Notas de Prova: Um Verdejo Leve e Perfeito Para os Dias de Calor

Enoamigos, estamos na temporada dos brancos, rosés e espumantes. Pelo menos para mim, claro, pois sei de gente que não abre mão do tinto por nada no mundo. Vinho tinto no calor me dá mais calor ainda, sobretudo aqui no Rio, onde os termômetros já marcam de 30 graus para cima.

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Então, imaginem a minha alegria quando recebi da WineBrands esse Verdejo Espanhol da Real Compañía de Vinos? Degustei sem medo de ser feliz! Sem falar que me deu a maior vontade de falar para vocês sobre essa uva branca, menos comum por aqui. É leve e fresca, com ótima acidez. Harmoniza com verão e frutos do mar. Amei!

CONHEÇA A VERDEJO

A uva branca Verdejo possui grande notoriedade e é destaque nas regiões espanholas de cultivo e elaboração de bons vinhos. Os exemplares elaborados com a Verdejo são muito elegantes, frutados e frescos, apresentando, em geral, elevado teor alcoólico, além de possuir uma acentuada acidez.

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Usada com sucesso na elaboração de vinhos varietais, a Verdejo também apresenta ótima combinação com as castas Sauvignon Blanc e Viura. Os vinhos produzidos a partir da uva Verdejo costumam ser consumidos ainda jovens, entretanto, é possível encontrar excelentes rótulos com maturação prolongada, chegando a uma década.

A Verdejo confere aos vinhos uma coloração verde dourada, que pode variar de acordo com o método de vinificação utilizado por cada produtor. A uva produz vinhos conhecidos por seu caráter cítrico e herbáceo, além do peculiar toque de noz e nuances de mineralidade.


NOTAS DE PROVA

Visual: Amarelo-palha médio, com reflexos verdeais, é límpido e transparente. Fica lindo na taça.

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Olfato: Notas de frutas brancas, cítricas e um toque herbáceo bem particular.


Gustativo: Em boca, é leve, fresco e equilibrado. Pouco se sente os 14,5% de teor alcoólico. Tem um retrogosto meio-amargo, próprio da casta.


Harmonização: Frutos do mar, incluindo pratos da culinária oriental, sobretudo japonesa e tailandesa.


Enfim, amigos, certamente a partir de agora vocês verão mais comentários sobre vinhos brancos, rosés e espumantes. Isso não quer dizer que os tintos não serão consumidos até segunda ordem. Afinal, um Pinot Noir numa temperatura menor, assim como outras castas mais leves, como Pipeño e Gamay são sempre bem-vindas, inclusive no calor que tem feito por aqui. Mas tem sempre aquele dia em que a harmonização pede um tinto. Com ar-condicionado bombando, claro!

Ótima semana para vocês! Bons vinhos! Tim-Tim!

*Este post é um publieditorial.

Referência: Mistral.

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Wine Tour: Conheça 12 Vinícolas Incríveis ao Redor do Mundo

O que a princípio deveria ser uma simples visita, seguida por degustação de alguns rótulos, acaba se tornando uma verdadeira ostentação em determinadas vinícolas. Com arquitetura imponente e serviços de alta classe, sem dúvidas, elas fazem parte do imaginário de grande parte dos enófilos em todo o mundo.

Esses “templos de Baco” estão, em sua maioria, localizados em regiões vinícolas de grande tradição e suas instalações realmente impressionam. Sendo assim, compilamos uma lista de 12 vinícolas, algumas contruídas por nomes como Gehry e Calatrava, em locais como Napa, Rioja e Bordeaux. E se você é um autêntico apreciador de vinhos, certamente vai colocá-las em suas listas de futuros roteiros. Afinal, trata-se de lugares capazes de revirar os sentidos, tanto pelo que se vê quanto pelo que se prova.

 

1 – Bodegas Ysios

Esta vinícola, desenhada por Santiago Calatrava, na região espanhola de La Rioja foi concebida como um verdadeiro local de culto ao vinho.

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Chateau Margaux (França)

Simplesmente uma das vinícolas bordalesas mais famosas do mundo, cuja mansão é tão conhecida que estampa, inclusive, os rótulos de suas preciosas garrafas.

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3. Mission Hill Winery

O ponto alto desta vinícola canadense é o campanário de 12 andades, cujo propósito é o de acolher os convidados e despertar seus sentidos enquanto os sinos tocam.

