Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre as Cápsulas dos Vinhos

Já quis saber o porquê daquelas belas cápsulas envolvendo o gargalo das nossas amadas garrafas? Pois é, logo que comecei a apreciar vinhos, achava que se tratava apenas de um enfeite. Mas não! Apesar de não serem essenciais, as cápsulas são um elemento superimportante em qualquer garrafa de vinho.

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O QUE SÃO AS CÁPSULAS DE VINHO?

Como já falei no início, a cápsula envolve o gargalo, que possui o intuito de proteger a cortiça (e, por conseguinte, a bebida) de possíveis danos.

QUAL A FUNÇÃO DA CÁPSULA?

Não se trata de invenção divina e muito menos parafernália do mundo do vinho. As cápsulas possuem, basicamente, duas funções:

1) Função higiênica e protetora: as cápsulas do vinho protegem a rolha de cortiça do mofo, sujeira e de qualquer risco de deterioração. 

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2) Função estética: e não é que a história do “ornamento” faz sentido? As cápsulas nos indicam parte do estilo de um vinho e da vinícola, seja em virtude da cor ou do desenho da mesma. Afinal, no mundo do vinho, a estética conta muito! Óbvio que não deve ser a razão principal para se escolher determinado vinho, porém, em meio a prateleiras lotadas de garrafas, um belo design realmente chama a atenção e faz com que a gente queira saber um pouco mais sobre aquele produto e a origem do mesmo. 

HÁ QUANTO TEMPO AS CÁPSULAS SÃO UTILIZADAS NAS GARRAFAS?

Tudo começou na Idade Média, quando as cápsulas entraram em cena a fim de controlar alguns probleminhas, como a evaporação ou falsificação e alteração dos vinhos.

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No entanto, o atual conceito de cápsula foi desenvolvido pela primeira vez na Hungria, no século XVIII. Nessa época, elas tinham a função de identificar os vinhos mais luxuosos como forma de se ter um controle da qualidade dos mesmos. Assim, era possível evitar o risco de falsificação ao mesmo tempo que asseguravam uma melhor conservação da bebida.

COM QUAIS MATERIAIS AS CÁPSULAS SÃO FABRICADAS?

Um dos primeiros materiais usados ​​para fazer as atuais cápsulas de vinho como hoje conhecemos foi o chumbo. Contudo, o mesmo foi proibido pelos órgãos de fiscalização, visto que ocasiona sérios danos à saúde, além de alterar o paladar do vinho.

Logo, atualmente os principais materiais possíveis de serem encontrados na fabricação das cápsulas de vinho são:

  • ESTANHO (Material Premium): trata-se do material mais caro. É altamente customizável e elegante, além de abrir novas possibilidades de design. As cápsulas de puro estanho possuem um selo que atestam a qualidade das mesmas. 
  • ALUMÍNIO: utilizado em vinhos de alta e média gama, o alumínio dá um toque refinado e agradável. Além disso, é reciclável e resistente à corrosão.

“Um vinho dito de alta gama é mais que um produto muito bom. É um rótulo atraente, uma garrafa que o justifique. É uma estratégia de marketing bem formatada e executada, é desenvolvimento de canal de venda e é, sobretudo, uma boa história. Os vinhos são feitos de paixão e grandes histórias. Para vinhos de alta gama isso tudo é fundamental” (Pascal Marty, enólogo francês)

  • COMPLEXO: são placas de alumínio elaboradas com polietileno. Geralmente são fabricados com duas peças e utilizados em vinhos de média gama. 
  • PVC: É o material mais barato e econômico, elaborado em duas peças. Uma opção bem simples, que reduz as chances de impressão e design, mas é muito adaptável e eficiente. Porém, em alguns países tal material é proibido, visto que é considerado um perigoso poluente para o meio-ambiente. 

Certamente, você já viu alguma garrafa lacrada com cera. Na minha ida ao Chile, me deparei com os vinhos da Bodegas RE (Valle de Casablanca) todos desta forma e achei bem interessante, já que só tinha visto cápsulas de cera nos livros, em garrafas caríssimas. Esse tipo de material era usado no passado em vinhos associados à realeza.

O objetivo desse lacre é o mesmo de outras cápsulas elaboradas com outros materiais, porém, há o fator “fragilidade”, que pode ser corrigido por meio da substituição da cera por outros materiais que, de certa forma, simulem esse lacre.

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O QUE SÃO OS FUROS NA PARTE SUPERIOR DAS CÁPSULAS?

