Terroir, o Segredo dos Bons Vinhos Finos

Ultimamente, adotei a jardinagem como um dos meus hobbies favoritos. Compro vasos, sementes, mudas… sinto a terra e o cheirinho dela quando está molhada. Vibro ao ver minha plantinha crescendo e se desenvolvendo. Sem dúvida, é um dos prazeres mais simples que a vida tem me proporcionado. Nessas horas, é impossível não me lembrar do terroir. Este, responsável por alguns dos maiores vinhos do mundo. O tipo de solo, o clima, a topografia, as vinhas, as uvas e, por fim, o vinho na taça. 

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COMPREENDENDO O TERROIR 

Diz-se que a palavra francesa “terroir” não possui tradução. Outros a definem por “terra”. Afinal, cada videira cresce em meio a esse universo, que dá às uvas características tão distintas. Mas, na real, terroir é o conjunto de fatores ambientais que afetam a qualidade das uvas e, portanto, o vinho.

O terroir pode ser dividido em quatro aspectos principais:

O CLIMA

O sabor de uma fruta se modifica de acordo com a quantidade de calor e água que recebe enquanto ainda “está no pé”, ou seja, na terra. Por isso, a temperatura, umidade e quantidade de chuvas de uma região afetam bastante o sabor das uvas produzidas.

  • Macroclima: é o clima total de uma região (continental, oceânico, mediterrâneo etc.)
  • Mesoclima: depende da localização da vinha. Se está no alto de uma colina, ao sul, ao norte, próxima da água etc.
  • Microclima: depende do local onde cada vinha e uva crescem, o que engloba aspectos como, por exemplo, se estão debaixo de uma árvore ou se recebem ou não a luz do sol de forma direta.

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SOLO

É no solo que as vinhas encontram a água e os nutrientes que necessitam para crescer e se desenvolver, ao passo que captam toda a sua energia por meio da luz solar. Logo, o que as plantas consomem através de suas raízes é o que irá afetar seu formato, saúde e o sabor dos seus frutos.

O solo é resultado, em parte, da decomposição de rochas, muitas vezes do sub-solo, ou seja, abaixo do próprio vinhedo. Areia, cascalho e calcário também podem ser acrescentados por rios e mares. A forma como o solo é cultivado pelo viticultor influencia sua composição, qualidade e mineralidade. O uso de fertilizantes, bem como o plantio de outras espécies de vegetação no local, também afetam a forma com que as videiras crescem.

Como resultado, cada região da vinha tem um solo ligeiramente diferente dos outros, visto que sua composição mineral é única. Argila, calcário, cascalho e areia são muitos fazem parte de diversos terroirs, capazes de produzir diferentes tipos de vinhos.

TOPOGRAFIA

A topografia de um vinhedo é o seu formato e o conjunto de recursos que possui. Em terroirs como o de Central Valley, na Califórnia, Rivers Big, na Austrália, ou em certas regiões de Mendoza, na Argentina, a topografia é mais ou menos parecida.

Porém, a medida que a paisagem vai ficando mais montanhosa, as diferenças vão se desenhando. Tudo porque a inclinação afeta a forma como a água é drenada quando chove, assim como a maneira com que o sol toca as plantas e sua temperatura.

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Alguns vinhedos recebem mais sol pela manhã e outros à tarde. Ventos e correntes de ar circulam de forma diferente, de acordo com o movimento da paisagem. A proximidade de rios também é um fator importante, na medida em que a temperatura da água afeta o clima e a umidade. Além disso, a luz do sol reflete nas águas, contribuindo para o amadurecimento das uvas, como no caso do Rio Mosel e em algumas áreas do Rhone ou no Lago de Genebra, na Suíça.

PLANTAS DO ENTORNO

Até mesmo a vegetação que circunda os vinhedos pode influenciar no sabor das uvas e do vinho.

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Vejamos alguns exemplos:

  • Florestas e bosques liberam grande quantidades de umidade na atmosfera, influenciando significativamente o clima local.
  • Árvores plantadas ao redor das vinhas as protegem dos ventos fortes.
  • Já foi provado que algumas plantas aromáticas plantadas ao redor das vinhas são capazes de transmitir alguns sabores para as uvas, como as árvores de eucalipto, na Austrália, bem como Tomilho e Alecrim na Provence.
  • A vegetação abriga insetos que podem ajudar a controlar as pragas. 

