Notas de Prova: Brindei ao Natal com Um Rosé Italiano (Aprovadíssimo!)

Enoamigos, acharam que não iriam me ver mais por aqui em 2017? Pois hoje cheguei para quebrar paradigmas. E quando a gente fala isso no mundo do vinho logo me vem um belo Rosé à mente! Ontem, inclusive, me surpreendi com os números apresentados pelo especialista Rafael Puyau no Wenbinar “O Futuro é Rosé“, apontando que, no Brasil, a quantidade de homens que apreciam a bebida já ultrapassa a das mulheres. Ou seja, essa história que “Rosé é vinho de mulherzinha” já caiu por terra há muito tempo.

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Quem me conhece sabe que sempre fui fã dos rosados! Nesse Natal, escolhi um rótulo italiano frutado, descontraído e versátil, que recebi da Winebrands Brasil. E, antes que alguém me pergunte o porquê de sua versatilidade, afirmo que o vinho harmonizou com todos os pratos, do Tender ao Salpicão. Sem falar que o calor que tem feito aqui o Rio de Janeiro tem pedido cada vez mais por esse estilo de vinho, ideal para beber na piscina e à beira mar. 

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STA CRISTINA CIPRESSETO ROSÉ 2015 – ANTINORI

Visual: Casca de cebola intenso e muito límpido.

Olfativo: Muito frutado, com notas de frutas vermelhas frescas, como cereja e framboesa.

Gustativo: Fresco, equilibrado, frutado, com nuances que correspondem ao nariz.

Fora as notas de prova, o rótulo dele é lindo e representa os ciprestes típicos da região da Toscana, na Itália. Elaborado, sobretudo, com a tinta mais importante da região, a Sangiovese, tem presença e personalidade. Ou seja, um rosé muito agradável, do tipo que não pode faltar na sua adega nesse verão e em todas as demais estações do ano.

Então é isso, meus amigos! Sem dúvida vocês vão me ver curtindo vários rótulos rosés nesse verão!

Aqui você confere 5 pratos que harmonizam perfeitamente com o néctar rosado!

E quer saber qual o espumante que vou brindar à chegada de 2018?

Já adianto que é um Rosé Nacional delicioso!

Confira o vídeo que fiz para o nosso Instagram Vila Vinífera.


Então é isso, galera do vinho! Continuem acompanhando a nossa saga em prol da democratização do vinho! Feliz 2018! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

  • Esse post reflete minha opinião sincera sobre o produto em questão.

Vinhos Perfeitos Para Harmonizar Com as Ceias de Fim de Ano

Enoamigos, eu simplesmente adoro o Natal, o Ano-Novo e tudo o que envolve essa época do ano (com exceção do calor, é claro!). No que se refere à gastronomia, por exemplo, alguns pratos já são supertradicionais, como Panetone, Chester, Pernil, Tender, e Rabanadas. E, sem dúvida, todas essas iguarias combinam muito mais com vinhos do que com qualquer outro tipo de bebida.

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Mas, aí, talvez você se pergunte: Com quais vinhos? Sim, quando se trata de tanta variedade de pratos, é normal a gente se confundir  na escolha!

Pensando nisso, abracei meus livros de harmonização e resolvi traçar esse pequeno guia para criarmos verdadeiros enlaces felizes entre as delícias de fim de ano e os nossos amados vinhos. Ah, e com dicas de rótulos para vocês! Curtiu? Então, Vamos lá!

PERU, FRANGO E CHESTER

Esses pratos são tão tradicionais que dificilmente você verá uma ceia sem, pelo menos, um deles. E eles estão presentes desde os tradicionais assados até o salpicão. São carnes de boa suculência e temperos marcantes, que pedem vinhos elegantes, leves e de taninos pouco acentuados. Vamos aos vinhos.

Latido de Sara Rosé, Navarra (BelleCave, 75,00):

Um Rosé espanhol 100% Granacha, de Navarra. No nariz, frutas suculentas e um frescor que combina demais com o verão e as festas de fim de ano.

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Wave Series Pinot Noir, Chile (Pão de Açúcar, 49,90):

Um tinto leve com ótima tipicidade de Leyda Valley, no Chile. Perfeito para ser servido fresco, com temperatura em torno de 12, 13 graus. Um excelente pinot sul-americano com ótimo custo-benefício.

