho de 1º e 2º uso, além de 10 meses em garrafa antes de ir para o mercado. Apesar do teor alcoólico de 14,3%, há um equilíbrio notório entre acidez, taninos e alcoolicidade.

Esse vinho está à venda aqui, no site da WineBrands Brasil. 


Então é isso, enoamigos, começando a semana a todo vapor. Semana curtinha, é verdade! Mas com muito estudo  e vinho pela frente!

Até a próxima! Ótima semana! Ótimos Vinhos! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

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6 Curiosidades Sobre a Malbec

O vinho Malbec, sobretudo o argentino, é, sem dúvida, um dos queridinhos dos brasileiros. Trata-se de uma uva originária do sudoeste da França. Contudo, foi na Argentina que a mesma se desenvolveu e ganhou notoriedade mundial. É um estilo diferente do europeu, típico do Novo Mundo, mas que, na minha opinião, combinou superbem com as características da cepa.

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VAMOS ÀS CURIOSIDADES!

Então, pessoal, chegou a hora de a gente se surpreender com a Malbec! Bora lá:

  1. Você sabia que na África do Sul há 400 hectares de plantações de uvas Malbec e na Nova Zelândia 80?

    O cultivo da Malbec não se limita à Argentina e à região francesa de Cahors. Hoje em dia, diversos outros países vinícolas estão provando, aprovando e cultivando a casta. Depois da França e da Argentina, a maioria dos vinhedos de Malbec está no Chile e Estados Unidos.

2. Sabia que a Argentina salvou a Malbec do esquecimento?

É isso mesmo, meus amigos! O momento de maior auge do Malbec francês foi  do século XII ao XIV, quando os reis e o clero o escolhiam para as suas mesas, sendo que a exportação do mesmo representava 50% dos vinhos que saíam do Porto de Bordeaux. Porém, com a epidemia de filoxera no século XIX e a gigantesca geada de 1956, a Malbec acabou perdendo terreno para outras cepas mais valorizadas. Ou seja, seu futuro passou a ser obscuro, até que nos anos 90 surgiu o Malbec argentino para reescrever essa história. 

3. Sabia que a Malbec ganha muito com a altitude?

“A altitude impacta positivamente na qualidade da uva Malbec. Ou seja, quanto mais acima do nível do mar estiver a região, maior a exposição aos raios ultravioleta, que por conta da altura, incidem com maior intensidade. Para se proteger desses raios, as uvas desenvolvem cascas mais grossas e escuras, conferindo ao vinho características mais intensas de cores, aromas e sabores.” (bodegacolomé.com)*. Além disso, a altitude também favorece a acidez, diferente de outras regiões abaixo do nível do mar. 

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4. Sabia que na DO Ribera Del Duero (Espanha) é autorizado o cultivo da Malbec? 

Apesar da maioria dos vinhos dessa região corresponder à casta Tempranillo, é autorizado o corte (assemblage, mistura) com pequenas quantidades de Cabernet Sauvignon, Merlot e SIM, Malbec.

5. Sabia que a Malbec possui cerca de 1000 sinônimos? 

Quase todas as cepas possuem sinônimos, mas a Malbec (difundida durante a Idade Média) possui, ao redor do mundo, cerca de 1000 outros nomes documentados. Os mais conhecidos são Côt Noir, Auxerrois e Pressac. Mas podemos encontrar, ainda, as denominações Medoc Noir, Queue Rouge, Agreste, Gourdaux, Negrera etc. 

6. Sabia que a Malbec é considerada uma das 18 cepas nobres?

Há muitas teorias sobre as cepas nobres e estas costumam variar ao longo do tempo. Com o desenvolvimento da vitivinicultura em nível mundial, alcançando novos estágios de qualidade, o número de castas nobres foi ampliado de 6 para 18 e a Malbec certamente está entre elas!

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O tempinho começa a ficar mais ameno e isso já me estimula a falar sobre os tintos. Admito que o verão foi ótimo para me aproximar mais ainda dos brancos e espumantes. Mas, felizmente, o outono/inverno está aí, ou seja, um prato cheio para os red lovers! E, acreditem, enoamigos, os assuntos são vastos e parecem não esgotar nunca (para a nossa alegria!). Aguardem, pois vem muita coisa boa por aí!

Até a próxima!

Bons Vinhos! Tim-Tim! 🙂

5 Uvas Que Se Adaptaram Superbem Ao Novo Mundo

Pois é, meu amigo, chegou a hora de abrir os horizontes e deixar que sua taça viaje por novos lugares. E é por isso que hoje a série “Descobrindo Novos Sabores” desembarca nas regiões vinícolas da América do Sul, palco de castas emblemáticas e de bastante personalidade.

