Lifestyle: Os 10 Mandamentos do Vinho

Fato que nós, apreciadores de vinhos, temos as nossas diretrizes. Pode ser que não sejam assim tão explícitas, mas sem dúvida geram conflitos, sobretudo quando são proferidas por aqueles considerados um tanto quanto esnobes. Sim, o que mais vejo é gente destilando veneno nas redes sociais, tirando sarro do amiguinho que está curtindo seu Toro Loco ou Reservado totalmente desprovido de pretensões. Afinal, em se tratando de vinho, uma regra é clara: Beba o que te faz feliz! 

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E foi pensando nisso que hoje me inspirei a lançar algumas regrinhas do bem, que vão ajudá-lo a se adaptar ao Mundo do Vinho. Confesso que ainda estou aprendendo, viu? Sim, a gente aprende com a vida. Bora?

1- HONRA O TEU VINHO

Seja Chateau Lafite ou Reservado. Se você escolheu esse rótulo é porque era o que estava dentro das suas possibilidades. E, sim, é possível ser feliz com um Reservado, sobretudo se você está em um lugar onde as opções são escassas e você necessita de uma taça de tinto. Sem falar que nem todo mundo é entendedor e se contenta com o que está a mão. Deixe os preconceitos de lado e corra para o abraço!

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2- EXPANDA SEU PALADAR 

Já disse um milhão de vezes que sou super a favor de descobrir novos sabores. Afinal, se você se prende apenas àquele rótulo “testado e aprovado” está perdendo uma grande chance de sentir outros prazeres e se surpreender com um vinho que tem tudo para se tornar o seu “novo queridinho” ou, melhor ainda, um dos favoritos. Enofilia é degustação, expandir o campo sensorial, se dar a oportunidade de apreciar cheiros e sabores diferentes. Amo muito tudo isso!

3- RESPEITE SEUS LIMITES 

Falo por experiência própria – todas as vezes em que bebi uma taça a mais que as minhas possibilidades fisiológicas permitiam, me dei mal! – Vinho é bom, faz um bem enorme para a saúde, mas possui uma graduação alcoólica razoável, no mínimo, em torno de 12%. Por isso, quando a gente se reúne com os amigos, devemos ter em mente que vinho não é cerveja. Não dá para ficar bebendo horas e horas socialmente, muitas e muitas garrafas. As chances de você se arrepender depois, sobretudo no dia seguinte, são grandes. Por isso, beba devagar, saboreando e degustando cada gota.

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4- NEM TODOS OS VINHOS SÃO IGUAIS

Um grande vinho pode não ser caro, mas também não é barato. Estou falando de um grande vinho, Ok? Pois é bom que se saiba que os néctares, de uma forma geral, são elaborados para ocasiões e públicos bem distintos. A indústria quer atender a todos os gostos. Ou seja, não dá para comparar um grande rótulo com um outro de entrada, feito para inciantes ou para ser desfrutado no dia-a-dia ao lado da sua macarronada.

5- COMPARTILHE SEU VINHO

Além do prazer sensorial, o vinho proporciona uma outra magia: reúne as pessoas. Muitas vezes, personalidades totalmente conflituosas acabam se rendendo diante de uma mesma garrafa. Por isso, não seja egoísta. Divida o seu néctar com os amigos e, em troca, vivencie encontros memoráveis. Afinal, o vinho é sempre bom quando apreciado em boa companhia.

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6- RESPEITE O GOSTO DOS OUTROS 

Sim, voltamos ao discurso do primeiro parágrafo desse artigo: Vinho bom é aquele que te faz feliz. Afinal, assim como um rótulo nunca é igual ao outro, as pessoas também são diferentes e têm suas próprias personalidades. Ou seja, se você tem um amigo de infância que adora um vinho docinho, não o repreenda! Ninguém quer ficar com fama de enochato, não é mesmo? Cada um com seu cada um e deixe o cada um dos outros. 🙂

7- O VINHO APROFUNDA A EXPERIÊNCIA E A EXPERIÊNCIA APROFUNDA O VINHO

É isso mesmo! Tudo o que está ao seu redor pode servir como munição na hora de degustar um rótulo. Os cheiros, os sabores, as cores… Enfim, isso tudo faz com que a sua vivência torne o vinho ainda mais prazeroso. E o inverso também ocorre. A taça perfeita no momento certo é capaz de tornar qualquer experiência inesquecível.

8- BEBERÁS UM COPO D’ÁGUA A CADA TAÇA DE VINHO

Ao beber água e vinho alternadamente, as chances de passar dos limites são bem menores. Além de te hidratar, a água permite que você dê mais valor a cada gole, degustando bem devagar.

