Vinho Verde Wine Fest: Um Néctar Com a Cara do Brasil

Na última sexta-feira, dia 26 de maio, estive no Vinho Verde Wine Fest. Realizado no Iate Clube do Rio de Janeiro, o evento foi uma verdadeira homenagem ao caldo português que, na minha opinião, é um dos que mais combina com o nosso clima. E não falo só de calor! Sem dúvida, os Vinhos Verdes têm super a ver com a alegria e descontração do público brasileiro.

WhatsApp Image 2017-05-28 at 22.32.32

E foi uma profusão de gente bonita por todos os lados, que apreciou Loureiros, Arintos e Avessos em todo seu esplendor e delícia!

Entre os produtores e distribuidores presentes estavam Abrigueiros – Casa da Senra, Adega de Monção, Agri-Roncão – Quinta de Linhares, Aveleda, Campelo, Enoport United Wines, PROVAM, Quinta & Casa das Hortas, Quinta da Lixa, Quinta das Arcas, Quinta de Carapeços, Quinta de Lourosa, Soalheiro, Solar de Serrade, Vercoope e Viniverde/Adega Ponte da Barca.

WINE FEST MARCADO POR MUITA ALEGRIA E DESCONTRAÇÃO

Logo na chegada, encontrei meu amigo Fernando Lima, do Blog Vinhos com Fernando Lima, que me apresentou suas amigas, enófilas supersimpáticas com as quais fiz logo amizade. Recebemos óculos escuros de armação verde que eram simplesmente a cara do clima de descontração que tomou conta da feira.

WhatsApp Image 2017-05-28 at 22.31.43
Com Luciana Paes Leme, uma das amigas que conheci através do Fernando Lima.

Já que estava cedo, visitamos os stands com toda a calma e conversamos com representantes e produtores. Confesso que me surpreendi com muita coisa! Aliás, muito do que eu conhecia dos vinhos verdes (que na verdade não são verdes e sim elaborados com castas provenientes da Região portuguesa dos Vinhos Verdes) correspondia aos rótulos mais conhecidos e distribuídos aqui pelo Brasil. Ou seja, amei ter contato com as novidades em varietais e vinícolas.

ÓTIMAS SURPRESAS ENGARRAFADAS

Como boa apreciadora dos Rosés portugueses, adorei tudo o que provei do estilo, com destaque para o rótulo da Quinta de Lourosa, primeiro stand que visitei.

quinta_lourosa

Aliás, a própria enóloga da Quinta estava lá e me contou sobre a expressão dos vinhos, sendo que o que me chamou mais a atenção foi um Alvarinho com 13% de teor alcoólico, algo raro em se tratando de vinhos verdes, que costumam ter entre 8 e 11%. “As uvas dessa safra amadureceram além do normal, devido ao clima mais ensolarado. E todo o açúcar se transformou em álcool durante a fermentação”, explicou ela. 

Outra surpresa ficou por conta do famoso Soalheiro Alvarinho Reserva, distribuído pela Importadora Mistral. Possui corpo e complexidade, com um toque discreto de carvalho. Por falar em Alvarinho, ela é a varietal mais célebre da região, justamente por dar origem a caldos mais estruturados.

Soalheiro

Entretanto, os vinhos verdes mais leves também tiveram seu lugar de destaque no evento. Inclusive, segundo minha amiga Marcela Lima, esses são os exemplares que mais combinam com seu paladar. E, na minha opinião, vão superbem geladinhos, na beira da piscina, de preferência como acompanhamento para uma bela porção de bolinhos de bacalhau. Nada mais português e brazuca ao mesmo tempo!

18738458_1366279720119672_1993456056188106532_o
Clima de descontração total!

No quesito vinhos leves, entre os que mais me chamaram a atenção estavam o meu queridinho Acácio e o Terra de Camões, ambos de ótimo custo-benefício. Porém, entre os leves, amei muito a linha Estreia, distribuída pela Adega Cooperativa Ponte da Barca.

WhatsApp Image 2017-05-28 at 22.28.00

O do rótulo Estreia verdinho, feito com Loureiro, Trajadura e Arinto foi o meu favorito! O Rosé deles (Vinhão, Borraçal e Espadeiro) também não decepcionou. Já tinha me deparado com esses rótulos à venda no supermercado Pão de Açúcar e por pouco não comprei para experimentar. Estou até agora pensando o que eu tinha na cabeça para não ter levado nem uma garrafinha.. rsrsr.