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4. Darioush Winery

Toda a propriedade desta vinícola em Napa Valley assemelha-se a um palácio persa, em homenagem aos herdeiros do trono.

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5. Chateau Pichon Lalande

Um dos castelos mais fotografados em todo o mundo, esta vinícola de Bordeaux é, agora, propriedade da família Rouzaud, igualmente dona da Maison de Champagne Louis Roederer. Linda de viver!

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6. Marques de Riscal

Quando a vinícola espanhola Marques De Riscal decidiu que cada um dos seus visitantes deveria experimentar o espírito inovador e o mundo de sensações incorporadas pela vinícola, os proprietários se voltaram para o famoso arquiteto Frank Gehry. A construção tem algo futurista que impressiona. Maravilhosa!

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7. Dornier Winery

Projetada pelo fundador da vinícola, Christoph Dornier, esta vinícola sul-africana parece fazer parte da paisagem em sua volta.

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8. Castello di Amorosa Winery

Com ares medievais, esse castelo nem parece estar localizado na região californiana de Napa, nos EUA. Também pudera! Dario Sattui estava determinado a erguer o edifício mais belo e interessante da América do Norte e que, ainda por cima, produzisse vinhos incríveis.

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9. Opus One

Projeto conjunto entre o Baron Philippe de Rothschild e Robert Mondavi,  a vinícola Opus One foi criada para produzir o primeiro vinho ultra premium dos Estados Unidos. Tanto a vinícola quanto o rótulo em questão são verdadeiros ícones do mundo de Baco.

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10. Chateau DuCru Beaucaillou

Projetado pelo famoso arquiteto parisiense Paul Abadie, este castelo de Bordeaux é tão icônico que, como Chateau Margaux, também estampa o rótulo de seus vinhos.

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11. Ledson Winery

A construção francesa com ares da Normandia desta vinícola de Sonoma tornou-a famosa antes mesmo do vinho. E, graças a atenção que a família Ledson recebeu em virtude da propriedade que seus integrantes decidiram optar por produzir vinho antes de qualquer outra coisa.

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12. Bodegas Sommos

Uma das vinícolas mais modernas da Espanha, a Sommos tem sua construção superparecida com uma borboleta. Outro exemplo de arquitetura futurista nos vinhedos espanhóis.

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Então, enoamigos, espero que tenham curtido o post! Já fazia tempo que não pesquisava sobre lugares maravilhosos do mundo do vinho e curti muito! Afinal, esses são de tirar o fôlego!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referência: VinePair Fotos: Shutterstock

Uma Uva Dois Vinhos: Jantar Harmonizado com Célio Alzer na Gran Cru Niterói

A Gran Cru de Niterói é uma das maiores da rede, enorme, tem 2 andares (loja e bistrô) e uma grande variedade de rótulos. Geralmente é meu destino quando quero presentear algum amigo com vinho, pois acho o preço bem justo para o que entrega. Aliás, eles dispõem de exemplares para todos os gostos e bolsos. Óbvio, se levarmos em conta as demais lojas especializadas. (Leia aqui dicas para comprar vinhos em lojas).

Então, o jantar foi conduzido por ninguém menos que Célio Alzer, consultor de vinhos e meu professor na ABS-RJ. Logo, já fui esperando por algo didático e, ao mesmo tempo, descontraído. Aqui a brincadeira foi desvendar como uma mesma uva se expressa de forma diferente na taça de acordo com a região onde é produzida. Ou seja, é a prova de que o terroir influencia (e MUITO!) no resultado final.

BOAS-VINDAS COM ESPUMANTE VICTORIA GEISSE ROSÉ BRUT

Logo na chegada, fomos recepcionados com uma taça de espumante Victoria Geisse Rosé  brut 2016 (100% Pinot Noir). Quem me conhece sabe que considero os espumantes da Familia Geisse, de Pinto Bandeira (RS), um dos melhores do Brasil. Amo muito, de paixão! A perlage dele é qualquer coisa de linda e persistente, forma uma coluna muito bonita na taça.

victoria geisse

Esse rótulo, em específico, foi elaborado pela vinícola especialmente para a Gran Cru. E me lembro que sempre quis saber a respeito do nome. Achava que fosse alguma mulher da vida do Mário Geisse, dono e enólogo, mas não. O professor Célio nos contou que Victoria era o nome do navio que trouxe os antepassados do Mário da Itália para o Chile (Sim, o enólogo é chileno e também assina os vinhos da Casa Silva, uma das melhores do país).