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9- DESFRUTE DE VINHOS JOVENS, SABOREIE OS DE MEIA-IDADE E HONRE OS ANTIGOS

Cada rótulo tem muito a oferecer e, sem dúvida, dependendo da ocasião, corresponde perfeitamente às expectativas. Um vinho jovem e frutado pode ser a companhia perfeita para um bate-papo com os amigos. Já um rótulo antigo tem o poder de nos transportar no tempo. Aguça não só os sentidos como também a imaginação, visto que em uma única garrafa é possível ter uma ideia de como foi o ano da safra, sobretudo se você estuda o mundo do vinho há tempos e deseja colocar todas as suas experiências em prática.

10- O VINHO ESTÁ SEMPRE MUDANDO E EVOLUINDO

Vinho é vida no melhor sentido da frase. Com o passar dos anos na garrafa, na ausência ou presença de oxigênio, o nosso néctar se transforma! E isso é uma dos aspectos mais singulares para quem aprecia vinho. Deixe seu vinho viver, respirar na taça, liberar todos os aromas. Deixe que uma garrafa mostre todo o seu potencial daqui a alguns anos. Às vezes, apesar da ansiedade, pode ser a hora daquele líquido ficar quietinho, ou seja, se autoconhecer mesmo. Depois que ele amadurecer mais um pouquinho, com certeza vai querer te convencer que a sua missão aqui na terra é te fazer feliz!

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Espero que tenham curtido esse artigo tanto quanto eu adorei escreve-lo. Quando se trata de vinho, é preciso mais vivência e menos soberba. Mais amor e menos regras inquestionáveis. Afinal, o melhor é curtir sem julgamentos.

Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wine Folly

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3 Estilos de Chardonnay Que Você Precisa Experimentar

Como vocês já devem ter percebido, na última semana fiquei um pouquinho off do mundo vinífero por motivo de…férias! Sim, de vez em quando é ótimo para renovar as energias. Ainda mais se for para fugir do calor que toma conta do Rio de Janeiro. Fui para Minas e tive a sorte de pegar dias amenos, com chuvinha e friozinho. Degustei alguns tintos e fui muito feliz.

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DE VOLTA COM TUDO

Agora, de volta para o caldeirão, continuo à caça de brancos e espumantes para beber nos finais de semana (estou tentando evitar o consumo de segunda a sexta, minha silhueta agradece..rs.rs.). Afinal, os cursos só reiniciam daqui a alguns meses, então a hora é essa.

Por isso, hoje trago para vocês 3 estilos de Chardonnay perfeitos para se deliciar nos dias mais quentes. Para quem está apenas começando a degustar essa uva, trata-se de um bom ponto de partida para se aprofundar no assunto. 

CHARDONNAY BARRICADO (CREMOSO)

Quando penso em Chardonnay com estágio em barrica de carvalho, logo me vêm à mente aqueles rótulos tipicamente norte-americanos, cremosos, com nariz de manteiga e baunilha bem pronunciados. Digo que é perfeito para os amantes de tintos que estão começando a se aventurar no mundo dos brancos, sobretudo porque são mais encorpados e combinam com alimentos mais substanciais, como risoto de cogumelos, frango assado, lagosta, presunto, entre outros.

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  • Como é feito e o que esperar dele?

O que realmente define este estilo de Chardonnay é o uso do carvalho no processo de vinificação. A madeira agrega algumas características diferentes, como a adição de mais oxigênio ao processo de produção, resultando em nuances de maçã cozida, massa de torta e avelãs. Sem falar que o próprio carvalho novo ainda contribui para um nariz mais carregado de torrefação, baunilha, cravo, canela e coco. Finalmente, a transformação do ácido málico em ácido lático, mais suave, deixa o vinho mais cremoso e com nuances amanteigadas. 

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Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • Geralmente os barricados constam o nome “Reserva” ou “Oaked” no rótulo, dependendo da região de produção.
  • Bons contra-rótulos trazem informações importantes, como tempo em que o vinho estagiou no carvalho e notas olfativas, tais como baunilha, crème brulée, maçã cozida, torrefação, manteiga, entre outros.
  • A maioria dos rótulos de Chardonnay barricado deve ser consumida entre 3 e 5 anos após a data da colheita (safra).

Se você curte muito esse estilo de vinho, vale a pena provar outras variedades barricadas que são ótimas alternativas ao Chardonnay, como Marsanne, Viognier e Trebbiano.