SHOWCOOKINGS E “CONVERSAS COM VINHO”

E o Wine Fest de sexta contou, ainda, com 2 Showcookings e 3 Conversas Com Vinho. Infelizmente não pude acompanhar todos eles, devido aos horários disputadíssimos.

Contudo, tive a sorte de acompanhar o Showcooking da Chef Ellen Gonzalez, do Restaurante Miam Miam. Ela explicou para a gente como fazer camarão empanado com chutney de manga e sorvete de coentro. Um prato que harmoniza muito com o Vinho Verde, estrela do evento. Aliás, foi o melhor chutney de manga que já provei na vida. Sem falar que a Chef é simpatica e muito solícita. Uma fofa!

18671025_10212145620093620_2383838280885739355_n
Showcooking com Ellen Gonzalez, do Miam Miam

Logo depois, dei uma conferida no “Conversa Com Vinho” com o Professor Euclides Penedo Borges, da ABS-RJ. Já disse por aqui que sou profunda admiradora do trabalho dele. Afinal, o cara é uma inspiração quando se trata de harmonização entre vinho e comida, tanto que o mesmo falou sobre “Vinhos à Mesa”, demonstrando o quanto os vinhos verdes são gastronômicos. Muito bacana!

O evento contou, ainda, com música ao vivo (um sambinha delícia), além de Food Truck na entrada, que nos brindou com pratos inspirados na culinária lusitana. A feira foi organizada pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

Enfim, o Vinho Verde Wine Fest de sexta foi um tremendo sucesso, que se repetiu no sábado, quando contou com 3 Master Classes. O Vinho Verde é uma marca internacional que se refere a todos os vinhos produzidos no noroeste de Portugal, uma das regiões mais antigas do país, existente desde os tempos dos romanos.

vinho-verde-wine-fest-chega-ao-rio-de-janeiro_logo

São vinhos em sua maioria leves e jovens, com a cara do público brasileiro e carioca. Quer saber mais sobre os Vinhos Verdes? Então dá uma olhada nesse artigo que escrevi sobre eles, no último verão. 

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vinho Verde Wine Fest: www.vinhoverdewinefest.com.br 


Anúncios

Notas de Prova: Surpresa Boa Com o Perfumado Circe Sauvignon Blanc

Sim, enoamigos! Domingo foi o Dia das Mães e fomos almoçar com a sogrinha. O prato principal eu já sabia qual seria: Camarão ao Catupiry no Forno. Um clássico da família! Servido com arroz e batata palha fica ainda mais saboroso. O vinho escolhido para acompanhar essa ocasião tão especial foi essa amostra do Circe Sauvignon Blanc, que recebi da Vinícola Helios.

WhatsApp Image 2017-05-16 at 09.59.46

CIRCE SAUVIGNON BLANC 

De coloração amarelo-palha médio, o Circe surpreende logo no primeiro nariz, com aromas de frutas tropicais muito flagrantes, como Maracujá, Manga e Abacaxi. Mas uma característica que eu amo na Sauvignon Blanc e que ele tem de sobra são as notas herbáceas. E no segundo nariz estas ficam ainda mais evidentes! Identifiquei como aquele “cheirinho de mato” gostoso e grama cortada. Sem dúvida, um rótulo que nos aproxima da natureza em todos os sentidos.

As impressões olfativas se confirmam em boca, tanto com as frutas tropicais quanto com as notas vegetais, adicionando, ainda, um toque cítrico perceptível e agradável. 

Na mitologia grega, Circe é filha de Helios e deusa da Lua Nova, do amor físico, feitiçaria, encantamentos e sonhos. Tomando por base que todos os nomes dos vinhos da vinícola possuem alguma ligação com a mitologia grega, dizemos que Circe é o número 1 dos 5 rótulos que correspondem a essa associação. 

