Combinando Vinho e Ovos (Sim, é possível!)

Apesar de amar, estudar e desejar muito trabalhar com vinhos, ultimamente tenho tido que seguir uma dietinha para retornar ao corpicho de antes.

fried-eggs-456351_640

Então, nessa minha dieta eu tenho consumido ovos todos os dias, inclusive no café da manhã. Estou tentando deixar os vinhos para o fim de semana. Mas, obviamente, mesmo sem beber, eu penso muito no meu néctar de Baco. E em alimentos saborosos para combinar com ele.

VINHO E OVOS: HARMONIZAÇÃO POLÊMICA?

Sejam mexidos, fritos, cozinhos ou pochet (“fritos” na água, uma forma superdelicada) os ovos têm seu lugar cativo na alimentação de muita gente. Já foi vilão e, hoje em dia, vive seus dias de mocinho, sobretudo no que diz respeito à clara, sua parte mais proteica.

salad-1607498_640

E já vi muitos entendedores afirmarem que o ovo, assim como vinagre e limão, definitivamente não combina com vinhos.

Porém, nada é definitivo, meu amigo. Com força de vontade o seu ovinho de todo dia terá um parceiro à altura. E este, sem dúvida é o Muscadet. Esqueça os tintos e aquele champanhe caro. O Muscadet, originário do norte da França é o par ideal para ovos, sobretudo se você costuma consumi-los à noite. Não importa a receita, o prazer é garantido!

COMBINANDO OVOS E VINHOS

No geral, os melhores pares para os vinhos são aqueles alimentos que promovem um equilíbrio perfeito com a bebida, normalmente combinando sabores contrastantes ou semelhantes. Para  pratos à base de ovos, o vinho deve adicionar uma certa acidez que contraste com a riqueza nutritiva das gemas, sem ser tânico ou pesado, o que pode resultar em um sabor metálico nada agradável. Ou seja, tem ovo na parada? Então, esqueça o vinho tinto. 

Visto que os ovos fazem parte de molhos substanciais, como Hollandaise ou o famoso  Carbonara, mais uma vez o Muscadet chega com tudo, preparado para fazer bonito na sua mesa.

MUSCADET ENTRA EM CENA

O Muscadet é produzido a partir da humilde Melon de Borgogne na borda costeira do nosso amado Vale do Loire, na França. Simples e agradáveis, esses rótulos são conhecidos por serem leves, cítricos e baratos. Enquanto as nuances de limão e pera elevam sua acidez, notas  herbáceas dão um toque especial aos pratos mais leves. Muitos exemplares de Muscadet são, ainda, envelhecidos sobre as borras (leveduras), resultando em vinhos de leve corpo e uma certa cremosidade que se torna irresistível com queijos e ovos.

breakfast-848313_640

OUTRAS OPÇÕES DE VINHOS PARA HARMONIZAR COM OVOS

Caso você não consiga encontrar o Muscadet, invista em brancos italianos como Gavi ou Soave. Ambos possuem alta acidez, porém, ao invés de uma explosão de cítricos, espere por um toque de noz com nuances minerais. 

Se ainda assim você não tiver opções, opte por um bom Sauvignon Blanc, que é superfácil de encontrar, pois vende em qualquer supermercado. São vinhos de boa acidez e aromaticidade, sobretudo quando os cítricos se sobressaem. 

Então é isso, enoamigos! A cada dia me surpreendo mais com a ampla gama de opções de alimentos que podem sim, ter um bom vinho como parceiro ideal. Exatamente por isso é que eu não desisto das minhas pesquisas. Afinal, vinho faz bem e um branquinho no verão é tudo de bom, sobretudo nesse calor insuportável da Cidade Maravilhosa.

Boa semana! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Anúncios

Wine Chef: Aprenda a Fazer o Famoso Boeuf Bourguignon da Julia Child

Está aí uma receita que, apesar do nome francês sofisticado, é bem menos complicada do que se imagina. Já pensou receber os amigos e a família para um belo almoço de domingo e anunciar o prato principal? Aposto que será um festival de “queixos caídos” Uau!

QUAL A ORIGEM DO BOEUF BOURGUIGNON?

Julia Child em seu livro a Arte da Culinária Francesa descreve o Boeuf Bourguignon como: “Certamente um dos pratos mais deliciosos inventados pelo homem.”

