Entenda Como o Vinho Pode Evoluir (e melhorar) na Garrafa

A garrafa tem um papel crucial na qualidade de evolução do vinho. Tudo porque sua cor, forma, composição e até mesmo as reações químicas que ocorrem em seu interior podem ajudar (e muito!) a melhorar as características da bebida. No entanto, fora isso, a garrafa está diretamente ligada ao consumo do vinho, ao passo que representa uma ferramenta de marketing essencial na decisão de compra do consumidor.

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AMADURECIMENTO EM GARRAFA

Ainda que seja comum associar envelhecimento em garrafa a vinhos de alta qualidade (os famosos vinhos de guarda), fato é que todos os vinhos, mesmo os mais jovens, devem passar um tempo descansando logo após serem engarrafados.

Segundo especialistas da empresa espanhola Verallia, uma das líderes mundiais na produção de garrafas, algumas dicas são fundamentais no que diz respeito ao armazenamento do vinho nessas embalagens:

A GARRAFA: é o elemento-chave na produção e conservação do vinho. Antes de tudo, durante a sua elaboração, é na garrafa que o vinho passa por todos os estágios de sua vida (sim, o vinho é quase um ser vivo!), da juventude à idade adulta (apogeu), quando adquire suas melhores qualidades em virtude da ausência de oxigênio, até o fim de sua existência (decrepitude), quando perde totalmente sua expressão.

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A EVOLUÇÃO: nuances complexas e delicadas, o chamado “bouquet” (apenas os vinhos maduros possuem bouquet) são sinais claros de evolução em garrafa, quando o vinho refina seus aromas e sabores. Nessa fase, o vinho perde um pouco dos aromas frutados de sua juventude, se mostrando com perfumes mais sutis e complexos, que marcam a sua maturidade.

 

PROFUSÃO DE AROMAS: na garrafa, os aromas primários, secundários e terciários formam o que os especialistas qualificam como “perspectiva aromática do vinho”. Além disso, a garrafa impede a rápida evolução biológica do vinho, aumentando sua vida útil, que continua a se devolver num ritmo mais lento, a partir do momento em que o oxigênio  existente entre o líquido e a rolha é praticamente nulo. Por vezes, esse ar é consumido em reações químicas que ocorrem o tempo todo em que o vinho permanece na adega. 

VINHOS ENGARRAFADOS

Quando armazenados em garrafa, os vinhos brancos com poder de guarda se tornam mais sedosos e voluptuosos, perdendo seus aromas frutados iniciais para ganhar em complexidade e sutileza. Já os vinhos tintos tendem a perder a cor, indo do rubi a tons alaranjados e terrosos.

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Durante o envelhecimento em garrafa há uma redução do potencial oxidativo do vinho, permitindo a ocorrência de todos esses fenômenos evolutivos. Substâncias chamadas PROCIANIDINAS, na ausência de oxigênio, realizam a HIDRÓLISE ao se juntar com as ANTOCIANINAS, provocando uma diminuição na intensidade de sua cor, bem como uma perda de adstringência nos vinhos tintos, que ganham em sedosidade. Com o passar do tempo, devido à ação das Antocianinas, a bebida passa da cor telha para tijolo. Eis aí um dos aspectos mais notórios de evolução!

Enfim, todas essas alterações químicas acontecem, sobretudo, em virtude dos processos de polimerização em que as antocianinas, entre outras substâncias, causam alterações em suas estruturas moleculares, resultando em alterações de cores e sabores únicas.


 

Por essas e outras afirmo que, em se tratando de vinhos, nunca se sabe demais e todos os dias a gente aprende algo novo.

Então é isso, enoamigos. Até a próxima! Ótimo final de semana! Tim-Tim!

Referência: Vinetur

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Tudo O Que Você Queria Saber Sobre Sulfitos nos Vinhos (e sempre teve medo de perguntar)

Sabe quando você nem exagerou tanto no vinho e no dia seguinte acorda com aquela típica dor de cabeça? Na mesma hora, você coloca a culpa em quem? No seu amado néctar dos deuses? Claro que não! Os responsáveis, meu amigo, são sempre os sulfitos!

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Pois bem, hoje cheguei com um artigo definitivo sobre esse elemento misterioso do mundo vinho. Na real, para que serve? Trata-se de um mal necessário ou só uma polêmica típica de enochatos? Bora desvendar isso!

O QUE SÃO SULFITOS?