No vídeo abaixo você pode observar a incrível perlage desse espumante:

No nariz, o Victoria traz uma explosão de frutas vermelhas, assim como uma nota inconfundível de pão fresco, provavelmente em virtude dos 12 meses de autólise (contato com as leveduras).

SAUVIGNON BLANC

Começamos com essa, que é uma das uvas brancas mais conhecidas e aromáticas. Tenho ouvido alguns colegas se queixando de que, ultimamente, muito do que temos visto sobre essa casta têm permanecido no lugar comum, sem muita ousadia. Discordo.

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Quando a gente entende que o que manda na expressão de uma uva é o terroir, ou seja, o solo, o clima e as condições da região onde é produzida, dá até vontade de provar vários rótulos diferentes. Aqui, o Professor Célio nos apresentou um Sauvignon Blanc do Chile e outro da Nova Zelândia.

1- MATETIC CORRALILLO SAUVIGNON BLANC 2016 – VALE DE SAN ANTONIO, CHILE

Um vinho fresco, amarelo palha claro, com aromas de frutas cítricas, maracujá, ervas e um toque mineral (provavelmente pela proximidade com o Oceano Pacífico). No nariz, é intenso, chega chegando. O professor Célio sugeriu harmonizá-lo com queijo de cabra, comida oriental, ceviche, ostras e moqueca capixaba. 

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SOBRE O PRODUTOR: Eleita a Vinícola do Ano de 2014 pela Revista Wine & Spirits, a Matetic preza pela originalidade. A cultura é feita de forma orgânica e biodinâmica, livre de produtos químicos, respeitando o solo e as plantas. O resultado disso são vinhos puros, autênticos e inesquecíveis.

Matetic Vineyards está localizada no Valle del Rosario, subdivisão do Valle de San Antonio a 120 km de Santiago, entre Casablanca e San Antonio. São mais de 9.000 hectares de vinhedos em um vale fechado, orientado perpendicularmente ao mar, com uma luminosidade extraordinária – condições ideais para a produção dos vinhos.


2 – MARLBOROUGH SUN SAUVIGNON BLANC 2016, NOVA ZELÂNDIA

Gosto muito da expressão dos Sauvignon Blancs da Nova Zelândia, sobretudo por este ter se tornado um dos melhores terroirs do mundo para a casta, devido à presença e delicadeza de seus vinhos.

MB -NZ

Marlborough, na porção norte da Ilha Sul, é a região mais famosa da Nova Zelândia quando se trata de Sauvignon Blanc. O Sun tem o rótulo lindo e original, lembrando um clássico tabloide (jornal local). Possui um caráter fresco e herbáceo, com notas de frutas tropicais. Porém, diferente do exemplar chileno, este é mais sutil, lembrando um pouco os franceses do Loire. É delicado, enquanto o outro é mais intenso.

SOBRE O PRODUTOR: Saint Clair Family Estate é o resultado da união da propriedade de Neal e Judy Ibbotson, dois dos pioneiros da viticultura em Marlborough. Com o talento de uma das principais equipes de vinificação da Nova Zelândia, liderada por Matt Thomson e Hamish Clark, a vinícola, que teve sua primeira safra produzida em 1994, é destaque por ter sido a primeira a ganhar grandes troféus internacionais de Sauvignon Blanc e Pinot Noir no mesmo ano, o que ajudou a colocar a Nova Zelândia no cenário mundial de vinhos de qualidade.

CONCLUSÃO: 2 ótimos vinhos, mas com expressões diferentes. O neozelandes está por 79,00 no site da Gran Cru. Ótimo preço se levarmos em conta que a maioria dos SB da Nova Zelândia estão custando mais de 2 dígitos por aí afora. Bom custo x benefício!


PINOT NOIR

1 – LEYDA PINOT NOIR RESERVA 2015, Chile, Vale do Leyda.

Produzido no Vale do Leyda, a apenas 7 quilômetros do oceano pacífico, esse Pinot tem uma expressão bem diferente de muitos sul-americanos que vimos por aí. Afinal, sempre ouvi falar sobre a dificuldade de se produzir uma casta tão temperamental fora da Borgonha, sua terra natal.

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Para começar, a cor dele é linda e bem típica, um vermelho-rubi claro. No nariz, é surpreendente, com notas terrosas e de frutas vermelhas. Gente, não fica devendo para nenhum Pinot Noir da Borgonha. Não mesmo! Desafio a você, Borgonha-maníaco, a provar esse vinho e me dizer. Fico MUITO orgulhosa quando me deparo com esse tipo de coisa, vocês não têm noção. Orgulho da viticultura sul-americana! Trata-se de um vinho para se beber jovem e que passa seis meses em barricas de carvalho.

