Wine Tour Chile: Vinhos Que Expressam Um Terroir Único

Desde que decidi o roteiro das próximas férias tenho mergulhado de cabeça em pesquisas sobre o vinho chileno. Afinal, como boa enófila e estudiosa do assunto, quero chegar lá superafiada sobre a região. Por isso, quando se trata de elaborar os meus roteiros, nada como deixar tudo documentadinho aqui no Vila. Bom para mim e para vocês que estão prestes a embarcar nessa viagem comigo.

Vinícola-Santa-Rita-Chile

O MICRO-CLIMA CHILENO

Basta dar uma olhada geral em torno das regiões vinícolas nos arredores de Santiago para se ter uma ideia do que nos aguarda. O micro-clima chileno é muito determinante na expressão de seus vinhos. No Vale do Maipo, a 1 hora de distância da capital, temos, por exemplo, a imponente Concha Y Toro, cujas uvas evoluem facilmente para caldos frutados, satisfatórios e acessíveis.

viagem-204-123-ed-2
Vale do Maipo – Foto: Editora Abril

Lá, as varietais mais típicas são a Cabernet Sauvignon, Merlot e Carmenére, sendo esta última considerada a uva que mais representa o Chile mundo afora. Seus vinhedos foram plantados em 1500, o que faz da região a mais antiga do Novo Mundo quando se trata de produção vitivinícola.

Já o Vale de Casablanca, situado a oeste de Santiago, é mais conhecido pelo clima frio e produção de vinhos brancos. Nessa área, rótulos de Sauvignons Blancs gastronômicos e Chardonnays superelegantes dividem espaço com uma pequena porção de Pinot Noir que se estabeleceram como expressões mais típicas do local.

VALE DO LIMARÍ, COLCHAGUA E A AMPLITUDE TÉRMICA 

Fato que algumas das regiões chilenas mais interessantes estão entre as menos conhecidas, como é o caso do Vale do Limarí. Localizado a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago, esse Vale é hoje uma das mais promissoras regiões de todo o Chile quando o assunto são tintos profundos e, sobretudo, brancos muito especiais.

valedolimari
Vale do Limarí

O Vale do Limarí é, de certo forma, uma descoberta recente, visto que seus primeiros vinhos foram produzidos há 10, 12 anos e, desde então, muitas das grandes vinícolas chilenas têm “corrido” para aproveitar Limarí, que já é uma sensação quando se trata de vinhos finos. Essa região está bem perto do pacífico em linha reta, mas ainda não é a área mais ao norte do país. Afinal, o Chile é o mais longo do mundo, com extensão de 4.270 quilômetros, sendo que destes, 1.500 correspondem à plantação de vinhas vitiviníferas que vão dos Vales de Elqui e Limarí (ao norte) ao Vale de Malleco (ao sul).

Nessa região temos um dos céus mais claros do mundo para estudos de estrelas, constelações, planetas, entre outros aparatos astronômicos. Possui, ainda, a tradição em reunir curiosos que garantem ser o melhor local do mundo para ver, olhar e sentir os OVNIs (objetos voadores não-identificados).

A Chardonnay é a rainha desse Vale e devido à sua proximidade com o Equador, sobretudo do deserto mais seco do mundo, o Atacama, o Vale do Limarí é surpreendentemente quente e relativamente seco. As duas regiões mais ao norte, Atacama e Coquimbo, por sua vez, se especializaram na produção de pisco, uma das bebidas mais emblemáticas do país.

Quando se dirige ao extremo sul, a região mais conhecida é o Valle do Colchagua. Por estar mais distante da costa, é uma área de clima bem mais quente, produzindo alguns dos principais varietais tintos do Chile. Entre os melhores estão os das castas Cabernet Sauvignon, Carmenère e Syrah, assim como alguns dos melhores Malbecs da América do Sul, capazes de competir com os argentinos do outro lado dos Andes. Trata-se do lar de muitos dos produtores mais notórios do país, incluindo a Casa Lapostolle, Cono Sur, Montes Wines, Mont Gras e Viu Manet, este último dando origem a vinhos de alta qualidade e ótima acessibilidade.

colcHAGUAVALLE
Vale do Colchagua – Foto: Estadão

Enfim, grande parte da cena do vinho chileno evoluiu por conta da demanda internacional. Por exemplo, a Carmenère já foi uma das uvas cultivadas em Bordeaux e quis o destino que hoje em dia fosse a varietal mais representativas do Chile.

Entretanto, de acordo com dados do app Vivino, a Carmenère representa, por exemplo, apenas 17% do vinho chileno consumido nos EUA, talvez devido a uma grande demanda mundial por Cabernet Sauvignon. Porém, acredito que o mesmo não deve ocorrer aqui no Brasil, onde os chilenos chegam com preços bem acessíveis e incentivos maiores do que os do nosso próprio néctar nacional.

Em meio às minhas pesquisas, já descobri que algumas das regiões mais conhecidas do país são facilmente acessíveis a partir da cidade de Santiago, sendo que a maioria abriga uma grande variedade de uvas tintas e brancas destinadas a varietais e assemblages únicas. Entre elas estão o Vale do Colchagua, Vale Central e Vale do Maipo. Ou seja, tem lugar de sobra para provar e descobrir inúmeros rótulos maravilhosos, tudo numa paisagem única. Mal posso esperar!!

