Viagem na Taça: O Exuberante Vale do Loire

Para alegria dos enófilos de plantão, hoje publicamos mais um post da série Viagem na Taça. Desta vez, vamos direto para um das mais belas regiões francesas, o Vale do Loire. Encha sua taça e prepare-se para zarpar em busca desses vinhos maravilhosos.

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ONDE FICA ESSE VALE?

O Vale do Loire é uma região vinícola localizada ao longo do rio de mesmo nome que é, sem dúvida, o maior da França, visto que ele se estende da costa oeste do Atlântico até o centro do país. E justamente por se tratar de uma área tão grande, o Loire dispõe de diversos estilos de vinhos, elaborados com uvas das mais variadas.

HISTÓRIA DO LOIRE

Ao longo dos séculos, a região se tornou famosa por abrigar as residências de muitos reis da França, que construíram castelos que hoje em dua vivem repletos de turistas, como os Château de Chambord e Château de Cheverny.

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Château de Chambord, Vale do Loire

COMO É O TERROIR DA REGIÃO?

Os solos são dos mais diversificados. Ao longo de todo o rio, é possível encontrar granito, cascalho, argila e pedra calcária tuffeau, que fora usada na construção dos castelos locais, datados da época da Renascença.

O clima é oceânico, junto à costa, se transformando em continental ao passo que nos aproximamos do interior.

Por se tratar de uma região vitivinícola, o Vale do Loire é dividido em quatro áreas, de oeste a leste:

  • Pays Nantais, pela costa atlântica, ao redor da cidade de Nantes ;
  • Anjou, localizada um pouco acima do rio, em torno da cidade de Angers;
  • Touraine, próxima à cidade de Tours, ao sul de Paris;
  • Haute- Loire, situado onde o rio se aproxima de sua origem, nas regiões montanhosas do centro da França.

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QUAIS AS VARIEDADE DE UVAS DA REGIÃO?

Chenin Blanc é, sem dúvida, o símbolo das uvas do Loire, sendo difícil de ser cultivada em outras regiões, com exceção da África do Sul.  É uma cepa branca e delicada, que serve de base para diversos estilos de vinhos locais, incluindo brancos, secos e doces botritizados. De vez em quando ainda aparece em assemblage (mistura) com a Chardonnay.

Cabernet Franc, originária de Bordeaux, mas desde o século XVII encontrou no Loire sua segunda casa. Geralmente é utilizada em um único vinho varietal, diferente de sua região de origem, onde é misturada com outras castas. No Loire, a Cabernet Franc produz tintos famosos, como Chinon e Bourgueil, além de Rosés, como Cabernet D’Anjou, e espumantes rosados, como o Saumur.

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Os vinhos brancos da região costeira de Muscadet, perfeitos para acompanhar frutos do mar, são feitos com a uva Melon de Bourgone.

Grolleau, uma uva raramente mencionada quando se fala em Vale do Loire, porém, muito importante na elaboração de diversos rosés locais.

Em áreas de Haute-Loire, como Sancerre, as uvas Sauvignon Blanc e Pinot Noir fazem parte de vinhos famosos do Loire. O Sancerre (Sauvignon Blanc), por exemplo, fica divino com queijo de cabra, um verdadeiro clássico da harmonização.

ESTILOS DE VINHOS 

Poucas regiões europeias podem se orgulhar em produzir vinhos tão variados quanto o Vale do Loire.

  • Os brancos secos estão por toda a parte, ao longo do Rio Loire. Entre os mais emblemáticos estão os de Muscadet, Saumur, Vouvray, Sancerre e Pouilly Fumé.
  • Os vinhos brancos adocicados do Loire não são tão mundialmente famosos, mas produzem alguns dos melhores botritizados do planeta, nas denominações Coteaux do Layon, Savenniéres, além de Moutlouis.
  • Os rosés são produzidos em larga escala, muitas vezes sob as denominações regiões Rosé de Loire ou Rosé D’ Anjou.
  • Quanto aos tintos, os mais interessantes são os Cabernet Franc de Saumur, Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas de Bourgueil, além dos Pinot Noir de Sancerre.
  • Há vinhos espumantes de diversos estilos, produzidos em áreas demarcadas, como Saumur, Vouvray e Crémant de Loire.