Aí você olha no contrarrótulo daquela desejada garrafa e lê, “Contém Sulfitos”, geralmente ao lado daquele símbolo proibitivo para mulheres grávidas. Que raios são esses tais de sulfitos? O que estou prestes a beber?

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Os sulfitos fazem parte do subproduto natural da fermentação, ou seja, você acaba de ouvir eu dizer que ocorrem NATURALMENTE. Quando leveduras e açúcar se juntam para criar gás carbônico (CO2) e álcool, quantidades mínimas de dióxido de enxofre (SO2) também são produzidas nesse processo. Portanto, todo vinho terá pelo menos um pouquinho de sulfitos em sua composição. 

No entanto, não são esses sulfitos gerados naturalmente que incomodam os consumidores e sim aqueles adicionados pela indústria artificialmente após a fermentação. Afinal, a quantidade de sulfitos geradas durante a fermentação é bem pequena, variando de 5 a 40 partes por milhão. Porém, em alguns lugares os vinhos podem conter até 350 partes por milhão, uma quantidade significativamente maior do que a produzida naturalmente.

POR QUE OS SULFITOS SÃO ADICIONADOS AO VINHO?

Trata-se do resultado direto de produtores que adicionam sulfitos aos vinhos acabados, tudo porque esses componentes atuam como conservantes, permitindo que os rótulos tenham uma vida útil mais longa e mantenham o seu sabor. Mesmo os vinhos orgânicos admitem um máximo de 100 partes por milhão de sulfitos por garrafa, embora, em geral, eles tenham apenas de 50 a 75 partes por milhão.

VILÕES DA RESSACA?

Muitos enófilos costumam culpar os sulfitos por suas ressacas matinais. Mas é tudo mito! Os sulfitos não são os vilões causadores da sua dor de cabeça.

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Afinal, o que muita gente não percebe é que esses mesmos sulfitos são usados em muitos dos alimentos que consumimos diariamente, sendo utilizados, nesses casos, pelas mesmas razões da indústria do vinho, ou seja, esses componentes, nos alimentos, também agem como conservantes, impedindo que eles fiquem ruins ou percam a cor original. Na verdade, alguns dos seus alimentos favoritos podem conter mais sulfitos que a culpada garrafa de vinho.

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Por exemplo, frutas secas, suco de limão industrializado e alimentos em conserva podem chegar à sua mesa carregados de sulfitos, com as frutas secas liderando o topo desta lista, visto que chegam a ter dez vezes mais sulfitos que uma garrafa de vinho não-orgânico. Carnes, queijos e sopas pré-embalados também se enquadram nessa categoria, com alguns contendo bem mais sulfitos que uma porção de vinho.

É SEGURO CONSUMIR VINHO COM SULFITOS?

As dosagens de sulfitos utilizadas no vinho são supercontroladas pela legislação dos países produtores de vinho para que estejam dentro de limites seguros para a sua saúde.

Contudo, já que os limites máximos autorizados podem variar muito de país para país, vamos citar, como exemplo, a União Europeia, cujos limites permitidos são:

  •  160 mg/litro para vinhos tintos
  •   260 mg/litro para vinhos brancos
  •  300 mg/litro para vinhos doces
  •   400 mg/litro para vinhos botrytizados

Vale destacar que a maioria dos vinhos fica muito abaixo desses limites, frente aos alimentos aqui citados.


Ou seja, meus amigos, provavelmente os sulfitos não são os únicos responsáveis por aquelas suas dores de cabeça. Porém, existem pessoas que realmente são alérgicas a esses componentes e podem se sentir mal com a mínima presença de anidrido sulfuroso em suas taças.

Justamente por isso aqui no Brasil a lei exige que o contrarrótulo traga a informações de que contém sulfitos. Sou muito a favor desse tipo de transparência, não só com relação aos vinhos, mas em toda a indústria alimentícia.

Se não são adicionados os sulfitos, não é necessário o alerta “contém sulfitos”, visto que a legislação brasileira não exige que se diga “contem sulfitos”, mas “contem conservador anidrido sulfurico INS 220”. Trata-se de um produto específico, usado para colocar “sulfitos” no vinho. Logo, o Ministério da Agricultura não exige a presença dessa frase no contrarrótulo se não foi adicionado o “sulfito” no processo.

O sulfito natural não cabe na descrição do INS 220. E os sulfitos naturais parecem não causar mal, sobretudo quando a quantidade é mínima.

