Vinhos da Península de Setúbal Brilham no Copacabana Palace

Ontem estive em mais uma celebração ao vinho português no tradicional Hotel Copacabana Palace, aqui no Rio. E, sim, os amigos lusitanos devem ter muito orgulho de seus fermentados. Afinal, provei tantos rótulos sensacionais que poderia ficar horas aqui dissertando sobre a expressão de cada um deles.

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Para começar, todos os enoamigos mais queridos estavam presentes, desde as blogueiras Joana Rangel, Ana Borba e Tita Moraes, passando pelo Sommelier Marcelo Marques e sua bela e simpática esposa Patrícia Pacheco, até as maravilhosas confreiras do Amigas do Vinho, comandadas por Maria Lúcia Rodrigues.

Foi um encontro intimista, só para convidados – enófilos e profissionais do setor. Ou seja, o local estava povoado por aqueles que nutrem profunda paixão pelo néctar de Baco. E, realmente, os vinhos foram as grandes estrelas do evento.

PROFUSÃO DE CORES E SABORES

Entre as vinícolas e representantes presentes estavam Adega de Pegões,  Casa Ermelinda de Freitas, Herdade da Comporta, José Maria da Fonseca (sim, a Vinícola do icônico Periquita), Quinta Brejinho da Costa, Venâncio da Costa Lima e Quinta do Piloto, grande destaque, não só pela qualidade dos vinhos, mas também pelo carisma e atenção total do simpático Filipe Cardoso, também responsável pelos caldos da SIVIPA (Sociedade Vinícola de Palmela).

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Sérgio Coelho e o simpático Filipe Cardoso, da SIVIPA e Quinta do Piloto

E o que falar dos Vinhos? Foram Espumantes, Brancos, Tintos e Rosés, além dos famosos Moscatéis que, de tão versáteis, se transformaram num delicioso Welcome Drink para os convidados: uma versão de “Porto Tônico” elaborada com o Moscatel de Setúbal, com direito a gelo, água tônica e limão siciliano. Maravilhoso!

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Welcome Drink: Moscatel de Setúbal Tônico

O buffet ficou a cargo do Chef Executivo do Copa, David Mansaud, supersimpático e que fez questão de nos cumprimentar e receber nossos merecidos elogios. Sem dúvida foram comidinhas saborosas, que harmonizaram perfeitamente com os grandes vinhos presentes no evento.

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Com Cristina, amiga da ISG

PENÍNSULA DE SETÚBAL: TRADIÇÃO EM VINHOS PORTUGUESES

A demarcação da Região do Moscatel de Setúbal em 1907 comprova toda a tradição do lugar para a vitivinicultura, que simplesmente é um dos mais antigos de Portugal para essa finalidade. A existência de vinhas tanto em zonas planas, como nas encostas da Serra da Arrábida, deu origem a uvas capazes de produzir vinhos de muita qualidade, com personalidades únicas e que contribuíram imensamente para que a região se afirme cada vez mais no mapa vitivinícola de Portugal e do mundo. 

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O famoso néctar de Setúbal!

As castas mais plantadas desta região e que, de certa forma, traçaram o perfil do local, são a Castelão, Syrah, Aragonez (para as tintas e Moscatel de Setúbal) e Fernão Pires e Arinto, no caso das brancas. 

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA (I.G) DA PENÍNSULA DE SETÚBAL

D.O PALMELA: Abrangendo os conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e, ainda, a freguesia do Castelo, no conselho de Sesimbra, a Denominação de Origem (D.O) Palmela cobre a mesma área que a D.O de Setúbal, excluindo a produção de Moscatel. Nessa D.O são produzidos vinhos brancos, rosados, tintos, espumantes e licorosos, sendo que a estrela de Palmela é, sem dúvida, a varietal Castelão, exigida em pelo menos em 67% dos blends dos tintos. 