Imagem1

Apesar dos 13% de teor alcóolico, o vinho desce fresco, haja vista a sua acidez equilibrada e de bastante tipicidade quando se trata de um Sauvignon Blanc. Após essa análise, amigo, você já deve ter imaginado que o Circe casou superbem com o Camarão, ao passo que potencializou todo o seu sabor, tornando o nosso momento Dia das Mães ainda mais delicioso! O vinho promete, ainda, fazer bonito com Queijo de Cabra, seja fresco ou curado. Experimente incluir Pêras Portuguesas nessa combinação. É satisfação garantida! 

A VINÍCOLA HELIOS

Criada em 2014, a Helios é uma empresa jovem, mas com objetivos bastante ousados, visto que pretende se tornar uma das cinco principais marcas de vinhos finos nacionais. Isso mesmo! A Helios é uma vinícola brazuca, sediada em Monte Belo do Sul (RS), com parcerias comerciais nas regiões Sul e Sudeste do país, com destaque para as cidades de São Joaquim (SC) e Guaporé (RS).

Mais do que produzir vinhos, a Helios deseja estar associada a todos os momentos inesquecíveis daqueles que apreciam um bom fermentado. Afinal, vinho é celebração, estar junto e misturado! E foi exatamente isso que eu senti no domingo. O Circe fará com que eu me lembre sempre daquele momento especial com a família e os amigos. 


Amigos enófilos, recebi outros rótulos da Helios e pretendo degustá-los em breve. Estou especialmente ansiosa com relação aos tintos, pois tenho ouvido falar superbem de todos. Ou seja, vem mais surpresa boa por aí!

E lembre-se: Vinho Branco é Para Ser Apreciado o Ano Todo, Ok? 

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Descubra Como a Pinot Noir Pode Dar Origem Tanto a Vinhos Tintos Quanto Brancos, Espumantes e Rosés

A Pinot Noir é uma das cepas mais aclamadas da atualidade. Tudo porque, além de saborosa, é extremamente versátil. Afinal, não é todo dia que uma única uva tinta é capaz de dar origem a vinhos tintos, rosés e espumantes. Como isso é possível? A resposta está no método de produção e vinificação que a transformam em um dos néctares mais apreciados por enófilos de todo o mundo.

wine-glass-110988_640

PINOT NOIR BRANCO

Se você cortasse uma uva Pinot Noir você veria que sua polpa possui coloração amarela-esverdeada clara. Já a casca, que tinge o mosto, conta com uma bela e intensa cor vermelha.

Logo, se você quer produzir um vinho branco a partir da Pinot Noir, a primeira coisa a se fazer é separar as cascas do suco o mais rápido possível. Ou seja, esse é o segredo para se produzir um Pinot Noir branco. 

wine-657190_640

As cascas vermelhas das uvas já começam a tingir o suco naturalmente. Por isso, é importante que o produtor já as direcione para a prensa logo após a colheita. Para tanto, utiliza-se uma prensa pneumática especial, própria para vinho branco, que esmaga as uvas ao mesmo tempo em que separa as cascas e as sementes do mosto. Após o processo, esse fica com uma cor tipicamente dourada, bonita e profunda.

PINOT NOIR TINTO

Para se produzir um Pinot Noir tinto, o processo já é diferente. As uvas são coletadas e colocadas em trituradores de uva. Em seguida, todo seu conteúdo é despejado num tanque (casca, polpa, sementes, tudo!). Como a Pinot Noir é uma variedade de casca muito fina, é comum que o mosto permaneça um pouco mais de tempo em contato com a mesma (tanto antes quanto depois da produção do vinho), a fim de absorver o máximo de pigmento possível.

9112686657566

Esses dois métodos são chamados de imersão a frio (antes da fermentação) e maceração estendida (após a fermentação). Alguns vinicultores chegam a adicionar as hastes da Pinot Noir na fermentação com o intuito de extrair ainda mais cor (isso deixa o vinho mais tânico, mas, em compensação, ele ganha bem mais cor e potencial de envelhecimento). Após todo esse processo, você terá um vinho tinto, de coloração vermelho-rubi-média- pálida.

ROSÉ DE PINOT NOIR 

Com relação à produção do Rosé, tudo é questão de timing. Quanto mais tempo as cascas permanecerem em contato com o suco, mais cor terá o vinho.