Também pudera! Como o nome mesmo diz, a receita original veio da francesa Borgonha, sendo provável que os cozinheiros utilizassem o próprio vinho da região em seu preparo. Sabemos que a estrela do prato são cortes de carnes mais duros, que cozinham por um longo período para ficarem macias, sem falar no uso do vinho e de elementos aromáticos. Um tempero arrebatador, que sempre teve tudo para ganhar o mundo. E assim se fez!

d3b32aee-370d-40fb-9e25-5bc8944ea45f

UMA RECEITA CINEMATOGRÁFICA

Pois vamos deixar de blá-blá-blá e bora partir para a receita, propriamente dita.

Esta é a da Julia Child, que ficou famosa no filme Julie & Julia (que eu amo!). Anote aí:

INGREDIENTES:
  • 50g de bacon
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 500g de carne em cubos de 5cm ( lagarto, alcatra ou músculo)
  • 1 cenoura cortada em fatias largas
  • 1 cebola grande cortada em pétalas
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1/2 colher de chá de pimenta
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 2 xícaras de vinho tinto (de preferência encorpado e jovem, como um Chianti)
  • 2 xícaras de caldo de carne (prefira o caseiro)
  • 1 colher de sopa de extrato de tomate
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 raminhos de tomilho
  • 1 folha de louro 
  • toucinho 
 
MODO DE PREPARO
  • Separe o bacon do toucinho, corte em tirinhas, ferva o bacon com o toucinho e depois escorra e seque antes de fritar o bacon.
  • Ligue o forno para que aqueça em temperatura média-alta (cerca de 230ºC). 
  • Seque os cubos de carne em papel toalha, para que dourem facilmente.
  • Frite o bacon no azeite e quando dourado retire com uma escumadeira e reserve.
  • Deixe a gordura esquentar até quase fazer fumaça.
  • Aos poucos, frite os cubos de carne na gordura do bacon, sem encher muito a panela para que dourem por igual, por todos os lados.
  • Retire os cubos já dourados e reserve junto ao bacon frito. 
  • Doure a cenoura cortada em rodelas e a cebola em fatias na mesma gordura.
  • Descarte o excesso de gordura ao final.
  • Volte a carne e o bacon à panela junto com os vegetais e tempere com sal e pimenta, salpique a farinha de trigo, misture e leve a panela ao forno, deixando a farinha dourar sobre a carne por 4 minutos ou mais.
  • Retire do forno, mexa a carne e retorne a panela ao forno, deixando mais 4 minutos.
  • Ao final, retire a panela e abaixe a temperatura do forno para 160ºC (fogo baixo). 
  • Derrame na panela o vinho e o caldo de carne, cobrindo a carne.
  • Adicione o extrato de tomate, os dentes de alho esmagados , e as ervas.
  • Leve à fervura na chama do fogão.
  • Tampe a panela e transfira-a para o forno, deixe na grade mais baixa do forno, e regule o calor para que o líquido ferva apenas levemente.
  • Deixe cozinhar por 2 e ½ a 3 horas, ou até que consiga espetar um garfo na carne com facilidade.
  • Enquanto a carne assa, prepare as  cebolas e cogumelos glaceados e reserve-os.
CEBOLAS E COGUMELOS GLACEADOS
 
Ingredientes:
  • 1 colher de sopa de manteiga 
  • 300g de cebolas nanicas para conserva, descascadas 
  • 1 xícara de vinho tinto 
  • 300g de cogumelos variados ou de sua preferência 
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
 
MODO DE PREPARO:
  • Derreta a manteiga em uma frigideira grande ou panela rasa.
  • Coloque as cebolas inteiras e cozinhe mexendo sempre até dourar.
  • Derrame o vinho sobre as cebolas e deixe cozinhar até quase secar, por cerca de 20 minutos.
  • Depois disto, junte os cogumelos e tampe a panela.
  • Cozinhe até os cogumelos ficarem macios e o molho ficar levemente espesso.
  • Tempere com sal e pimenta e posteriormente junte ao boeuf bourguignon. 
  • Quando a carne estiver macia, coe o conteúdo da panela fazendo com que o molho escorra em uma panela menor.
  • Retorne a carne e o bacon à panela original e disponha as cebolas e cogumelos sobre eles.
  • Retire a gordura aparente do molho e leve ao fogo baixo, fervendo levemente por alguns minutos e retirando alguma gordura que venha a aparecer na superfície.
  • Você deverá obter cerca de 2 xícaras e meia de molho, espesso o suficiente para cobrir o verso de uma colher. Se o molho ficar muito ralo, ferva-o por alguns minutos até reduzir e espessar. Já se estiver espesso demais, ajuste a consistência com um pouco de caldo de carne. Ajuste o tempero, controlando com cuidado o sal e a pimenta. Derrame o molho sobre os a carne e os vegetais. Até este ponto, a receita pode ser preparada na véspera. 