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D.O DE SETÚBAL: É a região dos famosos Moscatéis! Os vinhos dessa D.O são produzidos na mesma área demarcada de Palmela, mas se refere apenas aos vinhos generosos/licorosos conhecidos como Moscatéis de Setúbal. Existem dois tipos de vinhos fortificados com essa denominação: o produzido com a casta branca Moscatel de Setúbal e o fabricado com a casta rosada Moscatel Roxo (meus favoritos!), cuja presença deve estar em pelo menos 67% do lote, podendo, contudo, estar associadas a outras castas, como Arinto, Fernão Pires etc. Entretanto, a tradição acabou exigindo que tais vinhos sejam elaborados com 100% dessas duas varietais. Logo, as designações tradicionais de Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal só podem ser empregadas quando essas castas contribuíram com, no mínimo, 85% do mosto (suco de uva) utilizado na fabricação dos vinhos. 


Então é isso, galera da enofilia! Sem dúvida estamos na temporada dos eventos de vinhos. Para mim, trata-se da oportunidade perfeita de rever e fazer amigos, além de conhecer um pouco mais sobre a nossa amada bebida dos deuses. Tudo é bagagem. Tudo é aprendizado. E quando a gente se compromete em fazer o que ama, qualquer atividade vira prazer e vontade de melhorar mais a cada dia.

Até a próxima! Ótimos Vinhos! Um brinde ao Conhecimento! Tim-Tim!

Mais Do Que Nunca O Vinho Nacional é COISA NOSSA!

Amigos, na última quinta-feira, 4/05, tive a honra de participar de uma verdadeira festa do vinho brasileiro. O evento “Coisa Nossa Vinhos e Etc” agitou o Novotel de Botafogo (RJ) com enófilos apaixonados, imprensa especializada e profissionais do ramo de bebidas e gastronomia. Sucesso absoluto!

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Logo no início, já esbarrei com muita gente bacana que eu só conhecia virtualmente, como os queridos colegas Joana Rangel (Blog Divina e Vinho), Ana Borba (Blog Da Água Para o Vinho) e Fernando Lima (Vinhos com Fernando Lima), além do amigo Fábio Dobbs (Além da Taça).

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Olha só eu com a Joana Rangel (Divina e Vinho) e o simpático Nicola, da Le Chateaux Laurentia.

DESTAQUES BRASILEIROS 

Após um bate-papo com a galera, degustamos algumas pérolas do nosso terroir. Primeiro da Serrado Vinhos (Tijuca – que se destaca pelos exemplares da vinícola catarinense Villa Francioni), em seguida Vinícola Pericó (também catarinense), Cave Nacional (e-commerce do amigo Marcelo Rebouças, que trouxe para o evento nada mais nada menos que o badalado Maria, Maria Syrah da vinícola mineira de mesmo nome), Routhier & Darricarrère, Cattacini Vinhos, Vinum Rio (que só vende vinhos finos nacionais, como o rótulo Don Laurindo), Grupo Miolo (com vários rótulos de prestígio, como o espumante Millésime, Quinta do Seival – tinto e o maravilhoso Alvarinho), a mineira Luiz Porto, Decanter (com os rótulos da Hermann e Quinta da Neve), Lidio Carraro, Pizzato (amei o espumante Brut Champenoise deles!), entre outras.

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Outro destaque ficou por conta da Vinícola Le Chateaux Laurentia, com seu espumante  Brut elaborado com as uvas Montepulciano e Nebbiolo. Uma surpresa maravilhosa!

VINHO MINEIRO

Eram muitos rótulos e infelizmente não consegui degustar todos. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a forte presença dos mineiros, certamente por suas vinícolas terem uma grande aceitação aqui no Rio de Janeiro.

O “Maria, Maria Syrah”, exposto no stand da Cave Nacional, foi responsável por um dos maiores reboliços do encontro. Tudo porque se trata de um  vinho de produção pequena e muito elogiado (seu nome é sim, uma homenagem ao grande cantor e compositor Milton Nascimento).

