Notas de Prova: Ribeiro Santo 2014 – O Dão Pelo Enólogo Carlos Lucas

Costumo dizer que, assim como as pessoas, os vinhos são organismos vivos, que se expressam de formas diferentes entre si. Ontem recebi da Winebrands o Ribeiro Santo, um menino da região portuguesa do Dão.  No início me pareceu um pouco tímido na taça, mas aos pouco, conforme fomos trocando ideias, enfim, ele foi se soltando.

Batemos um longo papo na companhia de uma irresistível pizza de cogumelos do Da Carmine, um dos meus restaurantes favoritos em Niterói. Digo que se trata de um menino, pois ainda pode evoluir muito em garrafa, como muitos dos seus irmãos lusitanos. Possui médio corpo, aroma e alma! Logo de cara, me levou por um bosque de frutos vermelhos maduros, flores  e especiarias.

Foi elaborado por Carlos Lucas com varietais bem típicas do Dão: Touriga Nacional,Tinta Roriz e Alfocheiro, sem passagem por madeira, preservando a expressão da fruta. Se é gastronômico? Muito! Quer saber o que mais achei dele?

WhatsApp Image 2017-06-15 at 12.02.35

NOTAS DE PROVA

VISUAL: Límpido, de coloração vermelho-rubi intenso, com reflexos rubi-claro.

OLFATIVO: Frutas vermelhas, com destaque para Amora. Notas florais que lembram violetas e um toque de especiarias (imagino ser pimenta-do-reino).

GUSTATIVO: Em boca, possui médios corpo e tanicidade , mantendo a tipicidade dos rótulos portugueses. De boa acidez, termina de se expressar de um jeito fresco e redondo.

HARMONIZA COM… Entradas, queijos, carnes leves e, inclusive, um típico bacalhau.

SOBRE O ENÓLOGO CARLOS LUCAS

Carlos Lucas iniciou a sua carreira como enólogo em 1992 na Adega Cooperativa de Nelas, após ter concluído  a sua formação em enologia com um DAA em Viticultura e Enologia na Escola Superior Nacional de Agronomia de Montpellier.

0003D794F04344

Ainda no Dão foi sócio fundador da empresa  Dão Sul onde foi Administrador e liderou a equipe de enologia desde 1994 até Agosto de 2011. Foi na década de 2000 que iniciou a produção de vinhos em outras regiões como o Douro, o Alentejo, a Bairrada e região de Lisboa. Ainda teve tempo para se dedicar a projetos além-fronteiras, com a produção de vinhos no Vale de São Francisco (Brasil), no Piemonte em Itália e ainda no Priorat, na vizinha Espanha.

Em todas estas regiões elabora vinhos para todos os gostos, desde entradas de gama a vinhos de topo reconhecidos pela imprensa nacional e internacional.

Seu trabalho foi reconhecido enquanto Administrador com vários prêmios entre os quais  “Empresa do Ano 2002”, “Empresa do Ano 2006” e “Enoturismo do ano 2008”.

Foi juri dos mais importantes concursos de vinhos mundiais  de onde se destaca a sua presença desde 1997 no Chalange Internacional du Vin em Bordeaux.


Quer conhecer o menino Ribeiro Santo 2014? No momento, ele se encontra à venda no site da WineBrands Brasil. A loja me enviou uma amostra para avaliar e contar o que achei para os meus leitores do Vila.

ribeiro_horizontal

 

Então é isso, enoamigos! Até a próxima! Bom feriadão! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referências: Winebrands Brasil, Magnum Carlos Lucas Vinhos. 

Anúncios

Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego

Na última sexta-feira estive no Restaurante Terra Brasilis, na Urca, a fim de conhecer um pouco mais sobre os vinhos da Vinícola Vaeni Naoussa, um dos maiores grupos de produtores de vinhos da Grécia.

Sim, a Vaeni controla a maioria dos vinhedos na área de Naoussa que, de acordo com mitologia grega, foi o berço do deus Dionísio, nosso amado Baco, símbolo do vinho até os dias de hoje.

Continuar lendo “Descobrindo Novos Sabores: Vaeni NAOUSSA e a História do Vinho Grego”

Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes

Volta e meia os especialistas mudam de opinião no que diz respeito à melhor taça para se degustar um espumante. Já foi a “coupe”, a “flûte” e, agora, ora vejam só… estão afirmando que uma taça no estilo tulipa (linda, na minha opinião!) ou uma simples taça de vinho branco seriam os artefatos ideais para analisar aroma e perlage com maior eficácia.