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VINHOS DO LOIRE QUE VOCÊ TEM QUE PROVAR

  • Didier Dagueneau Poully-Fumé Silex, Sauvignon Blanc
  • Domanie Olga Raffault Les Picasses Chinon, Cabernet Franc
  • Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant Savennieres, Chenin Blanc Doce
  • Domaine Vacheron Sancerre Belle Dame Rouge, Pinot Noir
  • Champalou Vouvray, Espumante Branco

E aí? Curtiram o Viagem na Taça desta semana? Então, que tal descobrir outras maravilhosas regiões, entre elas Alsácia, Bordeaux, Borgonha e Champagne? São lugares que, além de lindos, produzem vinhos da melhor qualidade e que têm muito a nos ensinar.

Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

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Taça Viajante: a Efervescente Champagne

Finalmente, a série Terroir Francês chega à bela região vinícola da Champagne, famosa por produzir alguns dos melhores espumantes do mundo. Sou apaixonada, não só pelas lindas paisagens, como também pela trajetória das Maisons (Casas de Champagne), que há séculos figuram como algumas das mais importantes do mundo de Baco.

AGORA, ABRA UMA CHAMPAGNE E VIAJE NA TAÇA!

Então, que tal se agora nós abríssemos uma champagne e nos transportássemos para esse terroir carregado de essência e história? Prepare-se, pois a viagem tem tudo para ser inesquecível!

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Vinhedo em Reims, Champagne

Champagne é uma região vinícola da França, localizada a cerca de 150km de Paris. Antes da criação do Méthode Traditionnelle ou Champenoise, processo que produz o espumante por meio da fermentação na garrafa, o local fabricava vinhos tranquilos para suprir a grande população vizinha de Paris. Os habitantes da Champagne ou Champenois alegam que o monge Dom Pérignon foi o responsável pela criação do método champenoise, no século XVII. Sabemos que essa história é um tanto quanto controversa. Porém, é inegável que Pérignon contribuiu muito para  o sucesso e aperfeiçoamento desta técnica.

A região é conhecida como um terroir de solo calcário e clima mais frio do que o resto da França, ambos resultando em vinhos finos requintados e de forte caráter mineral.

SUB-REGIÕES

  • Montanha de Reims – região mais fria, onde reinam as uvas tintas, principalmente a Pinot Noir, com vários vinhedos Grands Crus e Premier Crus, nove, dos 17 Grands Crus, localizam-se aqui. Os mais famosos são Mailly, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy;
  • Vale de Marne – Solo menos calcário, com predomínio de argila. Predomínio das duas Pinots (Noir e Meunier), com dois vilarejos Grand Crus (Aÿ e Tours-sur- Marne);
  • Côtes de Blancs – Como o nome diz, predomínio de Chardonnay. Clima ameno, solo calcário. Aqui se situam cinco Grands Crus (Cramant, Avize, Oger, Le Mesnil sur Oger e Chouilly);
  • Côte de Sézanne – Região recente, continuação da Côtes de Blancs, com vinhas plantadas em 1960, predomínio de Chardonnay;
  • Cote des Bar – no departamento de Aube, tem invernos frios e verões quentes, solos argilosos, predomínio de Pinot Noir, que nessa sub-região alcança mais corpo.

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Vale ressaltar que diferente de outras regiões francesas, como Bordeaux, o nome da sub-região na Champagne é menos importante, pois os espumantes são mais conhecidos pelas marcas das grandes casas, ou maisons. Nomes como Krug, Salon e Chandon contam mais do que o nome da sub-região.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA (AOC)

Embora muita gente se refira a qualquer espumante como champagne, hoje em dia existe uma legislação que determina que o nome Champagne só pode ser usado em rótulos provenientes desta região vinícola. As únicas exceções são alguns produtores norte-americanos que utilizam há décadas a denominação California Champagne, bem como a Peterlongo, vinícola brasileira que conseguiu os direitos de uso do nome nos anos 70, por meio do Supremo Tribunal de Justiça. Todos esses produtores alegam que já produziam o “champagne” mesmo antes da AOC (Denominação de Origem Controlada) entrar em vigor, em 1927.

Porém, não canso de mencionar que esse tipo de coisa não faz nenhum sentido além do marketing. Champanhe de verdade, só aquele produzido na região francesa de Champagne.