Vale ressaltar, ainda, que vinícolas usam sulfitos em várias etapas da vinificação. Os produtores industriais usam sulfitos assim que a fruta chega à cantina – para evitar fermentação precoce. Mas o sulfito pode ser utilizado inclusive durante a vinificação.

Até a próxima! Ótimos vinhos, com ou sem sulfitos. Tim-Tim!

Notas de Prova: Ribeiro Santo 2014 – O Dão Pelo Enólogo Carlos Lucas

Costumo dizer que, assim como as pessoas, os vinhos são organismos vivos, que se expressam de formas diferentes entre si. Ontem recebi da Winebrands o Ribeiro Santo, um menino da região portuguesa do Dão.  No início me pareceu um pouco tímido na taça, mas aos pouco, conforme fomos trocando ideias, enfim, ele foi se soltando.

Batemos um longo papo na companhia de uma irresistível pizza de cogumelos do Da Carmine, um dos meus restaurantes favoritos em Niterói. Digo que se trata de um menino, pois ainda pode evoluir muito em garrafa, como muitos dos seus irmãos lusitanos. Possui médio corpo, aroma e alma! Logo de cara, me levou por um bosque de frutos vermelhos maduros, flores  e especiarias.

Foi elaborado por Carlos Lucas com varietais bem típicas do Dão: Touriga Nacional,Tinta Roriz e Alfocheiro, sem passagem por madeira, preservando a expressão da fruta. Se é gastronômico? Muito! Quer saber o que mais achei dele?

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NOTAS DE PROVA

VISUAL: Límpido, de coloração vermelho-rubi intenso, com reflexos rubi-claro.

OLFATIVO: Frutas vermelhas, com destaque para Amora. Notas florais que lembram violetas e um toque de especiarias (imagino ser pimenta-do-reino).

GUSTATIVO: Em boca, possui médios corpo e tanicidade , mantendo a tipicidade dos rótulos portugueses. De boa acidez, termina de se expressar de um jeito fresco e redondo.

HARMONIZA COM… Entradas, queijos, carnes leves e, inclusive, um típico bacalhau.

SOBRE O ENÓLOGO CARLOS LUCAS

Carlos Lucas iniciou a sua carreira como enólogo em 1992 na Adega Cooperativa de Nelas, após ter concluído  a sua formação em enologia com um DAA em Viticultura e Enologia na Escola Superior Nacional de Agronomia de Montpellier.

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Ainda no Dão foi sócio fundador da empresa  Dão Sul onde foi Administrador e liderou a equipe de enologia desde 1994 até Agosto de 2011. Foi na década de 2000 que iniciou a produção de vinhos em outras regiões como o Douro, o Alentejo, a Bairrada e região de Lisboa. Ainda teve tempo para se dedicar a projetos além-fronteiras, com a produção de vinhos no Vale de São Francisco (Brasil), no Piemonte em Itália e ainda no Priorat, na vizinha Espanha.

Em todas estas regiões elabora vinhos para todos os gostos, desde entradas de gama a vinhos de topo reconhecidos pela imprensa nacional e internacional.

Seu trabalho foi reconhecido enquanto Administrador com vários prêmios entre os quais  “Empresa do Ano 2002”, “Empresa do Ano 2006” e “Enoturismo do ano 2008”.

Foi juri dos mais importantes concursos de vinhos mundiais  de onde se destaca a sua presença desde 1997 no Chalange Internacional du Vin em Bordeaux.


Quer conhecer o menino Ribeiro Santo 2014? No momento, ele se encontra à venda no site da WineBrands Brasil. A loja me enviou uma amostra para avaliar e contar o que achei para os meus leitores do Vila.

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Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Bom feriadão! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Winebrands Brasil, Magnum Carlos Lucas Vinhos. 

Vinho Verde Wine Fest: Um Néctar Com a Cara do Brasil

Na última sexta-feira, dia 26 de maio, estive no Vinho Verde Wine Fest. Realizado no Iate Clube do Rio de Janeiro, o evento foi uma verdadeira homenagem ao caldo português que, na minha opinião, é um dos que mais combina com o nosso clima. E não falo só de calor! Sem dúvida, os Vinhos Verdes têm super a ver com a alegria e descontração do público brasileiro.

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E foi uma profusão de gente bonita por todos os lados, que apreciou Loureiros, Arintos e Avessos em todo seu esplendor e delícia!