SOBRE O PRODUTOR: Fundada em 1998, a vinícola foi pioneira na vitivinicultura no vale do Leyda. Interessados no microclima da região, os criadores construíram uma tubulação que desviou parte do fluxo do rio Maipo por oito quilômetros, o que viabilizou o cultivo de uvas de qualidade. O sucesso foi tanto que, anos depois, outras vinícolas se instalaram no Vale do Leyda, que tornou-se uma denominação de origem em 2002 e já se transformou em uma das mais promissoras para o plantio de uvas brancas. Quem encabeça a equipe é Viviana Navarrete, discípula de Ignacio Recabarren, da Concha Y Toro.

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2- FORGEOT BOUGOGNE PINOT NOIR 2013 – BORGONHA, Maison Forgeot Père et Fils

Então, eis um legítimo Pinot Noir da Borgonha. Elegante, com notas terrosas e de frutas vermelhas, em taça foi menos intenso que o chileno. Porém, ao ser harmonizado com a comida (Risoto de Shitake e Shimeji com Vitela) o vinho teve um upgrade sem igual, ficou maravilhoso! É incrível como alguns exemplares são realmente feitos para serem apreciados com um bom prato. Os do velho mundo são desse tipo, geralmente pedem comida!

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Em boca ele também tem mais presença, com notas de cogumelos, terra molhada, amora e morango fresco. Um vinho leve e pronto para beber, quanto mais jovem melhor.

SOBRE O PRODUTOR: A Maison Forgeot é referência na produção de excelentes Pinot Noir e Chablis com preços competitivos. Sob o comando do grupo Bouchard, Forgeot é uma excelente opção de vinhos elegantes e expressivos. Fundada em 1731, por Michel Bouchard, a Bouchard Père et Fils é uma das mais antigas e tradicionais vinícolas da Borgonha – mais de 280 anos se passaram e hoje está sob o comando da nona geração da família. Duas aquisições foram feitas ainda no século 18: os vinhedos de Volnay e de Beaune. Mas as propriedades continuaram se estendendo Borgonha afora e, durante os séculos 19 e 20, adquiriram terrenos nas melhores vilas de Côte d’Or.

CONCLUSÃO: O Leyda, chileno, é mais intenso no nariz e muito agradável. Porém, ao ser hamonizado com o jantar (risoto de cogumelos e vitela) o Forgeot, da Borgonha, se saiu melhor. Ambos vinhos gastronômicos, agradáveis, para serem bebidos jovens.


SYRAH

O gran finale ficou por conta da Syrah/Shiraz. Dizem que esta casta é originária na Pérsia, ou seja, é uma das mais antigas. Na Europa, têm sua casa mais famosa em Hermitage, na França. Os exemplares do Novo Mundo são mais intensos, com notas achocolatadas e de especiarias, com destaque para a pimenta.

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Desta vez, confrontamos dois exemplares, um italiano e um chileno. Ambos harmonizaram de forma primorosa com o mix de queijos, sobretudo com Gouda, Gruyére e Parmesão.

1 – ERRAZURIZ RESERVA ESTATE SERIES SHIRAZ 2015, Alto Aconcágua, Chile

De coloração rubi intensa, esse vinho (95% Shiraz e 5% Viognier) é um bom exemplo do quanto a casta ganha potência no Alto Aconcágua, com notas de ameixas maduras, canelas e toques de pimenta vermelha. Aliás, a Errazuriz foi fundada em 1870 por Maximiliano Errazuriz, um dos grandes expoentes da viticultura chilena, ao lado de Don Melchor de Concha Y Toro.

ERRAZURIZ

Em boca, o  Errazuriz tinha os taninos ainda bem presentes, mas nada incômodo, acredito que por conta de sua juventude. Apesar de pronto para beber, ainda pode esperar tranquilamente por mais uns 3 anos em adega. Passa 8 meses em barrica de carvalho.

