Notas de Prova: Novo Moscatel RAR, Direto do Vale de São Francisco

Enoamigos, hoje cheguei com mais um post da série Notas de Prova. Desta vez com um Moscatel que recebi no kit do mês do Club RAR, empresa do lendário Raul Randon. Aliás, faz um tempo que sou fã da marca, sobretudo dos queijos e vinhos (em parceria com a Miolo Wine Group). A linha Gran Formaggio, por exemplo, é de alta qualidade e uma delícia!

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MOSCATEL DO VALE DE SÃO FRANCISCO

Então, vamos falar do vinho. Os moscatéis brasileiros estão superbadalados e têm conquistado medalhas pelo mundo afora. E um dos terroirs que vem chamando a atenção na produção de espumantes desse estilo no Brasil é o Vale de São Francisco, em Pernambuco, próximo de Petrolina. Sem dúvida, é um local que tenho muita vontade de conhecer e está no meu roteiro de Wine Tour.

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Vinhedos do Vale de São Francisco – Foto: Uol

Ok, nem todo mundo curte um vinho docinho. E, sim, o Espumante Moscatel da RAR é um Vinho de Sobremesa, mas que também pode ser apreciado como aperitivo, antes do início dos trabalhos. Eu sou do tipo que acha que existe um estilo de vinho para cada momento. E a uva moscatel, por sua doçura (pense na reputação dos moscatéis de Setúbal, por exemplo..) fica maravilhosa em rótulos que harmonizam perfeitamente com sorvetes, tortas e doces de frutas, em geral. Inclusive, a minha favorita é com torta de maça ou limão – e quem me conhece sabe que se trata dos meus doces favoritos.

Vale ressaltar, ainda, que o método de produção é o ASTI, com uma única fermentação em tanques de inox.

OPÇÃO REFRESCANTE PARA O VERÃO

Tenho vários amigos e amigas que são fãs dos espumantes moscatéis e que, sim, levam essa delícia para além da sobremesa. Geladinho, num dia quente de verão à beira da piscina, por exemplo. Ou até na praia! Por seu baixo teor alcóolicoe açúcar residual, acaba sendo uma opção mais leve para aqueles que não curtem vinhos secos e cerveja.

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ANÁLISE: NOTAS DE PROVA

VISUAL: Amarelo-palha claro, com nuances verdeais e perlage fina e persistente. Espuma muito cremosa! 

OLFATIVO: Além do cheiro característico da uva (o Moscatel é um dos poucos vinhos em que o aroma da uva se sobressai), também é possível perceber outras frutas, como pêra, abacaxi e maçã verde. Além disso, é bem “florido” e com um toque de mel irresistível. É realmente muito agradável no nariz!

GUSTATIVO: Na boca é doce, sem ser enjoativo. Possui uma boa acidez e equilíbrio. A gente sente a cremosidade na boca. É leve e um parcerio ideal para sobremesas à base de frutas.


COMPLEMENTO DO KIT DO CLUB RAR

O RAR é um Clube que vai além do vinho, tendo uma pegada mais gourmet. Tanto que recebi, além do Espumante Moscatel, uma bandeja do Queijo Gran Formaggio Grana Padano, que eu amo! Sem brincadeira: é um dos melhores granas que já degustei. Ele é salgado, cremoso em boca e, ao mesmo tempo, com um toque adocicado.

O kit vem, ainda, com um Molho Pesto Rosso Italiano, perfeito para combinar com o Spaghetti Al Nero Di Seppia, também uma iguaria do país da bota. Vale destacar que a massinha (que eu ainda não provei, mas o farei em breve) é elaborada com sêmola de trigo de grano duro e tintura de lula. Ou seja, deve ficar o máximo também com um molho à base de camarão ou frutos do mar. Curti tudo!

Ah, se você quiser receber um kit como esse todos os meses, é só acessar o site da RAR. Lá você encontra, além de um link para se associar ao Clube, várias sugestões de vinhos, presentes, enfim, tudo muito bacana e delicioso.