Continuar lendo “Winestyle: A Moda da Taça Tulipa Para Espumantes”

Notas de Prova: “5”, Uma Delícia de Blend da Vinícola Helios

Continuando com minhas notas de prova, trago mais um rótulo que recebi da Vinícola Helios uma amostra de um vinho que me surpreendeu muito positivamente. Trata-se de um corte (Assemblage) que não se encontra facilmente por aí, ainda mais aqui no Brasil, uma mistura de Tannat (10%), Merlot (30%) e Cabernet Sauvignon (60%). 

UM VINHO QUE ME FEZ VIAJAR ANTES MESMO DE PROVAR

Sim, é um vinho instigante desde o nome e design do rótulo até o paladar. Para começar, pensei em qual seria o significado do número 5. Por que? Seria o 5 um número da sorte? Algo a ver com numerologia? Se eu não desvendasse, nunca iria saber! Então, bora comigo!

WhatsApp Image 2017-06-07 at 10.52.42

“5” é o único exemplar cujo nome remete a um grupo de amigos. Logo de cara, já imaginei 5 companheiros, homens e mulheres, em volta de uma mesa degustando esse tinto encorpado, que passa 12 meses em barrica de carvalho francês antes de ser engarrafado.

A potência das castas Cabernet Sauvignon e Tannat fazem desse vinho o parceiro ideal para pratos requintados e substanciosos como carnes assadas, cordeiro e carnes de caça com molhos densos, bem como queijos fortes. Penso que a Merlot chega para dar uma amaciada nessas duas feras, dando origem a um caldo único e cheio de personalidade.

NOTAS DE PROVA


VISUAL: Coloração Rubi, com aro Rubi-Claro, sem reflexos. 

OLFATO: O nariz vem carregado de frutas vermelhas e negras, um certo toque de ameixa, tostado, frutas em compota, especiarias, baunilha e caramelo, que ficam mais evidentes com o passar do tempo em taça. 

5_helios

SABOR: em boca é elegante, moderno e ao mesmo tempo clássico. Possui boa adstringência, sendo realmente uma ótima opção para harmonizar com carnes vermelhas em geral. O final é longo e de boa persistência, lembrando frutas secas, caramelo e especiarias. Apesar da potência, é muito agradável e equilibrado. Acredito que esta sensação esteja ligada à presença da Merlot, que faz um par bacana com a Cabernet Sauvignon e a Tannat! O “5” brilhou como parceiro do meu Bife de Mignon com Legumes assados. Ficou sensacional!

Com certeza eu repetiria a experiência (junto com os amigos, claro! rs).

 

Um destaque desse vinho fica por conta de que o mesmo foi medalha de prata no concurso Grande Prova Vinhos do Brasil 2016, recebendo, ainda,  87 pontos da Revista Adega, uma das maiores publicações do país quando o assunto é vinho. 

FICHA TÉCNICA

  • ORIGEM: Guaporé – RS
  • PRODUTO: Hélios “5”
  • SAFRA: 2013
  • TIPO DE UVA: Cabernet Sauvignon (60)% Merlot (30%) e Tannat (10%)
  • GRAD. ALCOÓLICA: 13,0% vol.
  • ALTITUDE: 730 metros
  • CLIMA: Temperado Úmido
  • SOLO: Profundo, arenoso-argiloso e medianamente fértil.
  • SISTEMA DE CONDUÇÃO: Espaldeira.
  • PRODUÇÃO: 2,0 kg por planta.
  • ÉPOCA DA COLHEITA: Fevereiro e Março de 2013.
  • FERMENTAÇÃO: Maceração longa com as cascas (2 semanas).
  • BARRICA: 12 meses carvalho francês.
  • ENGARRAFADO: Julho de 2014.
  • NÚMERO DE GARRAFAS: 2.000.
  • LOTE: 01.
  • ESTILO: Vinho tinto encorpado com bom potencial de guarda.

O “5” se encontra à venda no site da Helios, junto com outros rótulos dessa vinícola brazuca que está dando o que falar no meio vinífero, sobretudo por produzir rótulos de alta qualidade, apesar do pouco tempo de mercado (a empresa foi lançada em 2014). E, para mim, tudo o que é bom e da nossa terra deve ser valorizado e divulgado. Saúde!

