Vivendo e Aprendendo: 4 Dicas Quentíssimas Para Comprar Vinhos em Madrid

Minha amiga Juliana Bezerra é historiadora e autora do blog Rumo a Madrid. A menina é tão craque na cidade que acabou se tornando uma super guia turística para brasileiros na terra de Cervantes. E hoje é ela quem assina mais um post da série “Vivendo e Aprendendo”, em que relata suas experiências comprando vinhos na capital espanhola. Mais um capítulo da nossa bela parceria.

Leia e viaje sem sair da taça!


POR JULIANA BEZERRA

Sabrina Trézze deu uma aula sobre vinho espanhol para os leitores do Rumo a Madrid e eu tenho que devolver a gentileza. Infelizmente, não vou poder cantar as virtudes do vinho madrilenho para os leitores da minha querida amiga: sabidamente a região não produz bons “sucos de uva”. O vinho da capital espanhola sempre foi vendido para a população trabalhadora, que aguentava duras horas de labuta sob o sol. Como todo mundo sabe as melhores regiões para o vinho espanhol atendem pelo nome de Douro e La Rioja.

Quem gosta de vinho também adora comprar belas garrafas quando viaja. Em Madrid, já nos supermercados, as seções de vinhos são enormes e dá pra levar bons rótulos por preços em conta.

Quando cheguei aqui, um dos meus alunos me recomendou que eu tivesse um vinho do “dia-a-dia”, que fosse acompanhar as refeições durante a semana. Pois o escolhido foi o Marquês de Cáceres, de La Rioja e que não ultrapassava 4 euros a garrafa; ele foi fundamental para termos uma noção entre as diferentes matizes de cada região espanhola, além de alegrar meus almoços e jantares do dia a dia.

Além dos supermercados, em Madrid há belas opções para se comprar vinhos e mesmo saborear uma taça de vinho comendo alguma “tapa”. Por isso, fiz uma pequena lista de lugares onde o visitante pode comprar o néctar de Baco na capital espanhola:

La Rebelión de los Mandiles: um simpático bar-cafeteria-delicatessem na calle Mayor, pertinho da catedral Nossa Senhora de Almudena. Além de poder tomar um café e descansar da caminhada, atenção aos azeites e vinhos de todas as regiões da Espanha. Em caso de dúvida, não hesite em perguntar às simpáticas atendentes sobre os produtos expostos. Elas dão uma verdadeira aula! Endereço: Calle Mayor, 88.

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La Rebelión de los Mandiles

– Lavinia: situada na chiquérrima calle Ortega y Gasset, a Lavinia é uma das lojas mais tradicionais de Madrid. Os rótulos ali são de fazer qualquer enólogo ficar satisfeito, mas os preços podem fazer doer um pouco o bolso. De qualquer maneira, vale a pena passar por ali, contemplar a paisagem e, quem sabe, aproveitar alguma promoção. Endereço: Calle de José Ortega y Gasset, 16.

LAVINIA/ 02 Diciembre 2009 / Foto: Enrique Cidoncha
Lavinia

Gourmet Gran Vía – Situada na cobertura do El Corte Inglés, junto à estação de metrô de Callao, a loja tem uma grande variedade de rótulos e vende produtos de vários lugares do mundo. Ainda tem restaurantes e bares, e uma das vistas mais lindas de Madrid. Infelizmente, não há atendentes para explicar sobre os produtos, mas para os entendidos é um belo passeio. Endereço: Plaza del Callao, 2.

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Gourmet Gran Vía

Mares Vinos – Quem deseja receber um atendimento personalizado, ambiente aconchegante e ótimos rótulos, deve se dirigir a esta simpática loja no bairro de Salamanca. Situada a 10 minutos do centro de metrô e perto de atrações como a Fundación Juan March, a proprietária Mares, é uma simpatia e explica tudo e mais um pouco sobre vinhos e inclusive realiza degustação todas as quartas-feiras. Isso sim: somente em espanhol. Endereço: Calle de Don Ramon de la Cruz, 46. Metrô Lista.

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Mares Vinos

Enoamigos, espero que tenham curtido essa delícia de texto. Deu até vontade de incluir a Espanha em um futuro Wine Tour. Afinal, é um dos países com maior área de vinhedos e exemplares espetaculares, provenientes de regiões de muita tradição em vinhos.

Aguardem, pois minha parceria com a Ju está apenas começando!

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vivendo e Aprendendo: Como Escrever Ótimas Notas de Degustação

Durante minha caminhada no mundo do vinho, acredito que já devo ter degustado uma centena de rótulos, muitos dos quais eu não me lembraria se não fossem minhas notas de degustação.

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Sim, elas são fundamentais para enófilos e profissionais da área, a  fim de que possam montar um arquivo, uma memória sensorial que será  de suma importância quando se tem a intenção de prestar consultoria, sugerir combinações entre vinho e comida, entre outras atribuições.

Graças ao meu grupo da ABS-RJ, tenho aprendido a otimizar bastante as minhas notas de degustação, ao passo que são fornecidas fichas técnicas, próprias para que possamos documentar nossas impressões sobre os vinhos apresentados. Trata-se de uma ferramenta que traz praticidade à avaliação, tornando-a o mais objetiva possível.

COMO POSSO ESCREVER ÓTIMAS NOTAS DE DEGUSTAÇÃO?