Então é isso, enoamigos! Até a próxima com mais curiosidades sobre o Chile. Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências: People Power, Vivino 

 

Anúncios

Colheita da Uva: Conheça 17 Festas da Vindima Ao Redor do Mundo

A Vindima é motivo de festa para produtores, colonos, enófilos e sommeliers. Afinal, trata-se do sucesso de mais uma safra que merece ser muito celebrada. Outro dia mesmo estava assistindo ao documentário “Um ano Na Borgonha” e acompanhava os temores dos viticultores pela saúde de suas uvas. O clima, as pragas, enfim, tudo isso é capaz de tirar o sono de muitos deles. Portanto, quando as angústias vão embora a gente tem mais é que comemorar mesmo.

especiales-vendimia03

E é assim em praticamente todas as regiões do mundo onde uvas são produzidas. Há festas imperdíveis e gente que aguarda o ano todo por elas. Dá só uma olhada:

Mendoza (Argentina) – Fiesta Nacional de la Vendimia

Esta celebração tão importante para os argentinos representa o trabalho, esforço, dedicação e paixão de todos os que estão envolvidos com o mundo do vinho.

A primeira festa foi realizada em 1936 e, desde então, acontecia todos os anos, até 1955, visto que em 56 não houve celebração devido a problemas econômicos e a revolução que sacudiu o povo porteño. Depois, continuou em 57 e 58 o que, em 1959 foi denominada “Festa do Vinho”. Em seguida, comemorou-se a Vindima de 1960 a 84. Em 85, novamente a celebração foi cancelada em virtude do terremoto em Mendoza. Ainda bem que de 1986 até hoje a festa é realizada todos  os anos, sem interrupções.

fiesta-vendimia

A Fiesta Nacional de La Vendimia de Mendoza conta com 4 eventos principais: a “Benção dos Frutos”, o “Caminho Branco das Rainhas”, “Carrossel” e o”Ato Central”, sendo esse último o mais representativo e atrativo em nível nacional e internacional, celebrado no teatro grego (anfiteatro) Frank Romero Day, que tem a estrutura redesenhada ano após ano e no qual participam mais de mil bailarinos em seu cenário, além de atores locais, reunindo espetáculos artísticos de luz e sons.

Em 2011, a renomada revista National Geographic elegeu a Fiesta de La Vendimia de Mendoza como a segunda manifestação cultural mais importante do mundo, atrás apenas do “Dia de Ação de Graças”, nos EUA. Além disso, é considerado por seus desfiles, tanto o “Caminho Branco” quanto o “Carrossel”, um dos cinco festivais populares mais importantes do mundo, ao lado do Carnaval no Rio de Janeiro.

Curió (Chile): Fiesta de La Vendimia

A primeira edição da Fiesta de La Vendimia de Curió, no Chile, foi projetada pelo enólogo espanhol Miguel Torres e, sem dúvida, foi a festa que abriu caminho para as mais de 20 celebrações realizadas em todo o país, entre as quais se destacam as do Vale d0 Coalchagua, Vale de Santa Cruz, Vale do Copiapó, entre outras.

vendimia-chile

A maioria desses festivais acontecem entre os meses de março e abril, já na fase final da colheita. Entre os destaques estão a eleição da Rainha da Vindima, acompanhada de um show que mistura o folclore local com a música contemporânea, bem como outros eventos tradicionais, como a eleição da madrinha da festa, leilão, pesagem de garrafas de vinho e concurso de “pisadores de uvas”.

reina-chile
Eleição da Rainha da Vindima no Chile

Uruguai: Festival de La Vendimia

Há 2 anos se realiza o Festival de La Vendimia do Uruguai, sempre no primeiro fim de semana de março. A diferença de outras festividades populares é que nesta só participam as vinícolas associadas à Rota do Vinho e as atividades acontecem simultaneamente nos estabelecimentos pertencentes a esse grupo.

vendimia2013-ppal1

Porém, alguns dos atrativos mais importantes são as diversas opções de culinária e vinhos, assim como a possibilidade de participar da colheita e pisa das uvas em cada uma das vinícolas associadas.

Perú (Ica): Festival Internacional de La Vendimia

Há 48 anos se celebra esta festa dedicada ao vinho na cidade peruana de Ica. O evento dura aproximadamente 7 dias e acontece durante a primeira semana de março de cada ano.

fivi2016

Entre as atrações, destaque para a pisa comunitária da uva pelos moradores da cidade que marca o início da festividade. Em Ica, também é eleita uma “Rainha da Colheita”, coroada no final do evento. Além disso, também são realizadas diversas degustações e shows artísticos variados que acontecem durante toda a semana de celebração.

vendimia-peru-reinas

França (Paris): Fête des Vendanges de Montmartre

Há 75 anos, durante a primeira semana de outubro é realizada essa festividade em Montmartre, bairro de Paris. Mas aí você deve estar se perguntando: Por que em Paris? Por que em Montmartre, quando existem tantas regiões vinícolas fabulosas na França?  Pois é, amigos, tudo isso é simplesmente porque Montmartre possui o vinhedo mais antigo e conhecido da França, que data do século XVI.

timthumb

Entre as atrações mais importantes destaca-se um desfile em honra ao deus Baco, encabeçado pelos “Petit Poulbots” (crianças do bairro), tocando diversos tipos de tambores. O desfile acontece pelas ruas da colina de Montmartre e termina na praça principal com um show de fogos de artifício.

vendimia-francia

França (Borgonha): Les Trois Glorieuses

Trata-se de uma das festividades mais antigas da França relacionada ao vinho. Iniciada em 1859, acontece todos os anos durante o mês de novembro e dura três dias.

fiesta-francia-borgoc3b1a

A atração mais importante acontece no final da festa e se trata de um leilão de vinhos jovens apresentados durante o evento, conhecido mundialmente como o leilão “Hospices de Beaune”, um dos hospitais mais antigos da França e que pratica obras de caridade desde 1443.