CHARDONNAY CÍTRICO E SEM PASSAGEM POR CARVALHO

Para mim, trata-se do estilo perfeito para saborear no Verão. É o par perfeito para ostras frescas, vieiras, mariscos e peixes delicados, sendo que seu exemplar mais conhecido é produzido na região de Chablis, na francesa Borgonha. 

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Se você é fã de vinhos brancos mais florais e frutados, o Chardonnay Unoaked (sem passagem por carvalho) é a opção ideal. O nariz varia de acordo com a região, mas é possível identificar notas de frutas brancas e amarelas, como maçã, abacaxi fresco e manga. Tudo isso, muitas vezes, acompanhado de um toque de flores brancas.

  • Como é feito e o que esperar dele?

Trata-se de um Chardonnay varietal puro, sem a interferência do carvalho. Desta forma, todas as suas nuances se apoiam nos aromas das frutas, bem como aqueles naturalmente  resultantes da fermentação. Os vinhos são produzidos em ambientes com redução de oxigênio, fermentando em tonéis de aço-inoxidável por um curto período de tempo antes de serem engarrafados e liberados, tudo para manter o máximo de frescor. 

Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • Busque por rótulos com a descrição “Unoaked” ou “Sem Passagem por Carvalho”.
  • Bons contra-rótulos trazem informações preciosas, como “frutal”, “floral”, aromas cítricos e/ou minerais.
  • Esses exemplares devem ser consumidos jovens. No entanto, alguns rótulos de Chablis costumam envelhecer por uma década ou mais em virtude de sua mineralidade. 

ESPUMANTE 100% CHARDONNAY: BLANC DE BLANCS

A Chardonnay é a varietal mais popular na produção de espumantes (incluindo os champagnes). Os exemplares Blanc De Blancs (100% produzidos com Chardonnay) harmonizam perfeitamente com frango frito e lulas empanadas (a doré). Parceiro perfeito para um dia de muito sol e calor na praia!

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Blanc De Blancs quer dizer literalmente “branco dos brancos”, visto que são produzidos totalmente com uvas Chardonnay. Também já vi rótulos utilizarem essa denominação para exemplares que não incluem cepas tintas na composição, como por exemplo, a Pinot Noir, mas não necessariamente só com Chardonnay como varietal branca. Mas, para mim, Blanc De Blancs de verdade tem que ser 100% Chardonnay.

  • Como é feito e o que esperar dele?

Nesse estilo, geralmente podemos esperar um nariz cítrico, com notas de favo de mel, maçã, baunilha torrada e avelãs. Para a produzir um Espumante Chardonnay, as uvas devem ser colhidas uma pouco mais cedo, a fim de preservar o máximo de acidez. Depois que o vinho base é feito, o enólogo adiciona uma mistura chamada de “cuvvé”, a fim de que o mesmo, então, se submeta a uma segunda fermentação dentro da garrafa, no estilo “champenoise” ou “tradicional”. 

A forma com que os vinhos foram produzidos (em carvalho ou aço inoxidável), e o tempo que eles envelhecem após a segunda fermentação (sur lies – contato com as borras (leveduras)) é que vão determinar o seu estilo e perfil aromático. Quanto maior for o tempo de contato com vinho com as leveduras, mais cremoso e amendoado o mesmo será em seu produto final. 

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Ao procurar por esse estilo, se liga nessas dicas:

  • No rótulo do espumante, certifique-se que consta o termo “Blanc De Blancs” e que o mesmo é produzido 100% com a variedade Chardonnay.
  • Preste atenção no tempo de envelhecimento (contato com as leveduras) para identificar seu estilo favorito. Alguns rótulos trazem esse tempo no rótulo ou contra-rótulo (12 meses, 26 meses, 36 meses e assim por diante). 
  • Se for optar por um autêntico Champagne, prefira os Blanc De Blancs da sub-região de Côtes De Blancs.  

Então é isso, enoamigos! Vila Vinífera retornando com força total! Existe algum assunto que você gostaria de ver por aqui? Mande sua sugestão e deguste cada gota de informação. Afinal, a minha maior alegria é ver que vocês estão curtindo e aprendendo junto comigo.

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Colheita da Uva: Conheça 17 Festas da Vindima Ao Redor do Mundo

A Vindima é motivo de festa para produtores, colonos, enófilos e sommeliers. Afinal, trata-se do sucesso de mais uma safra que merece ser muito celebrada. Outro dia mesmo estava assistindo ao documentário “Um ano Na Borgonha” e acompanhava os temores dos viticultores pela saúde de suas uvas. O clima, as pragas, enfim, tudo isso é capaz de tirar o sono de muitos deles. Portanto, quando as angústias vão embora a gente tem mais é que comemorar mesmo.

