Vinho Mineiro: Fazendo Bonito no Terroir Nacional

Confesso ter me surpreendido com o surgimento de diversos rótulos mineiros, tanto que decidi pesquisar um pouco mais sobre o assunto e trazer para vocês um pouquinho dessa história.

PRIMEIRA ESTRADA 

Nem só de café, queijos e cachaça vive Minas Gerais. Toda a sua produção vinícola se concentra no sul do estado, sobretudo nas cidades de Andradas, Cordislândia, Três Pontas e Caldas. Muitos produtores têm aplicado o método de inversão dos ciclos de poda e colheita das uvas para fabricar os chamados “Vinhos de Outono”.

O rótulo que mais ilustra esse espírito visionário é o “Primeira Estrada”, da Fazenda da Fé, em Três Corações. Este, chegou ao mercado em 2010 e é facilmente encontrado em supermercados e restaurantes de Belo Horizonte.

ATUALIZAÇÃO (23/01/2017)

Estive em território mineiro na semana passada e degustei o Primeiro Estrada num restaurante de Ouro Preto. Custou R$99 e, em se tratando do valor disponível em restaurantes, achei bem em conta. O vinho é uma explosão de frutas negras, com taninos na medida. Cor rubi com reflexos violáceos. Muito agradável!

Há tempos estava a fim de prová-lo e tive várias oportunidade de fazê-lo por aqui. Porém, nada mais emblemático que desfrutar esse Syrah em meio à bela paisagem de uma das cidades histórias mais importantes de Minas Gerais. 

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VINHOS DE OUTONO

A inversão de ciclos de poda e colheita foi idealizada pelo engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque, da Epamig. Logo, a técnica prevê duas podas anuais, em janeiro e agosto, e não apenas uma, como era de costume se fazer. Tudo se deu quando Albuquerque esteve em Bordeaux, na França, para um pós-doutorado em enologia.

Lá, ele percebeu que a vindima (colheita), se dava no período mais seco do ano. Exatamente o oposto do que o ocorre no sudeste brasileiro, quando o ápice das uvas se dá no verão. O excesso de chuva e as altas temperaturas impactavam negativamente na qualidade do vinho. Daí, surgiu a solução da inversão de ciclos. E deu certo! Dias de sol, noites frias e solo seco constituem em um terroir perfeito para o vinho fino.

SYRAH

Graças a essa verdadeira revolução mineira, a região já sonha em se tornar uma das grandes produtoras de vinhos do país. Entre as uvas, a Syrah foi a casta que mais se adaptou ao solo mineiro. É ela que constitui a base do “Primeira Estrada”, que chega a custar cerca de R$110 nos restaurantes da região.

O alto preço se dá pelo baixo volume de produção. Infelizmente, devido ao preço, dificilmente o “Primeira Estrada” conseguirá competir em igualdade com exemplares chilenos, argentinos e portugueses.

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LUIZ PORTO

Por outro lado, pegando carona no estrondoso sucesso dos espumantes brazucas, o rótulo “Luiz Porto”, produzido pela Fazenda do Porto, em Cordislândia, chega com valores um pouco mais acessíveis, em torno de R$50 a garrafa.

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MARIA, MARIA

Em Três Pontas, o grande exemplo é o “Maria Maria”, da Fazenda Capetinga. Vale lembrar que trata-se da cidade natal de Milton Nascimento e o nome do vinho já diz tudo: homenageia uma das mais lindas canções do cantor e compositor. O vinho fino dispõe de três variações, para alegria dos degustadores: tinto e rosé, de Syrah, e branco, de Sauvignon Blanc.

O rótulo já foi lançado, mas os exemplares do tinto se esgotaram totalmente. Uma pena, pois esse é mais um rótulo do qual estou à procura faz tempo. 

maria maria

Cada safra do Maria Maria terá o nome de uma mulher e, assim como na criação de cavalos e gado, essa nomeação se dará por ordem alfabética. Por exemplo, na primeira safra, os vinhos se chamaram Agda (Syrah 2013), Ada (Branco 2013) e Anne (Rosé 2013). E assim vão continuar os nomes, sendo que na safra 2015 serão 2 vinhos: Bel (branco 2015) e Bia (tinto 2015).

Enfim, acho que o grande desafio dos mineiros, no momento, é o de fabricar vinhos para todos os gostos e bolsos. O que acaba sendo um obstáculo para todos os nossos produtores nacionais, sobretudo com a alta taxa de impostos sobre a produção.

E aí, alguém sabe onde posso comprar um Maria, Maria? Se souberem, me avisem, por favor! Faço até resenha sobre ele..rs.

Bons Vinhos! Tim-Tim!

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4 comentários em “Vinho Mineiro: Fazendo Bonito no Terroir Nacional

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