Canadá (Ontario): Niagara Wine Festivals

O Canadá possui um forte mercado vitivinícola e, obviamente, também tem a sua festa oficial. O cenário é a cidade de Ontario, onde são realizados 3 festivais: o Niagara Wine Festival, Niagara Icewine Festival e Niagara New Vintage.

nif

O Niagara Wine Festival é celebrado em setembro. Já o Niagara Icewine Festival acontece em final de janeiro e princípio de fevereiro, coincidindo com a colheita da uva para a preparação do famoso Ice Wine (Vinho de Gelo), que deve estar a cerca de -8ºC. Por último, o Niagara New Vintage Festival rola em junho, época da elaboração da safra do ano.

39574660823737990740-0287493001466519771

Alemanha (Bernkastel-Kues): Weinfest der Mittelmosel

O Weinfest der Mittelmosel é celebrado na cidade de Bernkastel-Kues, na Alemanha, de 30 de agosto a 3 de setembro e marca o início da temporada da colheita na região, sendo a festa vinícola mais importante do sul do país.

alemania-3

Aqui, a eleição da “Rainha do Vinho” também tem muita representatividade. A partir de 1949 cada região vinícola coroa a sua própria soberana e todas competem ao título nacional (é praticamente um “Miss Alemanha do Vinho”). Cada candidata passa por uma série de avaliações, entre elas, como diferenciar claramente o aroma e sabor de cada uva, seja de vinho tinto ou branco. Ou seja, não basta ser linda. A vencedora ainda tem que comprovar seus conhecimentos viníferos frente às câmeras de TV.

alemania-2
Na Alemanha, a coroação da “Rainha do Vinho” é um acontecimento seguido com atenção por todo o sul do país. 

Itália (Asti): Vino Douja d’Or

Essa festa acontece há 47 anos em meados de setembro na cidade de Asti, na região italiana do Piemonte. Aqui o destaque fica por conta de um concurso entre os produtores da cidade, que é uma das mais importantes áreas vinícolas da Itália. A celebração termina com uma corrida de cavalos.

 

vendimia-italia

Espanha (Valencia): Fiesta de La Vendimia  de Requena

De 20 a 31 de agosto se celebra em Requena (Valencia) a “Feria y Festa de La Vendimia” (Feira e Festa da Colheita). A antiga feira, de origem medieval, a partir de 1947 se associou à festa da colheita.

vendimia-requena

A festividade é uma das mais antigas da península ibérica e comemora a produção da uva e do vinho, dois dos principais produtos agrícolas da cidade. A feira, por sua vez, é dedicada à padroeira do lugar, Nossa Senhora das Dores. O evento conta com barraquinhas e atrações organizadas pelos feirantes na principal avenida, a Arrabal.

vendimia-requena-2

Entre as atrações mais populares da festa estão a “Noche de La Zurra”, durante a qual as pessoas percorrem as ruas com odres (antigo recipiente feito de pele de animal, usado para o transporte de líquidos) pedindo por água, que são fornecidas por meio de baldes e mangueiras.

vendimia-requena-3

Há, ainda, a eleição da “Rainha da Colheita”, oferenda de flores e frutas à padroeira da cidade, além da “Feira do Vinho” (FEREVIN) e do Desfile da Vindima, que vai da Prefeitura até o Monumento Universal da Colheita, onde ocorre a pisa da uva, bem como a benção do primeiro mosto. Lá, as fontes de vinho (feitas de madeira e papelão) são abertas e podem ser desfrutadas pelos visitantes até o último dia de festa.

Espanha (Barcelona): Festa de la Verema a Alella

Como sabemos, os catalães buscam ser independentes da Espanha e uma das maneiras de expressar esse sentimento é organizando essa celebração. Na”Festa de La Verema e Alella” o que mais se destaca é o concurso de pisadores de uvas, assim como a eleição da “Pubilla”, quantidade de uvas que é pesada em público e convertida em garrafas de vinho.

barcelona-1
Todo ano a festa acontece em uma cidade diferente da Catalunya. 

barcelona-2

Portugal (Santarpém): Vindouro, Festa Do Vinho do Douro

Em Santarpém está localizada a cidade de Cartaxi, que tem como atração a Festa do Vinho do Douro (Vindouro), que acontecem entre os últimos dias de Abril e os primeiros de Maio. Durante os 4 dias de evento, destacam-se todos as atividades relacionadas ao mundo do vinho, entre elas a reprodução de um mercado do século XVIII.

vindouro

Chipre (Limasol): Festa do Vinho de Chipre

A festa acontece desde 1961, na primeira semana de setembro, no Jardim Municipal de Limasol, na Ilha grega de Chipre. Assim como as demais festas da colheita ao redor do mundo, essa também se destaca por suas atividades culturais e gastronômicas, típicas da região.

festival-vina-prodolzhaet-budorazhit-kipr

Destaque para a feira organizada à noite, onde os visitantes podem degustar todos os vinhos do evento de forma gratuita.