Entre os produtores e distribuidores presentes estavam Abrigueiros – Casa da Senra, Adega de Monção, Agri-Roncão – Quinta de Linhares, Aveleda, Campelo, Enoport United Wines, PROVAM, Quinta & Casa das Hortas, Quinta da Lixa, Quinta das Arcas, Quinta de Carapeços, Quinta de Lourosa, Soalheiro, Solar de Serrade, Vercoope e Viniverde/Adega Ponte da Barca.

WINE FEST MARCADO POR MUITA ALEGRIA E DESCONTRAÇÃO

Logo na chegada, encontrei meu amigo Fernando Lima, do Blog Vinhos com Fernando Lima, que me apresentou suas amigas, enófilas supersimpáticas com as quais fiz logo amizade. Recebemos óculos escuros de armação verde que eram simplesmente a cara do clima de descontração que tomou conta da feira.

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Com Luciana Paes Leme, uma das amigas que conheci através do Fernando Lima.

Já que estava cedo, visitamos os stands com toda a calma e conversamos com representantes e produtores. Confesso que me surpreendi com muita coisa! Aliás, muito do que eu conhecia dos vinhos verdes (que na verdade não são verdes e sim elaborados com castas provenientes da Região portuguesa dos Vinhos Verdes) correspondia aos rótulos mais conhecidos e distribuídos aqui pelo Brasil. Ou seja, amei ter contato com as novidades em varietais e vinícolas.

ÓTIMAS SURPRESAS ENGARRAFADAS

Como boa apreciadora dos Rosés portugueses, adorei tudo o que provei do estilo, com destaque para o rótulo da Quinta de Lourosa, primeiro stand que visitei.

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Aliás, a própria enóloga da Quinta estava lá e me contou sobre a expressão dos vinhos, sendo que o que me chamou mais a atenção foi um Alvarinho com 13% de teor alcoólico, algo raro em se tratando de vinhos verdes, que costumam ter entre 8 e 11%. “As uvas dessa safra amadureceram além do normal, devido ao clima mais ensolarado. E todo o açúcar se transformou em álcool durante a fermentação”, explicou ela. 

Outra surpresa ficou por conta do famoso Soalheiro Alvarinho Reserva, distribuído pela Importadora Mistral. Possui corpo e complexidade, com um toque discreto de carvalho. Por falar em Alvarinho, ela é a varietal mais célebre da região, justamente por dar origem a caldos mais estruturados.

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Entretanto, os vinhos verdes mais leves também tiveram seu lugar de destaque no evento. Inclusive, segundo minha amiga Marcela Lima, esses são os exemplares que mais combinam com seu paladar. E, na minha opinião, vão superbem geladinhos, na beira da piscina, de preferência como acompanhamento para uma bela porção de bolinhos de bacalhau. Nada mais português e brazuca ao mesmo tempo!

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Clima de descontração total!

No quesito vinhos leves, entre os que mais me chamaram a atenção estavam o meu queridinho Acácio e o Terra de Camões, ambos de ótimo custo-benefício. Porém, entre os leves, amei muito a linha Estreia, distribuída pela Adega Cooperativa Ponte da Barca.

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O do rótulo Estreia verdinho, feito com Loureiro, Trajadura e Arinto foi o meu favorito! O Rosé deles (Vinhão, Borraçal e Espadeiro) também não decepcionou. Já tinha me deparado com esses rótulos à venda no supermercado Pão de Açúcar e por pouco não comprei para experimentar. Estou até agora pensando o que eu tinha na cabeça para não ter levado nem uma garrafinha.. rsrsr.

SHOWCOOKINGS E “CONVERSAS COM VINHO”

E o Wine Fest de sexta contou, ainda, com 2 Showcookings e 3 Conversas Com Vinho. Infelizmente não pude acompanhar todos eles, devido aos horários disputadíssimos.

Contudo, tive a sorte de acompanhar o Showcooking da Chef Ellen Gonzalez, do Restaurante Miam Miam. Ela explicou para a gente como fazer camarão empanado com chutney de manga e sorvete de coentro. Um prato que harmoniza muito com o Vinho Verde, estrela do evento. Aliás, foi o melhor chutney de manga que já provei na vida. Sem falar que a Chef é simpatica e muito solícita. Uma fofa!

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Showcooking com Ellen Gonzalez, do Miam Miam

Logo depois, dei uma conferida no “Conversa Com Vinho” com o Professor Euclides Penedo Borges, da ABS-RJ. Já disse por aqui que sou profunda admiradora do trabalho dele. Afinal, o cara é uma inspiração quando se trata de harmonização entre vinho e comida, tanto que o mesmo falou sobre “Vinhos à Mesa”, demonstrando o quanto os vinhos verdes são gastronômicos. Muito bacana!

