Rótulo e Contra-rótulo: O Cara e Coroa do Vinho

Se toda moeda tem os lados cara e coroa, com o vinho não é diferente. Todo néctar que se preze possui rótulo e contra-rótulo. E isso tem influenciado cada vez mais os consumidores durante a escolha da garrafa ideal.

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Alguns são sóbrios e distintos, outros modernos e coloridos. Qualquer que seja o estilo do rótulo e contra-rótulo, é importante observá-los com atenção, visto que estes trazem informações superimportantes sobre sua origem. Porém, em tempos de mais do mesmo, as empresas que propõem inovações neste quesito inevitavelmente acabam saindo na frente. Afinal, qual consumidor leigo não gostaria de ter em mãos dicas de temperatura de serviço e harmonização? Trata-se de um serviço que as vinícolas prestam, a fim de que a experiência de degustação se torne ainda mais especial.

ATENÇÃO ÀS INFORMAÇÕES

Classificação: indica a qualidade do vinho. Cada país adota regras próprias de classificação. Algumas mais comuns são: Vinho de Mesa, Vinho Regional, Vinho de Denominação de Origem Controlada.

Contra-Rótulo: pode conter informações sobre a vinícola, a uva, a safra e o método de vinificação. Inclui, ainda, o registro no Ministério da Agricultura, endereços, contatos etc. Porém, o grande plus neste caso são as informações adicionais que chegam como uma prestação de serviço para os enófilos iniciantes. Notas Olfativas e Gustativas, Dicas de Harmonização e Temperatura de Serviço, quem sabe até uma historinha sobre a origem do nome do vinho…. tudo isso só agrega positivamente à experiência de degustação, ao mesmo tempo em que contribui para fidelizar a clientela.

Aqui temos o rótulo e contra-rótulo do vinho Coletânea, da Lidio Carraro. O rótulo é bem bonito, homenageando a Vela, modalidade olímpica que tem tudo a ver com a temática da Rio 2016. O contra-rótulo, por sua vez, é daquele tipo 4 estrelas. Mostra um textinho falando sobre a Vela e, em seguida, dicas de temperatura de serviço, notas de degustação e harmonização com pratos culinários. Só senti falta de notas de degustação, que dão uma boa ideia do que esperar do vinho. 

Marca ou Nome do Produtor: é a assinatura do vinho.

Numeração: em reservas especiais, alguns produtores costumam numerar a garrafa e o lote.

Safra: ano da colheita da uva. Se for uma grande safra, o preço do vinho é mais alto.

Teor Alcoólico: uma pista importante sobre o corpo do vinho (leve, médio ou encorpado). Quanto maior o teor, mais encorpado tende a ser o vinho, embora outros fatores também contribuam com o corpo.

Rótulo e contra-rótulo do Espumante Joaquim, da Villa Francioni. O rótulo é do tipo sóbrio, sem deixar de ser belo, com letras douradas e linda caligrafia. Para o contra-rótulo, eu daria 3 estrelas. Falta mais informações que agreguem à apreciação, como tempo de serviço (para espumante, é essencial), bem como dicas de harmonização e até a taça ideal para uma experiência de degustação perfeita. 

Uva: o nome da casta que predomina no vinho, caso seja um varietal. Em vinho de corte ou assemblage, pode aparecer o nome de mais de uma uva.

Volume: quantos mililitros de vinho contém a garrafa. A maioria traz 750ml.

O CONTRA-RÓTULO DAS IMPORTADORAS

No Brasil, acontece algo curioso com os vinhos importados. Nossa legislação exige que se informe, na embalagem, os ingredientes do produto. Acontece que em outros países, como a França, por exemplo, não existe essa obrigatoriedade. Para contornar o problema, os importadores costumam acrescentar um novo contra-rótulo à garrafa, a fim de atender às exigências internas. Muitas vezes, este contra-rótulo quebra a harmonia da garrafa, sem falar que chega pobre em informações que fatalmente poderiam ser encontradas no exemplar original.

Amo de paixão esses rótulos dos vinhos chilenos Aves Del Sur. Cada rótulo traz uma ave, mudando de acordo com o tipo de uva. Só por isso, o contra-rótulo poderia ser mais bem aproveitado. Logo, dou 1 estrelinha apenas para ele. É do tipo que só diz o que pede a legislação, ao passo que poderia rolar um textinho, neste caso, informando sobre o Pato. Sem falar nas dicas de harmonização, temperatura de serviço etc.