Luxemburgo (Grevenmache): 59E Fête Du Raisin Et Du Vi

Está aí outra festividade que não abre mão de eleger uma “Rainha da Colheita” para representar sua cultura vitivinícola. A festa da colheita de Luxemburgo acontece durante três dias no mês de setembro, dando grande destaque às suas castas mais emblemáticas: Riesling e Pinot Noir.

CORTEGE DE LA FETE DU VIN 2016

República Checa (Mikulov): Festa da Colheita de Parava

A República Checa dispõe de 19.000 hectares dedicados ao cultivo de uvas destinadas ao nosso néctar, com destaque para as varietais Cabernet Moravia ou André, em tintos, e a Moscatel Moravo nos rótulos brancos.

vendimia-checa

A Festa da Colheita de Parava acontece anualmente entre 9 e 12 de setembro, na localidade de Mikulov. Entre as principais atrações estão as bandas de música locais e, sobretudo, seu vinho jovem chamado “Bureák”.

vendimia-checa-2

Além dessa festividade, no final de setembro é realizada uma celebração histórica do vinho com a reprodução da corte do Imperador e Rei checo Carlos IV. Tudo acontece através de uma representação medieval, que inclui degustações e apresentações dos vinhos que mais se destacaram no ano.

Suíça: Festa da Colheita de Neuchâtel

Na Suíça, a cultura do vinho remonta o século X e justamente por isso é que o país dá uma grande importância à bebida. A celebração dura três dias e vai das primeiras horas da manhã até tarde da noite.

vendimia-suiza

Nos primeiros dias acontecem diversos recitais de música e atividades para as crianças. Além disso, são realizados diversos desfiles de bandas e o gran finale fica por conta de uma grande cerimônia, com carros alegóricos decorados com flores e luzes. Trata-se de um tradição que vem desde o século XIX, quando os viticultores passavam com seus veículos carregados de utensílios que indicavam que a Vindima estava prestes a começar.

vendimia-suiza-2

México (Querétaro): Fiesta de la Vendimia

Há 37 anos a festa do vinho no México ocorre durante dois dias de meados de julho. A celebração é organizada pela “Viñedos La Redonda”, que convida os visitantes a degustar seus vinhos e participar da tradicional pisa da uva.

vendimia-mexico


Espero que tenham gostado e que se empolguem a participar de uma dessas festas que são verdadeiras celebrações ao néctar de Baco. E, sim, planejo ir em uma delas em breve. A de Mendoza parece ser um ótimo custo x benefício, visto que, definitivamente, está entre as melhores do mundo.

Afinal, quem não gosta de vinho e diversão, não é mesmo?

E você, caro enófilo de plantão, já participou de um evento desses, nem que seja de uma pisa da uva? Como foi? Conta para mim!

Boa quarta! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wikipedia, Big Wine Theory

 

 

 

 

Wine Tour: Conheça as 10 Capitais Mais Famosas do Mundo do Vinho

Amigos viníferos, apertem os cintos! Hoje vamos dar um giro por alguns dos lugares mais encantadores do planeta no que diz respeito ao nosso néctar dos deuses. Alguns, com certeza você já deve ter ouvido falar e acredito que estejam na sua lista de futuros roteiros.

Antes de tudo, vamos falar de vinho. Simplesmente trata-se de uma das bebidas mais emblemáticas ao longo da história. Segundo registros, é possível que o nosso néctar tenha mais de 6.000 anos de idade. Porém, o fermentado não é o mesmo em todo o mundo. Há regiões com características ideais para se obter um ótimo resultado no produto final.

E, para que tudo isso fosse valorizado, em 1999 foi criada a comissão das Grandes Capitais do Vinho (Great Wine Capitals), que tem o objetivo de potencializar a vitivinicultura nas principais regiões do mundo, dando destaque à cultura e ao turismo de cada cidade.

Atualmente, esse grupo conta com 10 capitais:

Bordeaux (França): trata-se de um dos lugares mais emblemáticos quando se fala de vinho, sendo que  seu governo foi fundamental na criação da Great Wine Capitals. O enoturismo da região nunca esteve tão em alta, sobretudo após a inauguração de um museu inteiramente dedicado à cultura de Baco, o Cité Du Vin

main_laciteduvin

Cidade do Cabo (África do Sul): é a porta de entrada para a região vinícola do Paísadquiriu grande importância ao longo dos séculos. Ultimamente, tem se destacado pelas rotas turísticas, que atraem milhares de enófilos ao redor do mundo. Suas principais regiões de vinhedos são Stellenbosch, Constantia e Franschhoek.

cidade-do-cabo

Christchurch – Ilha Sul (Nova Zelândia): a combinação de suas paisagens com a viticultura faz desta capital uma das mais belas e pitorescas dessa lista.

ilha-sul_novazelandia

Logroño – Rioja (Espanha): com tradição vinícola de mais de mil anos, a cidade foi uma das primeiras a introduzir a enologia moderna e vem aplicando muitas de suas técnicas desde o século IX.

vinedosrioja

Mainz Rheinhessen (Alemanha): a cidade foi fundada pelos romanos, responsáveis pelo cultivo de seus primeiros vinhedos. Um lugar com mais de 2.000 anos de história e cultura riquíssimas.