Então é isso, meus queridos! Amanhã é sexta e com certeza vou divulgar uma receitinha de Wine Drink aqui para vocês. Espero que tenham curtido o post.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-tim

*Este post é um publieditorial.

 

 

 

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Cultura, Tradição e Homenagem ao Vinho Jerez na Sherry Wine Week

De 7 a 11 de novembro será realizado, em São Paulo, um dos eventos mundiais mais importantes sobre os vinhos Jerez, o Sherry Wine Week. Mas, e você, caro enófilo? Já teve oportunidade de degustar alguns desses exemplares? Conhece a história? Então, prepare-se, pois hoje te levaremos para o maravilhoso mundo desse mítico vinho fortificado.

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ORIGEM DO JEREZ

Em sua morada natal, a Andaluzia, ele é chamado de Jerez, porém, seus encantos já correram o mundo. Seja em português (Xerez), Francês (Xérès) ou em inglês (Sherry), sem dúvida, essa é uma das bebidas que mais representa a Espanha quando se fala de vinho. 

E trata-se de um néctar muito antigo! Segundo arqueólogos, a vitivinicultura é praticada na região há mais de 3.000 anos, sendo que a primeira menção específica aos Jerez data do século 1 a.C. Uau! Deve ser por isso que a enologia na famosa região de Jerez de La Frontera é uma das mais desenvolvidas do mundo de Baco.

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Apesar dos obstáculos, como a invasão dos mouros na Península Ibérica, durante a Idade Média (mesmo com a proibição muçulmana ao consumo de álcool), o Jerez nunca deixou de ser produzido e, graças à sua cultura, hoje podemos amá-lo e degustá-lo como se deve.

Nos tempos das Grandes Navegações, esse fortificado era presença garantida nos navios e foi nessa época que ficou conhecido em todo o mundo. Tanto sucesso acabou dando margem a falsificações. Sendo assim, para protegê-lo, a Espanha lançou mão de sua primeira denominação de origem: o nome JEREZ. 

TÉCNICA DE PRODUÇÃO

A Palomino é a uva mais usada na produção dos vinhos Jerez, constituindo cerca de 95% das cepas utilizadas na produção do fortificado. Durante o processo, as uvas palomino são esmagadas, o mosto (suco da uva) é fermentado em barris de cimento ou aço inoxidável e, em seguida, é fortificado  pela adição de aguardente vínica. Após a adição desta, o vinho é armazenado em barris por cerca de um ou dois anos. A partir daí, começa o processo de solera, quando o vinho passará por diversos cortes. 

Durante o envelhecimento do Jerez Fino (como o Manzanilla), o barril é preenchido com apenas 3/4 da capacidade. Assim, uma camada, que aparenta espuma e é conhecida como “flor”, se desenvolve na superfície do vinho. Trata-se de um fungo conhecido como Saccharomyces Cerevisiae. O fungo é responsável pelo sabor típico do fino xerez espanhol, uma vez que não pode ser reproduzido em outras regiões. A flor confere, ao vinho, um leve sabor de levedura. Para a produção do Jerez, além da Palomino, também são usadas as uvas Pedro Ximénez e Moscatel.

SHERRY WINE WEEK: UMA CELEBRAÇÃO AO JEREZ

Então, já disse que, em inglês, o Jerez é conhecido como “Sherry”, sendo esta a denominação escolhida para o superevento que acontecerá em São Paulo e contará com várias ações simultâneas nos principais bares e restaurantes da cidade.

E o agito da Sherry Wine Week não se restringe ao Brasil. Serão mais de 2000 eventos realizados simultaneamente em 22 países, com a participação de cerca de 100.000 pessoas. Ou seja, uma festa internacional que homenageia o Jerez em sua melhor forma. 