É bem provável que você já tenha observado pequenos furos na parte superior das cápsulas. Para que servem? Esses furos servem para deixar escapar o ar a partir das cápsulas fixadas em garrafas por pressão. Durante esse processo acumula-se ar na parte superior e deteriora-se o encapsulamento, podendo afetar negativamente o vinho. Como correção, esses furos dão saída à acumulação de ar no processo.

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Porém,  a existência desses furos não é algo negativo, já que o processo de encapsulamento pode ser feito sem a pressão, como no caso de cápsulas de estanho, por exemplo.

HÁ GARRAFAS DE VINHO SEM CÁPSULAS?

Hoje é mais difícil encontrar um vinho sem cápsula. Contudo, há alguns anos os vinhos (sobretudo das áreas rurais) eram comercializados sem cápsulas e, em muitos casos, sem rótulos. Os vinhos nesses locais eram, muitas vezes, comprados de amigos viticultores e pessoas de confiança. Ou seja, o consumidor estava perfeitamente ciente da procedência e credibilidade do produto, mais tradicional e rústico.

HÁ CÁPSULAS PARA TAMPA DE ROSCA (SCREW-CAP)?

Sim! E as cápsulas para os vinhos com tampas de rosca operam sob as mesmas normas mencionadas acima, sobretudo no que diz respeito à parte estética.

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Além disso, nesses vinhos a cápsula atesta a autenticidade, ou seja, é um sinal claro de qualidade do produto.

COMO A CÁPSULA É CORTADA?

A abertura da garrafa começa justamente com a remoção da cápsula. Para isso, deve-se usar o canivete do saca-rolhas para cortar a mesma (no caso do modelo “saca-rolhas do Sommelier”, meu favorito e bem mais prático, na minha opinião). Geralmente, se corta a cápsula abaixo do anel do gargalo, visto que esta não deve de maneira alguma entrar em contato com a bebida. 


Então é isso enoamigos! Adoro escrever sobre esse tipo de curiosidade, ou seja, coisas que a gente sempre quis saber sobre a bebida dos deuses.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

 

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Vinho & Saúde: 9 Motivos Para Adotar o Vinho Como Estilo de Vida

Sim, você não leu errado! Certamente os apaixonados pelo néctar  já adotaram o fermentado como estilo de vida. Ou seja, é comum ver a galera da enofilia sair para degustar vinhos com os amigos, isso quando não estão em casa cozinhando com vinhos ou arrumando as garrafas na adega. Mas o que muita gente ainda não se deu conta é que, além de ser delicioso e ativar os sentidos, a bebida dos deuses ainda faz superbem para saúde. 

Então, se você ainda não optou por degustar uma tacinha, seja diariamente, durante as refeições, ou junto dos amigos no fim de semana, dá só uma olhada em todos os benefícios que o vinho pode trazer para você:

1. REDUZ O RISCO CARDÍACO

Diversos estudos realizados ao longo dos anos constataram que o consumo moderado de vinho ajuda a manter o coração saudável, fazendo com que o colesterol não se deposite nas artérias. Logo, o consumo de equilibrado do fermentado é perfeito para prevenir doenças cardiovasculares.

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Há, ainda, pesquisas que mostram que o vinho tinto reduz o desenvolvimento da aterosclerose por conta de seus benefícios anti-inflamatórios e ajuda a reduzir o colesterol ruim. 

2. RETARDA O ENVELHECIMENTO

O vinho contém polifenóis, que são partículas antioxidantes poderosas que ajudam a oxigenar as células, liberando estresse. Já o famosos resveratrol inibe a lipoproteína de baixa intensidade, melhorando as plaquetas. O resultado disso? Uma pele mais saudável e com aparência jovial por muito mais tempo. 

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3- AJUDA A REDUZIR A ANEMIA

O vinho conta com substâncias que contribuem para a redução da anemia no sangue. Entre os oligoelementos encontrados na bebida estão o Lítio, Zinco, Magnésio, Potássio, Cálcio e Ferro.

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4 – FORTALECE OS OSSOS

Conforme citamos anteriormente, o vinho contém cálcio, que ajuda a fortalecer os ossos. Portanto, o néctar é um poderoso aliado contra a osteoporose. Estudos recentes têm mostrado que o consumo moderado de vinho previne a perda óssea.

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5 – PREVINE A DEMÊNCIA SENIL E O MAL DE ALZHEIMER

O resveratrol presente no vinho impede a formação de placas no cérebro. Sendo assim, algumas pesquisas em idosos têm constatado que pessoas acostumadas a beberem 1 taça de vinho (150ml) ao dia, durante uma das refeições, se saem melhor em testes de memória. 

