Vinho e História: Desvendamos a Relação Entre Napoleão Bonaparte e o Champagne Moët & Chandon

Quando lembro de Napoleão Bonaparte nem sempre Champagne Rosé é a primeira coisa que me vem à mente. Sim, logo de cara, penso no grande líder que empurrou seus exércitos em direção a vitórias em batalhas históricas. Porém, todo amante do vinho já ouviu falar sobre a mítica ligação entre Napoleão e o borbulhante champagne, mais precisamente os da Casa Moët & Chandon. 

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A AMIZADE COM JEAN-RÉMY MOËT

A conexão entre Bonaparte e a dinastia da famosa Casa de Champagne começou em 1782, quando o futuro imperador cursava a Escola Militar em Brienne Le Château. Foi lá que ele conheceu Jean-Rémy Moët, neto de Claude. O jovem herdeiro estava na escola resolvendo alguns dos negócios da família quando encontrou Napoleão.

Sabemos que a palavra “Champagne” sempre soou como música para os ouvidos de Napoleão. Logo, a afinidade entre os dois rapazes foi praticamente instantânea. A partir dali, uma amizade leal e duradoura se firmou, levando a luz da efervescente bebida a ocupar um papel de destaque na história francesa.

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E essa importância se deu porque antes de cada campanha militar Napoleão fazia questão de visitar a Maison Moët a fim de se abastecer com caixas e mais caixas de champanhe. E isso ocorreu em todas as batalhas, exceto em Waterloo, de acordo com o livro “Champanhe”, de Don and Petie Kladstrup (que recomendo fortemente a leitura!)

Talvez venha daí a célebre frase:
“Champanhe: na vitória é merecido, na derrota  é necessário!

A PRIMEIRA GRANDE DERROTA

Entretanto, mesmo nas derrotas de Napoleão a amizade com a família Moët seguia firme e forte. Vejam, por exemplo, o caso da Guerra da Sexta Coligação. Foi um terrível desastre para o imperador, bem como para a França e seu povo.

Afinal, essa derrota não só conduziu Napoleão ao seu primeiro exílio na Ilha de Elba como, na sequência, teve uma invasão de russos à região da Champagne, quando os mesmos esvaziaram praticamente todas as adegas. Ou seja, todas as casas foram saqueadas, sendo que a de Moët foi a que obteve maiores baixas e presenciou cerca de seiscentas mil garrafas serem esvaziadas por soldados acampados nas instalações.

A PREVISÃO DE JEAN-RÉMY

Porém, mesmo essa grande derrota não foi capaz de enfraquecer os laços que existiam entre Napoleão e Jean-Rémy Moët. Ao invés disso, Moët se lembrou de um antigo ditado francês, “Qui a bu, boira” ou em bom português, “Aquele que bebeu uma vez, vai beber novamente”. Ou seja, “Todos aqueles soldados que hoje estão me arruinando hoje farão minha fortuna amanhã”, disse Moët a todos os seus amigos. “Vou deixá-los beber o quanto quiserem. Eles serão fisgados e se tornarão meus melhores vendedores quando retornarem ao seu próprio país”

Como podemos ver, Jean-Rémy não estava apenas sendo leal a seu amigo Napoleão. “Ele estava totalmente certo”, escreveram os Kladstrups no livro que é uma verdadeira biografia do Champanhe. Os negócios de Moët cresceram vertiginosamente nos anos seguintes e, entre seus muitos novos clientes, estavam justamente alguns dos maiores adversários de Napoleão Bonaparte, incluindo o Primeiro Duque de Wellington e Frederick William III da Prússia.

PROVAS DE AMIZADE E LEALDADE

Se toda essa história não foi suficiente para te convencer da força dessa conexão Bonaparte-Moët, considere os presentes que foram trocados pelos amigos ao longo dos anos. Começamos com a réplica do Grand Trianon (sim, o castelo de Versalhes!) que Moët construiu em sua propriedade como quartos de hóspedes para Napoleão e a Imperatriz Josephine sempre que o visitavam.

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Não é grande coisa, certo? Apenas um belo gesto de gratidão. Naturalmente, Napoleão também estava à altura quando o assunto era presentes. Ele não apenas concedeu à família Moët o último de seus famosos chapéus bicorn, como também presenteou-os com sua cruz de oficiais da Legião de Honra – a mais alta condecoração francesa de mérito para realizações civis e militares, em virtude de todos os seus esforços para estabelecer a França como líder mundial na difusão da cultura do vinho.