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Já a Luiz Porto Vinhos Finos (Cordislândia-MG) nos brindou com uma palestra memorável, proferida pelo Diretor da Vinícola, Luiz Roberto Porto Júnior (em breve teremos um artigo exclusivo sobre ela, visto que foi realmente muito bacana!), que falou principalmente a respeito das particularidades do terroir mineiro e da técnica de poda invertida, através da qual a colheita das uvas é realizada no inverno. Da vinícola, degustamos os vinhos da linha Dom de Minas (Merlot e Cabernet Franc), assim como o belo espumante Luiz Porto Brut.

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Luiz Roberto Porto Júnior, Diretor da Luiz Porto Vinhos Finos.
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Dom de Minas Cabernet Franc: surpreendente a estrutura!

PALESTRAS

Também tive oportunidade de prestigiar a palestra Panorama do Mercado de Vinhos Brasileiro, com o brilhante escritor Rogerio Dardeau, autor do aclamado livro “Vinho Fino Brasileiro”.  Expert em terroir nacional , Dardeau falou, entre outros assuntos, sobre as novas regiões vinícolas brasileiras, bem como as particularidades de cada uma, incluindo Microclima, Denominação de Origem (Vale dos Vinhedos) e Indicação Geográfica. Ao longo da palestra, degustamos rótulos de algumas vinícolas, como o Chardonnay 2015 da Pizzato e o Chenin Blanc da Catacini, elaborado em parceria com a Vinícola Miolo.

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Rogerio Dardeau: uma aula sobre o Vinho Nacional

Valdiney Ferreira, professor do curso de Wine Business da Faculdade Getúlio Vargas, ministrou a palestra “Vinhos do Brasil – Do Passado Para o Futuro”. Me chamou a atenção os números de vendas e consumo do mercado brasileiro, assim como a criação das primeiras cooperativas nos anos 30. Enfim, o Brasil ainda exporta pouco frente a outras regiões vinícolas e tem tudo para que seu vinho ocupe um lugar de prestígio no mundo.

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Durante a palestra, degustamos alguns rótulos, entre eles o Espumante Brut Rosé da Luiz Argenta (100% Pinot Noir), o Alvarinho Quinta do Seival, da Miolo (Maravilhoso!) e o Agnus Tannat, da Lidio Carraro (destaque na Expovinis 2016). DETALHE: todos os vinhos foram servidos às cegas, para a gente descobrir. Ou seja, é sempre uma experiência muito bacana. 

GASTRONOMIA

O Coisa Nossa também contou com o que há de melhor na gastronomia. Não consegui resistir aos croissants e biscoitinhos da Blé Patisserie (de Itapaiva). O Francisco Patitucci, um dos sócios,  foi supersimpático com todo mundo. Me atrevo, ainda, a elogiar os macarrons. Maravilhosos e muito bem-feitos!

Outro destaque ficou por conta dos queijos artesanais da capixaba Orolatte e da mineira Serra das Antas (meus amigos sabem que não resisto ao queijo tipo Reblochon da marca). Enfim, tudo de primeiríssima qualidade, muito a ver com o clima do evento, que ainda contou com música ao vivo e muita gente bonita e engajada no mundo do vinho.


Então é isso, gente! Podem ter certeza que ao longo do ano ainda teremos muitos outros eventos em homenagem ao vinho nacional. Sim, é uma forma de divulgar o nosso néctar não só internacionalmente como também para o mercado interno. Afinal, os consumidores brasileiros ainda não se familiarizaram totalmente com os nossos vinhos, que não ficam devendo aos de nenhuma outra região vinícola ao redor do mundo.

Sem dúvida, todos os organizadores do Coisa Nossa estão de parabéns! É o tipo do evento que cumpre perfeitamente o papel de difusão da cultura do vinho.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!