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Cave Moët & Chandon 

PRINCIPAIS CASTAS DE UVA

O Champagne é feito sempre a partir de três castas (solo ou misturadas): As tintas Pinot Noir e Pinot Meunier (das quais se faz um vinho branco) e a branca Chardonnay. Geralmente as tintas emprestam à mistura caráter mais austero, mais corpo, aromas de frutas vermelhas, enquanto a Chardonnay dá mais cremosidade e elegância.

Mundialmente famosa, a Chardonnay encontrou uma de suas melhores expressões nos espumantes da Champagne. As melhores uvas e vinhos provém da sub-região de Cotês Des Blancs.

A Pinot Noir é usada na elaboração de espumantes brancos devido ao fato de não se extrair toda a cor da casca da uva durante a prensagem. Trata-se ainda, de um elemento importante na produção do champagne rosé.

Por fim, a Pinot Meunier é uma outra variedade de uva tinta utilizada na produção de champagnes brancos e rosés, contribuindo com nuances mais leves e frutadas.

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ESTILOS DE VINHOS

Champagne produz espumantes brancos e rosés de diversos estilos, sendo classificados de acordo com a seguinte escala, do mais seco para os mais doces. Aqui, o que manda é a quantidade de gramas por litro de açúcar da bebida.

  • Brut Nature (or brut zero, non-dosé, ultra brut, brut sauvage) : 0-2 g/L de açúcar
  • Extra Brut: 0-6 g/L de açúcar
  • Brut: 6-12 g/L de açúcar 
  • Extra Sec (Extra Dry, Extra Seco): 12-17 g/L de açúcar
  • Sec (Dry): 17-32 g/L de açúcar
  • Demi-Sec (Medium Dry, Meio-Doce): 32-50 g/L de açúcar
  • Doux (Sweet, Doce): more than 50 g/L de açúcar

Alguns vinhedos e vinhos são classificados de acordo com seu grau de qualidade Cru ou Premier Cru. 

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Champagnes elaborados 100% com uvas Chardonnay são denominados Blanc de Blancs, enquanto aqueles feitos 100% com uvas Pinot Noir são chamados Blanc de Noirs. Bem menos famosos são os vinhos tintos produzidos na região, rotulados como Coteaux Champenois.

ALGUNS RÓTULOS FAMOSOS

  • Dom Pérignon Champagne Brut
  • Louis Roederer Champagne Cristal Brut
  • Moët & Chandon Champagne Imperial Brut
  • Krug Champagne Grande Cuvée Brut
  • Salon Le Mesnil Blanc De Blancs Brut
  • Veuve Cliquot Champanhe Brut 

Espero que tenha gostado da nossa pequena aventura. Lugares lindos e alguns dos melhores espumantes do mundo. Se bem que os nossos rótulos brazucas não têm deixado nem um pouco a desejar, colocando-se em pé de igualdade com muitos desses vinhos. Porém, a tradição champenois é inegável, conquistada através dos séculos, em uma região que foi devastada por diversas guerras e conseguiu se reerguer. Sem dúvida, um orgulho para os franceses e todos os apreciadores dessa bebida mágica.

Referências: Vivino e Revista Adega.

Viaje na Taça: Conheça a Mítica Região da Borgonha

Sem dúvida, a Borgonha é uma das regiões vinícolas mais belas do mundo. Um lugar que povoa o imaginário de qualquer enófilo realmente apaixonado por vinhos finos. Terra do emblemático Domaine de La Romanée Conti (DRC), cujas vinhas são mimadas e cuidadas a fim de produzirem alguns dos melhores rótulos do mundo. Certamente, é um terroir que está na minha listinha de futuros roteiros e acredito que na sua também. Bora conhecer?

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Borgonha

A BORGONHA

A Borgonha (Borgogne, em francês) é uma região vinícola localizada na área central do leste da França, nos arredores do distrito administrativo de Dijon, que não vive só da sua famosa mostarda, visto que a cidade também produz queijos e bons vinhos Chardonnay e Pinot Noir.

O solo da Borgonha é caracterizado por altos níveis de calcário, o que eleva a mineralidade típica dos vinhos locais. Possui clima continental, sem influências oceânicas, com verões relativamente quentes e um dos invernos mais frios da França.

Assim como em muitas regiões francesas, a Borgonha teve suas primeiras videiras introduzidas pelos romanos, no século I d.c. Durante a Idade Média, foram os monges católicos que desenvolveram a viticultura precisa e delimitada de alguns dos vinhedos mais famosos da atualidade.