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Por aqui, o evento terá a participação de vinícolas locais de Jerez de La Frontera, inclusive a maior referência da região, a González Byass, representada no país pela importadora Inovini. Em sua terceira edição brasileira, a vinícola promoverá eventos especiais com menus de harmonização, degustações e ações temáticas em restaurantes, wine bars, hotéis e empórios, tanto Brasil, como em outros países.

A González Byass, foi eleita uma das melhores bodegas do mundo pela Wine & Spirits Magazine Top 100 e que esse ano lançou boas novidades, como o novo rótulo e embalagem do Solera 1847 e a premiação do Beronia Reserva 2011, eleito como o melhor vinho tinto do mundo na competição da International Wine Challenge.

Durante os dias de Sherry Wine, o restaurante Torero Valese (Av. Horácio Lafer, 638 – Itaim Bibi), por exemplo, presenteará o cliente que adquirir uma taça de Tio Pepe (R$20) com uma tradicional tapa espanhola, que poderá ser Croqueta de jamón com emmental; Tapa de rosbife e caviar; Tapa de sobrasada; Tapa de pulpo com crisp de alho-poró ou Tapa de chèvre e aspargo com redução de Jerez.

Já o descolado bar espanhol Jamón, Jamón (Av. Pedroso de Morais, 267 – Pinheiros) e o intimista restaurante Forquilha (Rua Vupabussu, 347) também participarão do evento em homenagem ao Jerez: na compra de uma taça de Tio Pepe (R$ 20), o cliente ganha uma tradicional tapa espanhola de jamón, tumaca, rúcula e parmesão.

A Sherry Wine Week contará, ainda, com workshops, degustações com consumidores e encontros com a imprensa. “Queremos mostrar ao consumidor a versatilidade dos vinhos de Jerez. O Fino Tio Pepe, por exemplo, é excelente para a coquetelaria. Por ser um vinho fortificado e não um destilado, ele se mostra uma alternativa bastante interessante para a composição de drinks com menor teor alcoólico”, disse António Palácios da González Byass.

Aliás, o Tio Pepe é um dos rótulos mais famosos em se tratando de Jerez. Criado em 1840 para homenagear o tio fundador da bodega, o vinho foi a primeira marca registrada da Espanha. Versátil, é o vinho perfeito para acompanhar os mais diversos pratos da cozinha ibérica e asiática.

Aliás, não sei se vocês se lembram, mas na película antológica “A Festa de Babette”, o vinho era harmonizado com Sopa de Tartaruga. Impossível não me lembrar disso quando leio algo sobre o fortificado espanhol. Graças ao filme, essa combinação se tornou célebre e uma das mais clássicas quando se fala de Jerez. 

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Quando nos referimos ao Jerez, é quase impossível não lembrar da película dinamarquesa “A Festa de Babette”, quando o mesmo fora harmonizado com sopa de tartaruga. 

Animados para degustar um legítimo Jerez? Pois eu amei embarcar com vocês nessa viagem e conhecer um pouco mais a história do famoso fortificado espanhol.

Boa semana! Bons Vinhos! Tim-Tim!

 

 

Vinhos Finos Doces, Sem Preconceitos

Há alguns meses ando flertando com os chamados Vinhos Finos de Sobremesa, ou seja, aqueles exemplares doces (ou meio-doces), que geralmente acompanham tortas, mousses, entre outras delícias temperadas com açúcar. Mas, confesso para vocês que eu tinha um certo preconceito com esse tipo de vinho. Porém, quando se degusta um bom Porto ou Colheita Tardia (Late Harvest) algumas ideias pré-concebidas caem por terra facilmente.

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DOCES EXPERIÊNCIAS

Aliás, sempre fui uma formiguinha, mas nunca para vinhos. Quando viajei para Portugal no ano passado, quis visitar as Caves de Vinho do Porto e me encantei totalmente por aqueles fortificados de alto teor alcoólico.

Ao chegar em casa, fiz várias experiências enogastronômicas com eles. Com doce de leite argentino, o Porto Tawny só me deu alegrias! A partir daí, me deu vontade de conhecer outros rótulos. Atualmente, graças à ABS-RJ, estou in love pelos exemplares de Colheita Tardia (ou Late Harvest). Que tal conhecer esses vinhos um pouco mais?