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6 – REDUZ HEMORROIDAS E VARIZES  

O vinho contribui para o fluxo sanguíneo, evitando a formação de coágulos. Logo, isso ajuda a prevenir hemorroidas e varizes. Diante desta informação, acaba de passar pela minha cabeça que no caso de nós mulheres, é possível que o vinho auxilie, inclusive, na prevenção da celulite.

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7 – CONTROLA INFECÇÕES URINÁRIAS

Os componentes presentes no vinho ajudam a eliminar até 85% das bactérias que afetam o trato urinário, impedindo a formação de infecções.

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A quercetina, encontrada no vinho, auxilia na liberação da histamina das células, evitando diversos tipos de reações alérgicas.  

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9 – MELHORA A DIGESTÃO

Os taninos encontrados no vinho tinto provocam o aumento da salivação, que é essencial para que os alimentos sejam bem digeridos pelo organismo. 


 

Então é isso, enoamigos! Mais 9 motivos para degustar e amar ainda mais os nossos amados vinhos. Porém, EQUILÍBRIO, SEMPRE! Os especialistas aconselham o consumo de 1 taça (150ml) por dia, de preferência acompanhando uma refeição.

Até a próxima! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

 

Tudo O Que Você Queria Saber Sobre Sulfitos nos Vinhos (e sempre teve medo de perguntar)

Sabe quando você nem exagerou tanto no vinho e no dia seguinte acorda com aquela típica dor de cabeça? Na mesma hora, você coloca a culpa em quem? No seu amado néctar dos deuses? Claro que não! Os responsáveis, meu amigo, são sempre os sulfitos!

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Pois bem, hoje cheguei com um artigo definitivo sobre esse elemento misterioso do mundo vinho. Na real, para que serve? Trata-se de um mal necessário ou só uma polêmica típica de enochatos? Bora desvendar isso!

O QUE SÃO SULFITOS?

Aí você olha no contrarrótulo daquela desejada garrafa e lê, “Contém Sulfitos”, geralmente ao lado daquele símbolo proibitivo para mulheres grávidas. Que raios são esses tais de sulfitos? O que estou prestes a beber?

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Os sulfitos fazem parte do subproduto natural da fermentação, ou seja, você acaba de ouvir eu dizer que ocorrem NATURALMENTE. Quando leveduras e açúcar se juntam para criar gás carbônico (CO2) e álcool, quantidades mínimas de dióxido de enxofre (SO2) também são produzidas nesse processo. Portanto, todo vinho terá pelo menos um pouquinho de sulfitos em sua composição. 

No entanto, não são esses sulfitos gerados naturalmente que incomodam os consumidores e sim aqueles adicionados pela indústria artificialmente após a fermentação. Afinal, a quantidade de sulfitos geradas durante a fermentação é bem pequena, variando de 5 a 40 partes por milhão. Porém, em alguns lugares os vinhos podem conter até 350 partes por milhão, uma quantidade significativamente maior do que a produzida naturalmente.

POR QUE OS SULFITOS SÃO ADICIONADOS AO VINHO?

Trata-se do resultado direto de produtores que adicionam sulfitos aos vinhos acabados, tudo porque esses componentes atuam como conservantes, permitindo que os rótulos tenham uma vida útil mais longa e mantenham o seu sabor. Mesmo os vinhos orgânicos admitem um máximo de 100 partes por milhão de sulfitos por garrafa, embora, em geral, eles tenham apenas de 50 a 75 partes por milhão.

VILÕES DA RESSACA?

Muitos enófilos costumam culpar os sulfitos por suas ressacas matinais. Mas é tudo mito! Os sulfitos não são os vilões causadores da sua dor de cabeça.

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Afinal, o que muita gente não percebe é que esses mesmos sulfitos são usados em muitos dos alimentos que consumimos diariamente, sendo utilizados, nesses casos, pelas mesmas razões da indústria do vinho, ou seja, esses componentes, nos alimentos, também agem como conservantes, impedindo que eles fiquem ruins ou percam a cor original. Na verdade, alguns dos seus alimentos favoritos podem conter mais sulfitos que a culpada garrafa de vinho.

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Por exemplo, frutas secas, suco de limão industrializado e alimentos em conserva podem chegar à sua mesa carregados de sulfitos, com as frutas secas liderando o topo desta lista, visto que chegam a ter dez vezes mais sulfitos que uma garrafa de vinho não-orgânico. Carnes, queijos e sopas pré-embalados também se enquadram nessa categoria, com alguns contendo bem mais sulfitos que uma porção de vinho.