VITICULTORES E ENÓLOGOS FAZEM PARTE DO TERROIR

Vocês já devem ter percebido que o conceito de terroir é mais complexo do que se imagina. São vários os fatores que impactam no sabor de um vinho e toda a experiência sensorial que o acompanha. Por isso, o que é parte ou não do terroir é interminavelmente discutido na literatura do vinho.

Enquanto muitos argumentam que o terroir é um conjunto apenas de fatores naturais, com base no que vimos neste artigo, é possível se chegar à conclusão de que a interferência humana também impacta no ambiente em que as uvas crescem, ou seja, seu terroir.

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Quais fertilizantes são usados, como o solo é trabalhado, a densidade da plantação e como as plantas são cultivadas ao redor das vinhas são aspectos fundamentais do terroir e que são controlados pela viticultura.

Os franceses baseiam seu sistema de denominação de origem controlada (AOC) inteiro em uma visão de terroir que inclui elementos da viticultura fundamentados em práticas adicionais. Eles chegam ao ponto de considerar que certas técnicas são parte do terroir local, porque algumas regiões possuem técnicas tradicionais muito particulares de se fazer vinho, super enraizadas na cultura (pense em um Beaujolais Noveau, por exemplo).

PADRONIZAÇÃO

Padronização foi a palavra de ordem utilizada na viticultura da década de 2000. Além disso, a globalização permitiu que as mesmas barricas de carvalho fossem utilizadas por diversos países, bem como o compartilhamento de técnicas modernas de produção, o que, de certa forma, mascara as influências do terroir original.

Felizmente, a maioria das vinícolas já percebeu que a compreensão de sua terra e de que forma esta afeta o vinho é o segredo para torná-lo um produto único e diferenciado.

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Da mesma forma, enófilos de todo o mundo também passaram a buscar a oportunidade de provar o terroir do vinho. Afinal, a partir do momento em que se abre a garrafa, queremos ser transportados para a terra, com todas as suas nuances e sutilezas.“Tipicidade e originalidade é o que queremos a partir de agora”. 

Enfim, qualquer que seja a definição, terroir é o vinho…e o vinho é o terroir!

Referência: Vivino

A Arte Por Detrás de Um Grande Vinho Fino

Estou lendo um livro que conta a história do mítico Romaneé Conti, considerado o melhor  vinho fino do mundo. Trata-se de uma narrativa muito interessante, sobre a qual pretendo escrever uma resenha em breve. Assim como ele, há outros rótulos que estão entre os grandes, como o Château Lafite Rothschild e Château Mouton Rothschild. Aí, por esses dias, eu estava me perguntando… O que faz essas garrafas realmente preciosas? Como boa enófila pesquisadora, fui em busca das respostas. Vamos lá!

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Basicamente, há 4 fatores responsáveis pela produção de um grande vinho fino:

  • Uvas Excepcionais
  • Excelente Processo de Vinificação
  • Visão de Longo Prazo
  • Arte, no melhor sentido da palavra 

“Fazer um bom vinho é uma habilidade. Fazer um grande vinho fino é arte!” Robert Mondavi

UVAS E VINIFICAÇÃO

Para se elaborar um excelente prato culinário é importante saber executar e ter à mão ingredientes de extrema qualidade. Com o vinho fino é exatamente a mesma coisa.

VISÃO DE LONGO PRAZO

Volta e meia vemos o despontar de novas empresas e enólogos. Tudo isso em um mercado supercompetitivo. Mas, sabe o que os excelentes profissionais têm em comum? Eles pensam grande! A partir do momento em que o fundador de uma vinícola acredita  que é capaz de transmitir seu negócio às futuras gerações, por si só, ele já é um visionário, tanto em relação à gestão da marca, quanto na forma de produzir seu vinho fino.