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E é assim em praticamente todas as regiões do mundo onde uvas são produzidas. Há festas imperdíveis e gente que aguarda o ano todo por elas. Dá só uma olhada:

Mendoza (Argentina) – Fiesta Nacional de la Vendimia

Esta celebração tão importante para os argentinos representa o trabalho, esforço, dedicação e paixão de todos os que estão envolvidos com o mundo do vinho.

A primeira festa foi realizada em 1936 e, desde então, acontecia todos os anos, até 1955, visto que em 56 não houve celebração devido a problemas econômicos e a revolução que sacudiu o povo porteño. Depois, continuou em 57 e 58 o que, em 1959 foi denominada “Festa do Vinho”. Em seguida, comemorou-se a Vindima de 1960 a 84. Em 85, novamente a celebração foi cancelada em virtude do terremoto em Mendoza. Ainda bem que de 1986 até hoje a festa é realizada todos  os anos, sem interrupções.

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A Fiesta Nacional de La Vendimia de Mendoza conta com 4 eventos principais: a “Benção dos Frutos”, o “Caminho Branco das Rainhas”, “Carrossel” e o”Ato Central”, sendo esse último o mais representativo e atrativo em nível nacional e internacional, celebrado no teatro grego (anfiteatro) Frank Romero Day, que tem a estrutura redesenhada ano após ano e no qual participam mais de mil bailarinos em seu cenário, além de atores locais, reunindo espetáculos artísticos de luz e sons.

Em 2011, a renomada revista National Geographic elegeu a Fiesta de La Vendimia de Mendoza como a segunda manifestação cultural mais importante do mundo, atrás apenas do “Dia de Ação de Graças”, nos EUA. Além disso, é considerado por seus desfiles, tanto o “Caminho Branco” quanto o “Carrossel”, um dos cinco festivais populares mais importantes do mundo, ao lado do Carnaval no Rio de Janeiro.

Curió (Chile): Fiesta de La Vendimia

A primeira edição da Fiesta de La Vendimia de Curió, no Chile, foi projetada pelo enólogo espanhol Miguel Torres e, sem dúvida, foi a festa que abriu caminho para as mais de 20 celebrações realizadas em todo o país, entre as quais se destacam as do Vale d0 Coalchagua, Vale de Santa Cruz, Vale do Copiapó, entre outras.

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A maioria desses festivais acontecem entre os meses de março e abril, já na fase final da colheita. Entre os destaques estão a eleição da Rainha da Vindima, acompanhada de um show que mistura o folclore local com a música contemporânea, bem como outros eventos tradicionais, como a eleição da madrinha da festa, leilão, pesagem de garrafas de vinho e concurso de “pisadores de uvas”.

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Eleição da Rainha da Vindima no Chile

Uruguai: Festival de La Vendimia

Há 2 anos se realiza o Festival de La Vendimia do Uruguai, sempre no primeiro fim de semana de março. A diferença de outras festividades populares é que nesta só participam as vinícolas associadas à Rota do Vinho e as atividades acontecem simultaneamente nos estabelecimentos pertencentes a esse grupo.

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Porém, alguns dos atrativos mais importantes são as diversas opções de culinária e vinhos, assim como a possibilidade de participar da colheita e pisa das uvas em cada uma das vinícolas associadas.

Perú (Ica): Festival Internacional de La Vendimia

Há 48 anos se celebra esta festa dedicada ao vinho na cidade peruana de Ica. O evento dura aproximadamente 7 dias e acontece durante a primeira semana de março de cada ano.

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Entre as atrações, destaque para a pisa comunitária da uva pelos moradores da cidade que marca o início da festividade. Em Ica, também é eleita uma “Rainha da Colheita”, coroada no final do evento. Além disso, também são realizadas diversas degustações e shows artísticos variados que acontecem durante toda a semana de celebração.

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França (Paris): Fête des Vendanges de Montmartre

Há 75 anos, durante a primeira semana de outubro é realizada essa festividade em Montmartre, bairro de Paris. Mas aí você deve estar se perguntando: Por que em Paris? Por que em Montmartre, quando existem tantas regiões vinícolas fabulosas na França?  Pois é, amigos, tudo isso é simplesmente porque Montmartre possui o vinhedo mais antigo e conhecido da França, que data do século XVI.

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Entre as atrações mais importantes destaca-se um desfile em honra ao deus Baco, encabeçado pelos “Petit Poulbots” (crianças do bairro), tocando diversos tipos de tambores. O desfile acontece pelas ruas da colina de Montmartre e termina na praça principal com um show de fogos de artifício.