NA HORA DE SERVIR 

Se for servir na hora: aqueça a panela por alguns minutos, umedecendo a carne e os vegetais com o molho. Sirva na própria panela do cozimento ou arranje em um prato, complementando com batatas, massa ou arroz. Se quiser, decore com salsinha.

Se for servir mais tarde: mantenha em geladeira depois de frio. Cerca de 20 minutos antes de servir, aqueça, tampe e deixe ferver em fogo baixo por cerca de 10 minutos, umedecendo os vegetais e a carne com o molho.

Confesso que estava pronta para escrever outra postagem, mas me deparei com algumas cenas de Julie & Julia na rede e senti uma vontade enorme de pesquisar sobre essa receita de Boeuf Bourguignon que já se tornou um clássico da culinária mundial.

Espero que tenham curtido!

Boas Receitas! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referências: Wikipedia, Figos e Funghis, Blog Mixirica, cuisineaz.com

Taça Viajante: a Efervescente Champagne

Finalmente, a série Terroir Francês chega à bela região vinícola da Champagne, famosa por produzir alguns dos melhores espumantes do mundo. Sou apaixonada, não só pelas lindas paisagens, como também pela trajetória das Maisons (Casas de Champagne), que há séculos figuram como algumas das mais importantes do mundo de Baco.

AGORA, ABRA UMA CHAMPAGNE E VIAJE NA TAÇA!

Então, que tal se agora nós abríssemos uma champagne e nos transportássemos para esse terroir carregado de essência e história? Prepare-se, pois a viagem tem tudo para ser inesquecível!

reims-1254782_640
Vinhedo em Reims, Champagne

Champagne é uma região vinícola da França, localizada a cerca de 150km de Paris. Antes da criação do Méthode Traditionnelle ou Champenoise, processo que produz o espumante por meio da fermentação na garrafa, o local fabricava vinhos tranquilos para suprir a grande população vizinha de Paris. Os habitantes da Champagne ou Champenois alegam que o monge Dom Pérignon foi o responsável pela criação do método champenoise, no século XVII. Sabemos que essa história é um tanto quanto controversa. Porém, é inegável que Pérignon contribuiu muito para  o sucesso e aperfeiçoamento desta técnica.

A região é conhecida como um terroir de solo calcário e clima mais frio do que o resto da França, ambos resultando em vinhos finos requintados e de forte caráter mineral.

SUB-REGIÕES

  • Montanha de Reims – região mais fria, onde reinam as uvas tintas, principalmente a Pinot Noir, com vários vinhedos Grands Crus e Premier Crus, nove, dos 17 Grands Crus, localizam-se aqui. Os mais famosos são Mailly, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy;
  • Vale de Marne – Solo menos calcário, com predomínio de argila. Predomínio das duas Pinots (Noir e Meunier), com dois vilarejos Grand Crus (Aÿ e Tours-sur- Marne);
  • Côtes de Blancs – Como o nome diz, predomínio de Chardonnay. Clima ameno, solo calcário. Aqui se situam cinco Grands Crus (Cramant, Avize, Oger, Le Mesnil sur Oger e Chouilly);
  • Côte de Sézanne – Região recente, continuação da Côtes de Blancs, com vinhas plantadas em 1960, predomínio de Chardonnay;
  • Cote des Bar – no departamento de Aube, tem invernos frios e verões quentes, solos argilosos, predomínio de Pinot Noir, que nessa sub-região alcança mais corpo.

1024px-Champagne_Vineyards

Vale ressaltar que diferente de outras regiões francesas, como Bordeaux, o nome da sub-região na Champagne é menos importante, pois os espumantes são mais conhecidos pelas marcas das grandes casas, ou maisons. Nomes como Krug, Salon e Chandon contam mais do que o nome da sub-região.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA (AOC)

Embora muita gente se refira a qualquer espumante como champagne, hoje em dia existe uma legislação que determina que o nome Champagne só pode ser usado em rótulos provenientes desta região vinícola. As únicas exceções são alguns produtores norte-americanos que utilizam há décadas a denominação California Champagne, bem como a Peterlongo, vinícola brasileira que conseguiu os direitos de uso do nome nos anos 70, por meio do Supremo Tribunal de Justiça. Todos esses produtores alegam que já produziam o “champagne” mesmo antes da AOC (Denominação de Origem Controlada) entrar em vigor, em 1927.

Porém, não canso de mencionar que esse tipo de coisa não faz nenhum sentido além do marketing. Champanhe de verdade, só aquele produzido na região francesa de Champagne.

