Notas de Prova: Toda a Versatilidade do Château de Dracy Bourgogne Pinot Noir

Sabemos que a região francesa da Borgonha produz alguns dos melhores vinhos da casta Pinot Noir em todo mundo, incluindo, aí, alguns rótulos icônicos. Sem dúvida, é um dos meus estilos de vinho preferido, sobretudo aquele mais frutado, com toda a tipicidade da região e da varietal.

E foi aí que na semana passada recebi mais uma amostra da importadora WineBrands para analisar em minhas notas de prova, o Château de Dracy, da Família Bichot, que desde 1905 produz o rótulo, que já virou um clássico da vinícola. Delicado, jovial e elegante, é pura versatilidade quando se trata de harmonização, podendo ser facilmente combinado a pratos poucos condimentados, entre eles grelhados, aves e queijos. Por sua leveza, pode ser, inclusive apreciado sozinho numa temperatura em torno de 12ºC, mais baixa que o ponto de serviço de grande parte dos tintos.

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A FAMÍLIA BICHOT

A família Bichot escolheu a Borgonha como lar em 1350, antes mesmo de o Brasil ser descoberto! Eram comerciantes em Monthélie, mas foi a partir do século XIV que Albert Bichot imprimiu grande impulso aos negócios da família, transferindo-se para Beaune, onde desde então a família se dedica à produção de vinhos.

Atualmente Albéric Bichot, sexta geração dos Bichot, está no comando dos Domaines que se estendem por 100 hectares de vinhedos em Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune e Côte Chalonnaise e em algumas parcelas produz vinhos orgânicos, o que mostra o respeito e os princípios deste produtor.

Merecem destaque alguns Domaines que deram o devido reconhecimento à Família Bichot e que estão presentes hoje nos melhores restaurantes da França e em mais de cem países:
• Domaine Long Depaquit, em Chablis (65 ha)
• Domaine du Clos Frantin em Nuits Saint Georges (13 ha), na Côte de Nuits
• Domaine du Pavillon em Pommard (17 ha), na Côte de Beaune
• Domaine Adélie em Mercurey (4,2 ha), na Côte Chalonnaise

Albert Bichot é um recordista de prêmios. Já recebeu mais de 1.200 prêmios por todo o mundo, desde os desconhecidos de grande parte dos consumidores, Burgundy Report, Weinwirtschaft ou Clive Coates, entre outros, até os mais conhecidos, como Decanter World Wine Awards, Wine Enthusiast, Guide Hachette, Guide Bettane Desseauve e Gaulte Millau, no qual o Grands Echezeaux Grand Cru obteve em 2006 99/100. A nota comprova a qualidade e o respeito que os mercados francês e mundial têm por esse excepcional produtor da Borgonha.

O CHÂTEAU DE DRACY

A propriedade do Château de Dracy está localizada no extremo sul da Côte de Beaune, margeando a Côte Chalonnaise. Seus 17 ha. de vinhedos estão em uma íngreme encosta, o que favorece a iluminação e a drenagem do solo. As técnicas de cultivo e produção favorecem a expressão do terroir e a autenticidade dos vinhos.

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Château de Dracy lès Couches

O Château de Dracy é um castelo que inicialmente era usado como fortaleza militar, construído em 1298, que pertencia à defesa do Ducado da Borgonha. O castelo passou por muitas modificações ao longo dos séculos. A vinícola e adega, um edifício de 75 metros, construído em 1728, ainda estão em uso. Hoje em dia o castelo pertence à Benoît
de Charette, gerente geral da Maison Albert Bichot.

VINIFICAÇÃO

Os vinhedos do Chateau de Dracy estão situados ao norte de Saone et Loire. Com solos formados por argila e calcário, bem como vinhas com exposição Sul e Suldeste. O manejo de cada lote  é monitorado pela equipe técnica da família Albert Bichot.

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A colheita é manual, feita em caixas de 25kg. Após a triagem, as uvas seguem por gravidade para tanques de fermentação sem prensagem. A maceração fermentativa é feita em tanques de carvalhoe em aço inox por um período de 18 a 25 dias.

Num primeiro momento, o vinho permanece a temperatura de 10°C a 14°C, a fim de extrair o caráter frutado da Pinot Noir. Em seguida, trabalha-se o corpo e o tanino da Pinot Noir, fermentando o mosto a temperatura entre 20 e 30°C, com remontagens diárias. O amadurecimento do vinho ocorre em tanques de aço inox e em carvalho por um período de 8 a 12 meses.