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ARTE

A Arte é subjetiva e muito difícil de ser definida cientificamente. Ao meu ver, depende da sensibilidade do autor da ação, sendo, de fato, muito particular. Enólogos, assim como artistas, seguem diferentes influências e ideologias. Tudo isso se reflete em seus vinhos. São como pintores, que transferem toda uma visão de mundo para a sua obra. Sem dúvida, para mim, é uma das profissões mais admiráveis. Portanto, já que se trata de algo pessoal, que tal tentar identificar a Arte nos próximos vinhos finos que você for degustar? Pode ser muito divertido e enriquecedor.

“Você pode fazer um vinho ruim com ótimas uvas, mas não pode fazer um grande vinho com uvas ruins.” Robert Mondavi

Quando se considera todos os processos envolvidos no crescimento das grandes uvas, existem, basicamente,  2 aspectos fundamentais:

TERROIR: é a influência da mãe natureza na viticultura. Envolve clima, solo, topografia e todos os fatores relacionados com a região produtora. Para mim, é um dos fatores mais importantes quando o que está em jogo é a criação de um grande vinho fino. É  tudo muito imprevisível, sobretudo a questão do clima e, obviamente, a causa do estresse de muitos produtores.

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SAFRA: envolve as escolhas dos profissionais que cultivam suas vinhas ao longo de 1 ano, ou seja, poda, irrigação, tratamento do solo, manejo de pragas, período de colheita, entre outros. Enfim, para se fazer um grande vinho fino, é necessário saber tomar decisões e estar seguro de suas escolhas, que podem resultar no sucesso ou no fracasso do resultado final.

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Pessoal, por essas e outras dizemos que cada garrafa possui uma história. Realmente, é a mais pura verdade! Um ano difícil ou uma colheita espetacular, as preocupações do viticultor, o desenvolvimento das uvas, o clima daquele ano…. está tudo ali, naquela bebida que acabou de ser despejada na sua taça. Depois desse artigo, duvido que você vai enxergar seu rótulo favorito com o mesmo olhar de antes.

Robert Mondavi, autor das citações desse artigo, foi um grande winemaker norte-americano, pioneiro no cultivo de vinhedos em Napa Valley, um dos terrois mais famosos do mundo. Sem dúvida, um homem que sabia fazer excelentes vinhos finos.

Referência: Wine Folly

Terroir, este desconhecido

Você, amante dos bons vinhos, já deve ter ouvido a expressão “terroir” inúmeras vezes. Há quem diga que um vinho de qualidade excepcional já vem pronto na uva, no vinhedo. E isso não deixa de ser a mais pura verdade.

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Terroir é uma palavra francesa impossível de ser traduzida em qualquer outra língua. Por isso mesmo, já foi protagonista de inúmeras polêmicas no meio enófilo.

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) definiu terroir como:

Terroir: conceito que remete a um espaço no qual está se desenvolvendo um conhecimento coletivo das interações entre o ambiente físico e biológico e as práticas enológicas aplicadas, proporcionando características distintas aos produtos originários deste espaço.

Complexo e rebuscado, não? Então, a Larousse do Vinho traz outra definição, um pouco mais acessível àqueles que ainda são leigos nesse mundo.

Terroir é uma palavra francesa sem tradução em nenhum outro idioma. Significa a relação mais íntima entre o solo e o micro-clima particular, que concebe o nascimento de um tipo de uva, que expressa livremente sua qualidade, tipicidade e identidade em um grande vinho, sem que ninguém consiga explicar o porquê.

Ou seja, o terroir é todo o conjunto de solo, clima e topografia que irá dar origem a vinhos excepcionalmente bons. Algumas regiões, como a Champagne, Bourdeaux, Borgonha e Douro, são mundialmente conhecidas. Todas produzem vinhos muito particulares, alguns dos melhores e mais bem pontuados no mundo todo.

Conhecendo o seu terroir, aí chega a vez do homem entrar em ação: determina a casta (espécie de uva, varietal) que melhor se adapta ao terreno, decide-se pelo método de plantio e condução da vinha (de suma importância, visto que a uva necessita de muita insolação) e, já na cantina, direciona as técnicas de vinificação, a fim de que o trabalho iniciado pela natureza se conclua da melhor forma possível.