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França (Borgonha): Les Trois Glorieuses

Trata-se de uma das festividades mais antigas da França relacionada ao vinho. Iniciada em 1859, acontece todos os anos durante o mês de novembro e dura três dias.

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A atração mais importante acontece no final da festa e se trata de um leilão de vinhos jovens apresentados durante o evento, conhecido mundialmente como o leilão “Hospices de Beaune”, um dos hospitais mais antigos da França e que pratica obras de caridade desde 1443.

Canadá (Ontario): Niagara Wine Festivals

O Canadá possui um forte mercado vitivinícola e, obviamente, também tem a sua festa oficial. O cenário é a cidade de Ontario, onde são realizados 3 festivais: o Niagara Wine Festival, Niagara Icewine Festival e Niagara New Vintage.

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O Niagara Wine Festival é celebrado em setembro. Já o Niagara Icewine Festival acontece em final de janeiro e princípio de fevereiro, coincidindo com a colheita da uva para a preparação do famoso Ice Wine (Vinho de Gelo), que deve estar a cerca de -8ºC. Por último, o Niagara New Vintage Festival rola em junho, época da elaboração da safra do ano.

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Alemanha (Bernkastel-Kues): Weinfest der Mittelmosel

O Weinfest der Mittelmosel é celebrado na cidade de Bernkastel-Kues, na Alemanha, de 30 de agosto a 3 de setembro e marca o início da temporada da colheita na região, sendo a festa vinícola mais importante do sul do país.

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Aqui, a eleição da “Rainha do Vinho” também tem muita representatividade. A partir de 1949 cada região vinícola coroa a sua própria soberana e todas competem ao título nacional (é praticamente um “Miss Alemanha do Vinho”). Cada candidata passa por uma série de avaliações, entre elas, como diferenciar claramente o aroma e sabor de cada uva, seja de vinho tinto ou branco. Ou seja, não basta ser linda. A vencedora ainda tem que comprovar seus conhecimentos viníferos frente às câmeras de TV.

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Na Alemanha, a coroação da “Rainha do Vinho” é um acontecimento seguido com atenção por todo o sul do país. 

Itália (Asti): Vino Douja d’Or

Essa festa acontece há 47 anos em meados de setembro na cidade de Asti, na região italiana do Piemonte. Aqui o destaque fica por conta de um concurso entre os produtores da cidade, que é uma das mais importantes áreas vinícolas da Itália. A celebração termina com uma corrida de cavalos.

 

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Espanha (Valencia): Fiesta de La Vendimia  de Requena

De 20 a 31 de agosto se celebra em Requena (Valencia) a “Feria y Festa de La Vendimia” (Feira e Festa da Colheita). A antiga feira, de origem medieval, a partir de 1947 se associou à festa da colheita.

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A festividade é uma das mais antigas da península ibérica e comemora a produção da uva e do vinho, dois dos principais produtos agrícolas da cidade. A feira, por sua vez, é dedicada à padroeira do lugar, Nossa Senhora das Dores. O evento conta com barraquinhas e atrações organizadas pelos feirantes na principal avenida, a Arrabal.

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Entre as atrações mais populares da festa estão a “Noche de La Zurra”, durante a qual as pessoas percorrem as ruas com odres (antigo recipiente feito de pele de animal, usado para o transporte de líquidos) pedindo por água, que são fornecidas por meio de baldes e mangueiras.

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Há, ainda, a eleição da “Rainha da Colheita”, oferenda de flores e frutas à padroeira da cidade, além da “Feira do Vinho” (FEREVIN) e do Desfile da Vindima, que vai da Prefeitura até o Monumento Universal da Colheita, onde ocorre a pisa da uva, bem como a benção do primeiro mosto. Lá, as fontes de vinho (feitas de madeira e papelão) são abertas e podem ser desfrutadas pelos visitantes até o último dia de festa.

Espanha (Barcelona): Festa de la Verema a Alella

Como sabemos, os catalães buscam ser independentes da Espanha e uma das maneiras de expressar esse sentimento é organizando essa celebração. Na”Festa de La Verema e Alella” o que mais se destaca é o concurso de pisadores de uvas, assim como a eleição da “Pubilla”, quantidade de uvas que é pesada em público e convertida em garrafas de vinho.

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Todo ano a festa acontece em uma cidade diferente da Catalunya. 