NOTAS DE PROVA

VISUAL: vermelho-rubi-claro, com reflexos púrpura e nuances atijoladas, típicas da uva Pinot Noir. 

OLFATIVO: no nariz, é frutado com notas herbáceas. Ressalto as frutas vermelhas maduras, chamando bastante a atenção para a cereja. 

GUSTATIVO: é leve e possui ótimo equilíbrio entre acidez e tanicidade. O final é curto, porém saboroso. As notas olfativas se confirmam em boca, com destaque para a sedosidade dos taninos. Um estilo jovial e envolvente. 

  • TEOR ALCOÓLICO: 12,5% 
  • SERVIR À TEMPERATURA DE 16ºC (aqui no Rio de Janeiro ficou ótimo a 12ºC)
  • VOLUME: 375ml/750ml
  • 100% elaborado com a casta Pinot Noir
  • Safra: 2013

HARMONIZAÇÃO

O Château de Dracy Pinot Noir é um ótimo parceiro para carnes vermelhas leves e não gordurosas, assim como para queijos de massa mole (brie, camembert..), massas,  pizzas vegetarianas, grelhados e aves cozidas no vinho. 


Você encontra o Château de Dracy Pinot Noir à venda AQUI no site da WineBrands. Se for degustá-lo, depois me manda uma mensagem dizendo que achou dele. Adoro contrapor as minhas opiniões com as de outras pessoas. Eu, particularmente, achei esse rótulo com uma perfeita tipicidade. Ou seja, se você nunca degustou um Pinot Noir da Borgonha, pode se jogar nele!

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

Descubra Como a Pinot Noir Pode Dar Origem Tanto a Vinhos Tintos Quanto Brancos, Espumantes e Rosés

A Pinot Noir é uma das cepas mais aclamadas da atualidade. Tudo porque, além de saborosa, é extremamente versátil. Afinal, não é todo dia que uma única uva tinta é capaz de dar origem a vinhos tintos, rosés e espumantes. Como isso é possível? A resposta está no método de produção e vinificação que a transformam em um dos néctares mais apreciados por enófilos de todo o mundo.

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PINOT NOIR BRANCO

Se você cortasse uma uva Pinot Noir você veria que sua polpa possui coloração amarela-esverdeada clara. Já a casca, que tinge o mosto, conta com uma bela e intensa cor vermelha.

Logo, se você quer produzir um vinho branco a partir da Pinot Noir, a primeira coisa a se fazer é separar as cascas do suco o mais rápido possível. Ou seja, esse é o segredo para se produzir um Pinot Noir branco. 

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As cascas vermelhas das uvas já começam a tingir o suco naturalmente. Por isso, é importante que o produtor já as direcione para a prensa logo após a colheita. Para tanto, utiliza-se uma prensa pneumática especial, própria para vinho branco, que esmaga as uvas ao mesmo tempo em que separa as cascas e as sementes do mosto. Após o processo, esse fica com uma cor tipicamente dourada, bonita e profunda.

PINOT NOIR TINTO

Para se produzir um Pinot Noir tinto, o processo já é diferente. As uvas são coletadas e colocadas em trituradores de uva. Em seguida, todo seu conteúdo é despejado num tanque (casca, polpa, sementes, tudo!). Como a Pinot Noir é uma variedade de casca muito fina, é comum que o mosto permaneça um pouco mais de tempo em contato com a mesma (tanto antes quanto depois da produção do vinho), a fim de absorver o máximo de pigmento possível.

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Esses dois métodos são chamados de imersão a frio (antes da fermentação) e maceração estendida (após a fermentação). Alguns vinicultores chegam a adicionar as hastes da Pinot Noir na fermentação com o intuito de extrair ainda mais cor (isso deixa o vinho mais tânico, mas, em compensação, ele ganha bem mais cor e potencial de envelhecimento). Após todo esse processo, você terá um vinho tinto, de coloração vermelho-rubi-média- pálida.

ROSÉ DE PINOT NOIR 

Com relação à produção do Rosé, tudo é questão de timing. Quanto mais tempo as cascas permanecerem em contato com o suco, mais cor terá o vinho.

Para o Pinot Noir, esse parece como uma espécie de combinação entre as vinificações em tinto e branco. As uvas são esmagadas em um tanque junto com as peles e sementes. Em seguida, o mosto (suco) é monitorado pelo produtor, que verifica amostras a cada hora, a fim de examinar o nível de extração da cor. A partir do momento em que o winemaker encontra a cor perfeita, o mesmo separa o mosto das cascas, colocando-o num tanque limpo onde o vinho completa sua fermentação.