Para o Pinot Noir, esse parece como uma espécie de combinação entre as vinificações em tinto e branco. As uvas são esmagadas em um tanque junto com as peles e sementes. Em seguida, o mosto (suco) é monitorado pelo produtor, que verifica amostras a cada hora, a fim de examinar o nível de extração da cor. A partir do momento em que o winemaker encontra a cor perfeita, o mesmo separa o mosto das cascas, colocando-o num tanque limpo onde o vinho completa sua fermentação.

151019_bottle_banners_344-edit_2460x800

Grande parte dos produtores produzem seus rosados com menos de 7 horas de contato entre o mosto e as cascas. Mas é fato que varia muito. Podemos tanto ter um Rosé mais claro, casca de cebola ou salmão, como os da Provence, quanto um Rosé mais cereja. Este último eu digo que são uma espécie de tintos travestidos de rosés, pois carregam, junto a cor, muito mais taninos que outros exemplares mais claros.

ESPUMANTE DE PINOT NOIR (BLANC DE NOIR)

O Blanc de Noir nada mais é do que um vinho branco 100% Pinot Noir que fermentou duas vezes. Trata-se de uma especialidade muito aplicada entre os produtores da Champagne.

A segunda fermentação desse vinho especialmente formulado é realizada dentro da garrafa, a  fim de que o dióxido de carbono não escape e acabe por pressurizar a mesma, carbonatando o vinho.

blanc-de-noirs-revista-eno-estilo

O Blanc de Noir pode ser encontrado em diversas regiões produtoras do mundo, inclusive no Brasil, e quase sempre a uva utilizada para sua fabricação é a Pinot Noir (em outros casos, sua variante, Pinot Meunier).


Espero ter conseguido solucionar as dúvidas de muitos iniciantes e iniciados, sobretudo com relação à produção em tinto, branco e rosé. Particularmente, eu adoro os espumantes rosés feitos 100% com uvas Pinot Noir (nesse caso, seria o vinho rosé fermentado duas vezes dentro da garrafa). Comecei a me interessar por vinhos, de forma geral, no momento em que procurei saber mais sobre a produção do espumante. É realmente fascinante!

blancdenoir

Em se tratando de espumante brasileiro Blanc de Noir, recomendo muito qualquer rótulo da Familia Geisse. Amo muito, todos eles! Sem dúvida ainda vamos ouvir falar muito dessa fábrica de borbulhas de Pinto Bandeiras. É tudo maravilhoso!

Boa quarta! Bons vinhos! Tim-Tim!

Combinando Vinho e Ovos (Sim, é possível!)

Apesar de amar, estudar e desejar muito trabalhar com vinhos, ultimamente tenho tido que seguir uma dietinha para retornar ao corpicho de antes.

fried-eggs-456351_640

Então, nessa minha dieta eu tenho consumido ovos todos os dias, inclusive no café da manhã. Estou tentando deixar os vinhos para o fim de semana. Mas, obviamente, mesmo sem beber, eu penso muito no meu néctar de Baco. E em alimentos saborosos para combinar com ele.

VINHO E OVOS: HARMONIZAÇÃO POLÊMICA?

Sejam mexidos, fritos, cozinhos ou pochet (“fritos” na água, uma forma superdelicada) os ovos têm seu lugar cativo na alimentação de muita gente. Já foi vilão e, hoje em dia, vive seus dias de mocinho, sobretudo no que diz respeito à clara, sua parte mais proteica.

salad-1607498_640

E já vi muitos entendedores afirmarem que o ovo, assim como vinagre e limão, definitivamente não combina com vinhos.

Porém, nada é definitivo, meu amigo. Com força de vontade o seu ovinho de todo dia terá um parceiro à altura. E este, sem dúvida é o Muscadet. Esqueça os tintos e aquele champanhe caro. O Muscadet, originário do norte da França é o par ideal para ovos, sobretudo se você costuma consumi-los à noite. Não importa a receita, o prazer é garantido!

COMBINANDO OVOS E VINHOS

No geral, os melhores pares para os vinhos são aqueles alimentos que promovem um equilíbrio perfeito com a bebida, normalmente combinando sabores contrastantes ou semelhantes. Para  pratos à base de ovos, o vinho deve adicionar uma certa acidez que contraste com a riqueza nutritiva das gemas, sem ser tânico ou pesado, o que pode resultar em um sabor metálico nada agradável. Ou seja, tem ovo na parada? Então, esqueça o vinho tinto. 