SOBRE O PRODUTOR: Foi depois de viajar o Chile de norte a sul que Don Maximiano Errázuriz encontrou no Vale do Aconcágua o terroir ideal para as mudas europeias que trouxe para o país sul-americano em pleno século XIX. Foi pioneiro na exploração do Vale para a produção de vinhos finos e abriu as portas da vinícola batizada com o sobrenome de sua família em 1870. Os seus descendentes herdaram seu espírito visionário e consagraram seus vinhos mundo afora. Hoje, a vinícola é conduzida por Eduardo Chadwick Errázuriz que conta com o enólogo Francisco Baettig, um dos mais respeitados do Novo Mundo.

2 – BARONE MONTALTO ACQUERELLO SYRAH TERRE SICILIANE IGT 2015, ITÁLIA

Está cada vez mais comum encontrar exemplares de Syrah ao redor do mundo (inclusive no Brasil, que se destaca na região sudeste, sendo produzido por poda invertida). Sendo assim, na Itália não poderia ser diferente.

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No Barone Montalto, encontramos taninos mais sedosos e redondos, segundo o Professor Célio, provavelmente por conta do clima quente da Sicília, que favorece a evolução do vinho.  No nariz, frutas vermelhas maduras e alcaçuz chamam a atenção, confirmando sua expressão em boca. Ótimo para harmonizar com queijos, hamburguer de picanha e lasanha de berinjela. Pronto para beber, esse vinho passa 4 meses em barricas de carvalho.

CONCLUSÃO: Ambos harmonizaram bem com os queijos, sendo que o italiano, apesar de menos intenso que o chileno, chegou com taninos mais sedosos. Sem dúvida, foi uma bela finalização!

SOBRE O PRODUTOR: A vinícola Barone Montalto foi fundada em 2000 em Santa Ninfa, na Sicília. Administrada atualmente por Marco Martini, a vinícola só tem crescido nos últimos anos, aliando pesquisa e experimentação à tradição da Sicília. Os vinhedos estão localizados em uma privilegiada região, com solo calcário e clima quente e seco, que extraem o melhor das uvas.


Enfim, gente, adorei o ambiente do bistrô da Gran Cru Niterói e pretendo retornar em breve. O Chef Anilton preparou tudo com muito capricho e o cardápio foi nota 10, graças às habilidades do Professor Célio Alzer em harmonizar vinho e comida. Sem dúvida, vale à pena conferir. Lugar intimista, aconchegante e ótimos vinhos, que podem ser consumidos no bistrô pelo preço de venda na loja.

E fiquem ligados, pois volta e meia acontecem esses jantares harmonizados por lá, que são verdadeiras Masterclasses, onde se aprende muito sobre vinhos.

Então é isso! Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

A Gran Cru fica na Rua Castilho França, 36 – Icaraí, Niterói.

La Vie en Rosé: Saiba Tudo Sobre os Rosados, com Direito a Dicas de Vinhos Para Curtir na Primavera

O que é o que é: não é tinto, mas tem tanino. Não é branco, mas esbanja acidez. Sim, é ele! O meu queridinho Rosé, que me encanta, sobretudo, por sua versatilidade e variedade de estilos. 

Com a chegada oficial da Primavera, os rosados se apresentam como ótimas opções, seja para acompanhar o happy hour e as festinhas à beira da piscina ou simplesmente para apreciar um belo pôr-do-sol à beira mar.

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Liberte-se do preconceito e se abra ao Rosé, que foi a bebida oficial do último verão na França, onde cujas vendas já ultrapassaram as do vinho branco! Sem falar que é o favorito de celebridades como Madonna, Sting e Drew Barrymore. Mas, se você pensa que se trata de uma moda recente, saiba que o Rosé faz parte do mundo do vinho há séculos.

DE ONDE VEM O VINHO ROSÉ

Se o vinho tinto é feito com uvas tintas e o branco com uvas brancas, do que é feito o rosado? Uma vez que as uvas rosadas não existem (com exceção da Zinfandel, mas aí é outra história), a melhor forma de se produzir um bom Rosé é através do contato do suco da uva (mosto) com as cascas. Afinal, são elas que contém as antocianinas, substâncias que transmitem cor à bebida. E quanto maior for o contato do mosto com as cascas, mais cor terá o vinho!

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Ou seja, a cor do Vinho Rosé se dá pelo contato do suco (mosto) com as cascas, visto que, sem elas, o resultado será simplesmente o de um vinho branco. E esse contato dura o tempo necessário para um vinho mais claro, casca de cebola, ou mais escuro, em tom de cereja. Pode durar de 1 a 6 horas, de acordo com a preferência do enólogo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Os vinhos mais claros sempre estiveram presentes ao longo da história do vinho. Evidentemente, o termo rosé não era empregado, mas o aspecto lembrava muito essas cores rosadas, alaranjadas e as várias tonalidades assumidas pelo rosé. Isso é mais ou menos intuitivo de conceber, pois em épocas remotas, a técnica de vinificação era rudimentar e pouco dominada. Portanto, as macerações eram relativamente curtas e os vinhos eram tomados normalmente jovens.