SUB-REGIÕES

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Fontenay, Côte D’Or

A Borgonha é dividida em 4 principais sub-regiões:

CÔTE D’OR: produz os melhores vinhos da região e compreende duas áreas distintas, norte e sul da cidade de Beaune – Côte de Beaune e Côte de Nuits. A Côte d’ Or possui as melhores e mais famosas denominações da região, que engloba vinhedos como Vosne-Romanée, Nuits Saint Georges e Puligny- Montrachet.

CHABLIS: situada no oeste da Borgonha, é especializada na produção de excelentes vinhos Chardonnay de caráter mineral e picante.

CÔTE CHALONNAISE:  ao sul da Côte d’Or, produz tanto vinhos Chardonnay quanto Pinot Noir. Possui denominações famosas, como Bouzeron, Mercurey e Givry.

MACONNAIS: é a área mais ao sul da Borgonha, nos arredores da cidade de Macon, a poucos quilômetros de Beaujolais. Produz quantidades consideráveis de vinhos Chardonnay, entre outros, em sua maioria brancos.

CASTAS DE UVAS

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Chardonnay e Pinot Noir: são algumas das cepas mais famosas do mundo, ambas nascidas na Borgonha, em plena Idade Média. Até hoje, são as uvas brancas e tintas mais cultivadas do lugar.

Aligoté: é uma casta branca pouco conhecida na região. Produz vinhos mais leves e acessíveis, ótimos para quem está começando a degustar os vinhos brancos no estilo da Borgonha.

Gamay: apesar de produzida na Borgonha, os vinhos desta uva nunca são engarrafados como varietais únicos. Geralmente, ela participa de uma pequena parcela dos lotes rotulados como Bourgogne  Gran Ordinaire ou Coteaux Bourguignons.

Pinot Blanc: geralmente reservada para a produção de vinhos espumantes.

ESTILO DE VINHOS

Os tintos da Borgonha são considerados a mais completa manifestação da Pinot Noir no mundo, conhecida por seu corpo, elegância e luminosidade. Geralmente, seus exemplares são envelhecidos em barricas de carvalho.

Já os brancos da Borgonha, em sua maioria da uva Chardonnay, possuem um toque mineral, devido ao solo calcário. Costumam ser refinados e de ótima acidez. O Chablis possui um toque seco e fresco, sendo muito apreciado com ostras frescas, por exemplo.

Na Borgonha, as vinhas e os vinhos são qualificados de acordo com seu nível Cru: Grand Crus são os melhores vinhedos, que produzem os melhores e mais caros exemplares. Os Premiers Crus, por sua vez, possuem um grau ligeiramente inferior.

Agora, algo que pouca gente sabe: a Borgonha também possui ótimos espumantes, produzidos por meio da fermentação em garrafa pelo método tradicional, sendo classificados como Crémant de Bourgogne.

RÓTULOS FAMOSOS

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  • Domaine de la Romanée Conti : Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Leflaive Chevalier Montrachet Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Mommessin Clos de Tart Grand Cru:  Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Coche-Dury Corton Charlemagne Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru: Tinto, Pinot Noir

Espero que tenham curtido essa pequena viagem pela Borgonha. Estou lendo um livro do Maximillian Potter sobre a História do Romanée-Conti, um dos expoentes máximos da região, sobretudo por ser considerado um dos melhores vinhos do mundo. Trata-se de uma trama policial, mas que também fala muito sobre a região e encanta qualquer apreciador de vinhos finos.  Assim que eu terminar, com certeza postarei uma resenha com as minhas impressões. Mas, por enquanto, garanto que estou adorando!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Taça Viajante: As Delícias de Bordeaux

Em meio a minha série de posts sobre as regiões vinícolas francesas, ontem, imaginem só, minha aula de Degustação na  ABS-RJ foi sobre os vinhos finos do Velho Mundo. Obviamente, o professor Roberto Rodrigues falou sobre diversas regiões, incluindo Bordeaux. Confesso que achei um pouquinho complicado. Afinal, são diversas “sub-regiões”, com um mundo de produtores de vários estilos.

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Tanto que o professor mesmo, mandou logo a dica: “Quanto maior for o nome Bordeaux, impresso na garrafa, pior é o vinho.”Dentro da minha vivência, isso faz supersentido. Quantas vezes bebi Bordeauxs dos quais não gostei, comprados em liquidações por aí afora? Meu pai mesmo outro dia comprou duas garrafas que estavam “bem em conta”, numa loja de vinhos da região serrana. Resultado: bebemos uma delas, péssima! E a outra está lá, na adega dele, largada…rsrs.