É SEGURO CONSUMIR VINHO COM SULFITOS?

As dosagens de sulfitos utilizadas no vinho são supercontroladas pela legislação dos países produtores de vinho para que estejam dentro de limites seguros para a sua saúde.

Contudo, já que os limites máximos autorizados podem variar muito de país para país, vamos citar, como exemplo, a União Europeia, cujos limites permitidos são:

  •  160 mg/litro para vinhos tintos
  •   260 mg/litro para vinhos brancos
  •  300 mg/litro para vinhos doces
  •   400 mg/litro para vinhos botrytizados

Vale destacar que a maioria dos vinhos fica muito abaixo desses limites, frente aos alimentos aqui citados.


Ou seja, meus amigos, provavelmente os sulfitos não são os únicos responsáveis por aquelas suas dores de cabeça. Porém, existem pessoas que realmente são alérgicas a esses componentes e podem se sentir mal com a mínima presença de anidrido sulfuroso em suas taças.

Justamente por isso aqui no Brasil a lei exige que o contrarrótulo traga a informações de que contém sulfitos. Sou muito a favor desse tipo de transparência, não só com relação aos vinhos, mas em toda a indústria alimentícia.

Se não são adicionados os sulfitos, não é necessário o alerta “contém sulfitos”, visto que a legislação brasileira não exige que se diga “contem sulfitos”, mas “contem conservador anidrido sulfurico INS 220”. Trata-se de um produto específico, usado para colocar “sulfitos” no vinho. Logo, o Ministério da Agricultura não exige a presença dessa frase no contrarrótulo se não foi adicionado o “sulfito” no processo.

O sulfito natural não cabe na descrição do INS 220. E os sulfitos naturais parecem não causar mal, sobretudo quando a quantidade é mínima.

Vale ressaltar, ainda, que vinícolas usam sulfitos em várias etapas da vinificação. Os produtores industriais usam sulfitos assim que a fruta chega à cantina – para evitar fermentação precoce. Mas o sulfito pode ser utilizado inclusive durante a vinificação.

Até a próxima! Ótimos vinhos, com ou sem sulfitos. Tim-Tim!

Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes

Volta e meia os especialistas mudam de opinião no que diz respeito à melhor taça para se degustar um espumante. Já foi a “coupe”, a “flûte” e, agora, ora vejam só… estão afirmando que uma taça no estilo tulipa (linda, na minha opinião!) ou uma simples taça de vinho branco seriam os artefatos ideais para analisar aroma e perlage com maior eficácia.

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Ávidos Douro: História de Amor e Inspiração Para o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados está chegando e nada melhor que celebrar com a nossa bebida favorita. Nessa hora, não importa se você tem ou não companhia. O que vale à pena mesmo é se cercar de gente querida e, sim, brindar ao amor em todas as suas expressões. 

COISA DO DESTINO

E quem me conhece sabe que acredito muito em destino. Realmente, nada acontece por acaso. Sendo assim, estava eu dando aquela olhadinha básica no Facebook até me deparar com um vinho de rótulo APAIXONADO. Desse jeito, em letras maiúsculas! Lindo e com um belo coração estilizado. Na mesma hora tive vontade de provar esse néctar romântico e ao mesmo tempo misterioso.

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Poucos minutos depois, eis que uma grande-recente-amiga me chama para dizer que poderia me colocar em contato com um dos casais que produz o vinho em Portugal, na região do Douro Superior. O mais curioso é que eles vivem no Rio de Janeiro. “Só podia ser coisa do destino”, pensei.

TUDO COMEÇOU COM UM CASAL APAIXONADO

O amor com que Christiane e Plínio falam de seus vinhos já declara o porquê do nome de seus rótulos principais. Amantes da bebida dos deuses, sempre acabavam visitando regiões vinícolas pelo mundo, ainda que este não fosse o motivo principal de suas viagens. 

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O casal Christiane e Plínio Simões

Até que um dia, no meio dessas andanças, se depararam com uma área no Douro, mais precisamente no Douro Superior, na margem direita do rio português. Trata-se da área mais seca e ensolarada do lugar, semi-árida, onde a videira chora e sofre para produzir poucos cachos de maravilhosas uvas. Sim, foi amor à primeira vista como visto nos melhores romances!