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Portugal (Santarpém): Vindouro, Festa Do Vinho do Douro

Em Santarpém está localizada a cidade de Cartaxi, que tem como atração a Festa do Vinho do Douro (Vindouro), que acontecem entre os últimos dias de Abril e os primeiros de Maio. Durante os 4 dias de evento, destacam-se todos as atividades relacionadas ao mundo do vinho, entre elas a reprodução de um mercado do século XVIII.

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Chipre (Limasol): Festa do Vinho de Chipre

A festa acontece desde 1961, na primeira semana de setembro, no Jardim Municipal de Limasol, na Ilha grega de Chipre. Assim como as demais festas da colheita ao redor do mundo, essa também se destaca por suas atividades culturais e gastronômicas, típicas da região.

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Destaque para a feira organizada à noite, onde os visitantes podem degustar todos os vinhos do evento de forma gratuita.

Luxemburgo (Grevenmache): 59E Fête Du Raisin Et Du Vi

Está aí outra festividade que não abre mão de eleger uma “Rainha da Colheita” para representar sua cultura vitivinícola. A festa da colheita de Luxemburgo acontece durante três dias no mês de setembro, dando grande destaque às suas castas mais emblemáticas: Riesling e Pinot Noir.

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República Checa (Mikulov): Festa da Colheita de Parava

A República Checa dispõe de 19.000 hectares dedicados ao cultivo de uvas destinadas ao nosso néctar, com destaque para as varietais Cabernet Moravia ou André, em tintos, e a Moscatel Moravo nos rótulos brancos.

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A Festa da Colheita de Parava acontece anualmente entre 9 e 12 de setembro, na localidade de Mikulov. Entre as principais atrações estão as bandas de música locais e, sobretudo, seu vinho jovem chamado “Bureák”.

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Além dessa festividade, no final de setembro é realizada uma celebração histórica do vinho com a reprodução da corte do Imperador e Rei checo Carlos IV. Tudo acontece através de uma representação medieval, que inclui degustações e apresentações dos vinhos que mais se destacaram no ano.

Suíça: Festa da Colheita de Neuchâtel

Na Suíça, a cultura do vinho remonta o século X e justamente por isso é que o país dá uma grande importância à bebida. A celebração dura três dias e vai das primeiras horas da manhã até tarde da noite.

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Nos primeiros dias acontecem diversos recitais de música e atividades para as crianças. Além disso, são realizados diversos desfiles de bandas e o gran finale fica por conta de uma grande cerimônia, com carros alegóricos decorados com flores e luzes. Trata-se de um tradição que vem desde o século XIX, quando os viticultores passavam com seus veículos carregados de utensílios que indicavam que a Vindima estava prestes a começar.

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México (Querétaro): Fiesta de la Vendimia

Há 37 anos a festa do vinho no México ocorre durante dois dias de meados de julho. A celebração é organizada pela “Viñedos La Redonda”, que convida os visitantes a degustar seus vinhos e participar da tradicional pisa da uva.

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Espero que tenham gostado e que se empolguem a participar de uma dessas festas que são verdadeiras celebrações ao néctar de Baco. E, sim, planejo ir em uma delas em breve. A de Mendoza parece ser um ótimo custo x benefício, visto que, definitivamente, está entre as melhores do mundo.

Afinal, quem não gosta de vinho e diversão, não é mesmo?

E você, caro enófilo de plantão, já participou de um evento desses, nem que seja de uma pisa da uva? Como foi? Conta para mim!

Boa quarta! Bons Vinhos! Tim-Tim!

Referência: Wikipedia, Big Wine Theory

 

 

 

 

Wine Drink: Mel, Gin e Vinho Verde

Ontem, 21 de dezembro, o verão começou oficialmente! Pelo menos aqui no Rio, os termômetros andam nas alturas. Sem falar que tem muita gente de férias e as praias andam lotadas de segunda a segunda, com sol até às 19h. Beleza pura!

Quem me conhece sabe que eu não sou nem um pouco fã de calor. Prefiro um friozinho, com direito a lareira e fim de semana na serra. Porém, ainda que o verão não seja minha estação favorita, não dispenso um bom branco, rosé ou espumante geladinhos. Aliás, esses estilos devem ser bebidos durante o ano todo e não somente em altas temperaturas.

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E, quando se trata de desfrutar de um dia de verão na companhia dos amigos, nada como variar, exercitando os dotes de bartender com um super Wine Drink! O de hoje é elaborado com Vinho Verde, estilo que promete se tornar o queridinho da estação. Perfeito para o pós-praia, ao som de jazz e bossa-nova. Chique e despretensioso.