alemanha_vinhedos

Mendoza (Argentina): com o clima ideal para o cultivo da Malbec, sua casta mais emblemática, a região foi uma das últimas capitais mundiais do vinho, tendo sido nomeada em 2005. O enoturismo está bombando e a cidade  tem recebido muitos visitantes, sobretudo nós, brasileiros.

mendoza

Florencia (Itália): no mês de Maio, a cidade costuma receber milhares de visitantes, que se enveredam por suas cantinas e vinícolas para degustar ótimos vinhos toscanos. Nesta época, é possível visitar empresas que produzem alguns dos fermentados mais famosos do mundo. Sem falar nas paisagens encantadoras… Lindo de viver!

florenca

Porto (Portugal): é simplesmente a casa do Vinho do Porto, um dos mais míticos do mundo. Esse néctar fortificado está presente em Vila Nova de Gaia, com suas dezenas de caves famosas, como Taylors, Sandeman e Real Cia Velha. Para completar, a cidade ainda está localizada na região do Douro, uma das mais belas de Portugal. Vale a visita!

quinta_dos_frades_cima_corgo

San Francisco – Napa Valley (EUA): foi a primeira região do mundo a abrir-se ao enoturismo, no final do ano de 1.800, com destaque para o trabalho em conjunto com a gastronomia. Após uma queda (com a Lei Seca) e ressurgimento (em 1976 alguns de seus rótulos desbancaram famosos franceses no Julgamento de Paris), Napa Valley passou a fazer parte dos sonhos de milhares de apreciadores de vinhos ao redor do mundo.

usa_cali_napa_valley_sign

Valparaíso – Vale de Casablanca (Chile): possui um dos climas mais frios entre os vales chilenos, o que ajuda na qualidade de sua matéria-prima. O maior cultivo é o da uva Chardonnay, com 2.269 hectares, seguida de Sauvignon Blanc, com 1.950 hectares.

chile

Espero que tenham curtido esse nosso rápido giro pelas capitais do vinho. Animados com o fim de semana? Aqui no Rio o calor deu lugar a um tempinho gostoso e mais fresquinho. Vontade de abrir um tinto hoje. Afinal, para mim, é um dia de celebração. Porém, como eu sempre digo por aqui, comemoração é para todo dia.

Ah, e em breve mais um Wine Drink, hein? Aguardem!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Big Wine Theory

Conheça 7 dos Mais Incríveis Hotéis Temáticos do Mundo do Vinho

Me empolguei demais para escrever esse artigo, sobretudo porque o mesmo reúne duas de minhas grandes paixões: vinhos e viagens. Aliás, vivo dizendo que “quem não gosta de viajar, bom sujeito não é”. Afinal, além do lazer propriamente dito (passeios, restaurantes, museus etc.), ainda rola a oportunidade de conhecer uma cultura diferente da nossa, seja nos hábitos do povo ou até mesmo nas paisagens do lugar (talvez seja por isso que curto mais as montanhas, muito frio e neve. Ou seja, totalmente diferente do sol e das praias que tenho por aqui). 

VIAGEM E VINHOS 

Agora, vamos aos vinhos… Mais um prazer em meio às delícias do passeio, pois assim como curto lugares diferentes, também me amarro em desfrutar dos vinhos produzidos na própria região que estou visitando. E quando até a hospedagem tem tudo a ver com vinhos? Aí, amigos, é só correr para o abraço e aproveitar cada momento.

Sendo assim, hoje trago para vocês alguns dos hotéis temáticos mais bacanas do mundo de Baco. Confira e planeje sua próxima viagem:

THE ELLERMAN HOUSE – CAPE TOWN, ÁFRICA DO SUL

ellerman2

O fato deste hotel dispor de cerca de 7.500 garrafas dos melhores rótulos sul-africanos não o torna, necessariamente, um hotel temático de vinhos. Porém, ele também possui uma incrível adega de carbono, em formato de saca-rolhas, que reúne toda a coleção de vinhos do lugar. Uma bela galeria! Sem falar que fica próximo de todas as vinícolas.

Ou seja, o paraíso para qualquer viajante em busca de um superdestino enoturístico. E, durante essa jornada, hospedar-se num Hotel Boutique com apenas 11 quartos não é nada mau. Já quero!

PRAKTIK VINOTECA – BARCELONA, ESPANHA

spain2

“In Wine We Trust” (Nós Confiamos no Vinho). Sim, foi essa a frase com a qual me deparei logo de cara, no banner do site do hotel. É para empolgar qualquer enófilo viajante! Já dá vontade de fazer as malas na mesma hora, até porque amo Barcelona! Para começar, logo que você faz o check in já te entregam uma tacinha.

Fora isso, acredito que as 900 garrafas presentes no lobby e a decoração dos quartos também sejam capazes de impressionar qualquer amante de Baco. O hotel ainda possui ótima localização, pertinho de tudo. Salute!

GRAPE HOTEL – WROCLAW, POLÔNIA 

mg_8391-1024x683

Um Hotel que faz jus ao nome, com quartos que homenageiam nossos vinhos e regiões favoritas, como Napa, Pinot Noir, Douro, Rioja, Chianti etc. E, sim, existe um apartamento “Champagne” que é luxo puro! Apesar do charme vintage, o ambiente possui toques de modernidade, sobretudo com relação ao seu menu de degustação de vinhos, elaborado especialmente para os apaixonados pelo néctar dos deuses.