“É uma área de beleza pungente, sofrida, onde, de imediato, se é tomado por uma sensação diferente, inquietantemente agradável. Em 48 horas estávamos negociando a área, em 72 assinamos um compromisso e começamos a trabalhar nas vinhas, assistidos por um fabuloso enólogo, que nos ajudou em todos os passos do caminho.” contou Plínio

Após a paixão arrebatadora, o casal passou a pesquisar toda a história do lugar, tentando entender ao máximo de onde vinha a energia inusitada daquele terroir, bem como de suas sofridas videiras. Aos pouco, foram descobrindo as origens e  lendas daquela micro-região. Logo, se entregaram por completo, na companhia dos amigos Elsa e Marcos que, igualmente atraídos pelo local, compraram as terras vizinhas e , desde então, se tornaram sócios de Chris e Plínio na produção dos vinhos. 

GUIADOS POR UMA HISTÓRIA DE AMOR E INSPIRAÇÃO

Uma dessas lendas que até hoje inspira o casal trata da história de uma donzela lusa, dos tempos da Lusitânia, que se perdeu de paixão por um conquistador romano. Não aceitando o romance, os pais a esconderam fora dos limites da Lusitânia, atravessando o Rio Douro até a sua margem direita, mantendo-a em propriedades próximas ao rio, na Lousa, justamente onde se encontra o terroir da Ávidos Douro.

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Nesse local, a donzela passava dias e noites a chorar e a vagar perdida pelas encostas dos morros, com suas lágrimas impregnando as terras com seus sentimentos de amor, paixão, saudade e anseio pelo reencontro.

Estava explicada a energia que Christiane, Plínio, Elsa e Marcos sentiram e que é vivenciada por todos os que visitam os vinhedos, que relatam se sentir “diferentes”, embora sem saber explicar como ou por que.

A ÁVIDOS DOURO

Após esse turbilhão de sentimentos, não foi difícil concluírem que tanto a vinícola quanto seus quatro vinhos tintos (três ainda a serem lançados) deveriam orbitar em torno do amor sempre evocar essas emoções e desejos típicos de quem não se conforma e quer mais, tal qual os casais apaixonados.

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Logo, o nome Ávidos é uma  homenagem a quem anseia, a quem quer e não se contenta, sonha grande e corre atrás, de um amor, de uma conquista.

Apaixonado, para quem já alcançou o estágio seguinte, já sucumbiu à paixão, sendo esta realizada ou não, assim como o casal da lenda.

Anónimo, para não nos esquecermos do amor perdido que às vezes não mais se consegue sequer identificar, como o soldado da antiga lenda.

E, por fim, Amavio, palavra do português arcaico, quem sabe contemporânea dos  nossos apaixonados, usada para designar uma beberagem que favorece ao amor, ao entendimento, à sedução. Os dicionários antigos não esclarecem que beberagem era essa, mas, para nós, temos a certeza moral de que era o vinho!

NOTAS DE PROVA DO APAIXONADO

APAIXONADO 2016 ROSÉ 12,5% de volume alcoólico

O amor é cor-de-rosa, assim como esse Rosé, elaborado 100% com uvas da casta Touriga Nacional. A cor é linda, delicada e envolvente. Um rosa claro que não se parece com cereja e muito menos casca de cebola. Uma coloração única!

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No nariz é floral e frutado, com notas de morango e cerejas frescas. Possui boa acidez e final redondo de média persistência, pedindo mais um gole. Surpreendente para uma primeira safra! Realmente, apaixonante.

APAIXONADO TINTO 2014 – 13,7% de volume alcoólico

Segundo Plínio Simões, o ano de 2014, apesar de períodos de bastante calor e seca, teve na época da maturação das uvas, Agosto e Setembro, temperaturas amenas e alguma chuva, permitindo uma maturação dos açúcares e taninos bastante equilibrada. Estas condições permitiram fazer vinhos muito elegantes e equilibrados com boa acidez e taninos suaves.

O APAIXONADO TINTO 2014 possui coloração rubi intensa, com reflexos violáceos. Produzido com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Amarela, se expressa com aroma de frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Apesar de ter estado por 16 meses em barrica de carvalho, o vinho é bem frutado e a madeira se apresenta de forma equilibrada, responsável por boa parte do “borogodó” do vinho que é, por si só, muito sedutor.

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De taninos sedosos, possui um final de boca persistente (contei mais de 8 segundos). Digo para vocês que até da minha parte foi amor à primeira vista, tendo sido inesquecível na comemoração do Dia do Sommelier, no último sábado, 3 de junho.


Enfim,  é muita inspiração junta para esse Dia dos Namorados! E se você quer conquistar alguém, trata-se de uma ótima motivação. Afinal, certamente vai impressionar o seu amor.