Contudo, sem dúvida, o presente que mais representa essa amizade é a criação da Champagne Moët Imperial (branco e rosé), rótulos que compõem a maior parte da produção de Moët & Chadon. Na verdade, esses exemplares foram os responsáveis pelo fato de muitas vezes lembrarmos de Napoleão quando o Champagne Rosé nos vem à mente. Afinal, a garrafa “Imperial” foi nomeada desta forma logo após o falecimento do imperador, em 1869, e desde então a casa passou a produzir suas garrafas com essa denominação.


Definitivamente, fatos que serão lembrados na próxima vez em que você estiver degustando um belo e borbulhante champanhe. Então, acho que quem acompanha o blog sabe o quanto também sou apaixonada por história. E, se vinho é história engarrafada, sem dúvida, esse artigo me deixou muito feliz!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Livro “Champanhe” (Don & Petie Kladstrup), editora JZE./ Vine Pair.

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Por Que Brindamos com Champanhe e Outras Curiosidades

Já parou para pensar sobre a origem de certos costumes e tradições? Por exemplo,  por que brindamos às conquistas e ocasiões especiais com espumante?

No caso, o champanhe, desde o século XVII, foi considerado uma bebida de luxo. Entre as personalidades que popularizaram a preferência e o glamour por esse vinho, estão Marilyn Monroe e Napoleão Bonaparte. Ou seja, duas figuras históricas que eram conhecidas, respectivamente, pela beleza e inteligência. Fácil imaginar que tais qualidades foram facilmente associadas ao espumante, incluindo aí o poder, status e alegria de viver.

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F1 E CHAMPANHE

Só por curiosidade, a primeira competição automobilística onde se usou champanhe na festa dos vencedores foi em 1907, na Corrida de Peking – Paris. Porém,  foi Dan Gurney que em 1967 iniciou a tradição de molhar os pilotos e o público com a bebida, apesar de Grahan Hill ter feito o mesmo em 1966, só que com vinho espumante.

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Também é tradicional quebrar uma garrafa de champanhe no casco de um navio que está sendo inaugurado, a fim de provar sua força. Diz-se que a garrafa que não se quebra é indicação de um mau presságio. Por mais cético que se seja, duvido que até hoje alguém tenha arriscado pagar para ver.

EM VIA DE REGRA, A ROLHA DEVE SER ABERTA SILENCIOSAMENTE

Muitas vezes, ao abrir uma garrafa, é comum ouvir o estouro da rolha, ocasionado pela pressão interna. É o som da alegria, da comemoração! Porém, em lugares fechados, é de bom tom retirá-la de modo a não proferir som algum.

Essa regrinha é importantíssima, sobretudo por questões de segurança. Afinal, já pensou se a rolha voa em cima de alguém? Num restaurante, por exemplo, seria super desagradável se isso acontecesse. Portanto, o lance é sacar a rolha sem barulho, segurando a mesma e a gaiola com o polegar e ir retirando bem devagar. Do meio para metade, basta dar uma “reboladinha” (como diria Wesley, meu professor na ISG). Eu treinei e dá muito certo! Tudo lindo, sem estalos!

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Modo errado (e arriscado) de se sacar uma rolha de espumante

 POR QUE BRINDAMOS COM ESPUMANTE?

Como disse por aqui, o champanhe/espumante sempre foi considerado uma bebida de alta qualidade, sendo a preferida de reis e grandes governantes para celebrar suas vitórias.

E, claro, quanto maior fosse o poder e a riqueza dessas personalidades, maior o número de pessoas a fim de varrê-las do mapa. Por isso, era comum que as taças fossem envenenadas por seus inimigos. Logo, passou-se a ordenar que todos chocassem suas taças (com o brinde), a fim de que o líquido de uma passasse para a outra, provando não haver veneno em nenhuma delas.

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Curioso, não? Mas, independente se isso é ou não verdade, até hoje esse hábito permanece como uma tradição muito bonita. Uma forma de compartilhar nossos melhores momentos com os amigos e, sobretudo, celebrar a VIDA.