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PERNIL E TENDER

Mais dois pratos clássicos e que marcam presença em muitas mesas brasileiras. O Tender é meu favorito! Com mel e cravo fica uma combinação agridoce diferente que eu amo! O pernil, na casa dos meus pais, por exemplo, demora mais de um dia para ser assado. Para essa dupla imbatível e suculenta, tintos mais potentes e incorpados costumam ser sucesso garantido.

Barone Montalto Acquerello Syrah Terre Siciliane IGT 2015 (Grand Cru, 64,00)

Um Syrah italiano que faz jus aos rótulos da Sicília, que têm surpreendido muito posivamente. Frutas vermelhas, alcaçuz e um mentolado que chama a atenção a cada girada de taça. Isso com o Tender..Hummm… salivei só de pensar.

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Eis um Tannat brazuca de responsa, perfeito para uma ocasião especial. O Corcéis, da Vinícola Helios, inclusive foi medalha de ouro na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2017. Um rótulo de presença, com estágio em barrica e que esbanja potência e fruta madura. Com o pernil é nota 1000!

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BACALHAU

Mais um super campeão de audiência das festas brasileiras! Herança dos portugueses, os pratos à base de bacalhau são tão variados que eu nem me arrisco em citar um mais específico. Ele está presente inteiro, em postas, ou desfiado em saladas, entre outras delícias de forno. Gosto de harmonizar bacalhau de duas formas, ambas sob o aspecto regional. Com branco e tinto. Eis os eleitos:

Vinho Verde Alvarinho Deu La Deu Branco (na facha de 100,00)

Esse Alvarinho é um de melhores custos-benefícios do mercado em se tratando de vinho verde. Elaborado com a casta Alvarinho, tem ótima acidez e elegância, com aromas de frutas tropicais, mel e um toque herbáceo.

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Monte Velho Escolha dos Enólogos 2016 (Wine.com, 49,00)

Tanto o do Rótulo Azul, vendido na Wine, quanto o clássico Monte Velho do rótulo preto, é sucesso garantido em termos de qualidade e preço. Muitas frutas vermelhas, com destaque para framboesas e amoras. É um corte de Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah que expressa de forma leve e elegante o terroir do Alentejo. Aproveita que a Wine está com frete grátis para as regiões sul e sudeste neste fim de ano e se joga!

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RABANADA E PANETONE

Enfim, chegou a hora de fechar a ceia com chave-de-ouro, com as saborosas rabanadas e o tradicional panetone de frutas. Para eles, indico vinhos de sobremesa que tenham o mesmo ou maior teor de doçura que o dos pratos em questão. 

Espumante RAR Moscatel (RAR, R$42,05)

O RAR Moscatel é produzido no Vale do São Francisco, região do Nordeste que demonstra dia após dia uma vocação nata para espumantes. Possui aroma intenso, fresco e típico, com notas de jasmim e outras flores brancas, guaraná, cítricos e mel. Perlage fino e elegante, além de uma doçura típica dos vinhos com esse estilo.

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De Martino Legado Sémillon Late Harvest 2005 (350ml) (Decanter, R$158,00)

Muita gente não daria R$158 num vinho de sobremesa. Mas, quem aprecia os doces botritizados (atacados pela podridão nobre) vai se encantar por esse chileno 100% Sémillon. É simplesmente o melhor que já provei do estilo em se tratando de Novo Mundo e, sem dúvida, apresenta-se como um opção mais em conta que os caríssimos Sauternes. De coloração âmbar opaca, chega intenso, com notas de damasco seco, mel, compota de laranja, marzipã e tabaco. Fresco e cheio de presença em boca, possui final muito persistente. Muito especial!

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Então é isso, enoamigos, adoro terminar um post inédito com sensação de dever cumprido. Sim, 2017 foi um ano de muitas descobertas profissionais e, em termos vinífetros, nem se fala! Conheci muita gente especial, fiz amizades queridas… enfim, estou pronta para recomeçar com ainda mais gás. Me aguardem!

E, claro, nessa brincadeira não podemos nos esquecer dos espumantes! Sim, as borbulhas são versáteis e os de estilo Brut, Extra-Brut e Nature, por exemplo, podem acompanhar uma refeição completa da entrada ao prato principal. Esses eu vou deixar para um próximo post, Ok? Me aguardem! 

Só na contagem regressiva para 2018!

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Até a próxima! Ótimos vinhos! Boas festas! Tim-Tim!