Então é isso, enoamigos! Para a galera da Expovinis 2017, estou aí com vocês em pensamento e coração. Meus deveres aqui no Rio me impediram de ir esse ano, mas no ano que vem, me aguardem!

Até a próxima! Bons Vinhos! Experiências Inesquecíveis! Tim-Tim!

 

 

Ávidos Douro: História de Amor e Inspiração Para o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados está chegando e nada melhor que celebrar com a nossa bebida favorita. Nessa hora, não importa se você tem ou não companhia. O que vale à pena mesmo é se cercar de gente querida e, sim, brindar ao amor em todas as suas expressões. 

COISA DO DESTINO

E quem me conhece sabe que acredito muito em destino. Realmente, nada acontece por acaso. Sendo assim, estava eu dando aquela olhadinha básica no Facebook até me deparar com um vinho de rótulo APAIXONADO. Desse jeito, em letras maiúsculas! Lindo e com um belo coração estilizado. Na mesma hora tive vontade de provar esse néctar romântico e ao mesmo tempo misterioso.

13335664_1804709913093649_5957848383132101623_n

Poucos minutos depois, eis que uma grande-recente-amiga me chama para dizer que poderia me colocar em contato com um dos casais que produz o vinho em Portugal, na região do Douro Superior. O mais curioso é que eles vivem no Rio de Janeiro. “Só podia ser coisa do destino”, pensei.

TUDO COMEÇOU COM UM CASAL APAIXONADO

O amor com que Christiane e Plínio falam de seus vinhos já declara o porquê do nome de seus rótulos principais. Amantes da bebida dos deuses, sempre acabavam visitando regiões vinícolas pelo mundo, ainda que este não fosse o motivo principal de suas viagens. 

13307201_1142766799120542_6935542909881693380_n
O casal Christiane e Plínio Simões

Até que um dia, no meio dessas andanças, se depararam com uma área no Douro, mais precisamente no Douro Superior, na margem direita do rio português. Trata-se da área mais seca e ensolarada do lugar, semi-árida, onde a videira chora e sofre para produzir poucos cachos de maravilhosas uvas. Sim, foi amor à primeira vista como visto nos melhores romances!

“É uma área de beleza pungente, sofrida, onde, de imediato, se é tomado por uma sensação diferente, inquietantemente agradável. Em 48 horas estávamos negociando a área, em 72 assinamos um compromisso e começamos a trabalhar nas vinhas, assistidos por um fabuloso enólogo, que nos ajudou em todos os passos do caminho.” contou Plínio

Após a paixão arrebatadora, o casal passou a pesquisar toda a história do lugar, tentando entender ao máximo de onde vinha a energia inusitada daquele terroir, bem como de suas sofridas videiras. Aos pouco, foram descobrindo as origens e  lendas daquela micro-região. Logo, se entregaram por completo, na companhia dos amigos Elsa e Marcos que, igualmente atraídos pelo local, compraram as terras vizinhas e , desde então, se tornaram sócios de Chris e Plínio na produção dos vinhos. 

GUIADOS POR UMA HISTÓRIA DE AMOR E INSPIRAÇÃO

Uma dessas lendas que até hoje inspira o casal trata da história de uma donzela lusa, dos tempos da Lusitânia, que se perdeu de paixão por um conquistador romano. Não aceitando o romance, os pais a esconderam fora dos limites da Lusitânia, atravessando o Rio Douro até a sua margem direita, mantendo-a em propriedades próximas ao rio, na Lousa, justamente onde se encontra o terroir da Ávidos Douro.

alcohol-1853380_640

Nesse local, a donzela passava dias e noites a chorar e a vagar perdida pelas encostas dos morros, com suas lágrimas impregnando as terras com seus sentimentos de amor, paixão, saudade e anseio pelo reencontro.

Estava explicada a energia que Christiane, Plínio, Elsa e Marcos sentiram e que é vivenciada por todos os que visitam os vinhedos, que relatam se sentir “diferentes”, embora sem saber explicar como ou por que.

A ÁVIDOS DOURO

Após esse turbilhão de sentimentos, não foi difícil concluírem que tanto a vinícola quanto seus quatro vinhos tintos (três ainda a serem lançados) deveriam orbitar em torno do amor sempre evocar essas emoções e desejos típicos de quem não se conforma e quer mais, tal qual os casais apaixonados.