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Grande parte dos produtores produzem seus rosados com menos de 7 horas de contato entre o mosto e as cascas. Mas é fato que varia muito. Podemos tanto ter um Rosé mais claro, casca de cebola ou salmão, como os da Provence, quanto um Rosé mais cereja. Este último eu digo que são uma espécie de tintos travestidos de rosés, pois carregam, junto a cor, muito mais taninos que outros exemplares mais claros.

ESPUMANTE DE PINOT NOIR (BLANC DE NOIR)

O Blanc de Noir nada mais é do que um vinho branco 100% Pinot Noir que fermentou duas vezes. Trata-se de uma especialidade muito aplicada entre os produtores da Champagne.

A segunda fermentação desse vinho especialmente formulado é realizada dentro da garrafa, a  fim de que o dióxido de carbono não escape e acabe por pressurizar a mesma, carbonatando o vinho.

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O Blanc de Noir pode ser encontrado em diversas regiões produtoras do mundo, inclusive no Brasil, e quase sempre a uva utilizada para sua fabricação é a Pinot Noir (em outros casos, sua variante, Pinot Meunier).


Espero ter conseguido solucionar as dúvidas de muitos iniciantes e iniciados, sobretudo com relação à produção em tinto, branco e rosé. Particularmente, eu adoro os espumantes rosés feitos 100% com uvas Pinot Noir (nesse caso, seria o vinho rosé fermentado duas vezes dentro da garrafa). Comecei a me interessar por vinhos, de forma geral, no momento em que procurei saber mais sobre a produção do espumante. É realmente fascinante!

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Em se tratando de espumante brasileiro Blanc de Noir, recomendo muito qualquer rótulo da Familia Geisse. Amo muito, todos eles! Sem dúvida ainda vamos ouvir falar muito dessa fábrica de borbulhas de Pinto Bandeiras. É tudo maravilhoso!

Boa quarta! Bons vinhos! Tim-Tim!

Viaje na Taça: Conheça a Mítica Região da Borgonha

Sem dúvida, a Borgonha é uma das regiões vinícolas mais belas do mundo. Um lugar que povoa o imaginário de qualquer enófilo realmente apaixonado por vinhos finos. Terra do emblemático Domaine de La Romanée Conti (DRC), cujas vinhas são mimadas e cuidadas a fim de produzirem alguns dos melhores rótulos do mundo. Certamente, é um terroir que está na minha listinha de futuros roteiros e acredito que na sua também. Bora conhecer?

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Borgonha

A BORGONHA

A Borgonha (Borgogne, em francês) é uma região vinícola localizada na área central do leste da França, nos arredores do distrito administrativo de Dijon, que não vive só da sua famosa mostarda, visto que a cidade também produz queijos e bons vinhos Chardonnay e Pinot Noir.

O solo da Borgonha é caracterizado por altos níveis de calcário, o que eleva a mineralidade típica dos vinhos locais. Possui clima continental, sem influências oceânicas, com verões relativamente quentes e um dos invernos mais frios da França.

Assim como em muitas regiões francesas, a Borgonha teve suas primeiras videiras introduzidas pelos romanos, no século I d.c. Durante a Idade Média, foram os monges católicos que desenvolveram a viticultura precisa e delimitada de alguns dos vinhedos mais famosos da atualidade.

SUB-REGIÕES

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Fontenay, Côte D’Or

A Borgonha é dividida em 4 principais sub-regiões:

CÔTE D’OR: produz os melhores vinhos da região e compreende duas áreas distintas, norte e sul da cidade de Beaune – Côte de Beaune e Côte de Nuits. A Côte d’ Or possui as melhores e mais famosas denominações da região, que engloba vinhedos como Vosne-Romanée, Nuits Saint Georges e Puligny- Montrachet.

CHABLIS: situada no oeste da Borgonha, é especializada na produção de excelentes vinhos Chardonnay de caráter mineral e picante.

CÔTE CHALONNAISE:  ao sul da Côte d’Or, produz tanto vinhos Chardonnay quanto Pinot Noir. Possui denominações famosas, como Bouzeron, Mercurey e Givry.

MACONNAIS: é a área mais ao sul da Borgonha, nos arredores da cidade de Macon, a poucos quilômetros de Beaujolais. Produz quantidades consideráveis de vinhos Chardonnay, entre outros, em sua maioria brancos.