Moët_&_Chandon_caves_1
Cave Moët & Chandon 

PRINCIPAIS CASTAS DE UVA

O Champagne é feito sempre a partir de três castas (solo ou misturadas): As tintas Pinot Noir e Pinot Meunier (das quais se faz um vinho branco) e a branca Chardonnay. Geralmente as tintas emprestam à mistura caráter mais austero, mais corpo, aromas de frutas vermelhas, enquanto a Chardonnay dá mais cremosidade e elegância.

Mundialmente famosa, a Chardonnay encontrou uma de suas melhores expressões nos espumantes da Champagne. As melhores uvas e vinhos provém da sub-região de Cotês Des Blancs.

A Pinot Noir é usada na elaboração de espumantes brancos devido ao fato de não se extrair toda a cor da casca da uva durante a prensagem. Trata-se ainda, de um elemento importante na produção do champagne rosé.

Por fim, a Pinot Meunier é uma outra variedade de uva tinta utilizada na produção de champagnes brancos e rosés, contribuindo com nuances mais leves e frutadas.

1473593576_c822eabdf1

ESTILOS DE VINHOS

Champagne produz espumantes brancos e rosés de diversos estilos, sendo classificados de acordo com a seguinte escala, do mais seco para os mais doces. Aqui, o que manda é a quantidade de gramas por litro de açúcar da bebida.

  • Brut Nature (or brut zero, non-dosé, ultra brut, brut sauvage) : 0-2 g/L de açúcar
  • Extra Brut: 0-6 g/L de açúcar
  • Brut: 6-12 g/L de açúcar 
  • Extra Sec (Extra Dry, Extra Seco): 12-17 g/L de açúcar
  • Sec (Dry): 17-32 g/L de açúcar
  • Demi-Sec (Medium Dry, Meio-Doce): 32-50 g/L de açúcar
  • Doux (Sweet, Doce): more than 50 g/L de açúcar

Alguns vinhedos e vinhos são classificados de acordo com seu grau de qualidade Cru ou Premier Cru. 

Blanc-de-Blancs-Champagne

Champagnes elaborados 100% com uvas Chardonnay são denominados Blanc de Blancs, enquanto aqueles feitos 100% com uvas Pinot Noir são chamados Blanc de Noirs. Bem menos famosos são os vinhos tintos produzidos na região, rotulados como Coteaux Champenois.

ALGUNS RÓTULOS FAMOSOS

  • Dom Pérignon Champagne Brut
  • Louis Roederer Champagne Cristal Brut
  • Moët & Chandon Champagne Imperial Brut
  • Krug Champagne Grande Cuvée Brut
  • Salon Le Mesnil Blanc De Blancs Brut
  • Veuve Cliquot Champanhe Brut 

Espero que tenha gostado da nossa pequena aventura. Lugares lindos e alguns dos melhores espumantes do mundo. Se bem que os nossos rótulos brazucas não têm deixado nem um pouco a desejar, colocando-se em pé de igualdade com muitos desses vinhos. Porém, a tradição champenois é inegável, conquistada através dos séculos, em uma região que foi devastada por diversas guerras e conseguiu se reerguer. Sem dúvida, um orgulho para os franceses e todos os apreciadores dessa bebida mágica.

Referências: Vivino e Revista Adega.

Viaje na Taça: Conheça a Mítica Região da Borgonha

Sem dúvida, a Borgonha é uma das regiões vinícolas mais belas do mundo. Um lugar que povoa o imaginário de qualquer enófilo realmente apaixonado por vinhos finos. Terra do emblemático Domaine de La Romanée Conti (DRC), cujas vinhas são mimadas e cuidadas a fim de produzirem alguns dos melhores rótulos do mundo. Certamente, é um terroir que está na minha listinha de futuros roteiros e acredito que na sua também. Bora conhecer?

village-374367_640
Borgonha

A BORGONHA

A Borgonha (Borgogne, em francês) é uma região vinícola localizada na área central do leste da França, nos arredores do distrito administrativo de Dijon, que não vive só da sua famosa mostarda, visto que a cidade também produz queijos e bons vinhos Chardonnay e Pinot Noir.

O solo da Borgonha é caracterizado por altos níveis de calcário, o que eleva a mineralidade típica dos vinhos locais. Possui clima continental, sem influências oceânicas, com verões relativamente quentes e um dos invernos mais frios da França.

Assim como em muitas regiões francesas, a Borgonha teve suas primeiras videiras introduzidas pelos romanos, no século I d.c. Durante a Idade Média, foram os monges católicos que desenvolveram a viticultura precisa e delimitada de alguns dos vinhedos mais famosos da atualidade.