Então é isso, galera enófila de plantão. Ultimamente tenho estudado muito sobre o mundo do vinho e editado posts antigos, enriquecendo-os com minhas novas descobertas (vocês já devem ter percebido, né?). Vinho é assim mesmo. Quanto mais a gente lê, mais a gente se surpreende.

Bons Vinhos! Ótimas borbulhas! Tim-Tim!

Taça Viajante: a Efervescente Champagne

Finalmente, a série Terroir Francês chega à bela região vinícola da Champagne, famosa por produzir alguns dos melhores espumantes do mundo. Sou apaixonada, não só pelas lindas paisagens, como também pela trajetória das Maisons (Casas de Champagne), que há séculos figuram como algumas das mais importantes do mundo de Baco.

AGORA, ABRA UMA CHAMPAGNE E VIAJE NA TAÇA!

Então, que tal se agora nós abríssemos uma champagne e nos transportássemos para esse terroir carregado de essência e história? Prepare-se, pois a viagem tem tudo para ser inesquecível!

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Vinhedo em Reims, Champagne

Champagne é uma região vinícola da França, localizada a cerca de 150km de Paris. Antes da criação do Méthode Traditionnelle ou Champenoise, processo que produz o espumante por meio da fermentação na garrafa, o local fabricava vinhos tranquilos para suprir a grande população vizinha de Paris. Os habitantes da Champagne ou Champenois alegam que o monge Dom Pérignon foi o responsável pela criação do método champenoise, no século XVII. Sabemos que essa história é um tanto quanto controversa. Porém, é inegável que Pérignon contribuiu muito para  o sucesso e aperfeiçoamento desta técnica.

A região é conhecida como um terroir de solo calcário e clima mais frio do que o resto da França, ambos resultando em vinhos finos requintados e de forte caráter mineral.

SUB-REGIÕES

  • Montanha de Reims – região mais fria, onde reinam as uvas tintas, principalmente a Pinot Noir, com vários vinhedos Grands Crus e Premier Crus, nove, dos 17 Grands Crus, localizam-se aqui. Os mais famosos são Mailly, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy;
  • Vale de Marne – Solo menos calcário, com predomínio de argila. Predomínio das duas Pinots (Noir e Meunier), com dois vilarejos Grand Crus (Aÿ e Tours-sur- Marne);
  • Côtes de Blancs – Como o nome diz, predomínio de Chardonnay. Clima ameno, solo calcário. Aqui se situam cinco Grands Crus (Cramant, Avize, Oger, Le Mesnil sur Oger e Chouilly);
  • Côte de Sézanne – Região recente, continuação da Côtes de Blancs, com vinhas plantadas em 1960, predomínio de Chardonnay;
  • Cote des Bar – no departamento de Aube, tem invernos frios e verões quentes, solos argilosos, predomínio de Pinot Noir, que nessa sub-região alcança mais corpo.

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Vale ressaltar que diferente de outras regiões francesas, como Bordeaux, o nome da sub-região na Champagne é menos importante, pois os espumantes são mais conhecidos pelas marcas das grandes casas, ou maisons. Nomes como Krug, Salon e Chandon contam mais do que o nome da sub-região.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA (AOC)

Embora muita gente se refira a qualquer espumante como champagne, hoje em dia existe uma legislação que determina que o nome Champagne só pode ser usado em rótulos provenientes desta região vinícola. As únicas exceções são alguns produtores norte-americanos que utilizam há décadas a denominação California Champagne, bem como a Peterlongo, vinícola brasileira que conseguiu os direitos de uso do nome nos anos 70, por meio do Supremo Tribunal de Justiça. Todos esses produtores alegam que já produziam o “champagne” mesmo antes da AOC (Denominação de Origem Controlada) entrar em vigor, em 1927.

Porém, não canso de mencionar que esse tipo de coisa não faz nenhum sentido além do marketing. Champanhe de verdade, só aquele produzido na região francesa de Champagne.

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Cave Moët & Chandon 

PRINCIPAIS CASTAS DE UVA

O Champagne é feito sempre a partir de três castas (solo ou misturadas): As tintas Pinot Noir e Pinot Meunier (das quais se faz um vinho branco) e a branca Chardonnay. Geralmente as tintas emprestam à mistura caráter mais austero, mais corpo, aromas de frutas vermelhas, enquanto a Chardonnay dá mais cremosidade e elegância.