Bora conhecer melhor essas uvas maravilhosas? Então, vem comigo!

MALBEC

É ela, a queridinha da Argentina e uma das cepas sul-americanas mais famosas do mundo. Sim, há uns 20 anos atrás ninguém bebia Malbec, nem os franceses (pelo menos em quantidade). Mas, desde de seu boom na Argentina, todo mundo voltou a se encantar por seus vinhos, inclusive os franceses. Prepare-se pois sua taça está prestes a mergulhar em uma grande variedade desta uva.

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Malbec

Vejamos algumas delas:

Malbec de Vinhas Velhas (Viñas Viejas)

Algumas empresas comercializam Malbecs de vinhas de 30, 40 anos. Porém, um bom e velho vinho desta casta, em alguns casos,  pode provir de  vinhedos com 100 anos de idade. A Malbec chegou ao nosso continente há cerca de 150 anos e é provável que tenha sido plantada primeiro no sul do Chile, próximo à cidade portuária de Concepción. É nessa área que encontramos as videiras com mais de 100 anos de idade, que resultam em vinhos florais, selvagens, frescos, com taninos sedosos e bem mais fáceis de lidar que os argentinos que todos nós conhecemos bem. Esses vinhos geralmente são elaborados juntamente com outras castas de velhas vinhas locais.

Além do sul do Chile, na Argentina (Mendoza) é possível encontrar vinhas de mais de 80 anos de idade, capaz de produzirem vinhos extremamente equilibrados.

Regiões-Chave: Argentina – Maipu, Lujan de Cuyo; Chile – Itata (San Rosendo), Maule, Bio Bio.

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Mapa Vinícola da Argentina

Malbec Frutada Para o Dia a Dia

A Malbec Argentina tomou conta das prateleiras dos supermercados – e com toda a razão – afinal, ela é capaz oferecer um vinho exuberante, concentrado e de ótimo custo-benefício, sobretudo para nós, brasileiros. Prepare-se para se deparar com exemplares frutados, com sabor de ameixa, frutas negras e um pouco de estrutura de envelhecimento em carvalho, oriundos dos vales mais quentes não só da Argentina como também do Chile.

Regiões-Chave: Argentina – Lujan de Cuyo, Maipu, Neuquen, San Juan; Chile – Colchagua, Cachapoal

Vinhos Malbec TOP do Vale do Uco

Muitos dos rótulos mais tops de Malbec provém do Vale do Uco, na Argentina. Após mais de uma década de estudos intensos do solo e experiências de amadurecimento (tanto em cimento quanto em carvalho), alguns produtores ganharam a chancela de excelência em Malbec, sendo bastante prestigiados em todo o mundo. São vinhos elegantes, com notas de ervas e violetas.

Regiões-Chave: Gualtallary, Paraje Altamira, Vista Flores (dentro do Vale do Uco)

 CARMÈNÉRE

Outra variedade importada da França é a Carmènére, que fez do Chile a sua segunda casa e onde atualmente é amplamente cultivada. A adoção da variedade pelos chilenos não foi intencional e sim acidental. Tudo porque suas mudas foram trazidas erroneamente como Merlot e cresceram em todo o país como tal, até que  em 1994 Jean Michel Boursiquot descobriu que, na verdade, se tratava da Carmènére, casta que acreditava-se ter sido extinta pela filoxera, praga que dizimou boa parte dos vinhedos europeus do final do século XIX até o início do século XX.

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Carmènére

FATO: Hoje em dia o Chile é responsável por 98% de toda a produção de Carmènére do Mundo

Sem dúvida, a Carmènére é uma das minhas castas favoritas, sobretudo porque seus vinhos são fáceis de beber e perfeitos para um bate-papo sem hora para terminar (neste caso, separe mais de uma garrafa…rs). Seus rótulos costumam ser frescos, frutados e com notas vegetais de pimenta e especiarias. Combinam superbem com costela na brasa e  iguarias da culinária árabe, por exemplo. Seus estilos variam do encorpado, devido ao envelhecimento em carvalho, até versões mais frescas, com notas de pimenta, ervas e pimentão.

Regiões-Chave: Colchagua (Apalta), Alto Cachapoal, Aconcágua, Maipo.

PAÍS (Criolla, Mission)

Uma das primeiras uvas plantadas nas Américas, a País (Criolla, na Argentina, e Mission, nos EUA) já foi a variedade de uva mais plantada na América do Sul até a revolução vinícola francesa, no século XX, quando as vinhas velhas da casta acabaram condenadas a vinhos de mesa baratos ou, em grande parte, abandonadas. Nos últimos anos, no entanto, enólogos do Chile redescobriram a País e estão criando alguns vinhos interessantes com suas videiras centenárias.