O evento contou, ainda, com música ao vivo (um sambinha delícia), além de Food Truck na entrada, que nos brindou com pratos inspirados na culinária lusitana. A feira foi organizada pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

Enfim, o Vinho Verde Wine Fest de sexta foi um tremendo sucesso, que se repetiu no sábado, quando contou com 3 Master Classes. O Vinho Verde é uma marca internacional que se refere a todos os vinhos produzidos no noroeste de Portugal, uma das regiões mais antigas do país, existente desde os tempos dos romanos.

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São vinhos em sua maioria leves e jovens, com a cara do público brasileiro e carioca. Quer saber mais sobre os Vinhos Verdes? Então dá uma olhada nesse artigo que escrevi sobre eles, no último verão. 

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vinho Verde Wine Fest: www.vinhoverdewinefest.com.br 


Wine Drinks: Caipirinha de Amoras com Cabernet Sauvignon

Nesta sexta eu estava muito a fim de trazer um drink com vinho tinto para vocês. Por que? Finalmente o friozinho chegou e nessa época a gente já busca naturalmente por caldos mais encorpados.

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Sendo assim, o coquetel de hoje une as nuances da Cabernet Sauvignon com um toque de amora. Trata-se de uma caipirinha sofisticada, capaz de surpreender qualquer um. Uma ótima ideia para Welcome Drink antes de iniciar os trabalhos.

Anote a receitinha e descubra uma nova forma de desfrutar da nossa brasileiríssima caipirinha.


CAIPIRINHA DE AMORA E CABERNET SAUVIGNON 

Ingredientes:

  • 1 xícara de amoras frescas.
  • 2 Limões Tahiti médios, cortados em vários pedaços (como quando você prepara uma caipirinha básica). 
  • 180ml de cachaça.
  • 60ml de Vinho Tinto Cabernet Sauvignon.
  • Suco de 3 Limões Tahiti médios.
  • 60ml de suco de Laranja recém-espremido. 
  • 120ml de xarope de açúcar.
  • 60ml de Suco de Cranberry (pode ser aquele de caixinha)
  • Gelo a gosto.
  • Rodelas de Limão e Laranja para decorar. 

Modo de Preparo:

  • Coloque as amoras e os limões cortados numa jarra. 
  • Adicione a cachaça, o suco de limão, o suco de laranja, o xarope de açúcar, o suco de cranberry e o gelo. Mexa bem. Decore com as rodelas de limão e laranja.
  • Sirva em copos próprios para caipirinha. 

E aí, curtiram? Eu ainda colocaria em cada copo um daqueles canudinhos com abertura, próprios para caipirinha, a fim de não desperdiçar nem um pedacinho das frutas. Sem dúvida é uma forma bem-humorada e refrescante de curtir um Cabernet Sauvignon no outono-inverno. Afinal, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, os dias costumam ser bem fresquinhos e agradáveis nessa época. 

Então é isso, enoamigos! Gostaram da cara nova do site? Já estava enjoada do lay out antigo e resolvi dar uma mudada. E vocês já devem ter percebido que entrou um link novo, o Histórias Engarrafadas, com as crônicas deliciosas do parceiro e amigo Sommelier André Ribeiro. Aproveitem, pois a Vila é todos nós! 

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: Chow

Dirceu Scottá Fala Sobre Dal Pizzol e os Desafios do Vinho Brasileiro

Na última quarta-feira, 10/05, estive no Pow Boteco Espumante, comandado pelo amigo Luiz Fernando Macedo, para a palestra do Dirceu Scottá, Presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e enólogo da Vinícola Dal Pizzol, tradicionalíssima e localizada na Rota das Cantinas Histórias no Distrito de Faria Lemos, no Rio Grande do Sul.

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Com Dirceu Scottá e os amigos Beatriz Machado, Luiz Fernando Macedo e Fábio Cunha

POW BOTECO ESPUMANTE 

Para começar, fiquei totalmente encantada pelo Pow. Localizado na Lapa (Rua do Senado, 41), o lugar é puro deleite para os amantes do espumante nacional. Sim, pois a casa dispõe de uma carta maravilhosa, munida com os melhores rótulos do nosso terroir, incluindo belezinhas das vinícolas Pizzato (que assina o delicioso espumante com a marca da casa), Miolo, Hermann, Dal Pizzol, Geisse, entre outras. Logo que cheguei, encontrei dois amigos, o Fábio Cunha, do curso de Wine and Business da FGV, além da bela e simpática Beatriz Machado, da Wine and Travel Enoturismo.