Mundialmente famosa, a Chardonnay encontrou uma de suas melhores expressões nos espumantes da Champagne. As melhores uvas e vinhos provém da sub-região de Cotês Des Blancs.

A Pinot Noir é usada na elaboração de espumantes brancos devido ao fato de não se extrair toda a cor da casca da uva durante a prensagem. Trata-se ainda, de um elemento importante na produção do champagne rosé.

Por fim, a Pinot Meunier é uma outra variedade de uva tinta utilizada na produção de champagnes brancos e rosés, contribuindo com nuances mais leves e frutadas.

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ESTILOS DE VINHOS

Champagne produz espumantes brancos e rosés de diversos estilos, sendo classificados de acordo com a seguinte escala, do mais seco para os mais doces. Aqui, o que manda é a quantidade de gramas por litro de açúcar da bebida.

  • Brut Nature (or brut zero, non-dosé, ultra brut, brut sauvage) : 0-2 g/L de açúcar
  • Extra Brut: 0-6 g/L de açúcar
  • Brut: 6-12 g/L de açúcar 
  • Extra Sec (Extra Dry, Extra Seco): 12-17 g/L de açúcar
  • Sec (Dry): 17-32 g/L de açúcar
  • Demi-Sec (Medium Dry, Meio-Doce): 32-50 g/L de açúcar
  • Doux (Sweet, Doce): more than 50 g/L de açúcar

Alguns vinhedos e vinhos são classificados de acordo com seu grau de qualidade Cru ou Premier Cru. 

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Champagnes elaborados 100% com uvas Chardonnay são denominados Blanc de Blancs, enquanto aqueles feitos 100% com uvas Pinot Noir são chamados Blanc de Noirs. Bem menos famosos são os vinhos tintos produzidos na região, rotulados como Coteaux Champenois.

ALGUNS RÓTULOS FAMOSOS

  • Dom Pérignon Champagne Brut
  • Louis Roederer Champagne Cristal Brut
  • Moët & Chandon Champagne Imperial Brut
  • Krug Champagne Grande Cuvée Brut
  • Salon Le Mesnil Blanc De Blancs Brut
  • Veuve Cliquot Champanhe Brut 

Espero que tenha gostado da nossa pequena aventura. Lugares lindos e alguns dos melhores espumantes do mundo. Se bem que os nossos rótulos brazucas não têm deixado nem um pouco a desejar, colocando-se em pé de igualdade com muitos desses vinhos. Porém, a tradição champenois é inegável, conquistada através dos séculos, em uma região que foi devastada por diversas guerras e conseguiu se reerguer. Sem dúvida, um orgulho para os franceses e todos os apreciadores dessa bebida mágica.

Referências: Vivino e Revista Adega.

Entenda os Rótulos de Espumante

Você está numa loja especializada em vinhos. Sua meta é escolher um espumante para uma comemoração ou simplesmente para bebericar com os amigos. São inúmeras as denominações nos rótulos: Brut, Extra-Brut, Nature, Doce, Demi-Sec… Impossível não se confundir nessa hora, certo? Então, prepare-se, pois hoje você vai aprender a optar pelo espumante que mais combina com o seu paladar.

Ah, e vale lembrar que os espumantes e champagnes ditos “Vintage” são aqueles cujas safras estão estampadas no rótulo. Geralmente esses exemplares são bem mais caros, visto que para um produtor incluir o ano da colheita no rótulo de um espumante, é sinal de que foi uma safra espetacular!

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UM POUCO DE HISTÓRIA

Séculos atrás, quando os primeiros champanhes foram criados, as bebidas adocicadas estavam na moda. Na época, era comum adicionar altas doses de açúcar ao espumante (cerca de 200g de açúcar por litro), praticamente as mesmas quantidades incluídas nos refrigerantes dos dias de hoje. Até que, no século XIX, as casas de champanhe tinham os ingleses entre seus maiores clientes.

Eles estavam cansados de tanta doçura. Queriam algo mais leve e que combinasse mais com seu estilo sóbrio. E eis que Madame Louise Pommery deu o que eles tanto queriam, o Champanhe Brut, que em francês, quer dizer “Bruto, grosseiro, em seu estado natural”. Mesmo assim, as primeiras garrafas que entraram no mercado ainda continham mais de 20 gramas de açúcar por litro.