CASTAS DE UVAS

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Chardonnay e Pinot Noir: são algumas das cepas mais famosas do mundo, ambas nascidas na Borgonha, em plena Idade Média. Até hoje, são as uvas brancas e tintas mais cultivadas do lugar.

Aligoté: é uma casta branca pouco conhecida na região. Produz vinhos mais leves e acessíveis, ótimos para quem está começando a degustar os vinhos brancos no estilo da Borgonha.

Gamay: apesar de produzida na Borgonha, os vinhos desta uva nunca são engarrafados como varietais únicos. Geralmente, ela participa de uma pequena parcela dos lotes rotulados como Bourgogne  Gran Ordinaire ou Coteaux Bourguignons.

Pinot Blanc: geralmente reservada para a produção de vinhos espumantes.

ESTILO DE VINHOS

Os tintos da Borgonha são considerados a mais completa manifestação da Pinot Noir no mundo, conhecida por seu corpo, elegância e luminosidade. Geralmente, seus exemplares são envelhecidos em barricas de carvalho.

Já os brancos da Borgonha, em sua maioria da uva Chardonnay, possuem um toque mineral, devido ao solo calcário. Costumam ser refinados e de ótima acidez. O Chablis possui um toque seco e fresco, sendo muito apreciado com ostras frescas, por exemplo.

Na Borgonha, as vinhas e os vinhos são qualificados de acordo com seu nível Cru: Grand Crus são os melhores vinhedos, que produzem os melhores e mais caros exemplares. Os Premiers Crus, por sua vez, possuem um grau ligeiramente inferior.

Agora, algo que pouca gente sabe: a Borgonha também possui ótimos espumantes, produzidos por meio da fermentação em garrafa pelo método tradicional, sendo classificados como Crémant de Bourgogne.

RÓTULOS FAMOSOS

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  • Domaine de la Romanée Conti : Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Leflaive Chevalier Montrachet Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Mommessin Clos de Tart Grand Cru:  Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Coche-Dury Corton Charlemagne Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru: Tinto, Pinot Noir

Espero que tenham curtido essa pequena viagem pela Borgonha. Estou lendo um livro do Maximillian Potter sobre a História do Romanée-Conti, um dos expoentes máximos da região, sobretudo por ser considerado um dos melhores vinhos do mundo. Trata-se de uma trama policial, mas que também fala muito sobre a região e encanta qualquer apreciador de vinhos finos.  Assim que eu terminar, com certeza postarei uma resenha com as minhas impressões. Mas, por enquanto, garanto que estou adorando!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Descubra Os Segredos Da Pinot Noir

Sem dúvida, a Pinot Noir é uma das minhas castas preferidas. Sempre digo que alguns momentos pedem um bom Pinot. Sexta à noite, relaxando após uma semana estressante, ou em plena quinta-feira fria, enquanto pinto um dos meus quadros. É o tipo do vinho que estimula a minha criatividade.

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A gente sempre acha que sabe bastante sobre uma casta, principalmente se temos o hábito de ler sobre vinhos. Você deve ter pensando. Pinot Noir… de origem francesa, frutada, geralmente leve e deliciosa, está na moda e, dependendo, seus vinhos podem ser absurdamente caros, principalmente se forem da Borgonha.

Pois bem, que tal ampliar seus conhecimentos? Vila Vinífera pesquisou a fundo e descobriu os segredos desta uva tão nobre. Bora lá!

1 ) PINOT NOIR = PINHEIRO NEGRO

Os viticultores antigos costumavam nomear as castas de forma bem simples. Por isso, Pinot, em francês, quer dizer PinheiroNoir, por sua vez, significa Preto. Ou seja, trata-se de uma uva de coloração negra, cujo cacho possui o formato da árvore pinheiro. 

2) OS MONGES E OS ROMANOS FORAM OS PRIMEIROS AMANTES DA PINOT NOIR

Acredita-se que a Pinot Noir seja uma das cepas mais antigas que sobrevivem até hoje, sendo que sua existência fora detectada na França desde a era romana. A partir do século I D.C, os romanos ocuparam a maior parte dos países da Europa, levando com eles o gosto por vinhos, inclusive aqueles produzidos com a Pinot Noir.

Quando os governos europeus se tornaram católicos, durante a Idade Média, a produção de vinhos passou a ser controlada sobretudo pela igreja. Na Borgonha, os monges passaram a fabricar o fermentado que seria usado em seus sacramentos, tornando-se os principais produtores ao longo de séculos. Buscando por uvas que estivessem à altura de suas celebrações, os religiosos elegeram a Pinot Noir como a casta mais nobre, desbancando, inclusive, a Gamay, que sempre fora muito popular na região.