Visto que os ovos fazem parte de molhos substanciais, como Hollandaise ou o famoso  Carbonara, mais uma vez o Muscadet chega com tudo, preparado para fazer bonito na sua mesa.

MUSCADET ENTRA EM CENA

O Muscadet é produzido a partir da humilde Melon de Borgogne na borda costeira do nosso amado Vale do Loire, na França. Simples e agradáveis, esses rótulos são conhecidos por serem leves, cítricos e baratos. Enquanto as nuances de limão e pera elevam sua acidez, notas  herbáceas dão um toque especial aos pratos mais leves. Muitos exemplares de Muscadet são, ainda, envelhecidos sobre as borras (leveduras), resultando em vinhos de leve corpo e uma certa cremosidade que se torna irresistível com queijos e ovos.

breakfast-848313_640

OUTRAS OPÇÕES DE VINHOS PARA HARMONIZAR COM OVOS

Caso você não consiga encontrar o Muscadet, invista em brancos italianos como Gavi ou Soave. Ambos possuem alta acidez, porém, ao invés de uma explosão de cítricos, espere por um toque de noz com nuances minerais. 

Se ainda assim você não tiver opções, opte por um bom Sauvignon Blanc, que é superfácil de encontrar, pois vende em qualquer supermercado. São vinhos de boa acidez e aromaticidade, sobretudo quando os cítricos se sobressaem. 

Então é isso, enoamigos! A cada dia me surpreendo mais com a ampla gama de opções de alimentos que podem sim, ter um bom vinho como parceiro ideal. Exatamente por isso é que eu não desisto das minhas pesquisas. Afinal, vinho faz bem e um branquinho no verão é tudo de bom, sobretudo nesse calor insuportável da Cidade Maravilhosa.

Boa semana! Bons Vinhos! Tim-Tim!

3 Estilos de Chardonnay Que Você Precisa Experimentar

Como vocês já devem ter percebido, na última semana fiquei um pouquinho off do mundo vinífero por motivo de…férias! Sim, de vez em quando é ótimo para renovar as energias. Ainda mais se for para fugir do calor que toma conta do Rio de Janeiro. Fui para Minas e tive a sorte de pegar dias amenos, com chuvinha e friozinho. Degustei alguns tintos e fui muito feliz.

8714701796_d09bf33445

DE VOLTA COM TUDO

Agora, de volta para o caldeirão, continuo à caça de brancos e espumantes para beber nos finais de semana (estou tentando evitar o consumo de segunda a sexta, minha silhueta agradece..rs.rs.). Afinal, os cursos só reiniciam daqui a alguns meses, então a hora é essa.

Por isso, hoje trago para vocês 3 estilos de Chardonnay perfeitos para se deliciar nos dias mais quentes. Para quem está apenas começando a degustar essa uva, trata-se de um bom ponto de partida para se aprofundar no assunto. 

CHARDONNAY BARRICADO (CREMOSO)

Quando penso em Chardonnay com estágio em barrica de carvalho, logo me vêm à mente aqueles rótulos tipicamente norte-americanos, cremosos, com nariz de manteiga e baunilha bem pronunciados. Digo que é perfeito para os amantes de tintos que estão começando a se aventurar no mundo dos brancos, sobretudo porque são mais encorpados e combinam com alimentos mais substanciais, como risoto de cogumelos, frango assado, lagosta, presunto, entre outros.

mer-solel

  • Como é feito e o que esperar dele?

O que realmente define este estilo de Chardonnay é o uso do carvalho no processo de vinificação. A madeira agrega algumas características diferentes, como a adição de mais oxigênio ao processo de produção, resultando em nuances de maçã cozida, massa de torta e avelãs. Sem falar que o próprio carvalho novo ainda contribui para um nariz mais carregado de torrefação, baunilha, cravo, canela e coco. Finalmente, a transformação do ácido málico em ácido lático, mais suave, deixa o vinho mais cremoso e com nuances amanteigadas. 

chardonnay-outside-burgundy-headline-shot-630x417

Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • Geralmente os barricados constam o nome “Reserva” ou “Oaked” no rótulo, dependendo da região de produção.
  • Bons contra-rótulos trazem informações importantes, como tempo em que o vinho estagiou no carvalho e notas olfativas, tais como baunilha, crème brulée, maçã cozida, torrefação, manteiga, entre outros.
  • A maioria dos rótulos de Chardonnay barricado deve ser consumida entre 3 e 5 anos após a data da colheita (safra).