O tempo passou, o paladar dos consumidores se apurou e essa quantidade foi caindo, até que se determinou que não poderia ultrapassar 12 gramas de açúcar por litro, de acordo com as leis francesas. Até hoje o Brut é, sem dúvida, o espumante mais vendido: preferência nacional e internacional!

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OUTRAS DENOMINAÇÕES

Logo que se criou o Brut, outras categorias surgiram no mercado, a fim de diferenciá-lo dos outros exemplares, cada uma de acordo com a quantidade de açúcar adicionada por litro. Os espumantes brasileiros possuem designações diferentes dos champanhes franceses. E, para você entender tudo “tim-tim por tim-tim” (literalmente), segue a tabela com as qualificações de acordo com a legislação dos dois países.

BRASIL
Nature 3g/l de açúcar, no máximo
Extra-Brut 3,1 a 8g/l de açúcar, no máximo
Brut 8,1 a 15g/l de açúcar, no máximo
Sec ou Seco 15,1 a 20g/l de açúcar, no máximo
Demi-Sec, Meio-Doce ou Meio-Seco 20,1 a 60g/l de açúcar, no máximo
Doce 60,1 a 80g/l de açúcar, no máximo
CHAMPAGNE, FRANÇA
Brut Nature, Pás Dosé ou Dosage Zéro 3g/l de açúcar, no máximo
Extra-Brut 0 a 6g/l de açúcar, no máximo
Brut 12g/l de açúcar, no máximo
Extra Dry 12 a 17g/l de açúcar, no máximo
Sec 17 a 32g/l de açúcar, no máximo
Demi-Sec 32 a 50g/l de açúcar, no máximo
Doux Acima de 50g/l de açúcar

Espero que tenha ajudado a acabar com essa dúvida muito comum, sobretudo para quem está começando a apreciar o espumante. Tenha em mente a importância de estar atento ao rótulo antes da compra. Só assim você saberá se está adquirindo uma bebida que atenda às suas expectativas. E, como não canso de falar, os exemplares brasileiros são maravilhosos, figurando, inclusive, entre os melhores do mundo.

Eu mesma, ultimamente, tenho optado mais por espumantes aqui em casa e nos fins de semana, visto que o calor insuportável já se instalou aqui no Rio de Janeiro. Geladinho, não há nada melhor!

Boas Festas, Ótimos vinhos e  Tim-Tim!

Referência: Revista Adega

6 Coisas Que Você Precisa Saber Sobre a Chardonnay

Eu amo a Chardonnay. Dos vinhos brancos, sem dúvida, é um dos meus favoritos. Champanhe Blanc De Blancs, então…uma delícia! Mas, já soube que nem todos pensam como eu. Sei de gente não curte, diz que é sem graça. Enfim, como não canso de dizer por aqui, vinho é questão de gosto pessoal. 

Porém, num ponto temos que concordar. A uva chardonnay produz vinhos bem versáteis, que combinam tanto com praia, no verão, quanto com lareira, no inverno. Trata-se de uma das castas brancas mais cultivadas no mundo, capaz de se adaptar a diversos terroirs. E foi pensando nisso que hoje trouxe seis fatores indiscutíveis sobre essa cepa.

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1- A CHARDONNAY NASCEU NA FRANÇA. NA BORGONHA, MAIS PRECISAMENTE

A chardonnay é originária da região francesa da Borgonha, onde é simplesmente conhecida como “Borgonha Branca”, sobretudo por captar tudo o que seu terroir tem a oferecer. Por isso, a  Chardonnay é, juntamente com a Pinot Noir, um símbolo da Borgonha.

2- NEM TODA CHARDONNAY É AMANTEIGADA

A textura e odor amanteigados encontrado em diversos vinhos dessa casta têm muito a ver com o carvalho das barricas nas quais as bebidas são armazenadas. Sem falar na fermentação malolática (que durante a produção do vinho transforma o ácido málico em ácido láctico, de paladar mais agradável).

Se o produtor permite que essa fermentação ocorra – depois que todos os açúcares já foram convertidos em álcool – você encontra uma textura mais amanteigada. Se não o fizerem, muitas vezes os elementos do vinho acabam não combinando muito bem entre si.

