(Entrevista) Wallace Neves: Após 4 anos no comando do L’Etoile, o Embaixador Brasileiro dos Vinhos do Alentejo Parte para Novos Desafios

Ao observar o jeito tranquilo e pacato de Wallace Neves, a gente nem imagina que o Sommelier esteve por quatro anos no comando do serviço dos vinhos no L’ Etoile, um dos restaurantes mais elegantes e sofisticados do Rio, situado na cobertura do Hotel Sheraton.

Aliás, os dois últimos anos foram de muitas experiências e conquistas para Wallace. Em 2016, ele venceu um dos concursos mais badalados entre os profissionais cariocas, o “Sommelier do Ano”, organizado pelo evento Rio Wine Food and Festival. Já esse ano, por sua vez, sagrou-se “Melhor Sommelier do Alentejo no Brasil”, numa disputa realizada em Évora (Portugal), quando desbancou outros nove finalistas. 

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Foto: Revista Veja

Porém, agora, o Sommelier decidiu alçar novos voos. E  eu, como jornalista e futura colega de profissão, fiquei superfeliz por ter tido a honra de bater um papinho com ele, que é, sem dúvida, um dos caras que eu mais adimiro no mundo do vinho.

Vamos lá!

Vila Vinífera: De onde vem a paixão pelo vinho? Quando decidiu abraçar a carreira
de Sommelier?

Wallace Neves: A paixão pelo vinho para mim está associada a o que está em volta dele. A história, a cultura, a arte, o desafio de se fazer um vinho e, entre outras coisas, o brinde. A decisão de me tornar um Sommelier partiu no ano de 2007, quando eu ainda estudava no CETEP, o curso técnico em hotelaria. Sempre gostei muito de literatura, leio muitos livros sobre os mais variados assuntos. E, nesse ano, numa revista sobre gastronomia, li a matéria sobre o Gianni Tartare. Lá explicava um pouco sobre a rotina de um Sommelier. Ali, acredito que a profissão me escolheu.

 

Vila Vinífera: Qual foi o maior desafio durante o tempo em que esteve à frente do L’Etoile?

Wallace Neves: Foram muitos desafios. O primeiro deles foi a barreira linguística. Toda a equipe da cozinha era de outros países do continente. Nosso chef executivo era o renomado Jean Paul Bondoux, proprietário do aclamado La Bourgogne. Eu chefiava o salão. No primeiro momento era apenas eu. A equipe que tinha em mãos era sem experiência em restaurantes gastronômicos. Alguns eram de restaurantes no estilo Buffet, outros Roon Service e havia aqueles que ainda não tinham qualquer experiência no ramo.

Abrimos o L’Etoile aos poucos. Primeiro para o corpo executivo do hotel, depois para alguns hóspedes. Tive que focar nas escolhas das bebidas. Que não foi nada fácil! Todos sabem que o marcape dos Hotéis são superiores à maioria dos restaurantes. Tivemos muita rotatividade de funcionários. Então, pensamos em ter alguém para dividir a responsabilidade de comandar o serviço de sala do restaurante. Nesse momento encontrei um cara que foi o melhor maître que trabalhei até hoje. Jovem, como eu, geração Y, organizado e chato. O sucesso partiu dessa união nossa junto com os Chefs. Essa parte operacional ficou resolvida. Inauguramos oficialmente. Um grande êxito! 

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Wallace Neves no salão do L’Etoile, onde atuou por quatro anos. Foto: Murillo Tinoco

Porém, nossa missão era tornar o L’Etoile um dos melhores franceses da Cidade. Creio que conseguimos. E nesse percurso tive o privilégio de harmonizar os menus de grandes Chefs premiados no Michelin da Europa, como o Ricardo Costa, Rodrigo Ayalla, Guy Krenzer, Chiho Kanzaki e claro, o estreladíssimo Alain Ducasse. Esse último, foi uma das mais altas realizações da minha carreira. 

Vila Vinífera: Você venceu dois concursos superimportantes. O que isso tudo lhe trouxe de experiência e aprendizado?

Wallace Neves: Acredito que as competições existem para nos manter atualizados. Sem dúvida estudamos muito mais quando nos colocamos à prova. Essas duas competições nos garantem viagens por importantes regiões vinícolas, traz visibilidade, reconhecimento e um pouco de prestígio. Mas não definem um bom profissional. 

Vila Vinífera: Quais são seus planos daqui para frente?

Wallace Neves: Hoje quero compartilhar um pouco dos conhecimentos adquiridos nesses 10 anos de estudos. Continuar aprendendo e me inspirar cada vez mais. Ainda tenho muitos planos. Acredito que não estou nem na metade desse percurso. Nesse momento, estou com consultorias, dou aula para a turma de profissionais na Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RJ) e estou em negociação com uma importadora que, em médio prazo, vai surpreender o mercado. 
Vila Vinífera: Qual conselho você daria para um profissional que está iniciando na carreira?
 Wallace Neves: Humildade, força e coragem.