ávidos

Logo, o nome Ávidos é uma  homenagem a quem anseia, a quem quer e não se contenta, sonha grande e corre atrás, de um amor, de uma conquista.

Apaixonado, para quem já alcançou o estágio seguinte, já sucumbiu à paixão, sendo esta realizada ou não, assim como o casal da lenda.

Anónimo, para não nos esquecermos do amor perdido que às vezes não mais se consegue sequer identificar, como o soldado da antiga lenda.

E, por fim, Amavio, palavra do português arcaico, quem sabe contemporânea dos  nossos apaixonados, usada para designar uma beberagem que favorece ao amor, ao entendimento, à sedução. Os dicionários antigos não esclarecem que beberagem era essa, mas, para nós, temos a certeza moral de que era o vinho!

NOTAS DE PROVA DO APAIXONADO

APAIXONADO 2016 ROSÉ 12,5% de volume alcoólico

O amor é cor-de-rosa, assim como esse Rosé, elaborado 100% com uvas da casta Touriga Nacional. A cor é linda, delicada e envolvente. Um rosa claro que não se parece com cereja e muito menos casca de cebola. Uma coloração única!

WhatsApp Image 2017-06-04 at 20.18.24

No nariz é floral e frutado, com notas de morango e cerejas frescas. Possui boa acidez e final redondo de média persistência, pedindo mais um gole. Surpreendente para uma primeira safra! Realmente, apaixonante.

APAIXONADO TINTO 2014 – 13,7% de volume alcoólico

Segundo Plínio Simões, o ano de 2014, apesar de períodos de bastante calor e seca, teve na época da maturação das uvas, Agosto e Setembro, temperaturas amenas e alguma chuva, permitindo uma maturação dos açúcares e taninos bastante equilibrada. Estas condições permitiram fazer vinhos muito elegantes e equilibrados com boa acidez e taninos suaves.

O APAIXONADO TINTO 2014 possui coloração rubi intensa, com reflexos violáceos. Produzido com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Amarela, se expressa com aroma de frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Apesar de ter estado por 16 meses em barrica de carvalho, o vinho é bem frutado e a madeira se apresenta de forma equilibrada, responsável por boa parte do “borogodó” do vinho que é, por si só, muito sedutor.

WhatsApp Image 2017-06-04 at 20.17.41

De taninos sedosos, possui um final de boca persistente (contei mais de 8 segundos). Digo para vocês que até da minha parte foi amor à primeira vista, tendo sido inesquecível na comemoração do Dia do Sommelier, no último sábado, 3 de junho.


Enfim,  é muita inspiração junta para esse Dia dos Namorados! E se você quer conquistar alguém, trata-se de uma ótima motivação. Afinal, certamente vai impressionar o seu amor.

Por fim, como bem me disse o Plínio, da Ávidos Douro,

“Um conselho de amigo: se não queres terminar dona de vinhedos, não se aventure na região. No máximo, tome o Apaixonado, tinto ou rosé, ou o Ávidos, Anónimo e Amavio, quando chegarem. De preferência, junto com a cara metade.”

Pois é, Plínio. Esse conselho só me deu ainda mais vontade de visitar essa região tão mítica que somente os casais apaixonados compreendem. Quem sabe um dia não chego naquelas terras em companhia da minha cara metade numa viagem romântica, hein? Me aguardem!


ONDE COMPRAR NO RIO DE JANEIRO:

1) Casa Carandaí
Rua Lopes Quintas, 165 – Jardim Botânico

2) Candy da Barra
Av. Armando Lombardi, 800, Loja N – Barra

3) Delly Gil
Rua Gilberto Cardoso, 1, loja 8 – Leblon (Cobal do Leblon)

ONDE ENCONTRAR NO DOURO, EM PORTUGAL

1) DOC – Rui Paula
Estrada Nacional, 222
Armamar – Douro
Tel.: +351 25465-8123

2). Restaurante Papa Zaide
Provesende – Douro
Tel.: +351 254 731 899

3) Garrafeira Gato Preto
Av João Franco
5050-226 Peso da Régua – Douro
Tel.: +351 25431-3367

4) Doces da Puri
Beco do Jaime 30
5140-182 Parambos -Douro Superior
+351 278 685233
http://www.docesdapuri.com

5) Pousada Barão Forrester
Rua Comendador José Rufino
5070 031 Alijó – Douro
+351 25995-9215