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Além de ter a missão de divulgar e fomentar o espumante brasileiro, o Pow ainda conta com uma extensa programação que inclui música ao vivo, palestras, mini-weddings (para quem deseja celebrar o casamento só com os íntimos), karaokê e happy hour. Tudo para reunir a galera apaixonada por borbulhas! Sem falar que a casa está com altos projetos, entre eles, a Academia Brasileira do Espumante, além de outros cursos de especialização em Vinhos, Azeites, Queijos, Chocolates… ou seja, de tudo o que há de melhor no mundo da enogastronomia.

O Luiz Fernando apresentou, ainda, o renomado Duda Ribeiro, Chef que promete agitar ainda mais a cozinha do Pow com delícias sob medida para acompanhar a temática efervescente do local. 

DIRCEU SCOTTÁ E OS ESPUMANTES DAL PIZZOL

Enfim, fomos conduzidos ao segundo andar da casa, onde Dirceu Scottá nos aguardava para falar sobre a Vinícola Dal Pizzol, da qual é nada mais nada menos que enólogo-chefe. Scottá começou abrindo nossos horizontes sobre a história da vitivinicultura no Brasil, que começou em 1878 com os imigrantes italianos, entre eles a Família Dal Pizzol que, inicialmente, fazia parte de uma cooperativa, até plantar suas primeiras videiras em 1940. E, em 1978, centenário da vinícola, foi lançado o famoso Cabernet Franc “Do Lugar” até hoje um dos seus maiores bestsellers.

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DEGUSTAÇÃO DE ESPUMANTES 

Em seguida, iniciou-se a degustação dos belos espumantes Dal Pizzol, por ordem de peso (do rótulo mais leve até o mais substancial). Começamos com o Brut Charmat (60% Chardonnay e 40% Pinot Noir). Com aromas cítricos e nuances de mel e abacaxi, é uma mistura de várias safras.

Aliás, nessa hora o Scottá nos explicou que uma das lutas da Ibravin é a de que espumantes que contenham pelo menos 85% de uvas da mesma safra sejam rotulados com o ano da colheita, ocorrendo, assim, uma maior padronização. Esse Brut possui 12g/l de açúcar, estando bem de acordo com o paladar do brasileiro, que em sua maioria prefere exemplares com um pouco mais de açúcar residual.

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Já o Rosé Charmat (60% Pinot Noir e 40% Chardonnay) possui seu vinho base macerado com as cascas, retirando o máximo de coloração da Pinot. E que cor! O rosé possui uma tonalidade casca de cebola intensa que eu amo em vinhos desse estilo. A garrafa é transparente. Então, amigos, vocês já podem imaginar o quanto fica bonito!

Trata-se de um rótulo muito agradável, com notas de frutas vermelhas, flores e um toque cítrico. Apesar do preconceito com os vinhos rosés ter sido discutido nesse momento, por experiência própria, sinto que isso tem mudado. Afinal, um dos artigos mais acessados daqui do blog é o 5 Pratos Para Acompanhar Um Vinho Rosé. Sucesso absoluto!

Então, chegamos na parte que eu mais gosto: a dos espumantes elaborados pelo método tradicional champenoise, extremamente gastronômicos!

O Brut Tradicional fica 18 meses em contato com as leveduras na garrafa e a segunda fermentação leva em torno de 30 dias para acontecer. Nele, encontramos nuances totalmente diferentes, como torrefação, amêndoas e frutas mais complexas, em virtude do contato com as leveduras. Ah, e aquele cheirinho de pão saído do forno que os amantes do espumante conhecem bem. 

Além disso, esse Brut já é mais seco que o Charmat, visto que contém apenas 7g/l de açúcar. Por isso, deixa a boca mais enxuta, com mais estrutura e um belo final.

COMPLEXO ENOTURÍSTICO DAL PIZZOL

Antes de nos apresentar o gran finale, Scottá falou sobre o Ecomuseu da Cultura do Vinho, localizado numa área de 8 hectares em meio à vinícola. Nele, é possível conhecer arados e utensílios utilizados pelos imigrantes italianos, além de um espaço sob medida para a diversão da garotada.