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VINHOS FINOS DE SOBREMESA

Quase todos os vinhos finos de sobremesa são produzidos com uvas brancas, geralmente aromáticas: Gewurztraminer, Moscatel, Muscadelle, Malvasia, a Sémillon em Bordeaux, Furmint na Hungria, Riesling na Alemanha e a Chardonnay no Novo Mundo.

  1. Colheita tardia ou Late Harvest: o nome já diz tudo. Esse tipo de vinho é elaborado com uvas que foram colhidas além do período normal de vindima, o que ocasiona uma desidratação da fruta e uma alta concentração de açúcar. O mosto obtido dessas uvas é quase como um mel e o volume, muito menor. No momento em que é produzido, utiliza-se uma técnica que interrompe a fermentação pela adição de anidrido sulfuroso a esse suco superconcentrado, preservando sua doçura e evitando que o açúcar seja transformado totalmente em álcool. Trata-se de um processo importado da Alemanha, onde se produz os vinhos Spätlese e Auslese, e que hoje em dia é adotado por diversos outros países, incluindo os do Novo Mundo. vinhos-doces-licorosos
  2. Sauternes: é uma região ao sul de Bordeaux e famosa por seus vinhos de sobremesa. Produzidos a partir das uvas Semillón e Sauvignon Blanc, os vinhos de Sauternes são vinhos de colheita tardia dos chamados Botritizados. Devido ao clima úmido da região, o fungo Botrytis Cinerea (Podridão Nobre) ataca as uvas de uma forma benéfica, ao passo que causa uma desidratação capaz de aumentar a concentração de açúcar nas uvas. Os vinhos produzidos por esse processo estão entre os mais saborosos e longevos (podem durar uns 100 anos) do mundo. Além disso, costumam ser caríssimos.  4041482337_3416761c8f
  3. Tokaji: o vinho húngaro mais conhecido (pronuncia-se Tokay). Produzido na região de mesmo nome, este vinho esbanja complexidade, longevidade e riqueza gustativa. Há registros de sua existência desde 1650. Nesse caso, a Botrytis (localmente chamada de Aszú), ataca as uvas Furmint e Hárslevelü, dando origem a um mosto bem espesso, que escorre em pequenos barris chamados puttonyos. Para produzir diferentes tipos, adicionam-se de 1 a 6 puttonyos a cada 140 litros de vinho. Os fermentados resultantes levam no rótulo a indicação do número de puttonyos utilizado, crescendo em teor de açúcar, complexidade e longevidade conforme a concentração. O Tokaj Aszú Essencia é o tipo mais valorizado de todos. Antes de serem engarrafados, os Tokaji amadurecem em barris por um período de 4 a 8 anos. 1498142109_04920f716d

MUITO ALÉM DA SOBREMESA

Muita gente opta apenas por servir os vinhos doces como acompanhamento para sobremesas. Porém, devido aos meus estudos, aprendi a ir um pouquinho além. Vinho do Porto e os de Colheita Tardia, por exemplo, ficam divinos ao lado dos chamados Queijos Azuis, como Roquefort e Gorgonzola. Outra parceria que me agrada muito é a de Vinhos Botritizados e Foie Gras. Vale adaptar esta última com um Late Harvest também. Aliás, um nacional que me agradou demais por não ser tão doce, é o Aurora Colheita Tardia. Sem falar que o custo-benefício dele é maravilhoso, visto que se apresenta na faixa dos R$20.

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Então? Prontos para quebrar paradigmas? A cada dia me surpreendo com tantas descobertas que os vinhos finos me proporcionam. Para sentir cada uma dessas gotinhas de felicidade, é fácil. Basta abrir a mente e se desfazer de alguns preconceitos.

Bom domingo! Bons Vinhos! Tim-Tim!