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3) PINOT NOIR = TERROIR

A Pinot Noir é a tradução mais pura de seu terroir. Tanto isso é verdade, que o solo, o clima e a topografia de diferentes regiões, onde esta cepa é cultivada, podem resultar em vinhos totalmente singulares. Talvez isso se dê por se tratar de uma espécie antiga e muito primitiva. A Cabernet Sauvignon, por exemplo, não consegue demonstrar tamanha variedade. Devido à obsessão dos monges por vinhos de qualidade e por se tratar de uma uva tão sensível, eles mapearam a variação do solo em muitas de suas vinhas.

Logo, foram os religiosos que identificaram os locais mais apropriados para o cultivo da Pinot Noir, criando os conceitos de Premier Cru e Gran Cru. 

4) PINOT NOIR DEMORA MUITO A CRESCER

Pelo fato de seus cachos terem um formato bem compacto (assim como um pinheiro, lembram?), fungos, entre outros responsáveis pelo apodrecimento, encontram entre as uvas um ambiente úmido e ideal para se proliferarem. É uma casta sensível e muito suscetível a doenças. Sua casca muito fina não consegue protegê-las contra as pragas, o calor e o ressecamento . Por isso, esta possui baixo teor de taninos, ou seja, uma proteção natural contra pragas e a radiação UV.

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5)  PINOT NOIR ADORA UM FRIOZINHO

Você deve ter notado que países de clima mais quente, como Espanha, Argentina e África do Sul não são famosos pela produção de vinhos à base de Pinot Noir. Há uma boa razão para isso: a Pinot Noir gosta de climas frios. Em regiões quentes, seus sabores sutis acabam “cozinhando” dentro da fina pele de suas cascas.

Borgonha e Champagne são algumas das mais frias regiões vinícolas francesas. Portanto, é aí que a Pinot Noir encontra seu habitat natural. Outros terrois europeus com tradição na produção da casta são a Alemanha (onde é chamada de Spätburgunder), a Suíça e os Alpes do Norte da Itália (Pinot Nero). Em regiões mais quentes do Novo Mundo, os produtores tiveram que encontrar melhores condições para o cultivo, com arrefecimento e influências das correntes mais frias. Como exemplo, podemos citar Carneros e Russian River Valley, na Califórnia, Valle de Casablanca, no Chile, e Walker Bay, na África do Sul. Por se tratar de um país com condições climáticas ideais, a Nova Zelândia também vem se destacando muito na produção de Pinot Noir.

6) UMA FAMÍLIA DE MUTANTES

A Pinot é muito mais que uma variedade de uvas. Trata-se da chefe da gangue, formada por uma enorme família de Pinots..rs. Por ser uma casta suscetível a mutações, todas podem sofrer modificações em sua cor, taninos e sabor. Cada identidade genética selecionada a partir de suas características é chamada de clone. Mais de 50 clones de Pinot Noir são reconhecidos na França, contra apenas 25 de Cabernet Sauvignon, embora esta última seja a cepa mais plantada no país e no mundo.

A mutação da Pinot Noir deu origem a uma gama de outras uvas, com diversas cores e sabores, incluindo a Pinot Gris (de casca cinza e ligeiramente rosada), Pinot Blanc (branca) ou Pinot Meunier.

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7) ONDE A PINOT NOIR CRESCE NO MUNDO?

Os 10 Maiores Países Produtores de Vinho Pinot Noir e Áreas Plantadas

  1. França: 29,738 hectares (73,451 acres)
  2. Estados Unidos: 16,776 hectares (41,437 acres)
  3. Alemanha: 11,300 hectares (27,911 acres)
  4. Moldova: 6,521 hectares (16,106 acres)
  5. Itália: 5,046 hectares (12,462 acres)
  6. Nova Zelândia: 4776 hectares (11,796 acres)
  7. Austrália: 4,690 hectares (11,584 acres)
  8. Suíça: 4,402 hectares (10,873 acres)
  9. Chile: 2,884 hectares (7,123 acres)
  10. Argentina: 1,802 hectares (4,449 acres)

Espero que tenham gostado de saber um pouco mais sobre esta uva tão amada! Agora, nesse frio, combina muito com lareira e uma ótima companhia. Com direito a muitos “causos” e curiosidades sobre a Pinot Noir.

Bons Vinhos e Tim-Tim!