VINEYARD HOTEL – CAPE TOWN, ÁFRICA DO SUL

vineyard-hotel-fountain

Logo que entrei no site já perdi o fôlego com a paisagem dos arredores do hotel. São belas muralhas de montanhas! Me encantei totalmente! Então… o Vineyard é tão chique que tem sua própria vinha (entendeu o porquê do nome?). E, apesar de seus 2 séculos de idade (o lugar data de 1799), trata-se de um hotel de luxo, com infraestrutura supermoderna e acolhedora. E, sim, há abundância de vinho regional, para alegria dos hóspedes apreciadores.

LA GRANDE MAISON DE BERNARD MAGREZ, BORDEAUX, FRANÇA

la-grande-maison2

Um dos mais luxuosos da lista, o La Grande Maison é uma mistura de Hotel e Mansão, com 6 quartos temáticos dentro da proposta do vinho (em Bordeaux não poderíamos esperar menos que isso). Ah, e o restaurante, comandado pelo lendário chef Pierre Gagnaire, conta com 2 estrelas Michelin no currículo.

Não bastasse tudo isso, o Hotel ainda fica bem pertinho da Disneylândia do Vinho, o recém-inaugurado  Cité du Vin, um complexo com museu, auditório, restaurantes e mais uma dezena de atividades para os amantes do vinho. Além do Hotel, Bernard Magrez também é proprietário de 4 Gran Crus da região. Um verdadeiro paraíso na terra!

THE YEATMAN HOTEL, PORTO, PORTUGAL 

yeatman2

Esse hotel é o meu sonho! O Yeatman se auto intitula um “Hotel do Vinho” e conta com a maior cave de vinhos portugueses do mundo, sendo que sua carta foi eleita uma das melhores do planeta pela revista The Word Of Fine Wine. O lugar possui parcerias com alguns dos melhores produtores de vinhos lusitanos, que participam ativamente de provas, seminários e jantares harmonizados.

E tem mais: os quartos e suítes são patrocinados por esses parceiros e contam com uma decoração totalmente voltada para o vinho, como fotografias e objetos que remetem à história do fermentado português. Uma proposta única, capaz de deixar qualquer um de boca aberta, a começar pela vista espetacular para o Rio Douro.

HOTEL & SPA DO VINHO, BENTO GONÇALVES, BRASIL

hotel_-e_spa_do_vinho

Óbvio que o Brasil tinha que estar nessa listinha! O SPA DO VINHO (que também é um condomínio vitivinícola) fica no coração de Bento Gonçalves (RS), em meio a uma paisagem estonteante. Trata-se de um super resort que abriga o que há de melhor em hospedagem, gastronomia, spa, lazer e enoturismo.

O complexo conta, ainda, com o primeiro centro brasileiro de tratamentos vinoterápicos, que utiliza todo o potencial rejuvenescedor da uva do Vale dos Vinhedos. O lugar é tão chique, que todos os tratamentos de beleza e produtos oferecidos são patenteados pelo renomado spa e laboratório francês Caudalie. Puro Luxo!


Então, gente. Amei escrever esse artigo, pois simplesmente adoro criar roteiros. E, em se tratando de vinhos, são tantos lugares maravilhosos para visitar e curtir que eu chego a ficar confusa. E você? Já se hospedou em um “Hotel de Vinho”? Conta para mim a experiência.

Ótima quarta e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Viagem na Taça: O Exuberante Vale do Loire

Para alegria dos enófilos de plantão, hoje publicamos mais um post da série Viagem na Taça. Desta vez, vamos direto para um das mais belas regiões francesas, o Vale do Loire. Encha sua taça e prepare-se para zarpar em busca desses vinhos maravilhosos.

reg_fr13_m

ONDE FICA ESSE VALE?

O Vale do Loire é uma região vinícola localizada ao longo do rio de mesmo nome que é, sem dúvida, o maior da França, visto que ele se estende da costa oeste do Atlântico até o centro do país. E justamente por se tratar de uma área tão grande, o Loire dispõe de diversos estilos de vinhos, elaborados com uvas das mais variadas.

HISTÓRIA DO LOIRE

Ao longo dos séculos, a região se tornou famosa por abrigar as residências de muitos reis da França, que construíram castelos que hoje em dua vivem repletos de turistas, como os Château de Chambord e Château de Cheverny.

chambord-1387662_640
Château de Chambord, Vale do Loire

COMO É O TERROIR DA REGIÃO?

Os solos são dos mais diversificados. Ao longo de todo o rio, é possível encontrar granito, cascalho, argila e pedra calcária tuffeau, que fora usada na construção dos castelos locais, datados da época da Renascença.

O clima é oceânico, junto à costa, se transformando em continental ao passo que nos aproximamos do interior.

Por se tratar de uma região vitivinícola, o Vale do Loire é dividido em quatro áreas, de oeste a leste:

  • Pays Nantais, pela costa atlântica, ao redor da cidade de Nantes ;
  • Anjou, localizada um pouco acima do rio, em torno da cidade de Angers;
  • Touraine, próxima à cidade de Tours, ao sul de Paris;
  • Haute- Loire, situado onde o rio se aproxima de sua origem, nas regiões montanhosas do centro da França.