6) Taberna da Helena
Av. Aquilino Ribeiro s/n
5140.058 Carrazeda de Ansiães – Douro Superior
+351 278 615 083

ONDE ENCONTRAR NO PORTO, EM PORTUGAL

1) DOP – Rui Paula
Palácio das Artes, Largo de S. Domingos 18
4050-545 Porto
+351 22 201 4313

2) Restaurante Casa da Foz – Antônio Guimarães
+351 226 177 636


ONDE DEGUSTAR NO RIO:

1) Laguiole
Av. Infante Dom Henrique, 85
Glória – Rio de Janeiro
+55 21 2517.3129 / 98744.8679
reserva@laguiole.com.br
http://www.bestfork.com.br/laguiole/adega.php

2) Giuseppe Grill Leblon
Av. Bartolomeu Mitre, 370
Leblon – Rio de Janeiro
contato@giuseppegrill.com.br
+55 21 2249.3055
http://www.bestfork.com.br/giuseppegrill/leblon/

3) Lorenzo Bistrô
Rua Visc. Carandaí, 2
Jardim Botânico – Rio de Janeiro
http://www.lorenzobistro.com.br
+5521 3114 0855


Um belo Dia dos Namorados com muito amor e vinhos! Tim-Tim!

Wine Drinks: Um Chardonnay Aconchegante Para os Dias Frios

Já faz tempo que estava à procura de uma receitinha de coquetel com Chardonnay barricado, daquelas matadoras! Aliás, se você ainda acha que vinho branco não tem nada a ver com inverno, chegou a hora de mudar seus conceitos definitivamente.

Na minha opinião, esse estilo é perfeito para os dias mais frios do ano, quando se está a fim de desfrutar de uma bebida diferente, sobretudo se você é do tipo que não abre mão de um drink para celebrar com os amigos.

Essa delícia  pode vir antes ou depois dos vinhos escolhidos para a noite.

phpThumb_generated_thumbnail

Você quem sabe!

Ah, e transformar um Chardonnay com estágio em carvalho em um coquetel maravilhoso é mais fácil do que se imagina. Novamente, o nosso queridinho Aperol entra em cena para salvar a pátria. Anote a receitinha e prepare-se para os elogios!

INGREDIENTES

  • 120 ml de vinho branco, de preferência Chardonnay com estágio em barrica de carvalho.
  • 60 ml de Aperol
  • 5 gotas generosas de Orange Bitter (Trata-se de uma espécie de xarope aromático para dar mais sabor aos drinks. Vende aqui!. Mas, se você não encontrar, acho que vale substituir por Contreau ou qualquer outro licor de laranja).
  • Rodelas de Limão Siciliano ou Laranja para decorar.
  • Gelo.

MODO DE FAZER

Encha metade de um copo próprio para coquetéis com gelo. Adicione o Aperol, o Bitter e o Vinho Chardonnay, misturando-os bem. Em seguida, passe uma rodela de limão ou laranja na borda do copo, coloque na bebida e sirva-a imediatamente.

aperol


Adorei essa receitinha, pois é uma possibilidade de se usar o Aperol fora do tradicional Spritz com Prosecco. Sem falar que sempre é bom variar e testar novas formas de se degustar os nossos amados vinhos, não importa a estação do ano.

Então é isso! Reúna a sua galera e curta muito! Bom fim de semana! Ótimos vinhos! Tim-Tim!

Referência: CHOW

Vinhos da Península de Setúbal Brilham no Copacabana Palace

Ontem estive em mais uma celebração ao vinho português no tradicional Hotel Copacabana Palace, aqui no Rio. E, sim, os amigos lusitanos devem ter muito orgulho de seus fermentados. Afinal, provei tantos rótulos sensacionais que poderia ficar horas aqui dissertando sobre a expressão de cada um deles.

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.43.14

Para começar, todos os enoamigos mais queridos estavam presentes, desde as blogueiras Joana Rangel, Ana Borba e Tita Moraes, passando pelo Sommelier Marcelo Marques e sua bela e simpática esposa Patrícia Pacheco, até as maravilhosas confreiras do Amigas do Vinho, comandadas por Maria Lúcia Rodrigues.

Foi um encontro intimista, só para convidados – enófilos e profissionais do setor. Ou seja, o local estava povoado por aqueles que nutrem profunda paixão pelo néctar de Baco. E, realmente, os vinhos foram as grandes estrelas do evento.