E aí, pessoal?  Se tiverem um bom contra-rótulo, podem me enviar que publico aqui ou na Fanpage do Facebook. Ultimamente tenho estado à caça de exemplares que sejam originais e, ao mesmo tempo, funcionais.

Boa semana! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Imagem: Revista Exame

Os 4 Termos Mais Comuns Nos Rótulos de Vinhos

Ultimamente, tenho pesquisado muito sobre formas de simplificar o entendimento dos rótulos, sobretudo para os iniciantes que ainda não estão acostumados ao mundo dos vinhos. Afinal, é por meio dessas informações que nos sentiremos mais seguros na hora da compra, sem a preocupação de poder estar levando “gato por lebre”.

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É importante saber diferenciar termos factuais, como *Gran Cru, por exemplo, de expressões marketeiras, criadas apenas para nos levar a adquirir determinado vinho. E foi pensando nisso que hoje trouxe algumas das denominações mais comuns encontradas nos rótulos por aí afora.

1-  Medalha de Ouro (Gold Medal Standard): 

Seja em inglês ou em português, o termo “medalha de ouro” já engana desde o início. Se o rótulo não indicar em qual concurso o vinho ganhou essa suposta medalha de ouro, não se deixe influenciar. É puro marketing.

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2- Grand Vin (Para rótulos franceses)

Do francês, traduz-se exatamente como Grande Vinho, ou seja, Gran Vin é  uma designação tradicional, dada às melhores garrafas de um Domaine (Vinhedo). Porém, não há regulamentação sobre quem teria o direito de usar esse termo, assim como se ele realmente atesta a qualidade de um vinho. Por isso, olhos bem abertos! Nessa hora, vale pedir a indicação de um sommelier ou de algum amigo que já tenha degustado o rótulo em questão.

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3- Seleção do Enólogo (Winemaker’s Selection)

Outro termo bonito que não quer dizer nada. Ou seja, pode ser que o vinho seja realmente muito bom e tenha sido escolhido a dedo pelo enólogo responsável ou, na pior das hipóteses, apenas uma jogada de marketing para tornar o rótulo conhecido.

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4- Reserva (Reserve)/ Grand Reserva (Grand Reserve)/ Riserva

Desses nós já falamos em uma outra postagem, mas não custa nada repetir. Os termos Reserva e Gran Reserva não são regulamentados em todos os países. Por isso, não deixe que os mesmos influenciem na sua decisão de compra. Contudo, quando se trata da Espanha, os termos Reserva (Reserve) e Grand Reserva (Grand Reserve) correspondem a vinhos que foram armazenados por longos períodos em barricas de carvalho. Já o termo Riserva é legalizado e utilizado para designar denominações de origem controlada na Itália, como é o caso do Chianti e do Pielmonte, a fim de demonstrar aos consumidores a alta qualidade dos exemplares envelhecidos.

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EVITE LEVAR GATO POR LEBRE

  • Busque sempre informações sobre o real significado dos termos explícitos nos rótulos, assim como agora.
  • Outra dica bacana é utilizar os aplicativos para smartphones. Através deles, é possível ter acesso às opiniões de enófilos e profissionais do mundo do vinho.
  • Vale, ainda, pedir sugestões aos amigos e lojistas. Não importa o canal de compra, se um vendedor deseja conquistar um cliente fiel, com certeza ele falará a verdade sobre os pontos positivos e negativos da bebida em questão. Como diria o vendedor da Adega do supermercado do meu bairro, “se eu te enganar, você vai ficar chateada e nunca mais vai comprar com a gente”. No fundo, é meio isso mesmo. Uma relação de confiança construída a partir da satisfação de ambos os lados.

 * O termo Grand Cru, mencionado no início deste artigo, é uma “Appellation d’origine contrôlée” (AOC) dos melhores vinhos produzidos na Côte de Beaune e Côte de Nuits na Borgonha, França, e a mais alta das quatro categorias principais que são: Grand Cru. Premier Cru,  Appellation Communale e Appellation Régionale.