5 Delícias Que As Mudanças Climáticas Poderão Arruinar, incluindo o Vinho Europeu

O aquecimento global está aí, minha gente. Só que, dessa vez, a degradação ambiental pode afetar, inclusive, alguns alimentos que amamos, como Morango e Chocolate. Ou seja, é possível que daqui a alguns anos um simples fondue se torne um luxo para poucos endinheirados.

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Quer saber até que ponto todas essas mudanças climáticas podem afetar o nosso paladar? Então, dá só uma olhada nesses 5 produtos que estão a um passo de se tornarem apenas doces lembranças:

1- Maple Syrup 

Maple Syrup é um xarope proveniente da árvore mais famosa  do Canadá, que tem menção na bandeira do país. O produto, que também é produzido nos EUA, contém sabor único por se tratar de uma espécie de “Mel” natural.

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De acordo com um estudo da Universidade de Cornell, as mudanças climáticas na terra farão com que a produção do xarope seja atrasada em 1 mês. Mas isso nem é o pior. A incidência do Maple Syrup diminuirá significativamente nos próximos 100 anos e, em algumas regiões, como no sul da Pensilvânia, o produto será totalmente extinto.

2- Vinho Europeu

Ah, o nosso amado néctar de Baco… Até ele está sofrendo com tantas mudanças! Os viticultores da região francesa da Champagne, por exemplo, têm notado alterações nos últimos 25 anos, como um “aumento no teor de açúcar das uvas e, consequentemente, uma redução na acidez”. Sem falar que o tempo de colheita ainda foi adiantado em 2 semanas.

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Em outras regiões,  como no norte dos Estados Unidos, a produção será reduzida em 50%, ao passo que em um dos casos mais extremos, como o de Bordeaux, na França, há um risco de que em 2050 o cultivo de uvas se torne totalmente impossível.

3- Chocolate

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Se os produtores não se adaptarem às temperaturas mais altas, é possível que o chocolate se torne artigo de luxo daqui a alguns anos, sobretudo em países como Gana e Costa do Marfim, de onde vem a maioria do cacau consumido no mundo.

4- Morango

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Devido ao clima cada vez mais árido, na Grã-Bretanha passou-se a desenvolver uma espécie de morango que sobrevive em temperaturas bem mais altas, com menos água. Ou seja, amigos, se Morango e Chocolates estão em risco, vamos torcer para que nosso adorado e romântico fondue continue a existir.

5 – Café

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Atenção, viciados! O café também poderá se tornar um produto escasso. Em entrevista ao  jornal The Guardian, Jim Hanna, diretor da Starbucks, disse que a mudança climática está ameaçando o grão de café arábico.


Pois é, amigos! Eu fico sem todos os produtos acima citados (principalmente o tal do Maple Syrup, do qual nunca tinha ouvido falar até pesquisar para esse artigo). E, acreditem se quiser, nunca fui fã de chocolate ao ponto de não viver sem. No entanto, o VINHO é a grande exceção nesse caso. Gente, acho que não suportaria…sobretudo o vinho europeu, que nos brinda com aromas e sabores tão sutis, envolventes, únicos!

Mas, sabe qual a conclusão que cheguei nessa história toda? O homem aprontou com o meio ambiente durante anos a fio e, agora, pode pagar com o estômago. Sim, tendo que se privar de algumas das boas coisas da vida. Só espero que isso sirva de alerta para as gerações futuras, a fim de que possam reverter tudo isso.

Então é isso! Boa sexta! Tim-Tim!

Referência: Big Wine Theory

Mudanças Climáticas Antecipam Colheita da Uva na França

Há alguns anos, discute-se sobre o aquecimento global. E não é que o aumento das temperaturas passou a afetar até mesmo a qualidade dos nossos amados vinhos? Trata-se de um tema importantíssimo e que merece a nossa reflexão, não apenas com relação ao futuro do vinho quanto do nosso planeta como um todo.