SUB-REGIÕES

fontenay-1041545_640
Fontenay, Côte D’Or

A Borgonha é dividida em 4 principais sub-regiões:

CÔTE D’OR: produz os melhores vinhos da região e compreende duas áreas distintas, norte e sul da cidade de Beaune – Côte de Beaune e Côte de Nuits. A Côte d’ Or possui as melhores e mais famosas denominações da região, que engloba vinhedos como Vosne-Romanée, Nuits Saint Georges e Puligny- Montrachet.

CHABLIS: situada no oeste da Borgonha, é especializada na produção de excelentes vinhos Chardonnay de caráter mineral e picante.

CÔTE CHALONNAISE:  ao sul da Côte d’Or, produz tanto vinhos Chardonnay quanto Pinot Noir. Possui denominações famosas, como Bouzeron, Mercurey e Givry.

MACONNAIS: é a área mais ao sul da Borgonha, nos arredores da cidade de Macon, a poucos quilômetros de Beaujolais. Produz quantidades consideráveis de vinhos Chardonnay, entre outros, em sua maioria brancos.

CASTAS DE UVAS

Pinot_noir_DSC_9092

Chardonnay e Pinot Noir: são algumas das cepas mais famosas do mundo, ambas nascidas na Borgonha, em plena Idade Média. Até hoje, são as uvas brancas e tintas mais cultivadas do lugar.

Aligoté: é uma casta branca pouco conhecida na região. Produz vinhos mais leves e acessíveis, ótimos para quem está começando a degustar os vinhos brancos no estilo da Borgonha.

Gamay: apesar de produzida na Borgonha, os vinhos desta uva nunca são engarrafados como varietais únicos. Geralmente, ela participa de uma pequena parcela dos lotes rotulados como Bourgogne  Gran Ordinaire ou Coteaux Bourguignons.

Pinot Blanc: geralmente reservada para a produção de vinhos espumantes.

ESTILO DE VINHOS

Os tintos da Borgonha são considerados a mais completa manifestação da Pinot Noir no mundo, conhecida por seu corpo, elegância e luminosidade. Geralmente, seus exemplares são envelhecidos em barricas de carvalho.

Já os brancos da Borgonha, em sua maioria da uva Chardonnay, possuem um toque mineral, devido ao solo calcário. Costumam ser refinados e de ótima acidez. O Chablis possui um toque seco e fresco, sendo muito apreciado com ostras frescas, por exemplo.

Na Borgonha, as vinhas e os vinhos são qualificados de acordo com seu nível Cru: Grand Crus são os melhores vinhedos, que produzem os melhores e mais caros exemplares. Os Premiers Crus, por sua vez, possuem um grau ligeiramente inferior.

Agora, algo que pouca gente sabe: a Borgonha também possui ótimos espumantes, produzidos por meio da fermentação em garrafa pelo método tradicional, sendo classificados como Crémant de Bourgogne.

RÓTULOS FAMOSOS

romanee_conti_2

  • Domaine de la Romanée Conti : Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Leflaive Chevalier Montrachet Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Mommessin Clos de Tart Grand Cru:  Tinto, Pinot Noir
  • Domaine Coche-Dury Corton Charlemagne Grand Cru: Branco, Chardonnay
  • Domaine Armand Rousseau Chambertin Grand Cru: Tinto, Pinot Noir

Espero que tenham curtido essa pequena viagem pela Borgonha. Estou lendo um livro do Maximillian Potter sobre a História do Romanée-Conti, um dos expoentes máximos da região, sobretudo por ser considerado um dos melhores vinhos do mundo. Trata-se de uma trama policial, mas que também fala muito sobre a região e encanta qualquer apreciador de vinhos finos.  Assim que eu terminar, com certeza postarei uma resenha com as minhas impressões. Mas, por enquanto, garanto que estou adorando!

Bons vinhos! Tim-Tim!

Wine Tour: Conheça o Museu Cité Du Vin, em Bordeaux

Já que falamos sobre a região francesa de Bordeaux, não poderia deixar de escrever um post sobre a recém-inaugurada  Cité Du Vin. O lugar é, ao mesmo tempo, museu, parque temático e uma impactante obra arquitetônica. Trata-se de um dos projetos mais ambiciosos do mundo do vinho, que o homenageia como patrimônio cultural, vivo e universal. 

Cité_du_Vin_Bordeaux©XTU_P.Desmazieres

O MUSEU

No museu, as 20 seções e exposições abordam a história da bebida desde os primórdios até a atualidade, uma vez que explora a grande variedade de castas de uvas que se fizeram famosas em diversos países. Nesse verdadeiro “templo de Baco”, também são ministrados cursos, seminários (em auditórios com capacidade para 250 pessoas) e degustações, além de uma loja onde é possível comprar 800 tipos de vinhos finos diferentes (200 deles franceses).