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Além disso, era muito comum fermentarem juntas, uvas brancas e tintas. Não havia o conceito de envelhecimento do vinho, sobretudo antes da existência da garrafa e da rolha. Este gosto antigo chamava esses vinhos como vinhos de prazer. Os vinhos de cores mais acentuadas, semelhantes ao que conhecemos hoje, eram denominados vinhos de alimentação, destinados aos trabalhadores braçais. Eram frutos de macerações longas, prensagens grosseiras, elaborados com pouco cuidado. Os termos usados para esses vinhos eram vin nourriture e vinum rubeum.

Na Idade Média, em vários quadros onde o vinho aparece, notamos uma cor que nos lembra os vinhos rosés. Na época, chamado de Vinum Clarum ou Claret. A foto abaixo ilustra este fato.

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4 RÓTULOS PARA DESCOBRIR OS ROSÉS

Agora que vocês já conhecem um pouco mais sobre os Rosados, que tal ir mais a fundo e degustar Rosés de países e estilos diferentes? Aqui eu indico 4 rótulos para começar a brincadeira:

  1. Rosé Francês:

    Falar de rosé no mundo é falar de França. E falar de França, é falar de Provence, seu grande vinho emblemático. 

L’Opale de la Presqu’Ile de St. Tropez é um vinho elegante, fresco e muito saboroso. O visual é de coloração casca de cebola, acobreado, é bem típico da região. Límpido e muito brilhante, possui aromas que lembram rosas, morango fresco, cereja e canela.

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2- Rosé Português:

Cor-de-rosa e refrescante, o estilo do Mateus, Rosé mais vendido em Portugal, conta com uma efervescência ligeira e extremamente versátil.

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Criado em 1942, o Mateus tem aquela garrafa linda e estilosa, cujo formato foi inicialmente inspirado nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. Era o preferido de Jimmy Hendrix e, até hoje, dizem que a Rainha Elizabeth II tem sempre uma garrafinha de Mateus em sua adega.

3- Rosé Argentino:

O estilo do Rosé Argentino, elaborado com a uva Malbec, costuma tender mais para a cor cereja. Em alguns casos chega a ser só um pouco mais claro que um tinto. O Crios, da Susana Balbo, na minha opinião, é o melhor em termos de cor, olfato e paladar. Possui nuances de frutas vermelhas e negras frescas, com notas florais. Ótimo Custo-benefício, da Importadora Cantu Wines.

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5 – Rosé Brasileiro:

Claro que eu não poderia deixar de sugerir um Rosé 100% nacional. Sou simplesmente APAIXONADA pelo Marie Gabi, da vinícola Routhier & Darricarrère, da Campanha gaúcha (RS). A cor dele é um casca de cebola bem clarinho, do tipo que fica macerando por, no máximo, 1 hora. Além do rótulo fofo, o Marie Gabi possui toques cítricos e herbáceos. No aroma, notas florais, de amêndoas e frutas vermelhas. Vale a pena!

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Então é isso, viníferos! Fico feliz em ver que mais e mais enófilos estão se rendendo ao néctar rosado, que ainda tem muito o que ser descoberto. Todos os rótulos listados acima foram provados e aprovados por mim e a maioria conta com um ótimo custo-benefício.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Vine Pair, Vinho Sem Segredo

Notas de Prova: Fácil de Beber, 1 Bottle of Red CS 2015 Harmoniza Com Amigos e um Bom Bate-Papo (BEST BUY)

Recebi uma amostra do 1 Bottle of Red, da Winebrands Brasil, e confesso: por se tratar de um chileno, demorei um pouquinho a degustá-lo. Afinal, eu tinha acabado de voltar do Chile e ainda teve a feira do Rio Wine and Food Festival… Ou seja, pensei, “Vou dar um tempinho nos chilenos e provar outras coisas”. Até que, numa sexta de friozinho, não resisti e coloquei a ampola  para jogo (esse lance de “ampola”, aprendi com meu amigo Fernando Lima. Muito chique).