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COLHEITA ANTECIPADA

Ao analisar dados referentes a 400 anos de clima e colheita da uva nos vinhedos franceses, pesquisadores da Universidade de Harvard e da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) concluíram que, nas últimas décadas, as altas temperaturas têm antecipado a vindima (colheita da uva) em 10 dias, com relação ao período de 1600 a 1980, independente se as safras foram mais úmidas ou secas.

Devido ao calor, o período de seca costuma acelerar o amadurecimento dos vinhedos. Porém, nos últimos anos, as temperaturas na França subiram cerca de 2.7 graus. “O que vimos na década de 80, é que não era mais preciso esperar por um verão seco para maturar as uvas”, disse Elizabeth Wolkovich, pesquisadora e co-autora do estudo.

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IMPACTOS NA QUALIDADE DO VINHO

Chegamos no ponto que interessa a nós, enófilos. Fato que essa descoberta deve impactar  na qualidade dos fermentados.

Ao analisar as safras de Bordeaux e Borgonha, no período de 1900 a 2001, os pesquisadores concluíram que os vinhos de melhor qualidade estavam ligados ao clima do começo da safra, sobretudo nas regiões mais frias da Europa.  Os melhores exemplares vieram de anos com chuvas acima da média logo no início da temporada, verão quente e seca no final do período . Ou, ainda, condições secas que geraram um pico de calor e modificaram o foco de crescimento da videira, desde a formação da folha ao amadurecimento da uva.

“A qualidade do vinho depende, ainda, de outros fatores, como casta da uva, solo, gestão da vinha e práticas do enólogo”, disse o autor do projeto, Benjamin Cook, cientista do clima no Instituto Goddard da NASA e da Universidade de Columbia.

SERÁ O FIM DAS REGIÕES TRADICIONAIS DE CULTIVO?

Estudos mais alarmistas já apostam no desaparecimento de zonas tradicionais de produção, como o sul da França, e preveem o surgimento de novos vinhedos em regiões mais frias, como Suécia, Dinamarca e outros países do hemisfério norte. Alteração das uvas, perda da tipicidade dos vinhos e migração das castas e dos vinhedos são algumas da consequências possíveis ligadas ao aumento das temperaturas.

Não é por acaso que a Taittinger, uma das mais tradicionais casas de Champagne, anunciou, recentemente, a aquisição de uma parcela de 69 hectares no sudeste da Inglaterra, no condado de Kent. Será que futuramente, os melhores espumantes europeus serão produzidos na Inglaterra? E os vinhos de Bordeaux? Serão substituídos por “grands crus” oriundos de países como Suécia ou Dinamarca?

“Acreditamos que em regiões muito quentes, como o Languedoc, no sul da França, somente 20% das vinícolas consigam sobreviver a um aumento importante das temperaturas”, afirma o pesquisador e coordenador do projeto Laccave, que reúne mais de 70 cientistas e pesquisadores para avaliar os efeitos das mudanças climáticas na vinha e no vinho na França.

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PLANEJAMENTO E NOVAS CASTAS

A importância desse estudo da NASA é que, junto com o plantio de novas castas, mais resistentes  ao calor, os enólogos poderão administrar melhor as mudanças climáticas ao tratar de suas vinhas. Segundo Elizabeth Wolkovich, a questão é até que ponto os produtores estarão dispostos a explorar a enorme gama de diversidade de climas para as uvas como um todo, a fim produzir vinhos excepcionais, mesmo que com um estilo diferente do que faziam anteriormente. Ou seja, só em terem essa consciência, já contribui bastante para que, no futuro, o pior não ocorra.

Por fim, a pesquisadora faz um alerta: “Espero que as pessoas descubram que a qualidade do vinho será o menor dos problemas caso o sistema climático continue sendo alterado”. Enfim, meus amigos, o aumento das temperaturas afeta o planeta como um todo e não apenas os nossos amados vinhos. Vamos torcer para que todas essas mudanças sejam combatidas e administradas da melhor forma possível.

Fonte: Wine Spectator, Conexão Paris