Se você curte muito esse estilo de vinho, vale a pena provar outras variedades barricadas que são ótimas alternativas ao Chardonnay, como Marsanne, Viognier e Trebbiano.

CHARDONNAY CÍTRICO E SEM PASSAGEM POR CARVALHO

Para mim, trata-se do estilo perfeito para saborear no Verão. É o par perfeito para ostras frescas, vieiras, mariscos e peixes delicados, sendo que seu exemplar mais conhecido é produzido na região de Chablis, na francesa Borgonha. 

99e55035a7d4b5e4205a4d927829617bb87bd760

Se você é fã de vinhos brancos mais florais e frutados, o Chardonnay Unoaked (sem passagem por carvalho) é a opção ideal. O nariz varia de acordo com a região, mas é possível identificar notas de frutas brancas e amarelas, como maçã, abacaxi fresco e manga. Tudo isso, muitas vezes, acompanhado de um toque de flores brancas.

  • Como é feito e o que esperar dele?

Trata-se de um Chardonnay varietal puro, sem a interferência do carvalho. Desta forma, todas as suas nuances se apoiam nos aromas das frutas, bem como aqueles naturalmente  resultantes da fermentação. Os vinhos são produzidos em ambientes com redução de oxigênio, fermentando em tonéis de aço-inoxidável por um curto período de tempo antes de serem engarrafados e liberados, tudo para manter o máximo de frescor. 

Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • Busque por rótulos com a descrição “Unoaked” ou “Sem Passagem por Carvalho”.
  • Bons contra-rótulos trazem informações preciosas, como “frutal”, “floral”, aromas cítricos e/ou minerais.
  • Esses exemplares devem ser consumidos jovens. No entanto, alguns rótulos de Chablis costumam envelhecer por uma década ou mais em virtude de sua mineralidade. 

ESPUMANTE 100% CHARDONNAY: BLANC DE BLANCS

A Chardonnay é a varietal mais popular na produção de espumantes (incluindo os champagnes). Os exemplares Blanc De Blancs (100% produzidos com Chardonnay) harmonizam perfeitamente com frango frito e lulas empanadas (a doré). Parceiro perfeito para um dia de muito sol e calor na praia!

schramsberg-blanc-de-blancs-north-coast-usa-10261393

Blanc De Blancs quer dizer literalmente “branco dos brancos”, visto que são produzidos totalmente com uvas Chardonnay. Também já vi rótulos utilizarem essa denominação para exemplares que não incluem cepas tintas na composição, como por exemplo, a Pinot Noir, mas não necessariamente só com Chardonnay como varietal branca. Mas, para mim, Blanc De Blancs de verdade tem que ser 100% Chardonnay.

  • Como é feito e o que esperar dele?

Nesse estilo, geralmente podemos esperar um nariz cítrico, com notas de favo de mel, maçã, baunilha torrada e avelãs. Para a produzir um Espumante Chardonnay, as uvas devem ser colhidas uma pouco mais cedo, a fim de preservar o máximo de acidez. Depois que o vinho base é feito, o enólogo adiciona uma mistura chamada de “cuvvé”, a fim de que o mesmo, então, se submeta a uma segunda fermentação dentro da garrafa, no estilo “champenoise” ou “tradicional”. 

A forma com que os vinhos foram produzidos (em carvalho ou aço inoxidável), e o tempo que eles envelhecem após a segunda fermentação (sur lies – contato com as borras (leveduras)) é que vão determinar o seu estilo e perfil aromático. Quanto maior for o tempo de contato com vinho com as leveduras, mais cremoso e amendoado o mesmo será em seu produto final. 

blancdeblancs1

Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • No rótulo do espumante, certifique-se que consta o termo “Blanc De Blancs” e que o mesmo é produzido 100% com a variedade Chardonnay.
  • Preste atenção no tempo de envelhecimento (contato com as leveduras) para identificar seu estilo favorito. Alguns rótulos trazem esse tempo no rótulo ou contra-rótulo (12 meses, 26 meses, 36 meses e assim por diante). 
  • Se for optar por um autêntico Champagne, prefira os Blanc De Blancs da sub-região de Côtes De Blancs.  