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Ecomuseu da Cultura do Vinho

CONCEITOS DA VINÍCOLA

Aliás, vale lembrar que a Dal Pizzol conta com vinhos 100% varietais, com exceção dos espumantes, produzidos em pequenos lotes, a fim de preservar o máximo de sua qualidade. A vinícola acredita ainda na não-intervenção do carvalho, produzindo caldos modernos, com total expressão da fruta, alinhando-se ainda mais com o estilo dos Vinhos do Novo Mundo e a tendência mundial de exemplares mais frutados e com menos madeira.

Segundo Scottá, outro projeto da Ibravin é o de tornar obrigatório na rotulagem se o vinho foi adicionado de carvalho (com o uso de chips, dominós etc.) ou envelhecido em barris de carvalho. Tais informações atualmente são praticamente inexistentes nos rótulos, confundindo totalmente os consumidores. 

O GRAN FINALE: DAL PIZZOL NATURE 40 ANOS 

Para fechar as degustações com chave de ouro, nos foi servido o Dal Pizzol Nature, parte integrante das 3 mil garrafas produzidas para a comemoração dos 40 anos da vinícola. Sem dúvida, foi um dos pontos altos da noite.

O Nature (60% Pinot Noir e 30% Chardonnay) chegou carregado de um nariz imponente, com notas de pão, pêssegos maduros, avelãs e amêndoas. Possui estrutura marcante, elegância e finesse e pode continuar evoluindo perfeitamente na garrafa.

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Segundo Dirceu Scottá, esse champenoise harmoniza totalmente com a nossa brasileira feijoada. Confesso que quando ele falou isso combinei os aromas na minha cabeça e logo me deu água na boca. Sem falar que a garrafa é linda de viver. Uma verdadeira joia! Possui apenas 1,5g/l de açúcar, no estilo dos melhores champanhes do mundo.

Scottá falou, ainda, sobre outros desafios do vinho nacional, sobretudo com relação à vontade política, praticamente inexistente, de transformar o nosso vinho em alimento, difundindo sua cultura por aqui e fomentando, assim, o mercado interno.

A própria logística entre os estados (para transporte das garrafas) já se mostra como um obstáculo, sem falar na falta de incentivos e tributação altíssima, que encarece os nossos vinhos frente aos rótulos de outros países. 


Então é isso, enoamigos, foi uma honra estar presente nesse encontro e aprender um pouco mais sobre os vinhos da nossa terra com uma das grandes figuras do cenário vitivinícola brasileiro.

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Parabéns ao Luiz Fernando Macedo e toda a equipe do Pow Boteco Espumante por difundir a cultura do vinho nacional e organizar uma noite, sem dúvida, memorável.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Mais Do Que Nunca O Vinho Nacional é COISA NOSSA!

Amigos, na última quinta-feira, 4/05, tive a honra de participar de uma verdadeira festa do vinho brasileiro. O evento “Coisa Nossa Vinhos e Etc” agitou o Novotel de Botafogo (RJ) com enófilos apaixonados, imprensa especializada e profissionais do ramo de bebidas e gastronomia. Sucesso absoluto!

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Logo no início, já esbarrei com muita gente bacana que eu só conhecia virtualmente, como os queridos colegas Joana Rangel (Blog Divina e Vinho), Ana Borba (Blog Da Água Para o Vinho) e Fernando Lima (Vinhos com Fernando Lima), além do amigo Fábio Dobbs (Além da Taça).

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Olha só eu com a Joana Rangel (Divina e Vinho) e o simpático Nicola, da Le Chateaux Laurentia.

DESTAQUES BRASILEIROS 

Após um bate-papo com a galera, degustamos algumas pérolas do nosso terroir. Primeiro da Serrado Vinhos (Tijuca – que se destaca pelos exemplares da vinícola catarinense Villa Francioni), em seguida Vinícola Pericó (também catarinense), Cave Nacional (e-commerce do amigo Marcelo Rebouças, que trouxe para o evento nada mais nada menos que o badalado Maria, Maria Syrah da vinícola mineira de mesmo nome), Routhier & Darricarrère, Cattacini Vinhos, Vinum Rio (que só vende vinhos finos nacionais, como o rótulo Don Laurindo), Grupo Miolo (com vários rótulos de prestígio, como o espumante Millésime, Quinta do Seival – tinto e o maravilhoso Alvarinho), a mineira Luiz Porto, Decanter (com os rótulos da Hermann e Quinta da Neve), Lidio Carraro, Pizzato (amei o espumante Brut Champenoise deles!), entre outras.