Por fim, como bem me disse o Plínio, da Ávidos Douro,

“Um conselho de amigo: se não queres terminar dona de vinhedos, não se aventure na região. No máximo, tome o Apaixonado, tinto ou rosé, ou o Ávidos, Anónimo e Amavio, quando chegarem. De preferência, junto com a cara metade.”

Pois é, Plínio. Esse conselho só me deu ainda mais vontade de visitar essa região tão mítica que somente os casais apaixonados compreendem. Quem sabe um dia não chego naquelas terras em companhia da minha cara metade numa viagem romântica, hein? Me aguardem!


ONDE COMPRAR NO RIO DE JANEIRO:

1) Casa Carandaí
Rua Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico

2) Candy da Barra
Av. Armando Lombardi, 800, Loja N – Barra

3) Delly Gil
Rua Gilberto Cardoso, 1, loja 8 – Leblon (Cobal do Leblon)

ONDE ENCONTRAR NO DOURO, EM PORTUGAL

1) DOC – Rui Paula
Estrada Nacional, 222
Armamar – Douro
Tel.: +351 25465-8123

2). Restaurante Papa Zaide
Provesende – Douro
Tel.: +351 254 731 899

3) Garrafeira Gato Preto
Av João Franco
5050-226 Peso da Régua – Douro
Tel.: +351 25431-3367

4) Doces da Puri
Beco do Jaime 30
5140-182 Parambos -Douro Superior
+351 278 685233
http://www.docesdapuri.com

5) Pousada Barão Forrester
Rua Comendador José Rufino
5070 031 Alijó – Douro
+351 25995-9215

6) Taberna da Helena
Av. Aquilino Ribeiro s/n
5140.058 Carrazeda de Ansiães – Douro Superior
+351 278 615 083

ONDE ENCONTRAR NO PORTO, EM PORTUGAL

1) DOP – Rui Paula
Palácio das Artes, Largo de S. Domingos 18
4050-545 Porto
+351 22 201 4313

2) Restaurante Casa da Foz – Antônio Guimarães
+351 226 177 636


ONDE DEGUSTAR NO RIO:

1) Laguiole
Av. Infante Dom Henrique, 85
Glória – Rio de Janeiro
+55 21 2517.3129 / 98744.8679
reserva@laguiole.com.br
http://www.bestfork.com.br/laguiole/adega.php

2) Giuseppe Grill Leblon
Av. Bartolomeu Mitre, 370
Leblon – Rio de Janeiro
contato@giuseppegrill.com.br
+55 21 2249.3055
http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon/

3) Lorenzo Bistrô
Rua Visc. Carandaí, 2
Jardim Botânico – Rio de Janeiro
http://www.lorenzobistro.com.br
+5521 3114 0855


Um belo Dia dos Namorados com muito amor e vinhos! Tim-Tim!

6 Dicas Para Aproveitar ao Máximo Uma Feira de Vinhos

Sem dúvida, 2017 é o ano dos eventos de vinhos em todo o país. E, logo que o friozinho começou a pintar por aqui, diversos produtores se mobilizaram para divulgar o nosso néctar junto aos consumidores brasileiros. Afinal, precisamos desenvolver uma cultura do vinho no Brasil.

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Por mais que o paladar dos enófilos esteja cada vez mais voltado para experimentar coisas novas, nosso consumo ainda está longe do ideal se comparado a o de outros países. Então, acho superválida a organização de eventos com o intuito de difundir o vinho, sobretudo o nacional. Sim, o Brasil produz rótulos belíssimos! E acredito que seja apenas questão de tempo para o brasileiro se apaixonar definitivamente pela bebida dos deuses. 

DEMOCRATIZAÇÃO DO VINHO

Por exemplo, atualmente, a maioria dos eventos que está rolando aqui no Rio de Janeiro é aberta ao público. Ou seja, qualquer um pode adquirir um ingresso e conferir os rótulos de vinícolas e importadoras. Pensando nisso, hoje trouxe para  vocês algumas dicas preciosas para aproveitar ao máximo cada segundo de uma feira de vinhos. Vamos lá!

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1- INFORME-SE SOBRE O EVENTO E AS VINÍCOLAS PARTICIPANTES

Há eventos de vários portes, mas em todos você vai se deparar com stands de produtores e importadores com vinhos para você conhecer e degustar. Logo, para otimizar o tempo, é essencial estar bem informado sobre as empresas participantes. Assim, você já chega com uma ideia dos exemplares mais interessantes. Sem uma pesquisa prévia, é bem capaz de você deixar passar grandes rótulos e se arrepender depois, “Puxa, não provei o vinho X”.