La Vie en Rosé: Saiba Tudo Sobre os Rosados, com Direito a Dicas de Vinhos Para Curtir no Verão

O que é o que é: não é tinto, mas tem tanino. Não é branco, mas esbanja acidez. Sim, é ele! O meu queridinho Rosé, que me encanta, sobretudo, por sua versatilidade e variedade de estilos. 

Com a chegada do calor, os rosados se apresentam como ótimas opções, seja para acompanhar o happy hour e as festinhas à beira da piscina ou simplesmente para apreciar um belo pôr-do-sol à beira mar.

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Liberte-se do preconceito e se abra ao Rosé, que foi a bebida oficial do último verão na França, onde cujas vendas já ultrapassaram as do vinho branco! Sem falar que é o favorito de celebridades como Madonna, Sting e Drew Barrymore. Mas, se você pensa que se trata de uma moda recente, saiba que o Rosé faz parte do mundo do vinho há séculos.

DE ONDE VEM O VINHO ROSÉ

Se o vinho tinto é feito com uvas tintas e o branco com uvas brancas, do que é feito o rosado? Uma vez que as uvas rosadas não existem (com exceção da Zinfandel, mas aí é outra história), a melhor forma de se produzir um bom Rosé é através do contato do suco da uva (mosto) com as cascas. Afinal, são elas que contém as antocianinas, substâncias que transmitem cor à bebida. E quanto maior for o contato do mosto com as cascas, mais cor terá o vinho!

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Ou seja, a cor do Vinho Rosé se dá pelo contato do suco (mosto) com as cascas, visto que, sem elas, o resultado será simplesmente o de um vinho branco. E esse contato dura o tempo necessário para um vinho mais claro, casca de cebola, ou mais escuro, em tom de cereja. Pode durar de 1 a 6 horas, de acordo com a preferência do enólogo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Os vinhos mais claros sempre estiveram presentes ao longo da história do vinho. Evidentemente, o termo rosé não era empregado, mas o aspecto lembrava muito essas cores rosadas, alaranjadas e as várias tonalidades assumidas pelo rosé. Isso é mais ou menos intuitivo de conceber, pois em épocas remotas, a técnica de vinificação era rudimentar e pouco dominada. Portanto, as macerações eram relativamente curtas e os vinhos eram tomados normalmente jovens.

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Além disso, era muito comum fermentarem juntas, uvas brancas e tintas. Não havia o conceito de envelhecimento do vinho, sobretudo antes da existência da garrafa e da rolha. Este gosto antigo chamava esses vinhos como vinhos de prazer. Os vinhos de cores mais acentuadas, semelhantes ao que conhecemos hoje, eram denominados vinhos de alimentação, destinados aos trabalhadores braçais. Eram frutos de macerações longas, prensagens grosseiras, elaborados com pouco cuidado. Os termos usados para esses vinhos eram vin nourriture e vinum rubeum.

Na Idade Média, em vários quadros onde o vinho aparece, notamos uma cor que nos lembra os vinhos rosés. Na época, chamado de Vinum Clarum ou Claret. A foto abaixo ilustra este fato.

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4 RÓTULOS PARA DESCOBRIR OS ROSÉS

Agora que vocês já conhecem um pouco mais sobre os Rosados, que tal ir mais a fundo e degustar Rosés de países e estilos diferentes? Aqui eu indico 4 rótulos para começar a brincadeira:

  1. Rosé Francês:

    Falar de rosé no mundo é falar de França. E falar de França, é falar de Provence, seu grande vinho emblemático. 

L’Opale de la Presqu’Ile de St. Tropez é um vinho elegante, fresco e muito saboroso. O visual é de coloração casca de cebola, acobreado, é bem típico da região. Límpido e muito brilhante, possui aromas que lembram rosas, morango fresco, cereja e canela.

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2- Rosé Português:

Cor-de-rosa e refrescante, o estilo do Mateus, Rosé mais vendido em Portugal, conta com uma efervescência ligeira e extremamente versátil.

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Criado em 1942, o Mateus tem aquela garrafa linda e estilosa, cujo formato foi inicialmente inspirado nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. Era o preferido de Jimmy Hendrix e, até hoje, dizem que a Rainha Elizabeth II tem sempre uma garrafinha de Mateus em sua adega.