Ingredientes:

Para 4 pessoas

  • 1 limão siciliano
  • 1 limão thaiti
  • 1 caneca de morangos ou framboesas frescas
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 mão cheia de folhas de hortelã
  • 1/2 xícara ou 100 ml de gin
  • 4 xícaras de vinho verde

Modo de Fazer:

Esprema os dois limões, extraindo todo o suco. Misture  com os morangos (ou framboesas, ou, ainda, os dois juntos!), o mel e as folhas de hortelã com a ajuda de um pilão e um socador. Distribua a mistura em 4 taças. Divida igualmente o gin nas taças e, em seguida, encha-as com gelo e vinho verde até acima. Voilá! Agora, é só correr para o abraço!


Com certeza uma opção superbacana, com direito à sutil efervescência própria dos Vinhos Verdes.  Pode ser servido como Welcome Drink para aquele churrasco ou Pool Party com os amigos. Além disso, harmoniza bem com as festas de fim de ano, funcionando como uma alternativa a tradicional caipirinha. Bom demais!

Então é isso, galera da enofilia! O clima de Natal e Réveillon já contagiou todo mundo. Só por isso a quinta-feira já chegou com um jeito diferente, apesar do calor extremo. E se os bares e restaurantes andam lotados mesmo com a crise, improvise e faça da sua casa o ambiente perfeito para muitos vinhos, drinks e comemorações.

Boas Festas!

Tim-Tim!

Referência: casalmisterio.com

Vivendo e Aprendendo: 4 Dicas Quentíssimas Para Comprar Vinhos em Madrid

Minha amiga Juliana Bezerra é historiadora e autora do blog Rumo a Madrid. A menina é tão craque na cidade que acabou se tornando uma super guia turística para brasileiros na terra de Cervantes. E hoje é ela quem assina mais um post da série “Vivendo e Aprendendo”, em que relata suas experiências comprando vinhos na capital espanhola. Mais um capítulo da nossa bela parceria.

Leia e viaje sem sair da taça!


POR JULIANA BEZERRA

Sabrina Trézze deu uma aula sobre vinho espanhol para os leitores do Rumo a Madrid e eu tenho que devolver a gentileza. Infelizmente, não vou poder cantar as virtudes do vinho madrilenho para os leitores da minha querida amiga: sabidamente a região não produz bons “sucos de uva”. O vinho da capital espanhola sempre foi vendido para a população trabalhadora, que aguentava duras horas de labuta sob o sol. Como todo mundo sabe as melhores regiões para o vinho espanhol atendem pelo nome de Douro e La Rioja.

Quem gosta de vinho também adora comprar belas garrafas quando viaja. Em Madrid, já nos supermercados, as seções de vinhos são enormes e dá pra levar bons rótulos por preços em conta.

Quando cheguei aqui, um dos meus alunos me recomendou que eu tivesse um vinho do “dia-a-dia”, que fosse acompanhar as refeições durante a semana. Pois o escolhido foi o Marquês de Cáceres, de La Rioja e que não ultrapassava 4 euros a garrafa; ele foi fundamental para termos uma noção entre as diferentes matizes de cada região espanhola, além de alegrar meus almoços e jantares do dia a dia.

Além dos supermercados, em Madrid há belas opções para se comprar vinhos e mesmo saborear uma taça de vinho comendo alguma “tapa”. Por isso, fiz uma pequena lista de lugares onde o visitante pode comprar o néctar de Baco na capital espanhola:

La Rebelión de los Mandiles: um simpático bar-cafeteria-delicatessem na calle Mayor, pertinho da catedral Nossa Senhora de Almudena. Além de poder tomar um café e descansar da caminhada, atenção aos azeites e vinhos de todas as regiões da Espanha. Em caso de dúvida, não hesite em perguntar às simpáticas atendentes sobre os produtos expostos. Elas dão uma verdadeira aula! Endereço: Calle Mayor, 88.

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La Rebelión de los Mandiles

– Lavinia: situada na chiquérrima calle Ortega y Gasset, a Lavinia é uma das lojas mais tradicionais de Madrid. Os rótulos ali são de fazer qualquer enólogo ficar satisfeito, mas os preços podem fazer doer um pouco o bolso. De qualquer maneira, vale a pena passar por ali, contemplar a paisagem e, quem sabe, aproveitar alguma promoção. Endereço: Calle de José Ortega y Gasset, 16.