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Outro destaque ficou por conta da Vinícola Le Chateaux Laurentia, com seu espumante  Brut elaborado com as uvas Montepulciano e Nebbiolo. Uma surpresa maravilhosa!

VINHO MINEIRO

Eram muitos rótulos e infelizmente não consegui degustar todos. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a forte presença dos mineiros, certamente por suas vinícolas terem uma grande aceitação aqui no Rio de Janeiro.

O “Maria, Maria Syrah”, exposto no stand da Cave Nacional, foi responsável por um dos maiores reboliços do encontro. Tudo porque se trata de um  vinho de produção pequena e muito elogiado (seu nome é sim, uma homenagem ao grande cantor e compositor Milton Nascimento).

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Já a Luiz Porto Vinhos Finos (Cordislândia-MG) nos brindou com uma palestra memorável, proferida pelo Diretor da Vinícola, Luiz Roberto Porto Júnior (em breve teremos um artigo exclusivo sobre ela, visto que foi realmente muito bacana!), que falou principalmente a respeito das particularidades do terroir mineiro e da técnica de poda invertida, através da qual a colheita das uvas é realizada no inverno. Da vinícola, degustamos os vinhos da linha Dom de Minas (Merlot e Cabernet Franc), assim como o belo espumante Luiz Porto Brut.

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Luiz Roberto Porto Júnior, Diretor da Luiz Porto Vinhos Finos.
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Dom de Minas Cabernet Franc: surpreendente a estrutura!

PALESTRAS

Também tive oportunidade de prestigiar a palestra Panorama do Mercado de Vinhos Brasileiro, com o brilhante escritor Rogerio Dardeau, autor do aclamado livro “Vinho Fino Brasileiro”.  Expert em terroir nacional , Dardeau falou, entre outros assuntos, sobre as novas regiões vinícolas brasileiras, bem como as particularidades de cada uma, incluindo Microclima, Denominação de Origem (Vale dos Vinhedos) e Indicação Geográfica. Ao longo da palestra, degustamos rótulos de algumas vinícolas, como o Chardonnay 2015 da Pizzato e o Chenin Blanc da Catacini, elaborado em parceria com a Vinícola Miolo.

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Rogerio Dardeau: uma aula sobre o Vinho Nacional

Valdiney Ferreira, professor do curso de Wine Business da Faculdade Getúlio Vargas, ministrou a palestra “Vinhos do Brasil – Do Passado Para o Futuro”. Me chamou a atenção os números de vendas e consumo do mercado brasileiro, assim como a criação das primeiras cooperativas nos anos 30. Enfim, o Brasil ainda exporta pouco frente a outras regiões vinícolas e tem tudo para que seu vinho ocupe um lugar de prestígio no mundo.

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Durante a palestra, degustamos alguns rótulos, entre eles o Espumante Brut Rosé da Luiz Argenta (100% Pinot Noir), o Alvarinho Quinta do Seival, da Miolo (Maravilhoso!) e o Agnus Tannat, da Lidio Carraro (destaque na Expovinis 2016). DETALHE: todos os vinhos foram servidos às cegas, para a gente descobrir. Ou seja, é sempre uma experiência muito bacana. 

GASTRONOMIA

O Coisa Nossa também contou com o que há de melhor na gastronomia. Não consegui resistir aos croissants e biscoitinhos da Blé Patisserie (de Itapaiva). O Francisco Patitucci, um dos sócios,  foi supersimpático com todo mundo. Me atrevo, ainda, a elogiar os macarrons. Maravilhosos e muito bem-feitos!

Outro destaque ficou por conta dos queijos artesanais da capixaba Orolatte e da mineira Serra das Antas (meus amigos sabem que não resisto ao queijo tipo Reblochon da marca). Enfim, tudo de primeiríssima qualidade, muito a ver com o clima do evento, que ainda contou com música ao vivo e muita gente bonita e engajada no mundo do vinho.


Então é isso, gente! Podem ter certeza que ao longo do ano ainda teremos muitos outros eventos em homenagem ao vinho nacional. Sim, é uma forma de divulgar o nosso néctar não só internacionalmente como também para o mercado interno. Afinal, os consumidores brasileiros ainda não se familiarizaram totalmente com os nossos vinhos, que não ficam devendo aos de nenhuma outra região vinícola ao redor do mundo.

Sem dúvida, todos os organizadores do Coisa Nossa estão de parabéns! É o tipo do evento que cumpre perfeitamente o papel de difusão da cultura do vinho.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!