3- Rosé Argentino:

O estilo do Rosé Argentino, elaborado com a uva Malbec, costuma tender mais para a cor cereja. Em alguns casos chega a ser só um pouco mais claro que um tinto. O Crios, da Susana Balbo, na minha opinião, é o melhor em termos de cor, olfato e paladar. Possui nuances de frutas vermelhas e negras frescas, com notas florais. Ótimo Custo-benefício, da Importadora Cantu Wines.

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5 – Rosé Brasileiro:

Claro que eu não poderia deixar de sugerir um Rosé 100% nacional. Sou simplesmente APAIXONADA pelo Marie Gabi, da vinícola Routhier & Darricarrère, da Campanha gaúcha (RS). A cor dele é um casca de cebola bem clarinho, do tipo que fica macerando por, no máximo, 1 hora. Além do rótulo fofo, o Marie Gabi possui toques cítricos e herbáceos. No aroma, notas florais, de amêndoas e frutas vermelhas. Vale a pena!

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Então é isso, viníferos! Fico feliz em ver que mais e mais enófilos estão se rendendo ao néctar rosado, que ainda tem muito o que ser descoberto. Todos os rótulos listados acima foram provados e aprovados por mim e a maioria conta com um ótimo custo-benefício.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Vine Pair, Vinho Sem Segredo

Wine Drinks: Brinde à Vida com Pisco e Espumante Rosé (Morango Sparkler)

Como visitar o Chile e não trazer uma garrafa de pisco na mala? E, chegando em casa, claro, comecei a explorar a internet em busca de receitas de drinks diferentes, que saíssem do tradicional “Pisco Sour”. Até que, enfim, encontrei uma que une o destilado com nada mais nada menos que Espumante Rosé (uma das minhas paixões!). O resultado é mais um Wine Drink inédito aqui para vocês.

O diferencial dessa receita é o Xarope Simples de Morango, que serve, ainda, para saborizar outros drinks e soltar a criatividade. Por isso, primeiro vou te ensinar a fazer esse ingrediente. Anote aí:

Ingredientes:

1 kg de morangos lavados e cortados em pedaços
2 kg de açúcar
300 ml de água

Numa panela alta coloque o açúcar e a água, leve ao lume e deixe ferver 5 minutos. Junte os morangos e deixe ferver mais 8 minutos em lume baixo. Desligue o fogo e coe através de um passador de rede fina. Deixe arrefecer e engarrafe, rolhe bem. Guarde em local fresco.

 

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Sim, e agora vamos à receitinha do Morango Sparkler, para você curtir com os amigos no happy hour, no almoço, jantar e por aí vai… Satisfação garantida! Olha só:

MORANGO SPARKLER

Ingredientes:

  • 1 dose de Pisco
  • 1/2 dose de xarope simples de morango (o restante do xarope que  você preparou pode ser guardado numa garrafa e ir para a geladeira, para outros drinks)
  • 3 doses de espumante rosé de qualidade (de preferência seco, sem açúcar residual)

Modo de Preparo:

Junte o Pisco e o Xarope Simples de Morango no fundo de uma flute, tulipa ou copo long drink. Despeje o Espumante Rosé na taça ou copo.  Decore com um morango na borda, assim como na foto abaixo, e voilá!

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Então, viníferos, eu já estava com saudades de publicar um Wine Drink inédito para vocês. Afinal, nada como dividir uma paixão com os amigos. E, além do vinho, também gosto muito de mixologia e tudo o que envolve o assunto “Coquetéis”.

Sem falar que quem me conhece sabe o quanto sou entusiasta dos Vinhos Rosés e faço de tudo para divulgá-los por aqui e desmistificar alguns preconceitos.

Até a próxima! Bons Vinhos! Ótimos drinks! Tim-Tim!

 

*Referências: Vine Pair, Blog horta e cozinha, Petiscos. 

Ávidos Douro: História de Amor e Inspiração Para o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados está chegando e nada melhor que celebrar com a nossa bebida favorita. Nessa hora, não importa se você tem ou não companhia. O que vale à pena mesmo é se cercar de gente querida e, sim, brindar ao amor em todas as suas expressões. 

COISA DO DESTINO

E quem me conhece sabe que acredito muito em destino. Realmente, nada acontece por acaso. Sendo assim, estava eu dando aquela olhadinha básica no Facebook até me deparar com um vinho de rótulo APAIXONADO. Desse jeito, em letras maiúsculas! Lindo e com um belo coração estilizado. Na mesma hora tive vontade de provar esse néctar romântico e ao mesmo tempo misterioso.