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País

País Pipeño (Estilo Rústico)

No coração do renascimento da País, houve um revival das técnicas ancestrais que os descolados do mundo do vinho chama de “vinificação natural”. Com uma intervenção mínima na cantina (ou, muitas vezes, garagem), esses vinhos, orgânicos e provenientes de vinhas velhas, são de produção limitada e vendidos por pequenos comerciantes de bebidas naturais. Com aromas terrosos e surpreendentes, o País Pipeño muitas vezes possui sabores de frutas rústicas com notas florais.

Regiões-Chave: Itata, Maule, Bio Bio. 

MAPA CHILE

 

País Moderna (Estilo Beaujolais) 

Com base no estilo Beaujolais Noveau, os modernos vinhos da casta País utilizam a maceração carbônica para capturar sabores de frutas secas e acabamento leve. É o exemplar perfeito para se beber geladinho à beira da piscina. Na mesma linha, temos os espumantes rosé da casta. Produzidos pelo método tradicional champenoise,  esses vinhos contam com um leve sabor frutado.

Regiões-Chave: Secano Interior, Itata, Maule, Bio Bio.

BONARDA (Charbono, Corbeau, Douce Noir)

Se a País já foi a casta mais plantada no Chile, o equivalente na Argentina com certeza é a Bonarda. Antes do boom da Malbec, a Bonarda foi a uva tinta e sofreu um tratamento histórico semelhante ao da País, tendo sido rebaixada a vinho de mesa e abandonada, uma vez que saiu de moda. Pois é, a Bonarda está de volta. Vale destacar que a Bonarda da Argentina é diferente da cultivada na Itália e também é conhecida como Charbono, Corbeau ou Douce Noir.

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Bonarda

Bonarda Tradicional

Essa espécie de “irmã mais nova” da Malbec foi, muitas vezes, vista como uma substituta para ela, tanto que ambas são vinificadas da mesma forma. No entanto, os vinhos tradicionais da Bonarda são mais frutados, típicos de regiões mais quentes.

Regiões-Chave: San Juan, La Rioja, San Rafael, Rivadavia.

Bonarda no Estilo Fresco (Glamour)

Produzidas em um período de maceração mais curto e um pouco carbônico, este novo estilo de Bonarda é mais leve e frutado. Os leves espumantes rosés desta linha também valem a pena ser degustados.

Regiões-Chave: Lujan de Cuyo (the sub-regions of Vistalba and Ugarteche), Tupungato.

Bonarda no Estilo Top 

Nos últimos anos foram introduzidas novas plantações de Bonarda no Planalto do Vale do Uco, na Argentina, comprovando toda uma seriedade e comprometimento por parte dos enólogos no que diz respeito a essa variedadeComo expressam todo o potencial de qualidade da Bonarda, os vinhos nesse estilo não são baratos. Afinal, são “vinhos-top”. A maioria não usa carvalho e amadurecem seus vinhos em ovos de cimento, resultando num Bonarda elegante, repleto de finesse, frutas e aromas florais.

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Vinho sendo produzido em Ovo de Cimento

Regiões-Chave: Vale do Uco.

TORRONTÉS (Torrontés Riojano, Torrontés Sanjuanino, Torrontés Mendocino)

Se a Malbec é a queridinha da Argentina, a Torrontés, sem dúvida, é a Rainha! Trata-se da única casta de uva realmente nativa da América do Sul. Com as qualidades da Muscat, é um cruzamento da Criolla (País) com a Muscat de Alejandra, que surgiu pela primeira vez no norte da Argentina. Há três variações de Torrontés: San Juanino, Mendocino e Riojano, sendo esta última a de maior qualidade e cultivada em todo o país. As melhores expressões da Torrontés são encontradas em altitudes elevadas, geralmente em Cafayate (região próxima a Salta), embora novas plantações no Vale do Uco (Mendoza) também sejam bastante promissoras.

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Torrontés

Uma “bomba perfumada”, assim é a Torrontés. Ao mesmo tempo, também é conhecida como a casta “mentirosa”, visto que no nariz parece ser demasiado frutada, floral e adocicada, mas na boca é totalmente o oposto disso – seco e ocasionalmente um pouquinho amargo. Se você prefere uma versão mais doce, aposte em um exemplar de Colheita Tardia (Late Harvest). O Torrontés, quando bem feito, é quase que o equivalente vínico do gin-tônico. Surpreende qualquer paladar!

Regiões-Chave: Salta (Cafayate), La Rioja, Uco Valley.

Espero que tenham gostado dessa nossa viagem em companhia das castas que mais simbolizam a América do Sul. Quer exercitar ao vivo em cores? Então, que tal provar um desses exemplares com os amigos e descobrir novos sabores?

Boa semana e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Wine Folly, Wikipedia, Academia do Vinho