PROFUSÃO DE CORES E SABORES

Entre as vinícolas e representantes presentes estavam Adega de Pegões,  Casa Ermelinda de Freitas, Herdade da Comporta, José Maria da Fonseca (sim, a Vinícola do icônico Periquita), Quinta Brejinho da Costa, Venâncio da Costa Lima e Quinta do Piloto, grande destaque, não só pela qualidade dos vinhos, mas também pelo carisma e atenção total do simpático Filipe Cardoso, também responsável pelos caldos da SIVIPA (Sociedade Vinícola de Palmela).

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.38.14
Sérgio Coelho e o simpático Filipe Cardoso, da SIVIPA e Quinta do Piloto

E o que falar dos Vinhos? Foram Espumantes, Brancos, Tintos e Rosés, além dos famosos Moscatéis que, de tão versáteis, se transformaram num delicioso Welcome Drink para os convidados: uma versão de “Porto Tônico” elaborada com o Moscatel de Setúbal, com direito a gelo, água tônica e limão siciliano. Maravilhoso!

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.39.57
Welcome Drink: Moscatel de Setúbal Tônico

O buffet ficou a cargo do Chef Executivo do Copa, David Mansaud, supersimpático e que fez questão de nos cumprimentar e receber nossos merecidos elogios. Sem dúvida foram comidinhas saborosas, que harmonizaram perfeitamente com os grandes vinhos presentes no evento.

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.39.30
Com Cristina, amiga da ISG

PENÍNSULA DE SETÚBAL: TRADIÇÃO EM VINHOS PORTUGUESES

A demarcação da Região do Moscatel de Setúbal em 1907 comprova toda a tradição do lugar para a vitivinicultura, que simplesmente é um dos mais antigos de Portugal para essa finalidade. A existência de vinhas tanto em zonas planas, como nas encostas da Serra da Arrábida, deu origem a uvas capazes de produzir vinhos de muita qualidade, com personalidades únicas e que contribuíram imensamente para que a região se afirme cada vez mais no mapa vitivinícola de Portugal e do mundo. 

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.39.12
O famoso néctar de Setúbal!

As castas mais plantadas desta região e que, de certa forma, traçaram o perfil do local, são a Castelão, Syrah, Aragonez (para as tintas e Moscatel de Setúbal) e Fernão Pires e Arinto, no caso das brancas. 

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA (I.G) DA PENÍNSULA DE SETÚBAL

D.O PALMELA: Abrangendo os conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e, ainda, a freguesia do Castelo, no conselho de Sesimbra, a Denominação de Origem (D.O) Palmela cobre a mesma área que a D.O de Setúbal, excluindo a produção de Moscatel. Nessa D.O são produzidos vinhos brancos, rosados, tintos, espumantes e licorosos, sendo que a estrela de Palmela é, sem dúvida, a varietal Castelão, exigida em pelo menos em 67% dos blends dos tintos. 

WhatsApp Image 2017-06-01 at 10.41.07 (1)

D.O DE SETÚBAL: É a região dos famosos Moscatéis! Os vinhos dessa D.O são produzidos na mesma área demarcada de Palmela, mas se refere apenas aos vinhos generosos/licorosos conhecidos como Moscatéis de Setúbal. Existem dois tipos de vinhos fortificados com essa denominação: o produzido com a casta branca Moscatel de Setúbal e o fabricado com a casta rosada Moscatel Roxo (meus favoritos!), cuja presença deve estar em pelo menos 67% do lote, podendo, contudo, estar associadas a outras castas, como Arinto, Fernão Pires etc. Entretanto, a tradição acabou exigindo que tais vinhos sejam elaborados com 100% dessas duas varietais. Logo, as designações tradicionais de Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal só podem ser empregadas quando essas castas contribuíram com, no mínimo, 85% do mosto (suco de uva) utilizado na fabricação dos vinhos. 


Então é isso, galera da enofilia! Sem dúvida estamos na temporada dos eventos de vinhos. Para mim, trata-se da oportunidade perfeita de rever e fazer amigos, além de conhecer um pouco mais sobre a nossa amada bebida dos deuses. Tudo é bagagem. Tudo é aprendizado. E quando a gente se compromete em fazer o que ama, qualquer atividade vira prazer e vontade de melhorar mais a cada dia.

Até a próxima! Ótimos Vinhos! Um brinde ao Conhecimento! Tim-Tim!