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Poucos minutos depois, eis que uma grande-recente-amiga me chama para dizer que poderia me colocar em contato com um dos casais que produz o vinho em Portugal, na região do Douro Superior. O mais curioso é que eles vivem no Rio de Janeiro. “Só podia ser coisa do destino”, pensei.

TUDO COMEÇOU COM UM CASAL APAIXONADO

O amor com que Christiane e Plínio falam de seus vinhos já declara o porquê do nome de seus rótulos principais. Amantes da bebida dos deuses, sempre acabavam visitando regiões vinícolas pelo mundo, ainda que este não fosse o motivo principal de suas viagens. 

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O casal Christiane e Plínio Simões

Até que um dia, no meio dessas andanças, se depararam com uma área no Douro, mais precisamente no Douro Superior, na margem direita do rio português. Trata-se da área mais seca e ensolarada do lugar, semi-árida, onde a videira chora e sofre para produzir poucos cachos de maravilhosas uvas. Sim, foi amor à primeira vista como visto nos melhores romances!

“É uma área de beleza pungente, sofrida, onde, de imediato, se é tomado por uma sensação diferente, inquietantemente agradável. Em 48 horas estávamos negociando a área, em 72 assinamos um compromisso e começamos a trabalhar nas vinhas, assistidos por um fabuloso enólogo, que nos ajudou em todos os passos do caminho.” contou Plínio

Após a paixão arrebatadora, o casal passou a pesquisar toda a história do lugar, tentando entender ao máximo de onde vinha a energia inusitada daquele terroir, bem como de suas sofridas videiras. Aos pouco, foram descobrindo as origens e  lendas daquela micro-região. Logo, se entregaram por completo, na companhia dos amigos Elsa e Marcos que, igualmente atraídos pelo local, compraram as terras vizinhas e , desde então, se tornaram sócios de Chris e Plínio na produção dos vinhos. 

GUIADOS POR UMA HISTÓRIA DE AMOR E INSPIRAÇÃO

Uma dessas lendas que até hoje inspira o casal trata da história de uma donzela lusa, dos tempos da Lusitânia, que se perdeu de paixão por um conquistador romano. Não aceitando o romance, os pais a esconderam fora dos limites da Lusitânia, atravessando o Rio Douro até a sua margem direita, mantendo-a em propriedades próximas ao rio, na Lousa, justamente onde se encontra o terroir da Ávidos Douro.

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Nesse local, a donzela passava dias e noites a chorar e a vagar perdida pelas encostas dos morros, com suas lágrimas impregnando as terras com seus sentimentos de amor, paixão, saudade e anseio pelo reencontro.

Estava explicada a energia que Christiane, Plínio, Elsa e Marcos sentiram e que é vivenciada por todos os que visitam os vinhedos, que relatam se sentir “diferentes”, embora sem saber explicar como ou por que.

A ÁVIDOS DOURO

Após esse turbilhão de sentimentos, não foi difícil concluírem que tanto a vinícola quanto seus quatro vinhos tintos (três ainda a serem lançados) deveriam orbitar em torno do amor sempre evocar essas emoções e desejos típicos de quem não se conforma e quer mais, tal qual os casais apaixonados.

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Logo, o nome Ávidos é uma  homenagem a quem anseia, a quem quer e não se contenta, sonha grande e corre atrás, de um amor, de uma conquista.

Apaixonado, para quem já alcançou o estágio seguinte, já sucumbiu à paixão, sendo esta realizada ou não, assim como o casal da lenda.

Anónimo, para não nos esquecermos do amor perdido que às vezes não mais se consegue sequer identificar, como o soldado da antiga lenda.

E, por fim, Amavio, palavra do português arcaico, quem sabe contemporânea dos  nossos apaixonados, usada para designar uma beberagem que favorece ao amor, ao entendimento, à sedução. Os dicionários antigos não esclarecem que beberagem era essa, mas, para nós, temos a certeza moral de que era o vinho!

NOTAS DE PROVA DO APAIXONADO

APAIXONADO 2016 ROSÉ 12,5% de volume alcoólico

O amor é cor-de-rosa, assim como esse Rosé, elaborado 100% com uvas da casta Touriga Nacional. A cor é linda, delicada e envolvente. Um rosa claro que não se parece com cereja e muito menos casca de cebola. Uma coloração única!