10080665123_77ca100dd5

QUAIS AS VARIEDADE DE UVAS DA REGIÃO?

Chenin Blanc é, sem dúvida, o símbolo das uvas do Loire, sendo difícil de ser cultivada em outras regiões, com exceção da África do Sul.  É uma cepa branca e delicada, que serve de base para diversos estilos de vinhos locais, incluindo brancos, secos e doces botritizados. De vez em quando ainda aparece em assemblage (mistura) com a Chardonnay.

Cabernet Franc, originária de Bordeaux, mas desde o século XVII encontrou no Loire sua segunda casa. Geralmente é utilizada em um único vinho varietal, diferente de sua região de origem, onde é misturada com outras castas. No Loire, a Cabernet Franc produz tintos famosos, como Chinon e Bourgueil, além de Rosés, como Cabernet D’Anjou, e espumantes rosados, como o Saumur.

15455081231_b4b18e245c

Os vinhos brancos da região costeira de Muscadet, perfeitos para acompanhar frutos do mar, são feitos com a uva Melon de Bourgone.

Grolleau, uma uva raramente mencionada quando se fala em Vale do Loire, porém, muito importante na elaboração de diversos rosés locais.

Em áreas de Haute-Loire, como Sancerre, as uvas Sauvignon Blanc e Pinot Noir fazem parte de vinhos famosos do Loire. O Sancerre (Sauvignon Blanc), por exemplo, fica divino com queijo de cabra, um verdadeiro clássico da harmonização.

ESTILOS DE VINHOS 

Poucas regiões europeias podem se orgulhar em produzir vinhos tão variados quanto o Vale do Loire.

  • Os brancos secos estão por toda a parte, ao longo do Rio Loire. Entre os mais emblemáticos estão os de Muscadet, Saumur, Vouvray, Sancerre e Pouilly Fumé.
  • Os vinhos brancos adocicados do Loire não são tão mundialmente famosos, mas produzem alguns dos melhores botritizados do planeta, nas denominações Coteaux do Layon, Savenniéres, além de Moutlouis.
  • Os rosés são produzidos em larga escala, muitas vezes sob as denominações regiões Rosé de Loire ou Rosé D’ Anjou.
  • Quanto aos tintos, os mais interessantes são os Cabernet Franc de Saumur, Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas de Bourgueil, além dos Pinot Noir de Sancerre.
  • Há vinhos espumantes de diversos estilos, produzidos em áreas demarcadas, como Saumur, Vouvray e Crémant de Loire.

large-raffault-les-picasses-2011

VINHOS DO LOIRE QUE VOCÊ TEM QUE PROVAR

  • Didier Dagueneau Poully-Fumé Silex, Sauvignon Blanc
  • Domanie Olga Raffault Les Picasses Chinon, Cabernet Franc
  • Nicolas Joly Clos de la Coulée de Serrant Savennieres, Chenin Blanc Doce
  • Domaine Vacheron Sancerre Belle Dame Rouge, Pinot Noir
  • Champalou Vouvray, Espumante Branco

E aí? Curtiram o Viagem na Taça desta semana? Então, que tal descobrir outras maravilhosas regiões, entre elas Alsácia, Bordeaux, Borgonha e Champagne? São lugares que, além de lindos, produzem vinhos da melhor qualidade e que têm muito a nos ensinar.

Ótima semana! Bons vinhos! Tim-Tim!

Serra Catarinense: Casa do Vinho, em São Joaquim

Na Serra Catarinense, a Casa do Vinho é um dos programas obrigatórios para os amantes do néctar de Baco. Trata-se de uma loja muito bacana, com exemplares importados e nacionais, entre eles os vinhos de altitude de Santa da Catarina. É uma ótima opção para quem quer se abastecer com os produtos locais, visto que a maioria possui preços mais em conta que nas próprias vinícolas.

1937162_1650992205155174_310247365460192225_n

VENDEDORES ATENCIOSOS E DEGUSTAÇÃO NO LOCAL

Assim como em outras lojas, os vendedores são especialistas em vinhos, sobretudo quando se trata dos fermentados da região. Mas o grande diferencial, sem dúvida, é a degustação dos rótulos. É de praxe oferecerem provas dos mais famosos, como o Rosé da Villa Francioni e o Sauvignon Blanc da Quinta da Neve, sempre com orientações instrutivas para que o cliente tire o máximo de proveito da degustação.

SALA DE DEGUSTAÇÃO PARA EVENTOS

Quem me conhece sabe o quanto sou curiosa e mais ainda quando diz respeito à minha bebida favorita. Enquanto experimentava alguns vinhos, vi uma grande sala, com várias mesas compridas, sendo que cada lugar tinha uma “pia com torneira”. Perguntei ao funcionário da loja o que era aquilo, posto que o mesmo me explicou se tratar de uma sala de degustação para eventos e palestras. Muito bacana a estrutura, apesar do caráter meio estranho dos lavatórios. É para que cada participante lave sua própria taça após a degustação de cada vinho. Então, tá, né? (rs).

11954630_1620281898226205_2829360394398008820_n

O lugar dispõe, ainda, de diversos outros produtos, como acessórios e caixas para presente. Além disso, é possível comprar pelo site da Casa do Vinho, que entrega para todo o Brasil.

A Casa do Vinho fica na Rua Ismael Nunes, 07, Centro, São Joaquim (SC).