Sem falar do Restaurante Latitude 20, que conta com uma adega com mais de 14.000 garrafas de 800 exemplares de diferentes partes do mundo. Seu nome faz referência ao paralelo 20, que dispõe de vinhos elaborados em regiões do planeta nessa localização, tanto ao norte quanto ao sul. Lugares inusitados, como Madagascar, Bali, Índia, Etiópia e Tahiti.

thomas-jefferson-auditorium-630x417
Auditório com Capacidade Para 250 Pessoas

DESPERTANDO OS SENTIDOS

A ideia é que os visitantes percebam o museu em todos os sentidos. Dos mais comuns, vivenciados durante uma degustação de vinhos (paladar, visão e olfato), aos mais sutis, como o tato e a audição. Essa experiência é descrita por muitos como uma “total imersão multi-sensorial no mundo do vinho”.

cite-du-vin-museum3-TRAVEL-large

TECNOLOGIA

Não bastasse todos esses números impressionantes, a “Cidade do Vinho” ainda conta com uma instalação multimídia, que nos permite assistir a uma encenação com  personagens ilustres de diferentes épocas, como Voltaire, Churchill e Napoleão Bonaparte. Essas figuras míticas falarão sobre seus vinhos favoritos, uma vez que são conhecidos historicamente como  alguns dos mais famosos amantes do néctar dos deuses.

Além disso, por meio de telas gigantes e projeções no chão, você poderá conhecer diversas regiões vinícolas, bem como interagir num jogo de som, luzes e aromas, que nos transporta para uma espécie de “degustação” em três dimensões. Sensacional!

648x415 (1)
Espaço Multimídia

ARQUITETURA

O edifício, de linhas vanguardistas, foi projetado pelos renomados arquitetos Anouk Legendre e Nicolas Desmaziéres (do escritório XTU) e abrange uma área de 13.350 m². A estrutura possui 8 andares e faz alusão ao vinho sendo derramado em uma taça e seus reflexos são projetados em placas de alumínio e vidro, que refletem o sol e mudam de tonalidade, do acinzentado ao amarelo, de acordo com a hora do dia e a intensidade do astro-rei.

Trata-se do prédio mais alto do centro de Bordeaux (55 metros de altura), que brinda seus visitantes com uma  vista panorâmica de tirar o fôlego! No 8º andar está localizada a Torre Le Belvèdére, enquanto no 7º há outro restaurante (o Le 7), desta vez com  vista panorâmica e temática futurista.

Mapa_ciudad_del_vino_Burdeos
Mapa da Cidade do Vinho

DIVERSÃO TAMBÉM PARA OS PEQUENOS

E os pequenos não ficam de fora! Há passeios para as crianças, com atividades tecnológicas e interativas, bem como oficinas para toda a família, onde a garotada poderá degustar diversos sucos de uvas.

O projeto custou 81 milhões de euros e são esperados cerca de 450 mil visitantes por ano. O valor do ingresso gira em torno de 20 euros por pessoas. A Cité Du Vin também abriga exposições temporárias, workshops e vários espetáculos.Por exemplo, durante o Campeonato de Futebol Europeu, os jogos são transmitidos em telões e, em seguidas, são realizadas degustações de vinhos provenientes dos países envolvidos na disputa daquele dia.

main_laciteduvin

Eu já estava deslumbrada com esse museu. Depois dessa pesquisa, fiquei com vontade de vender tudo o que tenho e ir amanhã mesmo..rs..rs.rs.. Uma verdadeira Disneylândia para os amantes dos vinhos finos.  Tenho um amigo que foi e, pelo que me contou, é tudo isso mesmo. Não decepciona em nada. Se você também já visitou a Cité Du Vin, conta para mim. Estou supercuriosa!

Boa semana e ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: The Big Wine Theory, La Nación

Imagens:
es.blouinartinfo.com
www.decanter.com
http://www.20minutes.fr/
http://france3-regions.francetvinfo.fr/
http://www.telegraph.co.uk/
http://turismodevino.com/

 

Taça Viajante: As Delícias de Bordeaux

Em meio a minha série de posts sobre as regiões vinícolas francesas, ontem, imaginem só, minha aula de Degustação na  ABS-RJ foi sobre os vinhos finos do Velho Mundo. Obviamente, o professor Roberto Rodrigues falou sobre diversas regiões, incluindo Bordeaux. Confesso que achei um pouquinho complicado. Afinal, são diversas “sub-regiões”, com um mundo de produtores de vários estilos.

bordeaux_Blaye

Tanto que o professor mesmo, mandou logo a dica: “Quanto maior for o nome Bordeaux, impresso na garrafa, pior é o vinho.”Dentro da minha vivência, isso faz supersentido. Quantas vezes bebi Bordeauxs dos quais não gostei, comprados em liquidações por aí afora? Meu pai mesmo outro dia comprou duas garrafas que estavam “bem em conta”, numa loja de vinhos da região serrana. Resultado: bebemos uma delas, péssima! E a outra está lá, na adega dele, largada…rsrs.