3- SE VOCÊ NÃO GOSTA DO SABOR DE MANTEIGA OU BAUNILHA, ESCOLHA UM CHARDONNAY QUE NÃO TENHA PASSADO POR CARVALHO

No final dos anos 80 e início dos 90, os americanos estavam loucos por Chardonnay. Afinal, era uma das uvas mais cultivadas na Califórnia. Nessa época, a região produzia muitos exemplares com estágio prolongado em carvalho, resultando em vinhos com sabores bastante acentuados de torrefação, baunilha, marshmallow e manteiga (características das barricas americanas).

Até hoje, a maioria das pessoas adora esse estilo, que foi copiado por vários outros países. Mas, se você prefere algo mais fresco e ácido, experimente um Chablis, vinho da Borgonha, com um toque mais mineral ou, então, um espumante Blanc des Blancs bem geladinho.

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4- SE VOCÊ ADORA CHAMPANHE BLANC DES BLANCS, VOCÊ ESTÁ BEBENDO CHARDONNAY

Você sabia que o Blanc des Blancs é um espumante elaborado com 100% de uvas Chardonnay? Ou seja, diferente da maioria dos outros champanhes, produzida com uma assemblage de Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay, a Blanc des Blancs é feita exclusivamente com a Chardonnay, sendo, por si só, um dos exemplares mais valorizados.

5- CHARDONNAY: SE PLANTADA, CRESCE EM QUALQUER LUGAR

Chardonnay é uma das castas de uvas mais plantadas em todo o mundo e muito disso se dá pelo fato de que cresce perfeitamente bem em quase qualquer região. Embora a Pinot Noir, sua irmã da Borgonha, seja, por muitas vezes, extremamente sensível e inconstante, a Chardonnay vive bem quase que em qualquer lugar.

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6- CHARDONNAY COMBINA COM CARNE

Se for um Chardonnay potente, acredito que ele possa harmonizar perfeitamente com bifes de filé mignon grelhados ou num churrasco. Bom para desmistificar a ideia de que carne vermelha só combina com tintos. Experimente e verá como ambos podem casar superbem.


Hummmm…. Fiquei até com vontade de abrir um Chardonnay aqui. Para mim, essa casta combina com os dias de meia estação. Sabe, aquele momento em que não está nem calor nem frio? Aquela temperatura ambiente agradável, por volta de 24ºC? E, sendo sincera, antes de realizar essa pesquisa nunca imaginei que Chardonnay combinasse com carne vermelha. Mas, logo de cara, acredito que deva ser com uma carne leve. Quero testar! Depois conto para vocês.

Bons Vinhos! Tim-Tim!

Livro: Champanhe

Que tal relaxar e ler um livro neste fim de semana? O friozinho do outono é um convite para esquecer da vida e se aventurar numa história. Se for sobre vinho, então, melhor ainda!

Estou terminando de ler Champanhe, de Don & Petie Kladstrup, o mesmo casal de jornalistas autores de Vinho e Guerra (Lembra?). Eles são pesquisadores superconceituados e escrevem para nada mais nada menos que a Revista Wine Spectator. 

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Com narrativa leve e espontânea, os autores nos envolvem na mítica saga do Champanhe, a bebida mais sofisticada do mundo. Desde a violenta invasão de Átila, rei dos hunos, à barbarie da Segunda Guerra Mundial, a região da Champagne, no norte da França sempre foi palco dos mais sangrentos conflitos. E, mesmo assim, os viticultores nunca desistiram de produzir o rei das borbulhas.

No caminho, descobrimos histórias e lendas fascinantes, como a do monge Don Pérignon, considerado o pai do champanhe. Conta-se que, após degustar a bebida, este teria dito, “Estou bebendo estrelas!”. Também aprenderemos com os proprietários, das grandes casas Pommery e Moët & Chandon, a ultrapassar os obstáculos dos tempos difíceis com soluções ousadas e criativas.

E nem as inúmeras guerras, narradas pelos autores com detalhes emocionantes, desanimaram os champenois, ou seja, os determinados produtores da região da Champagne, a lutarem com unhas e dentes pelo direito de serem os únicos a comercializarem a bebida e por todas as regras de plantio, que até hoje os protegem de falsificações e conspirações da concorrência.

Estou amando, quase no finzinho, e recomendo fortemente! Boa leitura e Bons Vinhos!