2- ATENTE-SE PARA O HORÁRIO

Todas as feiras possuem seus horários de pico nos quais é maior o número de pessoas circulando. Por isso, se você é consumidor e o seu objetivo for apenas o de degustar os rótulos, vale à pena chegar cedo, quando tudo é mais silencioso e os stands estão vazios. Essa hora é perfeita para conhecer melhor uma vinícola e tirar dúvidas com os representantes sobre determinado vinho. A maioria dos eventos começa na parte da tarde, por volta das 14h, 15h. Sem dúvida, é o melhor horário para chegar e aproveitar. 

3- ORDEM DE DEGUSTAÇÃO

Os eventos não deixam de ser uma grande degustação em formato descontraído, onde é possível conhecer os rótulos e conversar com outros apaixonados pelo néctar de Baco. Por isso, para ser bacana mesmo, vale respeitar a mesma ordem que você teria em uma degustação de amigos. Comece pelos espumantes, em seguida brancos, tintos leves e finalize com tintos mais encorpados. Assim, você percebe cada nuance olfativa e gustativa, ao passo que nenhum exemplar mascara o que o outro tem de melhor e vice-versa. Deixe os vinhos fortificados e os de sobremesa para o gran finale. Vale muito mais a pena!

4- UM COPO DE ÁGUA PARA CADA TAÇA DE VINHO

A maioria das feiras conta com “descartes”, aqueles recipientes próprios para você devolver o restante do vinho que não bebeu. Mas sabe aquele rótulo que você amou e tem pena de descartar? Se for realmente degustar esses vinhos até o fim, vale se hidratar muito! Portanto, após cada taça de vinho que você ingerir até o final (mais ou menos 50ml), beba um belo copo d’água. Desta forma, você evita a perda de sensibilidade e prolonga sua integridade organoléptica e motor.

5-  LEMBRE-SE DE PEDIR OS CONTATOS DAS VINÍCOLAS QUE VOCÊ MAIS GOSTOU

Outra grande vantagem de participar de uma feira de vinhos é a de conhecer a fundo os produtos de determinada vinícola ou importadora por meio de seus representantes diretos. Estes podem ser enólogos, sommeliers, distribuidores etc. Então, aproveite para conhecer cada rótulo e tirar todas as dúvidas, sem medo. O profissional está lá justamente para isso. Pegue as garrafas dos vinhos que você mais gostou e tire uma foto do rótulo, sem inibição. Assim você terá munição suficiente para desfrutar novamente da bebida quando for adquiri-la nos pontos de venda.

6- COMPARTILHE SUAS EXPERIÊNCIAS

As redes sociais estão a cada dia exercendo um maior poder de influência. Logo, vale compartilhar suas experiências durante o evento com fotos, conselhos e opiniões. Todo mundo gosta de uma indicação de um amigo sobre determinado vinho. Desta forma, você incentiva seus amigos a também entrarem no mundo do vinho e a compartilhar essas experiências com você. E desfrutar de um bom rótulo sozinho é, sem dúvida, muito chato. Por isso,

  • Use a Hashtag do evento nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter…).
  • Marque seus amigos que curtem um bom vinho.
  • Use a hashtag das vinícolas e/ou importadoras favoritas.
  • Compartilhe informações sobre o evento nas redes.

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Então é isso, enoamigos! A agenda de feiras viníferas está bombando nos 4 cantos do Brasil e se você ama vinhos, aconselho a ir a pelo menos em uma para saber como é na prática. Informe-se sobre a organização do evento, convoque os amigos e curtam juntos essa experiência.

Boa semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Vinho e História: Desvendamos a Relação Entre Napoleão Bonaparte e o Champagne Moët & Chandon

Quando lembro de Napoleão Bonaparte nem sempre Champagne Rosé é a primeira coisa que me vem à mente. Sim, logo de cara, penso no grande líder que empurrou seus exércitos em direção a vitórias em batalhas históricas. Porém, todo amante do vinho já ouviu falar sobre a mítica ligação entre Napoleão e o borbulhante champagne, mais precisamente os da Casa Moët & Chandon. 

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A AMIZADE COM JEAN-RÉMY MOËT

A conexão entre Bonaparte e a dinastia da famosa Casa de Champagne começou em 1782, quando o futuro imperador cursava a Escola Militar em Brienne Le Château. Foi lá que ele conheceu Jean-Rémy Moët, neto de Claude. O jovem herdeiro estava na escola resolvendo alguns dos negócios da família quando encontrou Napoleão.