Pois bem, vamos desvendar mais essa bela região vinícola francesa. E, sim, uma das mais famosas! Tudo isso justifica esse marketing em torno do nome, sobretudo para os leigos, que acabam levando gato por lebre.

BORDEAUX

É uma região vinícola localizada no sudoeste da França, na costa do Oceano Atlântico. É a segunda maior região francesa produtora de vinhos finos, só perde para Languedoc-Roussilon.

5429521270_d9dc7aae9d_z
Insira uma legendaChâteau Cos D’Estournel, St-Estephe in the Medoc, Bordeaux France – Foto By Megan Cole

A proximidade do oceano influencia muito o clima da região, tornando-o relativamente fresco e úmido. Isso explica uma significativa variação das safras, observada nos vinhos finos de Bordeaux. Logo, a alta incidência de chuvas nos períodos da floração e colheita podem resultar em um tremendo desastre, sendo fonte de preocupação constante da maioria dos produtores.

Bordeaux é dividida em duas áreas, pelo Rio Gironde. A famosa “Margem Esquerda” é composta por solo calcário, ideais para o cultivo da casta Cabernet Sauvignon. A “Margem Direita”, por sua vez, tem um terroir com mais argila e um pouco de solo calcário, tendo excelentes resultados no plantio das uvas Merlot.

As  mais famosas sub-regiões e denominações de área de Bordeaux são Médoc, Graves, Sauternes, Saint-Emilion e Pomerol. Os produtores do terroir são os mais fervorosos no uso do termo “Château”, um nome que qualifica suas adegas e quintas.

CASTAS DE UVAS MAIS UTILIZADAS

A maioria dos vinhos finos tintos de Bordeaux são resultado de assemblage, ou seja, elaborados com mais de uma casta. Cabernet Sauvignon e Merlot são as principais varietais utilizadas em cortes, sendo que a Cabernet Franc, apesar de ser menos utilizada, desempenha um papel importante em alguns dos rótulos regionais mais procurados, como Château Cheval Blanc e Château Alsone. A Petit Verdot também participa das misturas, porém, em pequenas proporções. Ela traz poderosos aromas florais e taninos densos.

Já os Bordeaux de castas brancas contam com  cortes de uvas Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle. 

Chateau_Margaux_1960_by_Augustas_Didzgalvis

ESTILOS DE VINHOS FINOS

TINTOS

A maioria dos vinhos finos de Bordeaux é do tipo tinto-seco, além de contar com uma série de denominações regionais, como Bordeaux AC, Bordeaux Supérieur, ou denominações de povoado, como Pauillac (essa meu professor elogiou bastante) e Saint-Estéphe.

1999_Chateau_Mouton_Rothschild

BRANCOS

Bordeaux também produz vinhos finos brancos, relativamente leves e frutados, como os da sub-região de Entre-Deux-Mers. Estes são perfeitos para acompanhar frutos do mar. Eu já degustei um Bordeaux Branco muito bom, com comida japonesa. O resultado foi divino! Alguns dos melhores rótulos brancos da região são fermentados em barris, a fim de se obter uma gama mais diversificada de aromas, como os da área de Pessac-Léognan. Os povoados de Sauternes e Barsac, localizados ao longo do rio, se beneficiam de um micro-clima favorável para o cultivo de uvas que recebem bem a Botrytis (podridão nobre), tornando-os famosos mundialmente por seus vinhos brancos doces botritizados.

Chateau_Villefranche_Sauternes_2002

RÓTULOS FAMOSOS

  • Château Mouton Rothschild, Pauillac
  • Pétrus, Pomerol
  • Château Margaux
  • Château d’Yquem, Sauternes
  • Château Haut-Brion, Péssac-Léognan

Esse é apenas um resumo, que pode beneficiar, sobretudo os iniciantes. Como já foi dito, são várias sub-regiões e povoados esperando para serem descobertos por nós, enófilos estudiosos e dedicados 🙂

Amanhã é sexta e o friozinho está uma delícia. Curtam bastante, com direito a muitos vinhos! Tim-Tim!