Espumantes Brazucas são Sucesso no Exterior

Nós já sabemos faz tempo que os espumantes brasileiros figuram entre os melhores do mundo, podendo ser comparados aos franceses. E por que isso? Porque o nosso terroir, sobretudo o de algumas vinícolas da região sul, é muito semelhante ao da Champagne, no norte da França.

E, quando falamos em terroir, mencionamos a união perfeita de fatores como clima, solo e topografia, que conversam entre si para produzirem vinhos fabulosos.

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BORBULHAS GANHAM O MUNDO

Já foi o tempo em que se bebia espumante somente em comemorações. O rei das borbulhas saiu das festas de casamento e foi parar na praia, no churrasco e na balada. Atualmente, nos supermercados é possível  encontrar uma gama enorme de rótulos a preços muito acessíveis, mesmo em tempos de recessão econômica.

Os exemplares da marca Miolo, por exemplo, estão expandindo sua efervecência pelo mundo. Na tradicional loja de vinhos parisiense Soif D’ailleurs, o Miolo Cuvvé Tradition é sucesso total! E o frenesi mundial por nossas espumas já seduziu até mesmo os chineses, tanto que a vinícola gaúcha acabou de inaugurar sua primeira loja na terra da grande muralha.

DESTAQUE PARA O VALE DE SÃO FRANCISCO

Outro destaque fica por conta das borbulhas nordestinas do Vale de São Francisco, que  já possui rótulos bem conhecidos, entre eles Rio Sol e TerraNova. Apesar de estarem localizados numa região mais seca e lançarem mão de técnicas de irrigação no tratamento de suas vinhas, os espumantes do Velho Chico são belas surpresas. Frescos, aromáticos e com perlage persistente, conquistaram rapidamente o paladar dos apreciadores.

Por tudo isso, não é à toa que o concurso Vinalies Internationales, sediado em Paris, premiou vários exemplares brasileiros. Entre 26 de fevereiro e 1º de março de 2016 foram avaliadas 3.441 amostras de 38 países por enólogos, sommeliers e jornalistas do setor.

Segundo Juliano Perin, presidente da Associção Brasileira de Enologia (ABE), os espumantes brazucas são motivo de orgulho para o país: “Nossos vinhos e espumantes são únicos e, justamente por isso, diferenciam-se dos demais, destacando suas particularidades que agradam paladares ao redor do mundo. Os espumantes são versáteis, descontraídos e com um frescor exclusivo. Da mesma forma nossos vinhos apresentam características próprias com terroirs específicos de um país tropical”, ressaltou Perin. 

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E, agora, com vocês, os espumantes brasileiros premiados no Vinalies Internationales.:

PREMIAÇÕES

MEDALHA DE OURO
Casa Valduga Espumante Extra Brut  2010 – Casa Valduga Vinhos Finos
Cave Geisse Espumante Brut – Vinícola Geisse
Cave Geisse Espumante Brut Blanc de Blanc – Vinícola Geisse

MEDALHA DE PRATA
Casa Perini Espumante Brut – Vinícola Perini
Cave Amadeu Espumante Brut – Vinícola Geisse
Garibaldi Espumante Chardonnay Brut – Cooperativa Vinícola Garibaldi
Garibaldi Espumante Prosecco Brut – Cooperativa Vinícola Garibaldi
Panizzon Espumante Chardonnay Brut – Sociedade de Bebidas Panizzon
Ponto Nero Espumante Brut – Domno do Brasil

Para quem é apaixonada por espumantes, como eu, esse boom nacional no setor é um presente e tanto. E para aqueles que estão em dúvida sobre o meu exemplar favorito, digo que são os mais secos, do tipo Brut e Extra Brut, tanto o branco quanto o rosé. Beleza pura! Já os doces, pelo menos para mim, vão bem com sobremesas e ponto.

Mas tenho amigos que são fãs dos docinhos para bebericar no dia a dia. Ou seja, há uma borbulha para cada paladar. Escolha o seu e seja feliz! Afinal, o verão está aí para isso.


E você, já escolheu o espumante da virada? Essa listinha é uma inspiração e tanto, não? Reúna os amigos e celebre em grande estilo!

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Bom Réveillon! Ótimas Borbulhas! Tim-Tim!