Sem dúvida, quem o conhece sabe que humildade, força e coragem ele tem de sobra! E olhos atentos, pois vocês ainda vão ouvir falar muito de Wallace Neves no mundo do vinho, sobretudo porque, para esse profissional superdedicado, o céu é o limite!
Desejo toda a sorte e sucesso para você, Wallace!
Então é isso, gente. Espero que tenham gostado da entrevista, que certamente será a primeira de muitas que virão por aí.
Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Mulheres do Mundo do Vinho: Força, Beleza e Intuição

Nós, mulheres, somos conhecidas por nosso sexto-sentido, ou seja, intuição, sensibilidade…. o tal do “feeeling”. Sem falar em nosso olfato apurado para perfumes e vinhos. Por isso, atualmente o mundo do vinho anda povoado de mulheres, a começar por esta que vos fala.

Ao longo da história, foram inúmeras as mulheres que contribuíram para que o vinho se tornasse uma das bebidas mais amadas do planeta. Vamos a algumas delas:

ALEXANDRA MARNIER (CASA LAPOSTOLLE)

Entre aquelas que até hoje são lembradas como verdadeiras musas de Baco, está a francesa Alexandra Marnier, que criou a Casa Lapostolle, no Chile. Seu Clos Apalta 2005 foi eleito o vinho do ano pela renomada revista Wine Spectator. Sua trajetória no Chile se iniciou em 93, ao comprar uma adega.

Quando esteve em Apalta teve um pressentimento (olha o sexto-sentido aí…rs.) e levou o consultor Michel Rolland, que confirmou sua intuição. O terroir era uma joia, vinhedos de 1920 no solo e microclimas perfeitos. Após a primeira colheita, em 94, ambos ficaram muito empolgados e decidiram continuar. Surgiu Clos Apalta 2005, que colocou os sul-americanos em 2008, definitivamente na rota dos melhores vinhos do mundo.

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LAURA CATENA (CATENA ZAPATA)

Não podemos esquecer, ainda, de Laura Catena, embaixadora da uva Malbec no mundo. Ela é filha de Nicolás Catena, um dos mais respeitados nomes do vinho argentino. Estudou biologia em Harvard e medicina em Stanford, mas abandonou esta última para se dedicar à viticultura, em meados dos anos 90.

Atualmente, Laura é o braço direito do pai nas Bodegas Catena Zapata, onde atua como vice-presidente, sendo que ainda encontra tempo para dirigir suas próprias vinícolas, Luca e La Posta.

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Laura Catena

LALOU BIZE-LEROY (DOMAINE LEROY)

Já a Madame Lalou Bize-Leroy foi diretora do Domaine de La Romanée-Conti, terroir de um dos melhores vinhos do mundo. Saiu de lá em 1989 para fundar o Domaine Leroy, vinícola superpremiada na mítica região francesa da Borgonha. São nove grands crus, oito premiers crus e oito denominações comuns (village).

Madame Bize-Leroy é uma figura lendária, mulher de garra e que não abre mão de suas ideias. Em 88, aderiu à agricultura biodinâmica quando esse tema nem sonhava em estar na moda. Visionária, passou a dispensar todos os tipos de fertilizantes e segue as influências dos astros, como as fases da lua, a posição das estrelas, entre outras.

Segundo esta papisa dos vinhos, os vinhedos do Domaine ficam em torno dos 19 hectolitros por hectare. O mínimo da região de Bordeaux é de 55 hectolitros por hectare.

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Madame Bize-Leroy e suas amadas filhas

“Em alguns vinhedos, um pé de uva gera apenas uma garrafa de vinho, o que ajuda a justificar os preços altíssimos”, diz Madame Bize-Leroy

Leroy possui uma ligação praticamente espiritual com suas vinhas e diz que elas são caprichosas. “Quanto mais você as mima, mais elas demandam”.

Nascida em 1932, a francesa, filha de um negociador de vinhos, começou a trabalhar com a bebida, substituindo-o nos negócios. Em 74,tornou-se co-gerente da mítica Domaine de la Romanée-Conti (DRC), uma das pérolas da Borgonha. Responsável pelo marketing, ela fez da vinícola uma das mais famosas do mundo e encerrou suas atividades nesta em 1989 para fundar seu próprio vinhedo.


Essas são mulheres que me inspiram todos os dias a nunca deixar de lado meu sonho em trabalhar no segmento de vinhos. Apesar de bem-nascidas, souberam conduzir magistralmente o seu negócio, agarrando as oportunidades com unhas e dentes.

Que elas sejam inspiração para vocês também, a fim de que possamos sempre nos lembrar que o que importa mesmo na vida é ser livre para seguir nosso destino.

Feliz Dia da Mulher! Ótimos vinhos! Tim-Tim!