Taça Viajante: As Maravilhas da Alsácia

Em nossa nova série de posts, vamos desvendar um pouco dos mistérios das regiões vinícolas francesas. E não é à toa que estas são tão famosas! Afinal, nelas são produzidos alguns dos melhores vinhos finos do mundo.

kaysersberg-356955_1280
Vinhedos em Kaysersberg, Alsácia

Para começar, vamos falar sobre a Alsácia. Eu mesma nunca tinha ouvido falar dela, até assistir ao documentário “Somm Dentro da Garrafa”. O lugar é lindo, fiquei apaixonada, com vontade de visitar e, obviamente, de escrever sobre ele.

A ALSÁCIA

Trata-se de um região vinícola localizada no nordeste da França, junto à fronteira da Alemanha, que é delimitada pelo Rio Reno. Ao longo da história, a Alsácia foi palco de grandes batalhas histórias entre franceses e alemães. Volta e meia o controle da região era revezado entre os dois países.

Os vinhedos da Alsácia estão espalhados entre as montanhas de Vosges e ao longo do Rio Reno. As montanhas agem como uma espécie de escudo contra a umidade do Oceano Atlântico. Por isso, a Alsácia é uma das regiões mais secas da França, apesar de estar posicionada ao norte, que abrigaria locais mais úmidos.

landscape-1471927_1280
Vinhedos entre as Montanhas de Vosges, Alsácia

Os solos são bastante variados, indo do arenito, granito aos exemplares vulcânicos, das encostas das montanhas. É possível, ainda, encontrar um calcário rico em argila nas planícies ao longo do rio. Essa distinção de solos permite que se cultive diversos tipos de uva na região.

PRINCIPAIS VARIEDADES DE UVAS

Na Alsácia, a influência alemã não se mostra apenas no sotaque e estilo de vida de seus moradores. Ela também é encontrada nas variedades de uvas cultivadas em seu terroir, muitas das quais são muito populares também na Alemanha.

RIESLING: Diferente da sua equivalente alemã, a Riesling da Alsácia costuma dar origem a vinhos finos secos. Por conta do clima quente, esses exemplares são mais encorpados e ácidos, com notas aromáticas mais maduras e menos mineralidade.

GEWURZTRAMINER: Trata-se de uma casta tão perfumada, que às vezes lembra a Moscato. Na Alsácia, costuma dar origem a vinhos finos secos, mas que também pode ser doce, por meio de colheita tardia.

PINOT GRIS: A terceira principal uva branca da Alsácia alcança altos níveis de maturidade quando cultivada por lá. Logo, resulta em vinhos finos cítricos e picantes, porém delicados e com aromas tropicais. Esse estilo é tido como mais completo que o da Pinot Grigio.

PINOT NOIR: Muitas vezes esquecida quando nos referimos à Alsácia, trata-se da casta tinta mais cultivada na região. A Pinot desse terroir produz vinhos de expressão mais fina e ácida quando comparados aos equivalentes da região da Borgonha.

barris_alsacia
Barris na Alsácia, com Vinhos Finos de Suas Principais Castas

ESTILOS DE VINHOS FINOS

  • Os Grand Crus da Alsácia são considerados, ao longo dos séculos, aqueles que mais expressam as características das castas locais. Eles correspondem a pequenas áreas de vinhedos, claramente definidas por algumas aldeias, como Rangen e Schlossberg.
  • Vendange Tardive, termo francês para designar os vinhos finos de Colheita Tardia, é um tipo muito comum na Alsácia. Assim como seu nome mesmo diz, as uvas são deixadas por mais tempo nos vinhedos até a colheita. Resultam em exemplares doces de sobremesa.
  • Séléction de Grains Nobles são vinhos finos elaborados a partir de uma pequena seleção de uvas atacadas pelo fungo Botrytis (podridão nobre), exatamente como os vinhos de Sauternes, ou seja, doces e saborosos.

Four_Hugel_bottle_labels

RÓTULOS FAMOSOS

Vejamos alguns rótulos conhecidos por apresentar o que há de melhor no terroir da região:

  • Hugel Gewurztraminer
  • Trimbach Riesling Alsace Clos Sainte Hune
  • Domaine Zind Humbrecht Riesling Alsace Grand Cru Rangen De Thann Clos Saint Urban
  •  Lucien Albrecht Crémant d’Alsace Brut Rosé
  • Domaine Marcel Deiss Alsace Grand Cru Schoenenbourg

Cremant Rose Label

Espero que tenham gostado! Fiquem ligados, pois ao longo dessa série vocês vão conhecer o básico sobre os mais famosos terroirs franceses. Bagagem suficiente para viajar e trocar ideias com os amigos. Além de, obviamente, degustar rótulos memoráveis.