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Sem dúvida, uma ótima companhia para a sua série favorita

Enfim, foi uma sábia decisão. Apesar de se tratar de um Cabernet Sauvignon, o 1 Bottle conta com taninos macios e muito agradáveis em boca. Sabe aquele vinho para beber acompanhado de petiscos, amigos e um bom bate-papo? É ele! Desce fácil, fácil e delicioso! Sem falar que o custo x benefício é ótimo (R$41,40) no site da marca.

Resultado: harmonizou perfeitamente bem com seleção de queijos, torradinhas e Outlander, minha série favorita. Curti mesmo! Porém, não espere por complexidade. É um vinho para beber sem compromisso, curtindo toda a expressão da Cabernet Sauvignon. 

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO

VISUAL: Rubi-escuro, com reflexos rubi-claro. Cor linda e ótima limpidez.

OLFATO: No nariz, frutas do bosque, com destaque para morangos silvestres e frutas negras, como ameixa e amora.

GUSTATIVO: De médio corpo e taninos sedosos, é um vinho muito agradável em boca, com ótima estrutura entre àlcool, acidez e taninos.

HARMONIZAÇÃO: É um bom parceiro para queijos, patês, massas e pratos à base de carne vermelha.

FICHA TÉCNICA

ONE BOTTLE OF RED CABERNET SAUVIGNON

  • TINTO | SAFRA 2015

  • TEOR ALCOÓLICO: 13% | SERVIR À TEMPERATURA DE 16o C |

  • VARIEDADES: 87,5% Cabernet Sauvignon e 12,5 Merlot

  • AMADURECIMENTO: Não passa por amadurecimento em madeira.

  • PAÍS: CHILE

 

  • REGIÃO: VINHEDOS DO CHILE

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Acredito que, por se tratar de um corte de Cabernet Sauvignon, com um toque de Merlot, senti que esta última foi essencial para domar os jovens taninos da CS. Sim, é um “Best Buy”, ótima compra, sobretudo em virtude do fator qualidade x preço.

E o fim de semana pós-feriado? Animados? Aliás, sexta é aquele dia em que a gente já acorda pensando no vinho da noite. Convoque os amigos e curta em ótima companhia!

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Wine Drinks: 3 Coquetéis Com Vinho do Porto para Alegrar sua Primavera

Aos poucos, o inverno sai de cena, dando lugar à estação das flores. Nessas horas, nada como arriscar drinks diferentes e mais alegres. E se você acha que o Vinho do Porto só funciona bem com queijos azuis e sobremesas, abra seus horizontes, pois os fortificados fazem bonito como ingrediente de coquetéis para lá de originais.

Caderninho em mãos, então, bora anotar as receitinhas para já ir praticando no fim de semana:

1 – PORTO ROYAL

Esse é o drink perfeito para degustar após um jantar memorável. Suas visitas vão amar!

Ingredientes:

  • 1 dose de Tequila Ouro ou Mezcal (outro destilado obtido do algave, só que mais difícil de encontrar por aqui).
  • 3/4 de dose de Vinho do Porto Tawny
  • 3/4 de dose de Meletti (licor italiano) ou Licor de Anis
  • Cereja para enfeitar

 

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Modo de Fazer:

  • Adicione todos os ingredientes (exceto a cereja) numa coqueteleira e preencher com gelo.
  • Agite e coloque em um copo próprio para coquetel gelado.
  • Decore com a cereja.

2 – VALENTINO’S DELIGHT 

Um drink luxuoso e complexo, que impressiona qualquer um:

Ingredientes:

  • 1 dose e 1/2 de Bourbon
  • 1 dose de Porto Ruby (quanto mais doce melhor)
  • 1 dose de licor de café
  • 1 dose e 1/2 de creme de leite
  • Noz-moscada moída a gosto

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Modo de Fazer:

  • Encha uma coqueteleira com gelo,  adicione os ingredientes líquidos e agite bem por 10 segundos.
  • Coloque a mistura num grande copo de martini gelado.
  • Polvilhe suavemente a noz-moscada no topo.

3 – PORTO TÔNICO

Esse eu já postei por aqui, mas já se tornou um clássico, que virou mania em terras lusitanas:

Ingredientes:

  • 1 dose e ½ de Vinho do Porto Branco Dry,
  • 3 doses de água tônica,
  • Rodelas de limão tahiti ou siciliano a gosto.

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Modo de Fazer:

  • Encha um copo com gelo.
  • Adicione o Vinho do Porto Branco e a Água Tônica.
  • Mexa cuidadosamente.
  • Jogue uma fatia de limão de sua preferência dentro do copo.