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No nariz é floral e frutado, com notas de morango e cerejas frescas. Possui boa acidez e final redondo de média persistência, pedindo mais um gole. Surpreendente para uma primeira safra! Realmente, apaixonante.

APAIXONADO TINTO 2014 – 13,7% de volume alcoólico

Segundo Plínio Simões, o ano de 2014, apesar de períodos de bastante calor e seca, teve na época da maturação das uvas, Agosto e Setembro, temperaturas amenas e alguma chuva, permitindo uma maturação dos açúcares e taninos bastante equilibrada. Estas condições permitiram fazer vinhos muito elegantes e equilibrados com boa acidez e taninos suaves.

O APAIXONADO TINTO 2014 possui coloração rubi intensa, com reflexos violáceos. Produzido com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Amarela, se expressa com aroma de frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Apesar de ter estado por 16 meses em barrica de carvalho, o vinho é bem frutado e a madeira se apresenta de forma equilibrada, responsável por boa parte do “borogodó” do vinho que é, por si só, muito sedutor.

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De taninos sedosos, possui um final de boca persistente (contei mais de 8 segundos). Digo para vocês que até da minha parte foi amor à primeira vista, tendo sido inesquecível na comemoração do Dia do Sommelier, no último sábado, 3 de junho.


Enfim,  é muita inspiração junta para esse Dia dos Namorados! E se você quer conquistar alguém, trata-se de uma ótima motivação. Afinal, certamente vai impressionar o seu amor.

Por fim, como bem me disse o Plínio, da Ávidos Douro,

“Um conselho de amigo: se não queres terminar dona de vinhedos, não se aventure na região. No máximo, tome o Apaixonado, tinto ou rosé, ou o Ávidos, Anónimo e Amavio, quando chegarem. De preferência, junto com a cara metade.”

Pois é, Plínio. Esse conselho só me deu ainda mais vontade de visitar essa região tão mítica que somente os casais apaixonados compreendem. Quem sabe um dia não chego naquelas terras em companhia da minha cara metade numa viagem romântica, hein? Me aguardem!


ONDE COMPRAR NO RIO DE JANEIRO:

1) Casa Carandaí
Rua Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico

2) Candy da Barra
Av. Armando Lombardi, 800, Loja N – Barra

3) Delly Gil
Rua Gilberto Cardoso, 1, loja 8 – Leblon (Cobal do Leblon)

ONDE ENCONTRAR NO DOURO, EM PORTUGAL

1) DOC – Rui Paula
Estrada Nacional, 222
Armamar – Douro
Tel.: +351 25465-8123

2). Restaurante Papa Zaide
Provesende – Douro
Tel.: +351 254 731 899

3) Garrafeira Gato Preto
Av João Franco
5050-226 Peso da Régua – Douro
Tel.: +351 25431-3367

4) Doces da Puri
Beco do Jaime 30
5140-182 Parambos -Douro Superior
+351 278 685233
http://www.docesdapuri.com

5) Pousada Barão Forrester
Rua Comendador José Rufino
5070 031 Alijó – Douro
+351 25995-9215

6) Taberna da Helena
Av. Aquilino Ribeiro s/n
5140.058 Carrazeda de Ansiães – Douro Superior
+351 278 615 083

ONDE ENCONTRAR NO PORTO, EM PORTUGAL

1) DOP – Rui Paula
Palácio das Artes, Largo de S. Domingos 18
4050-545 Porto
+351 22 201 4313

2) Restaurante Casa da Foz – Antônio Guimarães
+351 226 177 636


ONDE DEGUSTAR NO RIO:

1) Laguiole
Av. Infante Dom Henrique, 85
Glória – Rio de Janeiro
+55 21 2517.3129 / 98744.8679
reserva@laguiole.com.br
http://www.bestfork.com.br/laguiole/adega.php

2) Giuseppe Grill Leblon
Av. Bartolomeu Mitre, 370
Leblon – Rio de Janeiro
contato@giuseppegrill.com.br
+55 21 2249.3055
http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon/

3) Lorenzo Bistrô
Rua Visc. Carandaí, 2
Jardim Botânico – Rio de Janeiro
http://www.lorenzobistro.com.br
+5521 3114 0855


Um belo Dia dos Namorados com muito amor e vinhos! Tim-Tim!