Pois bem, vamos desvendar mais essa bela região vinícola francesa. E, sim, uma das mais famosas! Tudo isso justifica esse marketing em torno do nome, sobretudo para os leigos, que acabam levando gato por lebre.

BORDEAUX

É uma região vinícola localizada no sudoeste da França, na costa do Oceano Atlântico. É a segunda maior região francesa produtora de vinhos finos, só perde para Languedoc-Roussilon.

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Insira uma legendaChâteau Cos D’Estournel, St-Estephe in the Medoc, Bordeaux France – Foto By Megan Cole

A proximidade do oceano influencia muito o clima da região, tornando-o relativamente fresco e úmido. Isso explica uma significativa variação das safras, observada nos vinhos finos de Bordeaux. Logo, a alta incidência de chuvas nos períodos da floração e colheita podem resultar em um tremendo desastre, sendo fonte de preocupação constante da maioria dos produtores.

Bordeaux é dividida em duas áreas, pelo Rio Gironde. A famosa “Margem Esquerda” é composta por solo calcário, ideais para o cultivo da casta Cabernet Sauvignon. A “Margem Direita”, por sua vez, tem um terroir com mais argila e um pouco de solo calcário, tendo excelentes resultados no plantio das uvas Merlot.

As  mais famosas sub-regiões e denominações de área de Bordeaux são Médoc, Graves, Sauternes, Saint-Emilion e Pomerol. Os produtores do terroir são os mais fervorosos no uso do termo “Château”, um nome que qualifica suas adegas e quintas.

CASTAS DE UVAS MAIS UTILIZADAS

A maioria dos vinhos finos tintos de Bordeaux são resultado de assemblage, ou seja, elaborados com mais de uma casta. Cabernet Sauvignon e Merlot são as principais varietais utilizadas em cortes, sendo que a Cabernet Franc, apesar de ser menos utilizada, desempenha um papel importante em alguns dos rótulos regionais mais procurados, como Château Cheval Blanc e Château Alsone. A Petit Verdot também participa das misturas, porém, em pequenas proporções. Ela traz poderosos aromas florais e taninos densos.

Já os Bordeaux de castas brancas contam com  cortes de uvas Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle. 

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ESTILOS DE VINHOS FINOS

TINTOS

A maioria dos vinhos finos de Bordeaux é do tipo tinto-seco, além de contar com uma série de denominações regionais, como Bordeaux AC, Bordeaux Supérieur, ou denominações de povoado, como Pauillac (essa meu professor elogiou bastante) e Saint-Estéphe.

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BRANCOS

Bordeaux também produz vinhos finos brancos, relativamente leves e frutados, como os da sub-região de Entre-Deux-Mers. Estes são perfeitos para acompanhar frutos do mar. Eu já degustei um Bordeaux Branco muito bom, com comida japonesa. O resultado foi divino! Alguns dos melhores rótulos brancos da região são fermentados em barris, a fim de se obter uma gama mais diversificada de aromas, como os da área de Pessac-Léognan. Os povoados de Sauternes e Barsac, localizados ao longo do rio, se beneficiam de um micro-clima favorável para o cultivo de uvas que recebem bem a Botrytis (podridão nobre), tornando-os famosos mundialmente por seus vinhos brancos doces botritizados.

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RÓTULOS FAMOSOS

  • Château Mouton Rothschild, Pauillac
  • Pétrus, Pomerol
  • Château Margaux
  • Château d’Yquem, Sauternes
  • Château Haut-Brion, Péssac-Léognan

Esse é apenas um resumo, que pode beneficiar, sobretudo os iniciantes. Como já foi dito, são várias sub-regiões e povoados esperando para serem descobertos por nós, enófilos estudiosos e dedicados 🙂

Amanhã é sexta e o friozinho está uma delícia. Curtam bastante, com direito a muitos vinhos! Tim-Tim!

Taça Viajante: As Maravilhas da Alsácia

Em nossa nova série de posts, vamos desvendar um pouco dos mistérios das regiões vinícolas francesas. E não é à toa que estas são tão famosas! Afinal, nelas são produzidos alguns dos melhores vinhos finos do mundo.