Então é isso, enoamigos! Vila Vinífera retornando com força total! Existe algum assunto que você gostaria de ver por aqui? Mande sua sugestão e deguste cada gota de informação. Afinal, a minha maior alegria é ver que vocês estão curtindo e aprendendo junto comigo.

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

A Temperatura de Serviço Afeta o Sabor do Vinho?

Será que a temperatura de serviço possui o poder de alterar o sabor da bebida? Existem temperaturas ideais para servir diferentes estilos de vinho? Essas são dúvidas comuns à maioria dos iniciantes. A resposta é SIM, sendo que a boa notícia é que saber quais vinhos devem ser servidos em determinadas temperaturas pode ser muito mais fácil do que se imagina.

GUIA DE SERVIÇO DE TEMPERATURA DO VINHO

Então, pessoal, a razão pela qual é tão importante servir o vinho na temperatura correta é que esta pode impactar diretamente nos odores e sabores do nosso néctar. Ao servir o vinho na temperatura ideal, potencializamos e garantimos as melhores experiências em termos de degustação.

a-temperatura-ideal_fixed_large

Sendo assim, se liga nessas dicas e prepare-se para mandar superbem no serviço do vinho.

ESPUMANTES DEVEM SER SERVIDOS ENTRE 6 E 8ºC

A maioria das pessoas gosta de colocar a garrafa de espumante no congelador, geralmente 1 hora antes de abri-la. Porém, CUIDADO: não se esqueça dela ou o resultado pode ser uma tremenda explosão! Se você estiver com pouco tempo, também é possível colocar a garrafa em um balde de gelo com água, álcool e sal grosso. Deixe a “mistura” agir por 30 minutos e corra para o abraço.

pouring_champagne

O geladinho faz com que as bolhas se tornem mais finas, em vez de espumosas. Após abrir a garrafa e servir as primeiras taças, coloque-a aberta de volta no balde de gelo até que a mesma tenha terminado.

VINHO BRANCO E ROSÉ DEVEM SER SERVIDOS ENTRE 10 E 12ºC

A melhor forma de fazer com que seu vinho branco ou rosé atinja a temperatura correta é colocando-o na geladeira imediatamente após a compra. Agora, se você adquirir o vinho no mesmo dia que for bebê-lo, deixe-o na geladeira por várias horas ou coloque no congelador por cerca de 30 minutos. Esse é o segredo!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Depois de abrir a garrafa e servir as primeiras taças, deixe-a sobre a mesa (suada mesmo) e observe como os aromas se modificam à medida que a temperatura sobe. Utilize um termômetro para saber se o líquido atingiu a temperatura desejada e boa degustação.

VINHO TINTO DEVE SER SERVIDO FRESCO (ENTRE 16 E 18ºC)

Com relação aos tintos, o grande erro é achar que devem ser servidos a temperatura ambiente. Se levarmos em conta que nesse momento aqui no Rio de Janeiro os termômetros marcam cerca de 30ºC, sua degustação pode estar prestes a se tornar um verdadeiro fiasco. Por isso, para que o tinto atinja o ponto ideal de serviço, é necessário deixá-lo na geladeira por 1h antes de abri-lo. Ou, se a pressa for maior, 15 minutos no congelador já são suficientes.

Após sacar a rolha e decantar o líquido (se for necessário), deve-se deixar a bebida repousando na mesa para que atinja lentamente a temperatura desejada.

TABELA DE TEMPERATURAS DE ACORDO COM O ESTILO DO VINHO

Com o intuito de ser ainda mais específica, segue uma tabelinha nota 10, com as temperaturas ideais para os respectivos estilos de fermentado. Consulte sempre que precisar e curta a experiência.

escoladovinho1


Muito bom, hein? Sem dúvida, é um assunto importantíssimo quando se trata de verão. Nessa época, prefiro os vinhos mais leves e geladinhos. Na noite de Natal, por exemplo, fui de Vinho Verde e desceu superbem.

Então é isso, meus amigos! Estamos na última semana do ano e nada como fazer planos. Sei que em certos momentos pensar no futuro pode ser perda de tempo, mas em pleno fim do ano acaba sendo inevitável.