LAVINIA/ 02 Diciembre 2009 / Foto: Enrique Cidoncha
Lavinia

Gourmet Gran Vía – Situada na cobertura do El Corte Inglés, junto à estação de metrô de Callao, a loja tem uma grande variedade de rótulos e vende produtos de vários lugares do mundo. Ainda tem restaurantes e bares, e uma das vistas mais lindas de Madrid. Infelizmente, não há atendentes para explicar sobre os produtos, mas para os entendidos é um belo passeio. Endereço: Plaza del Callao, 2.

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Gourmet Gran Vía

Mares Vinos – Quem deseja receber um atendimento personalizado, ambiente aconchegante e ótimos rótulos, deve se dirigir a esta simpática loja no bairro de Salamanca. Situada a 10 minutos do centro de metrô e perto de atrações como a Fundación Juan March, a proprietária Mares, é uma simpatia e explica tudo e mais um pouco sobre vinhos e inclusive realiza degustação todas as quartas-feiras. Isso sim: somente em espanhol. Endereço: Calle de Don Ramon de la Cruz, 46. Metrô Lista.

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Mares Vinos

Enoamigos, espero que tenham curtido essa delícia de texto. Deu até vontade de incluir a Espanha em um futuro Wine Tour. Afinal, é um dos países com maior área de vinhedos e exemplares espetaculares, provenientes de regiões de muita tradição em vinhos.

Aguardem, pois minha parceria com a Ju está apenas começando!

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Por Quanto Tempo um Vinho Fino é Capaz de Evoluir Na Garrafa?

Após um fim de semana no friozinho da Serra, estou de volta com as dicas mais bacanas da enosfera. Quando a gente abre uma garrafa especial, muitas vezes é como se dela saísse uma espécie de encantamento. Sabe aquele vinho fino que você considera perfeito e equilibrado para o seu paladar? Que torna um momento sem nada de mais único?

Na mesma hora,  você pensa em comprar uma caixa para armazenar. Ou, então, abrir um exemplar para degustar por vários dias seguidos. Mas, quanto tempo dura a magia? Será que esse rótulo tem potencial de guarda? É do tipo que evolui e dá o melhor de si com o passar do tempo?

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Para resolver essas e outras questões, hoje propomos um truque que vai abrir seus horizontes gustativos. Vamos lá!

A EXPERIÊNCIA

Para as descobertas, você vai precisar de: uma taça, caneta, papel e uma garrafa do seu rótulo favorito. Uma vez aberta, não precisa consumir toda a garrafa.

1ª Etapa: nesse momento, um pouco menos da metade já é o suficiente. Não se esqueça de anotar suas notas de degustação: aspectos visuais, olfativos e gustativos da bebida. Em seguida, feche a garrafa com a rolha e coloque na geladeira.

2ª Etapa: No dia seguinte, despeje uma pequena amostra do vinho e, mais uma vez, anote suas impressões sobre ele. Se você está provando um vinho fino tinto, não se esqueça de aguardar que a amostra atinja a temperatura ideal de serviço (entre 16 e 18ºC), a fim de que se possa obter uma boa expressão da bebida.

Continue esse processo por mais alguns dias, até que a garrafa esteja vazia. Fácil, não é? Certamente é uma ótima maneira de aperfeiçoar suas habilidades de degustação.

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A seguir, vejamos os possíveis resultados dessa deliciosa experiência:

O VINHO SE MANTEVE EXCELENTE

Se o vinho continuar a abrir e desenvolver aromas agradáveis ao longo dos vários dias de experiência, Parabéns! Você provavelmente tem uma garrafa com potencial de envelhecimento. Dá para comprar e guardar para aquela ocasião especial, ou, simplesmente, para degustar daqui a alguns anos e desfrutar de tudo o que esse rótulo ainda tem a lhe oferecer.

A regra de ouro geralmente se traduz em 2 a 3 anos de envelhecimento para cada dia que o vinho apresentar um paladar evoluído.

O VINHO NÃO SE MANTEM BOM POR MUITO TEMPO

Se o seu vinho continua se desenvolvendo bem após um dia na geladeira, mas logo depois toda a sua magia cai por terra, pense em bebê-lo o mais cedo possível. Rótulos assim devem ser guardados por no máximo 1 ou 2 anos.

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IMPORTANTE ARMAZENAR CORRETAMENTE

Note que esse teste pode nos dar uma pista geral do potencial de envelhecimento de um vinho. Porém, o mais importante é armazená-lo da forma correta, ou seja, na posição horizontal, em local fresco e ao abrigo da luz. Assim, certamente o seu néctar vai sobreviver por o máximo de tempo possível, evoluindo e dando tudo de si. Afinal, dentro da garrafa há vida! O vinho não é estático e muda o tempo todo. Lindo, não é?

Referência: Vivino