Bom domingo! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Wine Tour: Visitação à Vinícola Villa Francioni, em Santa Catarina

Enfim, estou de volta após merecidas férias. E, como antecipei aqui para vocês, passei pela bela Serra Catarinense. O lugar é encantador, bucólico e cercado pela natureza. Sem falar no friozinho delicioso, capaz de deixar qualquer programação ainda mais aconchegante.

villa francioni
Entrada da Villa Francioni

Como fui com marido e filha de 2 anos, infelizmente não pude rodar por todas as vinícolas. Afinal, tinha que pensar em passeios para eles também. Porém, a Villa Francioni, desde o início, estava nos meus planos como visita obrigatória. E, sim, agradou toda a família!

RESERVE COM ANTECEDÊNCIA

Vale a pena agendar a visita o quanto antes, no Site da Vinícola. Sobretudo em períodos de alta temporada, os horários costumam estar lotados. Fomos numa segunda-feira, às 11h da manhã e confesso que o movimento me surpreendeu. Chegamos em cima da hora, pois nos hospedamos em Bom Jardim da Serra, que fica a 40 minutos de São Joaquim. O lugar não é difícil de encontrar, aliás, as vinícolas são bem próximas, sendo que a Villa Francioni é a primeira delas, localizada do lado direito da rodovia SC 114.

vinhedos
Vinhedos com tela de proteção: as araucárias dão um charme ainda mais especial ao lugar

VINÍCOLA LINDA E LUXUOSA

Ao chegar na VF, toquei a campainha e efetuei o pagamento na entrada (R$40 por pessoa, sendo que R$3o deste valor pode ser revertido em vinhos da vinícola. Minha pequena não pagou ingresso). No início da visitação, é transmitido um vídeo sobre a empresa. Em seguida, somos levados ao interior da Villa, que é simplesmente um dos mais lindos entre todas as vinícolas que tive oportunidade de visitar até então. Há, inclusive, algumas peças de antiquário, como um vitral de um antigo cassino uruguaio e uma mesa que pertenceu ao imperador Dom Pedro II. Os lustres, obras de arte na entrada, enfim, tudo possui um ar de museu, tornando a visitação interessante além do vinho.

bendita_maos_uva
Uma das obras de arte do interior da vinícola

VISITAÇÃO

Logo no início, fomos conduzidos aos ambientes nos quais se localizam tanques de alumínio onde fermentam os vinhos. É tudo aberto e integrado, semelhante a um grande loft. Sendo assim, podemos visualizar o interior da vinícola como um cenário único e nos deixamos guiar através das escadas. Um funcionário da VF explica cada processo nos mínimos detalhes, incluindo a fabricação do vinho rosé, que costuma gerar dúvidas na maioria das pessoas. Em seguida, acompanhamos o processo de colocação das rolhas (todas de cortiça portuguesa, de primeira qualidade), bem como dos rótulos nas garrafas.

IMG_20160725_122332772
O lugar surpreende pelos detalhes da decoração.

UMA BELA CAVE

Por fim, fomos ao subsolo, onde se encontra a cave. O lugar é perfeito, frio, úmido e com pouca luminosidade. Neste mesmo local, nos deparamos com garrafas de espumante que passavam pela técnica de remuage, uma das etapas do processo de espumatização ao estilo tradicional da Champagne (champenoise).

IMG_20160725_112744002
O escurinho da Cave da VF: onde os vinhos amadurecem sossegados

Ou seja, estantes de madeira com buracos circulares perfurados permitem que as garrafas sejam presas de cabeça para baixo e duas vezes por dia as mesmas são giradas de forma manual, a fim de conduzir os restos de leveduras e sedimentos acumulados ao gargalo. Logo, após a retirada da rolha, os sólidos são expulsos naturalmente pela pressão dos gases e, após purificado, o vinho é novamente lacrado com a rolha. Nunca tinha visto uma remuage de perto. Bati muitas fotos que ficaram escuras, visto que não era permitido o uso de flashes na cave.

DEGUSTAÇÃO

Por fim, uma das melhores etapas do passeio, aquela esperada por todos os enófilos: a degustação. Fomos levados a uma sala linda e aconchegante, com mesinhas e cadeiras. Primeiro, provamos o espumante Brut Nature. Em seguida, o Sauvignon Blanc, o Rosé e os Tintos Joaquim (corte de Cabernet Sauvignon e Merlot) e Francesco (corte de Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec e Syrah). Para mim, esses dois últimos foram os melhores. Quanto ao rosé, confesso que me decepcionei um pouquinho. Achei o retrogosto um tanto quanto amargo, mas acredito que este tenha sido servido na temperatura incorreta, visto que estava muito “quente” para que a experiência fosse 100%.

vinhos
Um pouco do portfólio da Villa Francioni

Após a degustação, adquirimos os vinhos preferidos na lojinha da Villa. Optei por levar um Joaquim e um Francesco. Com os descontos dos nossos ingressos, com certeza foi um ótimo negócio.

IMG_20160725_115554845 (1)
Degustando  Joaquim, um dos meus rótulos preferidos. 

Já estava com saudades de escrever para vocês! Acabei não levando computador e a internet local não era das melhores. Mas, enfim, estou de volta! Por isso, aguardem, amigos, pois nos próximos posts vou relatar outros detalhes do meu passeio pela Serra Catarinense. 

Bons vinhos! Tim-Tim!