Sabemos que a palavra “Champagne” sempre soou como música para os ouvidos de Napoleão. Logo, a afinidade entre os dois rapazes foi praticamente instantânea. A partir dali, uma amizade leal e duradoura se firmou, levando a luz da efervescente bebida a ocupar um papel de destaque na história francesa.

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E essa importância se deu porque antes de cada campanha militar Napoleão fazia questão de visitar a Maison Moët a fim de se abastecer com caixas e mais caixas de champanhe. E isso ocorreu em todas as batalhas, exceto em Waterloo, de acordo com o livro “Champanhe”, de Don and Petie Kladstrup (que recomendo fortemente a leitura!)

Talvez venha daí a célebre frase:
“Champanhe: na vitória é merecido, na derrota  é necessário!

A PRIMEIRA GRANDE DERROTA

Entretanto, mesmo nas derrotas de Napoleão a amizade com a família Moët seguia firme e forte. Vejam, por exemplo, o caso da Guerra da Sexta Coligação. Foi um terrível desastre para o imperador, bem como para a França e seu povo.

Afinal, essa derrota não só conduziu Napoleão ao seu primeiro exílio na Ilha de Elba como, na sequência, teve uma invasão de russos à região da Champagne, quando os mesmos esvaziaram praticamente todas as adegas. Ou seja, todas as casas foram saqueadas, sendo que a de Moët foi a que obteve maiores baixas e presenciou cerca de seiscentas mil garrafas serem esvaziadas por soldados acampados nas instalações.

A PREVISÃO DE JEAN-RÉMY

Porém, mesmo essa grande derrota não foi capaz de enfraquecer os laços que existiam entre Napoleão e Jean-Rémy Moët. Ao invés disso, Moët se lembrou de um antigo ditado francês, “Qui a bu, boira” ou em bom português, “Aquele que bebeu uma vez, vai beber novamente”. Ou seja, “Todos aqueles soldados que hoje estão me arruinando hoje farão minha fortuna amanhã”, disse Moët a todos os seus amigos. “Vou deixá-los beber o quanto quiserem. Eles serão fisgados e se tornarão meus melhores vendedores quando retornarem ao seu próprio país”

Como podemos ver, Jean-Rémy não estava apenas sendo leal a seu amigo Napoleão. “Ele estava totalmente certo”, escreveram os Kladstrups no livro que é uma verdadeira biografia do Champanhe. Os negócios de Moët cresceram vertiginosamente nos anos seguintes e, entre seus muitos novos clientes, estavam justamente alguns dos maiores adversários de Napoleão Bonaparte, incluindo o Primeiro Duque de Wellington e Frederick William III da Prússia.

PROVAS DE AMIZADE E LEALDADE

Se toda essa história não foi suficiente para te convencer da força dessa conexão Bonaparte-Moët, considere os presentes que foram trocados pelos amigos ao longo dos anos. Começamos com a réplica do Grand Trianon (sim, o castelo de Versalhes!) que Moët construiu em sua propriedade como quartos de hóspedes para Napoleão e a Imperatriz Josephine sempre que o visitavam.

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Não é grande coisa, certo? Apenas um belo gesto de gratidão. Naturalmente, Napoleão também estava à altura quando o assunto era presentes. Ele não apenas concedeu à família Moët o último de seus famosos chapéus bicorn, como também presenteou-os com sua cruz de oficiais da Legião de Honra – a mais alta condecoração francesa de mérito para realizações civis e militares, em virtude de todos os seus esforços para estabelecer a França como líder mundial na difusão da cultura do vinho.

Contudo, sem dúvida, o presente que mais representa essa amizade é a criação da Champagne Moët Imperial (branco e rosé), rótulos que compõem a maior parte da produção de Moët & Chadon. Na verdade, esses exemplares foram os responsáveis pelo fato de muitas vezes lembrarmos de Napoleão quando o Champagne Rosé nos vem à mente. Afinal, a garrafa “Imperial” foi nomeada desta forma logo após o falecimento do imperador, em 1869, e desde então a casa passou a produzir suas garrafas com essa denominação.


Definitivamente, fatos que serão lembrados na próxima vez em que você estiver degustando um belo e borbulhante champanhe. Então, acho que quem acompanha o blog sabe o quanto também sou apaixonada por história. E, se vinho é história engarrafada, sem dúvida, esse artigo me deixou muito feliz!

Até a próxima! Bons vinhos! Tim-Tim!

Referências: Livro “Champanhe” (Don & Petie Kladstrup), editora JZE./ Vine Pair.