Enoamigos, eu adoro um friozinho, mas nada como curtir um drinkezinho de meia estação. Aguardem, pois ando virando essa internet de cabeça para baixo em busca de receitas diferentes para vocês.

Ainda dá tempo de comprar os ingredientes e fazer em casa, hein? Sábado à noite promete!

Até a próxima! Bons drinks! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: One Martini, New York Times, HGTV

 

 

(Notas de Prova) Arrogant Frog Tutti Frutti 2016: Divertido, Vegano e Descomplicado

Vocês pediram e cá estou eu com mais um post da série “Notas de Prova”. Desta vez, recebi uma amostra da Loja Divino Vinhos e tal, que fica no Centro do Rio, pertinho do burburinho da Lapa e da boemia carioca.

O ARROGANT FROG TUTTI FRUTTI 2016

O rótulo, francês, fez parte de uma das seleções de agosto do Clube de Vinhos da Divino Vinhos e Tal. É um esquema bem prático, através do qual o associado recebe rótulos em casa e tem a oportunidade de estar sempre degustando algo novo. São exemplares de qualidade, a maioria deles da Importadora Decanter, que, atualmente, é a maior do segmento no Brasil.

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Mas,  vamos falar do vinho…

O Arrogant Frog Tutti Frutti (Sapo Arrogante) possui um design bem descontraído, que tem tudo a ver com o estilo descomplicado da bebida, um corte de Cabernet Sauvignon (8%), Cabernet Franc (7%), Syrah (24%), Merlot, (25%) Grenache (28%) e Mourvèdre (8%). Essa mistura deu origem a uma bebida versátil, sobretudo no que diz respeito à harmonização. Aliás, o médio-corpo ajuda muito nesse sentido. 

Illus tutti frutti blanc

Com a linha Arrogant Frog, o enólogo Jean Paul Mas demonstra que, com criatividade e uma boa dose de bom humor, é possível desmisitificar a impressão esnobe que temos dos franceses. Afinal, são rótulos de ótimo custo-benefício, elaborados no sul da França, numa área de 20 hectares em Limoux Gran Cru (Languedoc), que chama a atenção pelo uso da agricultura sustentável, sem o uso de pesticidas e fertilizantes, o que faz de seus rótulos orgânicos e veganos, visto que nenhum produto de origem animal é empregado durante o processo de vinificação.  

VINHO VEGANO

 

Tenho vários amigos veganos que sempre me perguntam sobre vinhos. Sendo assim, após pesquisa encontrei um e-mail do próprio Domaine Jean Paul atestando que veganos podem consumi-los sem medo;

“Para os nossos vinhos brancos, apenas usamos bentonita, um produto natural para estabilização de proteínas e filtração de fluxo cruzado antes do engarrafamento. Em relação aos vinhos tintos, utilizamos apenas filtração de fluxo cruzado antes do engarrafamento. Nenhum produto animal é usado em nosso processo de produção de vinho. ” (Domaine Jean Paul Mas)

NOTAS DE PROVA

VISUAL: Vermelho-rubi intenso, com reflexos violáceos (bem límpido).

OLFATO: Frutinhas vermelhas, ameixa, alcaçuz, morango e especiarias.

GUSTATIVO: O frutado se confirma em boca. Possui médio corpo e muito equilíbrio entre álcool (13,5°) e taninos. Bom acabamento com notas de ameixa.

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HARMONIZAÇÃO: massas, carne vermelha, aves e queijos de massa mole. Por se tratar de um vinho não muito encorpado, acredito que possa ser servido um pouco mais gelado que o normal para um tinto, por volta de 14°C. 


Ultimamente tenho optado por vinhos mais naturais e gostado muito do que tenho provado. São exemplares com bem menos ou ausência de quimíca, sobretudo se comparados aos das vinícolas mais convencionais. Ou seja, a gente sente bastante o terroir na taça. Recomendo a iniciantes e iniciados como uma experiência superválida.

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A Divino Vinhos e tal é uma lojinha aconchegante, que fica na Av. Henrique Valadares, 17 – Loja 4, Centro do Rio de Janeiro.

Mais informações sobre os rótulos e Clube de Vinhos pelo telefone: (21)  2221-0514.

Então é isso, viníferos! Nos vemos em breve! Bons vinhos! Tim-Tim!

*Esse artigo expressa minha opinião sincera sobre o produto em questão.