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Vinhedos em Kaysersberg, Alsácia

Para começar, vamos falar sobre a Alsácia. Eu mesma nunca tinha ouvido falar dela, até assistir ao documentário “Somm Dentro da Garrafa”. O lugar é lindo, fiquei apaixonada, com vontade de visitar e, obviamente, de escrever sobre ele.

A ALSÁCIA

Trata-se de um região vinícola localizada no nordeste da França, junto à fronteira da Alemanha, que é delimitada pelo Rio Reno. Ao longo da história, a Alsácia foi palco de grandes batalhas histórias entre franceses e alemães. Volta e meia o controle da região era revezado entre os dois países.

Os vinhedos da Alsácia estão espalhados entre as montanhas de Vosges e ao longo do Rio Reno. As montanhas agem como uma espécie de escudo contra a umidade do Oceano Atlântico. Por isso, a Alsácia é uma das regiões mais secas da França, apesar de estar posicionada ao norte, que abrigaria locais mais úmidos.

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Vinhedos entre as Montanhas de Vosges, Alsácia

Os solos são bastante variados, indo do arenito, granito aos exemplares vulcânicos, das encostas das montanhas. É possível, ainda, encontrar um calcário rico em argila nas planícies ao longo do rio. Essa distinção de solos permite que se cultive diversos tipos de uva na região.

PRINCIPAIS VARIEDADES DE UVAS

Na Alsácia, a influência alemã não se mostra apenas no sotaque e estilo de vida de seus moradores. Ela também é encontrada nas variedades de uvas cultivadas em seu terroir, muitas das quais são muito populares também na Alemanha.

RIESLING: Diferente da sua equivalente alemã, a Riesling da Alsácia costuma dar origem a vinhos finos secos. Por conta do clima quente, esses exemplares são mais encorpados e ácidos, com notas aromáticas mais maduras e menos mineralidade.

GEWURZTRAMINER: Trata-se de uma casta tão perfumada, que às vezes lembra a Moscato. Na Alsácia, costuma dar origem a vinhos finos secos, mas que também pode ser doce, por meio de colheita tardia.

PINOT GRIS: A terceira principal uva branca da Alsácia alcança altos níveis de maturidade quando cultivada por lá. Logo, resulta em vinhos finos cítricos e picantes, porém delicados e com aromas tropicais. Esse estilo é tido como mais completo que o da Pinot Grigio.

PINOT NOIR: Muitas vezes esquecida quando nos referimos à Alsácia, trata-se da casta tinta mais cultivada na região. A Pinot desse terroir produz vinhos de expressão mais fina e ácida quando comparados aos equivalentes da região da Borgonha.

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Barris na Alsácia, com Vinhos Finos de Suas Principais Castas

ESTILOS DE VINHOS FINOS

  • Os Grand Crus da Alsácia são considerados, ao longo dos séculos, aqueles que mais expressam as características das castas locais. Eles correspondem a pequenas áreas de vinhedos, claramente definidas por algumas aldeias, como Rangen e Schlossberg.
  • Vendange Tardive, termo francês para designar os vinhos finos de Colheita Tardia, é um tipo muito comum na Alsácia. Assim como seu nome mesmo diz, as uvas são deixadas por mais tempo nos vinhedos até a colheita. Resultam em exemplares doces de sobremesa.
  • Séléction de Grains Nobles são vinhos finos elaborados a partir de uma pequena seleção de uvas atacadas pelo fungo Botrytis (podridão nobre), exatamente como os vinhos de Sauternes, ou seja, doces e saborosos.

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RÓTULOS FAMOSOS

Vejamos alguns rótulos conhecidos por apresentar o que há de melhor no terroir da região:

  • Hugel Gewurztraminer
  • Trimbach Riesling Alsace Clos Sainte Hune
  • Domaine Zind Humbrecht Riesling Alsace Grand Cru Rangen De Thann Clos Saint Urban
  •  Lucien Albrecht Crémant d’Alsace Brut Rosé
  • Domaine Marcel Deiss Alsace Grand Cru Schoenenbourg

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Espero que tenham gostado! Fiquem ligados, pois ao longo dessa série vocês vão conhecer o básico sobre os mais famosos terroirs franceses. Bagagem suficiente para viajar e trocar ideias com os amigos. Além de, obviamente, degustar rótulos memoráveis.