Se você deseja realizar notas de degustações úteis e precisas e nunca tentou na prática, anote essas dicas e prepare-se para mandar superbem na hora de avaliar seus vinhos.

Como identificar e listar os aromas e sabores de um vinho

Antes de tudo, é importante saber identificar a origem dos aromas do nosso néctar, a fim de que possamos senti-los com mais clareza.

  • Aromas Primários: é aquele proveniente das uvas e do terroir e geralmente são pautados em frutas, flores e ervas.
  • Aromas Secundários: são aqueles oriundos do processo de vinificação. Os aromas secundários incluem (mas não estão limitados a) notas de pão fresco (devido às leveduras), assim como creme de leite e iogurte (próprios da fermentação malolática).
  • Aromas Terciários: são aqueles que surgem durante o envelhecimento da bebida, seja em carvalho ou na própria garrafa. A partir daí, podemos identificar cravo, especiarias, torrefação, coco, fumaça, café, baunilha, couro, pelica, entre outros.

Enfim, saber identificar esses diferentes aromas (ou bouquets, no caso dos vinhos de guarda), vai te ajudar a escrever notas de degustação cada vez melhores.

DICA: Quando você for realizar a avaliação olfativa, tente listar as notas mais óbvias em primeiro lugar. Isso ajuda a criar uma hierarquia de importância.

Ou seja, o que você mencionar em primeiro lugar é mais importante. Por exemplo, “Framboesa e Pimenta” soa mais frutado que “Pimenta e Framboesa”, o que quer dizer que o vinho é mais rico em aromas de frutas que de especiarias.

Além disso, vale tentar incluir um adjetivo em suas notas. É “Pimenta Fresca” ou “Pimenta Seca”?  É “Framboesa Fresca” ou “Framboesa em Compota”? Essas especificidades vão ajudá-lo a aprimorar os detalhes sobre determinado vinho.

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Outra: não tenha medo de escrever algo que possa soar meio bobo. Afinal, essas anotações, a princípio, são só para você.

Como descrever tanino, acidez e corpo

  • Corpo: quando você se concentrar no sabor, é importante atentar-se para a forma como você sente o vinho na boca. E, em se tratando de corpo,há algumas analogias que podem ajudar. Por exemplo, “é como Leite Desnatado, mais ralo, escorregadio” ou “como um Leite Integral, mais encorpado ou espesso”? O corpo, no vinho, geralmente corresponde a algo aproximado dessas texturas. Qual é a que predomina? Anote-a!
  • Taninos: para muita gente pode parecer complicado, mas é aquela sensação de cica da fruta, tal como a da maçã ou banana verde. Para saber se um vinho é mais ou menos tânico, antes de beber, encoste a língua no céu da boca e faça o mesmo após ingerir a bebida. Perceba se o local está mais áspero e a boca demasiado seca. Se a resposta for positiva, é provável que o vinho seja rico em taninos.

SAIBA MAIS SOBRE TANINOS 

  • Acidez: costumo dizer que a graça do vinho está na acidez. Um vinho de acidez elevada provavelmente provoca uma sensação semelhante a de um limão ou lima. Por isso, geralmente os exemplares brancos são ricos em acidez. Quanto mais ácido um vinho, mais brilhante ele será (por isso, atente-se bastante ao exame visual). Já um vinho pouco ácido atua na boca como uma melancia, por exemplo.

DESCREVENDO O FINAL 

Já reparou que quando você prova um rótulo fica meio difícil de dizer logo de cara se realmente gostou dele? Então… é que costuma levar 1 segundo para que se tenha uma primeira impressão sobre o vinho.  Aí, você está esperando sobre o final.

Geralmente, esse “encerramento” se dá a partir do momento em que o sabor se dissipa, “vai embora da boca”. O final é, muitas vezes, o momento crucial de definição de um vinho, quando você decreta sua opinião definitiva sobre ele. Aquela hora em que você pensa em palavras como “monótono” ou “espetacular”.

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A seguir, confira uma listinha básica com alguns “finais” de um vinho. Trata-se de uma sugestão, para você ter em mente numa próxima degustação.

  • Final Suave, Elegante: é aquele momento em que a maioria dos enófilos decreta um “Ahhhhhh….”. Enquanto o vinho pode se apresentar completamente seco, o final traz aquele toque de finesse onde, nos tintos, os taninos costumam ser sedosos, apesar de presentes. Já em um branco, será aquela textura cremosa, que enche a boca.
  • Final Amargo: é o tal do retrogosto amargo, que tantos falam. Esse estilo tem lá seus apreciadores. Não é o meu caso. Quando ocorre, geralmente os vinhos possuem grande acidez e notas cítricas.
  • Final Fresco e Suculento: geralmente qualifica aquele vinho que possui notas de ataque de frutas maduras e quase sempre é detectado em vinhos jovens, provenientes de climas moderados. Essas notas suculentas costumam ser associadas a exemplares recém-produzidos.

Como sempre digo por aqui, vinho é um aprendizado contínuo. Mas, para os apaixonados, é extremamente prazeroso. E, acreditem, quando provo um vinho novo, quase sempre me surpreendo.

Quanto à capacidade de decifrar os aromas, digo que é tudo muito particular. Depende das vivências e experiências de cada um. Por isso, não tenha vergonha de cheirar as frutas e temperos na feira e no supermercado, por exemplo. Tudo serve como bagagem para futuras degustações.

Boa terça! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wine Folly