Boa semana! Ótimos vinhos e Feliz 2017! Tim-Tim! Salute! Cheers! Santé!

Referências: VinePair,Revista Adega

Wine Drinks: 3 Sangrias Irresistíveis Para Curtir no Verão

Pois é, amigos, hoje é sexta e a galera já estava aqui me cobrando a receitinha de hoje. E para alegria dos enófilos de plantão, trouxe 3 ideias muito bacanas de sangrias elaboradas com vinho branco. Coisa fina, para apreciar com os amigos ou a dois, na companhia daquela pessoa superespecial.

Essas sangrias moderninhas carregam um charme à parte, pois são preparadas com ingredientes que saem um pouco do lugar comum das “frutinhas da época”. E, em se tratando de verão abafado e muito quente, como o daqui do “Hell de Janeiro”, a dica é gelo, gelo, muito gelo! Delícia!

Então, vamos parar de blá-blá-blá e bora às receitinhas:

1- Sangria de Romã e Alecrim, por Bakeaholic Mama

sangria1

Ingredientes:

  • 1 garrafa de vinho branco seco
  • 3/4 de xícara de romã
  • 4 ramos de alecrim fresco
  • 1/4 xícara de xarope de açúcar ou mel (esse xarope meu irmão aprendeu a fazer com um barman, é super simples: só ferver um pouquinho de água com açúcar até dissolver. Ele usa muito em margaritas. Fica 10, pois quebra o azedo do limão. Nesse caso, deve dar uma suavizada na romã). 
  • Suco de 1 limão
  • Suco de 1 laranja
  • 1/4 de xícara de Triple Sec (é o tal do licor de laranja, estilo Cointreau)

Modo de Fazer:

Numa jarra, adicione os ingredientes e deixe na geladeira por 24 horas. Sirva com gelo.

2- Skinny Girl Sangria Por Linda Wagner 

img_0652-894x1024

Ingredientes:

  • 2 garrafas de vinho branco ( a Linda usou 1 de Sauvignon Blanc e outra de Vinho Verde)
  • 2 pêssegos maduros cortados
  • Framboesas a gosto (se não tiver, vale morango)
  • 2 kiwis
  • Vários raminhos de hortelã
  • adoçante Stevia a gosto

Modo de Fazer:

Numa jarra, misture as garrafas de vinho, as frutas fatiadas e o adoçante, até que o ponto de doçura fique de acordo com o seu gosto (aqui eu não usaria nem açúcar e nem adoçante, pois a acidez dos vinhos com as frutas, para mim, já seria o suficiente. Porém, algumas pessoas preferem mais docinho).

Deixe na geladeira por pelo menos 1 hora, para que os sabores se concentrem. Em um dia muito quente, também vale congelar algumas frutas antes de adicionar na sangria. Elas agem como cubos de gelo refrescantes e deliciosos.

3- Sangria de Vinho Branco com Melão e Kiwi, Por Floating Kitchen

honeydew-kiwi-sangria-4

Ingredientes:

  • 2 xícaras e 1/2 de Melão maduro em Cubos
  • 1 xícara de vinho branco seco (a Liz usou um Chardonnay)
  • 1/2 xícara de conhaque
  • 1/4 xícara de tequila
  • 3 kiwis descasacados e cortados
  • 1 limão, cortado em fatias
  • 1 xícara de água com gás ou club soda
  • Folhas de hortelã para decorar

Modo de Fazer:

Adicione 1 xícara e 1/2 de melão e 1/4 de vinho branco no liquidificador. Bata por 2 minutos. Transfira o purê para uma jarra grande. Em seguida, adicione o restante do vinho, o conhaque e a tequila, bem como as fatias de kiwi, limão e o restante do melão em cubos. Cubra a jarra e deixe na geladeira por pelo menos 2 horas. Antes de servir, misture suavemente o club soda ou água com gás. Divida em copos ou taças, lembrando de adicionar algumas frutas para cada copo. Se desejar, decore com folhas de hortelã.


Espero que tenham curtido as receitinhas de hoje e, aguardem, pois pretendo garimpar mais dicas refrescantes para esse verão. Afinal, ultimamente o que mais tenho consumido em casa são vinhos brancos e espumantes.

Boa sexta! Bom final de semana! Tim-Tim!